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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Chester Bennington (1976-2017)

Nunca pensei que viria a escrever um texto como este. Pelo menos não tão cedo.

 

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Na passada quinta-feira, Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park, foi encontrado morto em sua casa. Tudo indica que se suicidou por enforcamento.

 

Basta dar uma olhadela rápida a este blogue para perceberem que os Linkin Park são uma das minhas bandas preferidas. Tornei-me fã há dez anos e conto vários episódios marcantes relacionados com a banda e com Chester.

 

Um dos maiores foi o Rock in Rio de 2008. Foi o segundo concerto a que fui mas o primeiro que apreciei verdadeiramente. Em que senti pela primeira vez a magia de cantar em plenos pulmões, em coro com milhares de pessoas, canções que, normalmente, cantarolava baixinho enquanto as ouvia no meu MP3. Nessa noite senti-me integrada como nunca sentira antes, unida pela música à banda e àqueles noventa milhares de pessoas. O Chester, perto do fim do concerto, diria que poucas cidades amavam música tanto quanto Lisboa – eu sei que ele provavelmente dizia o mesmo em todos os concertos. Mas, na altura, eufórica como me sentia, acreditei.

 

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Foi uma das melhores noites da minha vida. No ano que se seguiu, mais coisa menos coisa, tive muitos dias tristes, muitas noites de insónias, em que me consolava recordando este concerto.

 

Tive a oportunidade de voltar a vê-los ao vivo em 2014, também no Rock in Rio – e de escrever sobre isso. Como poderão ler, foi a noite em que mais perto estive dele, fisicamente. Cheguei a tocar-lhe na mão.

 

Tenho muitas outras recordações, para além destas: ver o vídeo de Breaking the Habit na MTV, em 2004; ouvir Numb/Encore na rádio da minha escola secundária; ver o primeiro filme dos Transformers e reconhecer What I’ve Done; montar o meu primeiro AMV para New Divide, a minha música preferida deles; passar o dia 16 de abril de 2012 (lembro-me perfeitamente) cantarolando e dançando (e estava de saltos altos!) a recém-lançada Burn It Down; aquele momento no RiR de 2012, em que Chester canta Crawling cara a cara com os fãs e um deles coloca-lhe um cachecol do F.C.Porto nos ombros; vários vídeos de bastidores hilariantes – entre os quais um dele saltando à corda enquanto canta Wretches and Kings; um deles cantando sobre unicórnios e chupa-chupas; esta versão de Numb; dançando A Light that Never Comes.

 

Os motivos pelos quais gosto dos Linkin park são diferentes dos de outros fãs – pelo menos daquilo que tenho lido nas redes sociais. Não posso dizer que tenha sido uma coisa de adolescente – foi aos dezassete/dezoito anos que me deixei cativar a sério pela banda. Aquilo de que sempre gostei foi, sobretudo, dos cenários épicos, cinemáticos, de tempestades, lutas, explosões. Daí usá-las como fonte de inspiração para a minha escrita e para montar vídeos.

 

  

O que não significa que não apreciasse temas mais calminhos e emocionantes, como Castle of Glass e Leave Out All the Rest – esta última, à luz do que aconteceu, é ainda mais dolorosa do que o costume.

 

Por fim, os Linkin Park ajudaram-me a fazer a transição para música mais pesada, como por exemplo os Sum 41 e os Within Temptation – estes últimos chegaram a dizer que os Linkin Park foram umas das inspirações para o álbum The Silent Force. Acho que li num sítio qualquer que os Evanescence disseram o mesmo em relação ao seu álbum, Fallen, mas não consigo encontrar a fonte.

 

Também gosto muito do álbum Out of Ashes, dos Dead By Sunrise – o side-project do Chester. Nele está, aliás, incluída uma das minhas canções de amor preferidas. Tal como escrevi há uns anos, este álbum mostra facetas diferentes de Chester, facetas que ele não mostrava nos Linkin Park.

 

Conforme me tenho fartado de dizer neste blogue ao longo dos anos, o Chester era uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Toda a gente sabe que ele não teve uma vida fácil – quem não sabia, sabe-o agora. No entanto, não deixara de ser um bom homem, simpático, super divertido… Ainda há bem pouco tempo escrevi sobre isso aqui no blogue – pouco depois de ele ter publicado uma fotografia sua vestido de Pikachu!

 

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Eu ainda estou em negação. Quando penso que Chester Bennington morreu, há qualquer coisa no meu cérebro que rejeita automaticamente esse facto, como um erro 404 num computador. Não faz sentido! Ele era tão novo, tinha pelo menos metade de uma vida à sua frente! Eu habituei-me à “presença” dele, a saber que ele estava algures por aí, fazendo música, dando concertos, em brincadeiras com o Mike e os outros ou junto da mulher e dos filhos. Sabia que, de tanto em tanto tempo, ele lançaria um single novo, um álbum novo – com os Linkin Park ou não.

 

Agora dizem-me que ele já não está a fazer nada disso? Pode lá ser!

 

Uma das coisas que têm sido comentadas a propósito desta história diz respeito às críticas ao álbum One More Light. Muitos fãs, incluindo eu até certo ponto, não gostaram do som mais pop de músicas como Heavy. Até aqui tudo bem – não se pode agradar a todos.

 

No entanto, têm havido atitudes que ultrapassaram os limites – como o que aconteceu há pouco tempo, no Hellfest.

 

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Espero que esses estejam, agora, cheios de remorsos pelo que fizeram.

 

Não estou a dizer que tenha sido por causa deles e de outros que tais que Chester se suicidou. Tanto quanto sei, estas coisas raramente são assim tão lineares. Mas episódios como este não terão ajudado, de certeza.

 

Este género de ataques, de bullying, sobretudo nesta era das internetes, está tão normalizado que uma pessoa fica surpreendida quando descobre que os visados se sentiram magoados com estas atitudes. Em particular, quando os visados são pessoas famosas. Achamos que eles aprendem a ignorar estas coisas.

 

Penso, por exemplo, no Éder – que, antes da final do Europeu, era o alvo preferido das piadas e insultos dos adeptos, sem que ninguém questionasse essas práticas (eu mesma me deixei levar por isso, até certo ponto). Em entrevista ao Alta Definição, Éder revelou que esses insultos o magoaram e que, a certa altura, chegou a contemplar o suicídio.

 

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Tudo isto remonta para a cultura de bullying muito presente na sociedade, sobre a qual já falei aqui no blogue. Tendemos a educar as vítimas para aguentarem caladas, para não “fazerem queixinhas”, ensinamos-lhes que isto faz parte. Quando, na verdade, devíamos educar os agressores para não serem umas bestas, para tratarem as pessoas com respeito.

 

Outra questão para o qual isto tem alertado é para as doenças do foro psiquiátrico. Ainda agora escrevi sobre isso, a propósito do último álbum dos Paramore – que foi muito inspirado pela ansiedade e depressão da vocalista, Hayley Williams. Ela chegou a dizer, em entrevista, que, a certa altura, chegou a ter ideação suicida – foi aí que percebeu que precisava de ajuda.

 

Chester, pelos vistos, não conseguiu fazê-lo. Provavelmente nunca saberemos porquê – porque é que ele achou que a morte era preferível a ouvir dezenas de milhares de fãs cantando em coro com ele. Muitas pessoas teriam feito tudo para ajudá-lo, sobretudo se pudesse ter evitado este desfecho. Não só os amigos e familiares, mesmo os seus milhões de fãs. É difícil de compreender como é que ele não sabia isso. Mas a mente de uma pessoa deprimida não funciona da mesma maneira que a nossa.

 

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Aquelas pessoas que se põe com comentários do género “Que monstro é que deixa seis filhos sem pai?” tiram-me do sério. É só um exemplo dos inúmeros preconceitos que ainda existem em torno das doenças mentais – alguns dos quais já referi no texto anterior. Gostava que houvessem movimentos que desmentissem essas ideias – em Portugal, ainda não vi nada disso.

 

Dito isto, também sofro pela mulher e pelos filhos dele, pelo Mike, pelo Brad e os outros colegas da banda. Como é que se lida como uma coisa destas? Como é que se aceita isto? Como é que se explica o que aconteceu aos filhos dele? (As filhas mais novas não devem ter mais de seis anos.)

 

Não sei o que vai ser dos Linkin Park depois disto. Será que eles vão continuar com os membros restantes, com o Mike promovido a vocalista principal? Será que vão procurar um “substituto”?

 

Sinceramente, não sei se quero que eles continuem. Acho que nunca vão conseguir preencher o vazio, nunca vão encontrar ninguém capaz de fazer o que Chester fazia. No entanto, é a vida deles, é a decisão deles. Qualquer que ela seja, respeitá-la-ei e apoiá-la-ei.

 

  

Isto está a custar-me. Não tenho problemas em admitir que chorei – quando me pus a ver esta apresentação de One More Light. É uma boa pessoa, um ótimo músico, de voz monstruosa e energia inesgotável, que desapareceu. Que foi roubado aos familiares e aos amigos. É uma parte do meu mundo, uma parte deste blogue que morreu – a primeira análise que publiquei aqui foi ao álbum Living Things. Um homem que nunca poderei voltar a ver ao vivo, ou num direto do Facebook, lançando um single ou um álbum, fazendo palhaçadas nos bastidores. Que nunca poderei conhecer pessoalmente.

 

Eu até estava a trabalhar na análise a One More Light antes de isto acontecer. Tenho o texto todo planeado no meu caderno e já tinha começado a escrevê-lo. A médio/longo prazo, queria também escrever sobre os álbuns Hybrid Theory e Meteora, que andava a ouvir muito há uns meses.

 

Depois disto, não tenho coragem. Não tenho conseguido ouvir a música dele normalmente, como fazia ainda quinta-feira de manhã. Quero voltar a fazê-lo – porque uma parte do Chester continuará a viver na música dele – mas preciso de tempo.

 

Em jeito de conclusão, dizer apenas que estou grata pela vida de Chester. Pode ter sido curta, mas foi o suficiente para marcar a minha. O meu mundo, este blogue, não seriam os mesmos se ele não fosse ele.

 

Obrigada por tudo, Chester.

 

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Paramore - After Laughter (2017) #2

Segunda parte da análise a After Laughter. Primeira parte aqui.

 

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Existem algumas canções em After Laughter que fogem à norma do falsamente alegre. Uma delas é Forgiveness – que terá sido a primeira a ser composta para este álbum. Esta faixa é conduzida por notas suaves de guitarra, acompanhada por baixo e uma bateria discreta.

 

Consta que a letra de Forgiveness foi inspirada numa crise na relação de Hayley com o seu, em breve, ex-marido. O que não surpreende. A letra descreve um cenário em que alguém pede perdão, mas a narradora está ainda demasiado magoada para concedê-lo.

 

Uma pessoa poderia interpretar esta letra como um retrocesso. Em vários momentos ao longo do Self-Titled, Hayley parecia razoavelmente aberta ao perdão. Não tanto porque a(s) outra(s) pessoa(s) o merecessem, mais por uma questão de paz de espírito. É possível que seja assim para algumas situações, mas não para todas. Sobretudo se a ofensa em questão ainda está fresca na memória e/ou se a outra pessoa ainda não fez nada para merecer ser perdoada.

 

Por outro lado, podem existir casos em que “perdoar e esquecer” até seja benéfico para a pessoa ofendida. Dito isto, existem coisas que ninguém tem a obrigação de perdoar.

 

  

Desde Brand New Eyes, todos os trabalhos dos Paramore (incluindo o Singles Club) têm incluído uma balada acústica. After Laughter manteve essa tradição. Se dois desses números acústicos – Misguided Ghosts e Hate to See Your Heart Break – se juntassem e tivessem um filho, esse seria provavelmente 26. Para além da guitarra acústica, esta faixa possui ainda uma secção de violino lindíssima.

 

Em entrevista, Hayley revelou que escreveu a letra de 26 como uma carta para a versão mais jovem de si mesma. Eu diria, também, que esta letra representa um conflito entre o seu lado mais cínico e o seu lado mais sonhador. Os dois sempre se manifestaram na música dos Paramore (Careful e Brick By Boring Brick para o cinismo; Miracle e Daydreaming para o idealismo). Em 26, Hayley quer agarrar-se ao lado sonhador, idealista – embora sinta que a realidade a puxa para o cinismo.

 

Nem todas as canções em After Laughter são assim tão depressivas, felizmente. Uma delas é, por sinal, uma das minhas preferidas: Pool. Esta é a única canção de amor neste álbum. Em entrevista, Hayley referiu que não se sente muito à vontade no que toda a canções de amor, que provavelmente nunca criará uma música romântica propriamente dita, idílica, sem um senão, sem uma reserva. E agora, com a separação, duvido que tão depressa voltemos a ter canções de amor no reportório dos Paramore.

 

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Em linha com isso, Pool parece fazer referências à ansiedade de Hayley. A letra compara um relacionamento amoroso a um mar agitado ou a uma piscina sem fundo: mergulhar nele é algo arriscado, incerto, perigoso, mas irresistível. No fundo (no pun intended), a narradora está a aprender que, no amor, nem sempre poderá ter controlo total. Existirá sempre um grau de incerteza relativamente ao futuro.

 

Não que isso tenha resultado muito bem para a Hayley…

 

Pool tem, aliás, sido a minha canção de verão deste ano. Tanto graças à sua sonoridade new wave, à anos 90, que me dá uma certa nostalgia, bem como às várias referências aquáticas – algo de que sempre gostei, tal como referi num texto recente deste blogue.

 

A única canção verdadeiramente alegre em After Laughter é Grudges. Consta que Zac e Taylor colaboraram na composição do instrumental (que não difere muito do resto do álbum), o que motivou Hayley a escrever sobre o regresso do baterista à banda. A letra celebra, assim, o renascimento da amizade, deixando de lado o passado, os motivos da antiga zanga e a longa ausência. Os vocais de Zac na terceira parte da música foram bem sacados.

 

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Vou falar, agora, das músicas de que gosto menos em After Laughter. Caught in the Middle, para começar, deixa-me algo dividida. Não sou grande fã da parte musical – não sendo má, não é nada por aí além. O refrão, por sua vez, soa-me estranho, um bocadinho forçado.

 

Por outro lado, a letra de Caught in the Middle é aquela com a qual mais me identifico em todo o After Laughter. Há coisa de uns dois, três anos, estive numa situação semelhante à descrita nesta letra: incapaz de pensar no passado, nos sonhos que tinha, nas promessas que fizera a mim mesma, e que não tinham dado em nada; cheia de medo de pensar no futuro a médio/longo prazo. Ainda hoje, em dias maus, chego a regressar temporariamente a esse modo.

 

Felizmente, não era algo que interferisse assim tanto com a minha vida, que me impedisse de funcionar normalmente. O caso da Hayley terá sido bem mais grave – ao ponto de,como ela descreveu em entrevista, ter desistido temporariamente da banda, ter passado dias e dias a ver séries, sem sair da cama, ter tido mesmo um diagnóstico de depressão e ansiedade. Costuma-se dizer, de resto, que a depressão ocorre quando somos atormentados pelo passado e a ansiedade ocorre quando somos atormentados pelo futuro – mas isto, claro, é simplificar demasiado a questão.

 

Não posso deixar de falar daqueles que serão, de longe, os melhores versos neste álbum: “I don't need no help, I can sabotage me by myself”, cantados no melhor tom sarcástico de Hayley. Tenho vindo a perceber, nos últimos tempos, que também tenho uma tendência para me boicotar a mim mesma. Ando a tratar disso…

 

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Mas este álbum é a consulta no psicólogo da Hayley, não minha.

 

Tenho tido um relacionamento complicado com Idle Worship. Nesta música, encontramos uma Hayley cínica, amarga, mesmo enraivecida. Sob um instrumental mais sombrio que no resto do álbum, Hayley tece críticas à veneração que muitos fãs nutrem por ela.

 

Confesso que fiquei, um pouco, com as orelhas a arder. Já passei há muito a fase de ter ídolos absolutos. Dito isto, muitos de vocês já terão reparado que passo a vida a falar de Hayley como uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música, a minha guia espiritual. Sobretudo graças ao marcante álbum Self-Titled.

 

Mas não posso dizer que Hayley esteja errada – que não seja um fardo ter tanta gente idolatrando-nos. Não me custa, aliás, imaginar uma Hayley deprimida sentindo-se a anos-luz da carismática vocalista dos Paramore, que dominava os palcos com a sua voz, a sua energia e o seu cabelo cor de chama.

 

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Este pode, até, ser outro dos motivos pelos quais ela desistiu dos Paramore por algum tempo – por não se sentir capaz de voltar a ser a Hayley que todos conhecemos e adoramos.

 

Por outro lado, Idle Worship serve para nos recordar que, só porque Hayley é uma cantora excelente e bem sucedida, isso não significa que não tenha problemas, falhas, como toda a gente. O seu iminente divórcio é um bom exemplo disso. Não é de todo razoável exigir que ela seja sempre um exemplo a seguir, que faça tudo bem, que não cometa erros.

 

Até porque Hayley sabe perfeitamente que, nos piores momentos da banda, toda a gente se volta contra ela. Já aconteceu antes. Várias vezes.

 

Devo dizer, no entanto, que Hayley não é uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música por achar que ela é (ou deveria ser) sempre perfeita, carismática, glamourosa – essa criatura, se existisse, não teria nada a ver comigo. Ela é uma das minhas preferidas porque é humana, com falhas e dificuldades tal como todos nós – e porque transfere a sua humanidade para a sua música.

 

  

No Friend é uma música que demorei algum tempo a compreender. Quando a ouvi pela primeira vez, cheguei a pensar que era um glitch ou algo do género – com o seu riff de guitarra repetitivo e os vocais masculinos que mal se conseguem ouvir. Consta, então, que foi co-composta e interpretada por Aaron Weiss, dos MeWithoutYou (que Hayley refere como a sua banda preferida). Os Os registos originais no site da ASCAP indicam que esta foi composta como um outro para Idle Worship – e de facto notam-se algumas semelhanças no instrumental. A letra torna, além disso, a pegar no tema da veneração tóxica.

 

Muitos fãs têm estranhado a música, eu incluída. No entanto, está a acontecer comigo o mesmo o que aconteceu com Future, no Self-Titled: de início, também não gostava, mas acabei por compreender o seu propósito.

 

A minha teoria é que os membros oficiais dos Paramore, Hayley sobretudo, a certa altura, precisaram de exorcizar demónios no que diz respeito à história turbulenta da banda. Precisaram de alguém de fora que dissesse coisas que eles, provavelmente, sentem, mas que não têm coragem de dizer eles mesmos. E a letra escrita por Aaron Weiss acaba por fazer referências a vários temas da discografia dos Paramore. No Friend não é, de todo, uma das minhas canções preferidas em After Laughter, mas compreendo a sua inclusão no álbum.

 

Até porque, ao deitar toda a raiva cá para fora, abre-se caminho a Tell Me How: o momento mais vulnerável em After Laughter.

 

  

Tell Me How é conduzida por notas de piano, ao qual se juntam notas de guitarra e uma bateria discreta, tudo muito suave. Na mesma linha, os vocais de Hayley são graves, quase sussurrados, magoados.

 

Fora de contexto, poder-se-ia pensar que a letra se refere a uma separação amorosa. No entanto, para uma pessoa minimamente informada sobre a situação da banda ao longo dos últimos anos, fica claro que a letra sobre Jeremy. Hayley chora (mais uma) amizade que perdeu, as infinitas mudanças na banda, o eterno ciclo de destruição e reconstrução dos Paramore. Uma das frases que se destaca em Tell Me How é a que reza “Of all the weapons you fight with, your silence is the most violent”.

 

Suponho que esta seja a parte da Hayley que desistiu da banda durante algum tempo.

 

A ideia com que fico é que, em Tell Me How, Hayley se encontra numa encruzilhada. Não só sem saber se deve continuar nos Paramore ou não, mas também sem saber se deve continuar a debater-se com o passado, a tentar descobrir onde é que errou, ou se deve seguir com a sua vida.

 

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Gosto de pensar que Hayley escolheu a segunda opção, que é a isso que se referem os versos finais. Tell Me How (e o próprio álbum After Laughter) termina com Hayley dizendo “I can still believe” – uma nota de esperança encerrando um álbum bastante deprimente, na sua maioria.

 

After Laughter não é tão bom (ou melhor, não é tão arrebatador) como o Self-Titled, mas também não estava à espera que fosse. É, no entanto, tão intricado e introspetivo como são os álbuns anteriores. E as referências a problemas de saúde mental – ainda muito pouco falados e cheios de preconceitos – tornam-no ainda mais relevante.

 

Aquilo que mais impacto me tem causado, no que toca a After Laughter, é a mudança na mensagem relativamente ao Self-Titled. Tal como escrevi na altura, este último é um álbum de sobreviventes, de vencedores, um álbum otimista, confiante no futuro. Admito mesmo que esse espírito me contagiou, a certa altura na minha vida. Fez-me sentir igualmente confiante, otimista, convencida de que já sabia como a vida funcionava, qual era o meu lugar no mundo.

 

É óbvio, agora, que a realidade havia de nos atingir, mais cedo ou mais tarde. No caso da banda, isso veio na forma da desistência de Jeremy e talvez mesmo na separação de Hayley.

 

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Esse, de resto, é o tema de After Laughter: o momento em que a batata quente nos explode nas mãos sem que estivéssemos à espera. O momento após uma gargalhada em que regressamos ao mundo real.

 

O facto de a banda, ao que parece, ter deixado para trás os elementos emo/pop punk tem causado controvérsia entre os fãs e não só. Era de esperar. Pessoalmente, admito que terei algumas saudades das guitarras pesadas em Paramore. À parte isso, a mudança de estilo não me incomoda, porque as músicas são boas. Estão muito bem feitas, com vários elementos que não se notam à primeira audição, com boas letras. O rótulo que os demais queiram colocar neste estilo musical é irrelevante.

 

O regresso dos Paramore às luzes da ribalta, de resto, tem-me feito redescobrir – mais uma vez – a discografia deles. Em particular o primeiro, All We Know Is Falling. Estou a descobrir que a tensão, os conflitos, a instabilidade fazem parte do DNA dos Paramore. O seu primeiro álbum foi maioritariamente inspirado pela desistência de um membro, Jeremy (a primeira, apenas temporária). Músicas desse álbum, como a homónima All We Know, Pressure, Here We Go Again, Conspiracy continuam a aplicar-se bem à banda, sobretudo nos momentos mais turbulentos.

 

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Os Paramore bem podem dizer que, agora, estão mais fortes do que nunca e tal, mas eu já ouvi essa antes – e só os acompanho a sério desde finais de 2010! Fãs mais antigos já devem ter ouvido esta mais vezes. Estou cada vez mais convencida de que a banda nunca terá estabilidade. Poderá chegar o dia em que termine de vez – ou, pelo menos, em que entre num hiato prolongado.

 

Depois de ter escrito sobre Riot! há dois anos, planeava escrever sobre Brand New Eyes pouco tempo depois. Confesso que tencionava tecer duras críticas aos membros da banda, por terem dito que a criação daquele álbum tinha resolvido os conflitos dentro do grupo. O que claramente não era verdade – conforme provado pela saída de Josh e Zac.

 

No entanto, depois de Jeremy ter saído da banda, fiquei sem coragem para escrever sobre isso – porque teria de admitir que o Self-Titled, um dos álbuns da minha vida, era igualmente “mentiroso”.

 

Só agora, mais de um ano e meio após a partida de Jeremy, em que começo a aceitar a eterna instabilidade da banda, é que me sinto em condições de escrever sobre Brand New Eyes. Não será a curto prazo – talvez daqui a uns meses.

 

Já agora, um aparte sobre os meus planos imediatos para o blogue. Tenho ainda dois álbuns lançados recentemente sobre os quais quero escrever. Um deles é One More Light, dos Linkin Park (Alerta Spoiler: gostei mais do que estava à espera mas, mesmo assim, não por aí além). O outro é Melodrama, de Lorde (Alerta Spoiler: A miúda não desiludiu, de todo). Espero não me demorar muito tempo com estes textos.

 

Quanto aos Paramore, ainda que esteja algo cética relativamente ao futuro da banda, espero, no entanto, que os próximos tempos sejam mais felizes para a Hayley, o Zac e o Taylor.

 

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Paramore - After Laughter (2017) #1

 

No passado dia 12 de maio, os Paramore lançaram o seu quinto álbum de estúdio, intitulado After Laughter. Eu comecei a trabalhar na análise a esse disco no dia em que saiu, acreditem. Só que, entretanto, a Seleção Portuguesa entrou em ação e assim se manteve durante mais de um mês. Ou seja, quase todo o tempo de escrita que tive foi consumido pelo meu outro blogue.

 

Daí que esta análise só esteja a ser publicada agora.

 

A vantagem deste atraso é ter apanhado umas quantas entrevistas sobre o álbum, em particular a da revista Fader – que revela imenso sobre After Laughter e mesmo sobre a história de Hayley e dos Paramore como banda. Apanhei essas entrevistas… e a separação de Hayley e do seu marido.

 

Lá se vai uma das minhas canções de amor preferidas.

 

Como tenho muito a dizer sobre After Laughter, resolvi dividir esta análise em duas partes. O resto será publicado amanhã. Falemos, então, sobre o quinto álbum de estúdio dos Paramore.

 

 

Aquilo que salta à vista (ou melhor, à audição) ao ouvir After Laughter é a sonoridade – os elementos de pop punk são praticamente inexistentes. Temos guitarras elétricas, sim, mas usadas de maneira diferente – em vez de acordes pesados, temos notas mais soltas, misturadas com xilofones, teclados e sintetizadores. O resultado é um som tropical, com elementos de new wave e de pop dos anos 80. Uma pessoa pode ser levada a pensar que After Laughter é um disco leve, de verão.

 

Desde que não se ligue às letras.

 

Uma das características deste álbum é a sua consistência: o facto de as músicas serem parecidas umas com as outras, embora não ao ponto de se confundirem. O reverso da medalha é que, a partir de certa altura, as coisas tornam-se demasiado formulaicas. Falo, sobretudo, das terceiras estâncias – se forem a ver, numa boa parte das músicas, as terceiras estâncias consistem, apenas, em um ou dois versos repetidos inúmeras vezes (nalguns casos com variações mínimas). Ao fim de algum tempo, cansa.

 

Outro aspeto menos bom em After Laughter é o facto de os vocais de Hayley não impressionarem por aí além – pelo menos em comparação com álbuns anteriores. Existem, aliás, muitas ocasiões em que os vocais se reduzem a quase sussurros.

 

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Também é verdade que vocais muito agudos e/ou prolongados, estilo Now, Decode ou Misery Business, não se encaixariam muito bem neste tipo de música. Além disso, há que recordar que Hayley estava a debater-se com depressão aquando das gravações de After Laughter – é bem possível que ela não tivesse vontade de elevar a voz. Por outro lado, visto que muitas destas músicas foram precisamente inspiradas pela depressão de Hayley, os vocais baixos adequam-se, sobretudo nos momentos de maior vulnerabilidade.

 

O que nos leva às letras das canções. Todos os álbuns dos Paramore, à exceção de Riot!, têm-se inspirado numa qualquer crise atravessada pela banda – porque, conforme comentámos extensivamente antes, a banda está sempre a atravessar uma crise ou tentando recuperar-se após uma crise. After Laughter não é exceção – até porque é o primeiro álbum que a banda edita após a saída do baixista Jeremy Davies. A inspiração, no entanto, não é assim tão direta na maior parte das músicas – só no sentido em que a crise nos Paramore poderá ter despoletado a depressão e ansiedade de Hayley.

 

O álbum After Laughter tem, aliás, sido elogiado precisamente por se focar em diferentes aspetos da vida de alguém que lida com um qualquer problema de saúde mental (eu ainda tenho algumas dificuldades em dizer, pura e simplesmente, doença mental por causa de todo o estigma associado), seja uma depressão, uma crise de ansiedade. Ou então, que esteja apenas a passar por… bem, tempos difíceis.

 

Por exemplo, Told You So fala sobre profetas da desgraça, que em vez de ajudarem, ainda mais enterram a pessoa. Rose-Colored Boy, ao invés, fala sobre pessoas que não sabem de todo o que acontece numa depressão, que acham que tudo se resolve com sorrisos e “pensamento positivo”. Forgiveness fala, precisamente, sobre as dificuldades em “perdoar e esquecer”. Caught in the Middle fala sobre desorientação. 26 fala sobre cinismo e sonhos desfeitos. Tell Me How revela vulnerabilidades.

 

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Isto pode ser um bocadinho esticado, mas, na minha opinião, em After Laughter existe uma canção para cada fase do luto. Hard Times representa a negação ou, pelo menos, o choque. No Friend e, talvez, Iddle Worship representam a raiva. 26 simboliza a negociação. Por sua vez, Tell Me How representa a parte da depressão e existem ainda algumas pistas, perto do fim da faixa, que apontam para uma eventual aceitação. Hayley referiu, em entrevista, que ainda não tinha ultrapassado por completo certas coisas de que fala em After Laughter – nesse aspeto, não é de surpreender que não haja uma única música para aceitação.

 

Falemos, agora, sobre as músicas em si. Hard Times (sobre a qual já falámos antes) é a primeira na tracklist e foi o primeiro single. Quando escrevi sobre ela, critiquei a letra por trazer pouco de novo no que toca aos Paramore. No entanto, agora que conhecemos o resto do álbum, faz sentido que esta seja/tenha sido a primeira canção que ouvimos em After Laughter: uma vez que apresenta o tema e estrutura da maior parte das faixas do álbum e faz uma ligação com os trabalhos anteriores.

 

Confesso, por outro lado, que nesta fase ando um bocadinho farta de Hard Times – a maior parte das outras canções em After Laughter são melhores, tanto em termos de letra como da musicalidade.

 

Uma das minhas preferidas neste álbum é Rose-Colored Boy. Calculo que seja uma das mais pop neste álbum e onde mais se notam as influências dos anos 80 – eu, pelo menos, vejo algumas semelhanças com a clássica Girls Just Want to Have Fun. As primeiras notas dão logo a ideia de uma festa numa praia tropical – sensação reforçada pelos vocais, estilo meninas de claque “Low key! No pressure! Just hang with me and my weather!”.

 

 

É claro que a última coisa em que a letra nos faz pensar é em festas. Rose-Colored Boy fala sobre aquelas pessoas irritantes, que insistem em ver o lado positivo em tudo. Ou que acham que as pessoas só caem em depressões porque têm pena de si próprias e que, se fizessem um esforço, curavam-se (acreditem, há muitos a pensar assim). Alguns fãs especulam sobre a identidade do tal Rose-Colored Boy: há quem diga que é o Taylor (pouco provável, na minha opinião), há quem diga que é Chad Gilbert, o, em breve, ex-marido de Hayley. Eu, no entanto, acredito que Hayley se terá cruzado com inúmeros Rose-Colored Boys e Girls aquando da sua depressão.

 

Pessoalmente, nunca fui uma pessoa pessimista ou cínica, nem faço questão de o ser. Prefiro sentir-me alegre em vez de me sentir triste e encarar a vida com esperança e otimismo. Mas a verdade é que o otimismo e o “pensamento positivo” só ajudam até certo ponto – quando estes implicam a repressão de sentimentos negativos, como a raiva ou a tristeza, são mesmo prejudiciais. E, conforme aprendemos com o filme Inside Out/Divertida-mente (vi-o pela primeira vez há bem pouco tempo e ando obececada com ele), a tristeza é saudável. A pressão para reprimir a infelicidade, para estar sempre feliz, otimista, sorrindo com os dentes todos, é precisamente aquilo que leva uma pessoa à depressão.

 

O que nos leva a Fake Happy (que, ao que parece, será o próximo single de After Laughter).

 

  

Esta música possui uma introduçãozinha acústica, com vocais graves, resumindo a mensagem da canção. Depois, soam os teclados. Os vocais de Hayley soam saltitantes, irresistíveis – sobretudo no pré-refrão. O refrão em si é tão cativante como os das melhores músicas dos Paramore.

 

Fake Happy fala, assim, sobre a dificuldade em manter as aparências quando nos sentimos infelizes – e, ao mesmo tempo, sobre a futilidade dessas aparências quando, na verdade, todos fingem ser mais felizes do que realmente são. Uma mensagem relevante nos dias que correm, em que as pessoas procuram vender a sua vida como perfeita nas redes sociais. Consta, até, que os americanos são particularmente obcecados pela ideia de felicidade e pensamento positivo.

 

Eu acho curioso porque Portugal tem uma cultura oposta. Conforme referido neste artigo da BBC, no nosso país, há uma cultura de tristeza – com o fado e os poemas de Camões, que achava que a sua vida era a “mais desgraçada que jamais se viu”. Os portugueses gostam de ser infelizes. Não é costume as pessoas fingirem ser felizes por cá, pelo menos não no contacto pessoa a pessoa (as redes sociais são uma história diferente).

 

Aliás, só ao longo do último ano, com a vitória da Seleção no Euro 2016, a vitória de Salvador Sobral no Festival da Canção, a popularidade de Portugal lá por fora, entre outras coisas, é que nos temos atrevido a ser um pouco mais felizes.

 

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Nunca fui fã desta cultura de tristeza. No entanto, reconheço que pode ser saudável, sobretudo num contexto de uma depressão ou de outra doença psiquiátrica semelhante.

 

Agora que penso nisso, se os Paramore fossem portugueses, não teriam criado um álbum falsamente alegre, como After Laughter. Teriam cantado fado (a versão portuguesa da cultura emo).

 

Mas estou a desviar-me.

 

Só para concluir, referir que, na minha opinião, Fake Happy funcionaria bem como título alternativo a este álbum: com as suas músicas com instrumentais e melodias alegres, mas com letras deprimentes. Tenho visto muitas pessoas deixando-se enganar.

 

  

Told You So – a segunda canção de After Laughter que conhecemos – acaba por funcionar como a antítese de Rose-Colored Boy. Desta feita, lidamos com os Velhos do Restelo, aquelas pessoas que parecem sentir um gozo especial quando as suas previsões pessimistas se concretizam, ou ao verem uma pessoa que invejam passando por um mau bocado. Esta sim é uma realidade bem portuguesa. Em Told You So, Hayley procura agarrar-se a uns resíduos de esperança e otimismo – algo que se torna quase impossível, com pessoas como as que acabo de descrever.

 

Gosto imenso da sonoridade de Told You So. Os riffs de guitarra e o xilofone do Taylor são excelentes, sobretudo no refrão, casando bem com os vocais, mais uma vez, ritmados e saltitantes de Hayley. Devo dizer, no entanto, que, à semelhança do que aconteceu com Hard Times, a letra de Told You So está uns furos abaixo do nível habitual dos Paramore. É demasiado curta e simplista, sobretudo a repetitiva terceira estância.

 

Por outro lado, não é fácil cantar “Throw me into the fire, throw me in, pull me out again" muitas vezes de seguida, como Hayley faz. Eu, pelo menos, troco-me toda.

 

Visto que Hard Times e Told You So saíram antes do resto do álbum, cheguei a temer que todas as letras em After Laughter fossem assim – mais fraquinhas que o habitual. Não foi o que aconteceu, felizmente, tal como já vimos e ainda vamos ver a seguir.

 

  

Queria falar, ainda, sobre o videoclipe de Told You So – que foi realizado pelo baterista da banda, Zac. Nele, começamos por ver Hayley vestida de preto, numa casa escura – uma metáfora para a depressão, quase de certeza. Os rapazes – Zac e Taylor – acabam por vir buscá-la, num carro antigo. As sombras não desaparecem completamente, mas pelo menos agora Hayley não está sozinha.

 

A banda revelou em entrevista, pouco após o lançamento do vídeo, que, aquando das gravações de After Laughter, os três costumavam viajar juntos no carro de Zac. Nessas alturas, a ansiedade de Hayley dava tréguas. Zac percebia mesmo que ela se sentia mais calma, mais aliviada, durante essas viagens. O carro dele era um porto seguro.

 

Acho amoroso que Zac tenha querido homenagear isso no videoclipe. Os Paramore podem ser uma banda de estabilidade precária, mas são coisas como estas que me ajudam a ter esperança no futuro deles.

 

É com esta nota positiva que nos despedimos por hoje. Regressamos amanhã com a segunda parte da análise a After Laughter.

 

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Músicas Ao Calhas - Porto Côvo

Uma eternidade depois da última vez, hoje a rubrica Músicas Ao Calhas regressa ao blogue. Queria publicar este texto hoje, não porque a música em questão tenha alguma coisa a ver com o Dia Internacional da Criança, mas sim porque conheci-a neste dia há dezassete anos.

 

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Eu tinha dez anos, na altura (já me achava demasiado crescida para o Dia da Criança, por acaso) e andava no quinto ano. Nesse dia, uma das aulas que tive era de Português e, como era o Dia da Criança, a “stôra” quis fazer algo diferente. Trouxe um leitor de cassetes (ou de CDs? Não me lembro ao certo…), pôs a tocar Porto Côvo, de Rui Veloso, e distribuiu-nos fichas com a letra, para interpretarmos. Foi aí que lhe tomei o gosto.

 

No Natal seguinte, um dos presentes (já não me lembro se do meu pai para a minha mãe ou vice-versa) foi a compilação que celebrava os vinte anos de carreira de Rui Veloso (isto há dezassete anos!). Quando descobri que Porto Côvo fazia parte da tracklist, fiquei toda contente.

 

A canção é, de facto, lindíssima – duvido que alguém discorde. Porto Côvo é uma música calminha, guiada por notas de guitarra. Melancólica, nostálgica, sem se tornar demasiado triste, a condizer com a letra.

 

Esta é igualmente bonita. Outra coisa não seria de esperar de uma letra escrita por Carlos Tê. Porto Côvo pinta a imagem de um fim de tarde que desagua em noite cerrada, na costa alentejana. Existem também referências a um acampamento e o sargo, no braseiro, deve ser o jantar. Penso que um dos exercícios dessa aula era, de resto, assinalar os complementos circunstanciais de lugar (será que ainda se chamam assim?) – pelo menos, lembro-me de sublinhar expressões como “em baixo”, “ao largo”, “à volta”.

 

 

O mar foi sempre uma grande fonte de inspiração para a arte e cultura portuguesas, por motivos óbvios. Eu mesma, desde miúda, senti grande afinidade para o mar, praia e quase tudo o que se relacione com água. Como tal, o cenário descrito por Porto Côvo é, na minha opinião, idílico.

 

O refrão refere a Ilha do Pessegueiro – pergunto-me se é lá que o narrador está a roer a laranja e a descrever a paisagem. Curiosamente, o nome da ilha nada tem a ver com pêssegos – segundo o que pesquisei, esta funcionava como centro piscatório no tempo dos Romanos. O nome terá evoluído de “piscatório” ou “pesqueiro” para “pessegueiro” – a língua portuguesa é engraçada…

 

Assim, o pessegueiro é, obviamente, ficcional (será que alguém alguma vez terá tentado plantar um pessegueiro lá, só pela graça?) – bem como o “vizir de Odemira” que o terá plantado. Não sei, aliás, se era absolutamente necessário esse vizir se ter suicidado por um desgosto amoroso.

 

Suponho que o fatalismo seja tão icónico na cultura portuguesa como o mar.

 

  

Eu, na verdade, já devia ter visitado Porto Côvo e a Ilha do Pessegueiro há muito tempo. Julgo que é uma das poucas zonas do país que ainda não visitei (se o fiz, era demasiado nova para me lembrar). Hei de lá ir, um dia.

 

Por tudo isto, Porto Côvo é, na minha opinião, uma das canções mais bonitas da música portuguesa. Admito, no entanto, que tenho um viés, pela maneira como conheci a música. Não me lembro do nome da minha professora de Português do quinto ano. Não sei o que é feito dela. Mas, sempre que oiço Porto Côvo, lembro-me dessa aula, no Dia da Criança de 2000. Na possibilidade remota de ela ler estas palavras, “stôra”, obrigada!

 

Digimon Adventure Tri - Soshitsu (Perda) #3

Terceira e última parte da análise a Soshitsu. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui.

 

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Aquando do combate com Machinedramon, que atua às ordens do Dark Gennai, as incoerências continuam. Um dos exemplos é o ataque da Salamon (de nível Infantil) que foi capaz de afetar o Machinedramon. O navio para onde os Escolhidos fogem também parece vindo do nada (será o mesmo daquele episódio filler do segundo arco de Adventure?).

 

No navio, os Escolhidos dispõem de apenas alguns minutos para respirarem e processarem o monólogo do Dark Gennai. Quando este último regressa, com o Machinedramon, Sora recebe instruções para ficar para trás, com Meiko. O resto do grupo divide-se, numa tentativa de despistar o Dark Gennai: Tai, Matt e Kari para um lado, os restantes para outro.

 

Matt, Tai e Kari são atacados por um MetalSeadramon, sendo arrastados para o mar (ou lago? Não dá para perceber…). Nova incoerência (alguém está a contar? Vamos em quantas?) quando Gabumon atinge MetalSeadramon com eficácia. No momento seguinte, contudo Tai e Matt apenas conseguem desviar os respetivos companheiros Digimon antes de o MetalSeadramon tentar afogá-los.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu não consegui evitar afligir-me ao ver Kari sozinha, à superfície, gritando pelo seu onii-chan.

 

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Debaixo de água, Tai e Matt têm uma estranha epifania em que, de alguma forma, comunicam com Agumon e Gabumon. Os dois rapazes, em suma, renovam os votos de amizade e lealdade eterna para com os seus Digimon – tal como Meiko havia feito antes. Conforme o António assinalou, a cena faz lembrar o momento da Mega Evolução do Charizard, em Pokémon Origins. Em todo o caso, é o suficiente para ativar os dispositivos digitais. Assim, Tai e Matt regressam à superfície nas costas de WarGreymon e MetalGarurumon, respetivamente, ao som de Butter-fly.

 

Depois disso, temos digievoluções como o ketchup. A primeira é a de Salamon para Gatomon, quando Kari nem se tenta desviar de mais um ataque do MetalSeadramon. Temos direito à sequência completa de digievolução (não imaginam a estranheza que me provoca ouvir Butter-fly durante este momento… mas também estavam a guardar Brave Heart para outra ocasião) e, pelas Bestas Sagradas, o desenho de Gatomon nesta sequência é horrível!

 

Por outro lado, desapareceram os "2" que, antes, víamos nas sequências de digievolução em Tri. Talvez seja porque, agora, os Digimon não estão infetados – mas isso quer dizer que eles foram infetados logo em Saikai? E só desenvolveram sintomas em Kokuhaku?

 

Por sua vez, Joe, Mimi, Izzy e T.K. haviam fugido para uma zona de icebergues, mas Gennai e Machinedramon conseguem chegar a eles. É agora que temos um dos pontos altos do filme: Joe atirando-se ao Dark Gennai (eu adoro este rapaz!). Gennai, infelizmente, afasta-o com facilidade, mas logo Gomamon riposta com os seus icónicos peixinhos.

 

 

Entretanto, Sora – que tivera já um momento Byomon, em que a última reconhece, pela primeira vez, que Sora é boa pessoa – junta-se ao grupo, deixando Meiko para trás. Isto revelar-se-á um erro fatal, como veremos já a seguir.

 

Uma das coisas por que mais ansiava em Soshitsu era, naturalmente, a digievolução de Byomon para o nível Extremo/Hiper Campeão. No geral, fiquei satisfeita, mas essa estreia veio acompanhada de uns quantos momentos WTF?!? A certa altura, Machinedramon agarra Byomon e Sora, sendo Sora, atira-se à garra dele. Segue-se a maior incoerência de todo o filme: Machinedramon esmaga Sora contra o icebergue duas vezes e a jovem sobrevive sem uma costela partida ou um órgão rompido que seja.

 

A Sora é a irmã perdida do Super Homem e ninguém nos avisou.

 

De qualquer forma, é aí que Byomon percebe, finalmente, que, para a miúda fazer uma parvoíce daquelas, é porque a ama a sério, tal como vinha dizendo desde início. Sora e Byomon unem-se verdadeiramente pela primeira vez desde o Reinício.

 

Toda a gente sabe o que acontece a seguir.

 

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As primeiras notas de Brave Heart e o momento da digievolução não desiludem. Hououmon/Phoenixmon é lindíssima – de longe o Digimon mais bonito que conheço.  O conflito de Sora neste filme não me deixou completamente satisfeita pelos motivos que expliquei antes. Mas, confesso, não consigo resistir a uma digievolução acompanhada de Brave Heart.

 

Muitos têm-se queixado de Seraphimon e HerculesKabuterimon roubarem o momento a Phoenixmon. Eu compreendo a crítica, mas não me importo muito. Pelo contrário, uma das coisas de que me queixei em Ketsui foi da falta de participação dos Digimons nos combates, tirando Rosemon e Vikemon. Logo, gosto que, em Soshitsu, se tenham todos juntado à luta.

 

Importo-me mais que tivéssemos de levar com as sequências de digievolução todas. Regressou a velha mania de Digimon de queimar tempo com digievoluções. A de HerculesKabuterimon, pelo menos, era desnecessária.

 

A aparição de Seraphimon tem, também, causado alguma controvérsia. Falando apenas de Soshitsu, T.K. não teve grande destaque – não mereceu a digievolução da maneira que Sora a mereceu neste filme e Izzy mereceu no filme anterior. Por um lado, suponho que T.K. já a tinha merecido em Kokuhaku.

 

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Por outro lado, esta, tecnicamente, não terá sido a estreia de Seraphimon. A sua primeira aparição terá ocorrido na terceira parte de Digimon, o Filme – embora muitos fãs não considerem que essa história faça parte do cânone oficial do universo de Adventure. Nesse aspeto, Tri fez bem em manter a ambiguidade, sem invalidar nenhuma das hipóteses.

 

Entretanto, o Dark Gennai aproveita a distração dos outros Escolhidos nos combates para se enfiar no navio e assediar Meiko. E, apesar de Gomamon, Patamon (ambos de nível Infantil) e Sora terem sido capazes de fazer frente a Gennai sem grande dificuldade, Meicoomon – nível Adulto, veículo da Infeção, claramente poderosa, vendo a jovem que está programada para proteger sendo asfixiada – não consegue fazer um arranhão que seja a Gennai. Fuck logic!

 

As cenas de Meiko e Gennai estão, ainda por cima, enfiadas entre digievoluções e combates, de tal forma que uma pessoa quase se esquece do que está a acontecer no navio. A verdade é que o última parte do filme está muito mal organizada em termos de montagem das diferentes cenas: com as sequências de digievolução que nunca mais acabam, apenas um minuto ou dois para mostrar Maki e Bakumon e as cenas de Gennai assediando Meiko no navio.

 

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O pior é mesmo o final. Depois de derrotarem o Machinedramon e o MetalSeadramon, os Escolhidos têm mais do que tempo para respirarem. Sora chega a ter um momento com Tai e Matt que até seria giro e tal se eu não estivesse, nessa altura, a gritar para o ecrã:

 

– PESSOAL! O DARK GENNAI ESTÁ PRESTES A MATAR A MEIKO! COMBINEM A VOSSA MENÁGE À TROIS DEPOIS, AGORA CORRAM PARA A P***A DO NAVIO!

 

 A certa altura, lá vemos Meiko desmaiada (se o poster do filme seguinte não tivesse saído logo a seguir, muitos pensariam que ela estaria morta), Meicoomon em modo Infeção, o Dark Gennai soltando um evil laugh daqueles bem fatelas… e o ecrã desvanescendo-se para preto, seguido dos créditos finais.

 

Yep, é assim que o filme termina, com um dos cliffangers mais forçados de que há memória. É de admirar que muitos de nós tenham ficado com vontade de atirar com o computador (ou telemóvel, ou tablet ou qualquer gadget através do qual tenham visto o filme) pela janela depois disto?

 

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Na minha opinião, a última impressão que Soshitsu deixa é pior que o filme em si. Mas os digi-guionistas (ou digi-produtores ou digi-realizadores ou digi-quem-quer-que-seja-responsável-por-isso) já deviam saber da importância de um final como deve ser. Não é bom quando os espectadores saem da sala de cinema de mau humor. E nem era assim tão difícil! Bastavam uns ajustes aqui e ali para tudo parecer mais orgânico.

 

Apesar de tudo isto, apesar de este filme ser mal executado ao ponto da frustração, contudo a achar que é melhor que Ketsui. Mal por mal, pela primeira vez desde que Tri começou, sabemos ao certo o que se está a passar e em direção vão as coisas. Quase tudo o que aconteceu foi importante para o enredo. Por fim, praticamente todos os Escolhidos tiveram pelo menos um momento de destaque.

 

Eu não podia acabar de falar sobre Soshitsu sem referir o eterno mistério que continua por resolver: os miúdos de 02. Nesta fase, as minhas expectativas atingiram mínimos históricos. Que revelem a resposta quando lhes apetecer, já nem me ralo!

 

Agora, o próximo filme chamar-se-á Kyosei, o que significa União ou Simbiose. Este é capaz de ser um dos títulos mais fascinantes até agora em Tri. Para aqueles que não conhecem o termo, Simbiose é uma relação de benefício mútuo. No contexto de Digimon e de Tri existem várias interpretações possíveis. A mais óbvia é referir-se à relação entre Escolhido e companheiro Digimon. No entanto, a meu ver, sabendo o que se sabe, o mais provável é referir-se à relação entre o Mundo Digital e o mundo dos humanos. Ou entre a Luz e a Escuridão.

 

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O que me leva ao poster de Kyosei. Nele aparecem Meiko e Kari. Já se sabia que o quinto filme seria protagonizado pela Escolhida mais nova. Acho que ninguém tinha a certeza de que Meiko apareceria num poster em Tri mas, já que apareceu, não surpreende.

 

Na minha opinião, faz sentido emparelharem Meiko com Kari no protagonismo. Dos oito Escolhidos originais, Kari é de longe a mais parecida do Meiko em termos de carácter. Se bem se recordam, aquando de Ketsui, a amizade entre Meiko e Mimi recordou-me a amizade enre Kari e Yolei em 02 (típicos pares introvertida-extrovertida).

 

E contudo (penso que já o disse aqui) só conhecemos Meiko desde Saikai e esta já tem mais personalidade que Kari, que conhecemos desde Adventure.

 

Para além das raparigas, aquilo que chama a atenção nos posters são os Digimon. Vemos uma nova digievolução de Meicoomon cujo nome ainda não se conhece tanto quanto sei. Mais importante é Ophanimon.

  

Durante anos e anos e, sobretudo, nas semanas que antecederam Soshitsu, a comunidade de fãs debatera sem parar sobre qual das possíveis digievoluções de nível Extremo para Gatomon era a oficial para Kari: se Holydramon, se Ophanimon. A Angewomon de Kari aparece na tal terceira parte de Digimon, o Filme, que não se sabe se pertence ao cânone. Por outro lado, consta que no jogo Digimon Adventure para a PSP, a Gatomon de Kari digievolui para Ophanimon.

 

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Pessoalmente, não tenho uma preferência definida por nenhuma das formas. Por um lado, Ophanimon faz mais sentido como o nível que se segue à Angewomon. Além disso, faz melhor par com Seraphimon – não, não “shipo” (odeio essa palavra…) T.K e Kari, longe disso, mas gosto da química que a Gatomon/Angewomon e o Angemon partilham desde os tempos de Adventure. Por outro lado, Holydramon tem traços claramente feninos, logo, também faz sentido como digievolução de Gatomon. Além disso, é uma das poucas digievoluções das raparigas Escolhidas que não é gritantemente sexualizada.

 

Ora, este poster não confirma nem desmente nenhuma das possíveis digievoluções porque a Ophanimon aparece em modo Fall Down. Segundo a Wiki do Shika, é essencialmente um anjo caído/desertor. Ou seja, esta será a primeira vez desde SkullGreymon que teremos uma digievolução negra no universo de Adventure. O que é fascinante.

 

Estando esta análise tão atrasada, à data da publicação, já temos uma sinopse para Kyosei. Mais vale falar sobre ela.

 

Só para arrumarmos o assunto Ophanimon, a sinopse dá a entender que alguma coisa de mau vai acontecer a Kari “que tem a alma mais iluminada e delicada que ninguém” – o que é demasiado vago para se tirar conclusões. Penso que é quase certo que Kari poderá voltar a servir de porta-voz à Escuridão e… não me agrada. Estou farta do velhíssimo cliché da Kari possuída por coisas sobrenaturais.

 

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Não sei se alguma vez o referi aqui no blogue, mas uma das coisas que gostava de ver em Tri era Kari, por uma vez, salvando o couro a Tai ou T.K. em vez de ser a eterna donzela indefesa. Mas já ficava contente se Kari se salvasse a si mesma do que quer que a atormentará e/ou tenha uma evolução significativa como personagem.

 

Podiam, por exemplo, abordar a relação dela com o irmão – que, por sinal, esteve em destaque há umas semanas atrás, quando um dos antigos realizadores de Adventure apontou para momentos do episódio 21 (aquele em que Tai, após a derrota de Etemon, regressa brevemente ao Mundo Real e reencontra a irmã) que poderiam apontar para atração incestuosa (*arrepios de horror*). Pontas soltas como a culpa de Tai por ter enviado a irmã para o hospital e a dependência excessiva de Kari no irmão – conforme referido no episódio do Mar Negro, em 02.

 

Passando ao resto da sinopse, parece que as coisas vão rapidamente reverter ao estado pré-Reinício. Os miúdos regressarão ao Mundo Real, onde estão a ocorrer distorções e estragos por todo o lado. Parece que, desta vez, a população virar-se-á a sério contra os Escolhidos.

 

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Eu não estou lá muito satisfeita por irmos voltar ao Mundo Real, depois de termos passado o quê? Um dia e meio, dois dias no Mundo Digimon? Por outro lado, se o objetivo de Yggdrasil for mesmo extreminar a raça humana, não faz sentido o elenco permanecer no Mundo Digital. É provável, também, que as dúvidas existenciais de Tai regressem, após terem sido deixadas em stand-by no início de Kokuhaku.

 

A sinopse revela ainda que, segundo Hackmon, a Homeostase quer matar Meicoomon. Este desenvolvimento não surpreende, sobretudo depois de Soshitsu ter praticamente confirmado que Meicoomon foi criada para ser o veículo da Infeção. O mais certo é os Escolhidos serem apanhados no fogo cruzado. Sobretudo Meiko que, naturalmente, não permitirá que matem o seu Digimon sem dar luta.

 

Estou certa de que pelo menos alguns dos Escolhidos ficarão do lado dela. Sora, T.K. e Mimi fá-lo-ão logo de início. No entanto, não me surpreenderia se Tai começasse a culpar Meicoomon e, por associação, Meiko por tudo de mau que aconteceu em Tri até agora. Talvez Izzy concorde com ele, pura e simplesmente pelo sentido prático da coisa, se não houver mesmo outra solução. Quanto a Matt, ele estará do lado completamente oposto a Tai – nesta fase é uma lei da natureza.

 

Em todo o caso, uma coisa é certa: as coisas irão de mal a pior. O que era de esperar no penúltimo capítulo, antes da resolução final no sexto filme.

 

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É um bocadinho estranho ainda não haver data de estreia de Kyosei. Mas, como me atrasei tanto com este monstro de análise, não me queixarei se o próximo filme ainda demorar um bocadinho. Estou com esperanças de que o filme coincida com o Odaiba Memorial Day.

 

E por falar disso…

 

Já faz parte da praxe falar do Odaiba Memorial Day Portugal – sobretudo tendo em conta que já participei num par de emissões/podcasts juntamente com o António, o Danny (do canal de YouTube A minha vida em bits) e o Shika (que gere a Digimon Wiki em português de Portugal).

 

Ao lado deles sou uma amadora, que só conhece (e, mesmo assim, não muito bem) o universo de Adventure. Além disso, estou longe de ser uma entertainer, farto-me de gaguejar e não tenho um microfone decente – o YouTube não é de todo uma carreira viável para mim.

 

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Dito isto, diverti-me imenso nos podcasts em que participei. Geralmente, as emissões começam de forma mais ou menos refinada mas, ao fim de algum tempo, começamos a disparatar. O podcast mais recente em que participei acabou connosco a cantar a versão portuguesa de Butter-fly - de início, cantámos a versão da Animedia, comigo a trocar-me toda na letra (que o Danny escreveu, ainda para mais!) e, por algum motivo, acabámos por cantar o refrão da versão da velhinha dobragem portuguesa. Esta parte da emissão já não ficou gravada no YouTube… graças a Deus, sinceramente.

 

Não posso falar pelos outros três participantes, mas eu garanto que, nessa noite, não estava sob o efeito do álcool nem de outra substância – só mesmo um descafeinado da Nespresso. Eu posso parecer simpática e certinha à primeira vista mas, se me derem tempo, a minha maluquice vem toda ao de cima.

 

De qualquer forma, só por momentos como estes vale a pena ter escrito tanto testamento sobre Digimon nos últimos dois anos.

 

Com tudo isto deu-me ainda mais vontade de ir ao encontro no primeiro de agosto. Infelizmente, este ano não vou, quase de certeza, poder ir este ano. Acreditem, isto deixa-me com vontade de chorar.

 

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Enfim, já foi bom ter participado nos podcasts ou apenas ouvi-los. Conforme julgo já ter referido aqui no blogue, sabe bem conviver com pessoas com as mesmas maluqueiras do que nós, mesmo que apenas via internet. Especialmente para mim que, como já sabem, sou uma mulher com muitas maluqueiras.

 

Voltaremos a falar sobre Digimon quando sair Kyosei – espero não tornar a atrarar-me tanto com essa análise, mas não posso prometer nada. De qualquer forma, na página de Facebook deste blogue, vou publicando e comentando qualquer notícia ou pista que saia sobre Kyosei.

 

Continuem ligados. Análise a After Laughter dos Paramore em breve.

 

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