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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

15 Conselhos sobre Escrita (para blogues e não só!) #3

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Estes são os últimos cinco dos meus quinze conselhos sobre escrita, que começaram aqui. Seguimos, então, para o décimo-primeiro...

 

11) A Internet está cheia de dicas para escritores...

 

Muitos dos conselhos que tenho deixado aqui foram obtidos da Internet. E nem sequer é preciso procurar muito. Se forem ao Google e pesquisarem “Conselhos de Escrita” ou “Writing Advice”, encontram logo uma série de citações de autores prestigiados sobre escrita (com um bocadinho de sorte, estas publicações hão de aparecer algures entre os resultados). Encontrarão, com relativa facilidade, conselhos generalistas, como aqueles que tenho listado aqui, e outros mais específicos e complexos. Qualquer dúvida que tenham, poderá ser esclarecida.

 

Também encontrarão os tais bancos de ideias e exercícios de escrita, que referi aquando do meu primeiro conselho.

 

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Uma das minhas fontes preferidas de conselhos de escrita é o blogue de Rachel Aaron. Já referi os livros dela algumas vezes, nas minhas respostas a tags sobre livros, mas não foi através deles que a descobri. Foi através de um texto viral que ela escreveu há uns anos, sobre como foi capaz de atingir a marca das dez mil palavras por dia. Desde mais ou menos essa altura, tenho seguido o blogue dela e aprendido imenso sobre escrita, desde planear livros, desenvolver personagens, escrever diálogos, editar livros, entre muitas outras coisas.

 

O reverso da medalha é que tenho vindo a descobrir que fiz quase tudo mal com o meu primeiro livro.

 

Em todo o caso, recomendo fortemente o blogue dela a todos aqueles que escrevam, sobretudo ficção, ou que aspiram a isso.

 

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Outra fonte que já sigo há anos é a conta de Twitter Advice to Writers. Esta conta está constantemente a partilhar citações/conselhos de escritores publicados – foi assim que encontrei as citações de J.K.Rowling, Nora Roberts e Geoff Dyer que referi antes. Partilha, também, entrevistas a escritores, perguntando-lhes sempre como começaram a escrever, as suas influências e, lá está, conselhos para combater o bloqueio de escritor.

 

Deem uma espreitadela, mas tenham em conta o conselho seguinte.

 

 

12)As dicas para escritores são diretrizes, não regras.

 

 

 ...incluindo as minhas. Cada escritor é diferente, cada texto ou livro é diferente. Como tal, certos conselhos de escrita são isso mesmo: conselhos, diretrizes. Não são regras ou ordens. Vocês estão à vontade para não os seguirem.

 

Um exemplo é a minha preferência por escrever à mão primeiro em vez de diretamente no computador. Sei de vários escritores que não conseguem trabalhar assim. Do mesmo modo, existem escritores, como Stephen King, que não planeiam livros, sentam-se pura e simplesmente a escrever, e outros, como J.K.Rowling, que os planeiam minuciosamente (podem ver o plano de Rowling para Harry Potter e a Ordem da Fénix abaixo). Sei também que muitos escritores não seriam capazes de escrever em cafés ou em bancos do jardim enquanto passeiam a cadela, como eu.

 

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Encarem qualquer conselho de escrita, meu incluído, com espírito crítico. Neste texto, estou só a referir métodos que funcionam comigo – não é obrigatório que funcione para toda a gente. Na minha opinião, vale sempre a pena saber como é que outros escritores trabalham e, de vez em quando, experimentar um truque novo. Não têm nada a perder. Se não resultar, não faz mal – tal como disse Thomas Edison, descobriram uma maneira que não funciona.

 

13) Talento (se é que existe) é sobrevalorizado.

 

Este vem em linha com o meu quarto conselho. Pelo menos no que toca à escrita, não acredito em talento – talento no sentido de uma capacidade inata. Nem eu nem ninguém nasce com jeito para a escrita. Quando andava na escola, em vários anos escolares, Português era (tirando Educação Física) a disciplina em que tirava piores notas – e, com uma única exceção, não tive maus professores, bem pelo contrário. Se nasci com alguma coisa, foi com boa imaginação, tendência para sonhar acordada, gosto por histórias e ficção em geral e paixão pelo acto de escrever.

 

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Foi essa paixão que me fez começar a escrever quando tinha sete ou oito anos. Era – ainda é – algo que fazia por prazer, algo que fazia quando devia estar a prestar atenção às aulas ou a fazer os trabalhos de casa. E, sem dar conta, fui colocando o conselho número quatro em prática. Só se aprende a escrever escrevendo – não há volta a dar.

 

Não acreditem, por isso, que só uma mão-cheia de indivíduos, abençoados por Deus Nosso Senhor, génios de nascença, é que podem ser escritores. Podem existir uns quantos com maior facilidade em aprender, maior gosto pela escrita, mas qualquer um pode ser escritor. Desde que esteja disposto a trabalhar nisso, a escrever e a aprender – o que nem sempre é fácil.

 

14) Só serão fracassos se desistirem de escrever.

 

Conforme acabei de referir, ninguém nasce sabendo escrever obras-primas/best-selleres. Ser escritor dá trabalho. E podem... não, vão existir alturas em que ser escritor dá demasiado trabalho, é demasiado difícil. Alturas em que não escrevemos durante dias, semanas, meses ou anos, por um motivo ou por outro. Manuscritos rejeitados por editoras ou blogues que não recebem visitas. É muito fácil deixarmo-nos abater por coisas como estas, sentirmo-nos uns falhados.

 

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No entanto, tal como Rachel Aaron, mais uma vez, me ensinou, na escrita, só falhamos quando desistimos por completo de escrever. Conforme tenho repetido inúmeras vezes ao longo deste texto, uma pessoa aprende a escrever escrevendo. Enquanto continuarmos a escrever, continuaremos a crescer como escritores – não que a escrita se torne mais fácil. Desde que regressem sempre, mesmo após uma longa ausência, não falharão.

 

15) Quando quiserem desistir, lembrem-se porque começaram.

 

Confesso que, de uma maneira geral, a parte de nunca parar de escrever é fácil para mim. Conforme já referi amiudadas vezes aqui no blogue, escrever é-me quase uma necessidade fisiológica. Tenho alturas em que a escrita é a única que me dá um propósito. Dito isto, também é verdade que, às vezes, quando ando em baixo, escrevo menos material publicável.

 

No entanto, já tive um momento em que me apeteceu desistir. Certa noite há uns anos, li uma notícia sobre uma escritora de vinte e um anos de idade, que seria “a próxima J.K.Rowling”. Hoje desconfiaria de rótulos como esse – até porque a previsão claramente não se confirmou – mas, na altura, acreditei. Comecei a comparar-me com a tal autora e afundei-me em autocomiseração.

 

Felizmente não fiquei nesse buraco por muito tempo. Comecei a pensar nas minhas primeiras histórias em miúda – aquelas que escrevia à socapa nas aulas, cujos rascunhos escondia no meio dos livros ou do dossier – nos meus diários, nas tardes gastas passando essas histórias para o computador enquanto ouvia música, a tal fan fiction que me fez apaixonar pela escrita de ficção em geral (não sei se cheguei mesmo a relê-la nessa noite). E a neura passou-me.

 

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Isto é um daqueles conselhos que, de vez em quando, aparece no Facebook mas, como podem ver, funciona: quando vos apetecer desistir, lembrem-se porque começaram. Lembrem-se do que vos motiva a escrever. Talvez tenham coisas a dizer, histórias para contar. Talvez a escrita seja, como a arte em geral, a vossa maneira de decifrarem o mundo e a vida, de desabafarem, de se ligarem a outras pessoas.

 

Se o vosso desejo, por outro lado, é ganhar fama e fortuna à custa da escrita… bem, com livros, esqueçam, existem maneiras mais fáceis de enriquecer. Com blogues, talvez seja possível, mas não sou a melhor pessoa para vos dizer como. A blogosfera está cheia de conselhos sobre isso.

 

Seja ela qual for, a vossa motivação tem de estar sempre presente nas vossas cabeças. Será ela que vos ajudará a suportar as partes mais difíceis da escrita, fazendo com que nunca desistam dela. Não definitivamente, pelo menos. Continuem a escrever e pode ser que, um dia, consigam aquilo que desejam.

 

 

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E são estes os meus conselhos. Ironicamente, muitos dos problemas para os quais dei soluções manifestaram-se enquanto escrevi este texto. No meu primeiro rascunho, saltei muitos parágrafos e tive de escrevê-los mais tarde. Houve uns quantos outros que tive de cortar do rascunho inicial, outros que tive de reescrever. Pelo meio, pratiquei muita, mas mesmo muita rotação de culturas.

 

Só prova que tudo o que referi neste texto é verdade: escrever dá trabalho.

 

Apesar de já escrever há quase vinte anos, estou longe de ser uma escritora exemplar. Ainda estou a tentar corrigir muitos dos meus vícios: frases demasiado compridas, parágrafos demasiado compridos, linguagem demasiado complexa, por vezes, abuso de advérbios e de outras palavras de estimação. Também isto faz parte do processo: como em tudo na vida, estamos sempre a aprender.

 

Espero que estes meus conselhos vos ajudem na vossa escrita, seja ela qual for. Se vocês tiverem alguma dica a acrescentar, partilhem-na nos comentários. Continuem desse lado, se quiserem ver o resultado destes conselhos aplicados à prática.

  

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