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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - 17

Esta entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas será diferente das outras porque, em rigor, esta música ainda não foi lançada, ainda não temos versão de estúdio. Temos apenas uma versão ao vivo, extraída de um vídeo amador:
 

"These days are long gone, 
but when I hear this song, 
it takes me back..."

Como podem ver, a música chama-se 17 e foi apresentada pela primeira vez ao vivo, num concerto "secreto", na noite de 25 de abril. Sendo uma versão ao vivo, de qualidade longe do ideal ainda que razoável, não posso avaliar a parte instrumental da música. Pelo que se pode ouvir deste vídeo, parece ser uma faixa conduzida pela guitarra acústica, com um ritmo semelhante a outras músicas de Avril (Girlfriend, The Best Damn Thing, What the Hell), acompanhada por teclados e guitarra elétricas, em algumas partes. Uma música alegre, de verão.

Em termos de letra, de conteúdo, acaba por ter um tema semelhante a Here's to Never Growing Up: exaltação do espírito jovem, da rebeldia, ambos imagens de marca da carreira da cantautora canadiana. No entanto, em 17 isso surge numa perspetiva diferente. Surge como uma recordação de uma história de amor juvenil. Pessoalmente, noto um espírito muito Bryan Adams em 17, em vários aspetos. O grande êxito do cantautor compatriota de Avril, Summer of 69, recorda igualmente uma paixão antiga. Mas a b-side de 11, Miss America, que acaba por ser uma versão mais romântica e... politicamente correta de Summer of 69, tem ainda mais semelhanças. Por outro lado, a expressão "wild and free" recorda-me Heaven.

Como podem ver, a nostalgia de um amor passado, a saudade da inocência dos tempos de juventude não são temas inéditos na música pop. No entanto, constituem uma novidade na discografia da Avril, que nunca revelou esta sua faceta nostálgica, saudosista. Suponho que seja, de certa forma, um reflexo da sua proximidade à década dos trinta - geralmente, não são os mais novos a ter saudades de tempos passados.

Por outro lado, durante muito tempo, a Avril pareceu retrair-se, de certa forma, no que tocava a canções de amor. Parecia relutante em declarar, preto no branco, que amava alguém. Isso só aconteceu em Goodbye Lullaby, há relativamente pouco tempo. Por isso, canções de amor como esta nela ainda sabem a novo.

É este carácter refrescante, ainda que apenas considerando a discografia da Avril, que torna, na minha opinião, 17 melhor que Here's to Never Growing Up - cuja fraqueza é, precisamente, a repetitividade, conforme mencionei na entrada anterior. Especula-se se 17 será o segundo single do quinto álbum. Eu preferia que tivesse sido o primeiro. Até porque, pelas semelhanças com Here's to Never Growing Up, duvido que 17 se torne single, pelo menos não para já.

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Ainda não se sabe quando poderemos ouvir a versão de estúdio de 17. O lançamento do quinto álbum está previsto para setembro, mas um single será lançado antes. Se for 17, ao menos não teremos de esperar quatro ou cinco meses para ouvir a música com boa qualidade. Se for outra música, ao menos conheceremos uma terceira faixa do quinto disco e terei algo sobre que escrever aqui no Álbum.

Se Here's to Never Growing Up não me deixou caída de quatro, como outros lançamentos de Avril Lavigne, 17 esteve bem perto disso. Ainda não decorei a letra - tratando disso! - mas o refrão faz-me saltar e dançar, como a Avril costuma fazer em palco. A mulher continua com a capacidade de me apanhar de surpresa, quando menos espero. Tal como ela diz em Here's to Never Growing Up, acho que nunca vou mudar...

Daí que esteja ainda ansiosa por saber mais sobre o quinto disco de Avril Lavigne: título, capa, tracklist... Tais informações podem sair a qualquer momento ou podemos ficar mais dois meses sem saber mais nada. Mas ao menos já temos duas músicas com que nos entreter. Tudo o que é fã da Avril sabe perfeitamente que podia ser muito pior...

Entretanto, tenho mais uma entrada pronta para o blogue. A ver se a publico nos próximos dias.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Here's to Never Growing Up

A semana passada foi anormalmente agitada para mim, tanto por causa do trabalho académico como por causa das músicas novas todas. Não me interpretem mal. Tal como já disse anteriormente, estou muito feliz por uma das minhas bandas preferidas ter lançado um CD e por a minha cantora preferida ter lançado um single mas foram demasiadas emoções... Já falei, ao longo da semana passada, de Paramore, agora é a vez de Here's to Never Growing Up.


"Stay, if you stay forever
Hey, we can stay forever young..."

O novo single de Avril Lavigne, o primeiro do seu quinto álbum de estúdio, ainda inacabado, ainda sem título, é uma faixa conduzida pela guitarra acústica, em ritmo midtempo, com uma batida forte. A voz da Avril surge com efeitos discretos mas, na minha opinião, perfeitamente dispensáveis - é o que menos gosto na música. É , ainda, acompanhada por coros, que fornecem um carácter festivo à faixa. 

Here's to Never Growing Up apresenta várias parecenças, tanto em termos de sonoridade como de letra, com várias músicas. Para começar, assemelha-se muito a Complicated, chegando a parecer uma versão moderna do primeiro êxito da cantora. Também me recorda Anywhere Else But Here, dos Simple Plan,  mais discretamente, mais por causa dos coros. Outra comparação gritante é Cheers, de Rihanna - faixa que, ainda por cima, reutilizou um excerto de I'm With You - tanto no som como na letra. 

O tema de Here's to Never Growing Up é muito Avril. Para nós, os fãs, já é, há algum tempo, uma private joke nossa o facto de Avril não parecer ter a idade que tem, de continuar a ter o aspeto de uma jovem de 18 anos. E, apesar do seu carácter multifacetado, a imagem que sobressai em relação a ela é a de uma eterna adolescente, de menina reguila. Não que ela seja, de resto, a única cantora com essa personalidade. Muitas estrelas de rock também são assim, apenas o disfarçam melhor. É esse o espírito que Avril abraça em Here's to Never Growing Up. Um misto entre miúdos travessos, deitando a língua de fora a quem os critica, causando confusão num centro comercial, como no vídeo de Complicated, e a velha máxima do carpe diem que, na música pop, se traduz sempre por sex, drugs and rock 'n' roll e respetivas variantes.  Pelo meio, ainda há tempo para abordar o lado romântico da coisa. 


Em suma, Here's to Never Growing Up é uma faixa agradável, o tipo de música que podia ser cantada numa noite de verão, na praia ou no campo, por amigos à volta de uma fogueira; num bar, enquanto se dança em cima de um balcão; num parque de skate, como em Complicated. Eleva o humor de uma pessoa sem precisar de se tornar demasiado agitada, como Girlfriend, arriscando-se a tornar-se cansativa.

A maior fraqueza de Here's to Never Growing Up é, de facto, a ausência de novidade. Apesar de, pelo menos em termos de sonoridade, a música ter poucas semelhanças com a discografia recente de Avril Lavigne, não existe praticamente nada de inédito em Here's to Never Growing Up. Para além do que disse acima, sobre as comparações com Complicated e Cheers, o que não falta por aí é música sobre viver o momento. Mesmo se só considerarmos a discografia da Avril, ela possui várias faixas em que explora a sua faceta de menina travessa, bem como sobre viver o momento. Anything But Ordinary, a b-side Take Me Away, Freak Out, What the Hell, Smile... Nesse aspeto, o cover que ela fez de How You Remind Me, êxito dos Nickelback, fascinou-me mais pois mostrou uma faceta diferente da cantautora. 

Aproveito a ocasião para falar sobre outras duas músicas sobre o tema não-quero-crescer embora, como já disse antes, seja um tema já bastante abordado.


"Until the day I die, I promise I won't change...
So you'd better give up"

Uma dessas músicas é Grow Up, do primeiro álbum dos Simple Plan. Esta é uma típica faixa do pop punk que caracteriza a banda e, em conformidade com o espírito dos primeiros álbuns, assume o espírito de miúdos arruaceiros. Acaba por ter uma mensagem semelhante a Here's to Never Growing Up, embora vá ainda mais longe na irresponsabilidade associada à filosofia Peter Pan. Reflete, um pouco, a mentalidade de uma criança de dez anos. 


"It's now how you look, it's how you feel inside!"

18 'Til I Die também aborda a filosofia Peter Pan. De entre as três de que falo nesta entrada, é a que apresenta a minha mensagem preferida. Também fala sobre não envelhecer, pelo menos não por dentro, mas destaca-se das outras duas pois o espírito que descreve não implica, necessariamente, falta de maturidade. Fala, simplesmente, em preservar o gosto e o entusiasmo pela vida, sem preocupações em relação ao passado ou ao futuro.

Não se pode dizer que ele não tenha passado essa filosofia à prática. Apesar de os vestígios da idade já estarem bem claros, tanto o Bryan como os seus companheiros de banca (destaque para o incomparável Keith Scott) continuam enérgicos e entusiasmantes em palco - pude conferi-lo ao vivo quando cá estiveram em dezembro de 2011. Como se, de facto, ainda tivessem dezoito anos.

Não me surpreenderia nada se o mesmo acontecesse com a Avril, se daqui a uns vinte ou trinta anos continuasse com o espírito de menina reguila que hoje a caracteriza.


Conforme afirmei acima, Here's to Never Growing Up é o primeiro single do novo álbum de estúdio da cantautora canadiana, que ainda não está acabado, mas que deverá dair durante o verão. Pelo que ela tem dio em entrevistas, o álbum terá músicas de vários estilos - como aconteceu, de certa forma, com Let Go. Ela falou em baladas e canções de amor - entre as quais um dueto com Chad Kroeger - mas também num dueto com Marilyn Manson, intitulado Bad Girl, e uma faixa, Hello Kitty, que eu prevejo ser no estilo de Girlfriend ou The Best Damn Thing. Estou ansiosa por saber mais sobre o álbum - começando pelo título - pois, apesar de não se comparar nem de longe nem de perto ao drama que foi o lançamento de Goodbye Lullaby, têm existido muitas incógnitas em relação a ele. Ainda estávamos no rescaldo do quarto álbum quando, há dois anos, apareceram supostos instrumentais de músicas novas. Nos últimos dois ou três anos - incluindo o verão de 2010, quando Goodbye Lullaby ainda nem sequer tinha sido editado - a Avril compôs e gravou com várias pessoas diferentes. E, de cada vez que afirmava ter concluído tais sessões de composição e gravação, tudo o que era fã assumia que o álbum sairia daí a pouco tempo - algo que nunca se confirmava. 

Também estou ansiosa por mais música para além de Here's to Never Growing Up porque este single não me entusiasmou por aí além, pelas razões que mencionei acima, em particular a repetitividade. Não posso dizer que esteja surpreendida por isso pois, tirando Girlfriend, os primeiros singles da Avril nunca inovam muito em relação ao material anterior. E raramente se encaixam entre as minhas faixas favoritas. As melhores músicas vêm sempre com o álbum em si e, muitas vezes, no caso da Avril, nem sequer se tornam singles. Por isso, apesar de ainda não estar nessa fase, não se admirem se, aquando do lançamento do CD, estiver de novo caída de quatro pela mulher.

Já não é a primeira vez que digo isto. Depois, não digam que não os avisei.

Em todo o caso, sinto-me feliz por termos tido direito a ouvir novo material da minha cantora preferida, por estarmos mais perto de ouvir ainda mais. E, de qualquer forma, isto foram apenas as primeiras impressões. É altamente provável que a música ganhe novos significados com o tempo. À medida que forem saindo declarações da Avril sobre a música, o videoclipe, atuações ao vivo, novas músicas, tanto dela mesma como de outros cantores, entre outras coisas.

O mesmo se aplica ao álbum Paramore. Só publiquei a crítica há uns dias mas já tenho vontade de acrescentar coisas.

Será para isso que servirão as entradas de Música do Ano, no fim de dezembro. Ainda vamos em abril mas já prevejo que terei muito sobre que escrever nas entradas de Música de 2013. 

Concluo invocando, de novo a frase que já citei noutra entrada:


...e as histórias das músicas do álbum Paramore, bem como do quinto álbum de Avril Lavigne estão apenas no seu início!

Paramore (2013) #4

 
Agora que já falei de todas as músicas do quarto álbum dos Paramore AQUI, AQUI e AQUI, vou passar às considerações gerais.

Em suma, considero Paramore um bom álbum, com muitas músicas com potencial para serem imortalizadas. É definitivamente mais alegre do que os outros discos, em particular Brand New Eyes e as músicas do Singles Club, embora apresente vários estados de espírito. No entanto, não deixa de ter músicas com conteúdo, catárticas, que fazem pensar, em que muita gente se pode rever. É, de resto, uma das coisas que mais gosto nos Paramore: possuem faixas para vários estados de espírito mas todas têm algo a dizer, nunca são fúteis. E conforme já afirmei aqui, sendo eu uma escritora que colhe inspiração na música, gosto cada vez menos de música sem conteúdo.
 
Conforme já tinha previsto, muitos fãs não veem com bons olhos esta mudança. Era, de facto, previsível. Não são os primeiros, nem serão os últimos fãs de música a reagir assim perante mudanças de estilo por parte dos artistas que seguem.

 

Uma das coisas que alegam é que eles cederam ao comercial. Não estão errados. Não vale a pena mentir, o pop eletrónico é o que está na moda. Não sei se foi intencional ou não, hoje em dia é difícil escapar a esse som quando se liga a rádio. E não são a única banda a aderir a ele. Os Linkin Park aderiram, os Muse aderiram, sou capaz de apostar que a Avril também aderirá.
 
Por outro lado, irrita-me aquela filosofia de é-mainstream-por-isso-não-presta. Não tenho pachorra para hipsters, para os que são diferentes apenas para serem diferentes. Também não gosto quando um cantor ou banda não evolui, insiste em fazer sempre o mesmo tipo de música vezes e vezes sem conta. Já chegam os Simple Plan e os Green Day! E não é fácil sair de uma zona de conforto, arriscar. Os Paramore arriscaram no seu quarto álbum e respeito-os por isso. O truque consiste em evoluir sem perder a identidade própria.
 
Penso que nisso os Paramore foram bem sucedidos. O álbum homónimo tem bastantes músicas com o som clássico Paramore para os fãs mais puritanos. Mesmo nas mais inovadoras, como Grow Up, Ain't It Fun, Still Into You, permanece a base rock típica da banda. Não há dubsptep nem autotune, aliás, o potencial vocal da Hayley está muito bem explorado em algumas das músicas. Foram, em suma, capazes de incorporar apenas o melhor da sonoridade eletrónica. E mantém o seu ponto forte: a honestidade.

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Conforme fui afirmando enquanto falava sobre as músicas, muitas delas poderiam ter sido inspiradas no meu diário, se ainda o escrevesse. Têm muito a ver com a fase da vida em que me encontro. Já antes afirmei aqui que, às tantas, tenho mais em comum com a Hayley, que só agora estou a aprender a admirar, do que com a Avril, que conheço bem e quase venero há já vários anos. É claro que nunca poderia ter muito em comum com uma mulher adulta, que aos vinte e oito anos já se casou, divorciou e agora prepara-se para se casar de novo. Faz muito mais sentido eu ter coisas em comum com uma jovem apenas um ano mais velha do que eu, tentando, como eu, aprender a ser adulta e a viver no mundo real.

No entanto, como já afirmei aqui noutras ocasiões, no que toca à Avril não sou capaz de ser racional. Posso ter dúvidas agora mas não se admirem se, daqui a uns meses, aquando da edição do seu quinto álbum, estiver de novo caída de quatro pela cantautora canadiana.

Em todo o caso, este álbum veio em muito boa altura. Música nova dos meus artistas preferidos é sempre bem-vinda, independentemente das circunstâncias mas, neste caso, coincidiu com uma fase extremamente stressante das minhas aulas. Tanto do disco dos Paramore como o single da Avril vieram alegrar uns dias que, sem isso, seriam muito deprimentes. Passo a vida a cantar as músicas de Paramore, em particular as minhas preferidas, até mesmo na rua ou no Metro. Era precisamente a coisas como esta que me referia quando, anteriormente, falei de pequenas coisas, pequenas faíscas que tornam a vida um pouco menos difícil.

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Não sei se fui a única a reparar no pormenor dos pós coloridos com que os elementos da banda têm aparecido, primeiro na capa do álbum - aliás, agora que vejo melhor, parecem ser graffitis - depois no videoclipe de Now e em palco. Como se tivessem acabado de sair de uma batalha semelhante à do videoclipe. A minha interpretação é que isso significa, precisamente, que eles sobreviveram a uma guerra, que venceram.

É, de resto, como já estava à espera, um tema recorrente em Paramore. A própria edição do álbum, do quarto álbum de estúdio da banda, é por si mesmo uma vitória se tivermos em conta que, há dois anos e meio, se receou que não houvesse sucessor para Brand New Eyes, que não houvesse mais Paramore para ninguém. Mas também muitas músicas falam, de diferentes maneiras, sobre atravessar um período turbulento, vencê-lo e seguir em frente - Fast in My Car, Now, Last Hope, Still Into You, numa perspetiva mais romântica, Hate to See Your Heart Break, Future, os interlúdios. É fácil dizer que esse conflito foi a saída dos Farro mas, na minha opinião, o álbum não fala apenas disso.  Fala de sonhos por realizar, complicações amorosas, desvantagens típicas de se ser uma figura pública, a entrada na vida adulta, as próprias imperfeições da Humanidade e do Mundo. Fala muito de crescimento, na minha opinião.Os Paramore aprenderam a lidar com isso. São mais do que sobreviventes, são vencedores. Estão a começar de novo e estão ansiosos por abrir um capítulo novo na vida da banda. 
 
É essa a mensagem de Paramore.

Paramore (2013) #3

 
 
Depois de termos analisado todas as outras músicas de Paramore AQUI e AQUI, chegamos, deste modo, ao top 3 das minhas músicas preferidas. Como já terão calculado, pertencem todas à parte B do álbum. Esta é, de facto, a parte que tenho ouvido mais vezes. Mas passemos ao que interessa...
 
Part II
 
 
"Fighting on my own
In a war that's already been won
I'll be lost until you come and find me here
Oh glory..."
 
Esta faixa está quase fadada para ter sucesso entre os fãs por ser uma sequela de Let the Flames Begin. Uma música que sempre foi muito especial, tanto para os fãs como para a própria banda. Não sou uma exceção, embora a faixa do segundo álbum dos Paramore tenha demorado algum tempo a entranhar-se. E mesmo agora continuo a tentar decifrá-la. Talvez Part II ajude nessa tarefa. Quando isso acontecer, provavelmente dedicarei uma entrada de Música Ao Calhas a esse assunto.
 
Como podem ver, fiz um AMV do Pokémon para a música. Já tinha feito um para Let The Flames Begin, fazia todo o sentido fazer um para a sua sequela. É uma das melhores maneiras de imortalizar uma música.
 
Part II parece-se imenso com a sua prequela, embora com algumas diferenças. A sonoridade é parecida, mas Part II tem uma batida mais forte e elementos eletrónicos. Destaco as sequências instrumentais após o primeiro refrão e, sobretudo, após o segundo. É um dos pontos fortes em relação a Let the Flames Begin. E o refrão de Part II tem mais poder.
 
Tal como a sua prequela, Part II reflete sobre os defeitos da Humanidade e do Mundo em que vivemos. De certa forma, procura algo superior a toda a podridão, um sentido, esperança. Tal como a sua prequela, por vezes soa como um lamento, por vezes ganha um tom combativo, quase revolucionário, por vezes soa como uma oração. Este efeito é reforçado pela última estância - que já havia sido cantada ao vivo, em concertos no verão de 2012, na conclusão de Monster - e pelo final misterioso e, pelo menos pela parte que me toca, inesperado. 
 
Ain't it Fun
 
 
"What are you gonna do when the world don't orbit around you?"
 
Considero esta irónica faixa a melhor do álbum - não que seja a minha preferida - e, por algumas críticas que tenho lido, não sou a única. Também é uma das favoritas por parte dos próprios Paramore. É capaz de ser uma das músicas mais representativas da evolução da banda em termos de sonoridade. Embora mantenha uma base pop rock, nas palavras dos músicos, tem elementos mais funk e groove - o que quer que isso seja. Destaque para o coro de gospel, que parece saído de um contexto musical completamente diferente, mas que se encaixa surpreendentemente bem. Tem um ritmo dançante, assemelhando-se a Smile de Avril Lavigne - em particular no refrão - e gosto imenso da interpretação da Hayley. Em suma, em termos de sonoridade, Ain't It Fun é extremamente cativante. Só tenho pensa de não terem repetido os versos "Ain't it good to be on your own? Ain't it fun you can't count on no one?" - a minha parte preferida da música - a seguir aos últimos refrões, antes do regresso do coro.
 
A letra da música é também excelente. A Hayley descreveu-a como uma carta a si mesma, um "pontapé no traseiro" de que precisou quando começou a viver longe da família. Admito que também precisarei - ou melhor, preciso - desse pontapé, eu que ainda vivo com os meus pais. Eu e muito boa gente da minha geração, sobretudo cá em Portugal, que abandonamos a casa parental cada vez mais tarde. Que farei eu quando o mundo deixar de girar à minha volta? Não sei, mas convém ir pensando nisso.
 
Tenho quase a certeza que esta música tornar-se-á um single deste álbum e acho que se dará bem comercialmente. Não por ser um êxito pré-fabricado, de consumo rápido, mas porque é uma música de qualidade elevada, com potencial de agradar a muita gente e, sobretudo, fazer sentido para muita gente.
 
Last Hope
 


"It's not that I don't feel the pain
It's just I'm not afraid of hurting anymore..."

Chegamos à minha música preferida. Foi amor à primeira audição, mesmo quando só tínhamos um excerto de minuto e meio. Já a referi de passagem numa entrada do meu outro blogue, sobre a Seleção (AQUI).
 
Last Hope começa apenas com a voz da Hayley - que aqui surge como nunca a tinha ouvido antes: pura, natural, quase inocente - e uma guitarra elétrica. Após o primeiro refrão, juntam-se órgãos, baixo e bateria. Gosto também das notas de piano e da bateria em crescendo na terceira parte da música, culminando num final a várias vozes, quase em júbilo. Esta sim, esta é uma balada verdadeiramente arrebatadora.
 
A letra vai na linha de outras faixas do álbum: fala de desilusão perante a realidade, perante sonhos por realizar, mas também em aprender a lidar com as contrariedades, em encontrar força interior, baseando-se em pequenas coisas e seguir em frente. Porque, muitas vezes, as supostamente pequenas alegrias, as pequenas faíscas, são aquilo que tornam a vida um pouco menos insuportável. 
 
Há uma frase numa das últimas entradas do blogue da Hayley. Traduz-se assim: "Nos momentos em que sentes a mudança acontecendo e sentes o teu coração, mente, corpo e alma resistindo com toda a tua força, experimenta não resistir por um momento. Deixa-te levar, até!". Acho que o verso "Gotta let it happen", várias vezes repetido ao longo da música, se refere a isso. Além do mais, a imagem da faísca vem, de certa forma, em linha com a conclusão de Part II, o título anterior na tracklist
 
Devo dizer que estou completamente apaixonada pela música. Arrebata-me de tal forma, faz-me sentir tanta coisa dentro de mim, que só consigo libertar cantando-a em altos berros. Ando a fazer figas para que se torne um single. Acho que tem potencial para isso. No entanto, é mais provável Ain't It Fun ser escolhido primeiro.

Já falámos de todas as músicas mas falta apenas uma parte, para as considerações gerais. Mantenham-se ligados.
 
Quarta parte

 

Paramore (2013) #2

 

Segunda parte da crítica ao álbum Paramore. Podem ler a primeira parte AQUI. Começo, agora, a entrar nas músicas de que realmente gosto. 
 
Hate to See Your Heart Break



 
"For all the things that you're alive to feel
Just let the pain remind you hearts can heal"
 
Hate to See Your Heart Break é uma balada suave, terna - mais terna do que é habitual ouvirmos por parte dos Paramore - com alguns ecos de In the Mourning em termos sonoros. Em termos de letra, por sua vez, assemelha-se um pouco a Darlin e Everybody Hurts de Avril Lavigne no sentido em que ensina a lidar com a dor. É uma música bonita mas não tem o carácter arrebatador que outras baladas, como My Heart e The Only Exception, possuem.


Grow Up

 

"We get along, for the most part,
Me and reality, the light and the dark"
 
Esta é uma das faixas onde se notam mais inovações na sonoridade, com especial destaque para os elementos eletrónicos. Gosto, em particular, da conclusão da música. O tema é algo recorrente na discografia dos Paramore mas, tal como em Fast in My Car, a letra parece ser mais específica do que a maioria do álbum. Acho que tem uma ou outra referência à crise dos Farro mas ensina a ultrapassar os problemas, a deixar de termos pena de nós próprios, a agarrarmo-nos às coisas boas. A crescer, em suma.


Still Into You



"Let them wonder how we got this far
'Cause I don't really need to wonder at all"
 
Até ao momento, julgo que os singles foram bem escolhidos. Still Into You acaba por ser a faixa mais pop de todo o álbum e Now a mais pesada, a mais rock. Em relação à primeira, não tenho muito mais a dizer que não tenha dito na entrada que dediquei a ela. Apenas que já descobri como é que se fazem as sombras chinesas do lyric video. Agora não sou capaz de ouvir a música sem as imitar.

O videoclipe da música foi lançado no mesmo dia que o CD, tornando o dia 9 de abril ainda mais memorável. Eu estava à espera de um videoclipe diferente, com uma história de amor semelhante à relatada pela letra. No entanto, segundo a própria banda, não optaram por isso porque, tendo a letra sido baseada na relação da Hayley com o seu atual namorado, não quiseram expô-los ainda mais. Assim, gravaram este vídeo, sem enredo, refletindo mais o lado pop e festivo de Still Into You. A mim, desiludiu-me um pouco , esperava algo com mais conteúdo, mas também, depois de os dois últimos videoclipes terem sido tão tensos, também lhes deve ter sabido bem terem gravado um vídeo só para se divertirem.

Em todo o caso, gosto mais do lyric video. 


Proof


"My heart is bigger than the distance in between us"
 
Esta é uma faixa que vai na linha de Still Into You, no sentido de ser uma música de amor, alegre e confiante. Ao contrário do single, está é bem mais clássico Paramore, com guitarras pesadas, dando vontade de saltar e abanar o capacete. Fala sobre um relacionamento à distância mas em que isto não constitui impedimento e não existe qualquer insegurança. Lembra-me um pouco I Drove All Night (original de Roy Orbison, mas a minha versão preferida é a de Céline Dion), em particular a segunda estância.


Now

"Feels like I'm waken from the dead and everyone's been waiting on me..."

Now permanece uma faixa marcante neste álbum. Quando escrevi pela primeira vez sobre ela, há já mais de dois meses, afirmei que esta não era uma música de consumo rápido, que era bastante complexa. Não deve, por isso, provocar admiração que, neste longo intervalo de tempo, tenha ganho novos significados.

Os Paramore descreveram-no como o seu hino de vitória, assinalando o facto de terem ultrapassado um momento turbulento e estarem prontos para o que vem a seguir. Uma mensagem em que muitas pessoas se poder rever. Quanto a mim, por exemplo, hei de cantá-la se algum dia Portugal sair desta crise... Na verdade, a discografia dos Paramore tem vários temas na mesma linha (Hallelujah, Looking Up...) mas Now destaca-se pelo seu tom combativo, desafiador, que me levou a incluir a faixa na minha playlist de cenas de ação. Posso, ao início, ter estranhado Now mas agora encontra-se bem entranhada.

Para isso, muito contribuiu o videoclipe, lançado algumas semanas depois do single. Que é capaz de ser um dos meus favoritos dos últimos tempos. A cena de batalha - que também ficaria bem num videoclipe dos Linkin Park ou dos Within Temptation - ajuda-me quando, na minha escrita, estou a trabalhar em cenas de ação. Tem, além disso, uma certa graça ver os elementos da banda no meio daquilo, numa situação que, de certa forma, podia ter saído de um filme ou da minha escrita. Quando vi o vídeo pela primeira vez, passei uma boa parte dizendo coisas tipo: "Foge, Hayley!"

Quanto ao final, foi pura e simplesmente surpreendente.

Uma das melhores coisas deste vídeo é o facto de ter múltiplas interpretações. Os Paramore afirmaram que o vídeo tinha uma mensagem pacifista, semelhante de certa forma à do filme Looper (tenho de o ver um dia destes), de o-amor-é-sempre-a-solução. Uma das minhas interpretações é a cena de batalha simbolizar um conflito interior, um trauma, cuja única solução é desistir do ressentimento, fazer as pazes consigo mesmo e com outros, perdoar.

Apesar de achar que a mensagem pode, facilmente, resvalar para o campo do cliché, a verdade é que tenho-me deparado com a mesma mensagem - com variações, como é evidente - em diferentes locais. Talvez fale do tema noutra entrada, a propósito de outro assunto.


Daydreaming


"I wanna get out and build my own home
On a street where reality is not much different from dreams I've had
A dream is all I have..."

Estou a chegar ao topo das minhas preferências. Daydreaming é uma delas. Em termos de sonoridade, é uma das mais interessantes do álbum. Tal como Now, tem padrões interessantes de bateria. Temos violinos, alguns elementos eletrónicos, sem deixarmos de ter guitarras elétricas, uma bela interpretação por parte da Hayley. Mas o ponto mais forte é, na minha opinião, a letra que, uma vez mais, tem imenso a ver comigo. Eu , que sou muito sonhadora - sou escritora, escrevo ficção, de onde acham que isso vem? - e muitas vezes, em particular nesta fase da minha vida, sinto-me desiludida com a realidade. Gosto do pormenor da escola, na segunda estância - quem nunca passou aulas sonhando acordado, enquanto esperava pela campainha?

 

Uma vez mais, vêm-me músicas de Avril Lavigne à mente: uma b-side chamada Falling Down, cuja letra também fala do choque entre sonhos e realidade - embora de uma forma muito mais vaga. Outra é My World, do álbum Let Go, cujo refrão fala igualmente sobre sonhar acordado.
 

Terceira Parte
Quarta Parte

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