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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #7

14) Alice
 

"I found myself in Wonderland..."


Esta foi a primeira música do Goodbye Lullaby que se conheceu na totalidade. Foi composta como banda sonora para o filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas, em 2010, e lançada nessa altura. Primeiro saiu uma versão reduzida e só depois a completa, disponibilizada um ano mais tarde, no quarto álbum.

Alice é uma faixa absolutamente diferente do resto da discografia de Avril, mesmo depois de conhecermos o resto do GL e algumas músicas do quinto álbum, embora a letra me recorde um pouco Falling Down. É uma canção obscura, dramática, mas ao mesmo tempo épica, que se adequa perfeitamente ao filme para o qual foi composta. As batidas frenéticas assemelham-se a batimentos cardíacos, aqueles que se têm quando, de repente, damos por nós, num local estranho, assustador mas, ao mesmo tempo, belo. Salvo as referências ao filme, a letra fala precisamente disso e de encontrar força interior para enfrentar as adversidades. Nesse aspecto, assemelha-se imenso a Alive, de Leona Lewis.



Em termos de música propriamente dita, Alice não se enquadra muito em Goodbye Lullaby, mas em termos de mensagem, sim. Ela, aliás, faz como que um resumo da mensagem generalizada do CD, é como que uma lição tirada a partir de GL, ainda que de uma forma diferente de Goodbye.

A música foi lançada como single ao mesmo tempo que o filme se estreou nas salas de cinema. Teve ainda direito a videoclipe (que, por sinal, é um dos meus preferidos da Avril). Só que não é propriamente o tipo de música de que a maior parte das pessoas goste. Para além dos vocais agudos, inadequados a alguém que não goste da voz da Avril, a música é intricada, complexa, não é daqueles êxitos pop instantâneos, mastigados e fúteis. 



Durante The Black Star Tour, a digressão de divulgação do Goodbye Lullaby, Alice foi apresentada com uma introdução instrumental. Um fã conseguiu arranjá-la e montá-la juntamente com o áudio de uma apresentação ao vivo para um programa de televisão (não me lembro de qual). Gosto imenso do resultado, apresentado no vídeo acima, acho que até ficou melhor que a versão em estúdio. A introdução instrumental reforça o carácter épico, cinematográfico, da música. Por outro lado, após a introdução, o arranjo musical da faixa em si salienta o seu tom misterioso e gótico. Além disso, os vocais da Avril surgem menos estridentes, mais suavizados, mais toleráveis para quem não seja grande fã da voz aguda da cantora. Por fim, aquela espécie de coro, certamente acrescentado pelo tal fã, ficou igualmente bem conseguido.

Em todo o caso, Alice tornou-se especial por, em inícios de 2010, ter sido a primeira canção inédita vinda da Avril em quase três anos. E, no meu caso, chegou numa altura crucial, em que estava em exames e estes não me estavam a correr nada bem. Lembro-me que, na altura, todo o aparato em redor do lançamento de Alice e a promessa de um novo CD para breve eram as únicas coisas que me faziam levantar da cama. Lembro-me de ver a notícia de que a Avril havia composto uma música para o filme, da entrevista para a rádio em que ela falou de Alice pela primeira vez e disse mesmo os primeiros versos, de pôr a música a tocar no meu telemóvel na noite em que saiu, de montar o vídeo para o YouTube, de ver a Avril em directo no tapete verde da antestreia do filme… Apenas mais um exemplo de como a sua música já era o motivo pelo qual eu sorria ainda antes de Smile ter sido, sequer, composta. 

Conclusões:


É isto o quarto álbum de estúdio de Avril Lavigne, Goodbye Lullaby, ao pormenor. A Avril afirmou, na altura, que este álbum marca o fim de um capítulo na sua vida e o início de outro. Nesse aspeto, Goodbye Lullaby assemelha-se a Let Go. Este último foi assim batizado porque a Avril teve de abdicar (let go) de muitas coisas – a terra onde cresceu, a proximidade da sua família e dos seus amigos, os estudos (não que ache que ela tenha tido grande pena em relação a esta última parte…) – e abraçar um estilo de vida completamente diferente e nem sempre fácil. Goodbye Lullaby fala também sobre abdicar de algo fácil, seguro, reconfortante e partir para outra.

Outra semelhança entre os dois álbums é o facto de ambos terem ido contra a corrente musical da altura em que foram lançados. Isso foi bem aproveitado em termos de marketing com o Let Go mas não o foi em Goodbye Lullaby. Mas prefiro não entrar por aí.

De resto, são estes os meus álbuns preferidos da Avril, o Let Go em primeiro e o Goodbye Lullaby em segundo. Na minha opinião, tanto Under My Skin como The Best Damn Thing ficaram algo exagerados: o primeiro exagerou no dramatismo, em certas músicas, com um excesso injustificado de músicas de fim de relacionamento. Do mesmo modo, o segundo exagerou na futilidade: músicas superficiais podem ser boas para festas e tal mas, sem um mínimo de profundidadade, não há ligação emocional e uma pessoa acaba por se fartar. Tanto Let Go como Goodbye Lullaby são mais equilibrados, nesse aspeto.

 
No seu quarto CD, a Avril explora o seu lado mais doce, romântico e vulnerável. Na sua quase totalidade está muito bem produzido, favorecendo a qualidade musical, as guitarras acústicas, os pianos, os violinos. A sua voz, quase ser artífices, mostra todo o seu potencial. Se este lado romântico é melhor que o seu lado mais amalucado, roqueiro, fútil de The Best Damn Thing ou que o seu lado mais obscuro, pesado, dramático de Under My Skin, não sei dizer. É apenas mais uma faceta da Avril e a diversidade da sua música sem deixar de haver cunho pessoal em cada faixa é, na minha opinião, um dos seus pontos fortes, senão o seu ponto mais forte.

Talvez por causa do tema vagamente campestre/florestal da capa e de outras fotografias do álbum, gosto de ouvir Goodbye Lullaby quando faço caminhadas em reservas naturais ou quando vou para a minha casa de férias e ando de bicicleta no meio do campo. Lembro-me até de, no fim de semana a seguir ao lançamento do CD, ter feito precisamente isso: andado de bicicleta a corta-mato, vendo as primeiras flores da Primavera enquanto cantava em altos berros. Quando regressava a casa, o meu irmão conseguia ouvir-me a uns cinquenta metros de distância. A minha mãe falou desses dias durante muito tempo, em que eu passava a vida a cantar, julgando que eu andava feliz por os exames me terem corrido bem. Nunca a corrigi… Mas já tinha dito aqui, de resto, que a edição de Goodbye Lullaby coincidiu (e, porque não, contribuiu) para uma das alturas mais felizes da minha vida, que incluiu o "sim" à publicação de "O Sobrevivente", o meu primeiro livro.

 
E agora estamos em vésperas (ou talvez menos) de ouvir o álbum seguinte, homónimo, o capítulo que se segue ao que foi encerrado em Goodbye Lullaby. No que tocava a este último ábum, bem como ao The Best Damn Thing, esta altura, as semanas que antecediam a edição, eram muito excitantes, com a antecipação do álbum, as pistas sobre as músicas que iam surgindo a pouco e pouco, as fotografias oficiais de divulgação do disco, as entrevistas. E agora... não estou a sentir o mesm. Já o disse aqui, existem muitos pormenores relacionados com aeste álbum com que não estou satisfeita. Não tem só a ver com os constantes adiamentos: o GL também demorou a ser editado mas quando se acertou a data definitiva, tudo correu bem - pelo menos em termos de entrevisas, renovação do site oficial, etc - pelo menos até à edição. Além disso, as fotografias oficiais, o estilo visual de Goodbye Lullaby é o mais bonito de toda a discografia da Avril e definitivamente melhor que o do quinto disco. Mesmo as músicas do quarto álbum, de uma maneira geral, na minha opinião, estão melhores, cada uma delas é uma obra de arte, estão melhor produzidas e foram mais inovadoras do que as que, até agora, conhecemos do álbum homónimo de Avril Lavigne. E nenhuma delas, até agora, me arrebatou como arrebataram as do GL quando saíram.
 
Eu admito que o problema pode ser meu. Talvez as circunstâncias estejam a influenciar as minhas reações: afinal de contas, estive mais de dois anos à espera da edição de Goodbye Lullaby. Talvez eu, com este blogue, com o hábito de esmiuçar todas as músicas, em particular dos meus cantores preferidos esteja mais exigente do que era há dois ou três anos.
 
Nesse aspeto, o álbum Paramore não ajuda já que subiu imenso a fasquia para tudo o que é musica nova.
 
 
Ando a fazer um grande esforço para não criticar o álbum ainda antes de o ter ouvido, sequer. De resto, não é a primeira vez que tenho dúvidas deste género antes do lançamento de um álbum da cantautora canadiana. Talvez não seja mau de todo as expectativas não estarem muito elevadas. Por outro lado... é a Avril! É um álbum da Avril! É um conjunto de músicas inéditas da Avril! Eu vou sempre gostar daquilo que a Avril fizer, ainda que em graus diferentes. E, que diabo, em treze músicas, hão de haver pelo menos duas ou três pelas quais me apaixone. De resto serão sempre uma mão-cheia de músicas novas, da minha cantora preferida ainda por cima, para esmiuçar, para comparar com outras, dela e não só, para criticar, para eventualmente montar vídeos e escrever sobre tudo isso no blogue. 
 
Estamos, agora, a poucos dias, talvez ainda menos, de ouvirmos essas músicas. Poderemos ouvi-las no iTunes no dia 29. No entanto, só publicarei a minha crítica depois de 5 de novembro, dia do lançamento oficial, tal como fiz com o álbum Paramore. Pensar que já estivemos bem mais longe de ouvir este álbum... mas agora está quase, quase! E eu mal posso esperar!
 
Se quiserem reler esta crítica, aqui têm:
 
PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
TERCEIRA PARTE
QUARTA PARTE
QUINTA PARTE
SEXTA PARTE

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #6

Sexta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby:

12) Remember When
 
 

"It never crossed my mind
That there would be a time
For us to say goodbye" 

Esta é outra música provavelmente sobre o divórcio, composta a solo pela Avril. Em termos de produção e sentimento, assemelha-se imenso a I Will Be. Mais uma vez, a produção (ironicamente, pelo próprio Deryck Whibley, de quem se divorciou) merece cinco estrelas. A minha parte favorita da música é o final do segundo refrão, em que esta “explode”, realçando a angústia presente do princípio ao fim.

A canção debruça-se sobre nostalgia, sobre a dor de um relacionamento terminado, que relembra aquilo que foi, os momentos felizes, em que se julgava que duraria para sempre, mas que se acabaram por perder. Mas, no meio de isso tudo, a Avril está firme na sua decisão de acabar tudo.

É capaz de ser a melhor letra de todo o Goodbye Lullaby e a voz da Avril exprime de forma, mais uma vez, primorosa, toda a emoção da música. Dá mesmo para sentir a dor dela – eu, pelo menos, afligi-me quando a ouvi pela primeira vez, sobretudo com os versos “Now I’m alone again, where do I begin?”. Em suma, é mais uma obra de arte que se junta à extensa galeria da sua discografia.

 

13) Goodbye


"I have to go"

Esta faixa foi composta e produzida a solo pela Avril. Aquando da edição de Goodbye Lullaby, esta considerava Goodbye a melhor música que alguma vez compôs. Não sei dizer se é a melhor, mas, pelo menos até agora, nenhuma outra é tão emotiva, pelo menos não de uma fora tão crua, tão cristalina, como esta.

A produção é muito simples, baseando-se quase exclusivamente em piano, guitarra acústica, violinos (mais presentes do que o habitual), mas é a suficiente. A letra é muito simples, mas é cantada de uma forma muito crua, muito sentida, e tem a vantagem de ser aplicável a diversas situações. A Avril compô-la sobre o seu divórcio, talvez para se convencer a si própria que era altura de parar, que tinha de deixar o seu casamento para trás. Nesse aspecto, faz sentido vir a seguir a Remember When. Em RW, toma a decisão de se ir embora. Em Goodbye, despede-se. Mas a canção também podia ser sobre uma mãe que abandona o filho, sobre alguém que está a morrer, ou simplesmente alguém que tem de deixar o seu amado por motivos de força maior – como que em jeito de prelúdio para When You’re Gone e Wish You Were Here. Em todo o caso, a música pega naquele tipo de dor mesmo profunda, íntima, crua, que se torna desconfortável quando vista de fora. Não é, por isso, de admirar que a Avril não se ache capaz de cantá-la ao vivo.

Goodbye assemelha-se em muitos aspectos a Run, dos Snow Patrol, (embora eu prefira a versão da Leona Lewis). Outra canção parecida, menos conhecida, é Our Farewell, dos Within Temptation, que também tem características de canção de embalar.

Já que estou a fazer comparações com outras músicas, tenho de referir a faixa Exit Song, dos Sum 41. Este também é o tema final do mais recente álbum deles, Sreaming Bloody Murder e, embora em termos estritamente musicais, não tenha muito a ver com Goodbye, a mensagem assemelha-se bastante. Julgo que o Deryck a compôs com intenções parecidas com as com que a Avril compôs Goodbye, embora com uma emoção ligeiramente diferente - uma aceitação resignada.




Ora, um ano após a edição de Goodbye Lullaby, em jeito de encerramento do ciclo desse álbum, a Avril lançou um vídeo para Goodbye (a partir de 1m45s). Não é exatamente um videoclipe, é mais uma curta-metragem: o vídeo não trabalha para a música, a música trabalha para o vídeo. Neste, a Avril interpreta uma personagem feminina que espera o seu amado num quarto de hotel. Vêmo-la preparando-se para recebê-lo, vestindo lingerie, ensaiando poses sensuais. Acabamos por perceber que não é completamente genuíno, que provavelmente é apenas para agradar ao amante que nunca chega a aparecer.

Este vídeo oferece múltiplas interpretações possíveis, tanto para a curta-metragem como para a própria música. Uma delas é a hipótese de o vídeo ser uma metáfora do seu casamento falhado com Deryck Whibley: de como ela tentava desesperadamente manter uma farsa ou algo que já não existia, uma ilusão, ao ponto de mentir a si mesma. Até ao momento em que a verdade a atinge.

Por outro lado, a mim também me faz lembrar, um pouco, a vida e morte de Marilyn Monroe. Deixo desde já bem claro que sei muito pouco sobre a falecida atriz, tudo o que sei aprendi com o Wikipédia, uma mão-cheia de artigos de revistas e jornais, estes sobretudo a propósito do aniversário da sua morte, no verão do ano passado, e pouco mais. Aquilo de que falarei aqui é pura especulação. Mas lembro-me de ler sobre a sua vida, sobre o seu estatuto de símbolo sexual, com a sua sensualidade ingénua - suponho que não muito diferente da da personagem de Goodbye. Imagino que a fama tivesse dado a Marilyn a ilusão de que era amada. Não me surpreenderia que ela se tivesse suicidado quando essa ilusão se desfez - quando percebeu que estava sozinha, que sempre estivera sozinha. A diferença é que a personagem que Avril interpreta teve a coragem de se levantar, de atirar com todas as máscaras, de sair do metafórico quarto de hotel e recomeçar a sua vida.

É claro que não estou a dizer que foi por isso que Marilyn se suicidou. Tal como afirmei acima, estou apenas a especular, quase a ficcionar. Mas podia ter sido. Se não com ela, talvez com outras celebridades femininas, ou não, mortas ou não, tanto do passado como - e isto é o mais triste - dos dias que correm.

É curiosa a forma como uma música com uma letra aparentemente tão vaga se torna tão rica, por tantos motivos. No contexto do disco  a que dá o nome, Goodbye não se limita a ser a última faixa (ou penúltima) de Goodbye Lullaby: funciona mesmo como epílogo do álbum, uma conclusão de tudo  por que se passou e se refletiu em cada uma das músicas do disco. Assinalo, por fim, o último refrão em que se ouve “Goodbye… Lullaby” no fundo – acho que ficou interessante, já que acabou por ser esse o nome do álbum – e a parte final, com os violinos, que encerram, não só a música, mas também o CD de certa forma, de uma forma misteriosa e linda.

Depois desta, só falta uma parte, em que falarei da faixa que falta e tecerei algumas considerações finais. Estamos, agora, a dezasseis dias da edição do quinto álbum, homónimo mas que, ao que parece, estará disponível em stream no iTunes uma semana antes. Como tal, vou tentar publicar a última parte ainda antes do próximo fim-de-semana. Entretanto, se quiserem ler as outras partes...

PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
TERCEIRA PARTE
QUARTA PARTE
QUINTA PARTE

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #5

Quinta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby, agora que estamos a vinte e quatro do lançamento oficial de Avril Lavigne. Esta parte inclui a música de que gosto menos neste CD e a de que gosto mais.
 
9) Not Enough

 
 

"You were stealing me away"

Esta é a última música da setlist do álbum que a Avril compôs colaborando com outra pessoa. Not Enough foi quase de certeza composta acerca do divórcio de Deryck Whibley e, em termos de significado, assemelha-se muito a Together (se bem que com menos dramatismo), com um toque à My Happy Ending; no fundo, diz: Isto não está a resultar. O solo de guitarra acústica com que começa, as batalhas frenéticas e os vocais exprimem bem esse conflito interior, a angústia de quem vê a sua relação falhar, sem poder fazer nada para impedi-lo, e se vê obrigada a desistir.

Esta é a canção de que gosto menos neste álbum. Não por achar que ela é pior do que as outras, porque não o é. À semelhança de quase todas as músicas do Goodbye Lullaby, possui qualidade musical, é uma obra de arte à sua maneira. Só que, a mim, não me diz muito, não me cativou como outras me cativaram. Em todo o caso, alguém que tenha passado por um término de um relacionamento semelhante pode perfeitamente identificar-se com esta música.

 10) 4 Real
 

"And now I'm stuck in the moment
And my heart is open
Tell me that you feel the same, oh..."

Esta é a minha música preferida de todo o álbum. Foi composta e produzida a solo pela Avril; talvez tenha sido a primeira canção que ela produziu em toda a sua carreira.

A parte instrumental é muito simples, constituída quase só pela guitarra acústica e a bateria discreta. Na verdade, é a voz da Avril é o instrumento principal, carrega toda a música. A letra é simples, fala sobre o nascimento do amor, é cantada com fluidez, com sentimento etéreo que se torna mais evidente na terceira estância. Esta é, na verdade, a melhor parte da música. Assemelha-se à terceira estância de Hot, só que aperfeiçoada. É capaz de ser um dos melhores segmentos músicais de toda a carreira da Avril. No fim, temos uma balada de amor, doce e romântica, com sentimento semelhante a Naked, outra que sempre foi uma das minhas preferidas.


 11) Darlin


"You're not the only one who's been through it"
 
Esta era a música em relação à qual me sentia mais curiosa, antes do lançamento do Goodbye Lullaby. Foi das primeiras que foram anunciadas, a Avril chegou mesmo a mencioná-la, de passagem, numa entrevista em 2008. É capaz de ser a faixa sobre a qual ela falou mais de todo o CD. Esta foi a segunda canção que a Avril compôs em toda a sua vida (a primeira foi Can’t Stop Thinking Of You), quando tinha catorze ou quinze anos. Ela tentou gravá-la para o Let Go, mas não a deixaram.
 
Darlin é uma faixa maioritariamente acústica, à qual vão sendo discretamente acrescentados violinos, piano e bateria, em que a voz da Avril sobressai. Mais uma vez, cinco estrelas para a produção feita pelo Deryck. Tenho pena de não termos tido acesso à versão instrumental em boa qualidade, sobretudo depois deste excerto prometedor:


A letra é um pouco inocente, notando-se que foi uma menina de quinze anos a compô-la, sobre ser-se forte para ultrapassar as dificuldades, mais uma vez, em consonância com a mensagem geral do álbum. Também deixa uma mensagem de empatia, de já-passei-por-isso-e-sei-que-é-difícil. A Avril pode tê-la composto sobre a irmã, sobre um amigo, sobre um colega, talvez sobre as habituais complicações da adolescência – nesse aspecto, faz lembrar um pouco as músicas de Let Go e Under My Skin que ajudaram muitos de nós, os fãs mais velhos, a ultrapassar essa fase. E agora, como disse uma vez no Twitter aquando do aniversário de Under My Skin, há-de ajudar os fãs mais novos, que estão a passar por isso neste momento. Em todo o caso, fica a pergunta: quem é que foi ou foram as alminhas iluminadas que não a deixaram gravar esta música antes?
 
A canção não tinha grande potencial comercial para servir de single, embora um videoclipe baseado nas recordações que esta música despoleta na Avril (ela tocando a música na sala de estar da casa onde cresceu para a sua mãe) fosse interessante. No entanto, uma das coisas que mais me intriga é o facto de esta música nunca ter sido tocada ao vivo, até ao momento. Que ela não toque 4 Real ou Remember When, músicas sobre as quais ela quase nunca falou, não me surpreende. Agora, não tocar uma música sobre a qual disse tanto, que esteve tantos anos na gaveta antes de ser editada, que tem tantas histórias a ela associadas (as primeiras incursões da Avril pela composição, o dia em que conheceu o Deryck e lhe tocou esta música e ele, não sei quantos anos depois, produzindo-a…) é que me causa imensa confusão.


Leiam as outras partes desta crítica:
PRIMEIRA
SEGUNDA
TERCEIRA
QUARTA

Músicas Não Tão Ao Calhas - Let Me Go

Já se calculava que Let Me Go, o dueto de Avril Lavigne e Chad Kroeger - vocalista dos Nickelback e, agora, marido da cantora - seriam o terceiro single do seu álbum homónimo. Também se sabia que era possível que este single fosse lançado mais ou menos nesta altura, ainda antes do CD. No entanto, fomos todos apanhados de surpresa quando, quase sem aviso, Let Me Go foi lançada como single na passada segunda-feira.

 
"And two goodbyes led to this new life"

Composta por Avril, Chad e David Hodges dos Evanescence, Let Me Go é uma balada, conduzida pelo piano, acompanhada por violinos, sempre muito evidentes, bateria e, em certos momentos, uma batida muito discreta, só distinguível com headphones, que me faz lembrar uma pulsação. O tom melancólico, algo gótico, faz lembrar o álbum Under My Skin, músicas como Together. No entanto, as comparações mais gritantes são mesmo baladas dos Nickelback: músicas como Hero e Savin' Me. Let Me Go acaba, até, por ter algumas semelhanças com o cover que a Avril gravou de How You Remind Me. Não que isto constitua surpresa. Conforme já afirmei aqui, era expectável. E, tal como calculei, este lado dos Nickelback é compatível com o estilo da Avril.

A participação de Chad nos vocais e a sua provável influência na composição dão a Let Me Go aquilo que falta a Here's to Never Growing Up e Rock N Roll: o fator novidade. As vozes de Avril e Chad soam bem juntas - no entanto, fiquei um bocadinho desapontada com o facto de o Chad apenas cantar os vocais de apoio (ou backvocals) no refrão. Acho que haveria maior impacto caso ambos tivessem cantado os vocais principais em coro, se a voz do Chad tivesse tido maior destaque, em particular nos "Oh..." após os refrões. O "it's too late" do final da segunda estância ficou demasiado prolongado, devia ter sido cantado da mesma maneira como o primeiro foi. Por outro lado, a Avril fez coisas diferentes com a sua voz. Temos como exemplo os "Don't let me go, don't let me go" no final do último refrão e o arrepiante "Love's never too late" - esse, sim, merecia ser esticado ou, pelo menos, ter sido seguido de um "Oh" que se prolongasse pelo refrão. A parte final da música, o "outro" instrumental, está talvez um pouco longo de mais, mas confere uma aura de mistério à música e os vocais desvanecidos combina com a imagem dos ecos, na letra.
 

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Esta foi a primeira canção em que a Avril e o Chad colaboraram - tanto vocalmente como em termos de composição. Segundo os mesmos, inicialmente Let Me Go era apenas sobre uma separação. Só que, entretanto, apaixonaram-se, ficaram noivos, não faria muito sentido lançarem um feat sobre o término de um relacionamento. Logo, alteraram a música de modo a incluir uma reconciliação. Acabou por ser uma boa ideia, na minha opinião, pois músicas de rompimento são o que não falta na discografia da Avril. A história de Let Me Go fica, assim, mais interessante. Há quem diga que cada um dos cantores fala de relações passadas e depois, na parte final, falam da relação um com o outro. É uma interpretação possível. Eu, no entanto, prefiro interpretar a música como a história de um relacionamento que precisava de uma rotura temporária, para que cada uma das partes resolvesse os seus problemas de modo a poderem começar de novo. De qualquer forma, à parte a história, em termos de qualidade de letra, não se pode falar de uma evolução significativa - o conceito das recordações de que é necessário abdicar já é recorrente, com destaque para a música My Happy Ending.

Estou particularmente curiosa em relação ao videoclipe de Let Me Go. Ando a torcer para que não façam um vídeo estilo Nickelback - geralmente os vídeos deles são protagonizados por atores contratados, a banda limita-se a aparecer interpretando a música. Se fizerem isso com Let Me Go, os fãs atiram-se ao ar, eu incluída. Estamos todos à espera de momentos Chavril. Eu, aliás, imagino um vídeo num cenário semelhante àquele onde se casaram e onde fizeram uma sessão fotográfica para a revista italiana Glamour.


Não fiquei desiludida com este primeiro feat original da Avril mas não posso dizer que este me tenha arrebatado, como aconteceu noutros lançamentos de músicas, quer da Avril quer de outros. Let Me Go é um single mais interessante, mais inovador do que os que o precederam e já ando a cantá-lo por aí mas não faz mais do que isso. Quero ver se o álbum Avril Lavigne terá músicas ainda melhores, por que me apaixone a sério. Posso também estar a ficar demasiado exigente... Em todo o caso, Let Me Go ajuda-nos a ligar com a síndrome de privação de músicas novas, consequente destes adiamentos todos do quinto disco da cantora. Faltam, agora, vinte e seis dias do lançamento oficial e já conhecemos as quatro músicas - venham as restantes!

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #4

Continuamos a recordar Goodbye Lullaby agora que estamos a um mês do lançamento oficial de Avril Lavigne. Podem ler as partes anteriores desta crítica AQUI, AQUI e AQUI. Hoje falamos de I Love You e Everybody Hurts.

7) I Love You 
 


"Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through"

Esta é uma doce canção de amor, se bem que não se limite a amor romântico. É uma espécie de Smile acústico, mais suave, com um cheirinho a Things I’ll Never Say. A Avril vai enumerando aquilo que gosta acerca do rapaz, isto numa voz doce de menina tímida declarando o seu amor. O verso “I like the way you misbehave when we get wasted” é muito engraçado – é como que uma marca da Avril e contraria um bocadinho o tom romântico da música. A faixa é predominantemente acústica mas a batida dá um certo carácter dançante. A música ganha, ao mesmo tempo, maior animação e maior sentimento depois do segundo refrão graças aos acordes frenéticos e aos vocais: estes e a terceira estrofe catapultam a música para um último refrão e um final em grande.
 
A Avril afirmou que compôs esta música pensando numa das pessoas que mais ama no Mundo. E, como não podia deixar de ser, nós, os fãs, interrogamo-nos sobre quem será esse indivíduo. Eu aposto em Deryck Whibley, o ex-marido com quem, contudo, continua a ter uma boa relação, sobretudo por causa do verso “Even though we didn’t make it through, I am always here for you”. Em todo o caso, quem quer que seja este amor, a Avril não tem medo de dizer que o ama. E se tivermos em conta que, nos álbuns anteriores, ela parecia hesitar em dizer, preto no branco, o que verdadeiramente sentia, isto é definitivamente uma evolução.

A Avril chegou a dizer numa entrevista recente que I Love You podia ter sido single. Eu acho que tinha perfil para isso.
 
À semelhança de Smile, I Love You é também uma música que podia vir dos fãs para a Avril. Eu, pelo menos, gosto do sorriso dela, do estilo, da vibração, de o seu carácter de estrela, da sua beleza, das maluquices que faz quando se embebeda (ou mesmo quando está sóbria), etc, etc. Basicamente, adoro-a por ela ser como é e por eu e a sua música já termos passado por bastante juntas. 
 
8) Everybody Hurts



"So many questions, so much in my mind
So many answers I can't find..."

 

Esta é uma das minhas preferidas do álbum e também outra das mais populares entre os fãs. Se não é uma das melhores músicas da Avril é, pelo menos, uma das melhores produzidas. Os acordes de guitarra, os arpejos, os arranjos de violinos, os vocais (em particular na parte final da canção) estão todos muito bem colocados, fazendo da música uma verdadeira obra de arte. Bom trabalho, Deryck!
 
O único “defeito” é que a sequência de acordes é sempre a mesma, excepto na terceira estrofe, o que pode baralhar uma pessoa que a canta. Até a Avril se baralhou de todas as vezes que a cantou (não que tenham sido muitas, mas…). E já que se fala disso, gostei muito de vê-la cantar Everybody Hurts ao vivo com o Evan. Sempre os imaginei cantando-a ao vivo, cada um com a sua guitarra acústica, tal como fizeram.
 
A letra é muito simples e repetitiva mas, como o costume, a Avril canta-a com genuína emotividade. A mensagem faz-me lembrar um pouco as b-sides de Let Go, em particular, Move Your Little Self On, mas espelha um pouco o amadurecimento da Avril, a maneira como ela aprendeu a não se deixar abater pela dor. No fundo, a mensagem de Everybody Hurts é muito semelhantes à do álbum num todo: toda a gente sofre de vez em quando mas não devemos deixar que isto nos vença, há que continuar a lutar e, eventualmente, encontrar-se-á uma saída.
 
Não sei se é coincidência ou não, mas a mensagem não difere muito da da música homónima cantada pelos R.E.M. Também o título “Everybody Hurts” é bastante limitativo nesse aspecto, isto é, com este título era difícil a música ter uma mensagem diferente. Em todo o caso, Everybody Hurts é mais uma prova de que as músicas que nascem da parceria entre ela e Evan Taubenfeld costumam ser das melhores. Tenho pena é que o álbum Avril Lavigne não inclua nenhuma dessas - tanto quanto sei.

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