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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Música de 2013 #3 - Paramore

Queria fazer uma rápida referência a um álbum de música portuguesa, para variar. Infinito, o álbum de estreia de Catarina Rocha, editado no início deste ano. Já o tinha mencionado brevemente nesta entrada. É um disco bastante agradável, com músicas calminhas, sustentadas pela linda voz de Catarina, lembrando-me, de certa forma, o Goodbye Lullaby, da Avril.
 
2013, no entanto, pertenceu aos Paramore.
 

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Quando o ano começou, já o álbum havia sido anunciado. Pouco após, sairia a preview de Now. A faixa inteira seria lançada dois dias antes do meu aniversário. O respetivo videoclipe sairia poucas semanas depois - esse e o vídeo de Rock N Roll, de Avril Lavigne, foram para mim os melhores videoclipes do ano. Apesar de hoje considerar que a letra de Now é das mais fracas do álbum, o primeiro single de Paramore foi especialmente marcante durante o início de 2013. Muito porque, nessa altura, andava a escrever a parte final do meu terceiro livro; uma daquelas partes ricas em sequências de ação, as que mais gosto de escrever, já falei várias vezes disso cá no Álbum. Tanto a faixa Now em si como o seu videoclipe ajudavam-me a entrar no espírito, davam-me inspiração.

Seguiu-se o lançamento de Still Into You - que se tornaria um êxito estrondoso - e, poucas semanas mais tarde, as restantes músicas do álbum. Que, entretanto, já tiveram tempo de amadurecer no meu ouvido, deixando de soar tanto a novidade. Algumas que, inicialmente, não me agradavam por aí além, hoje aprecio melhor. Uma delas é a Interlude Holiday - depois de entrar em férias de verão e, mais tarde, ao emparelhá-la com as músicas estivais do Avril Lavigne.

O exemplo mais significativo, contudo, é mesmo Future. 

 
Levei algum tempo a compreender o propósito da faixa que encerra Paramore. Vejo agora que a letra faz referência a várias outras músicas do álbum, acabando por ser uma conclusão retirada das mesmas, por ser a mensagem do álbum. Uma mensagem de esperança, aconselhando a não olhar para trás e a focar-se no futuro, nos sonhos que estão por realizar. Funciona verdadeiramente como um epílogo do álbum, como um encerramento de capítulo. O tratamento instrumental da faixa - apesar de continuar a achar desnecessariamente longa, que a voz da Hayley podia soar mais clara no início da música e uns quantos vocais em eco, na parte instrumental, davam mais carácter a Future - confere a esta canção um tom adequadamente misterioso, agridoce, fazendo-me imaginar os membros da banda lutando num cenário semelhante ao vídeo de Now, ou então no mar em plena tempestade, ou num deserto, enfim, sobrevivendo numa situação agreste.
 
Vejo em Future certas semelhanças com Goodbye, de Avril Lavigne, e See the Light, dos Green Day. Goodbye também funciona como um epílogo de Goodbye Lullaby, pela maneira como retira uma conclusão a partir do álbum. Acaba, até, por ser uma mensagem relativamente semelhante, embora o sentimento seja diferente. Já See the Light tem um sentimento mais parecido e também me parece, de certa forma, uma conclusão a 21st Century Breakdown. Para além disso, tem uma mensagem semelhante, de procura de um sentido, de uma esperança, de desconhecimento sobre o futuro, tudo isto no típico tom agridoce de um epílogo.
 
 
É por estas e por outras que acho que o álbum foi mal batizado. Compreende-se a decisão de lançar um álbum homónico após terem sobrevivido a uma crise que quase destruiu a banda. Além de que quiseram mostrar todos os estilos que podiam adotar, todas as potencialidades dos Paramore. No entanto, o facto de terem batizado o seu quarto álbum assim, um álbum com uma sonoridade diferente dos anteriores, pode gerar equívocos. Podem dar a ideia e que estão a renegar os discos anteriores, de que estes eram menos Paramore do que o quarto álbum.

Na minha opinião, este álbum podia ter sido chamado Future. Por diversos motivos: pela canção-epílogo, que resume a mensagem geral do álbum. Por futuro ser o denominador comum a vários temas do disco: crescimento, sobrevivência, sonhos, esperança. Poque, com este álbum, a banda recuperou algo que esteve perto de perder: um futuro.

Mas trata-se apenas do título, é evidente que isso em nada diminui a qualidade do álbum. E enquanto músicas de que não gostava por aí além no início subiram na minha opinião (exceto Anklebiters. Não consigo mesmo gostar dessa), outras por que me apaixonei nas primeiras audições... continuam assim. Aliás, com o tempo, fui reparando nos pormenores, nas linhas de baixo de Jeremy, nos riffs de guitarra de Taylor, presentes em músicas como Daydreaming, Last Hope e, sobretudo, Ain't It Fun. É uma pena não termos ainda versões instrumentais oficiais...


Daydreaming tornou-se em poucas semanas uma das minhas preferidas, não apenas por descrever muito bem a fase da vida em que me encontro, como também por adorar cantá-la - aquelas estâncias suspiraras e depois o poderoso refrão. Daydreaming acabaria por ser lançada como single em alguns países da Europa, com direito a videoclipe. Como poder ver, é um vídeo muito simples, que nem sequer prima pela originalidade mas, na minha opinião, adequa-se à música que serve. Além de que, visto que não foi um lançamento mundial, não se justificava algo muito melhor.

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Uma das poucas coisas que me desiludiu em relação a este álbum, aliás, é o facto de terem sido lançados tão poucos singles. Aquando do lançamento de Paramore, eu pensava que haveria tempo para uns três singles até ao final do ano. A banda tentou gravar um vídeo para Ain't it Fun durante o verão -  que sempre se soube que seria single mais cedo ou mais tarde - mas parece que o processo não correu bem. Eles lançaram Daydreaming em novembro e, no início deste mês, fizeram uma segunda tentativa num videoclipe para Ain't it Fun. Parece que esta foi bem sucedida e o vídeo será lançado em janeiro.

Não se pode dizer, de resto, que este adiamento tenha prejudicado a banda pois Still Into You teve imenso sucesso. Este segundo single de Paramore não é das minhas preferidas deste álbum mas, tal como afirmei aquando do seu lançamento, consegue conjugar uma história forte por detrás da letra - Hayley chegou a afirmar numa entrevista que Still Into You era uma espécie de sequela a The Only Exception - com o carácter infeccioso das melhores canções pop.

Outros pontos fortes do álbum Paramore são Grow Up - sobretudo por causa dos elementos eletrónicos - e Part II. Não me vou alongar tantou sobre esta última pois tenciono dedicar-lhe uma entrada em breve.

No entanto, a melhor música, não apenas do álbum Paramore mas de todo o 2013, foi Last Hope.


Já falei aqui no blogue de como Last Hope me apaixonou à primeira audição, de como me arrebatou, de como dava vontade de cantar em altos berros. Algo que ainda acontece. Os Paramore, entretanto, referiram que esta se tornou uma das músicas preferidas de tocar ao vivo. Não surpreende, de facto. Diz-se vulgarmente que as músicas ideiais para concertos são as mais agitadas e alegres. Não concordo totalmente. Certas baladas arrebatadoras, cantadas em altos berros por milhares de pessoas, são muitas vezes o ponto alto de concertos.

Uma das coisas que ajudam à adesão de uma audiência será a letra com praticamente toda a gente se identifica - Lucky One, dos Simple Plan, também é assim. No entanto, emobra a mensagem de Last Hope seja generalizável, também se torna específica ao referir-se a dores de crescimento, àquilo que custa mas a que é necessário não resistir e, mesmo, aceitar - aquilo de que Hayley fala no seu blogue, uma lição que ainda estou a aprender.


Last Hope é, em suma, uma música perfeita em todos os sentidos. Se não for a melhor de sempre, será pelo menos a melhor deste ano. Ando a fazer figas para que a banda goste tanto de tocá-la ao vivo que a torne single.

Este álbum ajudou-me, assim, a apreciar ainda mais a banda, os seus trabalhos anteriores, os próprios integrantes.  Eu sei que Hayley detestaria ser discriminada positivamente em relação a Jeremy e a Taylor mas eu tenho de destacá-la. Eu já vinha a identificar-me com ela desde há uns anos a esta parte mas agora tornou-se um exemplo ainda maior para mim, por diversos motivos. Respeito-a imenso pela lealdade que tem para com os Paramore, ao contrário do que chegou a ser insinuado. O facto de, ao contrário do que acontece com quase todas as cantoras pop, ela não explora ostensivamente a sua sensualidade - só este ano é que começou a aparecer ainda mais descapotável mas, para ser sincera, ela parece uma freira quando comparada com o que se viu este ano... - e, mesmo assim, consegue há anos - incluindo numa altura em que muitas vezes aparecia de top e calças de ganga - ser considerada das cantoras mais sexys. Prova assim que sensualidade não é sinónimo de vulgaridade.

No entanto, o maior motivo da minha admiração diz respeito às letras, que são escritas por ela. É Hayley a principal responsável pelas mensagens das músicas, logo, dos álbuns. Para mim, essa é a parte mais importante, é o que me liga aos Paramore.

 

 

Porque este é, de resto, o principal motivo pelo qual este álbum teve um impacto tão grande em mim, mais do que a maior parte da música tem. Já o disse várias vezes aqui no blogue que, no finla, é o conteúdo da música que faz com que esta se torne verdadeiramente imortal - muito por colher inspiração dela. Paramore tem feito mais do que isso: as músicas, as mensagens por detrás, uma ou outra declaração sobre as mesmas, a própria história recente da banda, têm-me ensinado imenso, têm-me ajudado a descodificar a vida, a descobrir quem sou, aquilo que se passa comigo - sobretudo agora que me encontro à beira de um ponto de viragem. Coisas que já sabia e que estou a redescobrir, coisas que preciso de saber mas que ainda estou a tentar aprender.
 
Saber, por exemplo, quando ignorar as opiniões dos demais. Aprender que apenas seu sei o que é ser eu, percorrer o caminho que percorro, aceitar que não sou como toda a gente, que não faço o que é suposto fazer, que não sou normal e não tenho de o ser - em teoria, sei isto desde que tenho quinze anos mas, na prática, nem sempre consigo ignorar o que os outros pensam de mim.
 
Reconhecer que tudo o que tenho é sonhos, que vivo a meio gás e que está nas minhas mãos mudar isso, por assustador que seja. Porque muitas vezes, somos nós mesmos a impedirmo-nos de sermos felizes. Não esquecer que o Mundo Real é duro e tentará deitar-nos abaixo de todas as maneiras possíveis e imaginárias mas, se há pessoas a conseguirem sobreviver nele, também devo conseguir.
 
 
Aprender, também, que, por vezes, a maneira de ganhar a guerra não é derrotando o inimigo mas sim abraçando-o - quer literalmente, quer nos múltiplos sentidos figurados. Fazendo as pazes, perdoando, quer aos outros como a nós mesmos.
 
Pelo que vou vendo pela Internet, não apenas no que toca aos Paramore, o mesmo acontecendo com outros artistas, os fãs preferem embarcar em discussões sobre o sexo dos anjos, comparando o material novo com o antigo, muitas vezes desenterrando a velha questão da partida dos irmãos Farro. Eu prefiro focar-me naquilo que a música traz à minha vida. Se esta é mainstream ou indie é irrelevante. Se é conservadora ou inovadora é secundário - dái que o CD Avril Lavigne tenha ficado abaixo do EP dos Simple Plan: este podia trazer muito pouca novidade, ainda menos que o álbum da cantautora canadiana, ms as músicas deram mais. O álbum Paramore, esse, deu imenso: ajudou a clarificar o sentido da vida. Este devia, de resto, ser o principal propósito da Arte. Também serve de inspiração à minha escrita precisamente porque esta é, igualmente, a minha maneira de descodificar o Mundo.
 
Um dos meus desejos para 2014 é poder vê-los ao vivo outra vez, desta feita tocando as canções deste álbum. Não me importava que fossem ao Rock in Rio mas, depois de os ter visto no Alive, queria vê-los num concerto em nome próprio, de longa duração, não apenas com os singles mas, também, com as favoritas dos fãs mais hardcore - como por exemplo My Heart e Let The Flames Begin. Aguardo, igualmente, com ansiedade o vídeo de Ain't It Fun, bem como o single seguinte (Last Hope! Last Hope! Last Hope!). Entretanto, tenciono voltar a falar de músicas dos Paramore em entradas futuras. Mas, sobretudo, desejo que a banda continue a fazer músicas de qualidade, que continue a crescer connosco e a ajudar-nos a decifrar o Mundo.
 

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2014 dificilmente será tão rico musicalmente como 2013 foi. Já sabemos que os Within Temptation lançarão Hydra no final de janeiro. E aquela hipótese do álbum natalício de Avril Lavigne. Consta também que os Linkin Park se encontram, neste momento, em estúdio. Também não torceria o nariz a uma eventual participação dos mesmos no Rock In Rio. Em relação ao resto... não sei. Só o tempo o dirá.
 
Em termos pessoais, será um ano bastante decisivo. O ano em que espero acabar, finalmente, o meu curso. Um dos meus receios é que, quando estiver em estágio, deixe de ter tempo para escrever. Quero ver se consigo concretizar os vários planos de entradas que tenho acumulado nos meus cadernos - alguns dos quais há vários meses - antes do início do estágio mas não será fácil pois, no próximo mês, vou ter exames. Pelo meio, ainda queria avançar no meu quarto livro - escrevi oito capítulos ao longo do verão mas pouco mais escrevi depois disso.
 
Por outro lado, sou uma escritora caprichosa, que já escreveu mais em tempo de aulas do que em férias. Se em cerca de dezasseis anos de vida arranjei quase sempre tempo para escrever, não será agora que isso irá mudar. Como sempre, alguns dos melhores momentos deste ano corresponderam àqueles em que estive a escrever para os meus livros. Tenho a certeza de que, nesse aspeto, 2014 não será diferente. Sobretudo se o fizer catalisada por músicas novas dos meus artistas preferidos.
 
Deixo, então, aqui um voto de boas entradas em 2014, agradecendo aos meus seguidores, desejando que continuem a acompanhar o álbum ao longo do próximo ano. Que 2014 traga muitas alegrias, entre as quais boa música, bons livros, filmes e séries. Feliz Ano Novo!

Música de 2013 #2 - Within Temptation

 

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Faço aqui uma referência a Within Temptation, que esste ano lançou dois singles, um deles com um EP de demos anexado. O segundo, aliás, Dangerous, um dueto com Howard Jones, foi lançado há pouco mais de uma semana. Não escrevi a habitual crónica de Músicas Não Tão Ao Calhas porque ainda não consegui analisá-la como queria - só agora é que consegui encontrar a letra - e, do pouco que analisei, não tenho muito a dizer sobre ela. Mistura a sonoridade típica de Unforgiving com sintetizadores e um ritmo absurdamente rápido, que pede headbangs desde o primeiro minuto. Ainda não passei disso. Prefiro dar tempo, ir ouvindo a música com mais calma ao longo das próximas semanas. Mais tarde, quando sair o álbum, comentá-la-ei devidamente.
 
Não devia, aliás, falar dos Within Temptation na Música de 2013. Este ano ocorreram apenas os preliminares, a diversão a sério começará com o lançamento do novo álbum. Nas palavras dos mesmos, este disco representará diferentes lados da banda. Curiosamente, tivemos dois álbuns assim, mais para o eclético, este ano. Só que, ao contrário dos suspeitos do costume cá do blogue, os Within Temptation tiveram um bocadinho mais de imaginação e, em vez de batizarem o álbum com o seu próprio nome, inspiraram-se na Hidra de Lerna, o monstro de múltiplas cabeças da mitologia grega - simbolizando, precisamente, o carácter multifacetado do disco. Hydra será editado dia 31 de janeiro - pena não ser uma semana antes, para sair no dia do meu aniversário. Não tenho nenhuma expectativa em especial. Apenas espero que Hydra esteja ao nível a que os Within Tempation nos habituaram.
 

Música de 2013 #1 - Avril Lavigne

Mais um ano que se aproxima do término. À semelhança do que fiz no fim de 2012, falarei aqui no blogue das músicas, álbuns e artistas musicais que mais marcaram 2013.
 
Em 2012 os Linkin Park foram a banda mais marcante, para mim. Pouco mais houve de relevante no mundo da música, pela parte que me toca. 2013 foi diferente Aliás, considero mesmo que o melhor dest ano foi o facto de ter havido imensa música nova por parte dos meus artistas preferidos. Poucas coisas se comparam à primeira audição de um novo single ou de um novo álbum, prestando atenção às melodias, aos diversos instrumentos, às letras, aos vários momentos e nuances. Ouvir as novas faixas em loop e, mesmo assim, estas demorarem algum tempo a entranhar-se na minha memória. E, claro, escrever sobre elas aqui no blogue. O Natal foi na semana passada mas, acreditem, o dia do lançamento de um single ou de um álbum é capaz de suplantá-lo na maior das calmas.

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Quero começar por falar de Avril Lavigne, o álbum por que esperava com maior ansiedade. Isto é, pelo menos por altura do início do ano. A verdade é que os constantes adiamentos e a fraca promoção do álbum e respetivos singles arrefeceram um pouco o entusiasmo. Mesmo assim, o meu coração não deixou de acelerar quando descobri que o álbum já estava disponível para audição.

Se leram a minha crítica (AQUI), saberão que este me desiludiu um bocadinho. Não que não goste dele - é a Avril Lavigne! É-me impossível não gostar daquilo que ela faz! Gosto muito, aliás. Por muitos defeitos que possam ter, as músicas da Avril sempre me deram vontade de cantar - tenho muitas canções de que gosto muito mas que não canto, servem apenas para ouvir. Não sei ao certo o que é, isso que me dá vontade de cantar, mas está presente em praticamente todas as músicas dela, desde baladas às mais agitadas. Ela nunca teve dificuldades em criar melodias cativantes, de resto.

Isso passa-se muito no álbum homónimo. Que tem vivido no auto-rádio. É, aliás, o CD ideal para se ouvir no carro, em volumes elevados, e cantar em altos berros - é uma sensação do catano.



Há músicas que se têm destacado. Falo, por exemplo, de Bitchin' Summer, uma das melhores deste álbum em termos de instrumental e uma das melhores da Avril de entre as mais pop. Destaco o rap, que é divertido de cantar. Ando com esperança de que se torne um dos últimos singles deste álbum, por altura do verão do próximo ano, evidentemente. 
 
Give you What You Like é outra das que mais tenho ouvido deste álbum, talvez por diferir tanto do registo habitual da Avril, assemelhando-se apenas ao cover que ela gravou de How You Remind Me - com quem partilha influências jazz, vocais suaves, sem estridências, e um tom amadurecido, sensual. Iria gostar imenso se ela gravasse um álbum inteiro neste estilo. Também não me importava se Give You What You Like se tornasse single
 
Outra que se tem tornado cada vez mais irresistível é Bad Girl. Há uns anos atrás, a letra deixar-me-ia traumatizada; mesmo hoje, não tem absolutamente nada a ver comigo mas, que diabo, é contagiante para catano! A minha irmã gosta imenso dela - e acreditem, traumatizante é ouvir a nossa irmãzinha inocente, que ainda no outro dia tinha cinco anos, a cantar "Hey hey, I'll let you walk all over me, me". De resto, Avril referiu numa entrevista recente que podia gravar um álbum assim. Antes, gostava de vê-la apresentando a música em palco, com Marilyn Manson. 
 
Também tem sabido bem ouvir Let Me Go na rádio portuguesa. É muito raro isso acontecer, ouvir músicas da Avril na rádio por cá, mas Let Me Go tem tocado tanto na RFM como na Comercial, tendo mesmo tido a proeza de atingir os lugares cimeiros no TNT. Em nome da equipa do Avril Portugal, não têm de quê.

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Em suma, Avril Lavigne é, essencialmente, um álbum feel good - e nada mais. Por escolha própria já que a mesma referiu, recentemente, que deixou de fora as músicas mais profundas a favor das mais pop. Contudo, conforme já afirmei aqui no blogue, de uma forma ou de outra, preciso de música com conteúdo, com mais história do que as mesmas de sempre. Daí que, de certa forma, tenha gostado mais do EP dos Simple Plan, lançado no início deste mês. A cantautora garante que ainda planeia lançar essas músicas excluídas mas duvido que o faça. Outra das coisas a que os fãs da Avril já estão habituados é às músicas que nunca são lançadas. Muitas vezes até conhecemos um excerto, um instrumental, uma curta referência em entrevistas, pequenas coisas que aguçam a nossa curiosidade mas que nunca dão em nada. Costumo comparar tudo isto à situação de alcoólicos em recuperação a quem atiram gotas de vinho do Porto - bebêmo-las rapidamente e ficamos a penar pela garrafa inteira.

Por outro lado, conforme já tinha afirmado na minha crítica a Avril Lavigne, o problema até pode ser meu. Para além da fasquia elevada, são já muitos anos seguindo a cantautora canadiana. É natural que as coisas comecem a parecer repetitivas. Agora compreendo aqueles fãs que vão "desistindo" da Avril, ou porque já não se identificam com o estilo dela, ou por se, pura e simplesmente, se cansam.



Ora, em entrevistas mais ou menos recentes, a cantautora canadiana tem andado a brincar com a ideia de um álbum de Natal, a ser editado no próximo ano. Essa ideia agrada-me por diversos motivos. Para começar, foi assim que ela começou a cantar em público, tinha ela sete anos: canções de Natal na igreja. Temos, além disso, uma bela amostra com a interpretação da clássica Oh Holy Night, em 2003. Por fim, seria uma mudança bastante bem-vinda, que poderia conquistar-lhe novos fãs, em particular se incluísse colaborações com outros artistas. A inovação que, tirando um ou outro caso, faltou ao quinto álbum.

É claro que a coisa teria de ser bem feita. As músicas teriam de ser, se não originais - no que toca ao Natal, é difícil fugir dos clichés - pelo menos inéditas. Não quero um álbum inteiro de re-interpretações de clássicos de Natal. Devia, também, ser tão variado quanto um típico álbum de Avril Lavigne: incluir baladas e músixas mais alegres. Acredito que a Avril seria capaz de levar a cabo tal projeto, até porque ela gosta bastante do espírito natalício - muito mais do que eu, diga-se.

Ainda que este último álbum tenha ficado aquém das minhas expectativas, não vou desistir assim tão facilmente de Avril Lavigne. Posso já não seguir febrilmente tudo o que ela faz, como o fazia há uns anos, mas não deixarei de estar lá quando ela lançar música nova. Só espero que o seu próximo material tenha mais substância do que este álbum teve - eu sei que ela consegue fazer melhor.

Simple Plan - Get Your Heart On - The Second Coming!

 
 

Os Simple Plan lançaram ontem, dia 3 de dezembro, um EP de sete canções intitulado "Get Your Heart On - The Second Coming!". Segundo eles mesmos, este conjunto inclui tanto sobras do álbum Get Your Heart On e outras posteriores ao álbum. Vou analisar casa uma delas por ordem crescente das minhas preferências. Não é demais relembrar que esta ordem é provisória, muitas das músicas estão praticamente empatadas.

Ordinary Life

 
 

"I don't want to wake up
With my best years behind me
I think I'd better wake up
Before my life's behind me"
 
Esta é a 642ª música (ou música número 642) na discografia dos Simple Plan sobre frustração com a vida atual e vontade de fugir à rotina. Ordinary Life nem sequer tem o ponto forte de Anywhere Else But Here que, ao menos, tinha uma sonoridade fora do habitual da banda. Antes pelo contrário, o arranjo de Ordinary Life é vulgaríssimo na discografia dos Simple Plan e até traz ecos de Jump. Daí que considere Ordinary Life a mais fraca deste EP.
 
Fire In My Heart
 

"Felt the spark, left a mark I can't erase"
 
Esta faixa vai na linha de várias músicas pop de hoje em dia que adotam metáforas relacionadas com fogo. Em Fire In My Heart simboliza, obviamente, paixão romântica. Não é de surpreender que a letra, que explora esta metáfora, não seja particularmente memorável.

 
Em termos de sonoridade, Fire In My Heart soa-me a uma Sippin' On Sunshine, de Avril Lavigne, mais roqueira. Também possui alguns ecos de Summer Paradise. No fundo, Fire In My Heart é uma música de verão, de lua-de-mel, mas longe de ser uma das mais marcantes deste EP.
 
The Rest Of Us
 

"We do it better than the rich and the fabulous"
 
Seguindo-se a Ordinary Life na tracklist, The Rest Of Us acaba por contrariar a mensagem da faixa anterior. Enquanto Ordinary Life se queixa da vulgaridade da rotina, da anonimidade, The Rest Of Us não se importa com isso, chega mesmo a enaltecer a condição de simples mortal. Vai em linha com a moda das músicas para elevar a auto-estima (Born this Way, Firework, Anklebiters, entre outras) que se mistura com campanhas anti-bullying. Esta mensagem de que as pessoas comuns, mesmo estranhas, são melhores que as celebridades convencionais vai também em linha com os tempos atuais, de crise, em que fica bem a figuras como a Princesa Leticia e Kate Middleton aparecerem em público com roupas de marcas mais económicas, em que personalidades mais terra-a-terra, como a atriz Jennifer Lawrence, ganham popularidade. Não admira que tenham escolhido esta música para montarem um videoclipe. Não sei se The Rest Of Us chegará a ser single e a tocar nas rádios mas, se o for, tenho a certeza de que, pelo menos pela mensagem, seria bem sucedida.
 
Destaque ainda para a referência a Bruno Mars.
 
In
 
 
"Tell me why, Tell me why we wait so long
When we know, When we know where we belong"


A letra de In fala sobre baixar a guarda e arriscar no amor, ter a coragem necessária para se abrir para outra pessoa, para se comprometer com outra pessoa. Como se pode calcular, não é um conceito completamente original, mas não faltará quem se identifique com ele.

Em termos de sonoridade, recorda-me um pouco Another Heart Calls, dos All-American Rejects, pela maneira como alterna momentos calmos, misteriosos, algo etéreos - só com piano e batidas leves - com momentos mais frenéticos, sustentados por guitarras elétricas. Tal como outras músicas deste EP, não difere radicalmente da sonoridade típica dos Simple Plan mas é suficientemente interessante para ganhar carácter próprio.

Outta My System 


 
"Now I'm here coming back to life
Turning my wrongs all back to right
I was way down, I was locked up
Now I'm free
"

Esta faixa é a mais eletrónica deste EP sem, no entanto, deixar de lado o pop rock característico dos Simple Plan. Tenho de destacar a bateria atmosférica em conjunto com os acordes de guitarra elétrica e as notas de piano ao longo da terceira parte da faixa, dando um carácter inesperadamente épico à música, elevando a sua qualidade.

A letra descreve a maneira preferida de ultrapassar uma separação: indo para a borga, saturando o fígado com etanol, enrolando-se com perfeitas desconhecidas. Com o risco de se tornar algo machista, acaba por ter a sua graça.
 
Try


 
"But if you can give me half a chance I'll show,
How much I can fix myself for you.
"
 
 Gosto do início de Try: piano com algumas notas eletrónicas, a que se juntam batidas a meio da primeira estância. A sonoridade mantém-se mais ou menos até à terceira estância, durante a qual se juntam guitarras elétricas e bateria "a sério", transformando-a numa balada mais pop rock. Devo dizer que gosto bastante do efeito. Não me lembro de alguma vez ter ouvido algo assim.
 
Em termos de letra, é uma canção de amor, de súplica por perdão, por uma segunda oportunidade, do género I Will Be, Best Of Me e Far Away (curioso: acabo de citar uma música da Avril Lavigne, uma dos Sum 41 e uma dos Nickelback na mesma frase...). Não é de todo uma letra particularmente original mas a sonoridade eleva a música bem acima da média.
 
Lucky One
 


"It feels like it's taking forever
But one day, things could get better
And maybe... my time will come"
 
Chegámos, assim, à minha preferida deste EP. Lucky One é uma balada quase exclusivamente acústica (se não for totalmente acústica). É um arranjo simples, o mais simples deste EP, mas funciona bem, condiz com a mensagem da canção. 
 
Esta é, aliás, o ponto forte desta música: pega um pouco na auto-comiseração que caracteriza vários temas da discografia da banda, em particular no início da sua carreira. Existe, contudo, num amadurecimento na maneira como aborda o tema, na maneira como o transforma numa mensagem de esperança, recordando-me Last Hope dos Paramore - uma das músicas deste ano, para mim. Tal como acontece no tema dos Paramore, Lucky One fala sobre infelicidade, contrariedades, sonhos por realizar Fala em particular da sensação de que as coisas boas só acontecem aos outros. Existe, no entanto, a esperança de que venham tempos melhores, de que um dia seja possível conquistar-se um final feliz. Visto que toda a gente já passou, pelo menos uma vez na vida, por um momento de desânimo, em menor ou maior grau, esta é uma mensagem que cativa com facilidade. Destaque para os tempos que correm, em que muitas pessoas passam por dificuldades. Uma mensagem de esperança é sempre bem-vinda - é aqui que reside a força de Lucky One.
 

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Neste EP, a banda canadiana continua igual a si mesma, para o melhor e para o pior: pop rock, punk pop, com uma ou outra influência influência eletrónica, com melodias tão contagiantes como sempre. Letras que, sem serem particularmente originais, têm aquele toque de vida real que é cada vez mais raro na música pop. O tal toque que faltou ao último álbum de Avril Lavigne, que não falta no último álbum dos Paramore. Não existe grande evolução relativamente ao material antigo mas, também, é um EP de sobras. Não se poderia exigir o que se exige de álbuns de doze músicas. No entanto, independentemente da evolução ou da falta dela, tal como listei anteriormente, de uma maneira geral são músicas boas, com conceitos interessantes.
 
Já li críticas - não apenas relativas a este EP - acusando a sonoridade da banda de estar ultrapassada. Eu mesma critiquei aqui no blogue o facto de os Simple Plan não se aventurarem fora deste espectro. No entanto, depois de ouvir e gostar deste EP, a pergunta que faço é: será mesmo necessário os Simple Plan mudarem?
 
Mudar só por mudar, só por motivos comereciais, não faz sentido. Corre-se mesmo o risco de a banda perder a sua integridade. Não precisamos de mais artistas cantando temas dubstep sobre borga. O material que os Simple Plan criam pode trnar-se repetitivo mas é autêntico, tem mais qualidade e mais conteúdo do que a média, maior potencial para servir-me de inspiração. E mesmo que os Simple Plan já não tenham a popularidade de outros tempos, ainda são capazes de arrastar fãs atrás de si. Que mais se pode exigir?
 
 
A banda deve começar, em breve, a trabalhar no seu quinto álbum de estúdio, um processo que ainda deve demorar algum tempo. Uma eventual mudança de estilo, a acontecer, teria de ser vontade dos próprios Simple Plan. Como terá acontecido com os Paramore - segundo os mesmos, eles tentaram manter o estilo dos álbuns anteriores mas, por motivos variados, a velha fórmula já não resultava. E ainda lhes custou bastante abraçarem a mudança. Quanto aos Simple Plan, para eles o estilo atual parece ainda funcionar. O mesmo parece acontecer com os fãs. Neste EP, para mim, funciona. Que se mantenha assim e ficamos todos felizes.

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