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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

The Hunger Games/Os Jogos da Fome

 


Ando para escrever sobre a série de livros da autoria de Suzanne Collins e respetivas adaptações cinematográficas há já algum tempo. É uma das sagas da moda e eu, à semelhança de muita gente, li os livros mais ou menos na altura em que saiu o primeiro filme. Não digo que os livros sejam dos meus preferidos mas, definitivamente, foram dos que mais me marcaram nos últimos anos, de uma maneira perturbadora até.

ALERTA SPOILER: Este texto contém revelações do enredo tanto dos livros como dos filmes da série The Hunger Games/Os Jogos da Fome. A leitura só é aconselhada caso tinham lido os três livros, até para a própria compreensão deste texto.

Vou começar por falar do primeiro livro, que deu o nome à série: The Hunger Games/Os Jogos da Fome. Nesta altura do campeonato, já toda a gente conhece as premissas: o mundo pós-apocalíptico e distópico, o governo opressivo, o contraste entre o luxo obsceno e degradante e a miséria medieval dos distritos mais desfavorecidos, o conceito dos Jogos da Fome. O único aspeto que não me convence em Panem é a ausência de uma qualquer obrigatoriedade de veneração dos líderes. As crianças não são obrigadas a cantar o hino nacional de olhos no presidente e no primeiro-ministro, como em Portugal, nem a expressão "Obrigado, Querido Líder" se encontra entre as suas primeiras palavras. A política de medo, sem nenhuma espécie de paternalismo que a atenuasse, facilitou a adesão do povo à revolta, bastou "uma mão-cheia de bagas" e a esperança revelou-se "mais forte que o medo" Se o povo tivesse sido (melhor) ensinado a venerar o presidente Snow, talvez a revolução não se teria alastrado tão "facilmente".

Mas este é apenas um pormenor.

 

Nisto surge Katniss, toda a gente sabe como. Uma jovem endurecida pelas dificuldades por que passou, em particular após a morte do pai e consequente depressão da mãe. Surge também Peeta, filho do padeiro, que ajudara Katniss anteriormente, num momento em que todas as portas se haviam fechado para a jovem. Enquanto Peeta se revela mais ingénuo, Katniss é mais cínica, sempre se questionando sobre as verdadeiras intenções do jovem padeiro, sem perceber que ele está a ser sincero, que os seus sentimentos são verdadeiros. Nos dois primeiros livros, aliás - pelo menos, da primeira vez que os li - Peeta não me é uma personagem mais apelativa: demasiado submisso e, muitas vezes, representando um fardo para Katniss na arena. Só no fim do terceiro livro é que compreendi verdadeiramente a personagem - mas já aí vamos.

Na minha opinião, se o primeiro volume é o melhor de trilogia não sei, mas é definitivamente o que se lê com mais facilidade. Tem um enredo mais linear, o ritmo é constante e eu, pelo menos, não conseguia parar de ler, precisava de saber desesperadamente como iria Katniss sobreviver aos Jogos.


Antes de prosseguirmos, quero referir brevemente que todo o conceito da "Girl on Fire/A Rapariga em Chamas" recordou-me, deste início, a obra portuguesa Felizmente Há Luar, de Luís de Sttau Monteiro, que aliás aborda temas semelhantes aos Jogos da Fome. Sempre torna o livro mais apelativo aos alunos do 12º ano, quando o estudam em Portugês - isto se ainda fizer parte do programa.

O segundo volume não é tão sólido como o primeiro. Em Catching Fire/Em Chamas, são abordadas as sequelas dos acontecimentos do livro anterior, em particular da maneira como Katniss e Peeta conseguiram sobreviver aos Jogos da Fome, quando a ideia era só haver um vencedor. O truque que os dois tributos usaram para não terem de matar o outro ou matarem-se a si mesmos é interpretado como um desafio ao poder instituído. São, assim, plantadas as sementes da revolta. Katniss é obrigada a tentar controlar o fogo que ela ateou acidentalmente mas não é bem sucedida, obrigando o Capitólio a tomar medidas.

Quando li o livro pela primeira vez, as hesitações de Katniss em aderir à revolta irritaram-me. Hoje sei que são mais do que justificadas - mais sobre isso adiante. Depois de Katniss, finalmente, aceitar passar do modo de fuga ao modo de luta, aquilo que me parecia ser o fluxo natural da história é interrompido pelo Quarteirão. Apesar de, de certa forma, esta edição especial dos Jogos da Fome fazer sentido - sobretudo depois de o filme dar uma explicação melhor, a mim pareceu-me um bocadinho enfiada a martelo. Além disso, os últimos capítulos estão demasiado confusos, penso que só compreendi verdadeiramente tudo o que tinha acontecido quando vi o filme.

O terceiro volume da trilogia, Mocking Jay/A Revolta, revelou-se algo confuso da primeira vez que o li. A ação decorre um pouco aos solavancos, com Katniss profundamente afetada, tanto física como psicologicamente, pelas duas participações nos Jogos da Fome, indo constantemente parar ao hospital, por motivos variados. Mas, ainda que o ritmo da história saia prejudicado, tudo isto faz sentido se formos a ver que a protagonista foi e continua a ser, ao longo do livro, ferida de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Por outro lado, existe, na minha opinião, um excesso de personagens - eu, pelo menos, senti dificuldades em lembrar-me de quem é quem.

Neste volume, Katniss encontra-se a colaborar com o Distrito 13, responsável pela revolução em Panem. Apesar de, aparentemente, estarmos agora com os "bons", notei desde início que estes recorriam exatamente aos mesmos meios do Capitólio, seja pela filosofia "quem não é por nós, está contra nós", pela exploração política e mediática da imagem de Katniss, pela chantagem, pelo derrame de sangue. Daí que a relação entre Katniss e os rebeldes seja sempre pautada pela desconfiança. De certa forma, ajudou a atenuar a revelação no final, ainda que o choque não tenha deixado de existir.

 
É também para o fim que surgem outras falhas no livro. Começando pelo assalto ao Capitólio - uma óbvia compensação pela ausência de Jogos da Fome neste livro - cujo objetivo não me convence, visto que a batalha a sério decorre noutra frente. Sendo até essa a responsável pela vitória dos rebeldes. Também me parecem pouco credíveis as ruas armadilhadas do Capitólio e os mutantes para ali atirados. Por fim, já no rescaldo da revolução, por muito que tente, não sou capaz de compreender que Katniss tenha votado "sim" a uma edição dos Jogos da Fome com crianças do Capitólio. OK, no fim o voto não tem efeitos práticos, mas é algo que continua a fazer-me confusão. Apesar destas falhas, gosto muito da maneira como o livro acaba.

Antes de partir para as alegações finais, quero falar das adaptações cinematográficas dos dois primeiros livros. Ambos os filmes estão bem feitos, de uma maneira geral, muito por causa do excelente desempenho do elenco. Destaco Jennifer Lawrence, uma atriz que tenho vindo a admirar cada vez mais, que corporiza de maneira excelente a complexidade de Katniss, as suas diferentes camadas. Em termos de história, ambos os filmes estão extremamente fiéis aos livros, conseguindo em certas alturas superá-los. Momentos como a Ceifa, no primeiro, e o discurso no Distrito 11 no segundo, são retratados com emoção mais pungente nos filmes.


Outra vantagem em relação ao texto original diz respeito à inclusão de cenas pontuais não centradas em Katniss, que clarificam o enredo. Cenas que não eram possíveis num livro escrito na primeira pessoa, mas que fazem falta. É por estas e por outras que eu, provavelmente, não conseguiria escrever um livro na primeira pessoa. Gosto demasiado de apresentar a história sob perspectivas diferentes.

Estou com alguns receios relativamente à adaptação do terceiro livro. Primeiro, por estar dividido em dois filmes - uma decisão claramente comercial mas que duvido que seja a mais adequada à história. Outra preocupação prende-se com o substituto de Philip Seymour Hoffman.

Conforme já afirmei no início deste texto, os Jogos da Fome são uma das sagas mais populares da atualidade mas, na minha opinião, são muito mais do que um mero fenómeno infanto-juvenil ou uma série de blockbusters. Aliás, por vezes a intensa mediatização dos filmes irrita-me, pois estes acabam por passar por mais fúteis do que realmente são. Os Jogos da Fome podem ter como público-alvo o infanto-juvenil mas a verdade é que a série aborda questões bem sérias, sendo o tema principal a guerra e tudo o que com ela se relaciona: o conflito entre humanidade e sobrevivência, o combate à violência com violência. Quanto à crítica à cultura dos reality shows, muito referida a propósito destas obras, na minha opinião, assume um carácter secundário. O tema do "pão e do circo" - que de resto inspiraram a história - não está assim tão pouco batido. Outra das grandes falhas do sistema político em Panem é, aliás, o facto de o pão e o circo serem apenas dados à população do Capitólio, uma minoria. Por contraste, a população da larga maioria dos distritos passa fome e os Jogos não lhes servem de entretenimento - pelo contrário, são um pesadelo.

 

Por entre esta mediatização toda, Katniss é frequentemente apresentada como uma típica heroína feminina, uma badass com o seu arco e flechas, a anti-Bella Swan. Eu, no entanto, mais do que uma heroína, vejo-a como uma vítima. Ela oferece-se para substituir a irmã nos Jogos da Fome, é certo, mas depois disso passa a ter muito pouco a dizer sobre o seu destino. É usada sem dó nem piedade por ambos os lados da guerra, incluindo gente em quem confiava, quase sempre sob ameaça de perder a própria vida ou a daqueles que ama. Os únicos momentos em que verdadeiramente brilha são - conforme chega a ser afirmado em Mocking Jay - quando ela segue os seus próprios instintos, sem que ninguém lhe diga o que fazer. Contudo, demasiadas vezes tais atitudes apenas pioram uma situação já difícil. A sua relutância em Catching Fire pode frustrar mas, com o avançar da história, torna-se compreensível pois acontece tudo aquilo que ela temia e ainda mais: a sua terra natal é destruída, Peeta é torturado e submetido a lavagem cerebral, ela mesma sofre todo o tipo de ferimentos, vários amigos - incluindo a própria irmã - são assassinados. Katniss pode parecer uma heroína, mas não passa de um símbolo, de um peão, tudo o que faz é sobreviver - com grande dificuldade.

É o que acontece na guerra, na vida real. Tal como alguém diz - não sei se no livro ou no filme - "não há vencedores, apenas sobreviventes". Não há heroísmo, não há glória, apenas se cumprem ordens, se procura sobreviver e, quanto muito, proteger os companheiros - algo que, muitas vezes, implica cometer atrocidades e que, tal como Peeta afirma, "custa tudo o que se é". E os soldados, frequentemente, não passam de peões a quem os líderes recorrem quando não conseguem resolver os seus diferendos de outra maneira. E eu interrogo-me se esses líderes terão, de facto, noção das sequelas que ficam nos soldados, sem nunca desaparecerem por completo.

 


Nesse aspeto, os Jogos da Fome levam essa realidade até à última escala, na medida em que os soldados, os peões, são crianças.

De igual modo, é abordada a maneira como, na urgência de combater a opressão, a ditadura, se corre o risco de nos transformarmos precisamente naquilo que odiamos, no preço que é necessário pagar. O fogo é muito bonito, mas queima. No final de Mocking Jay, o regime cai, os Jogos da Fome são abolidos, é dado a entender que a democracia é instituída em Panem. Será que isso vale todo o sangue derramado, todo o sofrimento provocado? E, no entanto, teria sido melhor ficar tudo na mesma, com os distritos na miséria, crianças morrendo todos os anos, em direto na televisão?

São perguntas que ficam por responder no fim da história. É também por esta altura que, pelo menos pela parte que me toca, sobe a consideração por Peeta. Por, por entre tantas manifestações do pior da natureza humana, ele ir conseguindo manter a gentileza, algum do seu idealismo, acabando, no fim, por se tornar num símbolo de esperança, de "renascimento em vez de destruição", no fundo, do melhor lado na natureza humana.

 

Há que dar crédito a Suzanne Collins por ter sido capaz de ter contado esta história de uma forma acessível aos jovens - embora eu talvez ficasse demasiado perturbada se tivesse lido os livros há meia dúzia de anos - que transmite a sua mensagem de forma eficaz, sem cair em infantilizações ou lamechices: algo extremamente difícil de conseguir. Eu, pelo menos, não sei se conseguiria.

Não é possível evitar fazer comparações com a vida real. Pensar no nosso país, no nosso regime ditatorial, na sorte que tivemos por o 25 de abril ter sido relativamente pacífico, com "apenas" quatro mortos e quarenta e cinco feridos - demasiados danos, mesmo assim. Pensar, não apenas nas restrições à liberdade, mas também nos presos políticos, torturados e assassinados pela PIDE por tentarem mudar o regime - ouvi alguns testemunhos no programa "Limite da Dor" da Antena1. Indigno-me quando oiço pessoas comparando o sistema político atual com os anos da ditadura. Ou suspirando por um regresso de Salazar. O nosso regime atual pode ter muitos defeitos mas, entre muitas melhorias, não matamos nem torturamos presos políticos, tanto quanto sei. Demasiadas vezes, dá-me a sensação de que as pessoas tomam a liberdade por garantida - algo que considero perigoso.

Penso também na Coreia do Norte, cujas atrocidades lá cometidas apareceram nas notícias, recentemente. Penso nos confrontos na Ucrânia, atualmente, em como é tão fácil uma simples manifestação resvalar para a violência e tenho sempre medo de que aconteça o mesmo em Portugal.

É por todas estas reflexões que induz que os Jogos da Fome são uma obra que se destaca sobre as demais. E embora eu não deixe de reconhecer o valor de um mero entretenimento - sobretudo para aqueles cujas vidas são já suficientemente difíceis para, no seu tempo livre, irem meterse em ficção igualmente sombria, ou ainda mais - eu preciso de obras que me inspirem desta forma. Os Jogos da Fome tiveram, indubitavelmente, o mérito de me oferecer uma nova perspetiva sobre este género de ficção, depois de anos em contacto com ele, escrevendo sobre ele. Daí que, naturalmente, me sirva de ajuda na escrita. Digo mais: se, como escritora, o meu trabalho for capaz de induzir nem que seja um terço deste tipo de reflexões, considerá-lo-ei um sucesso.
 

Músicas Ao Calhas - Let the Flames Begin & Part II

 
Hoje quero falar de duas das canções mais complexas e intrigantes que ouvi nos últimos anos: Let the Flames Begin, editada em Riot!, o segundo álbum dos Paramore, e a sua sequela Part II, editada no álbum mais recente da banda, homónimo. Não são músicas de que se goste à primeira, sobretudo Let the Flames Begin. Já antes referi aqui que essa demorou algum tempo a entranhar-se em mim, que estava com dificuldades em compreendê-la, tanto essa como Part II. Só agora, cerca de um ano depois de começar a ouvi-la com regularidade, julgo compreender a mensagem das músicas, de certa forma. E partilho, aqui, as minhas conclusões.
 
 
Let the Flames Begin tem uma sonoridade mais crua, mais pesada, quando comparada com a sua sequela. Destacam-se os riffs de guitarra, a bateria forte. A versão de estúdio peca por ter poucas sequências instrumentais - tal, felizmente, é corrigido na versão ao vivo da música. Destaco a sequência final, que encerra a música com um toque misterioso. A melodia transmite muito bem as emoções da letra. O refrão, contudo, soa algo forçado.
 
A letra, em conjunto com a melodia, possui múltiplas camadas, transmite diversas emoções ao mesmo tempo: desilusão, desalento, dor, resistência, desafio, revolta. Reflete sobre a condição humana, os seus defeitos e fragilidades, contrastando com a arrogância inerente a quem, muitas vezes, se julga invulnerável, imortal. Tal como assinalei anteriormente, existem momentos em que a música soa a um grito de guerra, outros em que se assemelha a uma oração, outros em que soa extremamente triste. O verso "Reaching as I sink down into light", por exemplo, parte-me o coração. E se esta mistura de emoções dá um carácter muito próprio a Let the Flames Begin, também a torna demasiado vaga, com alguma falta de coesão.
 
Existem muitas situações às quais a letra de Let the Flames Begin se aplicaria. Há quem se recorde do 11 de setembro ou do Holocausto. Eu, tanto em relação a Let the Flames Begin como a Part II, lembro-me dos Jogos da Fome pois, para além, obviamente, da metáfora do fogo, a série de livros e filmes gira, precisamente, à volta do lado mais negro da condição humana. No que diz respeito à prequela, esta reflete melhor os dois primeiros livros da trilogia, o carácter rebelde e revolucionário da mesma.
 
 
A versão desta faixa ao vivo difere significativamente da versão de estúdio. O áudio com qualidade desta versão encontra-se disponível no CD/DVD The Final Riot. Há nesta faixa um maior destaque dos instrumentos (as guitarras, o baixo, as baterias). Além disso, a música surge com uma estância adicional, um outro, vulgarmente denominado Oh Father. Neste torna-se muito mais claro o lado religioso da banda, sobretudo por, nesta parte, Hayley se ajoelhar no palco e/ou deitar-se virada para o céu enquanto canta. Tudo isto reforça a multiplicidade de facetas em Let the Flames Begin pois, se os instrumentos descontrolados e os frequentes headbangs proporcionam um momento muito rock 'n' roll, intenso e poderoso, a emotividade e o dramatismo do desempenho vocal de Hayley partem o coração. Não é de surpreender, por isso, que Let the Flames Begin seja uma das favoritas nos concertos, tanto para os fãs como para os próprios membros da banda.

 

  

"Fighting on my own, in a war that's already been won"

Part II é uma sequela a Let the Flames Begin mas, como não se limita a repetir a melodia e instrumental da sua prequela, possui o seu próprio carácter e funcionaria perfeitamente bem como uma música independente, incluindo no contexto do quarto álbum da banda. Tem, de facto, uma sonoridade ligeramente mais eletrónica, sem deixar de dar espaço às guitarras, ao baixo e à bateria ara brilharem, em particular na fantástica terceira parte da música. O refrão surge, além disso, muito mais forte, muito mais espontâneo que em Let the Flames Begin.
 
A letra de Part II assenta numa premissa semelhante à da sua prequela - o lado mais negro da condição humana - mas explora-o de uma maneira diferente. Se Let the Flames Begin se centra mais nos defeitos da sociedade e da espécie humana em geral, Part II é mais introspetiva, de certa forma. O sujeito narrativo reflete sobre o seu próprio lado negro, os seus próprios defeitos, os seus próprios traumas - daí que, tal como mencionei recentemente, tenha encontrado em Tell Me Why dos Within Temptation algumas semelhanças com Part II. Os Paramore têm afirmado que esta música, à semelhança de Now, reflete a parte mais sombria de toda a crise que a banda atravessou nos anos que se seguiram à deserção dos irmãos Farro. A mim, faz-me pensar em stress pós-traumático, em sequelas de batalhas e, de certa forma, em procura de algum tipo de redenção. Nesse aspeto, é igualmente aplicável aos Jogos da Fome, nomeadamente aos traumas que se vão acumulando em Katniss, produto de tudo por que passa. A emoção em Part II não é tão crua como em Let the Flames Begin, mas não deixa de estar presente, apresentando-se, aliás, de uma forma mais coesa.


Em todo o caso, tanto em Part II como em Let the Flames Begin (sobretudo no que toca à versão ao vivo), a resposta ao lado negro mencionado é a mesma: a fé. Tal fica claro nos respetivos outros. O de Part II tem, assim, uma mensagem semelhante a Oh Father, embora a emoção seja diferente. Se Oh Fater dá dramatismo ao encerramento de Let the Flams Begin, Part II termina numa nota muito misteriosa, reforçada pelo instrumental (praticamente só a dramática bateria) e pela interpretação de Hayley.

Não sou capaz de escolher entre Let the Flames Begin e Part II. Ambas as músicas funcionam bem isoladamente e, ao mesmo tempo, complementam-se uma à outra. Ambas são faixas marcantes para os fãs mais hardcore. Pela parte que me toca, como já vai sendo costume com músicas assim, o conceito destas faixas ajudar-me-à na escrita. Entretanto, estou curiosa relativamente ao tratamento que estas músicas receberão nos próximos anos ao vivo, nomeadamente após os próximos álbuns da banda. Uma possibilidade interessante seria um medley de ambas.
 

 

Esta é a minha interpretação do significado destas músicas. É uma possível, não é necessariamente a correta ou a mais correta, na Internet é possível encontrar outras. E mesmo estas minhas conclusões podem perfeitamente mudar ou expandir-se com o tempo.

Mesmo tendo passado um ano desde que oiço Let the Flames Begin e Part II regularmente, mesmo depois de ter aqui tentado esmiuçá-las para o blogue, estas músicas continuam a mexer comigo de uma forma estranha, que não sou capaz de compreender na totalidade. Em particular Let the Flames Begin. Tal ficou mais claro após montar os AMVs que incluo nesta entrada. Isso ou as emoções dos filmes que usei misturaram-se com as emoções das faixas, de tal forma que já não me é possível dissociar uma coisa da outra. De qualquer forma, tudo isto contribui para o enriquecimento das músicas. Estas facetas ainda inexplicáveis de Let the Flames Begin e Part II apenas contribuem para que as músicas nunca me sejam indiferentes, que me mantenham intrigada por muitos anos ainda.

Um dia destes ainda queria falar de uma última música dos Paramore (última, salvo seja), mas não para já. Depois de várias entradas sobre a banda no último ano, ano e meio, vou parar por uns tempos a seguir a essa. A menos, naturalmente, que eles lancem música nova - pouco provável, pelo menos para já. Entretanto, tenho já outra entrada em rascunho, para publicar assim que possível. Mantenham-se ligados.

Within Temptation - Hydra (2014) #4

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Última parte da crítica a Hydra. Parte anterior aqui.

 
De acordo com a mitologia grega, a Hidra de Lerna era um monstro de múltiplas cabeças. Tal como o monstro de quem recebe o nome, o álbum Hydra, o sexto trabalho de estúdio dos Within Temptation, é multifacetado, equilibrando perfeitamente os elementos mais clássicos dos Within Temptation - alguns deles resgatados dos primeiros trabalhos da banda - com os elementos mais modernos e experimentais. Discos anteriores da banda, como The Silent Force, pecavam por terem sonoridade demasiado homogénea, repetitiva. Hydra é provavelmente o álbum mais diversificado da banda, sem, no entanto, deixar de ter consistência - um equilíbrio que é difícil de obter. A única coisa que tenho pena de não ter sido incluída em Hydra diz respeito aos elementos célticos. Enfim...
 
Outra característica que Hydra partilha com a criatura homónima é o facto de, visto que, quando uma das cabeças da Hidra era cortada, duas novas nasciam no seu lugar, esta era considerada invencível. De uma maneira análoga, este disco não tem fraquezas. É provavelmente o álbum mais sólido, mais homogéneo em termos de qualidade, que ouvi nos últimos anos. Tem músicas melhores do que outras, naturalmente, mas nenhuma delas se destaca gritantemente das demais, nem pela positiva nem pela negativa. Não há fillers, cada uma das músicas, das dez cabeças de Hydra, tem algo a oferecer, seja em termos de sonoridade ou em termos de história.
 

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Reza, ainda, a lenda da Hidra que esta se escondia na noite permanente de uma caverna escura. Uma das poucas maneiras pela qual podia ser derrotada seria trazendo-a para a luz do dia, onde perderia os seus poderes. Segundo o mito, a Hidra simboliza demónios interiores, os vícios, os defeitos da Humanidade. Estes, se não forem combatidos, tornam-se imortais, continuam a crescer dentro dos homens, regenerando-se continuamente. Só poderão ser vencidos quando deixarem de ser ignorados, quando forem arrastados para a luz, quando forem enfrentados. A outra maneira de derrotar a Hidra é cauterizando os cotos das cabeças depois de cortadas - por analogia, é igualmente necessário recurar às origens dos traumas e defeitos humanos para que estes possam ser curados.
Tudo isto vai em linha com a própria mensagem do álbum, revelada durante uma sessão de perguntas e respostas no Twitter (em que a Sharon respondeu a uma das minhas perguntas! High-five!): precisamente, reconhecer os próprios vícios e fraquezas, aceitá-los, saber transformá-los em forças. As músicas de Hydra falam de várias dessas dificuldades, dessas facetas sombrias, de como lidar com elas, de como vencê-las. Em linha com o que disse anteriormente, Whole World is Watching funciona como epílogo por se focar na mensagem geral do álbum, ao recordar os vários altos e baixos da vida, ao reforçar a necessidade de decidir quem verdadeiramente somos, de que fibra somos feitos, o que vamos fazer quando não houver fuga possível, quando tivermos de enfrentar a Hidra - o que quer que esta simbolize.

Nesse aspeto, no que toca ao conceito de Hydra, às histórias que as músicas contam, este álbum possui um grande potencial de me ajudar na escrita. Não esperava menos dos Within Temptation, de resto, já que esta é a característica que mais aprecio neles.  Agora, gostava de, em breve, vê-los pela primeira vez em concerto. Até porque muitas músicas de Hydra têm potencial para darem excelentes momentos ao vivo.
 

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Em termos musicais, 2014 começa, assim, da melhor maneira. Para além dos Within Temptation, uma das bandas que estará em destaque este ano será Linkin Park. A banda californiana já foi confirmada no Rock in Rio e eu, em princípio, vou. Comprei um daqueles bilhetes em promoção, no Continente, em que temos de escolher o dia até 31 de março. Estou a dar um compasso de espera, no pouco provável caso de os Within Temptation ou a Avril Lavigne serem igualmente confirmados - visto que, ao contrário dos Linkin Park, nunca vi estes ao vivo. Se, entretanto, alguns deles forem confirmados, escolho o dia deles. Não me perguntem, no entanto, o que farei caso os Paramore aparecerem no cartaz. O mais certo, contudo, é que eu marque para dia 30 e pronto. Não vou esperar até que o dia esgote.
 
Em todo o caso, com esta confirmação, podemos assumir, com um nível razoável de certeza, que eles editarão o sexto álbum de estúdio este ano. Nada sabemos sobre este trabalho, exceto que será pesado e sombrio. Depois de Living Things, as minhas expectativas estão altas para o seu sucessor. A ver se este consegue manter o nível, ou mesmo suplantá-lo. Em todo o caso, mesmo que esse álbum não chegue a ser editado ainda este ano, 2014 já se pode gabar de ter oferecido um disco de qualidade: Hydra, dos Within Temptation.
 

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Within Temptation - Hydra (2014) #3

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Terceira parte da crítica a Hydra, dos Within Temptation. Parte anterior aqui.

8) Dog Days


"Embracing the highs to fight the lows
Running down the path that I think I need to go"

Chegámos à última música lançada como demo no EP Paradise (What About Us?). Esta sofreu melhorias significativas na transição de demo para a versão final, começando pela sonoridade. O refrão ficou muito mais forte com os coros a apoiá-lo. O violoncelo e as guitarras fortes na segunda estância foram, igualmente, uma boa adição. Pontos, também, para a sequência que se segue à terceira estância, com os vocais em crescendo e, finalmente, aquele "1, 2, 3, 4, what are you waiting for?", antes dos últimos refrões. Por fim, a repetição do verso "These are the dog days", na conclusão da faixa, fazendo lembrar Paradise, foi também bem sacada.

A letra também sofreu alterações, como se previa. Fala sobre um momento de desânimo, da apatia, em que a força e a coragem para fazer frente às dificuldades parecem faltar. No entanto, há fraquezas que são herdadas da demo, como a constante repetição de "These are the dog days" ao longo de toda a faixa e o verso "1, 2, 3, 4, what are you waiting for?", que continua a irritar-me. É provavelmente a letra menos conseguida de todo o álbum - isto sem, no entanto, ser uma música má. Dog Days não é, definitivamente, uma faixa a saltar em Hydra. Nenhuma delas é, de resto.

9) Tell Me Why


"Losing myself to madness
And the game's been played"

Tell Me Why é, sem dúvida, a mais sombria de Hydra, tanto em termos de sonoridade como de letra. Na parte musical, destaca-se o padrão diferente da bateria na primeira estância e, mais uma vez, os grunhidos de Robert na terceira estância. A melodia não é das minhas preferidas em Hydra mas funciona.

O conceito de Tell Me Why é o seu ponto forte, na minha opinião. O sujeito narrativo surge atormentado por demónios interiores, sentimentos de raiva, desejos antigos de vingança, isto apesar de, aparentemente, a crise já ter passado. Vários versos de Tell Me Why recordam-me, aliás, o verso "Fighting on my own, in a war that's already been won" da faixa Part II, dos Paramore. Ambas as músicas parecem, de facto, abordar temas semelhantes - mais sobre isso quando escrever sobre a faixa dos Paramore, em breve. Quanto a Tell Me Why, é mais uma boa música, com uma boa história por detrás, em Hydra.

10) Whole World is Watching


"It's all in this moment that changes all"

Chegamos, assim, à última música na tracklist de Hydra, que é também o seu terceiro single de trabalho. Whole World is Watching é já o meu single preferido de Hydra e uma das minhas músicas preferidas. Existem duas versões, uma cantada por Dave Pirner, dos Soul Asylum e outra, de Piotr Rogucki. A letra é a mesma em ambas e ambos os cantores cumprem o seu papel com competência. Numa entrevista recente, Sharon justificou o feat dizendo que, caso tivesse sido apenas ela a cantar, a sua interpretação seria demasiado doce. A participação de Dave Pirner (ela não falou de Rogucki) dá um carácter mais dramático à música, mais adequado à letra.

Em termos musicais, não me lembro de os Within Temptation terem alguma música parecida com Whole World is Watching. No entanto, o estilo é perfeitamente compatível com o material da banda. Gosto do arpejo de guitarra elétrica com que começa, as notas da segunda guitarra, os violinos e piano que se vão ouvindo aqui e ali. Destaque para aquele momento após a terceira estância, em que se houve o violoncelo e, depois, os vocais de Sharon prolongados.

No entanto, é a letra o grande ponto forte de Whole World is Watching. É aplicável a uma infinidade de situações mas, a mim, faz-me pensar na eminência de um confronto final, que decidirá os destinos, não apenas do sujeito em questão, mas também de muitas outras pessoas. O momento em que, finalmente, enfrentamos a Hidra de Lerna ou que, por exemplo, o Harry Potter finalmente enfrenta Voldemort ou em que Katniss Everdeen sobe à arena dos Jogos da Fome. A situação retratada no videoclipe - de um jovem que, depois de um acidente, recebe uma segunda oportunidade e resolve mudar de vida - tambem condiz com a música. Whole World is Watching recorda-me imenso Into the Fire, de Bryan Adams (cheguei a ler uma crítica em que comparavam a interpretação de Pirner à do próprio cantautor canadiano) que também fala sobre as contrariedades da vida, ver-se entre a espada e a parede, obrigado a agir, a assumir responsabilidades, reunir todas as suas forças, enfrentar os próprios medos, a suplantar-se.

Na minha opinião, Whole World is Watching pode mesmo, à semelhança de outras faixas referidas aqui recentemente, representar bem a mensagem final de Hydra, funcionando como um epílogo. Falarei melhor sobre isso nas alegações finais.

Última parte

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Within Temptation - Hydra (2014) #2



Segunda parte da crítica a Hydra. Primeira parte aqui.

4) Paradise (What About Us?)
 
 
"The wheel embodies all where we are going..."

Paradise (What About Us?) foi o primeiro single de Hydra a ser lançado, em setembro de 2013. As minhas opiniões sobre a música, sobre os seus pontos fortes e fracos, não mudaram desde essa altura. O refrão continua a não me convencer, arrasta-se demasiado, soa demasiado forçado. Por sua vez, a voz de Tarja encanta-me cada vez mais.

5) Edge of the World



"The truth can't bear the sunlight"
 
Edge of the World é a grande balada de Hydra. Começa muito suave, com batidas leves que me recordam a versão original de In the Air Tonight. Depressa se juntam os vocais de Sharon, conferindo um tom etéreo e angelical à faixa - à semelhança do que acontece com muitas músicas marcantes da banda. Para além dos violinos, do piano, notam-se elementos eletrónicos muito discretos. A partir do primeiro refrão, juntam-se guitarras elétricas e bateria e o habitual coro no segundo refrão. O ponto alto da música é a terceira parte, com os violinos, a que se juntam, de novo, a guitarra, a bateria e, no fim, o coro. Pontos, também, para a conclusão da música.
 
Em termos de letra, Edge of the World é uma canção de desgosto amoroso à maneira dos Within Temptation - noto, até, alguns ecos de Angels. No entanto, é pela sonoridade que Edge of the World se destaca. Um dos meus desejos para Hyda era que a banda regressasse às baladas etéreas, estilo Somewhere. O desejo cumpriu-se com Edge of the World.

6) Silver Moonlight



"Screaming at the walls of fire
But I'm still running free"
 
Silver Moonlight é outra música que já tinha sido lançada na forma de demo em setembro último. Já na altura havia elegido Silver Moonlight como a minha faixa preferida do EP. A versão final da música confirmou-a como a minha preferida, não só das que foram lançadas no EP, mas também, talvez, do álbum inteiro.
 
Tal como na versão demo, Silver Moonlight começa muito suavemente, dando a entender uma música completamente diferente do que é realmente. No contexto do álbum, vai um pouco na sequência de Edge of the World. Tal como acontece nas faixas que ouvimos primeiramente como demo, os vocais surgem mais claros. Depressa a música explode para um ritmo rápido, pesado, com os impressionantes vocais de Sharon (reparem naquele crescendo a meio do refrão), os grunhidos de Robert (aqui suavizados, mas sem deixarem de cumprir o seu papel). O destaque vai, claramente, para a sequência que se segue à terceira estância, em que o ritmo abranda ligeiramente, ouvem-se os coros, o grunhido de Robert e, seguidamente, o solo de guitarra - a música vai soar espetacular ao vivo. A letra fala de recusa teimosa em ceder ao medo. Combinada com o carácter grandioso, épico, da música, faz de Silver Moonlight a perfeita banda sonora para um confronto com a própria Hidra de Lerna, que inspirou o nome deste magnífico álbum.

7) Covered By Roses
 
 
"When this dance is over
We all know all beauty will die"
 
Ao contrário de alumas músicas de Hydra, é na letra que Covered By Roses tem o seu ponto forte. A sonoridade não se destaca do típico estilo dos Within Temptation. A letra, no entanto, torna-se surpreendentemente interessante. Fala sobre o carácter passageiro da vida, da beleza, do amor, destacando a necessidade de viver cada momento. A faixa inclui o excerto de um poema, "Ode on Melancholy", de John Keats, que considera inevitável a felicidade e a dor caminharem de mãos dadas.

 
Tanto a letra de Covered By Roses como o poema acima referido me recordam Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa - que, curiosamente, tem um poema intitulado "Coroai-me de Rosas". Esta personagem criada por Pessoa caracteriza-se por aceitar que tudo tem um fim, "memento mori", e, daí, defender também o Carpe Diem.
 
Nas primeiras audições, Covered By Roses parecia-me pouco mais do que um filler. No entanto, bastou olhar melhor para a letra para perceber que existem mais camadas em Covered By Roses, à semelhança do que acontece em várias músicas dos Within Temptation. Sabe sempre bem ouvir música assim.

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