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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Harry Potter faria hoje 35 anos...

...e a sua autora, J.K.Rowling, faz 50 anos. Vou comemorar essa data com a tag Harry Potter.

 

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Antes de responder às perguntas, quero só deixar um aviso: estes livros são o mais perto que tenho de uma Bíblia. Marcaram profundamente a minha infância e adolescência, são uma das inspirações mais importantes na minha escrita. Assim sendo, vejo-os sempre de forma muito enviesada. Só muito recentemente é que comecei a admitir algumas falhas - e, mesmo assim, considero que pouco maculam a qualidade dos livros. Não esperem, por isso, uma análise cem por cento racional nas respostas às perguntas.

 

Dito isto, passemos à primeira questão...

 

1) Qual é o teu livro preferido?

 

O meu livro preferido tem mudado com o tempo. Houve uma altura em que diria A Ordem da Fénix, sobretudo pelo carácter mais político - com a manipulação da opinião pública contra Harry e Dumbledore, o regime ditatorial imposto em Hogwarts pela odiosa Professora Umbridge, o grupo rebelde criado por Harry. 

 

Mais tarde, sobretudo no rescaldo da publicação do sétimo livro, considerava Os Talismãs da Morte como o meu preferido, por ter uma narrativa diferente da dos restantes, com mais ação - que, nos livros anteriores, se limitava aos últimos capítulos e pouco mais.

 

Hoje, o meu preferido é O Cálice de Fogo. A intriga é uma das melhores elaboradas em toda a série, pela maneira como é montada a conspiração que levará ao renascimento de Lord Voldemort. É também o livro que marca o amadurecimento do tom da série que, até ao momento, fora razoavelmente juvenil e, agora, adquiria um carácter bem mais sombrio.

 

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2) Qual é o teu filme preferido?

 

Ao contrário de muitos fãs, eu não gosto particularmente dos filmes de Harry Potter. Isto deve-se mais ao facto de, pela altura em que estes saíam, eu já tinha lido os respetivos livros pelo menos umas setecentas vezes, ao ponto de saber algumas passagens de cor e salteado. Estando eu tão presa à narrativa dos livros, nunca consegui apreciar devidamente os filmes por eles mesmos - sobretudo porque, na sua maioria, simplificam demasiado enredos que, nos livros, são muito complexos. 

 

Em todo o caso, considero A Pedra Filosofal como o meu preferido - afinal, a história é a mais simples. Em segundo lugar, está a segunda parte de Os Talismãs da Morte. 

 

3) Qual é o livro de que menos gostas?

 

É evidente que não há nenhum livro na série de que eu não goste. Dito isto, aquele que gosto menos é O Príncipe Misterioso. Nota-se muito que é a preparação para o livro final: limita-se a fornecer informação sobre Voldemort e a matar Dumbledore. A caça ao Horcrux revela-se anticlimática por não dar em quase nada. Pelo meio, perde-se imenso tempo com paixonetas e dramas adolescentes - realistas, mas desnecessárias.

 

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4) Qual é o filme de que menos gostas?

 

Por sinal, o meu livro preferido deu origem ao filme de que menos gosto. Tal como referi na primeira pergunta, O Cálice de Fogo tem uma das intrigas mais complexas da série - admito que seja um livro difícil de converter a filme e que tenham necessidade de simplificar a história. No entanto, irrita-me particularmente a redução dos alunos de Beauxbatons e Durmstrang a estereótipos. Também não gosto do foco excessivo no Baile de Natal.

 

5) Que cenas dos livros ou dos filmes te fizeram chorar?

 

Em oposição que muitas vezes leio na Internet, não sou pessoa de chorar por cada cena ficcional com um bocadinho mais de emoção que a média. Conseguiria contar com uma mão as vezes que chorei com uma música, com algo que vi no cinema, na televisão ou que li num livro. No entanto, ainda são muitas as vezes em que me aproximo disso. 

 

No caso dos livros, comovi-me com o célebre capítulo d'Os Talismãs da Morte, "A História do Príncipe" e com o capítulo que se seguiu, "Outra vez a Floresta". Nos filmes, quase chorei ao ver Amos Diggory chorando sobre o cadáver do filho, Cédric, n'O Cálice de Fogo. E com a cena abaixo:

 

 

 

6) Que personagem namorarias?

 

Nunca tinha pensado nisto antes de ver esta pergunta. Nunca senti nenhuma afinidade romântica particular por nenhuma das personagens. Mas, se tivesse de escolher, optaria por um dos gémeos Weasley. Gosto de pessoas com bom humor, que não se levam demasiado a sério, que não têm medo de fugir às regras quando necessário e que não virem a cara à luta. 

 

7) Qual é a tua personagem preferida?

 

Também nunca tinha escolhido uma antes, mas opto por Ginny Weasley, uma das que mais evolui ao longo dos livros. Inicialmente, Ginny é apresentada como uma menina tímida (pelo menos na presença de Harry), quase que uma fan girl do nosso protagonista. Com o tempo (e, conforme se descobre mais tarde, com uma ajudinha de Hermione), vai revelando uma personalidade forte, corajosa, astuta, quase tão rebelde como a dos gémeos Fred e George. É a única que consegue fazer frente a Harry quando este deixa o seu mau génio levar a melhor sobre si - ou, como dizem os fãs, quando Harry entra em modo Caps Lock.

 

Fiquei um pouco chateada quando, há cerca de um ano, J.K. Rowling confessou que se arrepende de não ter casado Harry com Hermione. Ainda que eu também tenha algumas reservas relativamente ao casal Ron e Hermione, não acredito que o potencial casal Harry e Hermione funcionasse - sobretudo, porque Hermione não consegue chamar Harry à razão quando este tem uma das suas fúrias, ao contrário de Ginny. Admito, no entanto, que a atração de Harry pela irmã de Ron se desenvolveu de uma forma algo repentina, gostava de ter visto sinais mais claros antes. E, claro, gostava que Ginny tivesse tido um papel um pouquinho mais proeminente nos livros.

 

8) Qual é a personagem que mais detestas?

 

A que mais detesto é Rita Skeeter. Esta é a personificação dos Correios da Manhã desta vida, de tudo o que está errado com a Comunicação Social: sensacionalismo, notícias enviesadas, mesmo inventadas, invasão de privacidade. Deu-me imenso gozo ver Hermione fazendo-lhe frente.

 

9) Qual é a tua citação dos livros/filmes preferida?

 

Vou escolher duas de livros diferentes, mas com um significado similar e que resumem na perfeição a mensagem do franchise: "são as nossas escolhas que determinam quem somos, mais do que as nossas capacidades" e "importante não é aquilo que se nasce e sim aquilo em que se torna". Por outras palavras, são as nossas ações, as nossas escolhas, que mostram a nossa verdadeira identidade. Não é uma mensagem tão invulgar quanto isso - Once Upon a Time costuma bater em teclas semelhantes - e é parecida com a que pretendo transmitir nos meus livros.

 

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10) O que seria o teu Patronus?

 

Quando era mais jovem, eu achava que o meu Patronus seria uma águia ou um falcão - sobretudo por causa do Birdramon, o Digimon de Sora, a minha personagem preferida do elenco quando era mais nova. Outra alternativa possível seria o meu Pokémon lendário preferido, Suicune.

 

Não sei se é suposto um Patronus assumir a forma de um Pokémon ou de um Digimon. E mesmo assim, a hipótese de um Digimon, sobretudo um ligado a uma Criança Escolhida, não me parece assim tão descabida. Conforme explicarei noutra entrada, estes Digimon já são guardiões por si só. Além disso, para que atinjam um certo grau de evolução, as respetivas Crianças Escolhidas precisam de invocar a sua maior força (coragem, amizade, esperança, amor...). Acaba por não ser muito diferente daquilo que é necessário para invocar um Patronus.

 

11) Se pudesses ter um dos Talismãs da Morte, qual seria? O Manto da Invisibilidade, a Varinha de Sabugueiro ou a Pedra da Ressurreição?

 

Se houvesse magia no mundo real, eu provavelmente manter-me-ia o mais possível afastada dela. Pelo mesmo motivo que eu nunca arranjarei uma arma para defesa pessoal, mesmo que um dia a lei o permita: por recear que se vire contra mim. Deste modo, nestas coisas, escolho sempre a opção que considero mais segura. Não a Varinha, porque, lá está, podiam tentar roubar-ma. A Pedra da Ressurreição é cativante, mas trazer os mortos à vida não é saudável. Por tudo isso, escolheria o Manto da Invisibilidade - algo que, mesmo assim, me daria imenso jeito.

 

12) Em que equipa ficarias?

 

Fiz o teste no Pottermore duas vezes. De uma vez calhou-me Hufflepuff, de outra Ravenclaw. Faz sentido: dificilmente ficaria nos Gryffindor nem nos Slytherin pois não sou particularmente corajosa nem ambiciosa. Considero-me mais inteligente que a média, daí que me tenha calhado Ravenclaw. Mesmo assim, sou acima de tudo uma pessoa pacata, coraçãozinho de manteiga, dou-me bem com toda a gente, daí que tenha aptidão para os Hufflepuff, mesmo não sendo a equipa mais popular. O vídeo abaixo ajuda:

 

 

13) Se pudesses conhecer alguém do elenco, quem escolherias?

 

Emma Watson, definitivamente. 

 

14) Qual é o teu vilão preferido?

 

Bellatrix Lestrange. Para além de ser deliciosamente psicótica, eu sempre a respeitei de uma maneira retorcida, já mesmo n'O Cálice de Fogo, por ser Devoradora da Morte por convicção e férrea lealdade a Voldemort - ao contrário dos Malfoys, que só o foram pelo prestígio e, assim que deixaram de estar do lado dos "vencedores", renegaram tudo.

 

Por outro lado, aquando do sexto/sétimo livro, comecei a simpatizar com Narcissa Malfoy, pelos momentos em que agiu por amor ao filho.

 

15) Qual é o teu professor preferido?

 

A Professora McGonagall. Ao início era o estereótipo da professora severa e intransigente, mas cedo começa a revelar um lado mais suave e, mais tarde, um lado mais rebelde. Toda a gente adora, por exemplo, as suas épicas discussões com a Professora Umbridge.

 

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16) Qual seria a tua disciplina preferida?

 

Em consonância com a minha área - Farmácia - e como as aulas de laboratório sempre foram as minhas preferidas, direi Poções.

 

17) Qual seria a tua profissão no mundo da magia?

 

Em linha com o que disse na pergunta anterior, provavelmente seria fabricante de poções, ou trabalharia num boticário, ou mesmo no Hospital de São Mungo - talvez tivessem funcionários especializados em poções medicinais.

 

18) Em que posição jogarias no Quidditch?

 

Não faço a mínima ideia, pois sempre fui péssima em desportos. Pela lógica de o-menos-capaz-vai-para-a-baliza, eu seria, provavelmente, keeper.

 

19) Se pudesses ressuscitar alguma personagem, quem escolherias?

 

Sirius Black. Foi, no mínimo, cruel oferecerem a Harry uma figura parental suplementar apenas para lha tirarem dois anos mais tarde. Compreendo que a ideia era Harry vencer Voldemort sozinho, sem a proteção de ninguém, mas não deixa de ser cruel.

 

  

20) Que achaste do final?

 

Gostei, mas achei demasiado apressado. Na Batalha de Hogwarts morrem várias pessoas, personagens importantes, mortes dolorosas, que deixam sequelas. No entanto, não vemos nada disso, não testemunhamos o rescaldo dessas perdas, as inevitáveis sequelas psicológicas, o stress pós-traumático. Saltamos dezanove anos no tempo quase de imediato, para uma altura em que está tudo cor-de-rosa. O livro podia ter tido mais um capítulo só para mostrar, ainda que brevemente, as personagens lidando com as perdas e ultrapassando-as - seria mais realista. 

 

21) O que significa o franchise para ti?

 

Tal como disse antes, os livros de Harry Potter marcaram a minha infância e adolescência. Sinto, inclusivamente que cresci com Harry, Ron e Hermione - tinha dez ou onze anos quando li o primeiro livro pela primeira vez (a mesma idade com que se começam os estudos em Hogwarts) e tinha dezassete (a mesma idade que os protagonistas) quando saiu o último. Apesar de ser uma história de fantasia, ensinou-me imenso sobre o mundo real e influenciou muitas das minhas crenças atuais - algo que deve ser sempre um dos principais objetivos da literatura, embora eu não desvalorize o entretenimento. Tal como disse antes, esta série é de caras uma das minhas maiores inspirações nos meus próprios livros. E, tal como referi anteriormente, uma das minhas principais metas como escritora é que os meus livros (ou, pelo menos, a minha primeira série) tenham no mínimo uma fração desta capacidade de fazer os leitores refletirem.

 

Dito isto, apesar de a comunidade de fãs continuar muito ativa, mesmo passados estes anos todos, para mim o franchise já me deu o que tinha a dar. Depois de muitos anos de obsessão saudável - recordo que li o primeiro livro pela primeira vez há quase quinze anos - é natural que o entusiasmo arrefeça, que os interesses mudem. Foi o que aconteceu comigo. O(s) filme(s) baseado(s) em Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los pouco me cativam. Os contos que J.K.Rowling vai lançando, revelando detalhes da vida das personagens pós-Os Talismãs da Morte têm a sua graça, mas ao mesmo tempo chateiam-me um bocadinho, por irem roubando espaço à nossa imaginação.

 

Em todo o caso, estes livros encontrar-se-ão para sempre entre os meus preferidos e, quando tiver filhos, lê-los-ei para eles. Ou melhor, ler-lhes-ei apenas o brilhante primeiro capítulo d'A Pedra Filosofal. Foi o que o meu pai fez comigo, quando eu recebi o livro de presente mas não tinha grande vontade de lê-lo. Ouvi-o a ler em voz alta para o meu irmão, que na altura só tinha seis ou sete anos, ainda mal sabia ler. Quando chegou ao fim do capítulo, eu estava, naturalmente, em pulgas por saber o que ia acontecer ao Harry. Desse modo, peguei no livro, comecei a ler a partir do segundo capítulo. O resto é uma história semelhante à de milhões de pessoas em todo o mundo.

 

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Se alguém quiser responder a esta tag, que deixe o link com as respostas nos comentários.

Paramore - Riot! (2007)

Suponho que não seja a única aqui que, quando quer conhecer um artista ou banda, arranja a discografia completa. Eu costumo inclusivamente ouvir as músicas todas em shuffle, ir tomando nota das que gosto e, depois, elimino as que não gosto do leitor. Foi assim que me familiarizei com muitos dos artistas sobre que escrevo hoje, aqui no blogue.

 

Reconheço, no entanto, que essa poderá não ser a melhor maneira de conhecer uma banda. Existe uma diferença entre ouvir faixas ao calhas, numa playlist qualquer (eu gosto muito de playlist temáticas, sobretudo para escrever) e ouvi-las no contexto do álbum original, da maneira como os criadores queriam que fossem ouvidas. Além do mais, existem sempre aquelas canções que demoram a entranhar e, muitas vezes, não passam nesta primeira triagem. Esqueço-me delas, muitas vezes durante anos, só mais tarde sou capaz de apreciá-las. Foi o que aconteceu com Let The Flames Begin, por exemplo. Estas críticas retrospetivas são uma maneira, precisamente, de encontrar pérolas perdidas na discografia dos meus artistas preferidos, de obter uma nova perspetiva sobre o trabalho deles. 

 

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Estive, portanto, a revisitar os primeiros álbuns dos Paramore. Começando pelo primeiro, All We Know is Falling, que completa hoje dez anos de lançamento. Na verdade, essa não foi a primeira nem a segunda tentativa que fiz nestes últimos dois ou três anos para ver se gostava do álbum. Não consigo gostar. Adoro os singles Pressure e Emergency, My Heart é uma das minhas baladas preferidas dos Paramore, aprecio Here We Go Again e Whoa, um dia destes dou uma nova oportunidade a Franklin. Tirando isso, acho o álbum demasiado monótono, as faixas soam demasiado parecidas umas com as outras. Eu tentei, juro que tentei, mas não consigo melhor do que isto.

 

A história é diferente com Riot!, que saiu a 12 de junho de 2007 - logo, comemorou oito anos de lançamento no mês passado. Sempre o considerei o meu favorito da banda, mas apenas porque gostava de quase todas as músicas, não tanto pelo conceito do próprio disco, nem pela maneira como as faixas se relacionavam umas com as outras. Será que Riot! mantém esse estatuto agora que vou analisar um álbum como um todo?

 

O nome "Riot" (manifestação, revolta, motim) diz respeito a emoções explosivas, fora de controlo, um festival de energia pura. Energia essa que se traduz em temas rock, com bateria e guitarras frenéticas, que põe toda a gente a saltar. Apesar de uma relativa homogeneidade em termos de som, cada uma das músicas de Riot! conta uma história diferente, traduz uma emoção diferente. Muita gente comparara Paramore a Avril Lavigne - e existem muitos fãs em comum entre estes artistas, eu incluída - mas, tirando raríssimas ocasiões, Avril não consegue conjugar uma sonoridade energética, pedindo concertos, com mensagens fortes nas letras - acaba sempre por cair na futilidade e no pop. Por sua vez, em Riot!, os Paramore conseguem produzir temas com mensagens tão díspares como That's What You Get, Misery Business, Miracle e Let the Flames Begin, sem abdicarem da sonoridade frenética. Sou capaz de apostar que Riot!, que saiu dois meses após The Best Damn Thing,, fisgou muitos fãs desiludidos com a direção que Avril tomara.

 

 

 

Ao contrário da maioria, não foi com Misery Business que fiquei a conhecer os Paramore - foi com Crush Crush Crush. Lembro-me, inclusivamente, de pensar que Crush Crush Crush fora o primeiro single. Conheci a faixa através da MTV e aquela miúda com cabelo em tons de laranja e um olhar cheio de atitude chamou-me logo a atenção. O facto de ter sido a minha primeira música dos Paramore contribui muito para que seja uma das minhas preferidas da banda, mas não é a única razão. Como em muitas faixas de Riot!, as guitarras e a bateria definem a personalidade da canção, bem como aquilo que penso serem notas de teclados nas estâncias. A melodia e interpretação de Hayley não são nada por aí além, mas faz justiça ao arranjo musical. Adoro a parte do "Crush... crush..." - fico com arrepios só de recordar esse momento no concerto do Optimus Alice, em 2011. A letra fala de atracção entre duas pessoas, de tensão sexual, do início de um romance.

 

Outro dos meus singles preferidos, That's What You Get, por sua vez, fala de uma fase mais avançada da relação. Aqui, a narradora sente um conflito entre o orgulho, a precaução e a paixão. Por esta altura, Hayley ainda não acreditava a cem por cento no amor - como se provaria no álbum seguinte - logo, este género de letra faz sentido. Comparando com Crush Crush Crush, That's What You Get tem uma sonoridade um tudo nada mais alegre, mais pop.

 

Outro single igualmente alegre é Hallelujah. Segundo o que li na Internet, é uma música que a banda tinha composto uns anos antes, provavelmente aquando da composição de All We Know is Falling. Halleluja é um hino de triunfo, refletindo um momento em que o grupo se sentia feliz em relação ao presente e ao futuro dos Paramore - gosto da imagem da pomba a voar. Este tema, de resto, é recorrente na discografia da banda: hinos de vitória, de alegria por serem os Paramore. É um pouco irónico, tendo em conta todas as crises que se desenrolaram entre os membros da banda ao longo dos anos. Ou talvez seja essa a razão. Talvez estas músicas - Hallelujah, Born for This, Looking Up, Where the Lines Overlap, Now - tenham servido para lhes recordar que a banda é o sonho deles e valia a pena lutar por ela.

 

 

Para encerrar a conversa sobre os singles de Riot!, falemos do que apresentou o CD, Misery Business. Penso que esta é uma ocasião em que as comparações com Avril Lavigne são mais justificadas, pelo menos em termos de letra (um drama de liceu americano em que duas raparigas competem pelo mesmo rapaz. Não vos lembra nada?). Misery Business, no entanto, tem uma mensagem muito mais agressiva, é uma óbvia musica de vingança - contra uma rapariga que usava o sexo para manipular o interesse amoroso da narradora mas, no fim, a narradora recupera o rapaz e não se cansa de esfregá-lo na cara da rival. Esta letra é baseada numa história verdadeira, protagonizada pela Hayley, mas recentemente a cantora referiu que, passados oito anos, ela já não se revê nesta mensagem tão dura para com outra mulher (uma parte da letra podia traduzir-se em "uma vez p*ta, para sempre p*ta").

 

Ao menos a Avril sempre disse que Girlfriend não era para ser levada a sério.

 

Por outro lado, a música Decoy, lançada em edições Deluxe de Riot!, podia representar o ponto de vista da outra rapariga em Misery Business. Decoy conta a história de alguém que, não podendo estar com quem deseja, preenche esse vazio juntando-se com uma pessoa que a deseja, mas de quem ela não gosta (faz a mensagem de Misery Business parecer, para além de demasiado agressiva, hipócrita). Nesta música, gosto particularmente dos backvocals na terceira estância: "Not sorry at all, not sorry".

 

Sobre Let the Flames Begin já falei aqui - à semelhança do que acontece com a sua sequela no Self-Titled, LTFB é o tema mais sombrio e adulto de Riot!, contrastando com o carácter juvenil e maioritariamente descontraído da maior parte do álbum. Outra que acaba por ter um tom também mais entristecido é When it Rains. Segundo o que li na Internet, esta terá sido composta sobre uma amiga de Hayley que se suicidou. Na verdade, estou a pensar dedicar uma entrada de Músicas Ao Calhas a esta e a outras faixas com um tema semelhante um dia, logo, não me vou alongar muito.

 

 

A outra balada de Riot! é We Are Broken, uma faixa que sempre considerei a I'm With You dos Paramore. À semelhança da grande balada de Avril Lavigne, We Are Broken é tocada e cantada em tom grave e triste, com uma instrumentação parecida e tudo - embora em We Are Broken o piano substitua a guitarra acústica. A letra acaba, igualmente, por ser similar, descrevendo um momento de desânimo (embora, aqui, a narradora fale no plural) e de procura de consolo.

 

Fences tem uma sonoridade curiosa, muito própria, fazendo-me recordar, de certa forma, o blues rock das minhas aulas de guitarra. A letra tece uma crítica à cultura de reality shows, de escrutínio constante por parte da Comunicação Social, da ilusão de realidade que as imagens captadas por uma câmara dá.

 

For a Pessimist I'm Pretty Optimistic abre o álbum Riot! com uma amostra da energia selvagem que o define. Fiquei feliz por ouvi-la no concerto do Optimus Alive. A letra fala de alguém que desiludiu, que se acobardou perante as dificuldades - uma realidade a que a banda, infelizmente, está habituada.

 

 

Por sua vez, a letra de Miracle antecipa temas que caracterizariam o Self-Titled, como dores de crescimento, insatisfação com a vida atual mas medo de mudar. É uma música com que me identifico muito ainda hoje. A própria Hayley afirmou no ano passado, como poderão ver no vídeo acima, que o mesmo se passa com ela e o resto da banda.

 

Sempre gostei de Born for This, mas só agora, que me sentei para analisar a canção e pesquisar sobre ela, é que me apercebo da história e da mensagem por detrás dela. Mais do que qualquer outra, Born for This é uma música dirigida diretamente aos fãs - que, por sinal, no pós-All We Know is Falling, ainda não eram muitos. Hayley - desta feita, sinto que é mesmo a Hayley quem fala - confessa que, de tempos a tempos, cai no desânimo em relação à sua banda, mas ela e o resto dos Paramore continuam a lutar, sobretudo em nome dos fãs. Em momentos como o refrão e a terceira estância, ela chama pelos fãs, pedindo que se juntem à festa, ao sonho que estão a realizar, que os recordem que eles - banda e comunidade de fãs - estão a fazer aquilo para que nasceram. Este aspeto também torna Born for This numa boa música para concertos.

 

Tive pena de não ouvir Born For This no concerto do Alive. No entanto, tudo isto me faz lembrar do momento em que Hayley nos deu as boas-vindas à família, bem como o já icónico grito "We Are Paramore!!". Foi por essas e por outras que considero essa a noite em que me tornei oficialmente fã da banda.

 

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Penso que Riot! é o único álbum dos Paramore que vale apenas pelas músicas e só pelas músicas. Os outros três álbuns, sobretudo os dois mais recentes, trazem uma mensagem específica relacionada com o momento da banda, o que naturalmente influencia a maneira como olhamos para as respetivas músicas. Em Riot! isso não acontece, é um álbum de música pura, de energia pura - sem que isso signifique, conforme procurei demonstrar, música sem conteúdo.

 

Eu não consigo evitar assinalar que o carácter de praticamente todas estas canções é definido pelos irmãos Farro: a bateria de Zac e os riffs de guitarra de Josh. A maioria da energia pura que define este álbum é responsabilidade destes dois instrumentos. Vocês sabem que eu adoro Self-Titled, para mim é o melhor álbum dos últimos anos, mas a verdade é que, agora que me sentei para analisar Riot!, percebo que os Paramore com os Farro são diferentes dos Paramore sem os Farro. Não digo que sejam melhores ou piores, mas a diferença está lá e é sonora - comparem, por exemplo, a bateria genérica de Fast in My Car com as inúmeras variações na bateria de Born for This. As únicas músicas minimamente comparáveis neste capítulo são Proof, Be Alone e Part II - e esta última não conta, pois é uma sequela a Let the Flames Begin.

 

No entanto, reclamar dessa diferença, como muitos fãs fazem, é como reclamar das ausências de Tiago e Ricardo Carvalho da Seleção Nacional, antes de regressarem, no ano passado. Quando foram os visados a sair pelo próprio pé - e, no caso dos Paramore, quase destruindo a banda no processo - não é justo criticar aqueles que escolheram continuar a lutar pela banda. Por muita azia que isso tenha provocado, a mudança no estilo era inevitável. É-me evidente, agora, que a demora na composição do Self-Titled, o bloqueio de compositor que eles referiram em algumas entrevistas, ter-se-á devido ao tempo que a banda demorou a aprender a funcionar sem os irmãos Farro. Por outro lado, a saída deu uma oportunidade para Taylor York, o guitarrista remanescente, e Jeremy Davis, o baixista, terem um papel mais ativo na composição. O que não foi de todo uma coisa má, se olharmos para duas das melhores músicas do Self-Titled: Ain't it Fun, que ganhou um Grammy; a inevitável Last Hope - a guitarra e o baixo desempenham papéis importantes nela. Se os Farro não tivessem partido, provavelmente nem Ain't It Fun nem Last Hope teriam sido criadas. Nem o Self-Titled todo, já que penso nisso.

 

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Quando analisar o álbum Brand New Eyes, provavelmente tornarei a falar sobre a influência dos irmãos Farro, bem como a sua saída da banda. Para já, digo apenas que tenho esperanças num eventual regresso dos dois à banda. Sei que é pouco provável isso acontecer a curto prazo - só o imagino daqui a dez anos, no mínimo.

 

Em conclusão, Riot! é um dos meus álbuns preferidos dos Paramore, ao lado do Self-Titled. Não acho justo escolher um entre ambos, pelos conceitos diferentes e pelas circunstâncias diferentes em que os ouvi pela primeira vez. Hei de, então, escrever sobre Brand New Eyes, mas não para já - mais perto do aniversário do lançamento do álbum.

 

Estive um mês inteiro sem publicar, mas tenho vários textos planeados para os próximos tempos - por sinal, diferentes da norma. Continuem desse lado.

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