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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Follow Friday #5

 Parece que as Follow Friday estão mesmo de volta. Ainda bem.

 

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Hoje quero falar do Blog de Meia Tigela, cuja autora já me tinha nomeado para os Liebster Awards e que comecei a seguir há umas semanas. Até agora, tenho gostado das coisas que a miana escreve. Queria destacar os textos sobre a mudança de curso que se encontra a levar a cabo. Não me parece que tenha sido fácil tomar esta decisão. A sociedade dos dias de hoje exige que os jovens de dezoito anos (ou mais novos, antes de entrar no Secundário) saibam ao certo o que querem fazer com as suas vidas. Mas a verdade é que, nessa idade, muitos de nós não sabemos ainda quem somos, não sabemos quase nada sobre a vida real. Estamos, também, muito vulneráveis à influência dos nossos pais e de outros adultos na nossa vida, que muitas vezes nos empurram para carreiras que, se calhar, pouco têm a ver connosco. É inevitável que alguns se arrependam, mais tarde, da escolha que fizeram. Não é fácil admitir que errámos, que desperdiçámos anos da nossa vida num curso que não vamos concluir. Mas a vida é demasiado curta para passá-la trabalhando das nove às seis em algo que não nos realiza, não quando existem alternativas. Daí que admire a coragem da miana ao tomar esta decisão.

 

Por outro lado, gosto do blogue porque a miana é uma das minhas: é uma mulher amante de futebol. Gosto sempre de conhecer pessoas que gostem de futebol de forma apaixonada mas saudável e a miana tem apresentado várias provas disso, como este texto por exemplo. Existindo ainda tanto machismo no futebol, acho importante apoiar outras mulheres que vivem o futebol de maneira semelhante à minha.

 

Até à próxima Follow Friday!

Liebster Awards #2

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Eu já tinha respondido aos Liebster Awards há cerca de ano e meio. No entanto, fui nomeada de novo pela Miana do blog 1/2 tigela (que tenho vindo a acompanhar há algumas semanas e gosto muito). Visto que as perguntas são diferentes das que respondi anes, resolvi aceitar o desafio. Peço desculpa por só responder agora, mas tinha de acabar a minha análise a Ketsui antes de o próximo filme sair. 

 

Vamos a isso, então:

 

11 factos sobre mim:

 

1) A minha flor preferida é a papoila vermelha.

2) Se só pudesse comer um alimento para o resto da minha vida, esse seria esparguete.

3) Já tenho idade para me vestir mais à senhora, mas ainda adoro usar calças de ganga, ténis e um boné.

4) Dito isto, das poucas ocasiões que usei um fato formal (blazer e calças)adorei.

5) Os GNR são a minha banda portuguesa preferida.

6) Os Xutos e Pontapés são a minha segunda banda portuguesa preferida, quase empatados com os GNR.

7) Sei tocar guitarra e um bocadinho de piano.

8) A primeira canção "a sério" que aprendi na guitarra foi Back to You, de Bryan Adams.

9) O meu Pokémon preferido é o Vaporeon.

10) A minha marca de chá preferida é Lady Grey.

11) Descobri hoje de manhã que Wada Kouji, o músico que canta Buttefly, o tema de abertura de Digimon Adventures, faleceu vítima de cancro. Apesar de nunca ter gostado por aí além dessa música até ouvir a versão de Tri, estou aqui ouvindo a versão em piano da canção, sentindo vontade de chorar...

 

 

 

Agora as perguntas...

 

1)Lema de vida?

 

Eu não teho um lema propriamente dito, ou pelo menos um que seja radicalmente diferente do de outras pessoas. Um daqueles com que mais me identifico é este aqui em baixo, de Mike Shinoda dos Linkin Park, sobretudo a parte do "Don't be an asshole". São cada vez menos as pessoas que seguem esse conselho, infelizmente.

 

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2) Banda ou artista de eleição?

 

Conforme os leitores do meu blogue estão gregos de saber, o meu cantor preferido é Bryan Adams, a minha cantora preferida é Avril Lavigne. A minha banda preferida não é uma coisa tão fixa mas, neste momento, são os Paramore

 

3) O que achas da adoção por casais do mesmo sexo? 

 

Como diz Ricardo Araújo Pereira (vivemos numa altura em que as palavras de maior sabedoria saem da boca de comendiantes...), sou daquelas que acredita que aquilo que uma pessoa faz entre lençóis, a menos que seja pedofilia, não é um bom indicador da sua capacidade de educar uma criança. Desde que esta seja criada com amor e respeito, sem que nada de essencial lhe falte, não me interessa se tem dois pais, duas mães, só um pai, só uma mãe, um pai e uma madrasta, uma mãe e um padrasto, só avós. Nenhuma criança merece crescer sem família. 

 

4) Para além do português, que outra língua falas fluentemente?

 

Inglês. Sou praticamente bilingue.

 

5) Uma cidade ou país que queres visitar?

 

Gostava de visitar Moçambique, onde nasceram os meus pais.

 

6) O que mais aprecias no sexo oposto?

 

O mesmo que aprecio em qualquer pessoa: que seja bem-educada, simpática (ou, pelo menos, tenha um mínimo de cortesia). Que tenha uma mente aberta e seja capaz de aceitar pontos de vista contrários aos seus. Em suma, que não seja um "asshole" (penso que a melhor tradução é "besta"). Pode parecer pouco - isto no fundo são características básicas de uma pessoa decente - mas estas características são cada vez mais subvalorizadas

 

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7) Uma coisa que muita gente faça e que aches estúpido/irritante?

 

Este é apenas um exemplo, mas aquilo de que me lembro agora é a atitude contraditória da sociedade perante o álcool. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conhece os danos que o álcool pode fazer a uma pessoa e, no enanto, uma boa parte da população (adolescentes sobretudo) acham que beber até cair para o lado é "fixe". Não que eu seja abstémia: adoro Somersby (sobretudo agora, que o calor se faz sentir de vez em quando), gosto de uma boa sangria, de vinho espumante, entre outras bebidas. Nunca me embebedei a sério e, para ser sincera, não acho que tenha perdido nada por isso. Consigo compreender (bem, mais ou menos) que uma pessoa goste de se embebedar de longe a longe e, não vou ser hipócrita, os eventos do meu livro só aconteceram porque o protagonista bebeu um shot a mais. Mas sinceramente, se vocês não conseguem divertir-se e/ou arranjar coragem para fazer algo sem um estímulo etílico, vocês têm um problema.

 

8) Coisas mais importantes da tua vida?

 

A minha família e a minha cadela.

 

9) O teu sonho?

 

É menos um sonho que um projeto de vida: escrever e publicar mais livros e ter pelo menos dois filhos.

 

10) Uma pessoa conhecida com quem gostasses de jantar?

 

Existem várias, mas acho que aquela com quem poderia aprender mais (sobre escrita e não só) seria J.K.Rowling.

 

11) Qual a tua bebida favorita?

 

Neste momento é o chocolate quente com chantilly do Jeronymo. 

 

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E já está. Não vou estar a nomear ninguém em específico para responder à TAG. Quem quiser, que responda e, já agora, partilhe nos comentários o link com as respostas para eu ler. Obrigada.

Digimon Adventure Tri - Ketsui (Determinação) #2

1) Spoilers: as entradas desta série terão inúmeras revelações sobre o enredo do primeiro e segundo filmes de Digimon Adventure Tri e, possivelmente, dos enredos de Adventure e 02. Leia por sua conta e risco.

 

2) Alguns conceitos próprios desta série animada têm traduções controversas - na língua portuguesa, têm mais do que uma possível. Neste texto, vou adotar as traduções com que estou mais familiarizada e/ou que considero mais adequadas.

 

3) Apesar de as legendas do filme usarem os nomes japoneses das Crianças Escolhidas, eu vou usar as versões americanizadas dos nomes, visto que estou mais habituada.

 

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Nesta segunda parte (primeira parte aqui), vamos deixar as personagens um pouco de lado e passar à intriga do filme em si. São-nos dadas mais algumas pistas sobre o que se está a passar ao certo no Mundo Digimon e sobre as distorções. Daigo e Maki suspeitam que os Digimons Infetados tenham como alvo um dos companheiros dos Escolhidos – não são precisos muitos dedos de testa para se somar dois e dois e chegar logo a Meicoomon. Uma pessoa estranha que Daigo e Maki não cheguem a essa conclusão… ou será que chegam?

 

Entretanto, Leomon reúne-se com os Escolhidos no Mundo Real para fazer o ponto da situação. As informações dele ajudam Izzy a perceber que o que quer que esteja a infetar os Digimons está, igualmente, a provocar as distorções (impagável a reação dos Digimons dos miúdos, que debatem se devem usar repelente ou protetor solar para evitar infeções. Por outro lado, se forem como as bactérias multirresistentes, estão feitos…). A pergunta que se segue diz respeito à origem da infeção, ao primeiro Digimon Infetado – a resposta é-nos dada de maneira trágica.

 

Pelo meio, Izzy recebe um e-mail misterioso em digi-código. Depois de traduzido, este diz algo como “Aqueles que desejam o verdadeiro poder, devem conhecer a Escuridão e ir além”. Por alturas do fim do filme, fica claro que esta profecia, ou lá o que é, diz respeito às novas evoluções para nível Extremo/Hiper Campeão (sou a única aqui a ter um déjà-vu?), mas quando vi a profecia pela primeira vez, a minha mente saltou para Ken. Se há pessoa que conheça a escuridão e tenha ido mais além é ele. Mas antes de falarmos melhor sobre Ken – sim, vamos voltar a falar sobre Ken (*suspiro*) – digo que o significado desta profecia parece-me claro. Para os Escolhidos desbloquearem as Digievoluções para nível Extremo, terão de olhar para dentro de si mesmos, reconhecer os seus defeitos, o seu lado negro, e procurar ultrapassá-lo de uma forma ou de outra. Nada de inédito em Digimon, pelo contrário, este tem sido o seu ponto forte desde o início de Adventure. Segundo o que li na Internet, os produtores de Tri têm dado a entender que vão continuar a associar o estado psicológico das personagens às Digievoluções.

 

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Um dos (muitos) enigmas deixados pelo filme diz respeito ao autor deste e-mail – que também foi enviado a Maki. A resposta óbvia seria Gennai, não seria a primeira vez que ele dava uma mãozinha aos Escolhidos, mas porque não assinaria o e-mail? Estou, até, a estranhar a ausência de Gennai da história de Tri mas, tendo em conta que ele pouco mais é que um deus ex-machina, não acho que isso seja mau. Por outro lado, continuo com sérias dúvidas de que ele esteja mesmo a colaborar voluntariamente com a organização para a qual Maki e Daigo trabalham.

 

Queria falar agora de Maki. Em Saikai ela pouco mais era que uma motorista mas, em Ketsui, conhecemo-la melhor e o seu comportamento levanta algumas suspeitas. Já referi acima da cumplicidade entre ela e Meiko. Mais tarde, é a primeira a vislumbrar e a reconhecer Ken em modo Imperador Digimon (sim…) durante o festival cultural. Pouco depois, pergunta por Meicoomon e descobre que, à semelhança dos outros Digimons, está com Izzy no seu escritório. Assim que pode, atrai Izzy para o festival… enviando-lhe uma foto de Mimi num traje reduzido de menina de claque.

 

Lembram-se de eu ter elogiado Saikai por ter sido discreto na parte romântica da história? Pois, Ketsui não faz o mesmo. Para além das cenas das termas de que falei, somos brincados por duas vezes com um Izzy com cara… chamemos-lhe “de apaixonado”. Uma cara que todos nós sempre quisemos ver num herói de infância... só que não. Da segunda vez em que Izzy faz essa cara, a câmara faz questão de focar o busto e as ancas de Mimi antes. Menos, digi-guionistas, menos!

 

Regressando a Maki, há que assinalar o calculismo e frieza dela ao usar as hormonas de um miúdo de dezasseis anos contra ele. Ela oferece-se para tomar conta dos Digimons no escritório por ele mas, por sinal, estes já não lá estavam. Tinham conseguido convencer Leomon (que fazia as vezes de baby-sitter) a levá-los ao festival – destaque para o Meicoomon fazendo olhinhos de Gato das Botas do Shrek (algo que, em retrospetiva, é perturbador). No festival (depois de o filme perder tempo mostrando os Digimons entrando num concurso de máscaras) Maki consegui, finalmente, deitar as mãos a Meicoomon. Deixa-a sozinha no pátio da escola enquanto vai buscar um petisco às tendas. Poucos minutos depois, forma-se uma nova distorção de onde surge o Imperador Digimon, que agarra Meicoomon. Ninguém acredita que isto tenha sido acidental, sobretudo depois do que acontecerá bem no cair do pano. Muitos interrogam-se o que teria acontecido se Maki tivesse encontrado os Digimons no escritório, se teria conseguido convencer Leomon, Agumon e os outros a levar Meicoomon consigo.

 

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Uma das coisas que mais me incomodou em Saikai foi o facto de, depois de o filme começar com imagens de Davis, Yolei, Cody e Ken tombando perante Alphamon, nenhuma das outras personagens parece aperceber-se e/ou importar-se com o destino dos miúdos de 02. Agora apareceu-lhes Ken à frente de novo, em modo Imperador Digimon (depois de tudo por que ele passou para se redimir disso), acompanhado por Imperialdramon, aparentemente infetado (recordo que Imperialdramon resulta da fusão de Wormon com Veemon, o Digimon de Davis, mas deste último nem cheiro). Como é que os Escolhidos reagem, especialmente Kari e T.K.? Como se fosse um inimigo insignificante qualquer a regressar, como Etemon, não um Escolhido, um velho amigo desaparecido, que tinham ajudado a redimir, ao lado de quem tinham salvado o Mundo. Enquanto os via dizendo coisas como “Ele outra vez?”, “Que faz ele aqui?”, “Porque é que ele apareceu?”, a minha reação era esta. Eu quase gritava para o ecrã: “Alguém pergunte pelo Davis e os outros! Alguém perceba que eles estão desaparecidos!”.

 

Nesta altura do campeonato, já não existe explicação possível para o desconhecimento e/ou desprezo pelo destino dos miúdos de 02 (incluindo alterações de memória estilo Once Upon a Time) que não tenha buracos. É óbvio que os guionistas queriam focar-se nos protagonistas de Adventure, que lidar com oito (e agora nove) Escolhidos já é difícil, quando mais doze, mas… não existiam maneiras mais fáceis de excluí-los da história? Eu consigo arranjar algumas: os D3 deles avariados, os Digimons deles retidos no Mundo Digital, os quatro terem ido viver para outras cidades por um motivo ou outro. Pela via que tomaram, são capazes de estar a cavar um buraco da qual será difícil saírem. A boa notícia no meio disto tudo é que, depois daquele final, não vão poder adiar a questão por muito mais tempo – e, ainda assim, continuo com um feeling de que os digi-guionistas se vão enterrar ainda mais com esta história.

 

Mas passemos à luta em si com Imperialdramon, que se desenrola numa estranha dimensão criada pelas distorções para onde o Imperador Digimon levou Meicoomon. Este era o momento mais aguardado de todo o filme, sobretudo pelas estreias de Vikemon e Rosemon, os níveis Extremo/Hiper Campeão de Gomamon e Palmon, respetivamente). Estas estreias cumprem os requisitos que eu tinha definido? Mais ou menos. Ao contrário de muitos fãs, não achei que tenham vindo do nada, quanto mais não seja porque já tinha havido um bom desenvolvimento de Mimi e Joe – um progresso em relação a pelo menos metade das Digievoluções em 02. A epifania de Joe resulta um pouco melhor, pois ele tinha acabado de decidir lutar ao lado do seu Digimon (será daqui que vem o título Ketsui, que significa Decisão ou Determinação?). O grito de “Ike! GOMAMOOON!” forçou um bocadinho o drama, mas resultou. Teoricamente, Mimi, por esta altura, já poderia ter desbloqueado Rosemon – talvez precisasse do empurrãozinho final de Joe. Se tudo isto parece fácil comparado com Tai e Matt, que tiveram de levar com flechas? Parece. Mas sempre foi melhor que ter apenas Gennai e Azulongmon puxando uns cordelinhos.

 

 

À parte tudo isto, a batalha em si não desilude. O som do dispositivo digital ativando-se e as primeiras notas de Brave Heart emocionam e arrepiam como fazem desse o primeiro episódio de Adventure. As sequências de digievolução para os níveis Perfeito/Super Campeão e Extremo/Hiper Campeão por que ansiávamos não desapontam. Gostei em particular das Digievoluções para nível Perfeito, sobretudo de estas sempre me terem parecido apressadas em 02. Destaco os dispositivos mudando de cor e os símbolos das virtudes. Agora anseio por ver as does restantes Digimons.

 

Da primeira vez que vi o combate com o Imperialdramon estive sempre a beira do assento, sustendo a respiração. Há quem reclame por, agora, os Digimons nem sempre gritarem os nomes dos seus ataques, mas eu nunca achei grande piada a isso. Parece-me muito mais realista que Digimons em pleno combate poupem o fôlego para outras coisas. Como, aliás, já tinha assinalado na análise a Saikai, as lutas entre Digimons estão muito mais orgânicas.

 

Aparentemente, Leomon, Vikemon e Rosemon matam Imperialdramon (que, recordo, resulta da combinação de dois Digimons ligados a Escolhidos) e… nenhum dos Escolhidos se rala com isso. Por incrível que pareça, o mais estranho é o que acontece a seguir: o Imperador Digimon solta Meicoomon, assim sem mais nem menos, antes de desaparecer. Ele literalmente desvanece-se no ar. Não sabemos ao certo se aquele ela mesmo Ken ou uma cópia ou holograma ou projeção ou algo assim – ou seja, sabemos essencialmente o mesmo que sabíamos aquando dos primeiros trailers em que aparecia o Imperador Digimon. Também não sabemos se aquele era mesmo o Imperialdramon. Se for, que raio lhe aconteceu para ser infetado? Se não for, que raio era aquilo, então? Também uma projeção ou cópia? Outro Imperialdramon qualquer? Tudo isto vai dar à questão original: onde raio param Davis e os outros?

 

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O mais chocante acontece mesmo no fim, depois de os quatro Digimons regressarem ao Mundo Real. Um pouco do nada, o dispositivo digital de Meiko enegrece, Meicoomon muda de forma (não se percebe se evolui para o nível Perfeito ou se é apenas uma nova forma) e mata Leomon. Já é uma piada recorrente em Digimon, Leomon morre sempre, mas acho que ninguém estava à espera que acontecesse desta forma… Eu confesso que, quando Meicoomon deu o golpe fatal, fiquei com a mesma cara e a mesma reação dos Escolhidos: “Que acabou de acontecer aqui?”. Com o choque, nem sequer reparei no infame sorriso de Maki, que tem deixado os fãs em polvorosa. Enquanto os Escolhidos estão ainda a tentar perceber o que aconteceu, Maki vira as costas à cena, confirma que as distorções e os Digimons Infetados começaram com Meicoomon, e começa já a pensar na próxima jogada (ela é mesmo fria!). O filme termina com este cliffhanger, com Meiko aos gritos por Meicoomon. Da primeira vez que vi Ketsui, eu rebobinei para a frente nesta altura, a ver se existiam cenas pós-créditos como em Saikai, qualquer coisa que desvendasse o mistério, mas não.

 

Pelas internetes fora, já há quem especule que Maki está a ser controlada pela Escuridão e tal. Não concordo. Acho que já passámos essa fase, a preto e branco. Penso que Maki, pura e simplesmente, tem os miúdos e a população humana em geral como prioridade, os Digimons são-lhe indiferentes, mesmo sacrificáveis. Daí as armas que desenvolve, daí ter facilitado a captura de Meicoomon e ter sorrido quando este atacou Leomon – foi a confirmação daquilo que ela provavelmente vinha a suspeitar por algum tempo. É também por isso que eu não acredito que o Gennai esteja a ajudá-los. Pelo menos não voluntariamente, ou está a fazê-lo sem conhecer as verdadeiras intenções da organização.

 

Tivemos uma resposta sobre a origem das distorções e dos Digimons Infetados, mas é uma daquelas respostas que não esclarecem nada, que criam uma infinidade de novas perguntas. Queremos saber como Meicoomon foi infetada, se ela já nasceu assim ou se foi depois (há quem especule que o Digiovo que vemos no início de Saikai era o de Meicoomon). O que nos leva de novo à pergunta: como é que Meiko se tornou uma Escolhida? Com isto tudo, talvez Alphamon não seja o verdadeiro vilão da história, talvez, em Saikai, ele estivesse a tentar eliminar a fonte dos problemas todos. Mas isso não explica o interesse de Ken (se é que era mesmo ele) em Meicoomon – ele queria também eliminar a fonte de infeção ou queria espalhá-la ainda mais?

 

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É por estas perguntas todas que ficam por responder – e muitas delas são herdadas de Saikai – que não consigo gostar tanto Ketsui como gostei do seu antecessor. Além do mais, como fui dando a entender, as cenas de ação, de lutas entre Digimons, foram breves e só Palmon e Gomamon lutaram. Em Saikai pudemos ver todos os Digimons em pelo menos o nível Campeão, tirando Ikakumon e, apesar de ter apenas terem lidado com Kuwangamons (que é o equivalente no Mundo Digimon a lidar com uma praga de ratazanas), foi excitante – toda a equipa a lutar de novo, passados todos estes anos. Eu não me queixaria muito disso se isso significasse mais tempo para a caracterização das personagens. Não que esta não ocorra mas, lá está, há muita cena desnecessária neste filme – a visita às termas, o festival cultural, os Digimons dos Escolhidos portando-se como crianças travessas – que poderia ter sido trocada por mais tempo de antena para os combates ou para o desenvolvimento dos Escolhidos (Tai, Matt, Sora e T.K. fazem muito pouco neste filme). Por outro lado, eu não costumo criticar o CGI e outros aspetos mais técnicos (por falta de experiência, por normalmente valorizar mais o conteúdo), mas até a mim me incomodaram os ocasionais planos estáticos. Dá a ideia de que aquelas partes foram feitas um bocadinho em cima do joelho, o que dá a ideia de falta de consideração pelos fãs que aguardaram meses (ou se calhar anos) por esta série de filmes.

 

Admito que uma boa parte das opiniões que referi no parágrafo anterior possa mudar quando todos os filmes tiverem saído e pudermos vê-los em sequência. Por agora é desanimador termos esperado três meses por Ketsui e o filme perder tempo com fillers, fanservice desnecessário, comédia fácil e deixar quase todas as perguntas por responder. Por outro lado, à semelhança de Saikai e de, bem, Digimon em geral, é na caracterização das personagens que Digimon brilha, sendo aqui que Ketsui se redime.

 

Agora temos de esperar até 24 de setembro pelo próximo filme. Posso tirar um parágrafo para me queixar disso? Eu contava com um lançamento de Kokuhaku (Confissão) para julho ou agosto (desde que fosse depois do Euro 2016, por mim tudo bem). Idealmente seria à roda do Odaiba Memorial Day. Mas 24 de setembro? Seis meses depois deste? Eu até estou habituada a esperar por estas coisas – com a Seleção Nacional, que só faz jogos de longe a longe; com o drama que foram os lançamentos dos últimos dois álbuns da Avril Lavigne – mas seis meses? É muito tempo! Ninguém merece…

 

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Bem, já que tão cedo não voltarei a escrever sobre Digimon, quero especular um bocadinho sobre Kokuhaku. Consta que se focará em Izzy e T.K., algo que muitos têm estranhado. Toda a gente esperava que T.K dividisse o protagonismo de um dos filmes com Kari mas, na minha opinião, o parzinho já é um cliché quase tão grande como a morte de Leomon. O emparelhamento entre T.K. (que pouco tem feito em Tri) e Izzy será uma novidade, poderá ser interessante. Por outro lado, isto pode significar que Sora e Kari protagonização o quarto filme. Esta é uma parelha quiçá ainda mais interessante. Foram as minhas personagens preferidas quando era mais nova (Sora em Adventure, Kari em 02), mas têm sofrido de uma gritante falta de caracterização. Quero ver o que Tri fará com elas (rezando às quatro Bestas Sagradas do Mundo Digital para que os digi-guionistas não as releguem para meros interesses amorosos…).

 

Por sua vez, o título Confissão é intrigante. A hipótese mais óbvia é que sejam declarações amorosas – sendo este filme protagonizado por Izzy e T.K., tais declarações serão destinadas a Mimi e a Kari. Acho, no entanto, que existem outras possibilidades mais interessantes. Em Ketsui tivemos muitos segredos, muitas verdades por encarar: as dúvidas existenciais de Tai, como Meiko se tornou uma Escolhida, as verdadeiras intenções de Maki, o que aconteceu aos miúdos de 02 (é possível que alguém saiba mais do que aparenta). Tais segredos tiveram consequências trágicas em Ketsui, talvez estes venham à luz em Kokuhaku. Ou talvez não venham e as coisas se tornem ainda mais difíceis para os nossos adorados Escolhidos. Talvez não seja por acaso que Izzy vá ser um dos protagonistas de Kokuhaku – se há Escolhido que não suporte perguntas por responder, é ele.

 

Um aspeto que tem intrigado em relação ao poster de Confissão é o facto de o Digimon de Izzy surgir na sua forma Extrema, HerculesKabuterimon, mas o de T.K. aparecer apenas como Patamon. Se a isto acrescentarmos o teaser em que Patamon se despede de T.K. e este grita por ele, uma pessoa começa a recordar o que aconteceu em Adventure e a temer que o jovem volte a perder o seu Digimon. Não sei se é a melhor opção ir por aí – um segundo sacrifício de Patamon terá o mesmo impacto que o primeiro? Não me importarei, contudo, se voltarem a explorar este trauma de T.K., bem como a sua intolerância para com a Escuridão – pegaram nisso em 02, mas não o concluíram como deve ser, na minha opinião.

 

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Apesar de tudo – apesar das críticas que aponto a Ketsui, apesar de ainda termos de esperar seis meses por Kokuhaku – esta é uma ótima altura para se ser fã de Digimon (tal como é uma ótima altura para se ser fã de Pokémon). Mais de quinze anos depois, não apenas reencontramos os nossos heróis de infância, descobrimos mais sobre eles, conhecemo-los ainda melhor. Abrimos uma porta que julgámos ter ficado encerrada no final de 02. E ainda vamos no início, ainda há muito por descobrir acerca das eternas Crianças Escolhidas (Por favor! Por favor! Desenvolvam Sora e Kari como deve ser!).

 

Naturalmente, o próximo Odaiba Memorial Day será especial. Pelo menos é o que estão a tentar fazer no nosso país, aproveitando o “reacender da chama” (como referem na página de Facebook) que o lançamento de Tri proporcionou. Não sei muitos pormenores, mas a ideia seria fazer um encontro de fãs portugueses no dia 1 de Agosto, esse dia tão especial para a comunidade Digimon. Ainda não sei se posso ir, mas vou tentar.

 

Continuo um bocadinho de coração partido por Kokuhaku não sair por essa altura – nada me deixaria mais feliz do que ver o filme pela primeira vez com outros fãs no Odaiba Memorial Day (mesmo que significasse não vê-lo no próprio dia do lançamento e ter de evitar spoilers por uns dias). Há no entanto algo que bem poderia estrear nesse encontro: a dobragem portuguesa de Saikai, que está a ser realizada pelo AniMedia.

 

 

 

Por surpreendente que seja, inclusive para mim mesma, tendo em conta o que escrevi anteriormente sobre as dobragens portuguesas de Adventure e 02, eu fiquei entusiasmadíssima quando soube deste projeto. Foi uma daquelas coisas que eu não sabia que desejava até descobrir acerca delas – bem, cheguei a sonhar algumas vezes com uma dobragem portuguesa, logo, o meu subconsciente andou a enviar-me sinais. Já que vai ser uma realidade, espero que esta fique bem feita. E que aproveitem a minha sugestão de estreá-la no Odaiba Memorial Day em Portugal. Até lá...

Digimon Adventure Tri - Ketsui (Determinação) #1

1) Spoilers: as entradas desta série terão inúmeras revelações sobre o enredo do primeiro e segundo filmes de Digimon Adventure Tri e, possivelmente, dos enredos de Adventure e 02. Leia por sua conta e risco.

 

2) Alguns conceitos próprios desta série animada têm traduções controversas - na língua portuguesa, têm mais do que uma possível. Neste texto, vou adotar as traduções com que estou mais familiarizada e/ou que considero mais adequadas.

 

3) Apesar de as legendas do filme usarem os nomes japoneses das Crianças Escolhidas, eu vou usar as versões americanizadas dos nomes, visto que estou mais habituada.

 

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Quando estava para ver o primeiro filme de Digimon Adventure Tri, Saikai, não sabia o que esperar. Sabia que decorreria três anos após os acontecimentos de 02, com o elenco de Adventure, mais nada. Não tinha grandes expetativas, pelo menos não em concreto. Tal como escrevi antes, Saikai não foi apenas uma trip de nostalgia, foi um exemplo do que Digimon tem de melhor. No entanto, em termos de enredo, serviu apenas para colocar as peças no tabuleiro, para definir o conflito – deixou imensas perguntas por responder.

 

Com Ketsui (que significa Determinação ou Decisão), o segundo filme que estreou no passado dia 11 de maio, a história foi outra. Desta feita, já as premissas tinham sido mais do que estabelecidas, já tinha uma ideia mais concreta do que nos esperava. Para além disso, desta vez fiz questão de ir-me mantendo a par de todas as pistas, teasers, trailers e afins que fossem saindo. As expetativas foram aumentando. Sabendo desde já que o filme se centraria em Joe e Mimi, queria saber o que fariam com eles, como seriam as estreias de Rosemon e Vikemon. Queria saber que raio aconteceu aos miúdos de 02. Queria ver a evolução das dúvidas existenciais de Tai, do seu desentendimento com Matt e, já agora, queria descobrir mais do que se estava a passar com os outros miúdos. Queria algumas respostas às perguntas deixadas no fim de Saikai. Será que Ketsui correspondeu às expetativas?

 

Bem…

 

A análise a este filme tem mais ou menos o dobro da extensão da análise a Saikai, pelo que virá dividida em duas. Esta é a primeira parte, publico a segunda assim que puder. Comecemos pelo resumo do filme, mais uma vez adaptado da Wikipédia:

 

Enquanto Joe fica em casa a estudar para os exames de acesso à faculdade, os Escolhidos e seus Digimons vão de passeio a uma estação termal, onde eles se deparam com Daigo Nishijima e Maki Himekawa. Na estação termal, as raparigas passam por uma inconveniência quando Biyomon e Meicoomon são separadas delas e acabam por invadir o balneário dos homens. Após o passeio, Maki e Daigo testam armas especializadas contra um Ogremon infetado que havia aparecido. Ogremon acaba por ser levado de volta para o mundo digital por Leomon. Mais tarde, enquanto Mimi preparava um café temático de meninas de claque para o festival cultural da escola, Ogremon regressa, desta feita na zona onde Mimi e Meiko se encontram. Mimi tenta lutar contra o Ogremon infetado, na esperança de melhorar a reputação dos Digimons. No entanto, os ataques de Togemon provocam a queda de um helicóptero de notícias nas proximidades, resultando no efeito oposto. Enquanto Leomon se aproxima dos Escolhidos, explicando o que aconteceu com Ogremon quando ele ficou infetado, Mimi é repreendida pelos amigos pelas suas ações aparentemente egoístas. Enquanto Mimi lamenta o quão egoísta ela tem sido, ela ouve Joe dizendo que ele tem evitado os combates com os Digimons para tentar encaixar-se na idade adulta, lamentando sua própria covardia.

 

No dia seguinte, Gomamon decide fugir da casa de Joe, Izzy recebe uma mensagem estranha em código digital. No dia do festival cultural, Meiko mostra o seu apoio a Mimi vestindo o fato de menina de claque que as duas tinham desenhado para o café. Entretanto, os Digimon infiltram-se no festival para tentar ganhar um concurso de máscaras para comerem de graça no festival. Gomamon reencontra-se com Joe e diz-lhe que fugiu porque sentiu que Joe não queria mais lutar a seu lado. Joe enfurece-se e deixa Gomamon sozinho. Nessa altura, Meicoomon é capturado por Ken Ichijouji, que parece ter revertido para o seu alter-ego Imperador Digimon. Palmon e Gomamon, juntamente com um Leomon parcialmente infetado, perseguem-no até um portal das distorções digitais. No interior da distorção, Ken aparece lado a lado com um Imperialdramon infetado, sendo que Imperialdramon é (o nível Extremo/Hiper Campeão da fusão dos Digimons Wormmon e Veemon, parceiros Digimon dos antigos Escolhidos Ken Ichijouji e Davis Motomiya). Kari convence Joe regressar para junto de Gomamon e lutar ao lado dele. Superando suas próprias preocupações em nome do seu parceiro, Joe consegue fazer Gomamon digievoluir pela primeira vez até seu nível Extremo/Hiper Campeão, Vikemon. Mimi também consegue fazer Palmon digievoluir até sua forma no nível Extremo/Hiper Campeão, Rosemon. Até esse momento, apenas Agumon e Gabumon tinham conseguido atingir esse nível, no caso destes WarGreymon e MetalGarurumon. Os Digimons conseguem derrotar Imperialdramon e regressar com segurança ao Mundo Real. No entanto, Meicoomon torna-se de repente hostil, matando Leomon e escapando para o mundo digital.”

 

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Um dos maiores problemas de Ketsui diz respeito aos fillers. Uma das coisas que elogiei na primeira temporada de Adventure foi o facto de não ter quase nada só para encher chouriços, quase tudo o que acontecer contribui para avançar a história ou, pelo menos, para desenvolver as personagens e as relações entre elas. Uma pessoa ainda pode tolerar um ou outro filler numa série de televisão normal, com episódios todas as semanas, mas esta uma série de apenas seis filmes, que só saem de tantos em tantos meses. É no mínimo frustrante termos passado semanas especulando sobre este filme, sobre os mistérios apresentados em Saikai, para depois Ketsui perder tempo com uma visita a uma estância termal e um festival cultural em que pelo menos metade das cenas são irrelevantes, os combates entre Digimons serem despachados em minutos e quase todas as perguntas ficarem por responder.

 

O dia passado na estância termal sempre serviu para fazer alguns desenvolvimentos discretos, se não tanto em termos de enredo, pelo menos em termos de personagens. Não sou grande fã de Meiko, mas, sendo eu uma pessoa um bocadinho tímida e introvertida, identifico-me um pouco com ela. Gostei da maneira calorosa como os Escolhidos (resolvi deixar de dizer Crianças Escolhidas pois o termo, obviamente, já não faz sentido) receberam o novo membro do grupo, sobretudo Mimi (mais sobre isso adiante). Por outro lado, isso fez com que Meiko roubasse o protagonismo à maior parte dos Escolhidos que conhecemos e adoramos quando a novata não é assim tão interessante como personagem – a partir de certa altura, os seus modos envergonhados começam a cansar.

 

O episódio das termas serviu também para mostrar um pouco da relação entre Meicoomon e Meiko (uma nota: só eu acho irritante o facto de uma Escolhida e o seu Digimon terem praticamente o mesmo nome? Que falta de imaginação…). Os companheiros dos Escolhidos sempre foram, regra geral, um pouco acriançados mas Meicoomon chamou-me a atenção por ser extremamente dependente de Meiko, quase como uma criança pequena depende da sua mãe. Tendo em conta o que acontece no final do filme, este comportamento gera algumas suspeitas. Eu, pelo menos, gostava de saber exatamente como é que Meiko se tornou uma Escolhida e conheceu Meicoomon – sobretudo tendo em conta que, ao que parece, ela e Maki já se conheciam havia algum tempo (desde o início de Saikai?).

 

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Também deu para descobrir um bocadinho mais sobre a misteriosa organização governamental e, sobretudo, sobre os agentes que conhecemos: Daigo e Maki. Percebe-se que Daigo gosta dos miúdos, preocupa-se genuinamente com eles. Maki é mais desprendida (de uma maneira que chega a causar impressão, conforme veremos adiante), mais focada no trabalho que tem de fazer. Percebe-se que a intenção da organização é manter os Escolhidos de fora dos combates, dentro do possível. Se por um lado se compreende que eles não queiram depender de adolescentes para proteger a população, por outro é óbvio que há coisas que eles querem esconder dos Escolhidos – sobretudo aquelas armas especiais para Digimon, calculo eu. Aparentemente, os miúdos não vão muito na conversa deles. Algo que é de esperar, sobretudo Izzy, que sempre gostou de ter a informação toda e que, por esta altura, começa a assumir, discretamente, o papel de líder do grupo. Eu mesma, se estivesse habituada a salvar o mundo desde uma idade em que alguns ainda não sabem apertar atacadores, também ficaria incomodada se, de repente, viessem adultos fazer o trabalho por nós. 

 

Por fim, segundo T.K., a viagem às termas serviria também, mais uma vez, para ver se Tai e Matt fariam as pazes. Eu não sei qual é a melhor maneira de persuadir dois rapazes de dezassete anos a ter uma conversa franca, mas não me parece que metê-los seminus numa sauna e/ou fonte de água quente seja a opção mais eficaz. Na verdade, nesta altura do campeonato, eu recomendaria um terapeuta de casais. Mas já falaremos do “casalinho” adiante.

 

Tirando isso, as cenas nas termas foram mais fanservice e humor fácil que outra coisa qualquer. Algumas semanas antes de sair Ketsui, eu tinha-me queixado pelas internetes fora por, em materiais promocionais, as raparigas aparecerem em biquíni e os rapazes completamente vestidos. Ao menos agora repôs-se a igualdade… E, confesso, diverti-me demasiado com a cena em que as meninas invadem o balneário masculino. Mimi cantando I Wish para distrair os homens? Impagável! Claro que tinha de vir T.K. em socorro de Kari, qual Cavaleiro Andante em pelota. Por outro lado, Meiko pode ser muito envergonhadinha e tal, mas teve lata suficiente para dar uma espreitadela a Tai.

 

 

Enfim, isto pode ter sido só fanservice e tal, podia (acho mesmo que devia) ter sido cortado do filme sem grandes consequências, mas ao menos conseguiu fazer-me rir como uma parvinha. O mesmo não posso dizer do festival cultural, que tem os seus momentos, mas perde demasiado tempo com cenas irrelevantes.

 

Lá iremos. Depois de Tai ter sido o protagonista de Saikai, em Ketsui o protagonismo é dividido entre Mimi, Joe e, em parte, Meiko. Mimi foi uma das minhas personagens preferidas em Saikai e o mesmo torna a acontecer neste filme. Conforme escrevi antes, em contraste com os seus modos caprichosos e irritantes em Adventure, em Tri, Mimi traz vida e alegria a um grupo que, por esta altura, tem tendência a cair no desânimo – com um Tai invulgarmente apático, um Matt sempre de mau humor, uma Sora constantemente tentando manter a paz, um Joe sempre ausente e Izzy e Kari, personagens mais discretas. Mimi é extrovertida, despreocupada, incapaz de duplicidade ou hipocrisia, de esconder o que pensa e sente – algo que se vira contra ela, neste filme. Mimi enfrenta Ogremon quando este aparece segunda vez no Mundo Real, ajudada apenas por uma inexperiente Meiko, contrariando instruções explícitas de Izzy, numa tentativa de mudar a opinião pública sobre os Digimon. No entanto, sai-lhe o tiro pela culatra quando Togemon atira um helicóptero da Comunicação Social para o lago.

 

Leomon acaba por levar Ogremon de regresso ao Mundo Digital – o confronto de Ogremon com Togemon e Meicoomon não dura muito, depois de o mesmo ter acontecido com a primeira aparição de Ogremon no Mundo Real. No rescaldo do combate, Mimi leva nas orelhas por ela não ter esperado pelos amigos, chegando a ser apelidada de egocêntrica por parte de Izzy.

 

Todos concordam que existe verdade nas palavas de Izzy, incluindo a própria Mimi. A jovem leva as críticas do amigo muito a peito, até porque acaba por ouvir críticas semelhantes a propósito da sua ideia para o café temático do festival cultural. Para ser justa, eu adoro-te Mimi, mas eu também não quereria ser transformada numa empregada do Hooters, que é a inspiração de Daters, a cadeira de restaurantes americana ficcional que Mimi refere (para aqueles que não sabem, Hooters é uma cadeira de restaurantes americana em que as empregadas usam trajes reduzidos e a sua função é esbanjarem sex appeal. Pelas descrições, parece-me nojento. Ao menos em Daters são meninas de claque, o que sempre é um bocadinho melhor. Só um bocadinho…).

 

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Desde que a conhecemos, Mimi diz o que pensa e sente e a verdade é que a narrativa não a tem censurado por isso – pelo contrário, é-lhe atribuído o Cartão da Sinceridade. O mesmo acaba por acontecer em Ketsui, de certa forma, pois os Escolhidos que, neste filme, tentam esconder o que estão a pensar e a sentir não o fazem muito bem. Joe diz a Mimi, com razão a meu ver, que mais vale ser-se egocêntrica mas honesta, agir de acordo com as convicções, do que cobarde – mais sobre isso adiante. Mais tarde, Meiko executa a ideia de Mimi para o café temático. Sora faz as fatiotas, piscando o olho ao epílogo de 02 (Lindos meninos, digi-guionistas, lindos meninos!). Acabam por chegar a um meio-termo com as colegas: apenas Mimi e Meiko vestir-se-ão como meninas de claque. Isto é o suficiente para fazer com que Mimi recupere o ânimo.

 

Eu gosto da amizade que se formou entre Mimi e Meiko. Noutra qualquer história de adolescentes, uma personagem feminina semelhante a Mimi seria aquela miúda popular do liceu, que rebaixaria pessoas mais tímidas e discretas, como Meiko. Mimi faz o exato oposto, passa o filme quase todo tentando espevitar a nova amiga, fazer com que ela perca a timidez. É essa a qualidade redentora de Mimi. Para além de ser incapaz de duplicidade, ela tem o coração no sítio certo, não precisa de pisar ninguém para se sentir bem consigo mesma. A amizade entre Mimi e Meiko fez-me lembrar, aliás, a amizade entre Kari e Yolei, em 02. Tri chegou a fazer quase copy-paste do diálogo do episódio da digievolução ADN, em que Kari diz que admira Yolei por esta ser capaz de exteriorizar os seus sentimentos, ao contrário dela. Faz sentido pois, como escrevi antes, Yolei é praticamente uma cópia de Mimi e Kari tem também um lado reservado (ainda que este não se note tanto agora, que está mais velha e entre amigos que conhece há anos). Esta amizade caracteriza mais Mimi do que Meiko, contudo. Esta continua o mesmo enigma que era no início de Saikai.

 

Os problemas de Joe em Ketsui são mais complicados. O jovem continua a manter-se afastado da ação por causa dos estudos mas, tal como adivinhei, a questão é mais complicada que uma simples incompatibilidade de horários. Joe está numa altura crucial da sua vida, para o seu futuro, e sente que o seu dever como Escolhido é algo que o prende ao passado. E a verdade é que ele nunca escolhera ser… bem, uma Criança Escolhida, tal responsabilidade fora-lhe imposta – estou até admirada por ser esta a primeira vez, tanto quanto me lembro, em que um deles se revolta contra a condição de Escolhido. Por isso, vai usando o trabalho académico para se esquivar aos outros Escolhidos, mas a verdade é que ele também não está a ser particularmente bem sucedido nos seus estudos. Tudo isto faz com que Joe acumule autocomiseração, se sinta um cobarde, alienando Gomamon no processo.

 

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Acho que nunca vimos Joe tão em baixo. Como li no Twitter, ele parecia preso numa canção dos Simple Plan em início de carreira. Eu tive vontade de abraçá-lo, sobretudo nos momentos em que desfez em lágrimas. Não é fácil ver uma personagem que conhecemos e adoramos há tantos anos a sofrer.

 

Antes de voltar a falar sobre Joe, queria falar sobre outra personagem enfrentando um dilema semelhante: Tai. Apesar do que aconteceu na batalha final de Saikai, o jovem continua essencialmente com as mesmas dúvidas sobre o que estão a fazer. O problema é que, desta feita, ele não fala disso. Ele podia ter aproveitado o incidente do helicóptero para dizer algo como: “Estão a ver? É disto que tenho tido medo! Aquelas pessoas podiam ter morrido! Podemos falar sobre isto, por favor?”. Em vez disso, fica calado e deixa Mimi arcar com a culpa – mesmo depois de, em Saikai, ele e os outros terem causado danos semelhantes. Mimi foi imprudente, sim, mas ao menos tentou mudar uma situação com a qual não estava satisfeita, o que é mais do que podemos dizer de Tai. Como diria Joe, mais vale ser-se egocêntrico do que cobarde e, por muito que me custe dizer isso, Tai está a agir como um cobarde. Chega a ser doloroso vê-lo tão apagado, perdendo a liderança do grupo para Izzy. Eu compreendo que ele tenha medo de que Matt se chateie a sério e se afaste do grupo (algo que chegou a fazer temporariamente em Saikai) caso perceba que Tai continua com dúvidas, mas, pela maneira como as coisas estão, acho que Matt se vai chatear mais cedo ou mais tarde, quanto mais não seja pelo silêncio de Tai. E, para ser sincera, eu até estava do lado de Tai no primeiro filme, mas já começo a torcer para que Matt lhe dê um murro, como costumava fazer antes. A sério. Yagami, rapaz, eu adoro-te, mas, em nome de todos os monstrinhos digitais, recompõe-te!

 

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A paciência pode ainda não se ter esgotado a Matt em relação a Tai, mas esgotou-se a Gomamon em relação a Joe. O Digimon andava a fazer o que podia para apoiar o seu Escolhido (incluindo noodles com um ovo estrelado por cima, inveja…), mas a certa altura percebe a mensagem e sai da casa de Joe, sem lhe dizer nada. Pode ter sido um bocadinho infantil, sobretudo a parte de Gomamon pedir a Izzy que não diga onde ele está, mas era a única maneira de obrigar Joe a enfrentar a verdade.

 

Curiosamente, é Kari quem chama Joe à razão. A jovem faz-lhe ver que que, mesmo que Joe não saiba o que está a fazer com a sua vida, mesmo que Joe precise de uma explicação para a sua condição de Escolhido, Gomamon fora Escolhido com ele. Eles estavam naquilo juntos e Joe não lhe podia voltar as costas, independentemente de quem os escolheu para aquela missão que não parece ter fim. O jovem percebe isto numa altura em que Gomamon lutava contra Imperialdramon (mais sobre isso adiante).

 

Poder-se-á traçar um paralelismo entre o arco de Joe em Ketsui e o arco de Tai em Saikai. Ambos enfrentam sérios dilemas sobre o seu dever como Escolhidos ao longo dos respetivos filmes. Eventualmente, cada um dos rapazes se vê entre a espada e a parede e é obrigado a lutar, não necessariamente porque tenham ultrapassado aquilo que os incomodava, antes por alguém de quem gostam. No caso de Tai, esse alguém é Matt. No caso de Joe, esse alguém é Gomamon.

 

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A questão que se coloca é se as dúvidas de Joe estão de facto ultrapassadas ou apenas temporariamente silenciadas. Ficou claro neste filme que Tai não ultrapassou as suas. Estas, aliás, terão feito com que Omegamon/Omnimon se desfizesse. Não que isso tenha tido consequências práticas (só depois de ver Ketsui é que fui rever essa cena e reparei que, realmente, Omegamon começa a desfazer-se um ou dois segundos antes de Alphamon fugir pela distorção), mas foi o suficiente para Matt ficar ainda mais irritado.

 

 

Por sua vez, Joe pareceu seguro de si durante a luta com Imperialdramon. Talvez fazer alguma coisa, tomar uma decisão (será daqui que vem o título Ketsui?) e ser bem sucedido lhe seja suficiente para sair do buraco onde caíra, para se deixar de se sentir como um cobarde. É provável que o jovem ainda não saiba ao certo como conjugar os seus deveres académicos com os seus deveres como Escolhido, mas eu quero acreditar que Joe não tornará a virar a cara à luta, nem que seja só por Gomamon.

 

Por fim, dizer apenas que houve quem estranhasse ser Kari a aconselhar Joe, mas eu acho que faz sentido. Para além de dar a Kari algo para fazer, acabámos de ver que o dilema de Joe não é muito diferente do dilema de Tai. Acredito que, no futuro, a jovem voltará a intervir, desta feita para ajudar o seu onii-chan.

 

Mas continuo a achar que a maneira mais eficaz de fazer Tai acordar para a vida é um murro bem dado por Matt.

 

E com este pensamento concluímos a primeira parte da análise a Ketsui. Segunda parte em breve.

 

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Follow Friday #4

Há quanto tempo não tínhamos uma Follow Friday? Pelo menos um ano, penso eu. Espero que não voltem a parar durante demasiado tempo, que eu já tinha saudades...

 

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Como já referi antes, a minha área é Farmácia. Hoje falo sobre isso. Vivemos numa era em que existe muita desinformação, sobretudo relacionada com a Saúde. As campanhas anti-vacinação enfurecem-me, por exemplo. Ainda não estou convencida em relação aos benefícios de uma dieta sem glúten para pessoas que não sofram de sensibilidade ou de doença celíaca. E ainda no outro dia li um artigo sobre a violência a que os doentes oncológicos estão sujeitos, quando lhes dizem que se podem curar através de yoga, dietas especiais, otimismo (não é por acaso que já existe o termo "ditadura do pensamento positivo"). Não que a Internet não tenha informações fidedignas, mas é muito fácil deixarmo-nos levar por mitos.

 

Ora, existe muito a ideia de que o farmacêutico pouco mais é que um empregado de balcão, mas não é verdade. Não substitui o médico, ou mesmo o enfermeiro, mas é um profissional com conhecimentos sobre quase tudo o que está relacionado com saúde. No curso, para além das Farmacologias, estudamos áreas tão diversas como Biologia Celular e Molecular, Biofísica, História e Sociologia da Saúde, Análises Clínicas, Química dos Alimentos (a sério. Quando estava a estudar para o meu exame de Bromatologia, pensava que estava a formar-me para ser inspetora da ASAE...), uma infinidade de outras Químicas, Legislação. Isto para não falar das inúmeras cadeiras opcionais, como Dermocosmética, Neurobiologia, Genética Humana, Medicamentos Veterinários, Ensaios Clínicos - e estas são as únicas de que me lembro. Somos obrigados a saber um pouco de tudo para exercer, daí que considere o farmacêutico com um bom profissional para tirar dúvidas sobre Saúde.

 

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Como nem sempre dá para ir à Farmácia pedir conselhos, uma boa alternativa é o blogue Dicas de Farmacêutica. A autora exerce a profissão há mais de vinte e cinco anos. Ou seja, para além do conhecimento teórico que referi acima, a Farmacêutica possui ainda infinidades de conhecimento prático - incluindo, penso eu, vários utentes que acompanhou e/ou acompanha ao longo de anos, tal como um médico faz com um doente. Tudo isto faz com que as informações do seu blogue tenham muito mais credibilidade que uma boa parte do resto da Internet. Tal como ela diz, a consulta do blogue não substitui o aconselhamento médico ou farmacêutico mas... é um começo.

 

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