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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #6

Sexta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby:

12) Remember When
 
 

"It never crossed my mind
That there would be a time
For us to say goodbye" 

Esta é outra música provavelmente sobre o divórcio, composta a solo pela Avril. Em termos de produção e sentimento, assemelha-se imenso a I Will Be. Mais uma vez, a produção (ironicamente, pelo próprio Deryck Whibley, de quem se divorciou) merece cinco estrelas. A minha parte favorita da música é o final do segundo refrão, em que esta “explode”, realçando a angústia presente do princípio ao fim.

A canção debruça-se sobre nostalgia, sobre a dor de um relacionamento terminado, que relembra aquilo que foi, os momentos felizes, em que se julgava que duraria para sempre, mas que se acabaram por perder. Mas, no meio de isso tudo, a Avril está firme na sua decisão de acabar tudo.

É capaz de ser a melhor letra de todo o Goodbye Lullaby e a voz da Avril exprime de forma, mais uma vez, primorosa, toda a emoção da música. Dá mesmo para sentir a dor dela – eu, pelo menos, afligi-me quando a ouvi pela primeira vez, sobretudo com os versos “Now I’m alone again, where do I begin?”. Em suma, é mais uma obra de arte que se junta à extensa galeria da sua discografia.

 

13) Goodbye


"I have to go"

Esta faixa foi composta e produzida a solo pela Avril. Aquando da edição de Goodbye Lullaby, esta considerava Goodbye a melhor música que alguma vez compôs. Não sei dizer se é a melhor, mas, pelo menos até agora, nenhuma outra é tão emotiva, pelo menos não de uma fora tão crua, tão cristalina, como esta.

A produção é muito simples, baseando-se quase exclusivamente em piano, guitarra acústica, violinos (mais presentes do que o habitual), mas é a suficiente. A letra é muito simples, mas é cantada de uma forma muito crua, muito sentida, e tem a vantagem de ser aplicável a diversas situações. A Avril compô-la sobre o seu divórcio, talvez para se convencer a si própria que era altura de parar, que tinha de deixar o seu casamento para trás. Nesse aspecto, faz sentido vir a seguir a Remember When. Em RW, toma a decisão de se ir embora. Em Goodbye, despede-se. Mas a canção também podia ser sobre uma mãe que abandona o filho, sobre alguém que está a morrer, ou simplesmente alguém que tem de deixar o seu amado por motivos de força maior – como que em jeito de prelúdio para When You’re Gone e Wish You Were Here. Em todo o caso, a música pega naquele tipo de dor mesmo profunda, íntima, crua, que se torna desconfortável quando vista de fora. Não é, por isso, de admirar que a Avril não se ache capaz de cantá-la ao vivo.

Goodbye assemelha-se em muitos aspectos a Run, dos Snow Patrol, (embora eu prefira a versão da Leona Lewis). Outra canção parecida, menos conhecida, é Our Farewell, dos Within Temptation, que também tem características de canção de embalar.

Já que estou a fazer comparações com outras músicas, tenho de referir a faixa Exit Song, dos Sum 41. Este também é o tema final do mais recente álbum deles, Sreaming Bloody Murder e, embora em termos estritamente musicais, não tenha muito a ver com Goodbye, a mensagem assemelha-se bastante. Julgo que o Deryck a compôs com intenções parecidas com as com que a Avril compôs Goodbye, embora com uma emoção ligeiramente diferente - uma aceitação resignada.




Ora, um ano após a edição de Goodbye Lullaby, em jeito de encerramento do ciclo desse álbum, a Avril lançou um vídeo para Goodbye (a partir de 1m45s). Não é exatamente um videoclipe, é mais uma curta-metragem: o vídeo não trabalha para a música, a música trabalha para o vídeo. Neste, a Avril interpreta uma personagem feminina que espera o seu amado num quarto de hotel. Vêmo-la preparando-se para recebê-lo, vestindo lingerie, ensaiando poses sensuais. Acabamos por perceber que não é completamente genuíno, que provavelmente é apenas para agradar ao amante que nunca chega a aparecer.

Este vídeo oferece múltiplas interpretações possíveis, tanto para a curta-metragem como para a própria música. Uma delas é a hipótese de o vídeo ser uma metáfora do seu casamento falhado com Deryck Whibley: de como ela tentava desesperadamente manter uma farsa ou algo que já não existia, uma ilusão, ao ponto de mentir a si mesma. Até ao momento em que a verdade a atinge.

Por outro lado, a mim também me faz lembrar, um pouco, a vida e morte de Marilyn Monroe. Deixo desde já bem claro que sei muito pouco sobre a falecida atriz, tudo o que sei aprendi com o Wikipédia, uma mão-cheia de artigos de revistas e jornais, estes sobretudo a propósito do aniversário da sua morte, no verão do ano passado, e pouco mais. Aquilo de que falarei aqui é pura especulação. Mas lembro-me de ler sobre a sua vida, sobre o seu estatuto de símbolo sexual, com a sua sensualidade ingénua - suponho que não muito diferente da da personagem de Goodbye. Imagino que a fama tivesse dado a Marilyn a ilusão de que era amada. Não me surpreenderia que ela se tivesse suicidado quando essa ilusão se desfez - quando percebeu que estava sozinha, que sempre estivera sozinha. A diferença é que a personagem que Avril interpreta teve a coragem de se levantar, de atirar com todas as máscaras, de sair do metafórico quarto de hotel e recomeçar a sua vida.

É claro que não estou a dizer que foi por isso que Marilyn se suicidou. Tal como afirmei acima, estou apenas a especular, quase a ficcionar. Mas podia ter sido. Se não com ela, talvez com outras celebridades femininas, ou não, mortas ou não, tanto do passado como - e isto é o mais triste - dos dias que correm.

É curiosa a forma como uma música com uma letra aparentemente tão vaga se torna tão rica, por tantos motivos. No contexto do disco  a que dá o nome, Goodbye não se limita a ser a última faixa (ou penúltima) de Goodbye Lullaby: funciona mesmo como epílogo do álbum, uma conclusão de tudo  por que se passou e se refletiu em cada uma das músicas do disco. Assinalo, por fim, o último refrão em que se ouve “Goodbye… Lullaby” no fundo – acho que ficou interessante, já que acabou por ser esse o nome do álbum – e a parte final, com os violinos, que encerram, não só a música, mas também o CD de certa forma, de uma forma misteriosa e linda.

Depois desta, só falta uma parte, em que falarei da faixa que falta e tecerei algumas considerações finais. Estamos, agora, a dezasseis dias da edição do quinto álbum, homónimo mas que, ao que parece, estará disponível em stream no iTunes uma semana antes. Como tal, vou tentar publicar a última parte ainda antes do próximo fim-de-semana. Entretanto, se quiserem ler as outras partes...

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