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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Bryan Adams - 30 anos de Reckless (2014) #2

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Segunda parte da análise a Reckless (primeira parte aqui). Falemos agora de...

 

5) Somebody

 

 

 

"But when the silence leads to sorrow

We do it all again. All again!"

 

Somebody é um exemplo entre muitos de um conceito recorrente na discografia de Bryan: rock clássico sobre o amor. A letra não é, por isso, nada de especial, muito genérica, até inclui uma quadra sobre guerra que parece vinda do nada - segundo Vallance, era apenas ele e Bryan divertindo-se.

 

O grande ponto forte de Somebody é a sonoridade: o padrão de acordes F e G que caracteriza a música e que dá gozo de tocar na guitarra; o solo de Keith Scott, a melodia forte, cativante, a bateria. Um dos melhores momentos da música acaba por ser, precisamente, a sequência que se segue ao segundo refrão. Inicialmente, só se ouve a bateria e o baixo; mais tarde, juntam-se as guitarras elétricas. Pode não ter a letra mais memorável mas, pela sonoridade, Somebody é daquelas talhadas para concertos ao vivo.

 

6) Summer of '69

 

 

"Oh when I look back now

That summer seemed to last forever..."

 

Summer of '69 é, a par de (Everything I Do) I Do it For You, a primeira música que vem à mente da maioria quando se fala de Bryan Adams. Na verdade, pessoalmente considero que Summer of '69 está para Bryan como Sk8er Boi está para Avril Lavigne. Por vários motivos. Para começar ambas são músicas icónicas do pop rock, com riffs e solos de guitarra que as identificam. Ambas contam uma história em que um dos protagonistas é guitarrista de rock. E ambas apresentam algumas semelhanças na estrutura.

 

No caso de Summer of '69, a letra recorda um romance de versão passado. Muitos debatem se 69 se refere ao ano ou à posição sexual. Pelo que escreveu no seu site, deduz-se que Vallance, o co-compositor, se refere ao ano. Bryan, contudo, diz que é sobre a posição sexual (demorei vários abençoados anos a perceber ao certo do que falavam...) ou, de uma maneira mais politicamente correta, "sobre fazer amor durante o verão". Em todo o caso, a minha mãe não precisa de saber sobre a interpretação de Bryan, ela que continue a pensar no ano de 1969. 

 

 

Em tinha incluído Summer of '69 nas músicas que estiveram perto de ser excluídas do álbum Reckless. No caso desta, tal deveu-se ao facto de a equipa achar que não estava a conseguir acertar no arranjo musical (uma das primeiras versões, por exemplo, começa com o riff característico da música). Consta que regravaram a música mais umas três ou quatro vezes antes de, finalmente, se decidirem por esta, mesmo continuando com reticências. Tanto Vallance como Bryan, contudo, hoje admitem que não percebem que reservas eram essas pois, obviamente, a música é espetacular. Gosto particularmente da sequência entre "I guess nothing can last forever. Forever. No" e "And now the times are changin'", em que há um chamado breakdown, em que só se ouve o riff (tocado numa guitarra de doze cordas), com a bateria e os acordes marcando o início de cada compasso; no fim, a bateria dá um pequeno solo antes de introduzir a estrofe seguinte.

 

Em suma, apesar de não ser das minhas preferidas de Bryan, Summer of '69 é daquelas músicas absolutamente clássicas, sacrossantas, que estão num patamar diferente, acima de toda a crítica. 

 

7) Kids Wanna Rock

 

 

"Musta turned the dial for a couple of miles

But I couldn't find no rock 'n roll"

 

Ainda não percebi se Kids Wanna Rock foi lançado como single ou não mas, na minha mente, como já o conhecia antes de ouvir Reckless pela primeira vez, considero-o um dos singles e, deste grupo, é provavelmente o menos pop, o mais barulhento, o mais rebelde. A letra é uma crítica à subvalorização do rock em detrimento de sons mais disco ou, como diz a letra, "computerized crap". O mais irónico é que esta música foi lançada nos anos 80, que disfrutaram de bandas de rock fantásticas (Bon Jovi, U2, Aerosmith, Queen...) - Bryan queixava-se de barriga cheia. Agora, trinta anos depois, é que, como diz a letra, percorremos toda a frequência FM e, em vez de rock, é mais provável encontrarmos sons eletrónicos (apesar de já ter gostado menos deste estilo musical). Já não me parece que "os miúdos queiram rock". Isto é... talvez queiram, a indústria musical é que não.

 

Azias roqueiras à parte, Kids Wanna Rock, contudo, rezava que "de tempos em tempos as pessoas mudam de ideias, mas a música veio para ficar" ("from time to time people change their minds, but music is here to stay"). E hoje, trinta anos depois, tal confirma-se. Pode não ser exatamente da maneira que desejaríamos mas a música em si tão cedo não irá a lado nenhum.

 

8) It's Only Love

 

  

"When you're world has been shattered

Ain't nothin' else matters

It ain't over - it's only love

And that's all"

 

It's Only Love é um fogoso dueto entre Bryan e Tina Turner. Ou melhor, muitos consideram esta faixa um dueto entre Bryan e Tina, eu considero esta um trabalho a três, sendo o guitarrista Keith Scott o terceiro elemento - ou melhor a sua guitarra. Tal como muitas músicas deste álbum, It's Only Love tem o seu padrão de guitarra que guia quase toda a sua música, definindo o seu carácter e tornando-a absolutamente irresistível. A letra de It's Only love não é nada de especial - passa despercebida por entre a grandiosidade de tudo o resto. It's Only Love alterna entre vocais, ora de Bryan ora de Tina, e a guitarra de Keith, a terceira voz. Como toda a gente sabe, Tina tem uma voz poderosa, ardente, e desempenha bem o seu papel em It's Only Love. Ela e Bryan apresentam uma química flamejante, conforme se pode ver no vídeo acima.

 

 

Apesar de serem poucas as vezes em que Tina se junta a Bryan em palco, It's Only Love não deixa de ser um ponto alto em concertos - muito porque representa uma oportunidade para Keith exibir os seus dotes como guitarrista e... enlouquecer um bocadinho, como podem ver no vídeo acima. Este concerto ocorreu em 2005, faz parte do DVD Live in Lisbon, mas quando eu fui ao concerto de 2011, se é possível acreditar, ele estava ainda mais amalucado, com autênticos bichos carpinteiros. Para mim, Keith é um dos melhores guitarristas do Mundo (melhor, só talvez Carlos Santana) e, na minha opinião a carreira de Bryan não teria sido a mesma se ele não tivesse enriquecido as músicas dele com solos fantásticos. It's Only Love é, talvez, o melhor exemplo disso.

 

Também ajuda o facto de ele oferecer momentos como este.

 

 

Muito bem, por agora chega, terceira parte em breve.

 

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