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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Digimon 02 #8 - Não tão iluminada

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Tal como tinha referido anteriormente, quando vi 02 pela primeira vez, Kari era a minha personagem preferida. No entanto, agora que revi a temporada, não sei exatamente por que motivo gostava assim tanto dela. Talvez porque era a única rapariga que não era uma Mimi 2.0 ou sem sentido de humor (lembrem-se que eu pensava que Cody era uma rapariga). Talvez porque gostava do seu visual (vocês não imaginam durante quanto tempo andei à procura de luvas sem dedos...). Também acho que projetei muitas coisas nela.

 

À semelhança de T.K., Kari tornou-se mais confiante e desenrascada com a idade, mas de uma forma igualmente genérica. Além disso, Kari continua sobrenaturalmente altruísta (embora com menos martirização). Eu achei interessante ela ter dito, no episódio em que ela e Yolei desbloqueiam a Digievolução ADN, que não consegue exprimir livremente os seus sentimentos, dizer que tem medo. Continuamos sem saber ao certo porquê e, pior, não seria difícil arranjar uma explicação: poderia ser por ter adoecido gravemente em pequena e visto o efeito que isso tivera nos pais e no irmão e não querer ver mais pessoas sofrendo por sua causa. De qualquer forma, é uma boa explicação para a sua vulnerabilidade à influência do Mar Negro (para além do facto de, como encarnação da Luz, ser a inimiga natural da Escuridão, como diz Yolei). Assumindo que as Trevas funcionam como metáfora para a depressão e o pior lado da natureza humana, costuma-se dizer que as pessoas com mau feitio, que não reprimem os seus sentimentos, têm melhor saúde física e psicológica, vivem mais tempo. 

 

Podia, aliás, ter sido feito um paralelismo entre Kari e os percursos de Ken e Oikawa (de quem falaremos mais tarde), que, na sua solidão, permitiram que as Trevas os controlassem. Isso nunca aconteceu a Kari pois esta nunca esteve sozinha: tinha o irmão, Gatomon, T.K. e, mais tarde, Yolei. 

 

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O pior é que os guionistas não aproveitaram nada deste potencial e Kari, para grande irritação minha, acaba por passar demasiadas vezes por donzela em perigo, necessitando constantemente de ser salva, sobretudo por rapazes (o irmão, T.K., Davis...). Isto é particularmente evidente no sétimo e no décimo-terceiro episódio. No sétimo episódio, em que Kari fica presa numa cidade hostil no Mundo Digimon, Davis passa o tempo todo tentando armar-se em cavaleiro andante e com ciúmes de T.K. Para seu crédito, este último tem o bom senso de não alinhar nos jogos de um Davis movido a testosterona. E ao menos, neste episódio, Kari consegue salvar-se a si própria, de certa forma, ao fazer-se reconhecer pelo Andromon.

 

Quem me dera que o mesmo acontecesse no décimo-terceiro episódio. Neste capítulo sente o Mar Negro chamando-a através de pesadelos e alucinações e T.K. repara nisso. Focamo-nos brevemente nas inseguranças de Kari, na sua dependência de Tai (outro aspeto que podia ter originado uma linha narrativa interessante). Quando, finalmente, a jovem é transportada para o Mar Negro, ela encontra um grupo de Divermon escravizados por Espirais Negras do Imperador Digimon, que lhe pedem que os liberte e os proteja de um MegaSeadramon igualmente escravizado, para que possam regressar para junto do seu "deus das profundezas" (Dragomon). Pelo meio, Kari envia uma espécie de sinal de socorro a T.K. e Gatomon e estes vêm ter com ela ao Mar Negro. 

 

Ora, esta seria uma boa oportunidade para Kari ultrapassar as suas inseguranças, usar a sua própria Luz para digievoluir Gatomon e salvar-se a si mesma, mas não é isso que acontece. Gatomon digievolui para Angewomon por meio de um Deus Ex-Machina, T.K e Angewomon impedem os Divermon de reterem Kari para fazerem dela sua consorte (na versão japonesa... sim... os dobradores portugueses tiveram o bom senso de mudar para "a sua escolhida"). Para todos os efeitos, Kari mantém as inseguranças do início do episódio, T.K. passa por cavaleiro andante e, tal como disse antes, nunca mais voltamos a ouvir falar, nem dos Divermon, nem de Dragomon.

 

 

Uma palavra final para Gatomon. Em Adventures, ela era um dos Digimons ligados a Crianças Escolhidas mais maduros e interessantes, por ter sido escrava de Myotismon antes de encontrar Kari. No entanto, em 02 ela é relegada para o papel genérico dos outros companheiros Digimons. O que é estranho numa temporada com vilões complexos. Custa a acreditar que, enquanto as Crianças discutiam se Ken era ou não de confiança, se ela legítimo ou não matarem BlackWarGreymon, Gatomon não tivesse nada a dizer sobre o assunto. 

 

Talvez a personalidade de Kari se desenvolva em Tri mas, para ser sincera, não tenho grandes esperanças nisso. Entretanto, na próxima publicação, falaremos de uma personagem mais interessante...

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