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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Digimon Adventure Tri - Ketsui (Determinação) #1

1) Spoilers: as entradas desta série terão inúmeras revelações sobre o enredo do primeiro e segundo filmes de Digimon Adventure Tri e, possivelmente, dos enredos de Adventure e 02. Leia por sua conta e risco.

 

2) Alguns conceitos próprios desta série animada têm traduções controversas - na língua portuguesa, têm mais do que uma possível. Neste texto, vou adotar as traduções com que estou mais familiarizada e/ou que considero mais adequadas.

 

3) Apesar de as legendas do filme usarem os nomes japoneses das Crianças Escolhidas, eu vou usar as versões americanizadas dos nomes, visto que estou mais habituada.

 

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Quando estava para ver o primeiro filme de Digimon Adventure Tri, Saikai, não sabia o que esperar. Sabia que decorreria três anos após os acontecimentos de 02, com o elenco de Adventure, mais nada. Não tinha grandes expetativas, pelo menos não em concreto. Tal como escrevi antes, Saikai não foi apenas uma trip de nostalgia, foi um exemplo do que Digimon tem de melhor. No entanto, em termos de enredo, serviu apenas para colocar as peças no tabuleiro, para definir o conflito – deixou imensas perguntas por responder.

 

Com Ketsui (que significa Determinação ou Decisão), o segundo filme que estreou no passado dia 11 de maio, a história foi outra. Desta feita, já as premissas tinham sido mais do que estabelecidas, já tinha uma ideia mais concreta do que nos esperava. Para além disso, desta vez fiz questão de ir-me mantendo a par de todas as pistas, teasers, trailers e afins que fossem saindo. As expetativas foram aumentando. Sabendo desde já que o filme se centraria em Joe e Mimi, queria saber o que fariam com eles, como seriam as estreias de Rosemon e Vikemon. Queria saber que raio aconteceu aos miúdos de 02. Queria ver a evolução das dúvidas existenciais de Tai, do seu desentendimento com Matt e, já agora, queria descobrir mais do que se estava a passar com os outros miúdos. Queria algumas respostas às perguntas deixadas no fim de Saikai. Será que Ketsui correspondeu às expetativas?

 

Bem…

 

A análise a este filme tem mais ou menos o dobro da extensão da análise a Saikai, pelo que virá dividida em duas. Esta é a primeira parte, publico a segunda assim que puder. Comecemos pelo resumo do filme, mais uma vez adaptado da Wikipédia:

 

Enquanto Joe fica em casa a estudar para os exames de acesso à faculdade, os Escolhidos e seus Digimons vão de passeio a uma estação termal, onde eles se deparam com Daigo Nishijima e Maki Himekawa. Na estação termal, as raparigas passam por uma inconveniência quando Biyomon e Meicoomon são separadas delas e acabam por invadir o balneário dos homens. Após o passeio, Maki e Daigo testam armas especializadas contra um Ogremon infetado que havia aparecido. Ogremon acaba por ser levado de volta para o mundo digital por Leomon. Mais tarde, enquanto Mimi preparava um café temático de meninas de claque para o festival cultural da escola, Ogremon regressa, desta feita na zona onde Mimi e Meiko se encontram. Mimi tenta lutar contra o Ogremon infetado, na esperança de melhorar a reputação dos Digimons. No entanto, os ataques de Togemon provocam a queda de um helicóptero de notícias nas proximidades, resultando no efeito oposto. Enquanto Leomon se aproxima dos Escolhidos, explicando o que aconteceu com Ogremon quando ele ficou infetado, Mimi é repreendida pelos amigos pelas suas ações aparentemente egoístas. Enquanto Mimi lamenta o quão egoísta ela tem sido, ela ouve Joe dizendo que ele tem evitado os combates com os Digimons para tentar encaixar-se na idade adulta, lamentando sua própria covardia.

 

No dia seguinte, Gomamon decide fugir da casa de Joe, Izzy recebe uma mensagem estranha em código digital. No dia do festival cultural, Meiko mostra o seu apoio a Mimi vestindo o fato de menina de claque que as duas tinham desenhado para o café. Entretanto, os Digimon infiltram-se no festival para tentar ganhar um concurso de máscaras para comerem de graça no festival. Gomamon reencontra-se com Joe e diz-lhe que fugiu porque sentiu que Joe não queria mais lutar a seu lado. Joe enfurece-se e deixa Gomamon sozinho. Nessa altura, Meicoomon é capturado por Ken Ichijouji, que parece ter revertido para o seu alter-ego Imperador Digimon. Palmon e Gomamon, juntamente com um Leomon parcialmente infetado, perseguem-no até um portal das distorções digitais. No interior da distorção, Ken aparece lado a lado com um Imperialdramon infetado, sendo que Imperialdramon é (o nível Extremo/Hiper Campeão da fusão dos Digimons Wormmon e Veemon, parceiros Digimon dos antigos Escolhidos Ken Ichijouji e Davis Motomiya). Kari convence Joe regressar para junto de Gomamon e lutar ao lado dele. Superando suas próprias preocupações em nome do seu parceiro, Joe consegue fazer Gomamon digievoluir pela primeira vez até seu nível Extremo/Hiper Campeão, Vikemon. Mimi também consegue fazer Palmon digievoluir até sua forma no nível Extremo/Hiper Campeão, Rosemon. Até esse momento, apenas Agumon e Gabumon tinham conseguido atingir esse nível, no caso destes WarGreymon e MetalGarurumon. Os Digimons conseguem derrotar Imperialdramon e regressar com segurança ao Mundo Real. No entanto, Meicoomon torna-se de repente hostil, matando Leomon e escapando para o mundo digital.”

 

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Um dos maiores problemas de Ketsui diz respeito aos fillers. Uma das coisas que elogiei na primeira temporada de Adventure foi o facto de não ter quase nada só para encher chouriços, quase tudo o que acontecer contribui para avançar a história ou, pelo menos, para desenvolver as personagens e as relações entre elas. Uma pessoa ainda pode tolerar um ou outro filler numa série de televisão normal, com episódios todas as semanas, mas esta uma série de apenas seis filmes, que só saem de tantos em tantos meses. É no mínimo frustrante termos passado semanas especulando sobre este filme, sobre os mistérios apresentados em Saikai, para depois Ketsui perder tempo com uma visita a uma estância termal e um festival cultural em que pelo menos metade das cenas são irrelevantes, os combates entre Digimons serem despachados em minutos e quase todas as perguntas ficarem por responder.

 

O dia passado na estância termal sempre serviu para fazer alguns desenvolvimentos discretos, se não tanto em termos de enredo, pelo menos em termos de personagens. Não sou grande fã de Meiko, mas, sendo eu uma pessoa um bocadinho tímida e introvertida, identifico-me um pouco com ela. Gostei da maneira calorosa como os Escolhidos (resolvi deixar de dizer Crianças Escolhidas pois o termo, obviamente, já não faz sentido) receberam o novo membro do grupo, sobretudo Mimi (mais sobre isso adiante). Por outro lado, isso fez com que Meiko roubasse o protagonismo à maior parte dos Escolhidos que conhecemos e adoramos quando a novata não é assim tão interessante como personagem – a partir de certa altura, os seus modos envergonhados começam a cansar.

 

O episódio das termas serviu também para mostrar um pouco da relação entre Meicoomon e Meiko (uma nota: só eu acho irritante o facto de uma Escolhida e o seu Digimon terem praticamente o mesmo nome? Que falta de imaginação…). Os companheiros dos Escolhidos sempre foram, regra geral, um pouco acriançados mas Meicoomon chamou-me a atenção por ser extremamente dependente de Meiko, quase como uma criança pequena depende da sua mãe. Tendo em conta o que acontece no final do filme, este comportamento gera algumas suspeitas. Eu, pelo menos, gostava de saber exatamente como é que Meiko se tornou uma Escolhida e conheceu Meicoomon – sobretudo tendo em conta que, ao que parece, ela e Maki já se conheciam havia algum tempo (desde o início de Saikai?).

 

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Também deu para descobrir um bocadinho mais sobre a misteriosa organização governamental e, sobretudo, sobre os agentes que conhecemos: Daigo e Maki. Percebe-se que Daigo gosta dos miúdos, preocupa-se genuinamente com eles. Maki é mais desprendida (de uma maneira que chega a causar impressão, conforme veremos adiante), mais focada no trabalho que tem de fazer. Percebe-se que a intenção da organização é manter os Escolhidos de fora dos combates, dentro do possível. Se por um lado se compreende que eles não queiram depender de adolescentes para proteger a população, por outro é óbvio que há coisas que eles querem esconder dos Escolhidos – sobretudo aquelas armas especiais para Digimon, calculo eu. Aparentemente, os miúdos não vão muito na conversa deles. Algo que é de esperar, sobretudo Izzy, que sempre gostou de ter a informação toda e que, por esta altura, começa a assumir, discretamente, o papel de líder do grupo. Eu mesma, se estivesse habituada a salvar o mundo desde uma idade em que alguns ainda não sabem apertar atacadores, também ficaria incomodada se, de repente, viessem adultos fazer o trabalho por nós. 

 

Por fim, segundo T.K., a viagem às termas serviria também, mais uma vez, para ver se Tai e Matt fariam as pazes. Eu não sei qual é a melhor maneira de persuadir dois rapazes de dezassete anos a ter uma conversa franca, mas não me parece que metê-los seminus numa sauna e/ou fonte de água quente seja a opção mais eficaz. Na verdade, nesta altura do campeonato, eu recomendaria um terapeuta de casais. Mas já falaremos do “casalinho” adiante.

 

Tirando isso, as cenas nas termas foram mais fanservice e humor fácil que outra coisa qualquer. Algumas semanas antes de sair Ketsui, eu tinha-me queixado pelas internetes fora por, em materiais promocionais, as raparigas aparecerem em biquíni e os rapazes completamente vestidos. Ao menos agora repôs-se a igualdade… E, confesso, diverti-me demasiado com a cena em que as meninas invadem o balneário masculino. Mimi cantando I Wish para distrair os homens? Impagável! Claro que tinha de vir T.K. em socorro de Kari, qual Cavaleiro Andante em pelota. Por outro lado, Meiko pode ser muito envergonhadinha e tal, mas teve lata suficiente para dar uma espreitadela a Tai.

 

 

Enfim, isto pode ter sido só fanservice e tal, podia (acho mesmo que devia) ter sido cortado do filme sem grandes consequências, mas ao menos conseguiu fazer-me rir como uma parvinha. O mesmo não posso dizer do festival cultural, que tem os seus momentos, mas perde demasiado tempo com cenas irrelevantes.

 

Lá iremos. Depois de Tai ter sido o protagonista de Saikai, em Ketsui o protagonismo é dividido entre Mimi, Joe e, em parte, Meiko. Mimi foi uma das minhas personagens preferidas em Saikai e o mesmo torna a acontecer neste filme. Conforme escrevi antes, em contraste com os seus modos caprichosos e irritantes em Adventure, em Tri, Mimi traz vida e alegria a um grupo que, por esta altura, tem tendência a cair no desânimo – com um Tai invulgarmente apático, um Matt sempre de mau humor, uma Sora constantemente tentando manter a paz, um Joe sempre ausente e Izzy e Kari, personagens mais discretas. Mimi é extrovertida, despreocupada, incapaz de duplicidade ou hipocrisia, de esconder o que pensa e sente – algo que se vira contra ela, neste filme. Mimi enfrenta Ogremon quando este aparece segunda vez no Mundo Real, ajudada apenas por uma inexperiente Meiko, contrariando instruções explícitas de Izzy, numa tentativa de mudar a opinião pública sobre os Digimon. No entanto, sai-lhe o tiro pela culatra quando Togemon atira um helicóptero da Comunicação Social para o lago.

 

Leomon acaba por levar Ogremon de regresso ao Mundo Digital – o confronto de Ogremon com Togemon e Meicoomon não dura muito, depois de o mesmo ter acontecido com a primeira aparição de Ogremon no Mundo Real. No rescaldo do combate, Mimi leva nas orelhas por ela não ter esperado pelos amigos, chegando a ser apelidada de egocêntrica por parte de Izzy.

 

Todos concordam que existe verdade nas palavas de Izzy, incluindo a própria Mimi. A jovem leva as críticas do amigo muito a peito, até porque acaba por ouvir críticas semelhantes a propósito da sua ideia para o café temático do festival cultural. Para ser justa, eu adoro-te Mimi, mas eu também não quereria ser transformada numa empregada do Hooters, que é a inspiração de Daters, a cadeira de restaurantes americana ficcional que Mimi refere (para aqueles que não sabem, Hooters é uma cadeira de restaurantes americana em que as empregadas usam trajes reduzidos e a sua função é esbanjarem sex appeal. Pelas descrições, parece-me nojento. Ao menos em Daters são meninas de claque, o que sempre é um bocadinho melhor. Só um bocadinho…).

 

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Desde que a conhecemos, Mimi diz o que pensa e sente e a verdade é que a narrativa não a tem censurado por isso – pelo contrário, é-lhe atribuído o Cartão da Sinceridade. O mesmo acaba por acontecer em Ketsui, de certa forma, pois os Escolhidos que, neste filme, tentam esconder o que estão a pensar e a sentir não o fazem muito bem. Joe diz a Mimi, com razão a meu ver, que mais vale ser-se egocêntrica mas honesta, agir de acordo com as convicções, do que cobarde – mais sobre isso adiante. Mais tarde, Meiko executa a ideia de Mimi para o café temático. Sora faz as fatiotas, piscando o olho ao epílogo de 02 (Lindos meninos, digi-guionistas, lindos meninos!). Acabam por chegar a um meio-termo com as colegas: apenas Mimi e Meiko vestir-se-ão como meninas de claque. Isto é o suficiente para fazer com que Mimi recupere o ânimo.

 

Eu gosto da amizade que se formou entre Mimi e Meiko. Noutra qualquer história de adolescentes, uma personagem feminina semelhante a Mimi seria aquela miúda popular do liceu, que rebaixaria pessoas mais tímidas e discretas, como Meiko. Mimi faz o exato oposto, passa o filme quase todo tentando espevitar a nova amiga, fazer com que ela perca a timidez. É essa a qualidade redentora de Mimi. Para além de ser incapaz de duplicidade, ela tem o coração no sítio certo, não precisa de pisar ninguém para se sentir bem consigo mesma. A amizade entre Mimi e Meiko fez-me lembrar, aliás, a amizade entre Kari e Yolei, em 02. Tri chegou a fazer quase copy-paste do diálogo do episódio da digievolução ADN, em que Kari diz que admira Yolei por esta ser capaz de exteriorizar os seus sentimentos, ao contrário dela. Faz sentido pois, como escrevi antes, Yolei é praticamente uma cópia de Mimi e Kari tem também um lado reservado (ainda que este não se note tanto agora, que está mais velha e entre amigos que conhece há anos). Esta amizade caracteriza mais Mimi do que Meiko, contudo. Esta continua o mesmo enigma que era no início de Saikai.

 

Os problemas de Joe em Ketsui são mais complicados. O jovem continua a manter-se afastado da ação por causa dos estudos mas, tal como adivinhei, a questão é mais complicada que uma simples incompatibilidade de horários. Joe está numa altura crucial da sua vida, para o seu futuro, e sente que o seu dever como Escolhido é algo que o prende ao passado. E a verdade é que ele nunca escolhera ser… bem, uma Criança Escolhida, tal responsabilidade fora-lhe imposta – estou até admirada por ser esta a primeira vez, tanto quanto me lembro, em que um deles se revolta contra a condição de Escolhido. Por isso, vai usando o trabalho académico para se esquivar aos outros Escolhidos, mas a verdade é que ele também não está a ser particularmente bem sucedido nos seus estudos. Tudo isto faz com que Joe acumule autocomiseração, se sinta um cobarde, alienando Gomamon no processo.

 

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Acho que nunca vimos Joe tão em baixo. Como li no Twitter, ele parecia preso numa canção dos Simple Plan em início de carreira. Eu tive vontade de abraçá-lo, sobretudo nos momentos em que desfez em lágrimas. Não é fácil ver uma personagem que conhecemos e adoramos há tantos anos a sofrer.

 

Antes de voltar a falar sobre Joe, queria falar sobre outra personagem enfrentando um dilema semelhante: Tai. Apesar do que aconteceu na batalha final de Saikai, o jovem continua essencialmente com as mesmas dúvidas sobre o que estão a fazer. O problema é que, desta feita, ele não fala disso. Ele podia ter aproveitado o incidente do helicóptero para dizer algo como: “Estão a ver? É disto que tenho tido medo! Aquelas pessoas podiam ter morrido! Podemos falar sobre isto, por favor?”. Em vez disso, fica calado e deixa Mimi arcar com a culpa – mesmo depois de, em Saikai, ele e os outros terem causado danos semelhantes. Mimi foi imprudente, sim, mas ao menos tentou mudar uma situação com a qual não estava satisfeita, o que é mais do que podemos dizer de Tai. Como diria Joe, mais vale ser-se egocêntrico do que cobarde e, por muito que me custe dizer isso, Tai está a agir como um cobarde. Chega a ser doloroso vê-lo tão apagado, perdendo a liderança do grupo para Izzy. Eu compreendo que ele tenha medo de que Matt se chateie a sério e se afaste do grupo (algo que chegou a fazer temporariamente em Saikai) caso perceba que Tai continua com dúvidas, mas, pela maneira como as coisas estão, acho que Matt se vai chatear mais cedo ou mais tarde, quanto mais não seja pelo silêncio de Tai. E, para ser sincera, eu até estava do lado de Tai no primeiro filme, mas já começo a torcer para que Matt lhe dê um murro, como costumava fazer antes. A sério. Yagami, rapaz, eu adoro-te, mas, em nome de todos os monstrinhos digitais, recompõe-te!

 

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A paciência pode ainda não se ter esgotado a Matt em relação a Tai, mas esgotou-se a Gomamon em relação a Joe. O Digimon andava a fazer o que podia para apoiar o seu Escolhido (incluindo noodles com um ovo estrelado por cima, inveja…), mas a certa altura percebe a mensagem e sai da casa de Joe, sem lhe dizer nada. Pode ter sido um bocadinho infantil, sobretudo a parte de Gomamon pedir a Izzy que não diga onde ele está, mas era a única maneira de obrigar Joe a enfrentar a verdade.

 

Curiosamente, é Kari quem chama Joe à razão. A jovem faz-lhe ver que que, mesmo que Joe não saiba o que está a fazer com a sua vida, mesmo que Joe precise de uma explicação para a sua condição de Escolhido, Gomamon fora Escolhido com ele. Eles estavam naquilo juntos e Joe não lhe podia voltar as costas, independentemente de quem os escolheu para aquela missão que não parece ter fim. O jovem percebe isto numa altura em que Gomamon lutava contra Imperialdramon (mais sobre isso adiante).

 

Poder-se-á traçar um paralelismo entre o arco de Joe em Ketsui e o arco de Tai em Saikai. Ambos enfrentam sérios dilemas sobre o seu dever como Escolhidos ao longo dos respetivos filmes. Eventualmente, cada um dos rapazes se vê entre a espada e a parede e é obrigado a lutar, não necessariamente porque tenham ultrapassado aquilo que os incomodava, antes por alguém de quem gostam. No caso de Tai, esse alguém é Matt. No caso de Joe, esse alguém é Gomamon.

 

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A questão que se coloca é se as dúvidas de Joe estão de facto ultrapassadas ou apenas temporariamente silenciadas. Ficou claro neste filme que Tai não ultrapassou as suas. Estas, aliás, terão feito com que Omegamon/Omnimon se desfizesse. Não que isso tenha tido consequências práticas (só depois de ver Ketsui é que fui rever essa cena e reparei que, realmente, Omegamon começa a desfazer-se um ou dois segundos antes de Alphamon fugir pela distorção), mas foi o suficiente para Matt ficar ainda mais irritado.

 

 

Por sua vez, Joe pareceu seguro de si durante a luta com Imperialdramon. Talvez fazer alguma coisa, tomar uma decisão (será daqui que vem o título Ketsui?) e ser bem sucedido lhe seja suficiente para sair do buraco onde caíra, para se deixar de se sentir como um cobarde. É provável que o jovem ainda não saiba ao certo como conjugar os seus deveres académicos com os seus deveres como Escolhido, mas eu quero acreditar que Joe não tornará a virar a cara à luta, nem que seja só por Gomamon.

 

Por fim, dizer apenas que houve quem estranhasse ser Kari a aconselhar Joe, mas eu acho que faz sentido. Para além de dar a Kari algo para fazer, acabámos de ver que o dilema de Joe não é muito diferente do dilema de Tai. Acredito que, no futuro, a jovem voltará a intervir, desta feita para ajudar o seu onii-chan.

 

Mas continuo a achar que a maneira mais eficaz de fazer Tai acordar para a vida é um murro bem dado por Matt.

 

E com este pensamento concluímos a primeira parte da análise a Ketsui. Segunda parte em breve.

 

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