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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quarta temporada, segunda parte

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Hoje analisamos, finalmente, a segunda parte da quarta temporada da série de fantasia Once Upon a Time. Podem ler a análise à primeira parte aqui.

 

Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o final da quarta temporada.

 

O principal tema desta meia temporada - que já fora insinuado na primeira metade - disse respeito às diferenças (ou não) entre Heróis e Vilões, entre o Bem e o Mal, sobretudo no que concerne ao acesso a finais felizes. A narrativa (re)começa com o regresso de Gold a Storybrooke (depois de Belle o ter expulso anteriormente), acompanhado pelas muito publicitadas Queens of Darkness/Rainhas do Mal. Este quarteto de vilões veio à procura dos seus próprios finais felizes, tencionando obtê-los através do Autor do livro de Henry (Autor esse que Regina procurava, igualmente). Para que o Autor pudesse escrever-lhes finais felizes, precisavam que Emma, a Salvadora, para o lado das trevas.

 

Estas premissas - as Rainhas do Mal, a possível Dark Saviour - foram muito publicitadas, mesmo antes de a série recomeçar, em inícios de março. Na minha opinião, este overhype prejudicou a percepção da narrativa. As Rainhas do Mal acabam por ter um papel muito secundário, defraudando-nos as expectativas. Em relação ao arco da Dark Saviour, até terminou com um excelente twist - mesmo assim, na minha opinião, podiam ter lidado com esta linha narrativa com mais subtileza; a certa altura, só faltava termos as personagens gritando: "Ai que a Emma vai ficar má! Ai que a Emma vai ficar má!"

 

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Já voltaremos à parte de vamos-encher-o-coração-da-Salvadora-com-vilania; antes disso, abordarei rapidamente as Rainhas do Mal. Ursula, que foi a primeira a ser "despachada" da narrativa, tinha uma história interessante. No entanto, não percebo o que ela fez para receber o título de vilã: não a vi tomar nenhuma ação que considere vilanesca, tirando a parte em que atira Hook para o mar - e, de qualquer forma, já antes era Team Villan.

 

Cruella é um caso completamente diferente. Pela primeira vez na série, em lugar de alguém que optou por maus caminhos após uma vitimização ou por um defeito exacerbado (irresponsabilidade, ciúme...), Cruella é uma autêntica sociopata, o que subverte o princípio de OUaT: "evil isn't born, it's made", mas, ao contrário de outras ocasiões nesta meia temporada, este aceita-se por ser realista. Só é pena que Cruella pouco mais tenha sido que uma marioneta de Gold - como vilã principal seria espetacular.

 

Por sua vez, Maleficient surgiu sob uma nova luz, à procura da filha perdida. Gostei de ver esse novo lado (o momento em que ela recupera a roca parte o coração a qualquer um), mas gostaria de ter visto mais do seu passado - sobretudo a típica história de como começou a praticar atos vilanescos.

 

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Se eu até gostei de Maleficient nesta meia temporada, o mesmo não posso dizer da sua filha, Lily. Nem da história que a envolve. Já tinha achado a personagem uma seca quando surgiu, assim do nada, a meio do arco de Frozen. Na altura, desvalorizei-a, tomei Lily como mais uma pessoa que enganara Emma quando esta era mais nova, explicando o motivo pelo qual, no início da série, não confiava em ninguém, etc, etc. Sendo isto Once Upon a Time, devia ter calculado que Lily iria aparecer de novo - ou melhor, até calculei, apenas não ansiava por esse regresso.

 

Essa linha narrativa foi o que menos gostei nesta temporada. Descobrimos que, durante a gestação de Emma, Snow e Charming assustaram-se ao descobrir que a sua criança tinha potencial tanto para a luz como para a escuridão (por outras palavras, seria humana). Pediram ajuda ao Aprendiz de Feiticeiro e este praticou um feitiço que transferiu o potencial lado negro de Emma para a filha de Maleficient que, no processo, foi parar ao Mundo Real.

 

Achei esta história uma estupidez completa. Para começar, foi claramente enfiada a martelo. Segundo, fez-me odiar o casal Snow e Charming pois o que fizeram (ou, pelo menos, o que queriam fazer), foi uma cobardia. Para além dos danos que causou a Lily, eles demitiram-se do seu papel como pais - em vez de procurarem educar a filha para que fosse uma boa pessoa, como desejavam, optaram por um atalho. Muitos consideraram exagerada a reação de Emma a esta descoberta, mas eu compreendi-a perfeitamente. Como reagiriam vocês se descobrissem que todas as vossas grandes decisões foram tomadas por forças superiores alheias, apenas porque os vossos papás não quiseram tentar, sequer, educar-vos?

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Faz-me lembrar uma citação do Ciclo da Herança: "Poderá uma pessoa ser verdadeiramente boa se nunca tiver oportunidade de agir mal?"

  

A parte mais estúpida desta história toda é que não se percebe que efeito o feitiço teve em Emma, isto se teve algum. Uma pessoa esperaria que, deste feitiço, resultasse uma autêntica princesa da Disney, de uma bondade sobrenatural. E a Emma Swan que conhecemos tem sido tudo menos isso. Têmo-la visto fazendo coisas que, não sendo propriamente vilanescas, não podem ser consideradas virtuosas. Ela e Neal deram uma de Bonnie e Clyde enquanto jovens; vimo-la mentir a Henry mais do que uma vez por motivos egoístas; várias vezes ao longo da série procurou fugir em vez de lutar... Nada disto encaixa na ideia (já de si utópica) de uma pessoa cem por cento boa. Pura e simplesmente não faz sentido. 

 

Por sua vez, Lily acaba por não ser assim tão diferente de Emma, tirando uma suposta tendência para tomar decisões erradas. Não fosse a história do feitiço, ela seria o género de pessoas irritantes que culpam entidades externas pelos próprios erros. Lily só (re)apareceu nos últimos episódios da temporada e a série quis desesperadamente dar-lhe protagonismo, obrigar-nos a importarmo-nos com ela - no entanto, a personagem não me convence. Até gostei da interação entre Lily e Maleficient, mas mais por causa da mãe do que da filha. Se querem integrar Lily no elenco central da série, vão ter de desenvolvê-la mais.

 

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Entretanto, no meio desta confusão, aquela que terá sido a segunda maior surpresa da temporada foi o regresso de Zelena. A bruxa verde esteve quase um ano escondida à vista desarmada, sob a forma de uma Marian vinda do passado para arruinar a vida amorosa de Regina (a verdadeira Marian terá sido assassinada por Zelena, depois de Emma e Hook a terem libertado durante a sua viagem no tempo). Aquando do regresso, eu fiquei satisfeita. Zelena pode não ser a vilã mais interessante da série, nem a melhor construída, mas é sem dúvida uma das mais carismáticas, apenas suplantada por Regina em completo modo Evil Queen. É evidente que Rebecca Mader, a atriz que lhe dá vida, se diverte à grande com este papel - vejam só o vídeo abaixo:

 

 

O pior foi que, pelo menos até agora, o regresso de Zelena só serviu para que esta engravidasse de Robin, complicando ainda mais a vida amorosa de Regina. Este percalço desagradou a muitos fãs e concordo que, numa série de magia e fantasia, um desenvolvimento de novela da TVI é, no mínimo, dececionante. Não dá para perceber se a criança fazia parte do plano da Zelena ou se foi um (in)feliz acaso. Se fazia parte do plano, trazer um ser humano ao mundo para apenas manter Regina e Robin separados parece-me fútil - plausível, mas fútil. Até porque não resultou. Talvez a criança obrigue Zelena a confrontar os seus problemas de abandono - aqueles que motivam o seu ódio a Regina. Talvez a criança sirva para uma redenção de Zelena a longo prazo. Por outro lado, já foi avançada outra maneira que Zelena poderá seguir de arruinar a vida a Regina... mas já aí vamos.

 

O triângulo Regina-Robin-Marian/Zelena nem sequer foi o mais enfadonho da meia temporada. Tal honra coube a Rumple-Belle-Will. O Valete de Copas continua perdido em Storybrooke, sem que ninguém saiba ao certo porque veio, o que anda por lá a fazer. Nesta meia temporada, apenas serviu como prémio de consolação de Belle. Infelizmente, tão cedo não deverá encontrar melhor utilidade em OUaT uma vez que o ator, na próxima temporada, perderá o estatuto de personagem regular. Enfim...

 

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Infelizmente, Will nem é o pior vértice deste triângulo. Depois de Belle ter conquistado o meu respeito expulsando Rumple de Storybrooke, foi triste vê-la sendo repetidamente manipulada pelo ex-marido. Este, por sua vez, nesta meia temporada, bateu no fundo. A meu ver, perdeu qualquer direito a redenção, só o reconquistaria após um ato do género daquele que praticou para derrotar Pan. Houve, no entanto, um alteração na sua condição de Dark One e estou interessada no que o futuro reserva para o eterno Mr. Gold (mais sobre isso adiante). Por outro lado, não quero que Belle volte para Rumple até que este pratique o tal ato redentório.

 

Em diametral oposição, está o casal Hook e Emma. Alguns fãs queixam-se do pouco destaque do casal, mas eu considero que os momentos CaptainSwan vieram na dose certa. Numa meia temporada tão agitada para Emma, Hook foi provavelmente a sua maior fonte de apoio e consolo, tudo isto com gestos simples mas que valem mil palavras. Sabe bem ver Emma abraçando o amor romântico, depois de ter passado a série quase toda evitando-o.

 

 

Há quem considere Emma e Regina como outro dos casais de OUaT. Eu não, mas outra das coisas que me agradou nesta meia temporada foi a parceria entre ambas. À semelhança de Hook, também Regina serviu de apoio a Emma. Estas duas mulheres têm muito em comum, podem ser consideradas as duas faces da mesma moeda, tendo ambas evoluído muito ao longo da narrativa. Para mim, são elas as protagonistas de Once.

 

Outro aspeto de que gostei nesta meia temporada foi do regresso de August, que sempre foi um dos meus preferidos - por ser escritor, como eu. Ele voltou devido a uma das principais linhas narrativas: a busca pelo Autor do livro de Henry. Descobre-se que este, em vez de se limitar a registar os eventos ocorridos na Enchanted Forest, usou o seu poder para manipular a vida do elenco da série a seu bel-prazer, chegando ao extremo de fazer flip-flop nos heróis e vilões (falaremos sobre isso mais adiante).

 

Gostei do conceito dos diferentes Autores. No entanto, acho que se desperdiçou uma oportunidade para se explorar a natureza, não só da Enchanted Forest, como também de todos os outros mundos explorados pela série: o País das Maravilhas, Oz, a Terra do Nunca, etc. Podíamos descobrir que todos estes mundos foram criados a partir de ficções escritas no Mundo Real - mais ou menos como chegou a ser indiciado na primeira temporada.  Os eventos descritos no livro de Henry, envolvendo o elenco principal poderiam ser obra de algum Autor que tivesse querido - lá está - pegar nas histórias tradicionais e dar-lhes um toque diferente. Seriam premissas fascinantes, que dariam aos guionistas (melhores) desculpas para saírem do espectro mais tradicional dos contos de fadas. Tudo o que fizeram com a história dos Autores, contudo, foi lamberem as botas piscarem o olho a Walt Disney e pouco mais. Pode ser que, no futuro, desenvolvam melhor o conceito, mas duvido.

  

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Em relação ao Autor em destaque nesta meia temporada, Isaac, não gostei dele, ao contrário do que seria de esperar. O homenzinho não apresenta nenhuma qualidade redentora, nenhuma motivação que não uma vingança mesquinha e mal-direcionada (teria tido muito mais graça se o homem tivesse feito aquilo, pura e simplesmente, pelo gozo de escrever uma boa história). Não deixará saudades. 

 

De qualquer forma, o elenco de Once Upon a Time deve dar graças por não lhes ter calhado a Shonda Rhimes como Autora.

 

É precisamente Isaac quem lança as premissas para o episódio duplo de final de temporada - episódio esse que merecia um texto à parte. Depois de Regina perceber que, afinal de contas, não precisa de um Autor manipulando a realidade para ser feliz, Isaac alia-se a Gold e, seguindo as instruções do Dark One, escreve uma nova realidade em que os bons viram maus e os maus viram bons.

 

São claras as semelhanças entre Operation Mongoose e o final da terceira temporada: ambos funcionam como histórias independentes, quase como um filme; ambos decorrem na Enchanted Forest, apresentando variações à realidade pré-Storybrooke que todos conhecemos dos primeiros episódios de Once. E ambos são os meus preferidos das respetivas temporadas. Espero que, no entanto, não mexam na história uma terceira vez, que começa a cansar.

 

Em primeiro lugar, gostei de ver Henry (o único sem espaço na nova realidade de Isaac) assumindo um papel central, depois de uma temporada inteira sem muito que fazer. Também gostei de ver Snow e Charming o papel de maus da fita, deu para ver que os atores se divertiram à grande - mesmo assim, em vez de procurar imitar a Evil Queen, preferiria ver Snow como a princesinha mimada em que se costuma transformar sempre que entra em modo má da fita.

 

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No entanto, a personagem que mais gostei de ver neste episódio foi Emma. Aquando dos primeiros anúncios e sneak peeks, esperava vê-la como vilã. Não foi o que aconteceu, mas pudemos ver um lado diferente da eterna Savior, um lado mais enlouquecido - ela que, habitualmente, é tão composta, o elemento mais terra-a-terra de Storybrooke, a única com um sentido prático das coisas no meio de tanta magia, tanto príncipe e princesa, tanto herói e vilão. Que delícia vê-la nesta cena!

 

Por outro lado, foi recompensador ver Emma, pela primeira vez, completamente à vontade num mundo de magia, abraçando completamente o seu papel de heroína e Salvadora - quando, no final da temporada anterior, ainda se sentia fora do seu elemento na Enchanted Forest.

 

Pena foi ela ter tido de testemunhar, uma vez mais, a morte do homem que amava. Felizmente não foi real (eu ainda matava alguém...), mas achei desnecessário, um mero artifício para dar dramatismo. Em todo o caso, o reencontro com Hook, depois de apagada a escrita de Isaac, foi amoroso na dose certa - ainda que eu tenha ficado desiludida por Emma, depois do discurso que fizera a Regina, não ter dito a Hook que o amava. É compreensível, mas frustrante. Eu sei que Emma di-lo mais tarde, mas fê-lo numa altura em que não tinha nada a perder. Isso é batota. Algo que, infelizmente, ela já tinha feito com Neal.

 

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Mas passemos à parte do episódio de que toda a gente passou o verão a falar. Ao associar-se ao Autor, alterando as histórias dos habitantes de Storybrooke, Rumplestilskin cometeu o derradeiro ato maligno, permitindo à essência do Dark One apoderar-se do seu coração. Numa tentativa de lhe salvar a vida, o Aprendiz de Feiticeiro removeu a essência do Dark One do seu coração. Tentou contê-la dentro do Chapéu de Feiticeiro, mas não é bem sucedido e a Escuridão escapou-se para as ruas de Storybrooke. Eventualmente, tentou apoderar-se de Regina. Numa tentativa desesperada de salvar a vida da amiga, Emma entregou-se à Escuridão, tornando-se o novo Dark One - ou, como já é conhecida na comunidade de fãs, Dark Swan.

 

Como poderão concluir, este final de temporada fez surgir uma infinidade de perguntas, mais do que qualquer outro episódio da série, mais até que a conclusão de A Land Without Magic, em que Rumple trouxe magia para Storybrooke.

 

Pensando a curto prazo  em termos de evolução da personagem, este arco será ótimo para Emma. Tal como referi acima, anseio por ver um lado diferente da protagonista, por ver uma Emma mais solta, mais enlouquecida, como a que espreitámos no final da temporada. Espero que alguns dos traços que Emma ganhe permaneçam quando, eventualmente, ela deixar de ser a Dark Swan.

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Também estou curiosa relativamente ao futuro imediato de Gold, agora que tem o coração limpo da essência do Dark One, que papel desempenhará no salvamento de Emma. Não acredto que ele se vá tornar bonzinho assim, de um momento para o outro - não me admiraria, aliás, se ele tentasse matar Emma para recuperar a magia negra. 

 

Sabemos, igualmente, que visitaremos um mundo novo, Camelot, e espreitaremos uma versão OUaT dos mitos arturianos. Como fã de As Brumas de Avalon, terei um interesse especial nessas histórias - espero que a obra de Marion Zimmer Bradley tenha inspirado os guionistas. Já sabemos que vamos conhecer Merlin (o único que poderá salvar Emma da Escuridão), bem como Arthur, Lancelot, Guinevere (representada por uma portuguesa, Joana Metrass). Mas não devemos ficar por aqui, já que um dos novos episódios da quinta temporada intitulado "Nimue". Esta é uma personagem menos conhecida do mito arturiano mas, tanto nas lendas como n'As Brumas de Avalon, Nimue - um dos nomes possíveis para a Dama do Lago - seduz Merlin, conduzindo-o à sua destruição. No livro, é, aliás, filha de Lancelot e tem uma história trágica: acaba por se apaixonar por Merlin e, aquando da execução do seu amante, ela suicida-se. Estou, desse modo, curiosa relativamente à abordagem dos guionistas à história de Nimue.

 

Pensando a um prazo mais longo, as primeiras perguntas que eu fiz depois de ver o nome de Emma na adaga dizem respeito à natureza da essência do Dark One. Tenho-me interrogado se esta Escuridão terá alguma semelhança ao Homem de Negro/Monstro de Lost: algo que Merlin, o Feiticeiro, à semelhança de Jacob, terá sido encarregado de combater ou, pelo menos, de tentar controlar. Se será a fonte de toda a magia negra. Se a série terminará com a destruição dessa essência negra, quem sabe se às mãos de Emma, Regina ou mesmo Gold. São possibilidades fascinantes. 

 

Só espero que esse confronto final ainda demore, que eu ainda não estou preparada para me despedir de OUaT.

  

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Já que falo de Lost, outra coisa que me fez recordar a série em Once Upon a Time foram certas insinuações da dicotomia Destivo vs. Livre Arbítrio. O Destino tem servido de resposta a questões tão antigas como "Como é que Gold foi encontrar o filho da Salvadora para Regina adotar?", o que não me agrada. O Destino acaba por servir por mascarar os inúmeros deus ex-machinas a que a série recorre frequentemente. É um dos motivos pelos quais a história envolvendo Lily não me cativou e Emma demorou muito tempo a convencer como protagonista, sobretudo durante as segundas e terceiras temporadas (quando era evidente que ela não tinha particular interesse em estar em Storybrooke, para além das exigências do enredo). Por norma, prefiro que sejam as ações das personagens a empurrar a história para a frente, em vez do contrário.

 

Àparte isso, só sei que nunca ansiei tanto por uma temporada de Once Upon a Time. Felizmente, faltam menos de duas semanas. Camelot e, sobretudo, Dark Swan intrigam-me muito mais que a Terra do Nunca e a adaptação de Frozen me intrigaram na altura. Tem-se comentando, aliás, que, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, particularmente o último, o apelo desta quinta temporada tem sido mais direcionado aos fãs de longa data: o papel ainda mais central da protagonista, o recentemente anunciado regresso de Ruby e Mulan, mesmo Camelot enquadrar-se-ia nesse critério, uma vez que a série já fez umas quantas referências à mitologia arturiana. Confio nestes guionistas já que, por muito que me irritem coisas como as constantes importações de figuras da Disney (na quinta temporada vão incluir Mérida, de Brave), estas dão personagens cativantes e histórias, na sua maioria, boas. Têm outra virtude que é aprenderem com os erros e esforçarem-se por surpreender. Depois de uma adaptação de Frozen, que resultou bem mas em que não saíram muito da sua zona de conforto, na segunda parte da temporada resolveram apresentar três novas vilãs, em vez de apenas um. A ideia foi boa, a execução um bocadinho tremida, mas a conclusão foi satisfatória. Agora, com a Salvadora "engolida" por Escuridão, a parada está mais alta do que nunca, não dá para prever como terminará a historia

 

Isso pode significar, no entanto, que Once não durará muitas mais temporadas. Depois de terem subido a fasquia a este nível - Emma-como-Dark-One, possibilidade de explorarem os primórdios da magia negra - não podem voltar às histórias habituais de vilão-da-Disney-vem-a-Storybrooke. Terão de continuar a aumentar o alcance da narrativa e não me parece haver muito mais espaço.

 

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De qualquer forma, enquanto a série durar, tenciono continuar a aproveitá-la ao máximo. Como julgo ter escrito antes, posso encontrar muitos defeitos em Once Upon a Time, mas esta continua a ser a minha série preferida do momento. A única que, no fim, me deixa satisfeita. Julgo até que, por vezes, sou demasiado dura para com OUaT quando outras séries que acompanho me desiludem muito mais, sobretudo neste último ano.

 

Em princípio, escreverei outra crítica aquando da pausa de inverno. Na próxima entrada, deverei falar brevemente sobre as outras séries que acompanhei neste último ano. Aviso desde já que não tenho muitas coisas boas a dizer...

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