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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Ao Calhas: Hello Cold World

 
But I'll get right back up as long as it spins around
 
Os Paramore tornaram-se há quase dois anos uma das minhas bandas preferidas quando, depois de estar familiarizada com os singles dos últimos anos, decidi ouvir-lhes a discografia. Existem muitas coisas que me atraem na banda: a voz e a atitude de Hayley Williams, a sonoridade, a forma como conseguem criar músicas energéticas com conteúdo - algo que a Avril Lavigne não tem conseguido fazer - músicas como Crush Crush Crush, That's What You Get, The Only Exception (de que falarei noutra entrada), Monster, o concerto que deram no ano passado, no Optimus Alive.
 
Ultimamente, o que me tem atraído mais para os Paramore, o que me tem feito aguardar com alguma ansiedade o álbum que estão a preparar neste momento, é o facto de a Hayley ser apenas um ano mais velha do que eu, o facto de, pelo que tenho deduzido de algumas entradas do blogue dela, ela partilhar comigo algumas crenças e preocupações, de ela ver o mundo de maneira parecida com a minha, de se encontrar numa fase da vida, em alguns aspetos, semelhante àquela em que me encontro.

Às vezes penso que tenho mais em comum com a Hayley do que com a Avril. Mas isso é outra história.

O exemplo mais flagrante disto que acabo de descrever é a música Hello Cold World. Esta faixa não pertence a nenhum CD, foi lançada do ano passado através do Singles Club.

Não há muito a dizer sobre a sonoridade da música: é a típica faixa dos Paramore. Não, a grande força de Hello Cold World vem da letra. Esta descreve perfeitamente a fase em que eu e, certamente, muitos da minha idade se encontram. Uma fase algo bipolar, em que tão depressa me sinto feliz como me sinto quase suicida. Isto passando por crises existenciais, momentos de apatia, em que não sei o que quero da vida, em que questiono coisas que, anteriormente, aceitava com naturalidade. Ser adulto não é fácil. Miúdos, não tenham pressa.

Este é, de facto, um mundo frio e hostil para as pessoas da minha idade. Um pouco por todo o planeta. Claro que darei destaque ao nosso País, um país frio e hostil para a minha geração, a Geração À Rasca, aquela geração a quem venderam a ideia de que só poderíamos ser "alguém na vida", que só poderíamos viver desafogadamente se tivéssemos um curso superior. Aqueles que agora se veem de diploma na mão mas sem emprego, obrigados a emigrar. Aqueles que, depois de passarem anos e anos a estudar, de não terem feito outra coisa na vida, em nome de um futuro que agora lhes é negado, se veem obrigados a ir para a rua, a lutar de outras maneiras. ("You can't just stay down on your knees, the revolution is outside").

No entanto, a música traz também uma mensagem de esperança. Recorda-nos que ainda estamos vivos, que, enquanto por cá andarmos, mais cedo ou mais tarde encontraremos as soluções que procuramos. Talvez tenha razão. Pelo menos farei por acreditar nisso naquelas alturas, ultimamente tão frequentes, em que me sinto incapaz de lidar com este mundo gelado e hostil.
 
 

 

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