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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Heavy

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"I don't like my mind right now..." 

 

Os Linkin Park preparam-se para lançar o seu sétimo álbum de estúdio, One More Light, no próximo dia 19 de maio. O primeiro single desse álbum, lançado no passado dia 16 de fevereiro, chama-se Heavy e inclui a participação de Kiiara nos vocais.

 

O título Heavy é irónico pois esta música é tudo menos pesada. Pelo contrário, tanto quanto sei, Heavy é a canção mais pop da discografia da banda até ao momento, o que, previsivelmente, está a causar polémica entre os fãs. Um dos motivos, de resto, pelos quais não publiquei esta análise mais cedo - para além do lançamento da segunda geração em Pokémon Go, que fez com que, pelo menos no meu caso, o hype regressasse em força - foi porque precisei de algum tempo para me afastar do barulho provocado pela polémica e formar a minha própria opinião sobre a faixa.

 

Infelizmente, esta não é muito favorável. Heavy tem uma instrumentação muito pop, muito genérica, só se tornando interessante a partir do segundo refrão. Esta faixa, a meu ver, pedia guitarras estilo Final Masquerade. A versão acústica de Heavy, que a banda apresentou em direto no Facebook, no dia em que o single foi lançado, sempre tem um pouco mais de personalidade. Os desempenhos vocais, tanto de Chester como de Kiiara, são o melhor da canção, contudo.

 

 

A letra de Heavy fala, essencialmente, de ansiedade, depressão, paranóia, mas de uma forma demasiado vaga para que possamos levá-la a sério. Acaba, também, por se tornar algo repetitiva, embora não ao nível de Until It’s Gone, verdade seja dita.

 

Não consigo, portanto, gostar de Heavy, por muito que tente. É demasiado curta, tem pouca substância, cansativa após três ou quatro audições. Até Darker than Blood tem mais personalidade que isto. Não ficará na História. Não escondo que é uma desilusão que uma das minhas bandas preferidas - que inclui Chester Bennington e Mike Shinoda, duas das minhas pessoas favoritas no mundo da música - tenha produzido um primeiro single tão fraquinho.

 

Tal como referi no início deste texto, o álbum que inclui Heavy, One More Light, sai em maio. Os Linkin Park têm falado sobre este álbum há vários meses. Eu até estava a gostar das pistas que iam deixando - sobretudo o facto de as músicas supostamente se basearem nas vidas pessoais dos membros da banda. Cunho pessoal, por norma, é um ponto forte. No entanto, se Heavy é a ideia deles de música com cunho pessoal, mais valia terem ficado quietos.

 

Os membros da banda afirmaram, também, que o seu processo de composição mudou. Antes, eles começavam pela música em si, só depois criavam a melodia e escreviam a letra. Neste álbum, eles começaram pela melodia e pela letra - chegavam a gravar cantado sobre piano ou guitarra acústica. Depois, construíam o resto da música em torno dessa melodia. Sempre explica o facto de os vocais sobressaírem tanto em Heavy.

 

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Tudo muito bonito e tal, mas eu suspeito que esta não seja a história toda. Em One More Light, os Linkin Park trabalharam  pela primeira vez com compositores sem serem membros da banda: nomes como Justin Parker (que trabalhou com Lana del Rey, Rihanna e Ellie Goulding, entre outros) e Julia Michaels (que trabalhou, entre outros, com Selena Gomez, Gwen Stefani e, de todas as pessoas, Britney Spears). Isto faz-me desconfiar de propósitos comerciais.

 

Os membros da banda adotaram logo uma postura defensiva nas redes sociais. Ainda antes do lançamento de Heavy, Mike afirmou no Twitter que “O género [musical] morreu”. Mais tarde, Chester partilhou um artigo que defende o direito de as bandas mudarem de estilo (não que eu, pelo menos, alguma vez tenha questionado esse direito...). Com tudo isto, é óbvio que a polémica não vai ficar por aqui, que o resto de One More Light será igualmente polarizante e a banda sabe-o.

 

Por muito que me irritem os puristas musicais, aqueles fãs que se recusam a aceitar que os seus artistas preferidos não gravem o mesmo álbum outra e outra vez… eu não sei se quero que os Linkin Park virem cem por cento pop. Sobretudo se for com tão pouca substância como Heavy. Eles sempre foram uma banda de experimentalismo, de teorias híbridas e tal. Contudo, tal como afirmou um YouTuber crítico musical que respeito muito no Twitter, longe de explorar novos territórios, Heavy é uma amostra do pop mainstream que enche a rádio dos dias de hoje. Sinceramente, Linkin Park é melhor do que isto.

 

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Os Linkin Park continuam a ser uma das minhas banda preferidas, atrás de Paramore. A nossa relação tem quase dez anos e inclui dois concertos inesquecíveis. Entre outras coisas, não sou capaz de ser demasiado dura com uma banda que inclui um tipo que se veste como na fotografia acima e que diz que, se não estivesse na música, seria treinador de Pokémon (quem diria que um tipo cujo trabalho, cinquenta por cento das vezes, envolve gritar para um microfone poderia ser tão adorável…?).

 

Assim, vou dar-lhes o benefício da dúvida. Talvez Heavy seja a mais comercial do álbum, daí ser o primeiro single. Talvez as outras músicas tenham letras melhores e um som mais trabalhado. Quem sabe? Voltaremos a falar quando o álbum sair ou se lançarem outro single...

 

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