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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Calhas - Until It's Gone

 

 

Na passada segunda-feira, dia 5 de maio, a banda norte-americana Linkin Park lançou Until It's Gone, o segundo avanço do seu sexto álbum de estúdio, The Hunting Party (tal como eu calculava que fariam mais ou menos nesta altura). Depois de o primeiro single, Guilty All the Same, se destacar pela sonoridade crua e metaleira, em Until It's Gone são resgatados alguns dos elementos que caracterizaram os últimos trabalhos da banda. No entanto, não se deixa de notar uma partida relativamente a Living Things, uma base bem mais rock.

 
 
 
"'Cause finding what you got sometimes
Means finding it alone"

Vou começar pelo menos bom da música, que é a letra. Esta encaixa-se no que é típico dos Linkin Park; no entanto torna-se demasiado repetitiva, acabando por se tornar irritante. Martela vezes sem conta a frase-feita "you don't know what you've got until it's gone" e o (escasso) resto da letra gira em torno disso. O que é pena, porque alguns versos da segunda estância tinham potencial para ir além do chavão, dar um pouco mais de profundidade à música, se as ideias latentes tivessem sido desenvolvidas. É a segunda vez num curto espaço de tempo que as letras da banda caem na armadilha dos clichés, das frases-feitas, espero que isto não esteja a constituir-se um hábito.

O arranjo musical é, de longe, o ponto forte de Until It's Gone. Em ritmo midtempo, a faixa abre com uma sequência eletrónica, que se torna a marca identificativa de Until It's Gone. Não faltam guitarras elétricas, com o respetivo solo, que se misturam com órgãos de igreja e um som que se assemelha ao repicar de sinos. A maior surpresa reside nos coros suave. Todos estes elementos conjugados conferem a Until It's Gone um carácter em simultâneo épico e dramático. Não me lembro de os Linkin Park alguma vez terem lançado uma música assim - talvez o tenham feito em A Thousand Suns, não estou tão familiarizada com ese álbum. Possui, contudo, alguns ecos de Powerless.

A única falha da sonoridade de Until it's Gone diz respeito aos perfeitamente desnecessários efeitos na voz de Chester.

 

Conforme já foi dado a entender anteriormente, Until It's Gone diverge de Guilty All the Same e mesmo daquilo que tem sido descrito como o estilo de The Hunting Party. Calculo que a música tenha sido incluída no álbum de propósito para servir de single radiofónico. Porque, sejamos sinceros, por muito que eles queiram salvar o rock, não vão conseguir fazê-lo se o álbum não for ouvido por ninguém a não ser os fãs da banda e/ou do estilo musical. O tema até se encaixa na premissa de que já falei aqui no blogue: a ideia em que os produtores musicais parecem acreditar, de que, hoje em dia, os apreciadores de música só conseguem decorar três versos por música no máximo.
 
Não digo que o desejo deles de terem tempo de antena seja uma coisa má, atenção. Numa altura em que, no meu estágio, temos a Rádio Comercial ligada o dia todo (acreditem, não é pêra doce), seria agradável ouvir Until It's Gone por entre os temas que, não sendo maus, se tornam cansativos de tanto serem martelados repetidamente sob a forma de ondas hertzianas. O meu problema com esta música é que, na minha opinião, Until It's Gone tinha potencial para ser algo extraordinário, ao nível dos melhores temas dos Linkin Park - e chegou a parecer-mo da primeira vez que a ouvi - mas, por causa da letra pouco imaginativa, contenta-se em ser apenas "boa". 
 
Espero, sinceramente, que isso não seja a regra no resto de The Hunting Party porque, depois de Living Things, tenho a fasquia alta. O mesmo se passa com o concerto do Rock in Rio, dia 30 deste mês, que espero tão bom como os das edições de 2008 e 2014. Sei que estou a ser exigente, mas temos pena. Foram os Linkin Park que me habituaram mal.

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