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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Paramore (2013) #4

 
Agora que já falei de todas as músicas do quarto álbum dos Paramore AQUI, AQUI e AQUI, vou passar às considerações gerais.

Em suma, considero Paramore um bom álbum, com muitas músicas com potencial para serem imortalizadas. É definitivamente mais alegre do que os outros discos, em particular Brand New Eyes e as músicas do Singles Club, embora apresente vários estados de espírito. No entanto, não deixa de ter músicas com conteúdo, catárticas, que fazem pensar, em que muita gente se pode rever. É, de resto, uma das coisas que mais gosto nos Paramore: possuem faixas para vários estados de espírito mas todas têm algo a dizer, nunca são fúteis. E conforme já afirmei aqui, sendo eu uma escritora que colhe inspiração na música, gosto cada vez menos de música sem conteúdo.
 
Conforme já tinha previsto, muitos fãs não veem com bons olhos esta mudança. Era, de facto, previsível. Não são os primeiros, nem serão os últimos fãs de música a reagir assim perante mudanças de estilo por parte dos artistas que seguem.

 

Uma das coisas que alegam é que eles cederam ao comercial. Não estão errados. Não vale a pena mentir, o pop eletrónico é o que está na moda. Não sei se foi intencional ou não, hoje em dia é difícil escapar a esse som quando se liga a rádio. E não são a única banda a aderir a ele. Os Linkin Park aderiram, os Muse aderiram, sou capaz de apostar que a Avril também aderirá.
 
Por outro lado, irrita-me aquela filosofia de é-mainstream-por-isso-não-presta. Não tenho pachorra para hipsters, para os que são diferentes apenas para serem diferentes. Também não gosto quando um cantor ou banda não evolui, insiste em fazer sempre o mesmo tipo de música vezes e vezes sem conta. Já chegam os Simple Plan e os Green Day! E não é fácil sair de uma zona de conforto, arriscar. Os Paramore arriscaram no seu quarto álbum e respeito-os por isso. O truque consiste em evoluir sem perder a identidade própria.
 
Penso que nisso os Paramore foram bem sucedidos. O álbum homónimo tem bastantes músicas com o som clássico Paramore para os fãs mais puritanos. Mesmo nas mais inovadoras, como Grow Up, Ain't It Fun, Still Into You, permanece a base rock típica da banda. Não há dubsptep nem autotune, aliás, o potencial vocal da Hayley está muito bem explorado em algumas das músicas. Foram, em suma, capazes de incorporar apenas o melhor da sonoridade eletrónica. E mantém o seu ponto forte: a honestidade.

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Conforme fui afirmando enquanto falava sobre as músicas, muitas delas poderiam ter sido inspiradas no meu diário, se ainda o escrevesse. Têm muito a ver com a fase da vida em que me encontro. Já antes afirmei aqui que, às tantas, tenho mais em comum com a Hayley, que só agora estou a aprender a admirar, do que com a Avril, que conheço bem e quase venero há já vários anos. É claro que nunca poderia ter muito em comum com uma mulher adulta, que aos vinte e oito anos já se casou, divorciou e agora prepara-se para se casar de novo. Faz muito mais sentido eu ter coisas em comum com uma jovem apenas um ano mais velha do que eu, tentando, como eu, aprender a ser adulta e a viver no mundo real.

No entanto, como já afirmei aqui noutras ocasiões, no que toca à Avril não sou capaz de ser racional. Posso ter dúvidas agora mas não se admirem se, daqui a uns meses, aquando da edição do seu quinto álbum, estiver de novo caída de quatro pela cantautora canadiana.

Em todo o caso, este álbum veio em muito boa altura. Música nova dos meus artistas preferidos é sempre bem-vinda, independentemente das circunstâncias mas, neste caso, coincidiu com uma fase extremamente stressante das minhas aulas. Tanto do disco dos Paramore como o single da Avril vieram alegrar uns dias que, sem isso, seriam muito deprimentes. Passo a vida a cantar as músicas de Paramore, em particular as minhas preferidas, até mesmo na rua ou no Metro. Era precisamente a coisas como esta que me referia quando, anteriormente, falei de pequenas coisas, pequenas faíscas que tornam a vida um pouco menos difícil.

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Não sei se fui a única a reparar no pormenor dos pós coloridos com que os elementos da banda têm aparecido, primeiro na capa do álbum - aliás, agora que vejo melhor, parecem ser graffitis - depois no videoclipe de Now e em palco. Como se tivessem acabado de sair de uma batalha semelhante à do videoclipe. A minha interpretação é que isso significa, precisamente, que eles sobreviveram a uma guerra, que venceram.

É, de resto, como já estava à espera, um tema recorrente em Paramore. A própria edição do álbum, do quarto álbum de estúdio da banda, é por si mesmo uma vitória se tivermos em conta que, há dois anos e meio, se receou que não houvesse sucessor para Brand New Eyes, que não houvesse mais Paramore para ninguém. Mas também muitas músicas falam, de diferentes maneiras, sobre atravessar um período turbulento, vencê-lo e seguir em frente - Fast in My Car, Now, Last Hope, Still Into You, numa perspetiva mais romântica, Hate to See Your Heart Break, Future, os interlúdios. É fácil dizer que esse conflito foi a saída dos Farro mas, na minha opinião, o álbum não fala apenas disso.  Fala de sonhos por realizar, complicações amorosas, desvantagens típicas de se ser uma figura pública, a entrada na vida adulta, as próprias imperfeições da Humanidade e do Mundo. Fala muito de crescimento, na minha opinião.Os Paramore aprenderam a lidar com isso. São mais do que sobreviventes, são vencedores. Estão a começar de novo e estão ansiosos por abrir um capítulo novo na vida da banda. 
 
É essa a mensagem de Paramore.

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