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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Pokémon através das gerações #5 - Indo às origens

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Chegamos, finalmente, à parte da franquia que só conheci vários anos depois da sua estreia – a quarta e quinta gerações – quando já tinha chegado à casa dos vinte. Isso confere-me um grande viés, não apenas por, conforme já expliquei antes, a Internet esclarecia toda e qualquer dúvida que tivesse, mas também porque, quando joguei estes jogos, o seu sistema wi-fi já tinha há muito sido desativado. Não experimentei, assim, uma das maiores inovações desta geração: a possibilidade de combater e trocar Pokémon através da Internet quando joguei Pearl, Platinum e Heart Gold (só viria a fazê-lo nos jogos da sexta geração). Por esse motivo, não falarei muito dessa faceta do jogo.

 

Isto pode ter sido propositado, por os remakes das versões Gold e Silver estarem provavelmente já nos planos da Game Freak, mas existem várias semelhanças entre a quarta geração e a segunda. Uma dessas semelhanças é evidente se olharmos para os novos Pokémon: temos várias evoluções e pré-evoluções novas para Pokémon antigos, como acontecera nos primeiros jogos de Johto. Naturalmente, algumas são melhores e/ou mais necessárias do que outras, como em tudo, mas, no geral, considero isto um ponto forte. Sobretudo porque voltou os holofotes para diversos Pokémon que antes passavam quase despercebidos e/ou eram desvalorizados (por sinal, vários deles são nativos de Johto) – como Aipom, Misdreavus, Murkrow, Sneasel, Piloswine, Gligar, entre outros. Introduziu também duas Eeveelutions, o que para mim é naturalmente um ponto a favor. O reverso da medalha disto tudo é que, por comparação, foram introduzidos relativamente poucos Pokémon completamente inéditos.

 

Na verdade, esta é capaz de ser a minha geração preferida em termos de Pokémon. Tirando uns casos específicos que explicarei no fim do texto, gosto das novas evoluções de Pokémon antigos. Ao contrário de gerações anteriores, tirando Phione (que, mesmo assim, destaca-se por ser a primeira pré-evolução de um Lendário ou Mítico e a única até à sexta geração), desta vez não tenho nada contra os Pokémon bebés. O Bonsly e o Mime Jr. recebem, aliás, palmas por, respetivamente, esta e esta cena do filme do Lucario, um dos meus preferidos. De todos os voadores-tipo de cada geração, a linha de Starly é a minha segunda preferida. Ao Kricketune, chega-lhe o seu “cry” para se destacar. Toda a gente gosta do Garschomp. Gosto do Drapion, do Toxicroak e do Abomasnow, apesar de ainda nunca ter usado nenhum deles. E isto são apenas gostos no geral. Dos meus preferidos falarei mais adante.

 

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Outra das semelhanças com a segunda geração prende-se com o foco na História e na mitologia. A quarta geração vai mais longe ao explorar as próprias origens do mundo Pokémon. Já fiz algumas referências a essa mitologia aqui no blogue, a propósito do filme centrado em Arceus. Segundo a Bulbapedia, este foi o primeiro Pokémon a existir, nascendo de um ovo num vortex de extremo caos. Este, de seguida, criou Dialga, para que regulasse o tempo, Palkia, para que regulasse o espaço, e Girantina oara que regulasse a antimatéria e que, pelo seu comportamento destrutivo, posteriormente foi banido para o Mundo da Distorção – já referi este Lendário antes, bem como as semelhanças que apresenta com o mito de Lúcifer. Arceus criou também o chamado Lake Trio/Trio dos Lagos, cada um representando uma característica diferente. Assim, Mesperit simboliza Emoção, Uxie simboliza Conhecimento e Azelf simboliza Força de Vontade.

 

Já que falo neste trio, devo dizer que as equipas em Pokémon Go parecem seguir temas semelhantes aos do Lake Trio. A Team Valor (da qual faço parte) valoriza a força e o poder natural dos Pokémon, caracterizam-se pela competitividade – o que condiz com a Força de Vontade de Azelf. O lago onde Azelf vive chama-se Lake Valor e tudo. A Team Mystic valoriza o conhecimento e a lógica – o que condiz, naturalmente, com Uxie. O paralelismo não é tão claro no que toca a Mespirit e à Team Instinct, que valoriza os instintos, mas pode-se argumentar que estes se assemelham a emoções. Não sei se estas semelhanças entre o Lake Trio e as equipas de Pokémon Go foram propositadas. De qualquer forma, estas três virtudes (cérebro, coração e coragem) costumam aparecer em conjunto frequentemente em vários sítios, quer em mitologia, quer na ficção – o Feiticeiro de Oz é o exemplo mais óbvio.

 

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Uma curiosidade: nos meus jogos, costumo chamar Tai ao Azelf, Izzy ao Uxie e Sora ao Mespirit.

 

Regressando à criação do mundo Pokémon, depois do trabalho de Arceus, Palkia, Dialga e Girantina ter criado as dimensões como são conhecidas, com tempo e espaço, Groudon criou os continentes, Kyogre criou os oceanos e Regigigas ficou encarregado de mover as placas tectónicas. Não tenho fontes sobre o seguinte, mas assumo que, a certa altura, Xerneas e Yveltal tenham sido criados, o primeiro para dar vida aos humanos e Pokémon criados por Arceus. O segundo para lhes conferir mortalidade, como forma de manter o equilíbrio no ecossistema.

 

Não é muito claro onde é que Mew (que se assume ser o ancestral de todos os Pokémon, por conter o DNA de todos eles) e os outros Lendários se encaixam nesta teoria. Uma hipótese possível é Mew ter sido, na verdade, o primeiro Pokémon a ser criado por Arceus, usando-o, depois, para criar todos os outros. Quanto aos outros Pokémon Lendários/Míticos, tirando casos como Mewtwo (que foi criado pelo Homem), suponho que terão um estatuto semelhante a deuses menores ou divindades locais, a quem foram atribuídos domínios e/ou terras para governarem ou protegerem – embora, nesta fase, já exista redundância nas funções dos Lendários.

 

O que me leva a uma crítica a esta geração: o número absurdo de Lendários. Temos nove no total, e não conto com os chamados Pokémon Míticos.

 

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Suponho que esta seja uma boa altura para referir a diferença entre Lendários e Míticos. A segunda designação é usada oficialmente para referir “Pokémon que são avistados tão raramente no mundo Pokémon que muitos questionam a sua existência”. Na prática, os Míticos são Pokémon que não é possível capturar normalmente nos jogos – exigem a participação em eventos ou, então, recorrendo a glitches (como o famoso glitch do Mew). No caso da quarta geração, os Pokémon Míticos são três: Darkrai, Shaymin e Arceus.

 

Confesso que não acho grande piada ao conceito. Ao longo das gerações, estes Pokémon vão sendo apresentados com cada vez menos histórias associadas e sem ligação ao resto do jogo. O evento de Celebi de Heart Gold e Soul Silver (de que voltaremos a falar mais adiante), por exemplo, revelou uma história até à altura desconhecida, envolvendo Giovanni e o rival Silver. Além disso, obtê-los não depende do esforço do jogador, como nos Lendários propriamente ditos (que sempre exigem uma estratégia envolvendo, por exemplo, False Swipe, um ataque que induza Sono e pelo menos cinquenta Ultra Balls). Em vez disso, depende de estarmos no lugar certo à hora certa para os eventos (ou seja, é uma questão de sorte). E hoje já nem isso é preciso: basta ter wi-fi. Como nas distribuições mensais do último ano, pelo vigésimo aniversário da franquia. Mew pode ter sido determinante para o sucesso dos jogos da primeira geração (consta que, quando circulou o rumor de que havia um Pokémon secreto escondido no código dos originais Red&Green, as vendas dispararam), mas, na minha opinião, os Pokémon Míticos tornaram-se demasiado anticlimáticos.

 

Dos muitos Lendários desta geração, queria chamar a atenção para Regigigas. O caso dele é interessante pois encontra-se ligado diretamente a Lendários de uma geração anterior (tanto quanto sei, é um caso único). Ele criou o trio Regi, pertencente à terceira geração – interrogo-me se ele terá recolhido as rochas de várias partes do mundo e o gelo dos pólos para criar, respetivamente, Regirock e Regice enquanto movia as placas tectónicas (este cartoon, que ilustra a criação do trio Regi, derrete-me o coração). Já em Ruby, Sapphire e Emerald existem referências a Regigigas. Numa das mensagens de braille, pode ler-se: “Nesta caverna vivemos. Devemo-lo tudo ao Pokémon. Mas trancámos o Pokémon. Temíamo-lo. Quem tiver coragem, quem tiver esperança. Abra uma porta. Um Pokémon eterno aguarda.” Tendo em conta que os três Regi são necessários para aceder a Regigigas (não apenas nos jogos de Sinnoh, também em Black2&White2 e em Omega Ruby e Alpha Sapphire), é possível deduzir, a partir desta mensagem, que, em tempos, o povo selou Regigigas no templo de Snowpoint, em Sinnoh, e escondeu os três Regi – as três chaves – em Hoenn. Assim, Regigigas só seria libertado por alguém suficientemente astuto. Regigigas individualmente não é nada de especial – a sua habilidade, Slow Start, prejudica-o muito – mas a sua história é fascinante, na minha opinião.

 

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Outro dos pontos fortes destes jogos diz respeito a Cynthia, a Campeã de Sinnoh. Muitos fãs consideram-na a melhor Campeã de toda a franquia. Eu sinto-me particularmente satisfeita por esse estatuto pertencer a uma mulher… mas, por outro lado, o estatuto de pior Campeã também pertence a uma mulher (NOTA: Aquando deste texto, ainda não completei nem Sun nem Moon e, como tenho procurado evitar spoilers, ainda não sei quem é a(o) Campeã(o) de Alola). Cynthia tem um papel ativo no enredo destes jogos, sobretudo de Platinum, como estudiosa da mitologia da região e mentora do protagonista. Ganhou, no entanto, o respeito da comunidade de fãs ao possuir a equipa mais difícil de toda a franquia, com nada menos que os melhores Pokémon disponíveis na geração como, por exemplo, Lucario, Garchomp, Spiritomb (que possui uma combinação de tipos que, antes da introdução do tipo Fada, não tinha fraquezas), Togekiss e Milotic. O seu tema de combate também é muito apreciado. Por fim, gosto muito do seu visual, ao mesmo tempo sóbrio e majestoso. Bonita, sábia e poderosa, não se podia pedir mais nada.

 

Passamos, agora, aos defeitos de Diamond, Pearl e Platinum. Sinnoh é capaz de ser a região mais confusa e difícil de explorar até ao momento. O percurso que temos de fazer ao longo do jogo é muito pouco linear, com muitas estradas bloqueadas sem motivo aparente. Percurso, esse, que é dificultado ainda mais, sem necessidade, por estradas com lama, neve e, sobretudo, nevoeiro.

 

Esta última condição meteorológica é capaz de ser a pior ideia que alguma vez tiveram em Pokémon. O nevoeiro só pode ser eliminado recorrendo ao HM Defog, o que já de si é uma chatice (obriga-nos a desperdiçar um ataque dos dos nossos Pokémon) mas, para piorar, só é obtido numa área lateral do percurso do jogo – ou seja, pode passar ao lado de muitos jogadores. Passou-me ao lado quando joguei Pearl. Sem este HM, temos de combater no meio do nevoeiro, o que reduz a visibilidade dos Pokémon – ou seja, perdemos anos de vida à espera que os nossos Pokémon acertem um ataque.

 

Tudo isto, mais a menor velocidade das animações em comparação com outros jogos da franquia, torna estes jogos extremamente lentos.

 

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A própria região de Sinnoh em si é pouco interessante, com muitas cidades esquecíveis, bem como os líderes de ginásio – tirando Fantina, o Crasher Wake e o último, do tipo elétrico, com uma crise existencial, não consigo lembrar-me de nenhum, tirando os gym puzzles.

 

Uma coisa que me irritou quando joguei Pearl pela primeira vez foi a falta de Pokémon de Fogo. Eu não quis usar o Chimchar (mais um do tipo Fogo/Luta), mas os únicos disponíveis eram Ponytas. Não que desgoste do Pokémon, mas este, em termos de stats, é Physical, mas não aprendem nenhuns ataques de Fogo desse género até ao nível quarenta. O mais estúpido é que, noutras versões, aprende o Flame Wheel ao nível 17. Parece que fizeram de propósito para chatear.

 

Por sua vez, o Team Galatic é capaz de ser uma das piores equipas vilãs até agora, rivalizando com o Team Flare. A larga maioria dos seus membros não parece saber ao certo o que está a fazer, nem o levam a sério. O seu líder Cyrus até tinha potencial como personagem (este vídeo prova-o), mas este, nos jogos, nunca ultrapassa a sua unidimensionalidade. O clímax da luta contra o Team Galatic, em Diamond e Pearl, acaba por ser… bem, anticlimático. Depois de, em Hoenn, termos chegado a ver o princípio do Apocalipse, em Diamond e Pearl, limitamo-nos a capturar Dialga ou Palkia, respetivamente.

 

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Muitos dos problemas de Diamond e Pearl (não todos), de qualquer forma, foram corrigidos em Platinum. No clímax, por exemplo, em vez de nos limitarmos a capturar o Lendário na capa do jogo, vamos até ao Mundo da Distorção, com leis físicas muito próprias.

 

Agora, como já é costume, falamos sobre a música em Diamond, Pearl e Platinum. A banda sonora de Sinnoh é um pouco subvalorizada, pela experiência que tenho – não possui o carácter nostálgico da música os primeiros jogos de Kanto, ou as trompetes de Hoenn ou a variedade de Unova, pelo que passa um pouco despercebida nas opiniões dos fãs. No entanto, na minha opinião, a música de Sinnoh não fica nada atrás das restantes. Nenhum jogo Pokémon (da série principal, pelo menos) tem uma banda sonora má e eu tenho sempre uma mão cheia de temas preferidos em cada jogo.

 

Em Sinnoh, gosto particularmente dos temas de combate. Desde os temas mais tocados, de combates com treinadores e Pokémon selvagens, aos temas mais especiais, como os dos Lendários e os da Campeã Cynthia, que já referi antes. Só há bem pouco tempo, com este vídeo, é que consegui identificar o instrumento comum a quase todos estes temas: o saxofone. Gosto, por exemplo, da sua melodia brincalhona na música de combate com treinadores comuns. Todo esse tema é, de resto, uma conjugação perfeita do saxofone, do baixo e do piano, com cada instrumento tendo o seu momento para brilhar. O é tão alegre e hiperativo como o próximo Barry – destaque para o xilofone (?). E como diz Ron, o autor do vídeo que referi acima, nunca um piano soou tão ameaçador como na música de Dialga e Palkia.

 

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Fora da música de combate, outro tema de que gosto muito é o da Route 201, a primeira de Diamond, Pearl e Platinum. Em todos os jogos, os temas das primeiras routes são sempre inocentes, alegres, quase infantis. Faz sentido tendo em conta que a nossa personagem, nos jogos, é uma criança de dez anos, dando os seus primeiros passos como treinador(a) numa região desconhecida. O tema da Route 201 faz mais do que isso: é inocente, reconfortante, mas também esperançoso. Como que a dizer que estamos a entrar num lugar maravilhoso: o incrível mundo dos Pokémon. Atrevo-me a dizer que este é o melhor tema de primeira route de toda a franquia – apesar de os temas da primeira e segunda geração não andarem muito longe, tanto pela qualidade como pelo valor nostálgico.

 

Outro tema de que gosto imenso é o do Game Corner. Eu já tinha ouvido este tema em vídeos do YouTube, mas pensava que pertencia à quinta geração. É tão... moderno. Parece música de discoteca! Acreditem, há uns quatro ou cinco anos, o último sítio onde esperaria ouvir música deste género seria em jogos Pokémon.

 

Tenho, como poderão concluir, uma opinião mista relativamente aos jogos de Sinnoh. Por sua vez, os remakes de Johto, Heart Gold e Soul Silver, são considerados por quase todos dos melhores da franquia. Eu concordo. Para além dos pontos fortes que herdaram dos jogos originais, HGSS acertaram em tudo em que FireRed e Leaf Green falharam. Enriqueceram Johto e Kanto relativamente aos jogos originais. Acrescentaram o Safari Zone e a Embedded Tower. Incluíram Mewtwo, Articuno, Zapdos e Moltres, mais ou menos nos sítios devidos. Transformaram o Mt. Silver numa montanha nevada, o que tornou a escalada para encontrar Red ainda mais épica (o episódio The Climb, de Arrow, recordou-me Mt. Silver). Corrigiram os níveis baixos dos líderes de ginásio em Kanto. Introduziram a opção de tornar a combater contra cada um dos dezasseis líderes de ginásio. E, sobretudo, introduziram a mecânica de ter um dos nossos Pokémon de fora da Pokébola, seguindo-nos. Toda a gente adorou isso e têm, desde essa altura, suplicado pelo regresso dessa mecânica aos jogos. O mais perto disso que recebemos foi o Buddy System em Pokémon Go.

 

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Outra das coisas que fizeram bem em HGSS foi desenvolverem o enredo e as personagens relativamente aos jogos originais – como os Executivos do Team Rocket, que ganham nomes e rostos diferenciados. O exemplo mais flagrante, no entanto, é a do rival. Ao contrário do que aconteceu nos jogos originais, desta feita houve crescimento de Silver como personagem ao longo do jogo tornando-se, na minha opinião (e não só), no melhor rival de toda a franquia.

 

No início de HGSS, não sabemos nada sobre Silver. Só muito mais tarde no jogo, no evento de Celebi (e, agora, no episódio de Pokémon Generations, The Legacy) é que descobrimos que ele é, na verdade, filho de Giovanni, líder do Team Rocket. Três anos antes dos eventos de HGSS, depois de ser derrotado pelo protagonista dos jogos de Kanto, Giovanni decide dissolver o Team Rocket e partir para o exílio, deixando o filho para trás. Silver acusa o pai e os membros do Team Rocket de agirem em grupo para disfarçar fraquezas individuais. O jovem procura fazer o oposto, procura singrar sozinho sem depender de ninguém.

 

Tal como escrevi no meu texto sobre Generations, esta é uma posição legítima. No entanto, Silver recorre aos métodos errados, os mesmos métodos a que Giovanni recorreria: rouba o seu primeiro Pokémon, trata-o, a ele e aos outros que captura, como meras ferramentas, despreza aqueles que considera fracos.

 

Várias pessoas tentam alertar Silver para a maneira como ele trata os seus Pokémon, tais como o ancião na Sprout Tower e Lance. De início, o nosso rival faz ouvidos de mercador. No entanto, como vai perdendo constantemente para o seu rival, a partir de certa altura, começa a pensar que talvez os outros tenham razão e muda a sua atitude.

 

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Outro Pokétuber de que gosto muito apresentou uma perspetiva interessante sobre Silver. Enquanto outros rivais, como Blue Oak e Barry, estão nos jogos para nos guiar, Silver está nos jogos para que nós possamos guiá-lo, ensinar-lhe a maneira correta de se ser treinador. E os resultados veem-se. Perto do fim do jogo, vemos que o Golbat de Silver evoluiu para Crobat – uma evolução que só ocorre por amizade. Quando o encontramos no Dragon’s Den, além disso, vemos que o seu starter caminha atrás de si, fora da Pokébola – sinal de que Silver se afeiçoou a ele. Silver chega mesmo a tentar devolver o seu starter ao professor Elm. Este recusa, pois vê que o Pokémon já está muito ligado ao seu treinador, logo, não faz sentido que regresse ao seu laboratório.

 

Um aparte só para referir que, às tantas, Silver não precisava de ter roubado o seu primeiro Pokémon. Acho que o professor Elm lho daria, se Silver o pedisse. Não havia necessidade…

 

Se considerarmos o episódio de Generations como parte do cânone dos jogos, depois dos eventos de HGSS, Silver decide combater por crachás e desafiar a Elite 4. Nesta fase, tal como escrevi antes, Silver nunca foi tão diferente de Giovanni. Não só porque conseguiu chegar à Elite 4 da maneira como queria – sozinho, com os seus Pokémon – mas também porque procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon. A sua personalidade não mudou para além do realista. No entanto, Silver evoluiu mais do que qualquer outro rival na franquia e muito mais que Giovanni, seu pai. Tal como tenho vindo a repetir, tais evoluções são a essência de Pokémon.

 

Outra das coisas que HGSS fez bem foi incorporar elementos de Crystal (que continua a ser o meu jogo preferido), nomeadamente Eusine e a possibilidade de se capturar Suicune. Eusine aparece ainda mais caricaturado que em Crystal, como um autêntico fan boy de Suicune. Sempre prolongou o enredo um bocadinho mais, até mais ou menos a meio de Kanto. Além de que ter um Lendário como stalker é sempre lisonjeador… acho eu.

 

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Como já referi antes, a banda sonora da segunda geração é a minha preferida. No entanto, na minha opinião, tirando um caso ou outro, HGSS não faz justiça aos temas originais. Em compensação, depois de se completar o jogo, ganhamos o item GB Sounds, que substitui a banda sonora pela de Gold, Silver e Crystal.

 

Existem, no entanto, algumas pequenas falhas em HGSS. Para começar, como já referi antes, chateia-me imenso que tenham substituído a protagonista feminina de Crystal por uma que mais parece uma miúda de cinco anos. Introduziram, aliás, um segundo rival – o protagonista do sexo oposto ao que escolhemos  que não chega a sê-lo. Funciona mais como guia do que como outra coisa qualquer. Fiquei com a impressão de que o Concurso de Insetos estava mais difícil – o que chateia ainda mais se tivermos em conta que, na segunda metade do jogo, estes concursos são a única maneira de ganhar certas pedras de evolução.

 

Embora continue a preferir Crystal, mais por uma questão de nostalgia, concordo quando muitos afirmam que HGSS são dos melhores jogos da franquia. São definitivamente os melhores remakes até ao momento: já falei sobre os desapontantes Fire Red e Leaf Green, sobre Omega Ruby e Alpha Sapphire falarei mais tarde. E, na minha opinião, pelo menos metade dos pontos fortes destes jogos veem dos originais. Só prova que eu tenho razão: a segunda geração é a melhor de todas!

 

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A ideia que eu tenho da quarta geração é, na verdade, que ela se apoia muito nas anteriores. Tirando um aspeto ou outro – nomeadamente a introdução do wi-fi – esta geração não inovou por aí além, não arriscou muito. Não que isso seja uma coisa má. Mas não surpreende que, depois dela, a Game Freak tenha querido fazer algo diferente, criando uma geração que, na minha opinião, é o completo oposto da quarta. Explicarei porquê no próximo texto de Pokémon através das gerações.

 

Aproveito, desde já, para dizer que a próxima entrada desta série deverá demorar. Tenho uns quantos textos que quero escrever e publicar antes (incluindo, muito provavelmente, a análise ao próximo filme de Digimon Adventure Tri). Só depois começarei a escrever sobre a quinta geração. Isto está a demorar muito mais tempo do que esperava – o meu plano era escrever e publicar sobre as seis gerações e Pokémon Go ao longo do verão de 2016 mas, por este caminho, o último texto deverá ser publicado um ano após o primeiro. Paciência. Como, de resto, quero ver se eu e a minha irmã acabamos Sun algures nas próximas semanas, talvez esta série já inclua considerações sobre a sétima geração.

 

Concluímos este texto, como já vai sendo tradição, com os meus Pokémon preferidos e os de que menos gosto.

 

Pokémon preferidos:

 

  • Lucario e Gallade

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Estes não deverão surpreender quem já tenha lido textos anteriores meus sobre Pokémon no meu blogue. Lucario é o protagonista de um dos meus filmes preferidos de Pokémon. Além disso, toda a gente concorda que, em combate, é um dos melhores, com bons stats e uma grande versatilidade.

 

Gallade é a evolução masculina de Ralts, ou seja, é o homólogo masculino de Gardevoir – uma das minha preferidas da terceira geração. Os motivos pelos quais gosto de Gallade são, aliás, os mesmos pelos quais goste de Gardevoir e, também, de Lucario: por os três serem Pokémon nobres, leais, que valorizam a honra e o dever e, pelo menos no caso de Gallade e Gardevoir, serem ferozmente protetores daqueles que amam. O nome Gallade é, até, parecido com Galahad, um dos Cavaleiros da Távola Redonda, das lendas arturianas. Num combate duplo, Gallade faria um bom par tanto com Gardevoir como com Lucario.

 

  • Togekiss

 

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Conforme dei a entender antes, eu tenho um fraquinho pelo Togepi: uma criatura tão amorosa, é uma coisa parva. Sobretudo em miúda, gostava de incluir Togepis na minha equipa. No entanto, apesar de amoroso e tal, nem o Togepi nem a sua evolução, Togetic, eram muito úteis em combate.

 

A quarta geração veio, felizmente, mudar isso ao introduzir Togekiss. Este possui  bons Special Attack e Special Defense, podendo aprender ataques interessantes como o Aura Sphere e o Sky Attack – isto antes de criarem o tipo Fada. Isto deixa-me feliz pois, agora, tenho uma desculpa para conservar o Togepi que recebemos em HGSS.

 

  • Torterra

 

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Já tinha escrito antes que, nos últimos anos, ganhei apreço pelo tipo Terra, devido à sua versatilidade. Torterra, a evolução final do Turtwig, o meu starter em Platinum, foi um dos Pokémon que forneceu argumentos para essa apreciação. Diverti-me imenso usando-o. Eu sei que é um dos starters mais lentos, mas, como obtemos o Quick Claw bastante cedo no jogo, isso acaba por não ser assim tão grave.

 

Por outro lado, quando o vi pela primeira vez, soube logo que tinha sido inspirado pela teoria na tartaruga cósmica para explicar a ocorrência de sismos. Segundo esta teoria, a Terra estaria apoiada na casca de uma tartaruga gigante. Os sismos ocorreriam quando a tartaruga se mexesse demasiado e abanasse a Terra. Explica tanto o desenho como o tipo Erva/Terra. Além disso, segundo a Pokédex, outros Pokémon por vezes fazem ninho na casca de um Torterra – o que acho pura e simplesmente adorável.

 

 

Pokémon de que não gosto:

 

  • Stunky/Skunktank

 

Um Pokémon doninha, cujo cry se assemelha a um ruído de flatulência, que em HGSS aparece com o rabo para a frente? Não obrigado.

 

 

  • Rhyperior

 

Conforme referi acima, a quarta geração apostou muito em evoluções e pré-evoluções novas de Pokémon conhecidos. Existiram, contudo, algumas desnecessárias, como Tangrowth e Lickilicky. Há apenas uma de que não gosto mesmo: Rhyperior. Em termos de desenho é uma mudança radical em relação a Rhydon e, sinceramente, ridícula.

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