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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Hard Times

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Em janeiro de 2013, estreava aqui no blogue a rubrica Músicas Não Tão Ao Calhas. Nela, escrevo sobre músicas inéditas que os meus artistas preferidos vão lançando – na maior parte das vezes singles antes de álbuns, mas não só. A minha primeira entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas foi sobre Now, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore – aquele que ficou conhecido por The Self-Titled. Hoje, mais de quatro anos depois, volto a escrever sobre o primeiro single de um álbum dos Paramore – é um ciclo que se fecha.

 

Infelizmente, este ciclo nem sempre foi fácil para a banda. O início até nem foi mau. O Self-Titled é um álbum excelente, mudou por completo a maneira como encaro a vida. Graças a Deus, teve o devido reconhecimento em termos comerciais: foi platina e teve dois singles de sucesso: Still into You e Ain’t it Fun. A segunda ganhou um merecidíssimo Grammy. O ciclo desse álbum durou até meados de 2015, terminando com a digressão Writing the Future.

 

No entanto, em finais de 2015, a banda anunciou a partida do baixista Jeremy Davis. Desde essa altura, os Paramore têm passado por… bem, tempos difíceis.

 

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Ainda não tive oportunidade para escrever sobre a desistência de Jeremy. Custou-me, para ser sincera, ainda me custa. Nos primeiros tempos, ainda pensei/esperei que tivesse sido uma “rescisão” amigável, que ele tivesse partido porque tem uma filha e não pode andar em digressão.

 

Essa ilusão não durou muito. Meses depois surgiram notícias de que Jeremy e a banda estavam envolvidos numa disputa judicial, alegadamente devido a honorários da música e dos concertos. Como o processo ainda está em decurso, ainda não foi divulgada oficialmente a razão da partida de Jeremy. A ideia com que fico – e posso estar errada – é que, no centro disto tudo, está aquele três vezes maldito contrato celebrado, algures em 2005, entre a Atlantic Records e Hayley Williams, excluindo os restantes membros da banda. O mesmo contrato que já tinha sido um dos motivos para a partida dos irmãos Farro, em finais de 2010.

 

Toda esta história dá-me vontade de bater com a cabeça numa parede. Aquando do Self-Titled, a ideia que os Paramore davam era de que a banda tinha resolvido os seus problemas, aprendido com os erros cometidos. O trio estava mais forte, mais unido do que nunca, capaz de sobreviver a tudo. Eu acreditei nisso. Talvez os próprios membros da banda acreditassem nisso.

 

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Mas a verdade é que não devia ter ficado surpreendida. A banda nunca teve estabilidade – desde a ausência de Jeremy das gravações de All We Know Is Falling, passando pela saída dos irmãos Farro, e agora isto. A verdade é que Hayley tem sido a única constante em Paramore (ainda que Taylor só não se tenha juntado oficialmente à banda até depois do lançamento de Riot! porque os seus pais não deixaram). Por um lado, toda a gente sabe que Hayley podia, desde o início, optado por uma carreira a solo. Se não o fez até agora é porque, obviamente, não o quer. Por outro lado, para os membros estarem sempre a entrar e a sair, alguma coisa não está bem.

 

Não quero pensar que Hayley seja o problema. Ela parece ser uma miúda simpática, com valores parecidos com os meus – aliás, é atualmente uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Mas como não a conheço pessoalmente, não dá para ter a certeza.

 

Nestas alturas, a música Pressure, do primeiro álbum, faz mais sentido do que nunca.

 

 

Em defesa deles, os membros da banda parecem tão frustrados com esta história toda como eu. Ainda mais, já que esta é a vida deles. Hayley tem referido várias vezes que pensou em desistir. Disse que os Paramore parecem mais uma novela do que uma banda, que estava farta de perder amigos e de se questionar sobre o que estava a fazer de errado. Considerou várias alternativas: dedicar-se à sua linha de tintas para o cabelo, ter uma família (ela casou-se no ano passado), compôr para outras pessoas, começar um projeto diferente com Taylor.

 

Terá sido este último a salvar os Paramore, segundo Hayley. Taylor disse-lhe que a apoiaria independentemente da decisão que ela tomasse relativamente à banda. Isso aliviou a pressão sobre Hayley – que, no meio desta história toda, chegou a debater-se com depressão e ansiedade. Assim, os dois foram compondo música a pouco e pouco.

 

Entretanto, Taylor chamou Zac, o mais novo dos irmãos Farro, para tocar bateria no álbum novo. Inicialmente, veio apenas como músico contratado. Ao fim de algum tempo, Taylor convidou Zac para regressar oficialmente à banda. Ele disse que sim.

 

Toda a gente ficou feliz, como seria de esperar. Em primeiro lugar, Zac é um ótimo baterista e sentiu-se a falta dele em certos momentos do Self-Titled. A música dos Paramore fica a ganhar. Além disso, eu mesma referi, há pouco mais de dois anos, que tinha esperanças de que, um dia, os irmãos Farro regressassem. Cinquenta por cento desse desejo já se realizou.

 

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Mas fica um amargo de boca por Jeremy já lá não estar.

 

Os membros da banda chegaram mesmo a dizer que já não sabem muito bem por que os Paramore continuam a ser uma banda. Nesta altura, deve ser só por nós, os fãs – porque eles sabem que a música deles é uma das coisas que nos ajuda a sobreviver. Eu, apesar de tudo, fico grata por isso. E, agora, teremos um álbum novinho em folha daqui a menos de duas semanas.

 

Suponho que haja uma qualquer metáfora para a vida no meio desta história toda. Talvez seja assim que as coisas funcionem: uma batalha sem fim, com perdas e ganhos, cometendo os mesmos erros, sempre a desfazermo-nos e a reconstruirmo-nos outra vez, sempre a aprendermos. Uma pessoa vai continuando, às vezes só por causa daqueles que ama, às vezes só porque… qual é a alternativa?

 

 

Gonna make you wonder why you even try

 

Com isto tudo, vamos quase em mil palavras e ainda nem sequer falámos de Hard Times. Mas eu tinha de escrever sobre as aventuras e desventuras dos Paramore nestes últimos anos porque, na minha opinião, a letra da música fala sobre elas. As estâncias falam claramente sobre depressão, com referências a um buraco onde nos enfiar até os nossos problemas terem desaparecido e a uma nuvem negra que nos segue para todo o lado. No refrão, questiona-se mesmo como é que se consegue aguentar tudo isto e continuar.

 

Na verdade, a letra de Hard Times não me impressiona por aí além. Não me interpretem mal, não a acho má. É, aliás, melhor que muito do que se ouve por aí. No entanto, cai muito nos clichés habituais de Paramore. Por exemplo, o primeiro verso (“All that I want is to wake up fine”) remete para Last Hope – “Every night I try my best to dream tomorrow makes it better”. “Tell me that I’m alright” recorda-me Tell Me It’s Okay. Os versos “And I’m gonna get to rock bottom!” e “We’ll kick it when I hit the ground” fazem lembrar Turn It Off: “I’m better off when I hit the bottom”. Eu podia continuar. Não há nada na letra de Hard Times que não tenhamos ouvido antes, o que é uma pena.

 

Isso, de resto, é a única falha que tenho a apontar a Hard Times – e nem sequer a acho grave no primeiro single de um álbum novo. A letra pode não trazer nada de novo, mas o mesmo não se passa com o acompanhamento musical. Depois de músicas como Grow Up, Still into You e Ain’t it Fun, Hard Times parece lógica como o passo seguinte. À semelhança de Ain’t it Fun, Hard Times começa com notas de xilofone, que são rapidamente substituídas por notas de guitarra – são estas as responsáveis pelo ritmo dançante da música. Ouvem-se também algo que se assemelha a tambores africanos, algo que se mantém durante toda a faixa. A bateria de Zac dá personalidade à música (sobretudo numa altura em que este instrumento está em vias de extinção). No refrão, noto elementos de Daft Punk - sensação que se reforça no fim da música, com os vocais distorcidos.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu demorei algum tempo a decifrar esses vocais. Se não estou em erro, dizem “Makes you wonder why you even try” e “Still don’t know how I even survive”. Em suma, em termos musicais, à semelhança das melhores músicas do Self-Titled, Hard Times conjuga vários elementos de forma primorosa, podendo-se ouvir a contribuição de cada membro da banda. Eu gosto. Não estou propriamente caída de quatro, mas também não estava por Now quando esta foi lançada e, com o tempo, a música foi ganhando novos significados. Estou certa de que o mesmo acontecerá com Hard Times. Sobretudo quando puder ouvi-la no contexto do álbum. Para já, espero que não demore muito a chegar às rádios portuguesas.

 

 

O quinto álbum dos Paramore chama-se, então, After Laughter, e sai dia 12 de maio. Sim, daqui a menos de duas semanas. Confesso que fiquei estonteada com esse anúncio, ainda estou. Um dia, tínhamos a vaga ideia de que os Paramore estariam a trabalhar num álbum, algumas pistas como músicas registadas no site da ASCAP. No dia seguinte, temos nome, capa, tracklist, data de lançamento, primeiro single com videoclipe e pessoas que já ouviram o álbum (inveja!). Tendo em conta que os álbuns da Avril Lavigne têm sempre um parto longo e complicado (e o sexto álbum não está a ser exceção), esta é uma alternativa atordoante, mas muito mais agradável.

 

Segundo Hayley, o título After Laughter (a melhor tradução que me ocorre é “Pós-riso”) refere-se àquele momento após uma gargalhada em que regressamos à realidade. Dá para ver, assim, que este álbum vai ser animado… só que não. Quem já ouviu o álbum dá a entender que o resto será semelhante a Hard Times. Ou seja, os Paramore vão fazer o que fazem desde o início da sua carreira: queixar-se da vida. A diferença é que, enquanto antes, Paramore depressivo equivalia a guitarras pesadas e estética emo, agora equivale a música rítmica, falsamente alegre (o nome de uma das faixas novas é Fake Happy, por sinal), e tons pastel.

 

Gostava de chamar a atenção para o símbolo no centro da capa: as barras de néon que criam uma ilusão de ótica, de modo que não sabemos se são duas ou três. É obviamente uma variante do símbolo que a banda adotou em 2011, uma provável alusão à recente troca de membros. Eu, de qualquer forma, gosto imenso deste símbolo. Já encomendei, até, um dos conjuntos de merchandising da banda que inclui uma t-shirt preta com este símbolo, para além do álbum em CD (uma encomenda que, admito, foi para aí quarenta por cento impulso).

 

Havemos de falar mais sobre os Paramore quando analisar o resto de After Laughter. Ainda não decidi se analiso faixa por faixa, por ordem crescente de preferência, ou se analiso em texto corrido. Mas vou tentar publicá-la não muito depois do lançamento do álbum. Entretanto, vou ganhar vergonha na cara e ver se acabo e publico de vez a análise ao quarto filme de Digimon Adventure Tri.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Liability e Battle Symphony

Uma semana após lançar Green Light, a cantora neo-zelandeza Ella Yellion-O’Connor, de nome artístico Lorde, disponibilizou mais uma canção do seu próximo álbum, Melodrama. Esta chama-se Liability. A minha ideia era analisá-la logo a seguir ao lançamento. No entanto, precisei de alguns dias para decifrar esta canção. Como, entretanto, os Linkin Park lançaram hoje Battle Symphony – o novo single do seu próximo álbum, One More Light – resolvi analisar ambas as canções no mesmo texto.

 

Primeiro as senhoras...

 

  

I’m a little much for everyone”

 

Acho que nunca tínhamos ouvido Lorde soando tão triste. Fiquei de coração partido depois de ouvir esta faixa pela primeira vez. Liability é só piano e voz. Como acontece com as melhores canções de Lorde, a voz faz o trabalho todo – transmitindo na perfeição toda a dor, vulnerabilidade e autocomiseração da narradora.

 

Tal como acontece com Green Light, a letra de Liability tem várias camadas e múltiplas interpretações possíveis. Das primeiras vezes que ouvi Liability, pensei que esta se referia ao fim de uma relação amorosa – alguém que se tinha envolvido com a narradora, tratando-a como um mero divertimento temporário, abandonando-a quando se fartou dela ou ela pediu mais.

 

Não que esta interpretação não seja legítima, mas Lorde revelou que não compôs Liability pensando em relações amorosas. Em várias entrevistas, Ella disse que se inspirou naquelas situações, em que tentamos fazer amizades, mas receamos que os outros nos achem um fardo. Também se terá inspirado nas consequências negativas da sua fama – por ela ser uma celebridade, as pessoas próximas de si, por contágio, são obrigadas a lidar com a perda de privacidade, o escrutínio por parte do público.

 

É de admirar que Ella sinta que só atrapalha a vida das pessoas à sua volta?

 

Perante tudo isto, é natural que Lorde acabe por se virar para si mesma, por se tornar a sua própria melhor amiga.

 

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Confesso que me identifico com a letra de Liability. Já referi várias vezes aqui no blogue que sou introvertida e não faço amigos facilmente. Também já tive situações em que me senti indesejada. Ou que senti que não sou assim tão cativante para que as pessoas se interessem por mim a longo prazo, que sou demasiado estranha para a maior parte das pessoas.

 

É claro que isto é apenas a minha perceção, pode nem sequer corresponder à verdade.

 

De qualquer forma, também prefiro, muitas vezes, fazer companhia a mim mesma, tal como Lorde refere. Eu, porém, se tivesse oportunidade de dar um conselho a Ella, sugerir-lhe-ia uma alternativa ao isolamento: um cão. Conforme tenho vindo a aprender com a minha cadela, Jane, os cães estão sempre felizes por nos verem, não tecem juízos de valor, não se fartam de nós. São uma ótima companhia.

 

Por norma, é muito fácil esquecermo-nos que Ella é ainda muito nova. Em Liability, no entanto, nota-se essa juventude. Creio que uma pessoa mais velha não escreveria de uma forma tão crua e emotiva, com um pouco de autocomiseração à mistura. A própria Lorde admite que compôs esta canção numa altura em que sentia pena de si própria.

 

  

A ideia com que fico é que esta deverá ser a regra para este álbum: emoções cruas, exageradas, que poderão não corresponder cem por cento à realidade, tipicamente adolescentes. Talvez seja essa a explicação para o título Melodrama. Lembra-me, um pouco, Under My Skin, de Avril Lavigne. Este álbum também teve momentos melodramáticos que, conforme se veio a descobrir, foram apenas uma fase.

 

Em todo o caso, estou a gostar muito do que conhecemos, até agora, de Melodrama: duas músicas muito complexas, com diversas camadas e significados que se vão multiplicando com o tempo. Que inspiram testamentos aqui no meu blogue. Mal posso esperar por ouvir o resto.

 

Mas antes ouviremos One More Light, dos Linkin Park, que incluirá Battle Symphony.

 

 

All the world in front of me”

 

Conforme escrevi anteriormente, o primeiro single de One More Light, Heavy, desiludiu-me. Battle Symphony tem várias semelhanças com Heavy – a sonoridade suave, eletropop, radiofónica, os vocais melodiosos de Chester – mas, na minha opinião, está uns quantos furos acima do primeiro single de One More Light.

 

Para começar, o instrumental, sem ser nada de extraordinário ou mesmo original, é mais rico que o de Heavy. A minha parte preferida é o início do primeiro refrão, quando a bateria imita uma marcha militar – o que condiz com a letra. Gostava de tê-la ouvido mais vezes ao longo de Battle Symphony.

 

Mesmo assim, continuam a faltar guitarras elétricas.

 

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Devo dizer, também, que, apesar de pop, a melodia é cativante. Depois de ouvir várias vezes a música, dei por mim a cantarolar o refrão. A minha parte preferida, contudo, é a terceira estância.

 

A letra, infelizmente, deita um pouco a canção abaixo. Não que seja má. No entanto, tal como acontece em Heavy, é demasiado vaga, perde-se em clichés. Battle Symphony é a típica “fight song”, não traz nada de novo a um tema já muito batido.

 

Continuo insatisfeita com o estilo mais pop, mais comercial, contra o carácter da banda, que, ao que parece, os Linkin Park adotaram para este álbum. Dito isto, não me queixarei... muito... se o resto de One More Light for semelhante a Battle Symphony, desde que com letras melhorzinhas. De qualquer forma, prognósticos só depois de o álbum sair.

 

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Não devemos ficar por aqui em termos de música dos meus artistas preferidos – longe disso. A foto acima parece mostrar que os Paramore estão a filmar um videoclipe. O que quererá dizer que teremos um single muito em breve (máximo dos máximos daqui a um mês, juntamente com o videoclipe... acho eu).

 

Somando a isso o possível sexto álbum de Avril Lavigne, que mudou de gravadora e tudo (apesar de, por norma, estas coisas demorarem muito mais com a Avril), esperam-nos muitas mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas nos próximos tempos. Por um lado, é excitante voltar a escrever regularmente sobre música. Por outro, tenho medo de não conseguir dar conta do recado. Durante os últimos dois anos tivemos muitos poucos lançamentos novos por parte deste pessoal. Agora, está tudo a lançar música ao mesmo tempo. Vão ser muitos textos para escrever... quando existem outros sem ser sobre música na minha lista de prioridades.

 

Vou tentar despachar esses textos nas próximas semanas, nesse caso – incluindo um sobre um assunto que não abordo há imenso tempo. Continuem por aí, então.

Sum 41 - 13 Voices (2016)

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A banda de punk rock canadiana, Sum 41, atuou recentemente em Lisboa, no Coliseu dos Recreios e eu estive lá. A banda, liderada por Deryck Whibley, veio apresentar o seu mais recente álbum de estúdio, 13 Voices, editado em outubro do ano passado. Está na altura de, finalmente, falarmos sobre isso.

 

Não tenho um único álbum preferido bem definido dos Sum 41. A verdade é que não oiço a discografia completa deles há muito tempo, só aquelas músicas de que gosto mesmo e que fui incluindo nas minhas playlists. Os álbuns de All Killer No Filler a Underclass Hero contribuem com mais ou menos o mesmo número de músicas para essas playlists. Dito isto, considero que as melhores, de uma maneira geral pertencem ao álbum Chuck – títulos como No Reason, Open Your Eyes, We’re All to Blame, There’s No Solution e Pieces.

 

De qualquer forma, talvez um dia destes escreva Críticas Retrospetivas a alguns desses álbuns. Não nos próximos meses, mas um dia.

 

Screaming Bloody Murder é, infelizmente, o álbum de que menos gosto neles. Essa é uma opinião comum a muitos fãs, eu sei, mas garanto-vos que tentei, várias vezes. As únicas de que gosto são Reason to Believe (gostei quando o Deryck tocou a conclusão dessa música ao piano, durante o concerto), Crash, Exit Song e, um pouco, Blood in My Eyes (que chegou a estar nomeada para os Grammy).

 

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13 Voices até se assemelha um pouco a Screaming Bloody Murder mas, na minha opinião, está uns quantos furos acima. Acho que ninguém ficou surpreendido quando se veio a saber que este álbum foi fortemente influenciado pela quase-morte por alcoolismo de Deryck e consequente recuperação. Deryck afirmou mesmo que a tracklist segue quase uma ordem cronológica. Assim, A Murder of Crows foi a primeira música a ser composta por Deryck após sair do hospital.

 

À semelhança de Reason to Believe em Screaming Bloody Murder, A Murder of Crows é uma abertura épica para 13 Voices. Para além das guitarras e da bateria, noto também alguns elementos sinfónicos – tanto quanto sei, uma novidade na discografia dos Sum 41 e voltarão a aparecer no álbum. Deryck afirmou, neste vídeo, que compôs A Murder of Crows pensando em pessoas na sua vida, que considerava amigas, que tinham estado lá para as festas e para a bebida, mas que, no pior período da vida de Deryck, voltaram-lhe costas.

 

Não que isso seja uma grande surpresa. Pelo contrário, é um denominador comum a muitos casos semelhantes. Pessoas tóxicas, abutres. Não é por acaso que esta canção se chama A Murder of Crows, “um assassino de corvos”. Já Grow Up dos Paramore faz referências a pessoas desse género. Não é de surpreender que uma das primeiras coisas que Deryck tenha feito depois de sair do hospital tenha sido cortar essas pessoas da sua vida.

 

  

Outro tema fortemente influenciado por aquilo que aconteceu a Deryck foi War, o primeiro single oficial de 13 Voices (apesar de Fake My Own Death ter sido revelada algumas semanas antes). War tem sido descrita como a Pieces deste álbum e, de facto, as semelhanças são evidentes. Porém, enquanto Pieces é guiada pela guitarra elétrica e possui um tom depressivo, War é guiada pelo piano e tem um tom mais determinado e esperançoso.

 

War vale sobretudo pela sua letra, no entanto. Costumo falar muito em música que salva vidas – segundo Deryck, War foi quase literalmente o caso. Recordar que, devido aos danos que o álcool provocou nos seus nervos, Deryck teve de começar quase do zero. Teve de aprender de novo a andar, a tocar guitarra, mesmo a viver. Não é um percurso fácil para ninguém e, naturalmente, existem dias maus. Num desses dias, Deryck esteve muito perto de desistir e pegar numa garrafa. Em vez disso, pegou em papel e lápis (ou então caneta, sei lá…) e escreveu aquilo que se tornaria a letra de War.

 

Depois de escrevê-la, Deryck encarou aquelas palavras como um contrato consigo mesmo, uma promessa de que continuaria a lutar pela sua recuperação. Antes de tocar War, no Coliseu de Lisboa,  Deryck disse mesmo que uma das coisas que o motivou nesta luta foi o desejo de gravar um disco e regressar aos palcos para ver os fãs. Chegou mesmo a agradecer-nos por isso, à “família Sum 41” – é muito amor!

 

  

Breaking the Chain (uma das minhas preferidas neste álbum) também parece refletir uma fase da sua recuperação. Tem uma sonoridade interessante pois inclui uma orquestra e tudo (algo inédito na discografia de Sum 41, tanto quanto sei), sem dispensar as guitarras elétricas. Na letra, o narrador reflete sobre o seu passado. Assume pela primeira vez, preto no branco, os erros que cometeu e decide mudar, redimir-se. A palavra “chain” pode significar  “corrente” ou “sequência de eventos”, “padrão”. No contexto desta música, ambos os significados fazem sentido. A expressão que serve de título à faixa pode, assim, referir-se à quebra das correntes que o prendem à sua vida anterior, ou então à quebra da cadeia de eventos, do ciclo vicioso, que inevitavelmente resultaria na sua morte.

 

The Fall and the Rise é uma música que tem vindo a… bem, a subir na minha consideração. Esta adota um estilo recorrente na discografia dos Sum 41, com versos cantados quase em rap – como acontece, por exemplo, em Still Waiting e I’m Not the One. O riff de guitarra e aquilo que me parece ser um órgão dramático fazem um crescendo interessante até ao refrão. Gosto, também, da terceira parte da música, em que esta abranda ligeiramente e os vocais se tornam mais melodiosos. Na minha mente, a música pinta a imagem de uma corrida num sítio agreste (uma floresta escura, por exemplo, ou um deserto), o que, de resto, condiz com a letra da música. Tudo isto dá a The Fall and the Rise um carácter desafiador, determinado. Calculo que Deryck tenha escrito estes versos numa altura em que se sentia mais esperançoso, confiante em si mesmo, decidido a recuperar-se e a voltar ao “sítio aonde pertence” – os palcos, assumo eu.

 

  

Goddamn I’m Dead Again também faz referências ao que aconteceu a Deryck. A letra é essencialmente Deryck ralhando consigo mesmo por quase ter dado cabo de si próprio. A música destaca-se, também, pelo seu excelente solo de guitarra (embora algumas partes se assemelhem, suspeitamente, ao solo de Hotel California), da autoria de Dave “Brownsound” Baksh. Deryck afirmou que Goddamn I’m Dead Again é, de resto, a canção que assinala o regresso de Dave à banda.

 

Se Goddamn I’m Dead Again é a canção de Dave, There Will Be Blood será a música de Frank Zummo, o novo baterista da banda. Segundo Deryck, There Will Be Blodd partiu de uma composição antiga de Frank, que Deryck concluiu. Esta música volta a ter alguns elementos sinfónicos, dramáticos, soa-me muito parecia à sonoridade habitual dos Within Temptation. Até a letra aborda temas semelhantes. Fugindo um pouco ao que aconteceu com Deryck, parece falar de anjos severos, prontos a castigar os pecadores. No entanto, a cena dos “the little ones” torna-se repetitiva e um pouco irritante. Não sou a única a pensar assim, de reste, tenho encontrado opiniões semelhantes na Internet. There Will Be Blood não é uma música má, recebe pontos pelos elementos sinfónicos, mas é a faixa de que menos gosto em 13 Voices.

 

Fake My Own Death foi a primeira música que conhecemos de 13 Voices, mas não me diz por aí além. A letra não é nada de especial, na minha opinião – aborda temas costumeiros na discografia da banda (o videoclipe dá a entender que se refere à cultura de Internet). Dito isto, gosto da terceira parte da música e gosto ainda mais do refrão.

 

  

Nesse aspeto, gosto muito mais de God Save Us All, apesar de “roubar” elementos a The Catalyst dos Linkin Park (ou talvez graças a isso). O próprio título remete para “God save us everyone”. A verdade é que esta nem sequer é a primeira vez que os Sum 41 imitam os Linkin Park (acidentalmente ou não). A terceira parte de I’m Not the One faz lembrar a terceira parte de A Place For My Head. O verso “How can we fake this anymore” de No Reason é muito parecido, tanto na escolha de palavras como na melodia, ao verso “I cannot take this anymore” de One Step Closer. Finalmente - esta pode ser só eu - There’s No Solution soa-me muito parecida com Crawling.

 

Li, também, na Internet que God Save Us All é muito parecida com Throne, dos Bring Me the Horizon. Já ouvi essa música e tenho de concordar que as semelhanças são claras.

 

Eventuais acusações de plágio à parte, God Save Us All tem um ritmo acelerado, bem à punk rock, fazendo lembrar os momentos mais loucos, selvagens, do concerto deles, o que até condiz com a letra. Como é do conhecimento geral, a música rock já foi mais popular e, provavelmente, terão  tentado persuadir os Sum 41 a adotar um som mais pop, mais mainstream. Deryck escreveu a letra de God Save Us All (Death to Pop) a protestar contra isso, por achar a música pop, sobretudo dos dias de hoje, vazia de sentido e de emoção – algo com que concordo.

 

  

Twisted By Design é a música que encerra 13 Voices. Esta volta a apresentar elementos sinfónicos e possui um certo carácter épico e grandioso - o que se adequa a uma canção que funciona como um epílogo para 13 Voices. Deryck descreve-a como a sua canção de vitória – a letra reflete sobre tudo por que o narrador passou, tudo aquilo a que sobreviveu. Por um lado, admite que é melhor pessoa agora. Ao mesmo tempo, sabe que está longe de ser uma pessoa perfeita e aceita que essas partes menos bonitas de si provavelmente nunca irão desaparecer. Twisted By Design marca, também, a transição da fase em que Deryck apenas sobrevive para a fase assustadora em que Deryck faz mais do que isso: vive.

 

13 Voices não é um álbum que me tenha entusiasmado por aí além, mas é bastante sólido, sem nenhuma falha significativa a apontar. A sua grande força é o seu carácter autobiográfico, conforme temos vindo a assinalar ao longo deste texto. Tal como costumo dizer várias vezes neste blogue, uma música que se baseie em experiências reais, sentimentos reais, eleva-se logo acima da mediania. O facto de 13 Voices ser um álbum de esperança, sobrevivência e redenção, à semelhança de um certo outro álbum que me marcou fortemente.

 

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Antes de acabarmos, quero falar, então, sobre o concerto no Coliseu dos Recreios. Cheguei ao Coliseu quase uma hora antes da abertura de portas e já havia uma fila generosa para o concerto. Confesso que não estava à espera - depois de ter conseguido ficar na fila da frente do concerto de Bryan Adams com relativa facilidade (também são públicos bem diferentes...). Já sabendo que ia haver moche, não fiquei na plateia (não sou assim tão hardcore, pessoal…), mas fiquei nas bancadas junto ao palco. Apesar de ser demasiado betinha para andar ao moche, foi refrescante ver o pessoal curtindo à séria, numa altura em que, na maior parte dos concertos, metade do público está o tempo todo de telemóvel no ar.

 

Eu sabia que os Sum 41 eram bons ao vivo e não saí de lá desiludida. Deryck faz-me lembrar Chester Bennington – são ambos muito magrinhos, mas possuem uma energia inesgotável em palco (e ambos se debateram com adições em certas alturas das suas vidas...). Eu procurei retribuir com headbangs, cantando em altos berros.

 

A setlist incluiu todos, ou quase todos, os singles de cada um dos álbuns. Isso funcionou bem comigo pois muitos desses singles incluem as minhas músicas preferidas deles. Alguns dos pontos altos do concerto, para mim, foram Walking Disaster (com as luzes dos telemóveis ligadas, no início), In Too Deep, With Me (com Deryck num palco no meio da plateia e toda a gente cantando em coro), Pieces e o cover de We Will Rock You – adoro esta versão!

 

Tal como é costume quando aproveito bem um concerto, saí de lá mal me conseguindo mexer e fiquei de bangover durante dois ou três dias. Os Sum 41 não estão entre as minhas bandas absolutamente preferidas, pelo menos não neste momento, mas têm um lugar no meu coração, sobretudo depois da noite de 20 de janeiro. Faço parte da família Sum 41.

 

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Mais do que tudo, estou grata por Deryck ter conseguido vencer esta batalha, por ter sido capaz de voltar a Lisboa, com o resto da banda, celebrar comigo e com milhares de outros fãs portugueses. No mundo da música, sobretudo da música rock, ainda existe muito a cultura do “live fast, die young” – o que acho uma treta. Com o devido respeito para lendas como Kurt Cobain, eu prefiro que os meus artistas preferidos vivos, criando música, dando concertos até não poderem mais. Que cresçam ao mesmo tempo que eu e (quando tal se aplica) que vão documentando esse crescimento sob a forma de música

 

Deryck sobreviveu porque concorda com este princípio. Um dos motivos pelos quais ele não voltou a beber foi porque, como já dissemos antes, não queria morrer, queria continuar a fazer música e regressar aos palcos. A música foi mais forte que o álcool. Que isso sirva de inspiração a outros que estejam a passar por situações semelhantes. 13 Voices contou a história dessa luta. Estaremos de volta daqui a uns anos (não tantos como os cinco que separaram este álbum do anterior, espero) com o próximo capítulo musical da história dos Sum 41.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Green Light

A cantora neo-zelandeza Ella Yelich-O’Connor, de nome artístico Lorde, lançou no passado dia 2 de março o single Green Light – o primeiro do seu segundo álbum de estúdio, Melodrama, que sairá dia 15 de junho.

 

“Did it frighten you? How we kissed when we danced on the light-up floor?”

 

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Green Light representa um desvio significativo relativamente ao estilo de Pure Heroine – mas não um desvio assim tão grande como uma parte dos fãs parece acreditar. A música de Lorde sempre incorporou elementos discretos de dance music – temas como Ribs, A World Alone e Bravado têm um certo carácter dançante. Esse carácter é ainda mais pronunciado em temas como Yellow Flicker Beat (da banda sonora dos filmes dos Jogos da Fome) e Magnets (a colaboração com Disclosure). Tendo tudo isto em conta, não, não me chocou particularmente que Lorde tivesse querido abraçar a dance music no seu segundo álbum – em Green Light, pelo menos.

 

Não se deixem enganar pela sonoridade à primeira vista radiofónica. Green Light está longe de ser um tema EDM de consumo rápido, daqueles que povoam a rádio dos dias de hoje. Pelo contrário, esta é uma daquelas músicas que precisam de ser ouvidas várias vezes para serem devidamente apreciadas.

 

Green Light é uma canção muito complexa, com muitos elementos. O piano é o instrumento predominante (consta que Ella e o seu produtor, Jack Antonoff, se inspiraram num concerto a que assistiram na véspera da composição de Green Light). A música começa calma e misteriosa, acelerando ligeiramente após alguns versos. A certa altura, no pré-refrão, o tom muda e o riff do piano, no fundo, vai criando um crescendo até ao explosivo refrão.

 

Lorde sempre se destacou pela sua voz grave e luxuriante, sem se tornar sonolenta (um feito de que Lana del Rey não é capaz). Em Green Light, Ella exibe todo o potencial da sua voz: ora acelerando ora abrandando a melodia, alternando sem dificuldade entre agudos e graves. O refrão torna-se um pouco repetitivo, mas os backvocals gritando “I’m wating for it That green light! I want it!” são irresistíveis.

 

  

Lorde afirmou, em entrevista, que Green Light foi inspirada pelo seu primeiro grande desgosto amoroso (recordemo-nos que ela ainda é novinha, só tem 20 anos). A letra, de facto, parece referir-se a uma fase ainda precoce de uma separação, em que a narradora está a tentar desesperadamente seguir em frente, sem grande sucesso. Temos referências a casos de uma noite única, “visões” do antigo amado em sítios inesperados, raiva. Lorde chegou mesmo a referir que a imagem que tem da narradora é a de uma rapariga embriagada, que se esforça por se divertir e não se ralar mas que, no fundo, chora pelo ex-namorado – de facto, por vezes, as pessoas que parecem mais alegres, mais exuberantes, são aquelas que mais sofrem em silêncio. Esta música, com uma sonoridade alegre mas letra amarga, exemplifica bem esta contradição. A narradora de Green Light está à espera do “sinal verde”, do momento em que poderá libertar-se de tudo, seguir em frente.

 

Como podem ver, Green Light possui diversas camadas, emoções contraditórias, sem perder a consistência. É possível, até, que vá ganhando novos significados com o tempo. Depois da desilusão que foi Heavy, é um alívio receber uma canção como Green Light, sinceramente.

 

À semelhança do recente single dos Linkin Park, Green Light é uma mudança significativa relativamente ao estilo anterior. Como seria de esperar, nem todos os fãs estão a reagir bem a isso. Mesmo eu não sei se me agrada completamente que Lorde entre em território mais dance pop. A diferença é que Green Light tem qualidade, está bem trabalhada, tem muito para oferecer. Quando é assim, sabe bem escrever sobre música!

 

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O álbum Melodrama estará disponível para pré-venda no próximo dia 10. Consta que, nessa altura, publicarão mais uma faixa do álbum. Depois de Green Light, estou ansiosa por mais música de Lorde. Tentarei analisá-la aqui no blogue, mas não estou em condições de prometer nada.

 

Porquê? Porque, com tudo o que tem acontecido e com a minha falta de organização, estou neste momento a trabalhar em três textos diferentes (quatro, se contarmos com este). Um deles é, obviamente, a análise ao último filme de Digimon Adventure Tri, mas esse ainda está em fase de planeamento. Vou tentar ir publicando estes textos ao longo das próximas semanas. A análise a Soshitsu deverá vir dividida em duas partes, à semelhança do que aconteceu com os dois filmes anteriores de Tri. Outro dos textos em que estou a trabalhar neste momento terá três partes, em princípio. Somando a isso a análise a uma possível música de Lorde e o blogue estará bastante ativo nos próximos tempos.

 

Por isso, continuem desse lado.

Top 10 Pokémon Generations #2

Segunda parte do meu top 10 de episódios de Pokémon Generations. Primeira parte aqui

 

5) The Cavern (A Caverna)

 

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Este episódio, The Cavern, resume-se de uma forma bastante simples. Foca-se no Team Aqua e no seu líder Archie. Este último encontra o Lendário Kyogre. Prepara-se para assumir controlo sobre ele quando Shelly aparece, a correr, para avisá-lo que que os seus planos resultarão numa catástrofe de proporções épicas. Archie ignora-a, claro, e os resultados são os esperados: Kyogre reverte para a sua forma primitiva e despoleta um dilúvio. Quando, mais tarde, Archie se apercebe do erro que cometeu (de que estava ele à espera, sinceramente?) e tenta ordenar a Kyogre que páre com aquilo, o Lendário volta-se contra ele.

 

Tal como referi quando falei de The Vision, na minha opinião, esse e The Cavern funcionam como um par. E, de facto, a ideia com que fico é que este é uma sequela a The Vision, que decorre na realidade de Omega Ruby, em que o Team Magma é a principal organização vilanesca, mas na realidade de Alpha Sapphire, em que o Team Aqua é a organização vilanesca (não vou entrar nas realidades e cronologias alternativas em Pokémon, que isso daria azo a um testamento inteiro à parte). Um aspeto que acho curioso é o facto de o Team Aqua ser a antítese do Team Magma, de certa forma: o líder é o louco e os subalternos são os sensatos. Mais uma vez, a subalterna feminina é a primeira a aperceber-se das consequências catastróficas que os planos dos seus líderes poderão ter. Shelly percebe-o, não graças a uma visão (que é consistente com a personalidade mais excêntrica de Courtney), mas de uma maneira bem mais prosaica: pesquisando no Instituto Meteorológico.

 

Pode-se especular se, depois de Vision, Courtney procurou avisar o seu líder, Maxie, sobre a visão que teve. No entanto, Shelly, mais sensata, avisaria sempre Maxie. Não que isso tenha valido de muito, pobre Shelly…

 

Por fim, destacar o remix do tema do Trio Groudon/Kyogre/Rayquaza - que, como referi no meu texto sobre a terceira geração, é o meu tema preferido de Hoenn. Se havia um tema musical em Pokémon que precisava de uma versão com um coro dramático era este. Daí que The Cavern esteja várias posições acima de The Vision nesta lista, apesar de estes episódios serem bastante semelhantes.




4) The King Returns (O Rei Regressa)

 

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O Senhor dos DNA Splicers, o Regresso do Rei… não? Ok, vou calar-me.

 

The King Returns decorre no Giant Chasm, onde Ghetsis aguarda, com Kyurem. Aquele por quem espera aparece rapidamente: N, com Reshiram. O antigo rei do Team Plasma exilara-se após a primeira derrota da organização, dois anos antes. Regressava agora, para salvar Kyurem e toda Unova de Ghetsis e do Team Plasma. Quem estiver familiarizado com o enredo de Black2&White2, saberá que esta era, desde o início, a intenção de Ghetsis: ele capturara Kyurem e congelara Opelucid City para atrair N e Reshiram. E agora, que finalmente os encontrara, podia executar o seu plano: usar os DNA Splicers para fundir Reshiram com Kyurem, obtendo o White Kyurem.

 

Não sei se sou a única, mas sempre achei a cena da formação, quer do Black Kyurem quer do White Kyruem, assustadora: ver Kyurem atacando Zekrom ou Reshiram, estes tentando fugir mas sem conseguirem escapar à fusão. É por esta cena que acho que nunca serei capaz de usar os DNA Splicers eu mesma, nos jogos. The King Returns faz justiça a esse momento - até por recorrer ao um remix do tema de combate de Ghetsis em Black&White.

 

Ghetsis ordena a White Kyurem que ataque N. Este tenta apelar a Reshiram e, aparentemente, é bem sucedido, pois White Kyurem hesita. Esta hesitação despoleta o mau génio de Ghetsis. N volta-se para ele, chama-lhe Pai, tenta apelar à sua humanidade, se é que Ghetsis tem alguma (pontos para o tema de N, que toca no fundo). Sem sucesso. Ghetsis responde com ainda mais crueldade. Ordena novo ataque e, desta feita, White Kyurem obedece. É então que aparece Hilbert, o protagonista masculino de Black&White, montado no seu Zekrom, para salvar o dia - N incluído.

 

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Este último desenvolvimento é o ponto forte de The King Returns. Este, até ao momento, não se desviara radicalmente do enredo original - o diálogo entre Ghetsis e N é quase um copy/paste dos jogos. No que toca à quinta geração, no entanto, isso não é uma coisa má por si só: em termos de matéria-prima para estes episódios, os jogos de Unova encontram-se entre os melhores.

 

No entanto, a entrada em cena de Hilbert, para além de conferir maior interesse ao episódio, ata uma ponta solta da quinta geração. Em Black2&White2, descobrimos que o protagonista de Black&White partira à procura de N, após os eventos de dois anos antes. Não há nenhuma indicação nos jogos que Hilbert (ou Hilda) o tenha encontrado - segundo a mãe dele(a), ele(a) nunca mais voltou a casa, o que me parte um bocadinho o coração. Generations, ao menos, oferece um cânone em que Hilbert (não Hilda, que pelos vistos as protagonistas femininas não existem neste universo) volta a ver N de novo. Faz mais do que isso: salva-lhe a vida e alia-se a ele para, mais uma vez, derrotarem Ghetsis (a título definitivo, espera-se) e salvarem Unova.

 

3) The Beauty Eternal (A Beleza Eterna)

 

Chegamos, então, ao pódio de Generations. Tenho de confessar, no entanto, que as diferenças entre estes três episódios são mínimas - mudei várias vezes de ideias em relação à ordem deste pódio. No entanto, estes três episódios estão num patamar acima de todos os outros em Generations, ainda que por motivos diferentes.

 

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The Beauty Eternal foca-se em Lysandre. Quem conheça os jogos X&Y saberá que este é o vilão, líder do Team Flare. No entanto, The Beauty Eternal não o retrata dessa forma, pelo menos não de início. Pelo contrário, Lysandre surge como o Steve Jobs de Kalos. Vemo-lo apresentando o mais recente gadget da Lysandre Labs, o Holo Caster (toda a gente odeia este nome, por motivos óbvios). Gadget esse que é um sucesso imediato. Lysandre também faz questão de fazer doações ao hospital - muito provavelmente para manter uma imagem pública favorável.

 

Vemos, também, que Lysandre mantém relações de amizade com outras pessoas importantes, como Diantha - estrela de cinema e campeã de Kalos. (Também sabemos, dos jogos, que Lysandre é amigo do Professor Sycamore, mas este último não aparece em Generations). A conversa que ela tem com Lysandre (mais uma vez, quase um copy/paste dos jogos) é desconcertante por dois motivos. Em primeiro lugar, Lysandre dá a entender que, na sua opinião, o dever de Diantha, como atriz, é manter-se para sempre jovem e bonita. Não consigo deixar de pensar que demasiadas pessoas de Hollywood pensam da mesma maneira. Em segundo lugar - sendo isto mais relevante para o episódio - Lysandre afirma, casualmente, que “acabaria com o Mundo num instante só para preservar a sua beleza”. É claro que Diantha não o leva a sério.

 

Pelo meio, vemos Malva como pivô de notícias. Sabemos, dos jogos, que, para além disso, Malva pertence à Elite 4… e ao Team Flare.

 

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Entretanto, os jornalistas começam a perguntar a Lysandre sobre um tal “projeto Y” - Lysandre, obviamente, não responde. Nem as pessoas trabalhando diretamente com ele sabem que projeto é esse. Mas quando vemos aquela que, nos jogos, é conhecida como a “arma suprema” (ultimate weapon), com Yveltal nela aprisionado, confirma-se aquilo que a audiência já sabia dos jogos: Lysandre, o grande ídolo de Kalos, o Steve Jobs lá do sítio, planeia matar toda a gente. Literalmente.

 

The Beauty Eternal faz, assim, um bom trabalho ao retratar a sociedade de Kalos: uma sociedade bela e glamourosa mas superficial e corrupta. De que outra forma se explica que tivessem deixado um psicopata como Lysandre ganhasse tanto poder? (O que, infelizmente, me faz pensar no que está a acontecer neste momento, no mundo real…). O que mais me frustra relativamente aos jogos de Kalos, de resto, é o facto de, como vemos, a região até ter uma história com potencial que X&Y não foi capaz de concluir satisfatoriamente… mas isso é conversa para outra ocasião.



2) The Legacy (O Legado)

 

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Chegamos, agora, ao segundo lugar desta lista e encontramos The Legacy, protagonizado por Silver, o rival dos jogos de Johto, e Looker. Não cheguei a falar de Silver  no meu texto sobre a segunda geração porque a personagem só foi decentemente desenvolvida nos remakes Heart Gold e Soul Silver. Falarei, portanto, sobre ele quando escrever sobre a quarta geração.

 

Silver é o protagonista de The Legacy, que é abordado por Looker (atentem à versão melancólica do tema de rival da segunda geração, que no fim muda para um tom triunfal). Este faz-lhe perguntas sobre o seu pai… nada mais nada menos que Giovanni, o líder dos Team Rocket, que Looker persegue há pelo menos três anos. Devo dizer que Looker mostrou um pouco de falta de tacto ao fazer perguntas tão diretas a Silver. Pedir a alguém que denuncie um familiar ou amigo é algo que nunca deveria ser feito de ânimo leve - Looker deveria sabê-lo. É uma questão de bom senso.

 

O jovem, no entanto, não parece levar a mal as perguntas de Looker. Mostra-se, aliás, mais amigável do que aquilo que conhecemos dele dos jogos… mas continua longe de ser uma pessoa simpática e calorosa. Nota-se, aliás, que ele menospreza Looker pela sua busca por Giovanni. Acho que podemos assumir que este episódio decorre depois dos eventos do enredo da segunda geração - isto é, após Silver ter ganho afeição aos seus Pokémon e de ter tentado devolver o starter que roubou ao professor Elm. The Legacy dá a entender que, depois disso, Silver decidiu combater pelos crachás de Johto, qualificando-se para a Liga Pokémon.

 

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É possível que nem todos os fãs soubessem que Silver é filho de Giovanni, uma vez que isso só foi confirmado oficialmente no evento de Celebi. (Há quem especule, por sua vez, que a sua mãe seja Ariana, uma dos Rocket Executives). O último diálogo entre Silver e Giovanni é essencialmente o mesmo que ocorre nesse evento. Esta conversa, de qualquer forma, mostra uma perspetiva intrigante sobre Giovanni: o facto de ele precisar de um grupo de pessoas às suas ordens para conseguir o que quer. Naturalmente, Silver quer fazer o oposto, quer fazer tudo ele mesmo, sem depender de ninguém. É uma posição legítima. No entanto, durante muito tempo, o jovem recorre aos métodos errados - métodos esses que acabam por não diferir muito aos que o pai usaria.

 

Silver não se mostra muito interessado em colaborar com Looker e não é difícil pensar em motivos para isso: restos de afeição pelo pai, não querer ver-se envolvido nos esquemas dele, achar que não vale o esforço já que, de qualquer forma, a organização criminosa dissolveu-se outra vez. De qualquer forma, a verdade é que, no momento deste episódio, Silver nunca foi mais diferente do seu pai. O jovem procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon e ganhou os crachás necessários para a Liga de forma legítima (quero acreditar nisso, pelo menos). Tornou-se melhor treinador, melhor pessoa, que Giovanni alguma vez será. Isso, de resto, é a essência de Pokémon, tal como afirma uma citação que utilizei antes: "O coração da história de Pokémon não é combater e competir - é o espírito de crescer, explorar a natureza e ver o mundo de modo a tornarmo-nos pessoas melhores". Silver é um dos muitos bons exemplos disso e é por estas e por outras que o considero o melhor rival de toda a franquia.



1) The Scoop (O Exclusivo)

 

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Eis, então, o primeiro lugar desta lista. Os protagonistas de The Scoop são Gabby e Ty, a dupla de repórteres que encontramos frequentemente nos jogos de Hoenn. Estes invadem o Centro Espacial de Mossdeep, à procura de informações sobre a destruição do meteorito que estivera em rota de colisão com a Terra (ou qualquer que seja o nome do planeta onde decorre a ação de Generations). Gabby consegue encontrar um ficheiro de vídeo que mostra o protagonista dos jogos de Hoenn (não dá para ver se é Brendan ou May, a protagonista feminina) voando montado no Mega Rayquaza ao encontro do meteorito. Aí, o episódio reproduz a cena do Delta Episode de Omega Ruby e Alpha Sapphire, em que o Mega Rayquaza destrói o meteorito, revelando uma icónica placa triangular, que se transforma no Deoxys.

 

O encontro e combate com o Deoxys já é um dos momentos mais épicos de Omega Ruby e Alpha Sapphire. Em Generations, como não têm de respeitar as mecânicas rígidas dos jogos,  com os movimentos limitados e os ataques à vez, conseguem elevar o combate entre o Deoxys e o Mega Rayquaza a um nível ainda maior, mais dinâmico e eletrizante. Gostei do pormenor do treinador (ou treinadora) saltando para o satélite e assistindo ao combate a partir daí - algo que não sei se seria possível na ausência de gravidade, contudo. E, tal como acontece nos jogos, a banda sonora eleva ainda mais a  grandiosidade do momento.

 

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Até Gabby e Ty se deixam levar pelas imagens, descurando a vigilância. Acabam por ser surpreendidos por um cientista e vários seguranças, que lhe exigem o vídeo de volta. Gabby é uma mulher astuta e consegue enganá-los. O episódio termina com ela e Ty fugindo dos seguranças..


Fiquei desapontada por não termos podido ver Zinnia em Generations. Tirando isso, The Scoop faz tudo o que um episódio de Generations podia fazer de melhor. Mostra uma parte fixe de Omega Ruby e Alpha Sapphire (e, em Pokémon, conforme afirmei antes, poucas coisas são mais fixes que um bom combate entre Lendários) sem fazer apenas copy/paste. Ao mesmo tempo, oferece uma nova perspetiva à história que já conhecemos: quer mostrando que uma boa parte da população de Hoenn não terá percebido ao certo que história foi aquela do meteorito, quer mostrando que aqueles que sabem não têm interesse em revelar a verdade ao público, quer mostrando uma faceta diferente de personagens icónicas de Hoenn. Daí que, na minha opinião, seja o melhor episódio de Generations.

 

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O anime em Pokémon tem como objetivo principal promover os jogos - toda a gente sabe isso. Origins, por exemplo, foi criada para cativar fãs mais velhos, com saudades da primeira geração, para X&Y - daí que, no fim, o Charizard de Red, o protagonista, obtenha uma Mega Evolução. Por essa lógica, talvez Generations tenha servido para promover Sun&Moon mas, a ser verdade, fá-lo de uma forma muito discreta - bem mais discreta que Origins, diga-se de passagem. Na minha opinião, faz mais sentido que Generations tenha vindo integrada nas celebrações do vigésimo aniversário da franquia: desta feita, celebrando os melhores momentos de vinte anos de jogos. E numa altura em que Pokémon voltava a estar na moda, como não estava havia, pelo menos, quinze anos, o timing dificilmente podia ser melhor. Eu gostei muito. As tardes de sexta-feira nunca mais foram o mesmo desde essa altura.

 

Já que falamos disso, já terão reparado que estou epicamente atrasada com os meus textos de Pokémon através das gerações - a última data que tinha prometido era o dia do lançamento de Sun&Moon. Não devia ter dado uma data sequer, não estou em condições para isso. Dito isto, tenho o texto sobre a quarta geração bastante adiantado. Devo conseguir publicá-lo algures nas próximas semanas. Continuem desse lado!

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