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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Sexta temporada #2

Segunda parte da minha análise a Once Upon a Time. Podem ler a primeira parte aqui. Hoje, queria começar por falar dos enredos mais secundários nesta temporada.

 

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Um deles disse respeito à morte do pai de David, quando este era pequeno. Descobre-se que, em vez de ter sido uma morte acidental, o pai, Robert, morreu tentando recuperar James, o irmão gémeo de David, que fora levado por Rumplestilskin para ser adotado pelo rei George.

 

De início, pensa-se que Robert fora assasinado pelos guardas do rei. Mas, no fim, descobrimos que quem desferiu o golpe fatal foi... Hook.

 

Esta história é interessante, mas teria sido perfeita se tivesse sido integrada no arco do Submundo, da temporada anterior. Podiam manter os mesmos flashbacks. No presente, David reencontrava o pai e o irmão no Submundo. Haveria uma dose saudável de drama e conflito, motivados por traumas de abandono e, no fim do episódio, Robert e James seguiriam para a luz.

 

Sempre era uma maneira de dar mais profundidade a James, que sempre foi muito unidimensional – além de que a sua história no Submundo foi uma seca, conforme referi na altura.

 

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Podiam, também, manter Hook como o verdadeiro assassino de Robert. Juntando isso às coisas que este fizera enquanto Dark One, podíamos ter uns quantos episódios com o pirata sentindo-se culpado, indigno de ser salvo.

 

Da forma como fizeram, o envolvimento de Hook e consequente espiral de culpa, que demorou vários episódios a ser resolvida, não fez sentido nenhum. Depois de Zeus ter considerado Hook digno de ser ressuscitado, que mais redenção é necessária?

 

É óbvio que esta história só foi incluída para que houvesse algum drama entre Emma e Hook antes de estes se casarem.

 

Regressando à Maldição do Sono, a sua quebra tardou mas foi bem feita, na minha opinião. No episódio em que ocorre, descobrimos que, dez anos após o início da primeira Maldição, Snow e David recuperaram as memórias durante algumas horas. Tiveram a oportunidade de ir ter com Emma (uma criança, na altura), mas escolheram não fazê-lo. Se o tivessem feito, a Maldição podia nunca ter sido quebrada e os habitantes de Storybrooke nunca seriam libertados (bem, tecnicamente seriam sempre libertados quando Emma morresse, mas não sei se Snow e David sabiam desse pormenor).

 

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Gostei que, ao fim de quase seis anos de série, tivessem abordado uma questão, até ao momento, mal resolvida. Snow podia dizer tanto quanto quisesse que abandonara Emma “para lhe dar a sua melhor hipótese” (a tradução não soa tão bem como o original “give you your best chance”), mas a verdade é que ela sacrificou a felicidade da filha para salvar outras pessoas. Não que fosse líquido que Emma estivesse melhor amaldiçoada, mas ao menos estaria junto da mãe.

 

Fez, assim, sentido que, no presente, Snow tenha escolhido trocar a cura para a Maldição do Sono pela possibilidade de Emma resgatar Hook – que estava preso na Terra do Nunca. E que, no fim, a Maldição do Sono tenha sido quebrada com a ajuda dos outros habitantes de Storybrooke.

 

Com Hook de regresso e os Charmings livres da Maldição, a série pôde finalmente avançar para o casório de Emma e Hook – que decorreu no muito antecipado episódio musical. Muitos fãs aguardavam-no ansiosamente, alguns deles há anos, e, na minha opinião, a série não desiludiu. As músicas originais (com uma única exceção) são perfeitas para as personagens que as cantam e… são giríssimas. Têm sido regulares nas minhas playlists desde a exibição do episódio – e, tirando quando era pequena, nunca fui do género de ouvir músicas da Disney no meu Mp3 (a única exceção é Let it Go).

 

Once Upon a Time deixa, assim, de ser uma das minha poucas paixonetas (daquelas sobre as quais escrevo) que não tem uma componente musical. Não vou, por isso, deixar de falar sobre estas canções.

 

  

Eu não fazia ideia que o elenco de Once Upon a Time tinha vozes como estas. Penso que alguns deles, como Josh Dallas e Jennifer Morrison, já tinham participado em musicais e Colin O’Donoghue tem uma banda. Os actores também deram a entender que tiveram treinadores vocais, que os ajudaram a encontrar o tom adequado para cada um.

 

Se este foi o resultado… será que me podem ensinar também?

 

O motivo para toda a gente ter começado a cantar foi um desejo que Snow pediu, quando estava grávida de Emma e à espera da Maldição: algo que garantisse que a filha teria o seu final feliz. Vemos os primeiros resultados em Powerful Magic, o dueto entre Snow e David.

 

Esta é a música mais Disney de todas. Tanto Ginnifer Goodwin como Josh Dallas dão espetáculo. Têm vozes lindas, sobretudo Josh (a sua entrada é hilariante, a propósito), e parecem, mais do que nunca, saídos de um filme da Disney – chega a ser caricato. Powerful Magic em si personifica lindamente o casal: alegre, esperançosa e saudavelmente lamechas.

 

  

As músicas de Regina, The Queen Sings e, sobretudo, Love Doesn’t Stand a Chance, por sua vez, são cantadas em tom grave. A segunda, aliás, é conduzida por acordes de guitarra e notas de piano, e Lana Parrilla canta e dança, personificando a Evil Queen em toda a sua glória.

 

Da mesma maneira, o tema de Hook, Revenge is Gonna Be Mine, mistura rock com elementos que recordam a banda sonora dos Piratas das Caraíbas. Colin O’Donoghue, aliás, domina a atuação sem esforço, com o carisma que todos lhe reconhecem.

 

O tema de Zelena, por sua vez, deixou-me dividida. Rebecca Mader tem uma voz fabulosa – o meu queixo caiu quando ela começou a cantar. E a música é linda, não o nego. O meu problema é que a melodia é demasiado… luminosa para uma música de vilã – lembrar que, na altura dos flashbacks, Zelena ainda não fazia parte dos heróis.

 

Suponho que esse seja um problema semelhante ao que os criadores de Frozen tiveram, no início da conceção do filme. A ideia inicial era fazer de Elsa uma vilã mas, quando compuseram Let it Go, a música revelou-se demasiado positiva e inspiradora para ser vilanesca.

 

  

Os criadores de Frozen puderam reescrever o filme para que se adequasse à canção. Os guionistas de Once Upon a Time não iam fazer o mesmo, por motivos óbvios. Mas também não eram necessárias muitas alterações à música para que esta se adequasse melhor a Zelena.

 

Snow e David pensam que a música seria uma boa arma contra Regina e, assim, vão confrontá-la. Este confronto musical entre os Charmings e a Evil Queen fazia sentido em teoria mas, na prática, ficou esquisito. Não sei se era essa a intenção dos guionistas, se era suposto ser ridículo. Mas não seria a primeira vez que Once Upon a Time levava uma boa ideia longe de mais, acabando por estragá-la um pouco.

 

O confronto acaba por não dar em nada, para desilusão de Snow e David. A Fada Azul, no entanto, diz-lhes que o objetivo da música não era esse – antes, esta viveria dentro de Emma e, um dia, dar-lhe ia forças para a Batalha Final.

 

  

Esse dia é o da boda dela e de Hook – o mesmo dia em que a Fada Negra lançará uma Maldição sobre Storybrooke. É durante o confronto com essa vilã que a música surge de dentro de Emma. Esta canção foi composto a partir do tema principal da série – um tema que esteve sempre lá desde o início de Once Upon a Time, o que era consistente com a ideia de que esteve sempre no coração da protagonista. A voz de Jennifer Morrison não é tão consistente como a dos outros membros do elenco, mas também acho que esta canção é mais difícil de cantar que as restantes.

 

Não deixa de ser uma bela música, que começa melancólica, mas que rapidamente ganha um carácter épico – muito graças à secção de metais.

 

Por fim, temos A Happy Beginning – a canção de casamento de Emma e Hook (e estou a pensar seriamente incluí-la no meu). Acaba por ser a típica canção final num musical: alegre, vitoriosa, com o elenco todo a dançar e a cantar. Uma canção de final feliz.

 

 

Isto é, antes de o sino tocar e a Maldição ser ativada.

 

Esta é a terceira vez na série que o episódio duplo de final de temporada se centra numa qualquer variante à realidade/cronologia habitual. Desta feita, temos a Batalha Final, que consiste numa Maldição em moldes semelhantes à da primeira temporada. Ou melhor, vemos o que poderia ter acontecido se essa primeira Maldição não tivesse sido quebrada. As únicas diferenças são que Fiona é a Presidente e mãe adotiva de Henry, em vez de Regina, e que a família direta de Emma, tirando Henry, é banida para a Floresta Encantada. Emma encontra-se internada num hospício por ter acreditado nas histórias de Henry.

 

Henry é o único em Storybrooke que manteve as suas recordações… por algum motivo. O miúdo é imune a estas coisas, ao que parece – provavelmente por causa daquela história do “coração do maior crente”. A missão de Henry é, mais uma vez, fazer a mãe acreditar em magia e nas histórias do seu livro.

 

Até porque, à medida que Emma vai deixando de acreditar, os diferentes mundos dos contos de fadas, onde os Charmings e os outros estão presos, vão sendo destruídos.

 

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Não que as personagens tenham ficado de braços cruzados, enquanto o mundo se desfazia literalmente em pó à volta deles. Pelo contrário, Hook e David trepam um pé de feijão (não sei se é o mesmo onde Emma e Hook se conheceram mas, pelo menos, é muito parecido) à procura de um feijão mágico que os leve de volta a Storybrooke.

 

Esta pequena aventura sempre rendeu alguns bons momentos de interação entre sogro e genro (David e Hook sempre tiveram boa química), alguns momentos parvos (David caiu do pé de feijão e recuperou dos eventuais ferimentos com o Beijo do Verdadeiro Amor… #fucklogic) mas, no fim, acabou por não resolver nada.

 

Entretanto, em Storybrooke, todas as tentativas de Henry para fazer a mãe acreditar falham. Fiona convence mesmo Emma a queimar o livro de histórias e a regressar a Boston.

 

Quando chega, no entanto, Emma descobre na sua mala um caderno onde Henry escreveu a história dela: a história de uma mulher solitária, um patinho feio, que encontrou a sua família, o seu lugar, que se transformou num cisne, numa heroína. Assim, Emma decide regressar. Não porque se recorde da história contada por Henry, mas porque quer ser a pessoa que o filho acredita que seja.

 

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Adorei esse pormenor – foi uma das minhas partes preferidas deste final de temporada. À primeira vista, parecia que esta Maldição fizera Emma regredir à sua personalidade na primeira temporada. Mas não era verdade. Se bem se recordam, nos últimos episódios desse ano, quando Emma teve as primeiras indicações de que as histórias de Henry poderiam ser verdade, que ela nascera para ser a Salvadora, ela entrou em pânico e tentou fugir de Storybrooke. Desta feita, ao descobrir que Henry a via como a Salvadora, Emma não fugiu – pelo contrário, abraçou esse papel.

 

Só mostra que, lá porque Emma perdera as memórias das últimas cinco temporadas da série, não perdera a sua transformação em heroína.

 

Mas não foi ela a quebrar esta Maldição. Foi Rumple. Este passara a meia temporada igual a si próprio, com um pé na Luz e outro na Escuridão, sem que saibamos ao certo a qual dos lados ele é leal. Nos últimos episódios da temporada, antes da Maldição, Fiona tinha, aparentemente, conseguido seduzir o filho para o seu lado.

 

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Contudo, cometeu um erro de amadora: separar Belle de Rumple. Qualquer um podia ter-lhe dito que Rumple nunca abriria mão da esposa sem protesto – para o melhor e para o pior, como víramos na primeira metade da temporada. Acabou por ser essa a ruína de Fiona – depois de o filho ter visto o estado em que Belle se encontrava, sob o efeito da Maldição, Rumple vira-se contra ela. Fiona morre às mãos do próprio filho, tal como já acontecera com o marido.

 

Fiona continuava, no entanto, na posse do coração de Gideon. Ao descobrir que Emma regressara de Boston, ordenara ao neto que matasse a Salvadora. A morte dela não anulava a ordem – apesar de isso ir contra o que a série estabelecera antes (mais uma vez, #fucklogic). Assim, poucos segundos após a Maldição ser quebrada e Emma recuperar as memórias, começa o muito antecipado confronto entre a Salvadora e Gideon.

 

O Dark One vai à procura do coração do filho para travá-lo. Rumple sendo Rumple tem um último momento de hesitação, contemplando a hipótese de deixar a Salvadora morrer – consta que isso eliminaria várias das limitações da magia… mais alguma vez, por algum motivo. Supostamente, Rumple ficaria capaz de obrigar Belle e Gideon a amá-lo, sem ter de abdicar do seu lado negro.

 

Depois de tantas ocasiões em que Rumple fez a escolha errada, algum dia este teria de fazer a escolha certa. Por outro lado, toda esta confusão só começara porque ele tentara usar magia para ter o filho e a esposa junto de si – e Gideon fora quem mais sofrera com isso. Porque haveria Rumple de ir por essa via outra vez?

 

  

Assim, ignorando os conselhos da mãe e da própria essência do Dark One, Rumple ordena a Gideon, através do coração do filho, que não mate Emma.

 

Ao mesmo tempo, Emma e Gideon duelam-se nas ruas de Storybrooke. Emma, a certa altura, percebe que está a lidar com uma espada de dois gumes. Se ela morrer, a Luz perde, obviamente. Mas se ela matar Gideon, comete um acto maligno, ou seja, a Escuridão vence.

 

Desse modo, a meio do duelo, Emma atira a espada para o lado.

 

Pelos visto, o facto de tanto o maior representante da Luz – a Salvadora – como o maior representante da Escuridão – o Dark One – terem tomado as decisões corretas foi o suficiente para o dia ser salvo. Emma morre mas regressa à vida depois de Henry lhe dar o Beijo do Verdadeiro Amor. Por sua vez, Gideon transforma-se num bebé, de novo, como se nunca tivesse sido levado pela Fada Negra – acho que todos concordamos que este era o único final feliz possível para ele.

 

 

Temos, aliás, tempo para ver os finais felizes (ou melhor, “começos felizes”) de toda a gente. Snow continua a ser professora, David torna-se dono-de-casa, Emma e Hook continuam a ser os xerifes de Storybrook – até aqui, tudo bem.

 

Regina continua a ser Presidente e a dividir a custódia de Henry com Emma. Fico satisfeita por os guionistas não terem sentido a necessidade de emparelharem nem Regina, nem Zelena, com um homem (a propósito, que ficou Zelena a fazer, para além de criar a filha?). É certo que Regina ainda regressa na próxima temporada. Mesmo assim, é bom vermos duas mulheres solteiras e felizes em televisão.

 

Por outro lado, Rumple e Belle voltam a ser um casal. Tenho algumas reservas em relação a isto. Não sei se Rumple merecida ser perdoado de tudo tão depressa. Sim, ele tomou a decisão certa no fim, salvando toda a gente – mas isto foi depois de séculos e séculos de decisões erradas, algumas das quais amplamente comentadas na primeira parte deste texto.

 

Não que eu não quisesse que Rumple e Belle tivessem feito as pazes, pelo contrário. Gosto de pensar, apenas, que Belle não caiu logo nos braços de Rumple, que a reconciliação foi gradual.

 

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A cena final, com o elenco todo na mesma mesa, foi outro dos meus momentos preferidos. Há anos, na segunda temporada, quando o facto de Rumple ser avô de Henry era apenas a ponta do icebergue, David comentou (numa tradução livre):

 

- Ainda bem que não há Dia de Ação de Graças na nossa terra, que esse jantar seria horrível.

 

Pois bem, mostrarem precisamente esse jantar não sendo horrível foi a maneira perfeita de encerrarem esta parte da história.

 

Eu dispensava a comparação com a Última Ceia, no entanto. A série nunca soube ser subtil.

 

 

O episódio, no entanto, não termina aqui. Antes disso, saltamos no tempo (Quinze anos? Vinte?) e vemos Henry em adulto. Este é visitado por uma menina chamada Lucy, que diz ser sua filha e que vem buscá-lo para que ajude a sua família – recorda-vos alguma coisa?

 

Este ano de Once Upon a Time deixou muito, mas mesmo muito a desejar. No entanto, tal como já aconteceu antes, o final bem conseguido ajuda a redimir, tanto a temporada como a própria série. Pelo menos em parte.

 

E talvez este reinício/salto no tempo ajude a disfarçar o desgaste. Não quero falar muito sobre a sétima temporada, até porque este texto já vai longo – mais longo do que tinha previsto. Recordo apenas que Rumple, Regina e Hook regressam, com novas identidades nesta nova Maldição. É uma premissa interessante – mas quero ver como irão justificar as ausências de Emma, dos Charmings e de todos os outros que saíram.

 

Estou disposta, assim, a dar o benefício da dúvida a OUaT – embora vá ter saudades de Emma e das suas interações com Henry, Regina e Hook. Não sei, no entanto, se voltarei a escrever sobre esta série. Na altura decidirei.

 

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Antes de terminarmos, quero falar sobre os meus planos para este blogue. Falta pouco mais de uma semana para a estreia do quinto filme de Digimon Adventure Tri, Kyousei. Como tal, uma das próximas publicações será a análise a esse filme. Desta vez, vou tentar não me demorar tanto, que o meu atraso com Soshitsu foi uma vergonha.

 

Não vai ser fácil porque o filme estreia mesmo antes da próxima jornada da Seleção – ou seja, durante as primeiras duas semanas depois de Kyousei terei de dar prioridade ao meu outro blogue.

 

Depois de tratar de Tri, quero continuar a minha rubrica Pokémon através das gerações”. Já cheguei ao fim de Pokémon Sun (quase dez meses após o seu lançamento…) e quero, um dia destes, escrever sobre esse jogo.

 

No entanto, ainda me faltam três textos até chegar a Sun&Moon: um sobre a quinta geração, um sobre a sexta e um sobre Pokémon Go. Pelo meio, dia 17 de novembro saem mais dois jogos da sétima geração: Ultra Sun e Ultra Moon. Como duvido que consiga despachar estre três textos que me faltam (ah ah, terei sorte se conseguir despachar um), em princípio falarei sobre todos os jogos da sétima geração no mesmo texto.

 

Ainda tenho outro texto nos meus planos: uma coisa curtinha. Já comecei a escrevê-lo e tudo. Talvez consiga terminá-lo e publicá-lo nestes dias que faltam até Kyousei mas, se não conseguir, não há crise. Tentarei terminá-lo nos intervalos dos outros textos.

 

Não levem estes planos muito a sério, no entanto. Posso não conseguir cumpri-los à risca. Vou tentar, mas não posso prometer nada. Em todo o caso, obrigada pela vossa paciência.

 

 

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quinta temporada, primeira parte

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Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o meio da quinta temporada.

 

A premissa da primeira metade da quinta temporada de Once Upon a Time era promissora: Emma Swan, a protagonista, o produto do verdadeiro amor, a Salvadora, a encarnação da luz, da esperança, de tudo o que é heróico... transformar-se ia no Dark One, o representante da Escuridão e de tudo o que é vilanesco. Não acredito que existisse um único fã que não estivesse nem um bocadinho entusiasmado. Eu, em particular, conforme escrevera antes, sentia-me ansiosa pelo desenvolvimento de Emma, que nem sempre fora o mais adequado nas primeiras temporadas, na minha opinião. Todo o marketing desta meia temporada centrou-se nisso.

 

No entanto, esta premissa apresentava um problema: contrariamente ao que alguns materiais promocionais davam a entender, incluindo este vídeo feito de propósito para a Comic Con do ano passado, transformarem Emma numa supervilã iria contra tudo o que havia sido estabelecido antes, tanto sobre o Dark One em si como sobre a personagem. Já na quarta temporada tinham tentado vender Emma como vilã, mas a única ação vilanesca que ela fez foi matar uma sociopata que ameaçava assassinar-lhe o filho. De igual modo, Emma torna-se na Dark Swan enquanto salvava a vida a Rumple (não que ele o merecesse, conforme veremos adiante) e para impedir que a essência do Dark One tomasse Regina. A única maneira de Emma se tornar naquilo que mostraram no vídeo da Comic Con seria se a essência do Dark One lhe mudasse a personalidade por completo - e, pelo que tínhamos visto de Rumple, já se sabia que não funcionava assim.

 

Na minha opinião, os guionistas tomaram a decisão correta ao respeitarem a evolução da personagem. Fizeram, até, questão de mostrar que Emma tinha uma capacidade de resistência invulgar aos efeitos da Escuridão - ainda que soubéssemos, desde a cena final do primeiro episódio, que a certa altura ela tornar-se-ia a sério na Dark Swan. Em toda a jornada de Emma como Dark One, a sua pior ação foi manipular a apaixonada do filho para que esta o rejeitasse - algo que, mesmo assim, chocou muita gente. No final, acabamos por descobrir que as intenções de Emma foram sempre boas, que, mais uma vez, o único motivo pelo qual cedera à Escuridão fora para salvar uma vida. Como disse antes, este arco foi mais ou menos coerente - mas fica aquele vazio por não termos visto Emma como vilã a sério.

 

 

 

Dizia eu que, logo no final do primeiro episódio da temporada, descobrimos que, seis semanas depois do elenco principal ter partido para Camelot, Emma está em modo cem por cento Dark One. Ela e o resto do elenco regressam a Storybrooke via mais uma Maldição e ninguém, tirando Emma, se recorda do que aconteceu em Camelot. Como poderão ver no vídeo acima, a cena em que descobrimos isto está excelente, mostrando a Dark Swan com todo o seu aterrorizante esplendor (a sério, eu estive perto de gritar pela minha mãezinha quando ela toca no rosto de Snow). 

 

No entanto, ninguém achou muita piada a mais um caso de Maldição com perda de memória em Once Upon a Time. Por está altura, a ideia que fica é que está é a única maneira que os guionistas possuem de criar tensão. Está na altura de arranjarem truques novos.

 

Depois deste episódio, a narrativa vai alternando entre o que se passa em Storybrooke e flashbacks do que aconteceu em Camelot. Durante muito tempo não sabemos ao certo o que aconteceu a Emma para ela ter dado o passo final em direção à Escuridão e as suas atitudes em Storybrooke, pelo menos a mim, confundiram. Ela nunca age em conformidade com as ameaças que fez no fim do primeiro episódio. Tão depressa ela tenta aproximar-se de Henry e Hook  como trata Regina com frieza. Devo inclusivamente dizer que Snow e Charming me desiludiram por, ao contrário dos outros entes queridos de Emma, não terem tentado falar com a filha, apelando ao seu lado heróico. Não sabemos se Emma está a tentar livrar-se da Luz ou da Escuridão e isso, a partir de certa altura, começa a cansar.

 

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Não que não tenha acontecido nada de interessante pelo meio, ainda que, demasiadas vezes, as linhas narrativas paralelas desta meia temporada tivessem atrapalhado a história em vez de enriquecê-la. Como tinha escrito antes, tinha grandes expectativas para a abordagem que Once Upon a Time faria à mitologia do rei Artur e de Camelot. Não desgostei das premissas que estabeleceram. Achei que aspetos como Arthur como o Escolhido de Merlin e o romance entre Guinevere e Lancelot foram demasiado cliché. Por outro lado, achei interessante o facto de a grandiosidade de Camelot ser uma farsa, bem como o facto de Arthur não olhar a meios para manter essa falsa grandiosidade - passando por assassinar um fiel súbdito e escravizar emocionalmente a esposa. Esta história sempre rendeu o melhor momento de Snow e Charming em demasiado tempo, quando os dois conspiraram contra Arthur em "The Broken Kingdom". No entanto, depois disso, pouca evolução houve nesta linha narrativa após esse episódio, ficando tudo por resolver. Para ser sincera, acho que ninguém se ralou particularmente com isso. A partir de certa altura, Arthur passou de um vilão intrigante a apenas irritante e, de qualquer forma, estávamos todos muito mais interessados na história principal da temporada.

 

Gostei da versão Once Upon a Time de Merlin, mas, para alguém que foi pintado como o maior Feiticeiro de todos os tempos e dimensões, aquele que profetizara tanto a Maldição, a Salvadora e a sua suposta némesis, aquele que escolhia os Autores, cujo Chapéu poderia albergar inúmeras criaturas mágicas e libertar os Dark One da adaga... e acabámos por não ver muito do seu poder. Zelena e Arthur, por exemplo, colocaram-no sobre o controlo de Excalibur com espantosa facilidade. Merlin só poderia ser derrotado por um Dark One e, conforme veremos adiante, Dark Ones não faltaram nesta meia temporada, logo, o grande Feiticeiro acabou por não ter muito tempo para exibir os seus poderes. O que é uma pena.

 

Também tinha grandes expectativas relativamente a Nimue desde que soube que ela apareceria em Once. Para aqueles que não conhecem, na mitologia de Camelot, Nimue foi uma donzela enviada pela Dama do Lago para seduzir Merlin e encerrá-lo no tronco de um carvalho. N'As Brumas de Avalon, Nimue chega a apaixonar-se por Merlin enquanto o seduz e, depois de o entregar à Dama do Lago, ela suicida-se. Logo, quando se descobriu, no início da temporada, que Merlin estava preso dentro de uma árvore, pensou-se logo em Nimue. Mais tarde na temporada, descobrimos que, em Once Upon a Time, foi o Dark One original quem aprisionou Merlin na árvore. Somando dois e dois, não foi grande surpresa descobrir que esse primeiro Dark One era Nimue, que também fora a amada de Merlin. Visto que, de certa forma, todos os Dark One vivem no Dark One corrente, é o coração de Merlin que ativa a Maldição.

 

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Vocês poderão assumir que foi Emma quem lançou a Maldição. Eu digo para continuarem a ler...

 

Para além da mitologia de Camelot, nesta meia temporada tivemos também o elenco do filme Brave. Nunca vi o filme - pelo que li em críticas não é brilhante - mas tenho uma ideia vaga da história. Amy Manson fez um ótimo trabalho dando vida a Merida e o seu arco rendeu bons momentos. No entanto, apesar das boas intenções, a história de Merida acabou por interferir com a trama principal - o exemplo mais flagrante foi o episódio The Bear King, exibido em segundo lugar, na mesma noite em que foi revelado o twist da meia temporada. Depois disso, ninguém queria saber das desventuras de Merida, nem mesmo com os regressos de Ruby e Mulan.

 

Uma nota rápida, igualmente, para Zelena. Já na última temporada me tinha queixado que, ainda que desse gosto ver Rebeca Mader divertindo-se com este papel, os guionistas não lhe deram uma história decente. Isso tem continuado nesta temporada. Nesta altura é óbvio para toda a gente que os guionistas adoram o bruxa verde, mas não sabem o que fazer com ela. Pouco mais foi que um plot device para quando a história precisava de complicações. Quando, depois de a filha dela e de Robin nascer (Emma acelerou-lhe a gravidez... eu explico mais adiante), parecia haver alguma evolução na história de Zelena - quando Regina e Robin procuram um compromisso para Zelena pudesse estar na vida da filha - no episódio segunte, Regina entrou em modo YOLO (compreensível perante as circunstâncias) e despacha a irmã para Oz. Suspeito que seja só uma maneira de se livrarem de Zelena por alguns episódios - sim, os guionistas já confirmaram que Zelena regressará, mais cedo ou mais tarde.

 

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O romance entre Emma e Hook continua a ser um dos pontos fortes em Once Upon a Time, recebendo ainda mais protagonismo que anteriormente. Em Camelot, vemos uma Emma cada vez mais aberta para Hook. O amor do atraente pirata é o que mais ajuda Emma a manter a essência do Dark One sobre controlo. Há que notar que o pior ato de Emma em Camelot - quando obrigou a apaixonada de Henry a rejeitá-lo - ocorreu quando Hook está convenientemente desaparecido da ação. Depois de tanto tempo fechando-se ao romance, soube bem ver Emma feliz, ainda que por breves momentos. É claro que não seria Emma sem as suas ocasionais inseguranças. Quase como se os guionistas tivessem lido as minhas críticas na última análise a OUaT, gostei da cena em que Emma admite que faz batota com os "Amo-te".

 

De uma maneira paradoxal, aquilo que permitiu a Emma controlar a essência do Dark One durante tanto tempo acabou por ser crucial para que ela desse o passo decisivo em direção à Escuridão. Hook é ferido mortalmente e a única maneira que Emma arranja de salvá-lo é... transformá-lo num segundo Dark One. Todas as temporadas, Once faz pelo menos uma surpresa deste género (a paternidade de Henry na segunda, a paternidade de Rumple e a Maldição lançada por Snow na terceira, o regresso de Zelena na quarta) e, tal como nas anteriores (com uma ou outra exeção), ninguém as previu.

 

O problema é que Hook possui um longo historial como vilão, logo, apresentou fraca capacidade de resistência à essência do Dark One. Dizer que ele ficou muito desagradável é um eufemismo. A primeira coisa que faz enquanto Dark One é usar o coração de Merlin para lançar a Maldição de que falámos anteriormente. Tudo o que Emma consegue fazer é remover as memórias de toda a gente, Hook incluído. Quando regressam a Storybrooke, Emma veste a pele de supervilã para manter toda a gente à distância enquanto procura uma maneira de eliminar a essência do Dark One de si e de Hook.

 

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Que uma pessoa possa ser um Dark One sem ter noção disso é questionável, sobretudo depois de eles terem revelado que estes não dormem. Hook não estranhou esse facto? No entanto, não se pode censurar Emma tendo em conta o que Hook fez depois de descobrir a verdade. O plano de Emma não era mau: aproveitar-se do coração em branco de Rumple, transformá-lo num herói, fazê-lo retirar Excalibur da pedra, usar a espada para transferir toda a Escuridão para um recipiente humano - Zelena - e matá-lo, eliminando  Dark One para sempre. A moralidade de matar Zelena seria questionável mas, na prática, ninguém se queixaria por não ter de lidar com a Verdocas - sobretudo depois de ter tido a bebé. Emma acelerou-lhe a gravidez precisamente para não ter de matar a criança. Mas Hook sendo Hook não podia deixar Emma em paz, sobretudo depois de ela, aparentemente, lhe ter salvo a vida. Acabou por descobrir mais do que queria.

 

A partir daí foi a Lei de Murphy. Custou-me em particular a maneira como Hook tratou Emma, atirando-lhe à cara todas as inseguranças que ele lhe ajudara a ultrapassar - a sério, quando Hook jogou a cartada da orfã, eu ter-lhe-ia dado um estalo. Eventualmente, o Captain Dark One abre as portas do Submundo, trazendo todos os Dark One que alguma vez existiram para Storybrooke. Estes, por sua vez, marcam todo (ou quase todo) o elenco principal para que este tome o lugar deles no Submundo. 

 

Como seria mais ou menos de esperar, à última hora Hook muda de ideias e dá a vida para travar os Dark One e destruir a sua essência. Não é totalmente bem sucedido, pois Rumple arranja uma maneira de transferir a Escuridão para si, tornando-se de novo no Dark One. Agora, na segunda metade da temporada, Emma e o resto do elenco principal vai até ao Submundo nuna tentativa de ressuscitar Hook.

 

 

Foi a primeira vez que um final de meia temporada em Once Upon a Time me desiludiu em vários aspetos. Em primeiro lugar, pelo menos um mês antes já se dizia que Hook iria morrer e Emma iria buscá-lo ao Submundo. A grande virtude de OUaT tem sido a sua imprevisibilidade: ninguém estava à espera que a Bruxa Má do Oeste aparecesse em Storybrooke a meio da terceira temporada, que a Elsa de Frozen, por sua vez, aparecesse depois (pelo menos não tão cedo), que Emma se tornasse no Dark One no final da quarta. OK, já se sabia que as Queens of Darkness viriam aí para a segunda metade da quarta temporada ainda o arco de Frozen não estava encerrado, mas isso é um spoiler mais aceitável que a morte de uma personagem importante. Não digo que a culpa seja diretamente dos guionistas, são sinais dos tempos e tal, mas a equipa da série devia ter mais cuidado com as informações e fotografias das filmagens que deixam chegar à Internet.

 

Por sua vez, quando se descobriu que Rumple era de novo o Dark One, fiquei com vontade de dar um berro. Em primeiro lugar, veio contra aquele que fora o arco de Rumple esta temporada: em que este foi obrigado a transformar-se num herói, chegando a ter uma oportunidade de matar o velho inimigo Hook e opta por poupar-lhe a vida. Já não é a primeira vez que isto acontece, já no ano passado Rumple falava em ser uma pessoa melhor em nome da memória do filho, blá blá blá, para à primeira oportunidade optar pela atitude vilanesca. Andamos em círculos constantes com Rumple desde o início, já não é um plot twist, é cansativo e irritante. O que mais indigna nisto tudo é que toda a história desta meia temporada - Emma como Dark One e tudo o que daí derivou - só aconteceu quando o elenco tentava salvar a vida a Rumple - algo que ele nem sequer merecia, pois acabara de colaborar com o Autor nos eventos do episódio Operation Mongoose. Bela maneira de agradecer, Mr. Gold, deixando Hook morrer em vão!

 

 

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No meio disto tudo, Belle continuará a ser a parva nesta história toda. Já não sinto pena nenhuma da rapariga. Nesta altura, ela já devia saber com o que está a lidar. Teve inúmeras oportunidades de ser afastar de tudo isto, incluindo uma que o próprio Rumple lhe ofereceu. Sei que a atriz que faz de Belle, Emilie de Ravin, está grávida e é possível que incluam a gravidez na história. No entanto, para ser sincera, já não tenho paciência nem para Belle nem para Rumple.

 

Agora que já deitei cá para fora aquilo que me fazia comichão neste final, falemos das coisas boas. Ainda que tenha sido capaz de prevê-lo, este final foi executado de forma soberba por parte dos atores. Eu tinha escrito antes que o arco de Dark Swan tinha potencial para mostrar-nos lados diferentes da habitualmente controlada Emma Swan e não me enganei. Jennifer Morrison teve, desde o primeiro episódio, inúmeras oportunidades para exibir o seu talento. No entanto, eu não esperava que Colin O'Donoghue fosse capaz de competir com ela, ao explorar o seu Dark Hook: ora mostrando quase embriagado com a essência do Dark Oneimitando os maneirismos de Rumple (podia vê-lo fazendo isto durante horas...), controlando a sua fúria perante Emma. Os desempenhos de ambos os atores culminaram, no entanto, com a cena do sacrifício de Hook que, embora esperada, doeu. E muito. Bem como o momento em que o corpo de Hook é levado e Emma chora nos braços dos pais. 

 

 

 

A decisão de Emma de ir resgatar Hook da própria morte é controversa. Por um lado, ressuscitar os mortos não é saudável. Emma já causou muitos problemas tentando impedir Hook de morrer. Será boa ideia fazer o mesmo de novo? Também já me ocorreu a hipótese de Hook, pura e simplesmente, não querer regressar à vida. 

 

Por outro lado, isto é um passo que faz sentido na evolução emocional de Emma. Ela deixou-se apaixonar por Hook porque este foi o único que nunca a magoou - tirando quando estava em modo Dark One e, mesmo assim, redimiu-se a tempo - e que fez tudo por ela. Abdicou do seu navio por ela, cruzou mundos por ela, viajou no tempo por ela, foi dos que mais lutou por ela em Camelot. Estava na altura que Emma fazer o mesmo por ele. De notar ainda que ela, enquanto embarca para o Submundo, diz o lema dos pais: "I will always find you"

 

Agora vem aí o Submundo. Pelo que os guionistas revelaram, não será propriamente o Inferno e sim uma espécie de Purgatório: uma dimensão/realidade onde permanecem os mortos que ainda tenham assuntos pendentes. Sabemos já que o Submundo tomará a forma de uma Storybrooke distorcida, algo que considero, em simultâneo, fascinante e sinistro. Dá também uma desculpa a série trazer de volta para o seu centésimo episódio - o primeiro da próxima meia temporada - personagens como Cora, Peter Pan, Henry Sénior, entre outras. Consta, até, que o salvamento de Hook será apenas o começo, que o Submundo trará consigo uma infinidade de histórias. Pelo que os guionistas têm referido, o elenco principal será literalmente assombrado pelo seu passado. Faz-me lembrar o que disseram sobre a Terra do Nunca, onde, não existindo futuro, o passado é tudo o que os seus habitantes possuem. Não é, de resto, por acaso que há quem compare a Terra do Nunca e a juventude eterna de Peter Pan e os Meninos Perdidos à própria morte. 

 

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Não nego que estou curiosa. Não se sabe muito mais ainda sobre a próxima meia temporada, é provável que saia mais informação até lá. No entanto, depois de a primeira metade desta temporada ter sido prejudicada por overhype e sobretudo spoilers, prefiro assim. 

 

Antes das alegações finais, quero apenas referir umas quantas pontas por atar. O aviso críptico de Merlin, referindo Nimue como a única pessoa que poderia ajudar o elenco principal a derrotar a Escuridão não faz sentido nenhum - a própria Nimue foi crucial para a Maldição e liderou os Dark One ressuscitados. Também não se percebe porque Lancelot não foi levado pela Maldição quando Merida o foi e, já agora... a mãe dele não ficara de ajudar? Algum dia conheceremos a misteriosa Dama do Lago? 

 

Tenho vindo a compreender que, ainda que goste dos mistérios e perguntas por responder que Once vai introduzindo, o mais certo é uma boa parte desses nunca serem devidamente esclarecidos. A força da série reside na evolução das personagens, nas relações entre elas, nas prestações dos atores - Once Upon a Time tem um elenco muito subvalorizado. Há personagens de quem gosto mais do que outras - Charming continua uma seca, Rumple irrita-me, apenas vejo Belle como uma vítima de Síndrome de Estocolmo. Por sua vez, relações como as de Henry com cada uma das suas mães, a amizade entre Emma e Regina, o amor entre Emma e os país (ainda hoje me comovo de cada vez que Emma trata Snow e Charming por "Mom" e "Dad") continuam entre os grandes atractivos da história, mais do que os romances por vezes. É a história deles que me vai mantendo interessada em Once, numa altura em que outras séries que  acompanho me aborrecem como nunca.

 

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As dúvidas que tinha no final da quarta temporada mantém-se - depois de terem tornado a heroína na maior vilã, para o nível continuar a subir, os guionistas tiveram de mandar a história para o Inferno, quase literalmente. O que me faz perguntar, novamente, até quando Once Upon a Time durará. Um dos patrões da ABC disse há pouco tempo que a série tem "um futuro longo e brilhante", que as histórias de Once Upon a Time os entusiasmam, mesmo não sendo brilhante em termos de audiências. Isto, em princípio, pode significar uma renovação para uma sexta temporada mas, para além disso, eu não faço apostas. Em todo o caso, quando a altura chegar, vai custar despedir-me de Storybrooke e, sobretudo, dos seus habitantes.

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