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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Hard Times

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Em janeiro de 2013, estreava aqui no blogue a rubrica Músicas Não Tão Ao Calhas. Nela, escrevo sobre músicas inéditas que os meus artistas preferidos vão lançando – na maior parte das vezes singles antes de álbuns, mas não só. A minha primeira entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas foi sobre Now, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore – aquele que ficou conhecido por The Self-Titled. Hoje, mais de quatro anos depois, volto a escrever sobre o primeiro single de um álbum dos Paramore – é um ciclo que se fecha.

 

Infelizmente, este ciclo nem sempre foi fácil para a banda. O início até nem foi mau. O Self-Titled é um álbum excelente, mudou por completo a maneira como encaro a vida. Graças a Deus, teve o devido reconhecimento em termos comerciais: foi platina e teve dois singles de sucesso: Still into You e Ain’t it Fun. A segunda ganhou um merecidíssimo Grammy. O ciclo desse álbum durou até meados de 2015, terminando com a digressão Writing the Future.

 

No entanto, em finais de 2015, a banda anunciou a partida do baixista Jeremy Davis. Desde essa altura, os Paramore têm passado por… bem, tempos difíceis.

 

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Ainda não tive oportunidade para escrever sobre a desistência de Jeremy. Custou-me, para ser sincera, ainda me custa. Nos primeiros tempos, ainda pensei/esperei que tivesse sido uma “rescisão” amigável, que ele tivesse partido porque tem uma filha e não pode andar em digressão.

 

Essa ilusão não durou muito. Meses depois surgiram notícias de que Jeremy e a banda estavam envolvidos numa disputa judicial, alegadamente devido a honorários da música e dos concertos. Como o processo ainda está em decurso, ainda não foi divulgada oficialmente a razão da partida de Jeremy. A ideia com que fico – e posso estar errada – é que, no centro disto tudo, está aquele três vezes maldito contrato celebrado, algures em 2005, entre a Atlantic Records e Hayley Williams, excluindo os restantes membros da banda. O mesmo contrato que já tinha sido um dos motivos para a partida dos irmãos Farro, em finais de 2010.

 

Toda esta história dá-me vontade de bater com a cabeça numa parede. Aquando do Self-Titled, a ideia que os Paramore davam era de que a banda tinha resolvido os seus problemas, aprendido com os erros cometidos. O trio estava mais forte, mais unido do que nunca, capaz de sobreviver a tudo. Eu acreditei nisso. Talvez os próprios membros da banda acreditassem nisso.

 

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Mas a verdade é que não devia ter ficado surpreendida. A banda nunca teve estabilidade – desde a ausência de Jeremy das gravações de All We Know Is Falling, passando pela saída dos irmãos Farro, e agora isto. A verdade é que Hayley tem sido a única constante em Paramore (ainda que Taylor só não se tenha juntado oficialmente à banda até depois do lançamento de Riot! porque os seus pais não deixaram). Por um lado, toda a gente sabe que Hayley podia, desde o início, optado por uma carreira a solo. Se não o fez até agora é porque, obviamente, não o quer. Por outro lado, para os membros estarem sempre a entrar e a sair, alguma coisa não está bem.

 

Não quero pensar que Hayley seja o problema. Ela parece ser uma miúda simpática, com valores parecidos com os meus – aliás, é atualmente uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Mas como não a conheço pessoalmente, não dá para ter a certeza.

 

Nestas alturas, a música Pressure, do primeiro álbum, faz mais sentido do que nunca.

 

 

Em defesa deles, os membros da banda parecem tão frustrados com esta história toda como eu. Ainda mais, já que esta é a vida deles. Hayley tem referido várias vezes que pensou em desistir. Disse que os Paramore parecem mais uma novela do que uma banda, que estava farta de perder amigos e de se questionar sobre o que estava a fazer de errado. Considerou várias alternativas: dedicar-se à sua linha de tintas para o cabelo, ter uma família (ela casou-se no ano passado), compôr para outras pessoas, começar um projeto diferente com Taylor.

 

Terá sido este último a salvar os Paramore, segundo Hayley. Taylor disse-lhe que a apoiaria independentemente da decisão que ela tomasse relativamente à banda. Isso aliviou a pressão sobre Hayley – que, no meio desta história toda, chegou a debater-se com depressão e ansiedade. Assim, os dois foram compondo música a pouco e pouco.

 

Entretanto, Taylor chamou Zac, o mais novo dos irmãos Farro, para tocar bateria no álbum novo. Inicialmente, veio apenas como músico contratado. Ao fim de algum tempo, Taylor convidou Zac para regressar oficialmente à banda. Ele disse que sim.

 

Toda a gente ficou feliz, como seria de esperar. Em primeiro lugar, Zac é um ótimo baterista e sentiu-se a falta dele em certos momentos do Self-Titled. A música dos Paramore fica a ganhar. Além disso, eu mesma referi, há pouco mais de dois anos, que tinha esperanças de que, um dia, os irmãos Farro regressassem. Cinquenta por cento desse desejo já se realizou.

 

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Mas fica um amargo de boca por Jeremy já lá não estar.

 

Os membros da banda chegaram mesmo a dizer que já não sabem muito bem por que os Paramore continuam a ser uma banda. Nesta altura, deve ser só por nós, os fãs – porque eles sabem que a música deles é uma das coisas que nos ajuda a sobreviver. Eu, apesar de tudo, fico grata por isso. E, agora, teremos um álbum novinho em folha daqui a menos de duas semanas.

 

Suponho que haja uma qualquer metáfora para a vida no meio desta história toda. Talvez seja assim que as coisas funcionem: uma batalha sem fim, com perdas e ganhos, cometendo os mesmos erros, sempre a desfazermo-nos e a reconstruirmo-nos outra vez, sempre a aprendermos. Uma pessoa vai continuando, às vezes só por causa daqueles que ama, às vezes só porque… qual é a alternativa?

 

 

Gonna make you wonder why you even try

 

Com isto tudo, vamos quase em mil palavras e ainda nem sequer falámos de Hard Times. Mas eu tinha de escrever sobre as aventuras e desventuras dos Paramore nestes últimos anos porque, na minha opinião, a letra da música fala sobre elas. As estâncias falam claramente sobre depressão, com referências a um buraco onde nos enfiar até os nossos problemas terem desaparecido e a uma nuvem negra que nos segue para todo o lado. No refrão, questiona-se mesmo como é que se consegue aguentar tudo isto e continuar.

 

Na verdade, a letra de Hard Times não me impressiona por aí além. Não me interpretem mal, não a acho má. É, aliás, melhor que muito do que se ouve por aí. No entanto, cai muito nos clichés habituais de Paramore. Por exemplo, o primeiro verso (“All that I want is to wake up fine”) remete para Last Hope – “Every night I try my best to dream tomorrow makes it better”. “Tell me that I’m alright” recorda-me Tell Me It’s Okay. Os versos “And I’m gonna get to rock bottom!” e “We’ll kick it when I hit the ground” fazem lembrar Turn It Off: “I’m better off when I hit the bottom”. Eu podia continuar. Não há nada na letra de Hard Times que não tenhamos ouvido antes, o que é uma pena.

 

Isso, de resto, é a única falha que tenho a apontar a Hard Times – e nem sequer a acho grave no primeiro single de um álbum novo. A letra pode não trazer nada de novo, mas o mesmo não se passa com o acompanhamento musical. Depois de músicas como Grow Up, Still into You e Ain’t it Fun, Hard Times parece lógica como o passo seguinte. À semelhança de Ain’t it Fun, Hard Times começa com notas de xilofone, que são rapidamente substituídas por notas de guitarra – são estas as responsáveis pelo ritmo dançante da música. Ouvem-se também algo que se assemelha a tambores africanos, algo que se mantém durante toda a faixa. A bateria de Zac dá personalidade à música (sobretudo numa altura em que este instrumento está em vias de extinção). No refrão, noto elementos de Daft Punk - sensação que se reforça no fim da música, com os vocais distorcidos.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu demorei algum tempo a decifrar esses vocais. Se não estou em erro, dizem “Makes you wonder why you even try” e “Still don’t know how I even survive”. Em suma, em termos musicais, à semelhança das melhores músicas do Self-Titled, Hard Times conjuga vários elementos de forma primorosa, podendo-se ouvir a contribuição de cada membro da banda. Eu gosto. Não estou propriamente caída de quatro, mas também não estava por Now quando esta foi lançada e, com o tempo, a música foi ganhando novos significados. Estou certa de que o mesmo acontecerá com Hard Times. Sobretudo quando puder ouvi-la no contexto do álbum. Para já, espero que não demore muito a chegar às rádios portuguesas.

 

 

O quinto álbum dos Paramore chama-se, então, After Laughter, e sai dia 12 de maio. Sim, daqui a menos de duas semanas. Confesso que fiquei estonteada com esse anúncio, ainda estou. Um dia, tínhamos a vaga ideia de que os Paramore estariam a trabalhar num álbum, algumas pistas como músicas registadas no site da ASCAP. No dia seguinte, temos nome, capa, tracklist, data de lançamento, primeiro single com videoclipe e pessoas que já ouviram o álbum (inveja!). Tendo em conta que os álbuns da Avril Lavigne têm sempre um parto longo e complicado (e o sexto álbum não está a ser exceção), esta é uma alternativa atordoante, mas muito mais agradável.

 

Segundo Hayley, o título After Laughter (a melhor tradução que me ocorre é “Pós-riso”) refere-se àquele momento após uma gargalhada em que regressamos à realidade. Dá para ver, assim, que este álbum vai ser animado… só que não. Quem já ouviu o álbum dá a entender que o resto será semelhante a Hard Times. Ou seja, os Paramore vão fazer o que fazem desde o início da sua carreira: queixar-se da vida. A diferença é que, enquanto antes, Paramore depressivo equivalia a guitarras pesadas e estética emo, agora equivale a música rítmica, falsamente alegre (o nome de uma das faixas novas é Fake Happy, por sinal), e tons pastel.

 

Gostava de chamar a atenção para o símbolo no centro da capa: as barras de néon que criam uma ilusão de ótica, de modo que não sabemos se são duas ou três. É obviamente uma variante do símbolo que a banda adotou em 2011, uma provável alusão à recente troca de membros. Eu, de qualquer forma, gosto imenso deste símbolo. Já encomendei, até, um dos conjuntos de merchandising da banda que inclui uma t-shirt preta com este símbolo, para além do álbum em CD (uma encomenda que, admito, foi para aí quarenta por cento impulso).

 

Havemos de falar mais sobre os Paramore quando analisar o resto de After Laughter. Ainda não decidi se analiso faixa por faixa, por ordem crescente de preferência, ou se analiso em texto corrido. Mas vou tentar publicá-la não muito depois do lançamento do álbum. Entretanto, vou ganhar vergonha na cara e ver se acabo e publico de vez a análise ao quarto filme de Digimon Adventure Tri.

Paramore - Riot! (2007)

Suponho que não seja a única aqui que, quando quer conhecer um artista ou banda, arranja a discografia completa. Eu costumo inclusivamente ouvir as músicas todas em shuffle, ir tomando nota das que gosto e, depois, elimino as que não gosto do leitor. Foi assim que me familiarizei com muitos dos artistas sobre que escrevo hoje, aqui no blogue.

 

Reconheço, no entanto, que essa poderá não ser a melhor maneira de conhecer uma banda. Existe uma diferença entre ouvir faixas ao calhas, numa playlist qualquer (eu gosto muito de playlist temáticas, sobretudo para escrever) e ouvi-las no contexto do álbum original, da maneira como os criadores queriam que fossem ouvidas. Além do mais, existem sempre aquelas canções que demoram a entranhar e, muitas vezes, não passam nesta primeira triagem. Esqueço-me delas, muitas vezes durante anos, só mais tarde sou capaz de apreciá-las. Foi o que aconteceu com Let The Flames Begin, por exemplo. Estas críticas retrospetivas são uma maneira, precisamente, de encontrar pérolas perdidas na discografia dos meus artistas preferidos, de obter uma nova perspetiva sobre o trabalho deles. 

 

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Estive, portanto, a revisitar os primeiros álbuns dos Paramore. Começando pelo primeiro, All We Know is Falling, que completa hoje dez anos de lançamento. Na verdade, essa não foi a primeira nem a segunda tentativa que fiz nestes últimos dois ou três anos para ver se gostava do álbum. Não consigo gostar. Adoro os singles Pressure e Emergency, My Heart é uma das minhas baladas preferidas dos Paramore, aprecio Here We Go Again e Whoa, um dia destes dou uma nova oportunidade a Franklin. Tirando isso, acho o álbum demasiado monótono, as faixas soam demasiado parecidas umas com as outras. Eu tentei, juro que tentei, mas não consigo melhor do que isto.

 

A história é diferente com Riot!, que saiu a 12 de junho de 2007 - logo, comemorou oito anos de lançamento no mês passado. Sempre o considerei o meu favorito da banda, mas apenas porque gostava de quase todas as músicas, não tanto pelo conceito do próprio disco, nem pela maneira como as faixas se relacionavam umas com as outras. Será que Riot! mantém esse estatuto agora que vou analisar um álbum como um todo?

 

O nome "Riot" (manifestação, revolta, motim) diz respeito a emoções explosivas, fora de controlo, um festival de energia pura. Energia essa que se traduz em temas rock, com bateria e guitarras frenéticas, que põe toda a gente a saltar. Apesar de uma relativa homogeneidade em termos de som, cada uma das músicas de Riot! conta uma história diferente, traduz uma emoção diferente. Muita gente comparara Paramore a Avril Lavigne - e existem muitos fãs em comum entre estes artistas, eu incluída - mas, tirando raríssimas ocasiões, Avril não consegue conjugar uma sonoridade energética, pedindo concertos, com mensagens fortes nas letras - acaba sempre por cair na futilidade e no pop. Por sua vez, em Riot!, os Paramore conseguem produzir temas com mensagens tão díspares como That's What You Get, Misery Business, Miracle e Let the Flames Begin, sem abdicarem da sonoridade frenética. Sou capaz de apostar que Riot!, que saiu dois meses após The Best Damn Thing,, fisgou muitos fãs desiludidos com a direção que Avril tomara.

 

 

 

Ao contrário da maioria, não foi com Misery Business que fiquei a conhecer os Paramore - foi com Crush Crush Crush. Lembro-me, inclusivamente, de pensar que Crush Crush Crush fora o primeiro single. Conheci a faixa através da MTV e aquela miúda com cabelo em tons de laranja e um olhar cheio de atitude chamou-me logo a atenção. O facto de ter sido a minha primeira música dos Paramore contribui muito para que seja uma das minhas preferidas da banda, mas não é a única razão. Como em muitas faixas de Riot!, as guitarras e a bateria definem a personalidade da canção, bem como aquilo que penso serem notas de teclados nas estâncias. A melodia e interpretação de Hayley não são nada por aí além, mas faz justiça ao arranjo musical. Adoro a parte do "Crush... crush..." - fico com arrepios só de recordar esse momento no concerto do Optimus Alice, em 2011. A letra fala de atracção entre duas pessoas, de tensão sexual, do início de um romance.

 

Outro dos meus singles preferidos, That's What You Get, por sua vez, fala de uma fase mais avançada da relação. Aqui, a narradora sente um conflito entre o orgulho, a precaução e a paixão. Por esta altura, Hayley ainda não acreditava a cem por cento no amor - como se provaria no álbum seguinte - logo, este género de letra faz sentido. Comparando com Crush Crush Crush, That's What You Get tem uma sonoridade um tudo nada mais alegre, mais pop.

 

Outro single igualmente alegre é Hallelujah. Segundo o que li na Internet, é uma música que a banda tinha composto uns anos antes, provavelmente aquando da composição de All We Know is Falling. Halleluja é um hino de triunfo, refletindo um momento em que o grupo se sentia feliz em relação ao presente e ao futuro dos Paramore - gosto da imagem da pomba a voar. Este tema, de resto, é recorrente na discografia da banda: hinos de vitória, de alegria por serem os Paramore. É um pouco irónico, tendo em conta todas as crises que se desenrolaram entre os membros da banda ao longo dos anos. Ou talvez seja essa a razão. Talvez estas músicas - Hallelujah, Born for This, Looking Up, Where the Lines Overlap, Now - tenham servido para lhes recordar que a banda é o sonho deles e valia a pena lutar por ela.

 

 

Para encerrar a conversa sobre os singles de Riot!, falemos do que apresentou o CD, Misery Business. Penso que esta é uma ocasião em que as comparações com Avril Lavigne são mais justificadas, pelo menos em termos de letra (um drama de liceu americano em que duas raparigas competem pelo mesmo rapaz. Não vos lembra nada?). Misery Business, no entanto, tem uma mensagem muito mais agressiva, é uma óbvia musica de vingança - contra uma rapariga que usava o sexo para manipular o interesse amoroso da narradora mas, no fim, a narradora recupera o rapaz e não se cansa de esfregá-lo na cara da rival. Esta letra é baseada numa história verdadeira, protagonizada pela Hayley, mas recentemente a cantora referiu que, passados oito anos, ela já não se revê nesta mensagem tão dura para com outra mulher (uma parte da letra podia traduzir-se em "uma vez p*ta, para sempre p*ta").

 

Ao menos a Avril sempre disse que Girlfriend não era para ser levada a sério.

 

Por outro lado, a música Decoy, lançada em edições Deluxe de Riot!, podia representar o ponto de vista da outra rapariga em Misery Business. Decoy conta a história de alguém que, não podendo estar com quem deseja, preenche esse vazio juntando-se com uma pessoa que a deseja, mas de quem ela não gosta (faz a mensagem de Misery Business parecer, para além de demasiado agressiva, hipócrita). Nesta música, gosto particularmente dos backvocals na terceira estância: "Not sorry at all, not sorry".

 

Sobre Let the Flames Begin já falei aqui - à semelhança do que acontece com a sua sequela no Self-Titled, LTFB é o tema mais sombrio e adulto de Riot!, contrastando com o carácter juvenil e maioritariamente descontraído da maior parte do álbum. Outra que acaba por ter um tom também mais entristecido é When it Rains. Segundo o que li na Internet, esta terá sido composta sobre uma amiga de Hayley que se suicidou. Na verdade, estou a pensar dedicar uma entrada de Músicas Ao Calhas a esta e a outras faixas com um tema semelhante um dia, logo, não me vou alongar muito.

 

 

A outra balada de Riot! é We Are Broken, uma faixa que sempre considerei a I'm With You dos Paramore. À semelhança da grande balada de Avril Lavigne, We Are Broken é tocada e cantada em tom grave e triste, com uma instrumentação parecida e tudo - embora em We Are Broken o piano substitua a guitarra acústica. A letra acaba, igualmente, por ser similar, descrevendo um momento de desânimo (embora, aqui, a narradora fale no plural) e de procura de consolo.

 

Fences tem uma sonoridade curiosa, muito própria, fazendo-me recordar, de certa forma, o blues rock das minhas aulas de guitarra. A letra tece uma crítica à cultura de reality shows, de escrutínio constante por parte da Comunicação Social, da ilusão de realidade que as imagens captadas por uma câmara dá.

 

For a Pessimist I'm Pretty Optimistic abre o álbum Riot! com uma amostra da energia selvagem que o define. Fiquei feliz por ouvi-la no concerto do Optimus Alive. A letra fala de alguém que desiludiu, que se acobardou perante as dificuldades - uma realidade a que a banda, infelizmente, está habituada.

 

 

Por sua vez, a letra de Miracle antecipa temas que caracterizariam o Self-Titled, como dores de crescimento, insatisfação com a vida atual mas medo de mudar. É uma música com que me identifico muito ainda hoje. A própria Hayley afirmou no ano passado, como poderão ver no vídeo acima, que o mesmo se passa com ela e o resto da banda.

 

Sempre gostei de Born for This, mas só agora, que me sentei para analisar a canção e pesquisar sobre ela, é que me apercebo da história e da mensagem por detrás dela. Mais do que qualquer outra, Born for This é uma música dirigida diretamente aos fãs - que, por sinal, no pós-All We Know is Falling, ainda não eram muitos. Hayley - desta feita, sinto que é mesmo a Hayley quem fala - confessa que, de tempos a tempos, cai no desânimo em relação à sua banda, mas ela e o resto dos Paramore continuam a lutar, sobretudo em nome dos fãs. Em momentos como o refrão e a terceira estância, ela chama pelos fãs, pedindo que se juntem à festa, ao sonho que estão a realizar, que os recordem que eles - banda e comunidade de fãs - estão a fazer aquilo para que nasceram. Este aspeto também torna Born for This numa boa música para concertos.

 

Tive pena de não ouvir Born For This no concerto do Alive. No entanto, tudo isto me faz lembrar do momento em que Hayley nos deu as boas-vindas à família, bem como o já icónico grito "We Are Paramore!!". Foi por essas e por outras que considero essa a noite em que me tornei oficialmente fã da banda.

 

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Penso que Riot! é o único álbum dos Paramore que vale apenas pelas músicas e só pelas músicas. Os outros três álbuns, sobretudo os dois mais recentes, trazem uma mensagem específica relacionada com o momento da banda, o que naturalmente influencia a maneira como olhamos para as respetivas músicas. Em Riot! isso não acontece, é um álbum de música pura, de energia pura - sem que isso signifique, conforme procurei demonstrar, música sem conteúdo.

 

Eu não consigo evitar assinalar que o carácter de praticamente todas estas canções é definido pelos irmãos Farro: a bateria de Zac e os riffs de guitarra de Josh. A maioria da energia pura que define este álbum é responsabilidade destes dois instrumentos. Vocês sabem que eu adoro Self-Titled, para mim é o melhor álbum dos últimos anos, mas a verdade é que, agora que me sentei para analisar Riot!, percebo que os Paramore com os Farro são diferentes dos Paramore sem os Farro. Não digo que sejam melhores ou piores, mas a diferença está lá e é sonora - comparem, por exemplo, a bateria genérica de Fast in My Car com as inúmeras variações na bateria de Born for This. As únicas músicas minimamente comparáveis neste capítulo são Proof, Be Alone e Part II - e esta última não conta, pois é uma sequela a Let the Flames Begin.

 

No entanto, reclamar dessa diferença, como muitos fãs fazem, é como reclamar das ausências de Tiago e Ricardo Carvalho da Seleção Nacional, antes de regressarem, no ano passado. Quando foram os visados a sair pelo próprio pé - e, no caso dos Paramore, quase destruindo a banda no processo - não é justo criticar aqueles que escolheram continuar a lutar pela banda. Por muita azia que isso tenha provocado, a mudança no estilo era inevitável. É-me evidente, agora, que a demora na composição do Self-Titled, o bloqueio de compositor que eles referiram em algumas entrevistas, ter-se-á devido ao tempo que a banda demorou a aprender a funcionar sem os irmãos Farro. Por outro lado, a saída deu uma oportunidade para Taylor York, o guitarrista remanescente, e Jeremy Davis, o baixista, terem um papel mais ativo na composição. O que não foi de todo uma coisa má, se olharmos para duas das melhores músicas do Self-Titled: Ain't it Fun, que ganhou um Grammy; a inevitável Last Hope - a guitarra e o baixo desempenham papéis importantes nela. Se os Farro não tivessem partido, provavelmente nem Ain't It Fun nem Last Hope teriam sido criadas. Nem o Self-Titled todo, já que penso nisso.

 

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Quando analisar o álbum Brand New Eyes, provavelmente tornarei a falar sobre a influência dos irmãos Farro, bem como a sua saída da banda. Para já, digo apenas que tenho esperanças num eventual regresso dos dois à banda. Sei que é pouco provável isso acontecer a curto prazo - só o imagino daqui a dez anos, no mínimo.

 

Em conclusão, Riot! é um dos meus álbuns preferidos dos Paramore, ao lado do Self-Titled. Não acho justo escolher um entre ambos, pelos conceitos diferentes e pelas circunstâncias diferentes em que os ouvi pela primeira vez. Hei de, então, escrever sobre Brand New Eyes, mas não para já - mais perto do aniversário do lançamento do álbum.

 

Estive um mês inteiro sem publicar, mas tenho vários textos planeados para os próximos tempos - por sinal, diferentes da norma. Continuem desse lado.

Músicas Ao Calhas - Let the Flames Begin & Part II

 
Hoje quero falar de duas das canções mais complexas e intrigantes que ouvi nos últimos anos: Let the Flames Begin, editada em Riot!, o segundo álbum dos Paramore, e a sua sequela Part II, editada no álbum mais recente da banda, homónimo. Não são músicas de que se goste à primeira, sobretudo Let the Flames Begin. Já antes referi aqui que essa demorou algum tempo a entranhar-se em mim, que estava com dificuldades em compreendê-la, tanto essa como Part II. Só agora, cerca de um ano depois de começar a ouvi-la com regularidade, julgo compreender a mensagem das músicas, de certa forma. E partilho, aqui, as minhas conclusões.
 
 
Let the Flames Begin tem uma sonoridade mais crua, mais pesada, quando comparada com a sua sequela. Destacam-se os riffs de guitarra, a bateria forte. A versão de estúdio peca por ter poucas sequências instrumentais - tal, felizmente, é corrigido na versão ao vivo da música. Destaco a sequência final, que encerra a música com um toque misterioso. A melodia transmite muito bem as emoções da letra. O refrão, contudo, soa algo forçado.
 
A letra, em conjunto com a melodia, possui múltiplas camadas, transmite diversas emoções ao mesmo tempo: desilusão, desalento, dor, resistência, desafio, revolta. Reflete sobre a condição humana, os seus defeitos e fragilidades, contrastando com a arrogância inerente a quem, muitas vezes, se julga invulnerável, imortal. Tal como assinalei anteriormente, existem momentos em que a música soa a um grito de guerra, outros em que se assemelha a uma oração, outros em que soa extremamente triste. O verso "Reaching as I sink down into light", por exemplo, parte-me o coração. E se esta mistura de emoções dá um carácter muito próprio a Let the Flames Begin, também a torna demasiado vaga, com alguma falta de coesão.
 
Existem muitas situações às quais a letra de Let the Flames Begin se aplicaria. Há quem se recorde do 11 de setembro ou do Holocausto. Eu, tanto em relação a Let the Flames Begin como a Part II, lembro-me dos Jogos da Fome pois, para além, obviamente, da metáfora do fogo, a série de livros e filmes gira, precisamente, à volta do lado mais negro da condição humana. No que diz respeito à prequela, esta reflete melhor os dois primeiros livros da trilogia, o carácter rebelde e revolucionário da mesma.
 
 
A versão desta faixa ao vivo difere significativamente da versão de estúdio. O áudio com qualidade desta versão encontra-se disponível no CD/DVD The Final Riot. Há nesta faixa um maior destaque dos instrumentos (as guitarras, o baixo, as baterias). Além disso, a música surge com uma estância adicional, um outro, vulgarmente denominado Oh Father. Neste torna-se muito mais claro o lado religioso da banda, sobretudo por, nesta parte, Hayley se ajoelhar no palco e/ou deitar-se virada para o céu enquanto canta. Tudo isto reforça a multiplicidade de facetas em Let the Flames Begin pois, se os instrumentos descontrolados e os frequentes headbangs proporcionam um momento muito rock 'n' roll, intenso e poderoso, a emotividade e o dramatismo do desempenho vocal de Hayley partem o coração. Não é de surpreender, por isso, que Let the Flames Begin seja uma das favoritas nos concertos, tanto para os fãs como para os próprios membros da banda.

 

  

"Fighting on my own, in a war that's already been won"

Part II é uma sequela a Let the Flames Begin mas, como não se limita a repetir a melodia e instrumental da sua prequela, possui o seu próprio carácter e funcionaria perfeitamente bem como uma música independente, incluindo no contexto do quarto álbum da banda. Tem, de facto, uma sonoridade ligeramente mais eletrónica, sem deixar de dar espaço às guitarras, ao baixo e à bateria ara brilharem, em particular na fantástica terceira parte da música. O refrão surge, além disso, muito mais forte, muito mais espontâneo que em Let the Flames Begin.
 
A letra de Part II assenta numa premissa semelhante à da sua prequela - o lado mais negro da condição humana - mas explora-o de uma maneira diferente. Se Let the Flames Begin se centra mais nos defeitos da sociedade e da espécie humana em geral, Part II é mais introspetiva, de certa forma. O sujeito narrativo reflete sobre o seu próprio lado negro, os seus próprios defeitos, os seus próprios traumas - daí que, tal como mencionei recentemente, tenha encontrado em Tell Me Why dos Within Temptation algumas semelhanças com Part II. Os Paramore têm afirmado que esta música, à semelhança de Now, reflete a parte mais sombria de toda a crise que a banda atravessou nos anos que se seguiram à deserção dos irmãos Farro. A mim, faz-me pensar em stress pós-traumático, em sequelas de batalhas e, de certa forma, em procura de algum tipo de redenção. Nesse aspeto, é igualmente aplicável aos Jogos da Fome, nomeadamente aos traumas que se vão acumulando em Katniss, produto de tudo por que passa. A emoção em Part II não é tão crua como em Let the Flames Begin, mas não deixa de estar presente, apresentando-se, aliás, de uma forma mais coesa.


Em todo o caso, tanto em Part II como em Let the Flames Begin (sobretudo no que toca à versão ao vivo), a resposta ao lado negro mencionado é a mesma: a fé. Tal fica claro nos respetivos outros. O de Part II tem, assim, uma mensagem semelhante a Oh Father, embora a emoção seja diferente. Se Oh Fater dá dramatismo ao encerramento de Let the Flams Begin, Part II termina numa nota muito misteriosa, reforçada pelo instrumental (praticamente só a dramática bateria) e pela interpretação de Hayley.

Não sou capaz de escolher entre Let the Flames Begin e Part II. Ambas as músicas funcionam bem isoladamente e, ao mesmo tempo, complementam-se uma à outra. Ambas são faixas marcantes para os fãs mais hardcore. Pela parte que me toca, como já vai sendo costume com músicas assim, o conceito destas faixas ajudar-me-à na escrita. Entretanto, estou curiosa relativamente ao tratamento que estas músicas receberão nos próximos anos ao vivo, nomeadamente após os próximos álbuns da banda. Uma possibilidade interessante seria um medley de ambas.
 

 

Esta é a minha interpretação do significado destas músicas. É uma possível, não é necessariamente a correta ou a mais correta, na Internet é possível encontrar outras. E mesmo estas minhas conclusões podem perfeitamente mudar ou expandir-se com o tempo.

Mesmo tendo passado um ano desde que oiço Let the Flames Begin e Part II regularmente, mesmo depois de ter aqui tentado esmiuçá-las para o blogue, estas músicas continuam a mexer comigo de uma forma estranha, que não sou capaz de compreender na totalidade. Em particular Let the Flames Begin. Tal ficou mais claro após montar os AMVs que incluo nesta entrada. Isso ou as emoções dos filmes que usei misturaram-se com as emoções das faixas, de tal forma que já não me é possível dissociar uma coisa da outra. De qualquer forma, tudo isto contribui para o enriquecimento das músicas. Estas facetas ainda inexplicáveis de Let the Flames Begin e Part II apenas contribuem para que as músicas nunca me sejam indiferentes, que me mantenham intrigada por muitos anos ainda.

Um dia destes ainda queria falar de uma última música dos Paramore (última, salvo seja), mas não para já. Depois de várias entradas sobre a banda no último ano, ano e meio, vou parar por uns tempos a seguir a essa. A menos, naturalmente, que eles lancem música nova - pouco provável, pelo menos para já. Entretanto, tenho já outra entrada em rascunho, para publicar assim que possível. Mantenham-se ligados.

Música de 2013 #3 - Paramore

Queria fazer uma rápida referência a um álbum de música portuguesa, para variar. Infinito, o álbum de estreia de Catarina Rocha, editado no início deste ano. Já o tinha mencionado brevemente nesta entrada. É um disco bastante agradável, com músicas calminhas, sustentadas pela linda voz de Catarina, lembrando-me, de certa forma, o Goodbye Lullaby, da Avril.
 
2013, no entanto, pertenceu aos Paramore.
 

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Quando o ano começou, já o álbum havia sido anunciado. Pouco após, sairia a preview de Now. A faixa inteira seria lançada dois dias antes do meu aniversário. O respetivo videoclipe sairia poucas semanas depois - esse e o vídeo de Rock N Roll, de Avril Lavigne, foram para mim os melhores videoclipes do ano. Apesar de hoje considerar que a letra de Now é das mais fracas do álbum, o primeiro single de Paramore foi especialmente marcante durante o início de 2013. Muito porque, nessa altura, andava a escrever a parte final do meu terceiro livro; uma daquelas partes ricas em sequências de ação, as que mais gosto de escrever, já falei várias vezes disso cá no Álbum. Tanto a faixa Now em si como o seu videoclipe ajudavam-me a entrar no espírito, davam-me inspiração.

Seguiu-se o lançamento de Still Into You - que se tornaria um êxito estrondoso - e, poucas semanas mais tarde, as restantes músicas do álbum. Que, entretanto, já tiveram tempo de amadurecer no meu ouvido, deixando de soar tanto a novidade. Algumas que, inicialmente, não me agradavam por aí além, hoje aprecio melhor. Uma delas é a Interlude Holiday - depois de entrar em férias de verão e, mais tarde, ao emparelhá-la com as músicas estivais do Avril Lavigne.

O exemplo mais significativo, contudo, é mesmo Future. 

 
Levei algum tempo a compreender o propósito da faixa que encerra Paramore. Vejo agora que a letra faz referência a várias outras músicas do álbum, acabando por ser uma conclusão retirada das mesmas, por ser a mensagem do álbum. Uma mensagem de esperança, aconselhando a não olhar para trás e a focar-se no futuro, nos sonhos que estão por realizar. Funciona verdadeiramente como um epílogo do álbum, como um encerramento de capítulo. O tratamento instrumental da faixa - apesar de continuar a achar desnecessariamente longa, que a voz da Hayley podia soar mais clara no início da música e uns quantos vocais em eco, na parte instrumental, davam mais carácter a Future - confere a esta canção um tom adequadamente misterioso, agridoce, fazendo-me imaginar os membros da banda lutando num cenário semelhante ao vídeo de Now, ou então no mar em plena tempestade, ou num deserto, enfim, sobrevivendo numa situação agreste.
 
Vejo em Future certas semelhanças com Goodbye, de Avril Lavigne, e See the Light, dos Green Day. Goodbye também funciona como um epílogo de Goodbye Lullaby, pela maneira como retira uma conclusão a partir do álbum. Acaba, até, por ser uma mensagem relativamente semelhante, embora o sentimento seja diferente. Já See the Light tem um sentimento mais parecido e também me parece, de certa forma, uma conclusão a 21st Century Breakdown. Para além disso, tem uma mensagem semelhante, de procura de um sentido, de uma esperança, de desconhecimento sobre o futuro, tudo isto no típico tom agridoce de um epílogo.
 
 
É por estas e por outras que acho que o álbum foi mal batizado. Compreende-se a decisão de lançar um álbum homónico após terem sobrevivido a uma crise que quase destruiu a banda. Além de que quiseram mostrar todos os estilos que podiam adotar, todas as potencialidades dos Paramore. No entanto, o facto de terem batizado o seu quarto álbum assim, um álbum com uma sonoridade diferente dos anteriores, pode gerar equívocos. Podem dar a ideia e que estão a renegar os discos anteriores, de que estes eram menos Paramore do que o quarto álbum.

Na minha opinião, este álbum podia ter sido chamado Future. Por diversos motivos: pela canção-epílogo, que resume a mensagem geral do álbum. Por futuro ser o denominador comum a vários temas do disco: crescimento, sobrevivência, sonhos, esperança. Poque, com este álbum, a banda recuperou algo que esteve perto de perder: um futuro.

Mas trata-se apenas do título, é evidente que isso em nada diminui a qualidade do álbum. E enquanto músicas de que não gostava por aí além no início subiram na minha opinião (exceto Anklebiters. Não consigo mesmo gostar dessa), outras por que me apaixonei nas primeiras audições... continuam assim. Aliás, com o tempo, fui reparando nos pormenores, nas linhas de baixo de Jeremy, nos riffs de guitarra de Taylor, presentes em músicas como Daydreaming, Last Hope e, sobretudo, Ain't It Fun. É uma pena não termos ainda versões instrumentais oficiais...


Daydreaming tornou-se em poucas semanas uma das minhas preferidas, não apenas por descrever muito bem a fase da vida em que me encontro, como também por adorar cantá-la - aquelas estâncias suspiraras e depois o poderoso refrão. Daydreaming acabaria por ser lançada como single em alguns países da Europa, com direito a videoclipe. Como poder ver, é um vídeo muito simples, que nem sequer prima pela originalidade mas, na minha opinião, adequa-se à música que serve. Além de que, visto que não foi um lançamento mundial, não se justificava algo muito melhor.

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Uma das poucas coisas que me desiludiu em relação a este álbum, aliás, é o facto de terem sido lançados tão poucos singles. Aquando do lançamento de Paramore, eu pensava que haveria tempo para uns três singles até ao final do ano. A banda tentou gravar um vídeo para Ain't it Fun durante o verão -  que sempre se soube que seria single mais cedo ou mais tarde - mas parece que o processo não correu bem. Eles lançaram Daydreaming em novembro e, no início deste mês, fizeram uma segunda tentativa num videoclipe para Ain't it Fun. Parece que esta foi bem sucedida e o vídeo será lançado em janeiro.

Não se pode dizer, de resto, que este adiamento tenha prejudicado a banda pois Still Into You teve imenso sucesso. Este segundo single de Paramore não é das minhas preferidas deste álbum mas, tal como afirmei aquando do seu lançamento, consegue conjugar uma história forte por detrás da letra - Hayley chegou a afirmar numa entrevista que Still Into You era uma espécie de sequela a The Only Exception - com o carácter infeccioso das melhores canções pop.

Outros pontos fortes do álbum Paramore são Grow Up - sobretudo por causa dos elementos eletrónicos - e Part II. Não me vou alongar tantou sobre esta última pois tenciono dedicar-lhe uma entrada em breve.

No entanto, a melhor música, não apenas do álbum Paramore mas de todo o 2013, foi Last Hope.


Já falei aqui no blogue de como Last Hope me apaixonou à primeira audição, de como me arrebatou, de como dava vontade de cantar em altos berros. Algo que ainda acontece. Os Paramore, entretanto, referiram que esta se tornou uma das músicas preferidas de tocar ao vivo. Não surpreende, de facto. Diz-se vulgarmente que as músicas ideiais para concertos são as mais agitadas e alegres. Não concordo totalmente. Certas baladas arrebatadoras, cantadas em altos berros por milhares de pessoas, são muitas vezes o ponto alto de concertos.

Uma das coisas que ajudam à adesão de uma audiência será a letra com praticamente toda a gente se identifica - Lucky One, dos Simple Plan, também é assim. No entanto, emobra a mensagem de Last Hope seja generalizável, também se torna específica ao referir-se a dores de crescimento, àquilo que custa mas a que é necessário não resistir e, mesmo, aceitar - aquilo de que Hayley fala no seu blogue, uma lição que ainda estou a aprender.


Last Hope é, em suma, uma música perfeita em todos os sentidos. Se não for a melhor de sempre, será pelo menos a melhor deste ano. Ando a fazer figas para que a banda goste tanto de tocá-la ao vivo que a torne single.

Este álbum ajudou-me, assim, a apreciar ainda mais a banda, os seus trabalhos anteriores, os próprios integrantes.  Eu sei que Hayley detestaria ser discriminada positivamente em relação a Jeremy e a Taylor mas eu tenho de destacá-la. Eu já vinha a identificar-me com ela desde há uns anos a esta parte mas agora tornou-se um exemplo ainda maior para mim, por diversos motivos. Respeito-a imenso pela lealdade que tem para com os Paramore, ao contrário do que chegou a ser insinuado. O facto de, ao contrário do que acontece com quase todas as cantoras pop, ela não explora ostensivamente a sua sensualidade - só este ano é que começou a aparecer ainda mais descapotável mas, para ser sincera, ela parece uma freira quando comparada com o que se viu este ano... - e, mesmo assim, consegue há anos - incluindo numa altura em que muitas vezes aparecia de top e calças de ganga - ser considerada das cantoras mais sexys. Prova assim que sensualidade não é sinónimo de vulgaridade.

No entanto, o maior motivo da minha admiração diz respeito às letras, que são escritas por ela. É Hayley a principal responsável pelas mensagens das músicas, logo, dos álbuns. Para mim, essa é a parte mais importante, é o que me liga aos Paramore.

 

 

Porque este é, de resto, o principal motivo pelo qual este álbum teve um impacto tão grande em mim, mais do que a maior parte da música tem. Já o disse várias vezes aqui no blogue que, no finla, é o conteúdo da música que faz com que esta se torne verdadeiramente imortal - muito por colher inspiração dela. Paramore tem feito mais do que isso: as músicas, as mensagens por detrás, uma ou outra declaração sobre as mesmas, a própria história recente da banda, têm-me ensinado imenso, têm-me ajudado a descodificar a vida, a descobrir quem sou, aquilo que se passa comigo - sobretudo agora que me encontro à beira de um ponto de viragem. Coisas que já sabia e que estou a redescobrir, coisas que preciso de saber mas que ainda estou a tentar aprender.
 
Saber, por exemplo, quando ignorar as opiniões dos demais. Aprender que apenas seu sei o que é ser eu, percorrer o caminho que percorro, aceitar que não sou como toda a gente, que não faço o que é suposto fazer, que não sou normal e não tenho de o ser - em teoria, sei isto desde que tenho quinze anos mas, na prática, nem sempre consigo ignorar o que os outros pensam de mim.
 
Reconhecer que tudo o que tenho é sonhos, que vivo a meio gás e que está nas minhas mãos mudar isso, por assustador que seja. Porque muitas vezes, somos nós mesmos a impedirmo-nos de sermos felizes. Não esquecer que o Mundo Real é duro e tentará deitar-nos abaixo de todas as maneiras possíveis e imaginárias mas, se há pessoas a conseguirem sobreviver nele, também devo conseguir.
 
 
Aprender, também, que, por vezes, a maneira de ganhar a guerra não é derrotando o inimigo mas sim abraçando-o - quer literalmente, quer nos múltiplos sentidos figurados. Fazendo as pazes, perdoando, quer aos outros como a nós mesmos.
 
Pelo que vou vendo pela Internet, não apenas no que toca aos Paramore, o mesmo acontecendo com outros artistas, os fãs preferem embarcar em discussões sobre o sexo dos anjos, comparando o material novo com o antigo, muitas vezes desenterrando a velha questão da partida dos irmãos Farro. Eu prefiro focar-me naquilo que a música traz à minha vida. Se esta é mainstream ou indie é irrelevante. Se é conservadora ou inovadora é secundário - dái que o CD Avril Lavigne tenha ficado abaixo do EP dos Simple Plan: este podia trazer muito pouca novidade, ainda menos que o álbum da cantautora canadiana, ms as músicas deram mais. O álbum Paramore, esse, deu imenso: ajudou a clarificar o sentido da vida. Este devia, de resto, ser o principal propósito da Arte. Também serve de inspiração à minha escrita precisamente porque esta é, igualmente, a minha maneira de descodificar o Mundo.
 
Um dos meus desejos para 2014 é poder vê-los ao vivo outra vez, desta feita tocando as canções deste álbum. Não me importava que fossem ao Rock in Rio mas, depois de os ter visto no Alive, queria vê-los num concerto em nome próprio, de longa duração, não apenas com os singles mas, também, com as favoritas dos fãs mais hardcore - como por exemplo My Heart e Let The Flames Begin. Aguardo, igualmente, com ansiedade o vídeo de Ain't It Fun, bem como o single seguinte (Last Hope! Last Hope! Last Hope!). Entretanto, tenciono voltar a falar de músicas dos Paramore em entradas futuras. Mas, sobretudo, desejo que a banda continue a fazer músicas de qualidade, que continue a crescer connosco e a ajudar-nos a decifrar o Mundo.
 

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2014 dificilmente será tão rico musicalmente como 2013 foi. Já sabemos que os Within Temptation lançarão Hydra no final de janeiro. E aquela hipótese do álbum natalício de Avril Lavigne. Consta também que os Linkin Park se encontram, neste momento, em estúdio. Também não torceria o nariz a uma eventual participação dos mesmos no Rock In Rio. Em relação ao resto... não sei. Só o tempo o dirá.
 
Em termos pessoais, será um ano bastante decisivo. O ano em que espero acabar, finalmente, o meu curso. Um dos meus receios é que, quando estiver em estágio, deixe de ter tempo para escrever. Quero ver se consigo concretizar os vários planos de entradas que tenho acumulado nos meus cadernos - alguns dos quais há vários meses - antes do início do estágio mas não será fácil pois, no próximo mês, vou ter exames. Pelo meio, ainda queria avançar no meu quarto livro - escrevi oito capítulos ao longo do verão mas pouco mais escrevi depois disso.
 
Por outro lado, sou uma escritora caprichosa, que já escreveu mais em tempo de aulas do que em férias. Se em cerca de dezasseis anos de vida arranjei quase sempre tempo para escrever, não será agora que isso irá mudar. Como sempre, alguns dos melhores momentos deste ano corresponderam àqueles em que estive a escrever para os meus livros. Tenho a certeza de que, nesse aspeto, 2014 não será diferente. Sobretudo se o fizer catalisada por músicas novas dos meus artistas preferidos.
 
Deixo, então, aqui um voto de boas entradas em 2014, agradecendo aos meus seguidores, desejando que continuem a acompanhar o álbum ao longo do próximo ano. Que 2014 traga muitas alegrias, entre as quais boa música, bons livros, filmes e séries. Feliz Ano Novo!

Músicas Não Tão Ao Calhas - A Light that Never Comes e Stay the Night


"The night gets darkest right before dawn"

Os Linkin Park lançaram recentemente uma faixa em colaboração com o DJ Steve Aoki intitulada A Light that Never Comes. A faixa já havia sido apresentada ao vivo no mês passado, no festival de música japonês Summer Sonic, aquando da atuação de Steve Aoki.

Tal como seria de esperar de uma colaboração com um DJ, A Light that Never Comes contém muitos elementos da atual disco pop que domina as rádios. O que, como seria de esperar, está a causar polémica entre os fãs da banda, saudosistas do estilo dos primeiros álbuns dos Linkin Park.

Um aparte só para comentar que ando a reparar que, em praticamente todos os vídeos do YouTube de um determinado musical, existe sempre pelo menos um comentário do género: "Tenho saudades dos [inserir nome da banda] de antigamente". Regra geral, as pessoas são avessas à mudança, à evolução. Não há nada a fazer. Parece que sou das poucas que prefere que os seus artistas preferidos se reinventem a si mesmos, ainda nem que sempre goste do resultado de tal evolução.

Mas regressando ao assunto do texto. Como estava a dizer, A Light that Never Comes acaba por ser um cruzamento do estilo dance pop atual - dubstep, auto-tune - com elementos icónicos, dos Linkin Park: o rap de Mike Shinoda, o refrão cantado por Chester Bennington, a atitude in-your-face, à New Divide, de que tanto gosto, compatível com filmes de ação e videojogos - a música, aliás, foi desbloquada através do jogo LP Recharge para o Facebook. A música acaba, de resto, por se assemelhar a um remix dubstep de Lost in the Echo. A letra recorda, aliás, não apenas o segundo single de Living Things, como também a de Burn it Down e New Divide. Sento estas três das minhas músicas preferidas da banda, não é de admirar que goste imenso de A Light that Never Comes.

Também não admira que lhe tenha montado outro AMV do Pokémon. Acho que é um dos melhores que fiz nos últimos tempos.




Os efeitos de auto-tune não ficam mal na voz do Chester e até combinam com o estilo da música. Ao mesmo tempo, fico satisfeita por não terem adicionado tais efeitos no rap de Mike, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com Until It Breaks - seria demasiado. Por outro lado, a letra acaba por ser o grande calcanhar de Aquiles de A Light that Never Comes - para além de reutilizar conceitos já muito batidos noutras músicas dos Linkin Park, torna-se repetitiva. Além disso, a segunda estância ficou demasiado curta. Para não falar do cliché "What don't kill you makes you more strong", que nem sequer está gramaticalmente correto. Podiam ter usado um bocadinho mais a imaginação, não é?

Em suma, gostei do resultado final desta colaboração embora, em boa verdade, como diz a minha irmã, "O Steve Aoki não fez nada" - Os pontos fortes da música vêm da parte dos Linkin Park, a produção confere a A Light that Never Comes o seu próprio carácter mas não mais do que isso. A faixa encontra-se incluída num EP que será lançado no final do próximo mês, que conterá remixes de faixas do último disco da banda, Living Things - no caso de serem remixes de dubstep, não me surpreenderia se ficassem parecidos com A Light that Never Comes.

Entretanto, parece que a banda se encontra em estúdio a preparar o seu sexto álbum que - e isto sou eu a especular - deverá ser editado no próximo ano. Consta que as músicas terão um estilo diferente de A Light that Never Comes - mas não me chocava se voltassem a enveredar-se pelo dubstep. Sendo os Linkin Park caracterizados por teorias híbridas, é mais do que natural que procurem evoluir, experimentar novas sonoridades. Ao mesmo tempo, espero que evoluam um bocadinho em termos de letras, que experimentem temáticas novas - mas que não deixem de produzir músicas compatíveis com AMV's!

Eu sei, sou exigente.

 


 
"We'll let this place go down in flames
Only one more time"

De resto, acho que me estou a converter ao dubstep, tendo em contra que os Linkin Park não foram os únicos artistas de que gosto a lançar recentemente uma faixa nesse género musical. Hayley Williams, vocalista dos Paramore, lançou também, na semana passada, uma música em parceria com Zedd, chamada Stay the Night. Já não é a primeira vez que a Hayley empresta a voz para canções fora da banda e do seu género - há três anos fez o mesmo com Airplanes de B.o.B., uma parceria que, na minha opinião, foi bem sucedida.
 
Ora, penso que a parceria que deu à luz Stay the Night também foi bem sucedida. Ao contrário do que aconteceu com Airplanes, Hayley não se limitou a cantar dois versos para o refrão, ela canta a música toda e terá, inclusivamente, escrito a letra - até que ponto, não sei. 
 
Stay the Night é uma faixa conduzida pelo piano a que se juntam elemento da eletropop atual. Gosto do facto de não ser uma faixa de dubstep pura, dos momentos em que só se ouve a voz de Hayley e do piano. A letra, que fala de um casal que passa uma última noite juntos antes da ruptura, não é nada de especial - consegue-se destacar-se de outras músicas deste género ao não ser completamente vazia de significado mas não faz mais o que isso - mas julgo que se nota o toque da Hayley. Adicionaram alguns efeitos à voz dela mas não em demasia, apenas o suficiente para combinar com o estilo musical. Tal como acontece com A Light That Never Comes, o produtor pouco faz pela música - não parece muito diferente de outras faixas do género - é a Hayley quem carrega Stay the Night nas costas. Ou melhor, nas cordas vocais. E, apesar de preferir mil vezes os trabalho de Hayley nos Paramore, considero este projeto lateral bem conseguido, tal como Airplanes o foi.

Não manterei este blogue inativo por muito tempo, não apenas por causa da crítica a Goodbye Lullaby, mas também porque não ficaremos por aqui em termos de música nova - os Within Temptation preparam-se para lançar o primeiro single do seu novo álbum, no próximo dia 27 - que é também o aniversário de Avril Lavigne.

É engraçado o que está a acontecer este ano: os Within Temptation vão lançar um single no aniversário da Avril. Esta, por sua vez, lançará o seu álbum homónimo no dia de anos de Bryan Adams. Isto se não for adiado novamente... Três vezes na madeira!!!

O novo single dos Within Temptation chama-se Paraside (What About Us) e é cantado em conjunto com Tarja, a vocalista da antiga banda, também de metal sinfónico, Nightwish (nota para mim mesma: ouvir-lhes a discografia um dia destes). Temos tido direito a várias previews, sendo o vídeo acima uma das mais recentes. O instrumental não parece diferir muito da sonoridade do álbum anterior, The Unforgiving, embora tenha alguns elementos interessantes. O refrão, contudo, não está a conseguir convencer-me até agora, não parece ter grande força. No entanto, admito que tenho gostado mais da música à medida que a vou ouvindo mais vezes, sobretudo quando as previews são colocadas lado a lado, como no vídeo abaixo. Quero, por isso, esperar pela música inteira, até porque estou curiosa em relação ao papel de Tarja em Paradise, quando não está a cantar o refrão juntamente com Sharon.


O single será lançado sob a forma de um EP que incluirá três demos de faixas novas do CD: Let Us Burn, Silver Moonlight e Dog Days. Estes, ao menos, compensam os fãs pelo adiamento de um álbum inicialmente previsto para o Outono deste ano. Também já tivemos direito a previews dessas faixas, como podem ouvir - previews essas que não me dizem por aí além, embora pareçam promissoras. Mais uma vez, terei de esperar pelo lançamento dessas demos para formar opiniões. Opiniões essas que expressarei aqui no blogue, como habitual.

Como podem ver, entre isto e o novo álbum da Avril, os próximos tempos vão ser bastante excitantes, terei bastante sobre que escrever aqui no blogue. Neste momento, faltam quatro dias para o lançamento do EP Paradise (What About Us) e quarenta e três dias para o lançamento de Avril Lavigne.

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