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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Ao Calhas - Porto Côvo

Uma eternidade depois da última vez, hoje a rubrica Músicas Ao Calhas regressa ao blogue. Queria publicar este texto hoje, não porque a música em questão tenha alguma coisa a ver com o Dia Internacional da Criança, mas sim porque conheci-a neste dia há dezassete anos.

 

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Eu tinha dez anos, na altura (já me achava demasiado crescida para o Dia da Criança, por acaso) e andava no quinto ano. Nesse dia, uma das aulas que tive era de Português e, como era o Dia da Criança, a “stôra” quis fazer algo diferente. Trouxe um leitor de cassetes (ou de CDs? Não me lembro ao certo…), pôs a tocar Porto Côvo, de Rui Veloso, e distribuiu-nos fichas com a letra, para interpretarmos. Foi aí que lhe tomei o gosto.

 

No Natal seguinte, um dos presentes (já não me lembro se do meu pai para a minha mãe ou vice-versa) foi a compilação que celebrava os vinte anos de carreira de Rui Veloso (isto há dezassete anos!). Quando descobri que Porto Côvo fazia parte da tracklist, fiquei toda contente.

 

A canção é, de facto, lindíssima – duvido que alguém discorde. Porto Côvo é uma música calminha, guiada por notas de guitarra. Melancólica, nostálgica, sem se tornar demasiado triste, a condizer com a letra.

 

Esta é igualmente bonita. Outra coisa não seria de esperar de uma letra escrita por Carlos Tê. Porto Côvo pinta a imagem de um fim de tarde que desagua em noite cerrada, na costa alentejana. Existem também referências a um acampamento e o sargo, no braseiro, deve ser o jantar. Penso que um dos exercícios dessa aula era, de resto, assinalar os complementos circunstanciais de lugar (será que ainda se chamam assim?) – pelo menos, lembro-me de sublinhar expressões como “em baixo”, “ao largo”, “à volta”.

 

 

O mar foi sempre uma grande fonte de inspiração para a arte e cultura portuguesas, por motivos óbvios. Eu mesma, desde miúda, senti grande afinidade para o mar, praia e quase tudo o que se relacione com água. Como tal, o cenário descrito por Porto Côvo é, na minha opinião, idílico.

 

O refrão refere a Ilha do Pessegueiro – pergunto-me se é lá que o narrador está a roer a laranja e a descrever a paisagem. Curiosamente, o nome da ilha nada tem a ver com pêssegos – segundo o que pesquisei, esta funcionava como centro piscatório no tempo dos Romanos. O nome terá evoluído de “piscatório” ou “pesqueiro” para “pessegueiro” – a língua portuguesa é engraçada…

 

Assim, o pessegueiro é, obviamente, ficcional (será que alguém alguma vez terá tentado plantar um pessegueiro lá, só pela graça?) – bem como o “vizir de Odemira” que o terá plantado. Não sei, aliás, se era absolutamente necessário esse vizir se ter suicidado por um desgosto amoroso.

 

Suponho que o fatalismo seja tão icónico na cultura portuguesa como o mar.

 

  

Eu, na verdade, já devia ter visitado Porto Côvo e a Ilha do Pessegueiro há muito tempo. Julgo que é uma das poucas zonas do país que ainda não visitei (se o fiz, era demasiado nova para me lembrar). Hei de lá ir, um dia.

 

Por tudo isto, Porto Côvo é, na minha opinião, uma das canções mais bonitas da música portuguesa. Admito, no entanto, que tenho um viés, pela maneira como conheci a música. Não me lembro do nome da minha professora de Português do quinto ano. Não sei o que é feito dela. Mas, sempre que oiço Porto Côvo, lembro-me dessa aula, no Dia da Criança de 2000. Na possibilidade remota de ela ler estas palavras, “stôra”, obrigada!

 

Músicas Ao Calhas - What Have You Done e Hand of Sorrow

Esta é a primeira entrada de Músicas Ao Calhas em mais de um ano. As faixas em questão - What Have You Done e Hand of Sorrow, dos Within Temptation - são as primeiras de uma pequena lista de canções sobre as quais pretendo escrever, mais cedo ou mais tarde.

 

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What Have You Done e Hand of Sorrow fazem parte do álbum The Heart Of Everything, publicado em 2007, o quarto da carreira da banda holandesa Within Temptation. Este álbum marca o ponto alto da banda neste estilo musical, que haviam vindo a aperfeiçoar desde Mother Earth - como não estou familiarizada com os nomes "corretos", prefiro definir este estilo como, vá lá, gótico/medieval, em contraste com a sonoridade mais urbana em The Unforgiving. É um álbum que tem vindo a crescer na minha preferência nos últimos dois anos - The Silent Force costumava ser o meu preferido mas, agora, esta posição tem vindo a ser desafiada, tanto por The Heart of Everything como por Hydra. THOE tem mais variedade que The Silent Force, sem perder a coesão e, apesar de deixar cair muitos dos elementos celtas de que tanto gosto em TSF, tal como dei a entender antes, assemelha-se a uma versão melhorada do álbum de 2004. Algumas daquelas que considero as melhores canções dos Within Temptation - The Howling, Forgiven, The Truth Beneath the Rose - fazem parte deste CD.

 

 

"Wish that I had other choices than to harm the one I love"

 

What Have You Done foi o primeiro single deste álbum e uma das primeiras músicas que conheci da banda. Logo desde início, a canção mexeu comigo, sobretudo por causa da letra. What Have You Done conta a história de dois amantes que se tornam inimigos mortais, história essa que, das primeiras vezes que ouvi a música, me afligiu verdadeiramente. Para essa emotividade, contribuem as interpretações de ambos os cantores (mais sobre isso adiante). À semelhança do que acontece com a larga maioria das músicas dos Within Temptation, a letra aplica-se a muitas obras de ficção, incluindo a minha - mais em específico, o meu terceiro livro. Uma das primeiras de que me recordei, quando conheci What Have You Done, foi as Brumas de Avalon (mais uma vez), em específico um certo momento em O Prisioneiro da Árvore. Outro exemplo é uma trilogia que li recentemente - falarei melhor sobre ela adiante.

 

What Have You Done possui várias versões reduzidas. A faixa completa tem mais de cinco minutos de duração e, como toda a gente sabe, o ouvinte comum da rádio tem um tempo de atenção inferior a quatro minutos. Na minha opinião, só é possível apreciar devidamente a música ouvindo a versão completa. What Have You Done começa com um crescendo de orquestra, repetindo cada vez mais alto a sequência que se tornará a imagem de marca da faixa. Seguem-se os vocais suaves de Sharon antes do primeiro "What Have you Done, now" gritado por Keith Caputo, e de a música explodir.

 

Um dos momentos de que mais gosto em What Have You Done é da maneira como Keith canta o verso "I won't show mercy on you now". Outro ponto forte é a sequência de piano que se seguie a "It's over now, what have you done", antecedendo os primeiros dois refrões - um breve momento de acalmia, para absorver a música, antes de tornar a acelerar.

 

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Há quem não goste da constante repetição de "what have you done" por parte de Keith, mas eu gosto: ajuda a manter o ritmo frenético, sobretudo os crescendos após os primeiros refrões.

 

Ao segundo refrão segue-se um novo abrandamento, uma sequência instrumental mais lenta, misteriosa, com vocais sussurrados, antes de a bateria e as guitarras regressarem, retomando o ritmo até à terceira estrofe. Aqui a canção ganha um tom diferente, de alguma esperança.

 

Em suma, o tratamento musical de What Have You Done, bem como as interpretações dos dois vocalistas, contribuem para a emotividade da canção. Não é de surpreender que esta me tenha perturbado das primeiras vezes que a ouvi.

 

Foi com o álbum The Heart of Everything que os Within Temptation entraram no mercado norte-americano. Tendo What Have You Done sido o primeiro single, este recebeu alguma crítica por se assemelhar a Bring Me to Life, dos Evanescence. É de facto possível encontra várias semelhanças, à vista desarmada, entre Bring Me to Life e What Have You Done - para mim, a mais óbvia (à parte dos dois vocalistas) é o início do terceiro verso de ambas as faixas. Mesmo eu tenho colocado ambas as faixas lado a lado nas minhas playlists ao longo de todos este anos, de forma inconsciente. Não me choca a ideia de que pelo menos algumas destas semelhanças sejam intencionais. 

 

Outra música que acho semelhante a esta é Awake and Alive, dos Skillet.

 

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No entanto, as comparações estabelecidas entre as bandas Evanescence e Within Temptation têm começado a irritar-me (apesar de eu mesma as ter feito). Tendo em conta o meu viés de quem está mais familiarizado com a discografia da banda holandesa, para mim os Evanescence são um one-hit-album-wonder, que, tanto quanto sei, nunca mais fizeram nada de interessante depois de Fallen. Além de que Sharon é, na minha opinião, muito melhor vocalista que Amy Lee. A voz de Sharon é versátil, atinge agudos impossíveis, enquanto Amy parece estar em constante sofrimento.

 

De qualquer forma, o problema deste estilo musical mais pesado é encontrarmos muitos puristas na Internet.

 

 

What Have You Done tem dois videoclipes. Um primeiro (mostrado acima), menos conhecido, e outro oficial. No primeiro, Keith desempenha o papel de um agente que persegue uma criminosa (Sharon), com quem tivera um relacionamento. Eu gosto deste vídeo, mas a banda não. Alegam que o vídeo dá pouca atenção aos membros da banda que não Sharon e que as cenas na selva são pouco verosímeis. Daí terem filmado um segundo. Este (abaixo)tem um tom mais sombrio, contando uma história de violência doméstica.

 

 

Em suma, considero What Have You Done um clássico. No entanto, também devo dizer que concordo quando dizem que o single não se encontra entre os melhores dos Within Temptation. Tenho, aliás, andado algo cansada da música nos últimos tempos.

 

 

"He surely would flee but the oath made him stay" 

 

Hand of Sorrow possui algumas semelhanças com What Have You Done no que toca à história. Pelo menos era o que me parecia antes de me sentar e analisar melhor a canção, para escrever este texto.

 

Hand of Sorrow começa com uma sequência de notas de piano, que se tornam a imagem de marca da canção, antes de se juntarem as guitarras, a bateria e a orquestra. A produção musical nesta faixa é sólida, de resto. A música não é tão dramática e frenética como What Have You Done, mas cumpre o seu papel. Na verdade, o maior destaque de Hand of Sorrow é a sua letra.

 

Segundo o que descobri na Internet, a letra de Hand of Sorrow foi inspirada na Saga do Assassino, de Robin Hobb. Não conheço a obra, embora julgue ter visto o primeiro volume entre os livros do meu irmão. Segundo o que li, um dos temas da saga é o conflito entre lealdade, ambições, honra e os sacrifícios que estes implicam - e é precisamente sobre isso que a letra de Hand of Sorrow fala: a história de uma criança enjeitada que é criada para ser mercenária. Desde início, a história que eu envisionei era semelhante a What Have You Done: o protagonista tem uma amada mas, por causa do seu dever, não pode amá-la, deve mesmo considerá-la inimiga. No entanto, vendo melhor, a letra vai mais longe do que isso. Hand of Sorrow reflecte sobre o que é certo e o errado, se valores como a lealdade e a honra justificam o sacrifício de entes queridos (não necessariamente matá-los, como em What Have You Done), se a violência é aceitável como forma de evitar mais violência. O que, no fundo, são questões debatidas em muitas obras de ficção - não apenas nesta saga, também noutras sobre as quais já falei aqui no blogue, bem como nos meus livros.

 

Começo a perceber, de resto, que, se olharmos para elas a fundo, todas as obras de ficção decentes, em que haja um mínimo de conflito, acabam por abordar questões semelhantes, mais cedo ou mais tarde. É aí que reside a força de Hand of Sorrow. 

 

E dos Within Temptation em si.

 

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Os Within Temptation preparam-se para regressar a Portugal no próximo verão, para participar no festival metaleiro Vagos Open Air. Eu gostava de ir vê-los, mas é pouco provável que o faça. Para começar, o festival situa-se perto de Aveiro, ou seja, fica-me fora de mão. Além disso, não conheço mais ninguém que vá e não me agrada muito a ideia de ir sozinha a um festival de heavy metal (que não é o meu género preferido) para ir ver apenas uma banda. Eu fico com pena mas, em princípio, esta terá de ficar para a próxima.

 

Um dos motivos pelos quais deixei o blogue um pouco de lado no último mês foi o facto de o início deste ano ter sido a primeira altura desde princípios de 2013 - ou mesmo antes, se considerar a trilogia dos Green Day ¡Uno! ¡Dos! ¡Tré! - em que nenhum dos meus artistas preferidos lançou música nova para eu analisar no blogue. Os Sum 41 e os Simple Plan têm estado em estúdio - com estes últimos andando a ser simpáticos o suficiente para irem deixando pistas nas redes sociais - mas ainda teremos de esperar algum tempo antes de podermos ouvir qualquer coisa em concreto.

 

No entanto, no início deste mês, tive a surpresa agradável de descobrir que o single Fly, de Avril Lavigne, será lançado em breve - mais concretamente no dia 16. Não estava à espera de tê-lo tão cedo, só contava com ele em junho (depois de tanto drama e adiamento nos últimos anos, no que à Avril diz respeito, uma pessoa começa a arredondar por cima...). Não quero escrever muito mais sobre isso, estou a guardá-lo para a mais que previsível entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas. Apenas digo que estou com altas expectativas (no que toca a baladas, a Avril não costuma errar) e espero que estas se confirmem.

 

 

 

Dois dias antes, será lançado o novo produto da colaboração entre Steve Aoki e os Linkin Park, Darker than Blood. Tendo em conta que gosto imenso de A Light that Never Comes (mais do que a música verdadeiramente merece), estou curiosa em relação a esta nova música. Espero, sobretudo, que dê para eu montar um AMV, tal como fiz com a primeira colaboração da banda com Aoki.

 

Contem, então, com duas entradas - uma para cada música nova - na próxima semana. Vai saber bem ter material musical novo para analisar, isto vários meses depois da reedição de Reckless. À parte essa, tenho outras entradas planeadas para os próximos tempos, incluindo as Músicas Ao Calhas que referi no início. Continuem desse lado...

Músicas Ao Calhas - Naked e similares

Já faz algum tempo desde a última vez que falei de um tema de Avril Lavigne numa entrada de Músicas ao Calhas. Hoje quero falar daquela que tem sido, de maneira constante desde as primeiras audições, uma das minhas músicas preferidas da cantautora canadiana - mas cujo significado demorei alguns anos a compreender. E tal como fiz com Innocence e Nobody's Home, falarei também de músicas que abordam temas semelhantes.
 

 
"You see right through me and I can't hide"
 
Naked é uma balada rock, proveniente do primeiro álbum de Avril Lavigne, Let Go. Começa com notas de órgão - que se tornam a marca da música - seguida da guitarra acústica que a conduz. Depressa se juntam a bateria e a guitarra elétrica, no refrão. A terceira parte da música é indubitavelmente a melhor, a mais emocionante, com os vários instrumentos soltando-se e os vocais extremamente expressivos de Avril, terminando apenas com a voz dela e a guitarra acústica. Referir, rapidamente, que nas versões ao vivo, acrescentava-se um solo de guitarra, que também fica muito bem.
 
A letra de Naked fala de intimidade, da liberdade de se ser quem verdadeiramente é junto da pessoa que se ama. Fala de aceitação, de ausência de segredos, de muros. De uma nudez em termos emocionais, em suma. No entanto, também é legítimo atribuir um carácter sexual à letra. Na minha opinião, ele existe, mas de uma maneira muito romântica. No fundo, em Naked há uma mistura única de romantismo, intimidade, inocência e erotismo, revelando-se uma canção muito emotiva e surpreendentemente madura, se tivermos em conta que a Avril a terá composto quando tinha dezasseis ou dezassete anos.
 
A interpretação vocal da cantautora transmite bem esse carácter híbrido da música. A voz dela em todo o álbum Let Go, de resto, é a minha preferida de todos os discos dela até ao momento. No seu álbum de estreia, esta surge muito pura, com nuances que nunca mais conseguiu repetir. Tal voz funciona muito bem em Naked. Regressando à terceira parte da música, gosto muito dos yeah-yeah-yeah, dos through que se prolongam com os backvocals por detrás mas, sobretudo, aquele baby mesmo no final, extremamente expressivo e perfeito.


Existe uma versão demo da música, naturalmente com menos qualidade que a versão final, incluída no álbum. Esta possui, no entanto, algo que, na minha opinião, ficou a faltar na versão do disco: uma secção de violinos - embora estes estejam presentes na versão instrumental da música. Em termos de interpretação vocal, fazem falta vários elementos, como os yeah-yeah-yeah e o baby no fim. De uma maneira geral, a interpretação está bem melhor na versão definitiva. No entanto, vale a pena ouvir este demo, tanto pela curiosidade como pelo instrumental.

Entre as músicas com temas similares a Naked que escolhi para esta entrada, encontram-se dois temas de Bryan Adams. Um deles é She's Got A Way.



"Such a mystery, how she seems to know, every part of me"
 
She's Got a Way faz parte de 11, o último álbum de estúdio do cantautor canadiano, sendo uma das minhas canções preferidas deste disco. A letra fala de alguém com quem não é possível mentir ou fingir, que nos conhece demasiado bem e nos deixa completamente desarmados. Esta canção tem versões diferentes - uma com mais guitarra elétrica e um remix, por Chicane (que já tinha feito a sua versão de Cloud Number Nine) - mas só gosto da que vem no álbum original. A do vídeo acima é muito semelhante. A sonoridade está de acordo com o próprio conceito do álbum: guitarras discretas, com solos que funcionam como segunda voz, piano, bateria suave. E a interpretação de Bryan, suave, terna como só ele sabe fazer, combina perfeitamente com a letra.
 

"I wanna know you like I know myself"

A segunda canção de Bryan Adams deste grupo é Inside Out, do álbum On a Day Like Today - embora a tenha ouvido pela primeira vez na compilação The Best of Me, há já onze anos. Esta tem uma sonoridade grave e intimista, proporcionada por notas de órgão, baixo, guitarra elétrica. A letra que expressa a vontade de saber tudo sobre a amada, conhecê-la a fundo, ser íntimo dela. Sempre considerei Inside Out uma música extremamente tocante, ao ponto de, durante os primeiros anos, me fazer frequentemente chorar quando a ouvia - não sei bem explicar porquê.

 
"You see all my light, 
And you love my dark"

 Passemos agora a Everything, uma das primeiras canções que conheci de Alanis Morissette, há dez anos. Já afirmei anteriormente que o carácter que Alanis expressa na sua música - personalidade forte, politicamente incorreta, terra-a-terra sem deixar de ter uma faceta espiritual - me recorda a minha personagem principal feminina, Bia. Everything vai nessa linha, pela maneira como a narradora descreve, sem pudores nem eufemismos, todos os seus defeitos e virtudes e a maneira como o seu amado está ciente de tudo isso e, em vez de a criticar ou de se afastar, ainda a ama mais por isso. Quanto à sonoridade, não há muito a dizer: é o típico rock ligeiro de Alanis.


"But no one in this world knows me the way you know me
So you'll porbably always have a spell on me..."

A última música de que quero falar nesta entrada é Hate that I Love You, de Rihanna e Ne-Yo. Não sou fã desta cantora, gosto de meia dúzia de singles dela - que não é ela a compôr - e detesto uns quantos outros. Hate that I Love You é, provavelmente, a minha favorita dela. Em termos de sonoridade, é uma típica balada R&B, guiada pela guitarra acústica, ritmada por batidas, bastante agradável e adequada à temática da canção. Em termos de interpretação vocal, nada a assinalar. Posso não ter grande opinião acerca de Rihanna e da sua carreira, mas ela canta bem. A letra é mais profunda que a maioria das canções de Rihanna. Fala sobre alguém que nos conhece a fundo e que amamos, talvez contra vontade, ao ponto de ficarmos completamente à mercê dessa pessoa e vermos isso usado contra nós.

Todas estas canções, à sua maneira, mostram que amar implica sinceridade, baixar as defesas, permitirmo-nos ser vulneráveis, abandonarmo-nos em mãos alheias, correndo o risco de sairmos magoados. Pode ser uma maldição, pode mudar-nos mais do que desejaríamos, para melhor ou para pior. Isto é um dos motivos pelos quais, tal como afirmei anteriormente, apesar da minha costela romântica, me sinto tão relutante em apaixonar-me a sério. Não consigo imaginar-me expondo-me dessa maneira perante qualquer um... ou qualquer uma. No entanto, a ver se mantenho essa convicção se ou quando cair nessa armadilha.

 

O meu interesse pela carreira de Avril Lavigne já não é o que era há uns anos, por diversos motivos. Por o seu mais recente álbum não me ter entusiasmado por aí além e por, neste momento, andar mais interessada noutros artistas. Poucas notícias relevantes têm surgido sobre a Avril, este ano. A cantautora esteve em digressão pela Ásia, nos últimos meses mas, pelo que tenho visto em fotografias e vídeos do YouTube - o que não é muito, admito - o conceito tem sido muito semelhante ao da digressão anterior, The Black Star Tour. Pior do que tudo, anda a faltar-lhe presença em palco. Tal lacuna tem-se tornado mais evidente para mim agora, que estou mais familiarizada com o desempenho em palco de artistas como Hayley Williams dos Paramore, Mike e Chester dos Linkin Park, e Sharon dos Within Temptation.

Por outro lado, os próximos singles do seu álbum homónimo foram anunciados recentemente. Em primeiro lugar, Hello Kitty será lançada na Ásia, uma jogada que considero inteligente. A música é, por várias razões, perfeita para o mercado asiático - noutros mercados, contudo, o resultado seria demasiado imprevisível. Esta acaba por ser a solução ideal: por um lado, eu não queria, de todo, ter Hello Kitty como single. Por outro, não podia deixar de reconhecer que a canção tem um certo potencial que não seria sensato desperdiçar. Com esta decisão, toda a gente ganha.

Mas ainda quero ver o que fazem com o videoclipe. Estou com um bocadinho de medo...

Entretanto, Avril anunciou, também, que Give You What You Like será lançada como single a nível mundial. Já se especulava há algumas semanas que a escolha para o quarto single, sem ser Hello Kitty, seria entre Bad Girl e esta música. Mais uma vez, fiquei contente com a decisão tomada. Apesar de gostar muito de Bad Girl, para a rádio esta seria demasiado agressiva e... explícita. Give You What You Like é bem mais adequada, na minha opinião. É uma das melhores do quinto álbum, tanto em termos musicais como de letra, uma das mais amadurecidas.

É, aliás, interessante compararmos Naked com Give You What You Like: uma das músicas mais antigas com uma das mais recentes, duas canções que abordam temas parecidos mas de maneiras bem distintas.

Por muito de goste de várias músicas do álbum Avril Lavigne, canções anteriores a esse disco são bem mais marcantes. Em particular as mais clássicas, como Naked, as que me fizeram apaixonar por Avril e que continuam a ter o mesmo impacto de sempre. Ou mesmo maior pois, à medida que vou amadurecendo, conhecendo música nova, vou ficando cada vez mais ciente da genialidade destes primeiros temas, descobrindo outros motivos para adorá-los. É por isso, também, que ainda não desisto de Avril Lavigne - por ainda ter a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, torne a lançar músicas que me surpreendam pela positiva.

Músicas Ao Calhas - Let the Flames Begin & Part II

 
Hoje quero falar de duas das canções mais complexas e intrigantes que ouvi nos últimos anos: Let the Flames Begin, editada em Riot!, o segundo álbum dos Paramore, e a sua sequela Part II, editada no álbum mais recente da banda, homónimo. Não são músicas de que se goste à primeira, sobretudo Let the Flames Begin. Já antes referi aqui que essa demorou algum tempo a entranhar-se em mim, que estava com dificuldades em compreendê-la, tanto essa como Part II. Só agora, cerca de um ano depois de começar a ouvi-la com regularidade, julgo compreender a mensagem das músicas, de certa forma. E partilho, aqui, as minhas conclusões.
 
 
Let the Flames Begin tem uma sonoridade mais crua, mais pesada, quando comparada com a sua sequela. Destacam-se os riffs de guitarra, a bateria forte. A versão de estúdio peca por ter poucas sequências instrumentais - tal, felizmente, é corrigido na versão ao vivo da música. Destaco a sequência final, que encerra a música com um toque misterioso. A melodia transmite muito bem as emoções da letra. O refrão, contudo, soa algo forçado.
 
A letra, em conjunto com a melodia, possui múltiplas camadas, transmite diversas emoções ao mesmo tempo: desilusão, desalento, dor, resistência, desafio, revolta. Reflete sobre a condição humana, os seus defeitos e fragilidades, contrastando com a arrogância inerente a quem, muitas vezes, se julga invulnerável, imortal. Tal como assinalei anteriormente, existem momentos em que a música soa a um grito de guerra, outros em que se assemelha a uma oração, outros em que soa extremamente triste. O verso "Reaching as I sink down into light", por exemplo, parte-me o coração. E se esta mistura de emoções dá um carácter muito próprio a Let the Flames Begin, também a torna demasiado vaga, com alguma falta de coesão.
 
Existem muitas situações às quais a letra de Let the Flames Begin se aplicaria. Há quem se recorde do 11 de setembro ou do Holocausto. Eu, tanto em relação a Let the Flames Begin como a Part II, lembro-me dos Jogos da Fome pois, para além, obviamente, da metáfora do fogo, a série de livros e filmes gira, precisamente, à volta do lado mais negro da condição humana. No que diz respeito à prequela, esta reflete melhor os dois primeiros livros da trilogia, o carácter rebelde e revolucionário da mesma.
 
 
A versão desta faixa ao vivo difere significativamente da versão de estúdio. O áudio com qualidade desta versão encontra-se disponível no CD/DVD The Final Riot. Há nesta faixa um maior destaque dos instrumentos (as guitarras, o baixo, as baterias). Além disso, a música surge com uma estância adicional, um outro, vulgarmente denominado Oh Father. Neste torna-se muito mais claro o lado religioso da banda, sobretudo por, nesta parte, Hayley se ajoelhar no palco e/ou deitar-se virada para o céu enquanto canta. Tudo isto reforça a multiplicidade de facetas em Let the Flames Begin pois, se os instrumentos descontrolados e os frequentes headbangs proporcionam um momento muito rock 'n' roll, intenso e poderoso, a emotividade e o dramatismo do desempenho vocal de Hayley partem o coração. Não é de surpreender, por isso, que Let the Flames Begin seja uma das favoritas nos concertos, tanto para os fãs como para os próprios membros da banda.

 

  

"Fighting on my own, in a war that's already been won"

Part II é uma sequela a Let the Flames Begin mas, como não se limita a repetir a melodia e instrumental da sua prequela, possui o seu próprio carácter e funcionaria perfeitamente bem como uma música independente, incluindo no contexto do quarto álbum da banda. Tem, de facto, uma sonoridade ligeramente mais eletrónica, sem deixar de dar espaço às guitarras, ao baixo e à bateria ara brilharem, em particular na fantástica terceira parte da música. O refrão surge, além disso, muito mais forte, muito mais espontâneo que em Let the Flames Begin.
 
A letra de Part II assenta numa premissa semelhante à da sua prequela - o lado mais negro da condição humana - mas explora-o de uma maneira diferente. Se Let the Flames Begin se centra mais nos defeitos da sociedade e da espécie humana em geral, Part II é mais introspetiva, de certa forma. O sujeito narrativo reflete sobre o seu próprio lado negro, os seus próprios defeitos, os seus próprios traumas - daí que, tal como mencionei recentemente, tenha encontrado em Tell Me Why dos Within Temptation algumas semelhanças com Part II. Os Paramore têm afirmado que esta música, à semelhança de Now, reflete a parte mais sombria de toda a crise que a banda atravessou nos anos que se seguiram à deserção dos irmãos Farro. A mim, faz-me pensar em stress pós-traumático, em sequelas de batalhas e, de certa forma, em procura de algum tipo de redenção. Nesse aspeto, é igualmente aplicável aos Jogos da Fome, nomeadamente aos traumas que se vão acumulando em Katniss, produto de tudo por que passa. A emoção em Part II não é tão crua como em Let the Flames Begin, mas não deixa de estar presente, apresentando-se, aliás, de uma forma mais coesa.


Em todo o caso, tanto em Part II como em Let the Flames Begin (sobretudo no que toca à versão ao vivo), a resposta ao lado negro mencionado é a mesma: a fé. Tal fica claro nos respetivos outros. O de Part II tem, assim, uma mensagem semelhante a Oh Father, embora a emoção seja diferente. Se Oh Fater dá dramatismo ao encerramento de Let the Flams Begin, Part II termina numa nota muito misteriosa, reforçada pelo instrumental (praticamente só a dramática bateria) e pela interpretação de Hayley.

Não sou capaz de escolher entre Let the Flames Begin e Part II. Ambas as músicas funcionam bem isoladamente e, ao mesmo tempo, complementam-se uma à outra. Ambas são faixas marcantes para os fãs mais hardcore. Pela parte que me toca, como já vai sendo costume com músicas assim, o conceito destas faixas ajudar-me-à na escrita. Entretanto, estou curiosa relativamente ao tratamento que estas músicas receberão nos próximos anos ao vivo, nomeadamente após os próximos álbuns da banda. Uma possibilidade interessante seria um medley de ambas.
 

 

Esta é a minha interpretação do significado destas músicas. É uma possível, não é necessariamente a correta ou a mais correta, na Internet é possível encontrar outras. E mesmo estas minhas conclusões podem perfeitamente mudar ou expandir-se com o tempo.

Mesmo tendo passado um ano desde que oiço Let the Flames Begin e Part II regularmente, mesmo depois de ter aqui tentado esmiuçá-las para o blogue, estas músicas continuam a mexer comigo de uma forma estranha, que não sou capaz de compreender na totalidade. Em particular Let the Flames Begin. Tal ficou mais claro após montar os AMVs que incluo nesta entrada. Isso ou as emoções dos filmes que usei misturaram-se com as emoções das faixas, de tal forma que já não me é possível dissociar uma coisa da outra. De qualquer forma, tudo isto contribui para o enriquecimento das músicas. Estas facetas ainda inexplicáveis de Let the Flames Begin e Part II apenas contribuem para que as músicas nunca me sejam indiferentes, que me mantenham intrigada por muitos anos ainda.

Um dia destes ainda queria falar de uma última música dos Paramore (última, salvo seja), mas não para já. Depois de várias entradas sobre a banda no último ano, ano e meio, vou parar por uns tempos a seguir a essa. A menos, naturalmente, que eles lancem música nova - pouco provável, pelo menos para já. Entretanto, tenho já outra entrada em rascunho, para publicar assim que possível. Mantenham-se ligados.

Músicas Ao Calhas - Heaven

Primeira entrada de 2014! Feliz Ano Novo. Eu sei que já se passaram algumas semanas mas, este mês, tenho-me focado mais no meu quarto livro. Além disso, estava a precisar de uma pausa dos meus blogues, do frete que, às vezes, se torna passar páginas e páginas de rascunhos para o computador. Planeio, no entanto, publicar algumas entradas nos próximos tempos, com destaque para a crítica a Hydra, o novo álbum dos Within Temptation, editado no próximo dia 31.
 
Hoje gostava de vos mostrar um pouco o meu lado mais lamechas e falar-vos da minha canção de amor preferida: Heaven, de Bryan Adams.
 
 
 

"Now our dreams are coming true

And through the good times and the bad
Yeah, I'll be standing there by you"
Sei que muitos fãs consideram (Everything I Do) I Do it For You a melhor canção romântica de Bryan Adams, mas eu discordo. Primeiro, por considerar Heaven melhor, tanto em termos de letra como de música, mais emotiva. Segundo, porque Heaven tem imensas versões diferentes e, em todas elas, soa linda - algo que é raro. Heaven é, há já muitos anos, uma música muito especial para mim. Sei tocá-la na guitarra, cheguei a tentar aprendê-la no piano e, um dia, se tiver a felicidade de me casar, será a música do meu casamento.
 
Muitos, se calhar, não o sabem, mas Heaven esteve quase para não ser incluída no quarto álbum de Bryan Adams, Reckless. A música foi composta para a banda sonora do filme A Night in Heaven (Noites de Paixão, em Portugal). Filme esse que se centrava num stripper masculino e que... foi um fracasso de bilheteira. Deve ter sido essa uma das razões que levaram Bryan a ponderar excluir a música do álbum. Em todo o caso, à última hora resolveu incluí-la e fez bem: Heaven tornou-se o primeiro single da carreira dele a atingir o topo das tabelas de música nos Estados Unidos.
 
A letra de Heaven é muito simples, como quase todas as músicas de Bryan Adams. Ligeiramente nostálgica, fala de uma relação que tem resistido ao teste do tempo, aos altos e baixos, às dificuldades. É uma música de final feliz, na minha opinião, daí achar que é a música de casamento perfeita.
 
 
Vou agora falar de algumas das muitas versões que existem desta música, começando, naturalmente, pela orginal. Esta é conduzida pelo piano (ou será pelo órgão?), acompanhada por notas de guitarra elétrica, que funciona como uma segunda voz - tal como acontece com muitas canções de Bryan Adams - acordes no refrão, baixo a partir da segunda estância, tudo isto numa aura etérea, muito romântica, perfeita para o primeiro slow dos noivos num casamento.


Em 1997, Bryan apresentou uma versão acústica de Heaven, a propósito da MTV Unplugged. Esta caracteriza-se por, na sua maioria, ser quase só a voz de Bran, com a guitarra acústica muito discreta. Só no segundo refrão é que o resto da banda se junta - toda ela em acústico - destaque para a linda flauta do irlandês Davy Spillane. Banda essa que torna a desaparecer nos últimos refrões. Bem, não desaparece completamente, pois ainda se ouve uma ou outra nota de piano e a flauta, em particular na conclusão da música.

Na digressão Bare Bones, dos últimos anos, Bryan tem igualmente apresentado Heaven em acústico. Desta feita, sem banda - regra da digressão - só com guitarra acústica e piano. Apesar de não ser uma má versão,  não é das minhas preferidas. Teria sido mais interessante uma versão sem guitarra, só com o piano.

A minha versão preferida de Heaven é a do DVD ao vivo Live in Lisbon, editado em 2005. Esta versão é também conduzida pela guitarra acústica - é esta que eu toco na minha - acompanhada pela bateria discreta, o baixo, a guitarra elétrica de Keith Scott, notas de piano. Tudo muito suave, emprestando um tom etéreo à música. Pontos para o solo de Keith, após a terceira estância, e sobretudo para audiência no refrão seguinte, que canta como um coro contratado, quase abafando a voz de Bryan. De repente, contudo, a música aumenta de ritmo, explode para um último refrão em alta - para isso contribui também, uma vez mais, a guitarra de Keith Scott. Sem dúvida, uma das melhores versões de Heaven. De resto, recomendo o resto do DVD pois o concerto é excelente, muito graças ao fantástico público português.
 


Queria, agora, falar de versões de Heaven gravadas por outros cantores. Começando por uma de Brandi Carlile - responsável por The Story, outra das minhas canções de amor preferidas. Brandi oferece-nos uma versão mais folk de Heaven, bem ao seu estilo, conduzida pela guitarra acústica, acompanhada, ocasionalmente, por notas de órgão.


Outras versões mais conhecidas (julgo eu) foram criadas por DJ Sammy e cantadas por Yanou. Uma delas é conduzida por notas de piano, muitas delas agudas, fazendo com que a música se assemelhe a uma canção de embalar, acompanhada aqui e ali por violinos. A interpretação doce de Yanou é perfeitamente compatível. É uma das versões mais açucaradas de Heaven mas isso não é defeito. Tal como todos os exemplos aqui mencionados, mostra uma prespetiva diferente da canção.


A outra versão, de DJ Sammy é bem diferente: é um remix tecno de Heaven, lançado em 2002. Temos muitos exemplos de remixes deste género, que transformam todo o tipo de canções em temas dançáveis, muitas vezes com grande prejuízo para a qualidade da música original. Não é este o caso, nem de longe nem de perto. De alguma forma, este remix conseguiu preservar a magia e o romance da versão original e, ao mesmo tempo, adequá-la às pistas de dança. Também ajuda o facto de Yanou ter uma boa voz e de esta soar quase sem alterações - naquela altura o auto-tune ainda não estava na moda, belos tempos! Quase vinte anos depois de ser lançada pela primeira vez, Heaven regressava às rádios sob outro "disfarce" e também conseguiu atingir os primeiros lugares das tabelas.

Conforme afirmei no início, poucas músicas se podem gabar de terem inúmeras versões diferentes e soarem ótimas em todas. É incrível como uma canção como Heaven, que parece tão simples, pode afinal ter tantas facetas. É por estas e por outras que este tema é-me imortal desde há, pelo menos, nove anos, conseguindo sempre derreter o meu coração. Algo que, de resto, Bryan Adams nunca teve dificuldade em fazer.

Bem, depois de um tema tão meloso como este, acho que este texto me deixou com a glicémia elevada. Se não se importam, vou ouvir Linkin Park. Entretanto, mantenham-se ligados: em breve publicarei a crítica a Hydra.

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