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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Pokémon através das gerações #5 - Indo às origens

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Chegamos, finalmente, à parte da franquia que só conheci vários anos depois da sua estreia – a quarta e quinta gerações – quando já tinha chegado à casa dos vinte. Isso confere-me um grande viés, não apenas por, conforme já expliquei antes, a Internet esclarecia toda e qualquer dúvida que tivesse, mas também porque, quando joguei estes jogos, o seu sistema wi-fi já tinha há muito sido desativado. Não experimentei, assim, uma das maiores inovações desta geração: a possibilidade de combater e trocar Pokémon através da Internet quando joguei Pearl, Platinum e Heart Gold (só viria a fazê-lo nos jogos da sexta geração). Por esse motivo, não falarei muito dessa faceta do jogo.

 

Isto pode ter sido propositado, por os remakes das versões Gold e Silver estarem provavelmente já nos planos da Game Freak, mas existem várias semelhanças entre a quarta geração e a segunda. Uma dessas semelhanças é evidente se olharmos para os novos Pokémon: temos várias evoluções e pré-evoluções novas para Pokémon antigos, como acontecera nos primeiros jogos de Johto. Naturalmente, algumas são melhores e/ou mais necessárias do que outras, como em tudo, mas, no geral, considero isto um ponto forte. Sobretudo porque voltou os holofotes para diversos Pokémon que antes passavam quase despercebidos e/ou eram desvalorizados (por sinal, vários deles são nativos de Johto) – como Aipom, Misdreavus, Murkrow, Sneasel, Piloswine, Gligar, entre outros. Introduziu também duas Eeveelutions, o que para mim é naturalmente um ponto a favor. O reverso da medalha disto tudo é que, por comparação, foram introduzidos relativamente poucos Pokémon completamente inéditos.

 

Na verdade, esta é capaz de ser a minha geração preferida em termos de Pokémon. Tirando uns casos específicos que explicarei no fim do texto, gosto das novas evoluções de Pokémon antigos. Ao contrário de gerações anteriores, tirando Phione (que, mesmo assim, destaca-se por ser a primeira pré-evolução de um Lendário ou Mítico e a única até à sexta geração), desta vez não tenho nada contra os Pokémon bebés. O Bonsly e o Mime Jr. recebem, aliás, palmas por, respetivamente, esta e esta cena do filme do Lucario, um dos meus preferidos. De todos os voadores-tipo de cada geração, a linha de Starly é a minha segunda preferida. Ao Kricketune, chega-lhe o seu “cry” para se destacar. Toda a gente gosta do Garschomp. Gosto do Drapion, do Toxicroak e do Abomasnow, apesar de ainda nunca ter usado nenhum deles. E isto são apenas gostos no geral. Dos meus preferidos falarei mais adante.

 

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Outra das semelhanças com a segunda geração prende-se com o foco na História e na mitologia. A quarta geração vai mais longe ao explorar as próprias origens do mundo Pokémon. Já fiz algumas referências a essa mitologia aqui no blogue, a propósito do filme centrado em Arceus. Segundo a Bulbapedia, este foi o primeiro Pokémon a existir, nascendo de um ovo num vortex de extremo caos. Este, de seguida, criou Dialga, para que regulasse o tempo, Palkia, para que regulasse o espaço, e Girantina oara que regulasse a antimatéria e que, pelo seu comportamento destrutivo, posteriormente foi banido para o Mundo da Distorção – já referi este Lendário antes, bem como as semelhanças que apresenta com o mito de Lúcifer. Arceus criou também o chamado Lake Trio/Trio dos Lagos, cada um representando uma característica diferente. Assim, Mesperit simboliza Emoção, Uxie simboliza Conhecimento e Azelf simboliza Força de Vontade.

 

Já que falo neste trio, devo dizer que as equipas em Pokémon Go parecem seguir temas semelhantes aos do Lake Trio. A Team Valor (da qual faço parte) valoriza a força e o poder natural dos Pokémon, caracterizam-se pela competitividade – o que condiz com a Força de Vontade de Azelf. O lago onde Azelf vive chama-se Lake Valor e tudo. A Team Mystic valoriza o conhecimento e a lógica – o que condiz, naturalmente, com Uxie. O paralelismo não é tão claro no que toca a Mespirit e à Team Instinct, que valoriza os instintos, mas pode-se argumentar que estes se assemelham a emoções. Não sei se estas semelhanças entre o Lake Trio e as equipas de Pokémon Go foram propositadas. De qualquer forma, estas três virtudes (cérebro, coração e coragem) costumam aparecer em conjunto frequentemente em vários sítios, quer em mitologia, quer na ficção – o Feiticeiro de Oz é o exemplo mais óbvio.

 

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Uma curiosidade: nos meus jogos, costumo chamar Tai ao Azelf, Izzy ao Uxie e Sora ao Mespirit.

 

Regressando à criação do mundo Pokémon, depois do trabalho de Arceus, Palkia, Dialga e Girantina ter criado as dimensões como são conhecidas, com tempo e espaço, Groudon criou os continentes, Kyogre criou os oceanos e Regigigas ficou encarregado de mover as placas tectónicas. Não tenho fontes sobre o seguinte, mas assumo que, a certa altura, Xerneas e Yveltal tenham sido criados, o primeiro para dar vida aos humanos e Pokémon criados por Arceus. O segundo para lhes conferir mortalidade, como forma de manter o equilíbrio no ecossistema.

 

Não é muito claro onde é que Mew (que se assume ser o ancestral de todos os Pokémon, por conter o DNA de todos eles) e os outros Lendários se encaixam nesta teoria. Uma hipótese possível é Mew ter sido, na verdade, o primeiro Pokémon a ser criado por Arceus, usando-o, depois, para criar todos os outros. Quanto aos outros Pokémon Lendários/Míticos, tirando casos como Mewtwo (que foi criado pelo Homem), suponho que terão um estatuto semelhante a deuses menores ou divindades locais, a quem foram atribuídos domínios e/ou terras para governarem ou protegerem – embora, nesta fase, já exista redundância nas funções dos Lendários.

 

O que me leva a uma crítica a esta geração: o número absurdo de Lendários. Temos nove no total, e não conto com os chamados Pokémon Míticos.

 

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Suponho que esta seja uma boa altura para referir a diferença entre Lendários e Míticos. A segunda designação é usada oficialmente para referir “Pokémon que são avistados tão raramente no mundo Pokémon que muitos questionam a sua existência”. Na prática, os Míticos são Pokémon que não é possível capturar normalmente nos jogos – exigem a participação em eventos ou, então, recorrendo a glitches (como o famoso glitch do Mew). No caso da quarta geração, os Pokémon Míticos são três: Darkrai, Shaymin e Arceus.

 

Confesso que não acho grande piada ao conceito. Ao longo das gerações, estes Pokémon vão sendo apresentados com cada vez menos histórias associadas e sem ligação ao resto do jogo. O evento de Celebi de Heart Gold e Soul Silver (de que voltaremos a falar mais adiante), por exemplo, revelou uma história até à altura desconhecida, envolvendo Giovanni e o rival Silver. Além disso, obtê-los não depende do esforço do jogador, como nos Lendários propriamente ditos (que sempre exigem uma estratégia envolvendo, por exemplo, False Swipe, um ataque que induza Sono e pelo menos cinquenta Ultra Balls). Em vez disso, depende de estarmos no lugar certo à hora certa para os eventos (ou seja, é uma questão de sorte). E hoje já nem isso é preciso: basta ter wi-fi. Como nas distribuições mensais do último ano, pelo vigésimo aniversário da franquia. Mew pode ter sido determinante para o sucesso dos jogos da primeira geração (consta que, quando circulou o rumor de que havia um Pokémon secreto escondido no código dos originais Red&Green, as vendas dispararam), mas, na minha opinião, os Pokémon Míticos tornaram-se demasiado anticlimáticos.

 

Dos muitos Lendários desta geração, queria chamar a atenção para Regigigas. O caso dele é interessante pois encontra-se ligado diretamente a Lendários de uma geração anterior (tanto quanto sei, é um caso único). Ele criou o trio Regi, pertencente à terceira geração – interrogo-me se ele terá recolhido as rochas de várias partes do mundo e o gelo dos pólos para criar, respetivamente, Regirock e Regice enquanto movia as placas tectónicas (este cartoon, que ilustra a criação do trio Regi, derrete-me o coração). Já em Ruby, Sapphire e Emerald existem referências a Regigigas. Numa das mensagens de braille, pode ler-se: “Nesta caverna vivemos. Devemo-lo tudo ao Pokémon. Mas trancámos o Pokémon. Temíamo-lo. Quem tiver coragem, quem tiver esperança. Abra uma porta. Um Pokémon eterno aguarda.” Tendo em conta que os três Regi são necessários para aceder a Regigigas (não apenas nos jogos de Sinnoh, também em Black2&White2 e em Omega Ruby e Alpha Sapphire), é possível deduzir, a partir desta mensagem, que, em tempos, o povo selou Regigigas no templo de Snowpoint, em Sinnoh, e escondeu os três Regi – as três chaves – em Hoenn. Assim, Regigigas só seria libertado por alguém suficientemente astuto. Regigigas individualmente não é nada de especial – a sua habilidade, Slow Start, prejudica-o muito – mas a sua história é fascinante, na minha opinião.

 

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Outro dos pontos fortes destes jogos diz respeito a Cynthia, a Campeã de Sinnoh. Muitos fãs consideram-na a melhor Campeã de toda a franquia. Eu sinto-me particularmente satisfeita por esse estatuto pertencer a uma mulher… mas, por outro lado, o estatuto de pior Campeã também pertence a uma mulher (NOTA: Aquando deste texto, ainda não completei nem Sun nem Moon e, como tenho procurado evitar spoilers, ainda não sei quem é a(o) Campeã(o) de Alola). Cynthia tem um papel ativo no enredo destes jogos, sobretudo de Platinum, como estudiosa da mitologia da região e mentora do protagonista. Ganhou, no entanto, o respeito da comunidade de fãs ao possuir a equipa mais difícil de toda a franquia, com nada menos que os melhores Pokémon disponíveis na geração como, por exemplo, Lucario, Garchomp, Spiritomb (que possui uma combinação de tipos que, antes da introdução do tipo Fada, não tinha fraquezas), Togekiss e Milotic. O seu tema de combate também é muito apreciado. Por fim, gosto muito do seu visual, ao mesmo tempo sóbrio e majestoso. Bonita, sábia e poderosa, não se podia pedir mais nada.

 

Passamos, agora, aos defeitos de Diamond, Pearl e Platinum. Sinnoh é capaz de ser a região mais confusa e difícil de explorar até ao momento. O percurso que temos de fazer ao longo do jogo é muito pouco linear, com muitas estradas bloqueadas sem motivo aparente. Percurso, esse, que é dificultado ainda mais, sem necessidade, por estradas com lama, neve e, sobretudo, nevoeiro.

 

Esta última condição meteorológica é capaz de ser a pior ideia que alguma vez tiveram em Pokémon. O nevoeiro só pode ser eliminado recorrendo ao HM Defog, o que já de si é uma chatice (obriga-nos a desperdiçar um ataque dos dos nossos Pokémon) mas, para piorar, só é obtido numa área lateral do percurso do jogo – ou seja, pode passar ao lado de muitos jogadores. Passou-me ao lado quando joguei Pearl. Sem este HM, temos de combater no meio do nevoeiro, o que reduz a visibilidade dos Pokémon – ou seja, perdemos anos de vida à espera que os nossos Pokémon acertem um ataque.

 

Tudo isto, mais a menor velocidade das animações em comparação com outros jogos da franquia, torna estes jogos extremamente lentos.

 

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A própria região de Sinnoh em si é pouco interessante, com muitas cidades esquecíveis, bem como os líderes de ginásio – tirando Fantina, o Crasher Wake e o último, do tipo elétrico, com uma crise existencial, não consigo lembrar-me de nenhum, tirando os gym puzzles.

 

Uma coisa que me irritou quando joguei Pearl pela primeira vez foi a falta de Pokémon de Fogo. Eu não quis usar o Chimchar (mais um do tipo Fogo/Luta), mas os únicos disponíveis eram Ponytas. Não que desgoste do Pokémon, mas este, em termos de stats, é Physical, mas não aprendem nenhuns ataques de Fogo desse género até ao nível quarenta. O mais estúpido é que, noutras versões, aprende o Flame Wheel ao nível 17. Parece que fizeram de propósito para chatear.

 

Por sua vez, o Team Galatic é capaz de ser uma das piores equipas vilãs até agora, rivalizando com o Team Flare. A larga maioria dos seus membros não parece saber ao certo o que está a fazer, nem o levam a sério. O seu líder Cyrus até tinha potencial como personagem (este vídeo prova-o), mas este, nos jogos, nunca ultrapassa a sua unidimensionalidade. O clímax da luta contra o Team Galatic, em Diamond e Pearl, acaba por ser… bem, anticlimático. Depois de, em Hoenn, termos chegado a ver o princípio do Apocalipse, em Diamond e Pearl, limitamo-nos a capturar Dialga ou Palkia, respetivamente.

 

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Muitos dos problemas de Diamond e Pearl (não todos), de qualquer forma, foram corrigidos em Platinum. No clímax, por exemplo, em vez de nos limitarmos a capturar o Lendário na capa do jogo, vamos até ao Mundo da Distorção, com leis físicas muito próprias.

 

Agora, como já é costume, falamos sobre a música em Diamond, Pearl e Platinum. A banda sonora de Sinnoh é um pouco subvalorizada, pela experiência que tenho – não possui o carácter nostálgico da música os primeiros jogos de Kanto, ou as trompetes de Hoenn ou a variedade de Unova, pelo que passa um pouco despercebida nas opiniões dos fãs. No entanto, na minha opinião, a música de Sinnoh não fica nada atrás das restantes. Nenhum jogo Pokémon (da série principal, pelo menos) tem uma banda sonora má e eu tenho sempre uma mão cheia de temas preferidos em cada jogo.

 

Em Sinnoh, gosto particularmente dos temas de combate. Desde os temas mais tocados, de combates com treinadores e Pokémon selvagens, aos temas mais especiais, como os dos Lendários e os da Campeã Cynthia, que já referi antes. Só há bem pouco tempo, com este vídeo, é que consegui identificar o instrumento comum a quase todos estes temas: o saxofone. Gosto, por exemplo, da sua melodia brincalhona na música de combate com treinadores comuns. Todo esse tema é, de resto, uma conjugação perfeita do saxofone, do baixo e do piano, com cada instrumento tendo o seu momento para brilhar. O é tão alegre e hiperativo como o próximo Barry – destaque para o xilofone (?). E como diz Ron, o autor do vídeo que referi acima, nunca um piano soou tão ameaçador como na música de Dialga e Palkia.

 

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Fora da música de combate, outro tema de que gosto muito é o da Route 201, a primeira de Diamond, Pearl e Platinum. Em todos os jogos, os temas das primeiras routes são sempre inocentes, alegres, quase infantis. Faz sentido tendo em conta que a nossa personagem, nos jogos, é uma criança de dez anos, dando os seus primeiros passos como treinador(a) numa região desconhecida. O tema da Route 201 faz mais do que isso: é inocente, reconfortante, mas também esperançoso. Como que a dizer que estamos a entrar num lugar maravilhoso: o incrível mundo dos Pokémon. Atrevo-me a dizer que este é o melhor tema de primeira route de toda a franquia – apesar de os temas da primeira e segunda geração não andarem muito longe, tanto pela qualidade como pelo valor nostálgico.

 

Outro tema de que gosto imenso é o do Game Corner. Eu já tinha ouvido este tema em vídeos do YouTube, mas pensava que pertencia à quinta geração. É tão... moderno. Parece música de discoteca! Acreditem, há uns quatro ou cinco anos, o último sítio onde esperaria ouvir música deste género seria em jogos Pokémon.

 

Tenho, como poderão concluir, uma opinião mista relativamente aos jogos de Sinnoh. Por sua vez, os remakes de Johto, Heart Gold e Soul Silver, são considerados por quase todos dos melhores da franquia. Eu concordo. Para além dos pontos fortes que herdaram dos jogos originais, HGSS acertaram em tudo em que FireRed e Leaf Green falharam. Enriqueceram Johto e Kanto relativamente aos jogos originais. Acrescentaram o Safari Zone e a Embedded Tower. Incluíram Mewtwo, Articuno, Zapdos e Moltres, mais ou menos nos sítios devidos. Transformaram o Mt. Silver numa montanha nevada, o que tornou a escalada para encontrar Red ainda mais épica (o episódio The Climb, de Arrow, recordou-me Mt. Silver). Corrigiram os níveis baixos dos líderes de ginásio em Kanto. Introduziram a opção de tornar a combater contra cada um dos dezasseis líderes de ginásio. E, sobretudo, introduziram a mecânica de ter um dos nossos Pokémon de fora da Pokébola, seguindo-nos. Toda a gente adorou isso e têm, desde essa altura, suplicado pelo regresso dessa mecânica aos jogos. O mais perto disso que recebemos foi o Buddy System em Pokémon Go.

 

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Outra das coisas que fizeram bem em HGSS foi desenvolverem o enredo e as personagens relativamente aos jogos originais – como os Executivos do Team Rocket, que ganham nomes e rostos diferenciados. O exemplo mais flagrante, no entanto, é a do rival. Ao contrário do que aconteceu nos jogos originais, desta feita houve crescimento de Silver como personagem ao longo do jogo tornando-se, na minha opinião (e não só), no melhor rival de toda a franquia.

 

No início de HGSS, não sabemos nada sobre Silver. Só muito mais tarde no jogo, no evento de Celebi (e, agora, no episódio de Pokémon Generations, The Legacy) é que descobrimos que ele é, na verdade, filho de Giovanni, líder do Team Rocket. Três anos antes dos eventos de HGSS, depois de ser derrotado pelo protagonista dos jogos de Kanto, Giovanni decide dissolver o Team Rocket e partir para o exílio, deixando o filho para trás. Silver acusa o pai e os membros do Team Rocket de agirem em grupo para disfarçar fraquezas individuais. O jovem procura fazer o oposto, procura singrar sozinho sem depender de ninguém.

 

Tal como escrevi no meu texto sobre Generations, esta é uma posição legítima. No entanto, Silver recorre aos métodos errados, os mesmos métodos a que Giovanni recorreria: rouba o seu primeiro Pokémon, trata-o, a ele e aos outros que captura, como meras ferramentas, despreza aqueles que considera fracos.

 

Várias pessoas tentam alertar Silver para a maneira como ele trata os seus Pokémon, tais como o ancião na Sprout Tower e Lance. De início, o nosso rival faz ouvidos de mercador. No entanto, como vai perdendo constantemente para o seu rival, a partir de certa altura, começa a pensar que talvez os outros tenham razão e muda a sua atitude.

 

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Outro Pokétuber de que gosto muito apresentou uma perspetiva interessante sobre Silver. Enquanto outros rivais, como Blue Oak e Barry, estão nos jogos para nos guiar, Silver está nos jogos para que nós possamos guiá-lo, ensinar-lhe a maneira correta de se ser treinador. E os resultados veem-se. Perto do fim do jogo, vemos que o Golbat de Silver evoluiu para Crobat – uma evolução que só ocorre por amizade. Quando o encontramos no Dragon’s Den, além disso, vemos que o seu starter caminha atrás de si, fora da Pokébola – sinal de que Silver se afeiçoou a ele. Silver chega mesmo a tentar devolver o seu starter ao professor Elm. Este recusa, pois vê que o Pokémon já está muito ligado ao seu treinador, logo, não faz sentido que regresse ao seu laboratório.

 

Um aparte só para referir que, às tantas, Silver não precisava de ter roubado o seu primeiro Pokémon. Acho que o professor Elm lho daria, se Silver o pedisse. Não havia necessidade…

 

Se considerarmos o episódio de Generations como parte do cânone dos jogos, depois dos eventos de HGSS, Silver decide combater por crachás e desafiar a Elite 4. Nesta fase, tal como escrevi antes, Silver nunca foi tão diferente de Giovanni. Não só porque conseguiu chegar à Elite 4 da maneira como queria – sozinho, com os seus Pokémon – mas também porque procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon. A sua personalidade não mudou para além do realista. No entanto, Silver evoluiu mais do que qualquer outro rival na franquia e muito mais que Giovanni, seu pai. Tal como tenho vindo a repetir, tais evoluções são a essência de Pokémon.

 

Outra das coisas que HGSS fez bem foi incorporar elementos de Crystal (que continua a ser o meu jogo preferido), nomeadamente Eusine e a possibilidade de se capturar Suicune. Eusine aparece ainda mais caricaturado que em Crystal, como um autêntico fan boy de Suicune. Sempre prolongou o enredo um bocadinho mais, até mais ou menos a meio de Kanto. Além de que ter um Lendário como stalker é sempre lisonjeador… acho eu.

 

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Como já referi antes, a banda sonora da segunda geração é a minha preferida. No entanto, na minha opinião, tirando um caso ou outro, HGSS não faz justiça aos temas originais. Em compensação, depois de se completar o jogo, ganhamos o item GB Sounds, que substitui a banda sonora pela de Gold, Silver e Crystal.

 

Existem, no entanto, algumas pequenas falhas em HGSS. Para começar, como já referi antes, chateia-me imenso que tenham substituído a protagonista feminina de Crystal por uma que mais parece uma miúda de cinco anos. Introduziram, aliás, um segundo rival – o protagonista do sexo oposto ao que escolhemos  que não chega a sê-lo. Funciona mais como guia do que como outra coisa qualquer. Fiquei com a impressão de que o Concurso de Insetos estava mais difícil – o que chateia ainda mais se tivermos em conta que, na segunda metade do jogo, estes concursos são a única maneira de ganhar certas pedras de evolução.

 

Embora continue a preferir Crystal, mais por uma questão de nostalgia, concordo quando muitos afirmam que HGSS são dos melhores jogos da franquia. São definitivamente os melhores remakes até ao momento: já falei sobre os desapontantes Fire Red e Leaf Green, sobre Omega Ruby e Alpha Sapphire falarei mais tarde. E, na minha opinião, pelo menos metade dos pontos fortes destes jogos veem dos originais. Só prova que eu tenho razão: a segunda geração é a melhor de todas!

 

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A ideia que eu tenho da quarta geração é, na verdade, que ela se apoia muito nas anteriores. Tirando um aspeto ou outro – nomeadamente a introdução do wi-fi – esta geração não inovou por aí além, não arriscou muito. Não que isso seja uma coisa má. Mas não surpreende que, depois dela, a Game Freak tenha querido fazer algo diferente, criando uma geração que, na minha opinião, é o completo oposto da quarta. Explicarei porquê no próximo texto de Pokémon através das gerações.

 

Aproveito, desde já, para dizer que a próxima entrada desta série deverá demorar. Tenho uns quantos textos que quero escrever e publicar antes (incluindo, muito provavelmente, a análise ao próximo filme de Digimon Adventure Tri). Só depois começarei a escrever sobre a quinta geração. Isto está a demorar muito mais tempo do que esperava – o meu plano era escrever e publicar sobre as seis gerações e Pokémon Go ao longo do verão de 2016 mas, por este caminho, o último texto deverá ser publicado um ano após o primeiro. Paciência. Como, de resto, quero ver se eu e a minha irmã acabamos Sun algures nas próximas semanas, talvez esta série já inclua considerações sobre a sétima geração.

 

Concluímos este texto, como já vai sendo tradição, com os meus Pokémon preferidos e os de que menos gosto.

 

Pokémon preferidos:

 

  • Lucario e Gallade

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Estes não deverão surpreender quem já tenha lido textos anteriores meus sobre Pokémon no meu blogue. Lucario é o protagonista de um dos meus filmes preferidos de Pokémon. Além disso, toda a gente concorda que, em combate, é um dos melhores, com bons stats e uma grande versatilidade.

 

Gallade é a evolução masculina de Ralts, ou seja, é o homólogo masculino de Gardevoir – uma das minha preferidas da terceira geração. Os motivos pelos quais gosto de Gallade são, aliás, os mesmos pelos quais goste de Gardevoir e, também, de Lucario: por os três serem Pokémon nobres, leais, que valorizam a honra e o dever e, pelo menos no caso de Gallade e Gardevoir, serem ferozmente protetores daqueles que amam. O nome Gallade é, até, parecido com Galahad, um dos Cavaleiros da Távola Redonda, das lendas arturianas. Num combate duplo, Gallade faria um bom par tanto com Gardevoir como com Lucario.

 

  • Togekiss

 

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Conforme dei a entender antes, eu tenho um fraquinho pelo Togepi: uma criatura tão amorosa, é uma coisa parva. Sobretudo em miúda, gostava de incluir Togepis na minha equipa. No entanto, apesar de amoroso e tal, nem o Togepi nem a sua evolução, Togetic, eram muito úteis em combate.

 

A quarta geração veio, felizmente, mudar isso ao introduzir Togekiss. Este possui  bons Special Attack e Special Defense, podendo aprender ataques interessantes como o Aura Sphere e o Sky Attack – isto antes de criarem o tipo Fada. Isto deixa-me feliz pois, agora, tenho uma desculpa para conservar o Togepi que recebemos em HGSS.

 

  • Torterra

 

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Já tinha escrito antes que, nos últimos anos, ganhei apreço pelo tipo Terra, devido à sua versatilidade. Torterra, a evolução final do Turtwig, o meu starter em Platinum, foi um dos Pokémon que forneceu argumentos para essa apreciação. Diverti-me imenso usando-o. Eu sei que é um dos starters mais lentos, mas, como obtemos o Quick Claw bastante cedo no jogo, isso acaba por não ser assim tão grave.

 

Por outro lado, quando o vi pela primeira vez, soube logo que tinha sido inspirado pela teoria na tartaruga cósmica para explicar a ocorrência de sismos. Segundo esta teoria, a Terra estaria apoiada na casca de uma tartaruga gigante. Os sismos ocorreriam quando a tartaruga se mexesse demasiado e abanasse a Terra. Explica tanto o desenho como o tipo Erva/Terra. Além disso, segundo a Pokédex, outros Pokémon por vezes fazem ninho na casca de um Torterra – o que acho pura e simplesmente adorável.

 

 

Pokémon de que não gosto:

 

  • Stunky/Skunktank

 

Um Pokémon doninha, cujo cry se assemelha a um ruído de flatulência, que em HGSS aparece com o rabo para a frente? Não obrigado.

 

 

  • Rhyperior

 

Conforme referi acima, a quarta geração apostou muito em evoluções e pré-evoluções novas de Pokémon conhecidos. Existiram, contudo, algumas desnecessárias, como Tangrowth e Lickilicky. Há apenas uma de que não gosto mesmo: Rhyperior. Em termos de desenho é uma mudança radical em relação a Rhydon e, sinceramente, ridícula.

Top 10 Pokémon Generations #2

Segunda parte do meu top 10 de episódios de Pokémon Generations. Primeira parte aqui

 

5) The Cavern (A Caverna)

 

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Este episódio, The Cavern, resume-se de uma forma bastante simples. Foca-se no Team Aqua e no seu líder Archie. Este último encontra o Lendário Kyogre. Prepara-se para assumir controlo sobre ele quando Shelly aparece, a correr, para avisá-lo que que os seus planos resultarão numa catástrofe de proporções épicas. Archie ignora-a, claro, e os resultados são os esperados: Kyogre reverte para a sua forma primitiva e despoleta um dilúvio. Quando, mais tarde, Archie se apercebe do erro que cometeu (de que estava ele à espera, sinceramente?) e tenta ordenar a Kyogre que páre com aquilo, o Lendário volta-se contra ele.

 

Tal como referi quando falei de The Vision, na minha opinião, esse e The Cavern funcionam como um par. E, de facto, a ideia com que fico é que este é uma sequela a The Vision, que decorre na realidade de Omega Ruby, em que o Team Magma é a principal organização vilanesca, mas na realidade de Alpha Sapphire, em que o Team Aqua é a organização vilanesca (não vou entrar nas realidades e cronologias alternativas em Pokémon, que isso daria azo a um testamento inteiro à parte). Um aspeto que acho curioso é o facto de o Team Aqua ser a antítese do Team Magma, de certa forma: o líder é o louco e os subalternos são os sensatos. Mais uma vez, a subalterna feminina é a primeira a aperceber-se das consequências catastróficas que os planos dos seus líderes poderão ter. Shelly percebe-o, não graças a uma visão (que é consistente com a personalidade mais excêntrica de Courtney), mas de uma maneira bem mais prosaica: pesquisando no Instituto Meteorológico.

 

Pode-se especular se, depois de Vision, Courtney procurou avisar o seu líder, Maxie, sobre a visão que teve. No entanto, Shelly, mais sensata, avisaria sempre Maxie. Não que isso tenha valido de muito, pobre Shelly…

 

Por fim, destacar o remix do tema do Trio Groudon/Kyogre/Rayquaza - que, como referi no meu texto sobre a terceira geração, é o meu tema preferido de Hoenn. Se havia um tema musical em Pokémon que precisava de uma versão com um coro dramático era este. Daí que The Cavern esteja várias posições acima de The Vision nesta lista, apesar de estes episódios serem bastante semelhantes.




4) The King Returns (O Rei Regressa)

 

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O Senhor dos DNA Splicers, o Regresso do Rei… não? Ok, vou calar-me.

 

The King Returns decorre no Giant Chasm, onde Ghetsis aguarda, com Kyurem. Aquele por quem espera aparece rapidamente: N, com Reshiram. O antigo rei do Team Plasma exilara-se após a primeira derrota da organização, dois anos antes. Regressava agora, para salvar Kyurem e toda Unova de Ghetsis e do Team Plasma. Quem estiver familiarizado com o enredo de Black2&White2, saberá que esta era, desde o início, a intenção de Ghetsis: ele capturara Kyurem e congelara Opelucid City para atrair N e Reshiram. E agora, que finalmente os encontrara, podia executar o seu plano: usar os DNA Splicers para fundir Reshiram com Kyurem, obtendo o White Kyurem.

 

Não sei se sou a única, mas sempre achei a cena da formação, quer do Black Kyurem quer do White Kyruem, assustadora: ver Kyurem atacando Zekrom ou Reshiram, estes tentando fugir mas sem conseguirem escapar à fusão. É por esta cena que acho que nunca serei capaz de usar os DNA Splicers eu mesma, nos jogos. The King Returns faz justiça a esse momento - até por recorrer ao um remix do tema de combate de Ghetsis em Black&White.

 

Ghetsis ordena a White Kyurem que ataque N. Este tenta apelar a Reshiram e, aparentemente, é bem sucedido, pois White Kyurem hesita. Esta hesitação despoleta o mau génio de Ghetsis. N volta-se para ele, chama-lhe Pai, tenta apelar à sua humanidade, se é que Ghetsis tem alguma (pontos para o tema de N, que toca no fundo). Sem sucesso. Ghetsis responde com ainda mais crueldade. Ordena novo ataque e, desta feita, White Kyurem obedece. É então que aparece Hilbert, o protagonista masculino de Black&White, montado no seu Zekrom, para salvar o dia - N incluído.

 

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Este último desenvolvimento é o ponto forte de The King Returns. Este, até ao momento, não se desviara radicalmente do enredo original - o diálogo entre Ghetsis e N é quase um copy/paste dos jogos. No que toca à quinta geração, no entanto, isso não é uma coisa má por si só: em termos de matéria-prima para estes episódios, os jogos de Unova encontram-se entre os melhores.

 

No entanto, a entrada em cena de Hilbert, para além de conferir maior interesse ao episódio, ata uma ponta solta da quinta geração. Em Black2&White2, descobrimos que o protagonista de Black&White partira à procura de N, após os eventos de dois anos antes. Não há nenhuma indicação nos jogos que Hilbert (ou Hilda) o tenha encontrado - segundo a mãe dele(a), ele(a) nunca mais voltou a casa, o que me parte um bocadinho o coração. Generations, ao menos, oferece um cânone em que Hilbert (não Hilda, que pelos vistos as protagonistas femininas não existem neste universo) volta a ver N de novo. Faz mais do que isso: salva-lhe a vida e alia-se a ele para, mais uma vez, derrotarem Ghetsis (a título definitivo, espera-se) e salvarem Unova.

 

3) The Beauty Eternal (A Beleza Eterna)

 

Chegamos, então, ao pódio de Generations. Tenho de confessar, no entanto, que as diferenças entre estes três episódios são mínimas - mudei várias vezes de ideias em relação à ordem deste pódio. No entanto, estes três episódios estão num patamar acima de todos os outros em Generations, ainda que por motivos diferentes.

 

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The Beauty Eternal foca-se em Lysandre. Quem conheça os jogos X&Y saberá que este é o vilão, líder do Team Flare. No entanto, The Beauty Eternal não o retrata dessa forma, pelo menos não de início. Pelo contrário, Lysandre surge como o Steve Jobs de Kalos. Vemo-lo apresentando o mais recente gadget da Lysandre Labs, o Holo Caster (toda a gente odeia este nome, por motivos óbvios). Gadget esse que é um sucesso imediato. Lysandre também faz questão de fazer doações ao hospital - muito provavelmente para manter uma imagem pública favorável.

 

Vemos, também, que Lysandre mantém relações de amizade com outras pessoas importantes, como Diantha - estrela de cinema e campeã de Kalos. (Também sabemos, dos jogos, que Lysandre é amigo do Professor Sycamore, mas este último não aparece em Generations). A conversa que ela tem com Lysandre (mais uma vez, quase um copy/paste dos jogos) é desconcertante por dois motivos. Em primeiro lugar, Lysandre dá a entender que, na sua opinião, o dever de Diantha, como atriz, é manter-se para sempre jovem e bonita. Não consigo deixar de pensar que demasiadas pessoas de Hollywood pensam da mesma maneira. Em segundo lugar - sendo isto mais relevante para o episódio - Lysandre afirma, casualmente, que “acabaria com o Mundo num instante só para preservar a sua beleza”. É claro que Diantha não o leva a sério.

 

Pelo meio, vemos Malva como pivô de notícias. Sabemos, dos jogos, que, para além disso, Malva pertence à Elite 4… e ao Team Flare.

 

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Entretanto, os jornalistas começam a perguntar a Lysandre sobre um tal “projeto Y” - Lysandre, obviamente, não responde. Nem as pessoas trabalhando diretamente com ele sabem que projeto é esse. Mas quando vemos aquela que, nos jogos, é conhecida como a “arma suprema” (ultimate weapon), com Yveltal nela aprisionado, confirma-se aquilo que a audiência já sabia dos jogos: Lysandre, o grande ídolo de Kalos, o Steve Jobs lá do sítio, planeia matar toda a gente. Literalmente.

 

The Beauty Eternal faz, assim, um bom trabalho ao retratar a sociedade de Kalos: uma sociedade bela e glamourosa mas superficial e corrupta. De que outra forma se explica que tivessem deixado um psicopata como Lysandre ganhasse tanto poder? (O que, infelizmente, me faz pensar no que está a acontecer neste momento, no mundo real…). O que mais me frustra relativamente aos jogos de Kalos, de resto, é o facto de, como vemos, a região até ter uma história com potencial que X&Y não foi capaz de concluir satisfatoriamente… mas isso é conversa para outra ocasião.



2) The Legacy (O Legado)

 

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Chegamos, agora, ao segundo lugar desta lista e encontramos The Legacy, protagonizado por Silver, o rival dos jogos de Johto, e Looker. Não cheguei a falar de Silver  no meu texto sobre a segunda geração porque a personagem só foi decentemente desenvolvida nos remakes Heart Gold e Soul Silver. Falarei, portanto, sobre ele quando escrever sobre a quarta geração.

 

Silver é o protagonista de The Legacy, que é abordado por Looker (atentem à versão melancólica do tema de rival da segunda geração, que no fim muda para um tom triunfal). Este faz-lhe perguntas sobre o seu pai… nada mais nada menos que Giovanni, o líder dos Team Rocket, que Looker persegue há pelo menos três anos. Devo dizer que Looker mostrou um pouco de falta de tacto ao fazer perguntas tão diretas a Silver. Pedir a alguém que denuncie um familiar ou amigo é algo que nunca deveria ser feito de ânimo leve - Looker deveria sabê-lo. É uma questão de bom senso.

 

O jovem, no entanto, não parece levar a mal as perguntas de Looker. Mostra-se, aliás, mais amigável do que aquilo que conhecemos dele dos jogos… mas continua longe de ser uma pessoa simpática e calorosa. Nota-se, aliás, que ele menospreza Looker pela sua busca por Giovanni. Acho que podemos assumir que este episódio decorre depois dos eventos do enredo da segunda geração - isto é, após Silver ter ganho afeição aos seus Pokémon e de ter tentado devolver o starter que roubou ao professor Elm. The Legacy dá a entender que, depois disso, Silver decidiu combater pelos crachás de Johto, qualificando-se para a Liga Pokémon.

 

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É possível que nem todos os fãs soubessem que Silver é filho de Giovanni, uma vez que isso só foi confirmado oficialmente no evento de Celebi. (Há quem especule, por sua vez, que a sua mãe seja Ariana, uma dos Rocket Executives). O último diálogo entre Silver e Giovanni é essencialmente o mesmo que ocorre nesse evento. Esta conversa, de qualquer forma, mostra uma perspetiva intrigante sobre Giovanni: o facto de ele precisar de um grupo de pessoas às suas ordens para conseguir o que quer. Naturalmente, Silver quer fazer o oposto, quer fazer tudo ele mesmo, sem depender de ninguém. É uma posição legítima. No entanto, durante muito tempo, o jovem recorre aos métodos errados - métodos esses que acabam por não diferir muito aos que o pai usaria.

 

Silver não se mostra muito interessado em colaborar com Looker e não é difícil pensar em motivos para isso: restos de afeição pelo pai, não querer ver-se envolvido nos esquemas dele, achar que não vale o esforço já que, de qualquer forma, a organização criminosa dissolveu-se outra vez. De qualquer forma, a verdade é que, no momento deste episódio, Silver nunca foi mais diferente do seu pai. O jovem procurou corrigir os erros que cometeu, aprendeu a respeitar e a valorizar os seus Pokémon e ganhou os crachás necessários para a Liga de forma legítima (quero acreditar nisso, pelo menos). Tornou-se melhor treinador, melhor pessoa, que Giovanni alguma vez será. Isso, de resto, é a essência de Pokémon, tal como afirma uma citação que utilizei antes: "O coração da história de Pokémon não é combater e competir - é o espírito de crescer, explorar a natureza e ver o mundo de modo a tornarmo-nos pessoas melhores". Silver é um dos muitos bons exemplos disso e é por estas e por outras que o considero o melhor rival de toda a franquia.



1) The Scoop (O Exclusivo)

 

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Eis, então, o primeiro lugar desta lista. Os protagonistas de The Scoop são Gabby e Ty, a dupla de repórteres que encontramos frequentemente nos jogos de Hoenn. Estes invadem o Centro Espacial de Mossdeep, à procura de informações sobre a destruição do meteorito que estivera em rota de colisão com a Terra (ou qualquer que seja o nome do planeta onde decorre a ação de Generations). Gabby consegue encontrar um ficheiro de vídeo que mostra o protagonista dos jogos de Hoenn (não dá para ver se é Brendan ou May, a protagonista feminina) voando montado no Mega Rayquaza ao encontro do meteorito. Aí, o episódio reproduz a cena do Delta Episode de Omega Ruby e Alpha Sapphire, em que o Mega Rayquaza destrói o meteorito, revelando uma icónica placa triangular, que se transforma no Deoxys.

 

O encontro e combate com o Deoxys já é um dos momentos mais épicos de Omega Ruby e Alpha Sapphire. Em Generations, como não têm de respeitar as mecânicas rígidas dos jogos,  com os movimentos limitados e os ataques à vez, conseguem elevar o combate entre o Deoxys e o Mega Rayquaza a um nível ainda maior, mais dinâmico e eletrizante. Gostei do pormenor do treinador (ou treinadora) saltando para o satélite e assistindo ao combate a partir daí - algo que não sei se seria possível na ausência de gravidade, contudo. E, tal como acontece nos jogos, a banda sonora eleva ainda mais a  grandiosidade do momento.

 

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Até Gabby e Ty se deixam levar pelas imagens, descurando a vigilância. Acabam por ser surpreendidos por um cientista e vários seguranças, que lhe exigem o vídeo de volta. Gabby é uma mulher astuta e consegue enganá-los. O episódio termina com ela e Ty fugindo dos seguranças..


Fiquei desapontada por não termos podido ver Zinnia em Generations. Tirando isso, The Scoop faz tudo o que um episódio de Generations podia fazer de melhor. Mostra uma parte fixe de Omega Ruby e Alpha Sapphire (e, em Pokémon, conforme afirmei antes, poucas coisas são mais fixes que um bom combate entre Lendários) sem fazer apenas copy/paste. Ao mesmo tempo, oferece uma nova perspetiva à história que já conhecemos: quer mostrando que uma boa parte da população de Hoenn não terá percebido ao certo que história foi aquela do meteorito, quer mostrando que aqueles que sabem não têm interesse em revelar a verdade ao público, quer mostrando uma faceta diferente de personagens icónicas de Hoenn. Daí que, na minha opinião, seja o melhor episódio de Generations.

 

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O anime em Pokémon tem como objetivo principal promover os jogos - toda a gente sabe isso. Origins, por exemplo, foi criada para cativar fãs mais velhos, com saudades da primeira geração, para X&Y - daí que, no fim, o Charizard de Red, o protagonista, obtenha uma Mega Evolução. Por essa lógica, talvez Generations tenha servido para promover Sun&Moon mas, a ser verdade, fá-lo de uma forma muito discreta - bem mais discreta que Origins, diga-se de passagem. Na minha opinião, faz mais sentido que Generations tenha vindo integrada nas celebrações do vigésimo aniversário da franquia: desta feita, celebrando os melhores momentos de vinte anos de jogos. E numa altura em que Pokémon voltava a estar na moda, como não estava havia, pelo menos, quinze anos, o timing dificilmente podia ser melhor. Eu gostei muito. As tardes de sexta-feira nunca mais foram o mesmo desde essa altura.

 

Já que falamos disso, já terão reparado que estou epicamente atrasada com os meus textos de Pokémon através das gerações - a última data que tinha prometido era o dia do lançamento de Sun&Moon. Não devia ter dado uma data sequer, não estou em condições para isso. Dito isto, tenho o texto sobre a quarta geração bastante adiantado. Devo conseguir publicá-lo algures nas próximas semanas. Continuem desse lado!

Top 10 Pokémon Generations #1

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Pokémon Generations é uma série de dezoito episódios que foi sendo publicada no canal de YouTube da franquia todas as sextas-feiras, entre 16 de setembro e 23 de dezembro. Esta série partilha algumas características com Pokémon Origins (uma série muito sobrevalorizada, na minha opinião), sobretudo no sentido em que é muito mais fiel aos jogos do que a série animada habitual, protagonizada por Ash. No entanto, enquanto Origins era constituída por quatro episódios de cerca de vinte minutos e focava-se exclusivamente na primeira geração, os episódios de Generations não têm mais do que cinco minutos e qualquer coisa de duração (o mais longo tem cinco minutos e dezasseis segundos) e mostram momentos-chave dos enredos dos vários jogos da franquia (as partes fixes, essencialmente), desde a primeira à sexta geração. Cada região (não digo geração porque algumas das histórias baseiam-se nos remakes) tem direito a três episódios.

 

Falando de uma maneira geral, o facto de os episódios de Generations mostrarem só as partes fixes dos enredos dos jogos é, ao mesmo tempo, o ponto forte e o ponto fraco da série. Por muito fixe que seja a história do episódio, nalguns casos, as personagens são obrigadas a fornecer o contexto de uma forma pouco orgânica. Além disso, praticamente todos os episódios terminam em cliffhangers cuja conclusão nunca é fornecida. Generations aproveita-se do facto de a larga maioria da audiência conhecer o final das histórias, graças aos jogos.

 

 

Generations tem um tom significativamente mais maduro que a série animada principal e Origins. Não é de surpreender, já que o público-alvo de Generations corresponde (suponho eu) aos fãs mais velhos da franquia, que estão familiarizados com os jogos todos. Eu gosto desse aspeto. Um dos motivos pelos quais só vejo os filmes de Pokémon é por já não ter paciência para o tom infantil da série principal (E, mesmo assim, ainda não tive vontade de ver o filme mais recente). É parecido com o tom que adotei na minha fan fiction.

 

Ao longo dos últimos meses, tenho publicado análises aos episódios na página de Facebook de apoio a este blogue. Agora que já analisei todos os episódios, quero escolher os dez melhores - na minha opinião, claro. Como já é costume, os meus critérios não são cem por cento subjetivos. De uma maneira geral, de qualquer forma, valorizo a qualidade das histórias em si e também se estas introduzem novas perspetivas sobre enredos que conhecemos tão bem - alguns episódios, como veremos, são quase copy/paste dos jogos.

 

Como tenho bastante a dizer sobre estes episódios, este texto será dividido em duas partes. A segunda parte virá amanhã. Assim, sem mais delongas...

 

 

10) The Vision (A Visão)

 

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Este episódio, intitulado The Vision é o primeiro de Generations a decorrer em Hoenn. Neste, vemos Ruby (o protagonista masculino dos jogos da terceira geração) invadindo o quartel-general do Team Magma, acompanhado pelo seu Sceptile. Vemos também Maxie, o líder da organização, com os seus subalternos Tabitha e Courtney. A última é encarregada de empatar o intruso enquanto o resto do Team Magma se enfia no submarino para atrás de Groudon. Courtney, no entanto, tem uma visão que mostra o Lendário fugindo ao controlo do Team Magma e entrando numa fúria destrutiva. Mesmo assim, Courtney, aparentemente, não muda a sua atitude relativamente ao projeto do Team Magma e cumpre a ordem que Maxie lhe deu.

 

Este episódio vale sobretudo pela caracterização dos membros do Team Magma. O líder de Team Magma, Maxie, é uma figura séria, sóbria, controlada. Em contraste, os seus subalternos são muito mais animados, entusiastas, chegando a raiar a insanidade. Courtney mostra, ainda, venerar Maxie, os seus planos e ambições (e é possível que haja algo de romântico e/ou sexual nessa veneração). Talvez esta veneração seja o motivo pelo qual, ao que parece, escolheu ignorar a visão que teve e seguir com o plano.

 

Tirando isso, The Vision não é nada de especial: a visão nunca é devidamente explicada e, tanto quanto sabemos, não tem consequências. Daí encontrar-se apenas em décimo lugar nesta lista. Só não fica de fora deste top 10 por causa das personagens, por um lado, e por outro porque serve, de certa forma, de prequela a The Cavern.

 

 

9)  The Challenger (O Desafiador)

 

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The Challenger (o terceiro episódio de Generations) é protagonizado por Blue, mostrando a sua jornada na Elite 4 de Kanto, com cenas dos combates com cada um dos líderes: Lorelei, Bruno, Agatha e Lance. O vídeo termina no preciso momento em que Red aparece para desafiá-lo pela posição de Campeão de Kanto.

 

Sendo este um dos primeiros episódios de Generations, ajudou a definir o tom maduro da série, que referi anteriormente A música, a palete de cores, o comportamento dos membros da Elite 4 e do próprio Blue criam um ambiente sério, altivo, exigente, só acessível aos melhores dos melhores - contrastando com o tom mais leve, condescendente e infantil da série animada principal. Apesar de mostrar uma parte da história que não conhecíamos antes (a jornada de Blue perante a Elite 4), acaba por não ser revelado nada que não conhecêssemos já acerca de Blue. Assim sendo, The Challenger surpreende pouco, daí encontrar-se tão baixo desta lista. Vale sobretudo por caracterizar levemente os membros da Elite 4 e pelos excertos dos combates.



8) The Reawakening (O Ressurgir)

 

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Quem tiver lido o meu texto sobre a segunda geração de Pokémon não ficará surpreendido quando descobrir que gosto muito deste episódio. The Reawakening é, essencialmente, um monólogo de Eusine, que nos conta a história da criação de Suicune, Entei e Raikou, ressuscitados a partir de três Pokémon falecidos num incêndio que destruiu uma das torres de Ecruteak (as silhuetas desses Pokémon desmentem a teoria de que eles seriam um Vaporeon, um Flareon e um Jolteon). A parte que eu penso não constar nos jogos é a parte em que a população se volta contra os três Lendários recém-nascidos e estes fogem para não mais serem vistos - não enquanto não puderem confiar em humanos.

 

É uma boa história, não haja dúvida, mas eu continuo a preferir a versão da série animada principal.

 

Eusine aparece retratado de forma parecida com a dos jogos: venerando absolutamente Suicune, quase como um fan boy. As suas intenções são nobres, no entanto: ele quer ajudar Suicune a confiar nos humanos outra vez. Ele retribui com uma breve aparição (ao som de uma linda versão do tema dele em Crystal). Quando desaparece de novo, sem que Eusine o veja, deixa para trás uma pena colorida - a Asa Arco-Íris, o item necessário para invocar Ho-oh. Esta apareceu porque ou Ho-oh ou Suicune queriam que, eventualmente, fosse encontrada. Se isto não é um sinal de que eles estão dispostos a reconciliar-se com a Humanidade, através de um bom intermediário, não sei o que será.

 

The Reawakening só não está mais acima nesta lista porque, por muito que eu goste da mitologia de Ecruteak, este episódio é quase só exposição (melhor feita que na maior parte dos episódios desta série, mesmo assim), pouquíssimo acontece. Existem episódios mais entusiasmantes em Generations, conforme veremos a seguir.



7) The Chase (A Perseguição)

 

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Em The Chase, temos Looker como protagonista. Este é uma personagem recorrente nos jogos Pokémon desde Platinum, que se diz membro da Polícia Internacional e geralmente ajuda os protagonistas dos jogos na luta contra as equipas vilãs. Aqui, ele lidara a Polícia na luta contra o Team Rocket e o seu líder, Giovanni. A Polícia consegue rastreá-lo até ao ginásio de Viridian mas, quando as forças policiais lá vão, o líder do Team Rocket já tinha fugido. Mais tarde, surgem rumores de que a quadrilha fora dissolvida.

 

À semelhança do que aconteceu com The Challenger, tendo este sido um dos primeiros episódios da série, The Chase ajudou a definir o tom maduro de Generations. Mostra, também, um lado diferente do mundo Pokémon (uma equipa de SWATs usando Pokémon. Há algo mais fixe do que isto?). Além de ser protagonizado por Looker, a grande estrela de Generations. Por fim, cinco estrelas para a banda sonora: um remix do tema dos esconderijos do Team Rocket nos jogos de Kanto, com tambores que fazem lembrar marchas militares.

 

6) The Uprising (A Revolta)

 

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Tendo em conta que a quinta geração é a melhor em termos de história e personagens, na minha opinião (como veremos quando falarmos dela em Pokémon através das gerações), eu tinha altas expetativas para os episódios de Generations passados em Unova. Nesse aspeto, The Uprising, não desilude. Neste, vemos o momento em que se ergue o castelo da Team Plasma no edifício da Liga Pokémon - o início do clímax de Black&White - perante os olhos de Iris, acabada de chegar ao local. Nas várias torres do castelo estão os seis “sages” da Team Plasma, cada um debitando filosofia barata, a mesma conversa que andavam a tentar vender ao povo de Unova à laia de justificação para as ações do grupo.

 

Os “sages”, na verdade, são um exemplo perfeito da natureza da Team Plasma: uma organização com traços de sociedade secreta ou de seita, que se vende a si mesma como a única que tem razão, a única que sabe o que é o melhor para o mundo, mas raspando à superfície percebe-se que é uma fraude.

 

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Iris tenta enfrentar os membros do Team Plasma que entretanto surgem mas, em inferioridade numérica, pouco pode fazer. Felizmente, é nesse momento que, à semelhança do que acontece nos jogos, os líderes de ginásio aparecem para salvar o dia. Ou melhor, para ajudar a salvar - não há referências à presença do protagonista de Black&White naquela crise, mas os episódios seguintes de Generations dão a entender que ele (sempre ele) estava lá. Cada um dos líderes faz uma entrada à patrão, ao som do tema de vitória em combates de ginásio na quinta geração - tema esse que confere ainda maior epicidade à cena. O episódio termina no momento em que o elenco passa das palavras pomposas aos atos.


À semelhança do que ocorre noutros episódios de Generations, The Uprising é quase um copy-paste do que acontece nos jogos. A diferença reside na qualidade da história original. O clímax de Black&White encontra-se entre os melhores momentos de Pokémon, logo, Generations não precisou de alterar quase nada para criar um dos seus episódios mais épicos. Daí que esteja numa posição relativamente alta nesta lista.

 

 

Podem ler a continuação deste top 10 aqui.

Pokémon Go Books

 

Interrompemos uma série de textos sobre Pokémon para responder a uma tag sobre... Pokémon. Bem, na verdade é sobre livros, mas foi inspirada pelo Pokémon Go. Depois de tomar contacto com ela no blogue da Magda, não podia deixá-la passar sem respondê-la.

 

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Como o costume, quem quiser também pegar na tag está à vontade. Depois deixe o link com as respostas nos comentários. Assim, sem mais delongas...

 

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Starters: O livro que te fez apaixonar pela leitura

 

Não me lembro de um livro isolado que me tenha passado o bichinho da leitura. Sempre cresci rodeada de livros. Os primeiros que li sem ajuda eram infantis, baseados na Rua Sésamo ou em filmes da Disney. Mais tarde, comecei a ler compilações de contos de fadas. A minha preferida era esta, que incluí não apenas as Brancas de Neve desta vida (ainda que as versões sejam mais parecidas com as versões originais), mas também histórias tradicionais de diversos países do mundo, não apenas da Europa mas também de todos os outros continentes (como por exemplo, esta, de Cabo Verde), todas com notas para as tradições e mitologias dos países em questão que inspiraram as histórias.. Lia-as várias vezes, tanto esta compilação como outras, e ainda hoje me lembro de uma parte significativa dessas histórias (eu teria adorado ter um livro como o do Henry, em Once Upon a Time).

 

A certa altura, começaram a oferecer-me livros dos Cinco, d'Uma Aventura e, na escola, recomendaram-me livros da coleção Viagens no Tempo (das mesmas autoras d'Uma Aventura, que se centram em viagens ao passado, a momentos marcantes da História. Aprendi imenso com eles). Ainda hoje tenho um fraquinho por alguns dos "tropes" dos livros de aventuras para miúdos: tesouros escondidos com respetivo mapa e/ou enigmas, passagens secretas, quadrilhas vencidas por crianças ou pré-adolescentes, entre muitos outros. Pouco após, comecei a ler livros do Harry Potter e nunca mais parei.

 

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 Pikachu: Um clássico que irás sempre gostar

 

Já referi várias vezes As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley neste blogue - um livro que, quando foi editado cá em Portugal, foi dividido em quatro: A Senhora da Magia, A Rainha Suprema, O Rei Veado e O Prisioneiro da Árvore. Estes livros são clássico da fantasia, ricos em magia, intriga e sensualidade, que questionam várias ideias pré-concebidas que possamos ter. Antes de mais nada, o livro narra os mitos arturianos do ponto de vista das personagens femininas - o que, já de si, é raro. A protagonista é aquela que é conhecida por Morgan Le Fay ou Morgana, embora eu goste muito mais do nome usado nestes livros, Morgaine, que é tratada como vilã em quase todas as outras versões destas lendas. Adicionalmente, a narrativa aborda temas controversos, como o fanatismo religioso, incesto, homossexualidade, mesmo a própria sexualidade em geral, fazendo-nos questionar as nossas próprias convicções. O elenco inclui inúmeras personagens inesquecíveis, bem construídas, com qualidades e defeitos, sobretudo as femininas mas não só. Estes livros não são perfeitos, mas continuo a lê-los inúmeras vezes, são definitivamente clássicos.

 

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Zubat: Um livro que perdeste o interesse porque está, literalmente, em todo o lado

 

É uma grande mania minha: às vezes, quanto mais popular alguma coisa é, e/ou mais me é recomendada, menos vontade tenho de experimentá-lo. A minha avó aderiu ao Facebook antes de mim - e eu só aderi a pedido da minha irmã, que queria usar a minha conta para começar de novo no Farmville. Ainda hoje usaria um Nokia de cinquenta euros, com leitor de mp3, se não me tivessem oferecido um smartphone (e daí talvez não, que eu quereria muito jogar Pokémon Go). Conforme já dei a entender antes, teimei como uma mula em ler o Harry Potter até o meu pai me ler o primeiro capítulo em voz alta e só li os livros d'O Ciclo da Herança (que o meu irmão lia há anos) quando Avril Lavigne compôs uma canção para o filme. Tenho uns traços de adolescente rebelde/hipster. Não gosto muito de ir em modas só porque sim - mas tenho um gozo especial em, precisamente, descobrir coisas antes de se tornarem "fixes" para o público em geral. Como o livro A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, que li um ano antes de se tornar moda aqui no Sapo Blogs. E, claro, o Pokémon Go, por que eu ansiava há quase um ano e que devolveu a popularidade a uma franquia que eu nunca deixei de adorar.

 

Tenho assim várias respostas possíveis para esta pergunta. Vou optar pel'As Crónicas do Gelo e do Fogo, os livros que inspiraram a série Game of Thrones/Guerra dos Tronos

 

Uma coisa que tenho reparado é que os fãs destes livros e/ou desta série são mais obcecados do que o costume. Um bom exemplo disso é a minha irmã. Ela só conheceu a série há cerca de um ano, até agora só acompanhou uma temporada "em direto", e ainda bem porque, meu Deus, foi difícil aturá-la. Logo na manhã que se seguiu à emissão do primeiro episódio, que ela ainda não tinha visto pois tinha de estudar para um teste, ela deu com um spoiler falso no grupo de Facebook da sua turma, que dizia que o Tyrion tinha morrido. Ao ler isto, ela literalmente gritou e largou o telemóvel, como se este a tivesse queimado- Passou o resto da manhã a choramingar, para mim e para os meus pais (e eu é que tenho a fama, na família, de me tornar demasiado obcecada por coisas como estas...), até o engraçadinho do autor esclarecer tudo. Este, felizmente, foi o exemplo mais extremo. Durante o resto da temporada, mesmo assim, ela passava as segundas-feiras todas com a ansiedade de ver o episódio novo.

 

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Ao mesmo tempo, tal é o hype de Game of Thrones que, mesmo que uma pessoa não veja a série, como eu, acaba sempre por estar mais ou menos a par do que vai acontecendo. Seja porque, como eu, tenha pelo menos um amigo, colega ou familiar que fala da série até ao enjoo ou através das redes sociais. Quem fica com vontade de ver a série e/ou ler os livros quando já sabe que fulano A vai morrer, que fulano B aparentemente não sabe nada ou que fulana C vai ser violada?

 

Mesmo sem o hype todo, continuaria a não ter grande vontade de ler ou ver algo tão cru e violento. Pode ser realista para a época medieval - ou melhor, é essa a desculpa que dão, sobretudo quando incluem violações. No entanto, não querendo, de todo, desrespeitar os fãs, se quiser lidar com a pior faceta da Humanidade, não preciso de obras de ficção, basta-me ver o Telejornal. Dito isto, não ponho completamente de lado a hipótese de um dia - daqui a um ano ou dois, quando o hype já tiver arrefecido - ler os livros, só para ver o que têm de tão especial.

 

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Ditto: um livro que te lembra outros livros mas que, ainda assim, gostas imenso

 

Bem, esta é a definição d'O Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. Bastou-me ver os primeiros minutos de Star Wars: A New Hope para reparar que Paolini fez quase um copy-paste do início desse filme em Eragon. Mesmo assim, considero-o mais ou menos aceitável tendo em conta que Paolini começou a escrever estes livros aos quinze anos. Apesar de já ter lido uns quantos livros melhores depois desses, continuo a achar que O Ciclo da Herança é uma série muito boa para aquilo que é.

 

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Snorlax: um livro ou uma série que ainda não leste por causa do tamanho

 

Por norma não tenho medo de livros grandes. Pelo contrário, às vezes tenho pena quando leio livros demasiado depressa e fico sem nada para ler. Confesso, no entanto, que livros como Moby Dick, de Herman Melville, e Anna Karénina de Tolstoi, me intimidam um pouco. Não só por serem longos, mas também por serem grandes clássicos.

 

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Gengar Um livro que te manteve acordado à noite

 

O Livro dos Baltimore, de Joël Dicker, de que falei antes. Eu, pura e simplesmente, tinha de saber o que era o Drama.

 

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Nidoking/Queen: o casal perfeito

 

Conforme referi anteriormente, não sou grande shipper. Os casais por quem mais torço são criações minhas, nos meus livros. Dito isto, um dos meus casais preferidos ultimamente é composto por Julius e Marci, os dois protagonistas da série Heartstrikers, de que já falei antes.

 

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 Rapidash: um livro que leste muito rapidamente

 

O livro mais recente da série Heartstrikers, No Good Dragon Goes Unpunished, que saiu no início do mês. Demorei pouco mais de um dia.

 

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 Eevee: séries que não ficas farta ou que não te importas de ver as continuações

 

O mais perto que tenho disso é, claro, o Harry Potter. Não, ainda não li o The Cursed Child. Não conseguimos comprá-lo aquando do seu lançamento, encomendámos pela Amazon, só chegou esta semana e a minha irmã está a lê-lo primeiro. Na verdade, o livro não me desperta interesse por aí além (estava mais interessada no livro dos Heartstrikers, que saiu mais ou menos na mesma altura). É o guião de uma peça de teatro que, sinceramente, preferia de ver ao vivo antes de lê-la. No entanto, dificilmente a peça virá para Portugal, logo, mais vale ler já.

 

Por outro lado, gostei imenso da história que J.K.Rowling publicou, recentemente, para o site Pottermore, que conta as origens de Ivelmorny, a escola de magia da América do Norte. E já fiz a pré-encomenda dos e-books que serão lançados no próximo mês.

 

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Poke-Egg: um livro de estreia pelo qual estás entusiasmado

 

 

Não tenho resposta para esta, infelizmente. Por norma, só conheço autores depois de estes lançarem o seu primeiro livro. Desculpem lá...

 

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Lure Module: Um autor que compras imediatamente

 

Isabel Stilwell, pelo menos no que toca aos seus romances históricos, sobre rainhas e outras mulheres notáveis da História de Portugal. Ainda não li muitos livros nesse género, mas considero os de Stilwell muito bons.

 

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 Legendary: uma série demasiado publicitada mas que, mesmo assim, queres muito ler

 

Harry Potter insere-se definitivamente nessa categoria.

 

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 Server's Down: Um livro cujo lançamento estás à espera desde sempre

 

O livro que Christopher Paolini anda a escrever desde que publicou o último livro d'O Ciclo da Herança - ou seja, deste 2011.

 

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Magikarp: Um livro ou uma série surpreendentemente fabulosa

 

Qualquer livro escrito por Rachel Aaron. Ela merecia muito mais popularidade.

 

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 Mew & Mewtwo: um livro do qual gostavas de ter uma edição de coleccionador

 

Um dos livros do Harry Potter, sem dúvida.

 

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E foi mais uma tag sobre livros. Eu, na verdade, começo a reparar que as minhas respostas começam a repetir-se. Tenho de ler um bocadinho mais - até porque este ano tem sido fraquinho nesse aspeto, para mim. Vou tentar corrigir isso.

 

Continuem desse lado, para os próximos textos sobre Pokémon.

 

Pokémon através das gerações #4 - Geologia e muitas trompetes

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Inicialmente, a Game Freak tinha as coisas planeadas até à segunda geração de jogos Pokémon. O combate entre o protagonista da primeira geração e o protagonista da segunda, em Gold, Silver e Crystal, fora idealizado para ser a grande conclusão da franquia. No entanto, com o sucesso que Pokémon estava a ter à escala global, era óbvio que o mundo precisava de mais jogos - sobretudo com o lançamento do Game Boy Advance.

 

Para a terceira geração de Pokémon, os criadores tomaram uma decisão arriscada: fizeram uma espécie de tábua rasa à franquia, com uma região nova, novos Pokémon, mantendo apenas uma mão-cheia dos antigos e... impossibilitando a obtenção dos que ficaram de fora. Foi uma decisão arrojada que, naturalmente, polarizou a comunidade de fãs.

 

Confesso que, imediatamente após o lançamento de Ruby e Sapphire, eu embirrei com esses jogos, à semelhança de muitos. Uma boa parte dessa birra devia-se ao facto de estes jogos não serem a versão Crystal (eu tinha doze ou treze anos na altura, em minha defesa. Nestas idades ainda considero birras como esta mais ou menos aceitáveis). Continuo mesmo assim a achar que a grande falha destes jogos é não ser possível obter muitos dos Pokémon dos jogos mais antigos (é a única geração que não é compatível com a anterior para trocar Pokémon, visto terem mudado o funcionamento dos I.V.s de uma geração para a outra. Felizmente, isso vai ser em parte corrigido na sétima geração) e, sobretudo, que tivessem deixado cair muitas das funcionalidades introduzidas na segunda geração, como o ciclo dia/noite, os dias da semana, as animações dos sprites dos Pokémon, a possibilidade de voltar a combater com treinadores (apesar de introduzirem várias outras funcionalidades para compensar, como meteorologia, Natures e Abilities e combates a pares). Além disso, o nosso rival, comparado com Blue e Silver, era uma autêntica mosquinha-morta e Wally pouco dizia.

 

Admito, no entanto, que a birra acabou por passar quando joguei a versão Sapphire eu mesma. Para começar, a terceira geração inaugurou uma das minhas partes preferidas dos jogos Pokémon: meteu o protagonista a salvar o mundo. Julgo que já falei disto, noutra ocasião, mas, se formos a ver, a fórmula básica dos jogos tem sido sempre a mesma: primeiro Pokémon, rival, treinadores comuns, Elite 4, Campeão. É o enredo colateral que dá carácter a cada jogo, um tema próprio. E o de Ruby e Sapphire é bastante interessante. As equipas criminosas de cada jogo - Team Magma para Ruby, Team Aqua para Sapphire - tentam, respetivamente, usar Groudon e Kyogre para, respetivamente, expandirem a porção continental ou oceânica. Quando, no fim, conseguem o que querem - em Ruby, Groudon faz com que o Sol brilhe como nunca; em Sapphire, Kyogre despoleta o princípio de um dilúvio - os líderes das equipas criminosas percebem que aquilo foi uma péssima ideia, pode matar todos os seres vivos no planeta. Tem de ir o protagonista, a criança de dez anos, corrigir as asneiras dos adultos apanhando ou derrotando o lendário em questão, travando o desastre natural.

 

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Em Emerald (a versão melhorada de Ruby e Sapphire, o equivalente a Yellow na primeira geração e Crystal na segunda), esse conflito é elevado a outro nível, uma vez que tanto o Team Aqua e o Team Magma levam a cabo os seus próprios planos ao mesmo tempo, ou seja, acordarem Kyogre e Groudon, respetivamente. Mais uma vez a coisa dá para o torto - claro - desta feita fazendo Groudon e Kyogre lutando entre si, causando um distúrbio meteorológico. Mais uma vez, tem de ir a criança de dez anos resolver a situação: desta feita, correndo até ao Sky Pillar chamar Rayquaza, para que este acalme os dois arruaceiros.

 

Devo confessar que teria gostado de um remake de Emerald para a Nintendo 3DS, só mesmo para ver esta cena com os gráficos melhorados da sexta geração.

 

Já voltaremos a Emerald. O tema destes jogos, de resto, é precisamente esse: geologia, natureza. A região de Hoenn e as próprias funcionalidades do jogo exploram a fundo esse tema: com a introdução de variações meteorológicas, com influência nos combates, por exemplo. Além do mais, os criadores dos jogos tomaram partido dos gráficos mais sofisticados do Game Boy Advance para criar a região mais rica e variada até ao momento. Hoenn tem de tudo: uma proporção quase fifty-fifty de terra e mar (ainda que nem todos sejam fãs disso. Coff coff7.8/10, too much water), campo, floresta, praias, desertos, uma caverna de gelo, vulcões com queda de cinzas, uma cidade construída numa antiga cratera vulcânica, cavernas subaquáticas. Em consonância com o tema, conforme dei a entender acima, o lendário Groundon é responsável pela criação das placas continentais e Kyogre pela criação das placas oceânicas. Por sua vez, Rayquaza vive na atmosfera, na camada de ozono. Mesmo o trio de Regis, outros lendários desta geração, possuem um conceito inspirado em geologia. Segundo textos da Pokédex, Regirock é formado por rochas de diferentes partes do planeta; é dado a entender que Registeel é constituído por um metal do centro da Terra; por sua vez, Regice será constituído por gelo semelhante ao do Pólo Sul.

 

Num registo diferente, outra funcionalidade introduzida nesta geração diz respeito aos concursos. Aqui, os Pokémon, em vez de combater, competem entre si perante uma audiência e um júri, que os avalia consoante a categoria do concurso - Beleza, Inteligência, Fofura, entre outros. O sucesso nestes concursos depende do uso de Pokéblocks, por sua vez fabricados a partir de Berries específicas, bem como de uma escolha cuidada dos ataques. Pode, por isso, ser tão exigente como escolher e treinar uma equipa para combater ginásios e a Elite 4. Nunca fui grande fã de concursos, mas reconheço que apresenta uma faceta dos Pokémon diferente do habitual.

 

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Queria, agora, voltar a falar sobre a versão Emerald. Este jogo é muito acarinhado pelos fãs por, para além de incluir melhorias relativamente a Rube e Sapphire, como o regresso dos sprites animados, a possibilidade de voltar a combater com treinadores e uma maior frequência de combates duplos, introduzir a Battle Frontier. Esta é uma área, acessível apenas no post-game (isto é, depois da Elite 4), que pega no conceito da Battle Tower de jogos anteriores e introduz múltiplas variações, como usar Pokémon alheios ou os Pokémon combaterem sem instruções nossas (o seu comportamento depende das "Natures"). Ao fim de um número fixo de vitórias, combatemos os chamados Frontier Brains e a vitória sobre eles dá direito a um Símbolo. Acaba por ser um campeonato à parte, independente do esquema habitual de ginásios-mais-Elite-4. Os fãs adoraram. Um dos critérios mais levados em conta na comunidade de fãs na avaliação dos jogos é o post-game. A inclusão de algo que nos faça continuar a jogar para além da Elite 4 - ou seja, que tenha um bom post-game - é muito apreciada. A Battle Frontier funciona de forma excelente, nesse aspeto. Eu, infelizmente, da única vez que joguei a versão Emerald, parei logo a seguir à Elite 4, logo, nunca experimentei a Battle Frontier de Emerald eu mesma - embora tenha frequentado bastante a dos jogos da Battle Frontier da quarta geração. 

 

Passemos à música. O sistema do Game Boy Advance já permitia música mais sofisticada que o tradicional 8-bit do Game Boy propriamente dito e estes jogos tomam partido dessas melhorias. A banda sonora de Hoenn é famosa pelas suas trompetes - destacando-se o tema da route 120. Vários temas em Hoenn incluem trompetes, sobretudo os temas de combate. Gosto de todos e o meu preferido é o da Elite 4. Em termos de cidades, destaco o festivo tema de Slateport City; o melancólico tema de Verdanturf Town, guiado pelo piano, adequado a uma terra sossegada e pacífica; o relativamente calmo mas divertido tema de Fortree City. No entanto, o melhor tema destes jogos, na minha opinião, é o do encontro com Kyogre, Groudon e/ou Rayquaza. Começa com um som semelhante a sinos, seguidos de tambores, antes de se juntarem as trompetes, conferindo logo imenso dramatismo a um momento já de si dramático e grandioso.

 

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Está na altura de falarmos, então, dos remakes FireRed e LeafGreen. Existe alguma controvérsia na comunidade de fãs em relação aos remakes, se estes pertencem à geração em que foram lançados ou à geração dos jogos originais. Eu sou apologista do primeiro caso. Os remakes reutilizam as mecânicas dos jogos da mesma geração e essas mecânicas influenciam a experiência do jogo. Mesmo em termos de conteúdo e enredo, jogos originais e remakes na mesma geração acabam por ter temas semelhantes (quer isso tenha sido intencional ou não). Por fim, em termos de cronologia da história dos jogos, o enredo dos remakes da primeira e da segunda geração (FireRed e Leaf Green, Heart Gold e Soul Silver) decorre sensivelmente ao mesmo tempo que a história dos jogos originais da mesma geração (respetivamente Ruby/Sapphire/Emerald e Diamond/Pearl/Platinum).

 

Infelizmente, FireRed e Leaf Green são os remakes mais fraquinhos de toda a franquia. Na minha opinião, aliás, são os jogos mais fraquinhos de toda a franquia. Estas versões foram feitas para compensar pela falta de compatibilidade com os jogos da geração anterior. (Em parte, pelo menos. Na verdade, para se completar a Pokédex nesta geração, era necessário ter pelo menos quatro dos sete jogos Pokémon lançados nesse intervalo de tempo: dois deles, Pokémon Colosseum e Pokémon XD:Gale of Darkness, são para a Nintendo Cube.) Há quem pense que estes jogos foram criados para apaziguar fãs de longa data, zangados por tantos elementos dos jogos anteriores terem sido deixados de fora de Ruby e Sapphire. No entanto, Tsunekazu Ishihara, o CEO da The Pokémon Company (na altura pelo menos), em entrevistas concedidas aquando do lançamento dos remakes, afirmou que o objetivo de FireRed e Leaf Green era captar uma nova audiência "que visse o Pikachu e o Charizard como novas personagens"

 

Esta declaração resume muito bem o problema destes jogos: são ótimos para quem nunca tenha jogado Pokémon na vida, uma seca para quem se tenha estreado na franquia com a primeira geração, como eu, ou mesmo com jogos da segunda geração ou com Ruby/Sapphire. Para começar, os remakes começam com uma série de introduções e tutoriais, que são sempre um bocadinho irritantes para quem já joga há anos (e aprendeu a jogar por si mesmo, sem a necessidade de nos fazerem a papinha toda). Isto até se tolerava melhor se estes jogos, tirando umas partes aqui e ali, não fossem um copy/paste/paint format dos jogos originais. Quando o joguei pela primeira vez, passei o jogo todo à espera que, no fim, fôssemos até Johto ou Hoenn, mas não. Depois de termos conhecido Hoenn em Ruby/Sapphire, uma região linda e variada, cheia de lendas e histórias interessantes, Kanto, na comparação, é extremamente insossa e a história com o Team Rocket monótona. Perdeu-se uma ótima oportunidade para enriquecer Kanto introduzindo mais variações morfológicas, meteorologia e mesmo concursos nalgumas cidades, bem como para desenvolver um pouco melhor o enredo e as personagens. Tal como escrevi antes, nos jogos originais isso não era grave, pois eram os primeiros, era tudo novo. No entanto, naquela altura do campeonato, depois de vários jogos notáveis, a fasquia estava mais alta. 

 

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As únicas coisas que acrescentaram foram as Sevii Islands, algumas delas só acessíveis no post-game e com Pokémon da segunda e terceira geração (inexistentes em Kanto propriamente dita). Na minha opinião, contudo, não passam de um fraco substituto do melhor que Johto e Hoenn têm para oferecer. Um caso específico são os códigos em braille que aparecem numa das cavernas da Seven Island. Em Ruby/Sapphire/Emerald, temos de decifrar códigos semelhantes para chegar aos três Regis. Eu, que sempre gostei dessa faceta dos livros de aventuras infantis (resolver enigmas, descobrir passagens secretas), adorei essa parte em Ruby e Sapphire. A parte equivalente em FireRed e LeafGreen, por sua vez, é bastante anticlimática: serve apenas para desbloquear as trocas com os outros jogos da terceira geração. Além disso, existem várias localizações nas Sevii Islands, como as Tanoby Ruins, igualmente desperdiçadas (servem apenas para capturar Unowns). Localizações como esta podiam ter sido melhor desenvolvidas e, vá lá, incluir lendários da segunda geração (no jogo, só é possível capturar uma das três bestas, Suicune, Raikou ou Entei, dependendo do starter que escolheram). 

 

Era por estas e por outras que, quando completava FireRed ou LeafGreen, nunca me sentia completamente satisfeita, ficava sempre a sensação de falta de sal ao jogo. O facto de estes remakes terem sido desenvolvidos à pressa, ao mesmo tempo que trabalhavam em Emerald, explica a maior parte das suas falhas. Na minha opinião, mais valia terem adiado o lançamento por mais um ano - talvez mesmo lançarem Emerald primeiro - e criarem uns jogos melhores. Tendo em conta tudo isto, não torceria o nariz a outros remakes da primeira geração. Kanto merece melhor do que isto.

 

Resumindo e concluindo, houveram muitas coisas que podiam ter sido melhor feitas, ou não terem sido feitas de todo, nesta geração. No entanto, considero que tudo o resto enriqueceu a experiência dos jogos. No fim do dia, o saldo é positivo.

 

Pokémon preferidos:

 

  • Gardevoir

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Este é o meu Pokémon do tipo Psíquico preferido (com o Espeon num segundo lugar muito próximo). Na sexta geração, ganhou ainda o tipo Fada. Se já antes era um adversário respeitável, com este tipo adicional, tornou-se ainda mais versátil em combate. Gosto, também, do seu conceito: é uma espécie de feiticeira, com poderes de vidência, que não hesita em dar a sua vida pela do seu treinador. Tendo em conta que este último é um traço é característico de muitas personagens criadas por mim, não é de surpreender que eu tenha afinidade com Gardevoir - remete, aliás, para Guardian. Eu, de resto, tenho afinidade com Pokémon com sentido de dever e honra.

 

Gardevoir é, além disso, um dos Pokémon mais belos de toda a franquia (tão bela que desperta a imaginação menos puritana de certas pessoas...). Confesso que passei a gostar ainda mais dela depois de eu e a minha irmã termos usado uma da primeira vez que jogámos Alpha Sapphire - ainda a temos, chamámos-lhe Desiree. O seu modelo em 3D movimenta-se com uma elegância inimitável, sobretudo quando usa ataques Special. A sua Mega Evolução não é a mais imaginativa, admito, mas adequa-se à nobreza característica deste lindo Pokémon.

 

  • Absol

 

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Segundo a Pokédex, a história de Absol é cruel. Ele é conhecido como o Pokémon das desgraças. Possui a capacidade de antecipar desastres naturais e outras situações más. Assim, quando aparece perante humanos, fá-lo para avisá-los do perigo eminente. Se formos a ver, algumas das localizações deste Pokémon nos diferentes jogos são zonas onde acontece alguma coisa relevante para o enredo. Por exemplo, em Diamond/Pearl, podemos encontrar Absol perto do Lake Valor, onde o Team Galatic explodirá uma bomba que secará o lago. Em Platinum, Absol encontra-se no Mt. Coronet, onde Girantina arrastará Cyrus para o Mundo da Distorção. Em Black/White, ele pode ser encontrado no Giant Chasm, onde, dois anos mais tarde, ocorre o clímax dos jogos Black 2/White 2.

 

O povo, no entanto, acaba por interpretar mal as aparições de Absol, culpando-o pelas desgraças que o Pokémon tenta prevenir. A minha Pokétuber preferida, Tamashii, fez-me, no entanto, olhar para Absol de maneira diferente. Tamashii diz que este Pokémon lhe fax lembrar a capacidade que os animais possuem de sentir a eminência de desastres naturais, como sismos. Sofrendo ela de ansiedade, sobretudo no que toca precisamente a desastres naturais, o facto de ter animais calmos ao pé de si (os gatos são os seus preferidos) ajudam-na a manter a ansiedade sob controlo. Um Absol teria o mesmo efeito, se existisse. Gosto, assim, de pensar neste Pokémon, não como num íman de desgraças, e sim como num guardião. A sua Mega Evolução contribui para isso, já que lhe confere um par de asas de anjo.

 

Mais sobre o Absol num texto futuro.

 

  • Blaziken

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 Gosto bastante dos starters da terceira geração, mas o Blaziken é o meu preferido. Tal como noutros casos, parte dos motivos para essa preferência vêm da série animada, nomeadamente o combate entre Ash e Harrison (que se seguiu ao combate entre Ash e Gary, referido antes). Além do mais, o Blaziken tem um desenho fixe (que, mais uma vez, tem semelhanças com um Digimon da linha evolutiva do Byomon, neste caso o Garudamon. Mais uma vez, estes foram provavelmente inspirados pela mesma figura mitológica, neste caso o Garuda, um pássaro humanóide) e uma combinação de tipos interessante... pelo menos, até as duas gerações seguintes incluírem starters com o mesmo tipo.

 

Pokémon de que menos gosto:

 

  • Azurill

 

Este vem no seguimento do que escrevi antes sobre Pokémon bebé. Azurill é outro caso de redundância - ao ser a pré-evolução da Marill, um Pokémon já de si amoroso - mas é ainda pior pois nem sequer partilha o tipo com a sua evolução. É apenas do tipo Normal (Normal/Fada na sexta geração), o que o torna ainda menos útil em combate - como se os stats de Pokémon bebé não fossem suficientes para lhe dar esse estatuto.

 

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