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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Hard Times

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Em janeiro de 2013, estreava aqui no blogue a rubrica Músicas Não Tão Ao Calhas. Nela, escrevo sobre músicas inéditas que os meus artistas preferidos vão lançando – na maior parte das vezes singles antes de álbuns, mas não só. A minha primeira entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas foi sobre Now, o primeiro single do quarto álbum dos Paramore – aquele que ficou conhecido por The Self-Titled. Hoje, mais de quatro anos depois, volto a escrever sobre o primeiro single de um álbum dos Paramore – é um ciclo que se fecha.

 

Infelizmente, este ciclo nem sempre foi fácil para a banda. O início até nem foi mau. O Self-Titled é um álbum excelente, mudou por completo a maneira como encaro a vida. Graças a Deus, teve o devido reconhecimento em termos comerciais: foi platina e teve dois singles de sucesso: Still into You e Ain’t it Fun. A segunda ganhou um merecidíssimo Grammy. O ciclo desse álbum durou até meados de 2015, terminando com a digressão Writing the Future.

 

No entanto, em finais de 2015, a banda anunciou a partida do baixista Jeremy Davis. Desde essa altura, os Paramore têm passado por… bem, tempos difíceis.

 

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Ainda não tive oportunidade para escrever sobre a desistência de Jeremy. Custou-me, para ser sincera, ainda me custa. Nos primeiros tempos, ainda pensei/esperei que tivesse sido uma “rescisão” amigável, que ele tivesse partido porque tem uma filha e não pode andar em digressão.

 

Essa ilusão não durou muito. Meses depois surgiram notícias de que Jeremy e a banda estavam envolvidos numa disputa judicial, alegadamente devido a honorários da música e dos concertos. Como o processo ainda está em decurso, ainda não foi divulgada oficialmente a razão da partida de Jeremy. A ideia com que fico – e posso estar errada – é que, no centro disto tudo, está aquele três vezes maldito contrato celebrado, algures em 2005, entre a Atlantic Records e Hayley Williams, excluindo os restantes membros da banda. O mesmo contrato que já tinha sido um dos motivos para a partida dos irmãos Farro, em finais de 2010.

 

Toda esta história dá-me vontade de bater com a cabeça numa parede. Aquando do Self-Titled, a ideia que os Paramore davam era de que a banda tinha resolvido os seus problemas, aprendido com os erros cometidos. O trio estava mais forte, mais unido do que nunca, capaz de sobreviver a tudo. Eu acreditei nisso. Talvez os próprios membros da banda acreditassem nisso.

 

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Mas a verdade é que não devia ter ficado surpreendida. A banda nunca teve estabilidade – desde a ausência de Jeremy das gravações de All We Know Is Falling, passando pela saída dos irmãos Farro, e agora isto. A verdade é que Hayley tem sido a única constante em Paramore (ainda que Taylor só não se tenha juntado oficialmente à banda até depois do lançamento de Riot! porque os seus pais não deixaram). Por um lado, toda a gente sabe que Hayley podia, desde o início, optado por uma carreira a solo. Se não o fez até agora é porque, obviamente, não o quer. Por outro lado, para os membros estarem sempre a entrar e a sair, alguma coisa não está bem.

 

Não quero pensar que Hayley seja o problema. Ela parece ser uma miúda simpática, com valores parecidos com os meus – aliás, é atualmente uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Mas como não a conheço pessoalmente, não dá para ter a certeza.

 

Nestas alturas, a música Pressure, do primeiro álbum, faz mais sentido do que nunca.

 

 

Em defesa deles, os membros da banda parecem tão frustrados com esta história toda como eu. Ainda mais, já que esta é a vida deles. Hayley tem referido várias vezes que pensou em desistir. Disse que os Paramore parecem mais uma novela do que uma banda, que estava farta de perder amigos e de se questionar sobre o que estava a fazer de errado. Considerou várias alternativas: dedicar-se à sua linha de tintas para o cabelo, ter uma família (ela casou-se no ano passado), compôr para outras pessoas, começar um projeto diferente com Taylor.

 

Terá sido este último a salvar os Paramore, segundo Hayley. Taylor disse-lhe que a apoiaria independentemente da decisão que ela tomasse relativamente à banda. Isso aliviou a pressão sobre Hayley – que, no meio desta história toda, chegou a debater-se com depressão e ansiedade. Assim, os dois foram compondo música a pouco e pouco.

 

Entretanto, Taylor chamou Zac, o mais novo dos irmãos Farro, para tocar bateria no álbum novo. Inicialmente, veio apenas como músico contratado. Ao fim de algum tempo, Taylor convidou Zac para regressar oficialmente à banda. Ele disse que sim.

 

Toda a gente ficou feliz, como seria de esperar. Em primeiro lugar, Zac é um ótimo baterista e sentiu-se a falta dele em certos momentos do Self-Titled. A música dos Paramore fica a ganhar. Além disso, eu mesma referi, há pouco mais de dois anos, que tinha esperanças de que, um dia, os irmãos Farro regressassem. Cinquenta por cento desse desejo já se realizou.

 

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Mas fica um amargo de boca por Jeremy já lá não estar.

 

Os membros da banda chegaram mesmo a dizer que já não sabem muito bem por que os Paramore continuam a ser uma banda. Nesta altura, deve ser só por nós, os fãs – porque eles sabem que a música deles é uma das coisas que nos ajuda a sobreviver. Eu, apesar de tudo, fico grata por isso. E, agora, teremos um álbum novinho em folha daqui a menos de duas semanas.

 

Suponho que haja uma qualquer metáfora para a vida no meio desta história toda. Talvez seja assim que as coisas funcionem: uma batalha sem fim, com perdas e ganhos, cometendo os mesmos erros, sempre a desfazermo-nos e a reconstruirmo-nos outra vez, sempre a aprendermos. Uma pessoa vai continuando, às vezes só por causa daqueles que ama, às vezes só porque… qual é a alternativa?

 

 

Gonna make you wonder why you even try

 

Com isto tudo, vamos quase em mil palavras e ainda nem sequer falámos de Hard Times. Mas eu tinha de escrever sobre as aventuras e desventuras dos Paramore nestes últimos anos porque, na minha opinião, a letra da música fala sobre elas. As estâncias falam claramente sobre depressão, com referências a um buraco onde nos enfiar até os nossos problemas terem desaparecido e a uma nuvem negra que nos segue para todo o lado. No refrão, questiona-se mesmo como é que se consegue aguentar tudo isto e continuar.

 

Na verdade, a letra de Hard Times não me impressiona por aí além. Não me interpretem mal, não a acho má. É, aliás, melhor que muito do que se ouve por aí. No entanto, cai muito nos clichés habituais de Paramore. Por exemplo, o primeiro verso (“All that I want is to wake up fine”) remete para Last Hope – “Every night I try my best to dream tomorrow makes it better”. “Tell me that I’m alright” recorda-me Tell Me It’s Okay. Os versos “And I’m gonna get to rock bottom!” e “We’ll kick it when I hit the ground” fazem lembrar Turn It Off: “I’m better off when I hit the bottom”. Eu podia continuar. Não há nada na letra de Hard Times que não tenhamos ouvido antes, o que é uma pena.

 

Isso, de resto, é a única falha que tenho a apontar a Hard Times – e nem sequer a acho grave no primeiro single de um álbum novo. A letra pode não trazer nada de novo, mas o mesmo não se passa com o acompanhamento musical. Depois de músicas como Grow Up, Still into You e Ain’t it Fun, Hard Times parece lógica como o passo seguinte. À semelhança de Ain’t it Fun, Hard Times começa com notas de xilofone, que são rapidamente substituídas por notas de guitarra – são estas as responsáveis pelo ritmo dançante da música. Ouvem-se também algo que se assemelha a tambores africanos, algo que se mantém durante toda a faixa. A bateria de Zac dá personalidade à música (sobretudo numa altura em que este instrumento está em vias de extinção). No refrão, noto elementos de Daft Punk - sensação que se reforça no fim da música, com os vocais distorcidos.

 

Não sei se o mesmo aconteceu com vocês, mas eu demorei algum tempo a decifrar esses vocais. Se não estou em erro, dizem “Makes you wonder why you even try” e “Still don’t know how I even survive”. Em suma, em termos musicais, à semelhança das melhores músicas do Self-Titled, Hard Times conjuga vários elementos de forma primorosa, podendo-se ouvir a contribuição de cada membro da banda. Eu gosto. Não estou propriamente caída de quatro, mas também não estava por Now quando esta foi lançada e, com o tempo, a música foi ganhando novos significados. Estou certa de que o mesmo acontecerá com Hard Times. Sobretudo quando puder ouvi-la no contexto do álbum. Para já, espero que não demore muito a chegar às rádios portuguesas.

 

 

O quinto álbum dos Paramore chama-se, então, After Laughter, e sai dia 12 de maio. Sim, daqui a menos de duas semanas. Confesso que fiquei estonteada com esse anúncio, ainda estou. Um dia, tínhamos a vaga ideia de que os Paramore estariam a trabalhar num álbum, algumas pistas como músicas registadas no site da ASCAP. No dia seguinte, temos nome, capa, tracklist, data de lançamento, primeiro single com videoclipe e pessoas que já ouviram o álbum (inveja!). Tendo em conta que os álbuns da Avril Lavigne têm sempre um parto longo e complicado (e o sexto álbum não está a ser exceção), esta é uma alternativa atordoante, mas muito mais agradável.

 

Segundo Hayley, o título After Laughter (a melhor tradução que me ocorre é “Pós-riso”) refere-se àquele momento após uma gargalhada em que regressamos à realidade. Dá para ver, assim, que este álbum vai ser animado… só que não. Quem já ouviu o álbum dá a entender que o resto será semelhante a Hard Times. Ou seja, os Paramore vão fazer o que fazem desde o início da sua carreira: queixar-se da vida. A diferença é que, enquanto antes, Paramore depressivo equivalia a guitarras pesadas e estética emo, agora equivale a música rítmica, falsamente alegre (o nome de uma das faixas novas é Fake Happy, por sinal), e tons pastel.

 

Gostava de chamar a atenção para o símbolo no centro da capa: as barras de néon que criam uma ilusão de ótica, de modo que não sabemos se são duas ou três. É obviamente uma variante do símbolo que a banda adotou em 2011, uma provável alusão à recente troca de membros. Eu, de qualquer forma, gosto imenso deste símbolo. Já encomendei, até, um dos conjuntos de merchandising da banda que inclui uma t-shirt preta com este símbolo, para além do álbum em CD (uma encomenda que, admito, foi para aí quarenta por cento impulso).

 

Havemos de falar mais sobre os Paramore quando analisar o resto de After Laughter. Ainda não decidi se analiso faixa por faixa, por ordem crescente de preferência, ou se analiso em texto corrido. Mas vou tentar publicá-la não muito depois do lançamento do álbum. Entretanto, vou ganhar vergonha na cara e ver se acabo e publico de vez a análise ao quarto filme de Digimon Adventure Tri.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Liability e Battle Symphony

Uma semana após lançar Green Light, a cantora neo-zelandeza Ella Yellion-O’Connor, de nome artístico Lorde, disponibilizou mais uma canção do seu próximo álbum, Melodrama. Esta chama-se Liability. A minha ideia era analisá-la logo a seguir ao lançamento. No entanto, precisei de alguns dias para decifrar esta canção. Como, entretanto, os Linkin Park lançaram hoje Battle Symphony – o novo single do seu próximo álbum, One More Light – resolvi analisar ambas as canções no mesmo texto.

 

Primeiro as senhoras...

 

  

I’m a little much for everyone”

 

Acho que nunca tínhamos ouvido Lorde soando tão triste. Fiquei de coração partido depois de ouvir esta faixa pela primeira vez. Liability é só piano e voz. Como acontece com as melhores canções de Lorde, a voz faz o trabalho todo – transmitindo na perfeição toda a dor, vulnerabilidade e autocomiseração da narradora.

 

Tal como acontece com Green Light, a letra de Liability tem várias camadas e múltiplas interpretações possíveis. Das primeiras vezes que ouvi Liability, pensei que esta se referia ao fim de uma relação amorosa – alguém que se tinha envolvido com a narradora, tratando-a como um mero divertimento temporário, abandonando-a quando se fartou dela ou ela pediu mais.

 

Não que esta interpretação não seja legítima, mas Lorde revelou que não compôs Liability pensando em relações amorosas. Em várias entrevistas, Ella disse que se inspirou naquelas situações, em que tentamos fazer amizades, mas receamos que os outros nos achem um fardo. Também se terá inspirado nas consequências negativas da sua fama – por ela ser uma celebridade, as pessoas próximas de si, por contágio, são obrigadas a lidar com a perda de privacidade, o escrutínio por parte do público.

 

É de admirar que Ella sinta que só atrapalha a vida das pessoas à sua volta?

 

Perante tudo isto, é natural que Lorde acabe por se virar para si mesma, por se tornar a sua própria melhor amiga.

 

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Confesso que me identifico com a letra de Liability. Já referi várias vezes aqui no blogue que sou introvertida e não faço amigos facilmente. Também já tive situações em que me senti indesejada. Ou que senti que não sou assim tão cativante para que as pessoas se interessem por mim a longo prazo, que sou demasiado estranha para a maior parte das pessoas.

 

É claro que isto é apenas a minha perceção, pode nem sequer corresponder à verdade.

 

De qualquer forma, também prefiro, muitas vezes, fazer companhia a mim mesma, tal como Lorde refere. Eu, porém, se tivesse oportunidade de dar um conselho a Ella, sugerir-lhe-ia uma alternativa ao isolamento: um cão. Conforme tenho vindo a aprender com a minha cadela, Jane, os cães estão sempre felizes por nos verem, não tecem juízos de valor, não se fartam de nós. São uma ótima companhia.

 

Por norma, é muito fácil esquecermo-nos que Ella é ainda muito nova. Em Liability, no entanto, nota-se essa juventude. Creio que uma pessoa mais velha não escreveria de uma forma tão crua e emotiva, com um pouco de autocomiseração à mistura. A própria Lorde admite que compôs esta canção numa altura em que sentia pena de si própria.

 

  

A ideia com que fico é que esta deverá ser a regra para este álbum: emoções cruas, exageradas, que poderão não corresponder cem por cento à realidade, tipicamente adolescentes. Talvez seja essa a explicação para o título Melodrama. Lembra-me, um pouco, Under My Skin, de Avril Lavigne. Este álbum também teve momentos melodramáticos que, conforme se veio a descobrir, foram apenas uma fase.

 

Em todo o caso, estou a gostar muito do que conhecemos, até agora, de Melodrama: duas músicas muito complexas, com diversas camadas e significados que se vão multiplicando com o tempo. Que inspiram testamentos aqui no meu blogue. Mal posso esperar por ouvir o resto.

 

Mas antes ouviremos One More Light, dos Linkin Park, que incluirá Battle Symphony.

 

 

All the world in front of me”

 

Conforme escrevi anteriormente, o primeiro single de One More Light, Heavy, desiludiu-me. Battle Symphony tem várias semelhanças com Heavy – a sonoridade suave, eletropop, radiofónica, os vocais melodiosos de Chester – mas, na minha opinião, está uns quantos furos acima do primeiro single de One More Light.

 

Para começar, o instrumental, sem ser nada de extraordinário ou mesmo original, é mais rico que o de Heavy. A minha parte preferida é o início do primeiro refrão, quando a bateria imita uma marcha militar – o que condiz com a letra. Gostava de tê-la ouvido mais vezes ao longo de Battle Symphony.

 

Mesmo assim, continuam a faltar guitarras elétricas.

 

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Devo dizer, também, que, apesar de pop, a melodia é cativante. Depois de ouvir várias vezes a música, dei por mim a cantarolar o refrão. A minha parte preferida, contudo, é a terceira estância.

 

A letra, infelizmente, deita um pouco a canção abaixo. Não que seja má. No entanto, tal como acontece em Heavy, é demasiado vaga, perde-se em clichés. Battle Symphony é a típica “fight song”, não traz nada de novo a um tema já muito batido.

 

Continuo insatisfeita com o estilo mais pop, mais comercial, contra o carácter da banda, que, ao que parece, os Linkin Park adotaram para este álbum. Dito isto, não me queixarei... muito... se o resto de One More Light for semelhante a Battle Symphony, desde que com letras melhorzinhas. De qualquer forma, prognósticos só depois de o álbum sair.

 

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Não devemos ficar por aqui em termos de música dos meus artistas preferidos – longe disso. A foto acima parece mostrar que os Paramore estão a filmar um videoclipe. O que quererá dizer que teremos um single muito em breve (máximo dos máximos daqui a um mês, juntamente com o videoclipe... acho eu).

 

Somando a isso o possível sexto álbum de Avril Lavigne, que mudou de gravadora e tudo (apesar de, por norma, estas coisas demorarem muito mais com a Avril), esperam-nos muitas mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas nos próximos tempos. Por um lado, é excitante voltar a escrever regularmente sobre música. Por outro, tenho medo de não conseguir dar conta do recado. Durante os últimos dois anos tivemos muitos poucos lançamentos novos por parte deste pessoal. Agora, está tudo a lançar música ao mesmo tempo. Vão ser muitos textos para escrever... quando existem outros sem ser sobre música na minha lista de prioridades.

 

Vou tentar despachar esses textos nas próximas semanas, nesse caso – incluindo um sobre um assunto que não abordo há imenso tempo. Continuem por aí, então.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Heavy

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"I don't like my mind right now..." 

 

Os Linkin Park preparam-se para lançar o seu sétimo álbum de estúdio, One More Light, no próximo dia 19 de maio. O primeiro single desse álbum, lançado no passado dia 16 de fevereiro, chama-se Heavy e inclui a participação de Kiiara nos vocais.

 

O título Heavy é irónico pois esta música é tudo menos pesada. Pelo contrário, tanto quanto sei, Heavy é a canção mais pop da discografia da banda até ao momento, o que, previsivelmente, está a causar polémica entre os fãs. Um dos motivos, de resto, pelos quais não publiquei esta análise mais cedo - para além do lançamento da segunda geração em Pokémon Go, que fez com que, pelo menos no meu caso, o hype regressasse em força - foi porque precisei de algum tempo para me afastar do barulho provocado pela polémica e formar a minha própria opinião sobre a faixa.

 

Infelizmente, esta não é muito favorável. Heavy tem uma instrumentação muito pop, muito genérica, só se tornando interessante a partir do segundo refrão. Esta faixa, a meu ver, pedia guitarras estilo Final Masquerade. A versão acústica de Heavy, que a banda apresentou em direto no Facebook, no dia em que o single foi lançado, sempre tem um pouco mais de personalidade. Os desempenhos vocais, tanto de Chester como de Kiiara, são o melhor da canção, contudo.

 

 

A letra de Heavy fala, essencialmente, de ansiedade, depressão, paranóia, mas de uma forma demasiado vaga para que possamos levá-la a sério. Acaba, também, por se tornar algo repetitiva, embora não ao nível de Until It’s Gone, verdade seja dita.

 

Não consigo, portanto, gostar de Heavy, por muito que tente. É demasiado curta, tem pouca substância, cansativa após três ou quatro audições. Até Darker than Blood tem mais personalidade que isto. Não ficará na História. Não escondo que é uma desilusão que uma das minhas bandas preferidas - que inclui Chester Bennington e Mike Shinoda, duas das minhas pessoas favoritas no mundo da música - tenha produzido um primeiro single tão fraquinho.

 

Tal como referi no início deste texto, o álbum que inclui Heavy, One More Light, sai em maio. Os Linkin Park têm falado sobre este álbum há vários meses. Eu até estava a gostar das pistas que iam deixando - sobretudo o facto de as músicas supostamente se basearem nas vidas pessoais dos membros da banda. Cunho pessoal, por norma, é um ponto forte. No entanto, se Heavy é a ideia deles de música com cunho pessoal, mais valia terem ficado quietos.

 

Os membros da banda afirmaram, também, que o seu processo de composição mudou. Antes, eles começavam pela música em si, só depois criavam a melodia e escreviam a letra. Neste álbum, eles começaram pela melodia e pela letra - chegavam a gravar cantado sobre piano ou guitarra acústica. Depois, construíam o resto da música em torno dessa melodia. Sempre explica o facto de os vocais sobressaírem tanto em Heavy.

 

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Tudo muito bonito e tal, mas eu suspeito que esta não seja a história toda. Em One More Light, os Linkin Park trabalharam  pela primeira vez com compositores sem serem membros da banda: nomes como Justin Parker (que trabalhou com Lana del Rey, Rihanna e Ellie Goulding, entre outros) e Julia Michaels (que trabalhou, entre outros, com Selena Gomez, Gwen Stefani e, de todas as pessoas, Britney Spears). Isto faz-me desconfiar de propósitos comerciais.

 

Os membros da banda adotaram logo uma postura defensiva nas redes sociais. Ainda antes do lançamento de Heavy, Mike afirmou no Twitter que “O género [musical] morreu”. Mais tarde, Chester partilhou um artigo que defende o direito de as bandas mudarem de estilo (não que eu, pelo menos, alguma vez tenha questionado esse direito...). Com tudo isto, é óbvio que a polémica não vai ficar por aqui, que o resto de One More Light será igualmente polarizante e a banda sabe-o.

 

Por muito que me irritem os puristas musicais, aqueles fãs que se recusam a aceitar que os seus artistas preferidos não gravem o mesmo álbum outra e outra vez… eu não sei se quero que os Linkin Park virem cem por cento pop. Sobretudo se for com tão pouca substância como Heavy. Eles sempre foram uma banda de experimentalismo, de teorias híbridas e tal. Contudo, tal como afirmou um YouTuber crítico musical que respeito muito no Twitter, longe de explorar novos territórios, Heavy é uma amostra do pop mainstream que enche a rádio dos dias de hoje. Sinceramente, Linkin Park é melhor do que isto.

 

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Os Linkin Park continuam a ser uma das minhas banda preferidas, atrás de Paramore. A nossa relação tem quase dez anos e inclui dois concertos inesquecíveis. Entre outras coisas, não sou capaz de ser demasiado dura com uma banda que inclui um tipo que se veste como na fotografia acima e que diz que, se não estivesse na música, seria treinador de Pokémon (quem diria que um tipo cujo trabalho, cinquenta por cento das vezes, envolve gritar para um microfone poderia ser tão adorável…?).

 

Assim, vou dar-lhes o benefício da dúvida. Talvez Heavy seja a mais comercial do álbum, daí ser o primeiro single. Talvez as outras músicas tenham letras melhores e um som mais trabalhado. Quem sabe? Voltaremos a falar quando o álbum sair ou se lançarem outro single...

 

Músicas Não Tão Ao Calhas - Listen

No verão passado, a banda japonesa One OK Rock andava a abrir concertos para os 5 Seconds of Summer. Terá sido num desses concertos no Canadá que a banda conheceu a cantautora Avril Lavigne. Trocaram contactos com ela e terá sido a própria Avril, pouco depois, a sugerir uma colaboração no novo álbum deles. A banda escolheu uma canção chamada Listen. A canção com a participação da Avril só foi editada na versão japonesa do álbum, por algum motivo, e foi lançada no dia 11 de janeiro, juntamente com o resto do álbum Ambitions.

 

 

"Ride or die until the end

But only you can save yourself"

 

Por algum motivo, eu, pelo menos, estava à espera de um tema pop rock alegre e agitado. Fiquei surpreendida quando Listen se revelou uma música relativamente calma, em ritmo midtempo, misturando guitarras elétricas, batida, teclados e outros elementos eletrónicos discretos. Um aspeto de que gosto em Listen é do facto de fugir à estrutura habitual da música pop: estância-refrão-estância-refrão. Na primeira metade da faixa, as estâncias vão alternando com momentos instrumentais. Takahiro Moriuchi, o vocalista dos One Ok Rock, (também conhecido simplesmente por Taka) e Avril vão cantando à vez e as vozes deles combinam bem. 

 

O meu momento preferido na música ocorre perto do fim, numa altura em que Taka vai alternando entre japonês e inglês, no fundo Avril vai cantando alguns versos em agudos impressionantes. "I won't let you go", "the pain you've been through", "the best thing to do". Mais uma prova de que Avril não se empenha menos só por ser uma música alheia e, também, que os seus dotes vocálicos não foram a lado nenhum.

 

A letra de Listen fala de alguém (pode ser um interesse romântico, um amigo ou um familiar) passando por uma fase difícil - possivelmente uma dependência ou um qualquer problema de saúde mental. O narrador (apesar de serem duas vozes, na minha opinião, há só um narrador) ajuda no que pode, quer ajudar mais. No entanto, terá de ser o próprio ente querido a fazer a maior parte do trabalho para se recuperar, o narrador pouco pode fazer.

 

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Pergunto-me se a letra de Listen foi baseada numa história real, passada com algum dos membros da banda ou alguém que eles conheçam. Faria sentido se assim fosse. Tanto quanto sei, Avril não contribuiu para a letra. Porém, não me admiraria se esta a tivesse feito pensar na sua própria doença (recordo que ela contraiu a Doença de Lyme em 2014, daí ter passado a maior parte dos últimos dois anos, dois anos e meio, retirada do mundo da música). Ou então, nos problemas do ex-marido com o álcool

 

Não é um assunto propriamente original, é certo. Não faltam por aí canções sobre pessoas passando por situações difíceis, com ou sem ofertas de apoio por parte dos narradores. Mesmo dentro da discografia da Avril é possível encontrar canções com temas semelhantes (Nobody's Home, Won't Let You Go, Keep Holding On, Darlin). Em todo o caso, Listen sempre possui mais interesse e substância que a música pop comum, sobretudo nos dias que correm.

 

Listen não é uma música absolutamente extraordinária e certamente não é melhor que a generalidade da discografia da Avril. No entanto, à medida que vou ouvindo várias vezes, tenho vindo a gostar mais e mais dela. Tal como referi acima, acaba por não ser muito diferente do tom que várias canções da Avril adotam - nesse sentido, Get Over Me trouxe um pouco mais novidade. 

 

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Quer-me parecer, de resto, que o próximo material da Avril andará mais ou menos nesta linha. Conforme referi antes, Avril deverá lançar um álbum novo este ano, refletindo a sua luta contra a Doença de Lyme. Depois de eu ter publicado essa entrada, ela partilhou a fotografia acima - como é óbvio, dá a entender que uma das músicas novas chamar-se-á Warrior (Guerreira). Não é difícil imaginar sobre que será a canção... Talvez seja o primeiro single. Tudo isto é bastante promissor. Conforme já dei a entender aqui, é quando Avril se baseia nas suas próprias emoções que a sua música verdadeiramente toca os corações dos seus ouvintes, que salva vidas. Assumindo que o Lyme terá sido uma das piores experiências da sua vida, julgo que podemos contar com músicas emocionantes - quiçá estilo Goodbye Lullaby

 

Tirando isso, estou a tentar não criar demasiadas expetativas em redor deste álbum. De igual modo, não ponho a fazer contas para possíveis datas de lançamento - porque isso correu tão bem das últimas vezes... Falando por mim, não tenho pressas, Avril lançará material novo quando estiver preparada.

 

Quanto a nós, tenciono publicar em breve uns quantos textos aqui no blogue. Alguns já estão meio escritos, alguns ainda nem sequer os planeei. Não me peçam para avançar com datas porque não consigo - tem sido muito complicado arranjar disponibilidade para o blogue nos últimos tempos. Mas hei de publicar estes textos, nem que seja daqui a seis meses. Em todo o caso, obrigada pela vossa paciência. Continuem desse lado!

 

Música de 2016 #1

Hoje recupero uma tradição de fim de ano deste blogue: um texto ou dois ou três sobre a música que mais me marcou nesse ano. Não escrevi sobre isso no ano passado porque 2015 foi fraquinho em termos de música dos meus artistas preferidos: só Bryan Adams é que lançara um álbum e não tinha nada a acrescentar à minha análise. Tinha escrito sobre alguns dos singles que os Simple Plan foram lançando nos últimos meses desse ano, mas não gostei do álbum Taking One For the Team - limita-se a repetir fórmulas de discos anteriores, não tive pachorra. Além disso, há um ano andava entretida com os meus textos sobre Digimon 02 e Saikai. Não havia mesmo necessidade. Este ano já há.

 

O texto sobre 2016 terá duas partes (a segunda será publicada amanhã) vai, contudo, funcionar em moldes ligeiramente diferentes. Nos textos anteriores, tinha como regra (embora, tanto quanto sei, nunca o tenha explicitado aqui no blogue) só falar de artistas que tivessem lançado música nesse ano. Desta vez, vou falar de música lançada uns anos antes de 2016 (mesmo décadas, num caso particular). Estou a quebrar as minhas próprias regras mas, passe a expressão, que se lixe. Este é o meu blogue, escrevo sobre o que bem entender aqui. Foi para isso que o criei.

 

Assim, sem mais delongas, comecemos por falar de…

 

 

  • Lorde

 

 

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Já tinha escrito sobre Lorde aqui, poucas semanas após ouvir Pure Heroine pela primeira vez. Desde essa altura, a minha saudável obsessão pela jovem neo-zelandeza não diminuiu. Já tinha escrito antes que Lorde é uma artista muito única, diferente de tudo, não apenas em termos de estilo musical, também pelas suas letras. Lorde descreve Pure Heroine como uma ode à sua adolescência, mas o álbum é bastante maduro. De uma maneira paradoxal, para mim, Pure Heroine tem um carácter nostálgico, recordando-me a minha própria infância e adolescência, com faixas como 400 Lux e Ribs, mas também tem mensagens em que me revejo como mulher de vinte e seis anos - faixas como A World Alone e, sobretudo, Bravado (do EP The Love Club e/ou a edição Deluxe de Pure Heroine).

 

No dia do seu vigésimo aniversário, Lorde anunciou que tenciona publicar em breve o seu segundo álbum de estúdio. Depois de Pure Heroine se ter focado na sua adolescência, este focar-se-á na transição para a idade adulta. Sendo este um tema recorrente na discografia da minha banda preferida, sobretudo no seu álbum mais recente, eu gosto da ideia. Será difícil ela fazer algo melhor que Pure Heroine, mas estará sempre bem acima da média da maior parte da música dos dias de hoje.

 

 

  • Mika

 

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Como é do conhecimento geral, o cantor britânico Mika surgiu no mundo da música em 2007, com o álbum Life in Cartoon Motion e o single Grace Kelly e . Eu confesso que, na altura, não gostava muito dele. Não o odiava abertamente, mas não era de todo fã. Em parte por excesso de exposição - ele estava em todo o lado. Também foi uma boa parte por mesquinhez: lembro-me de estar a ver o Top +, na esperança de que falassem sobre a Avril e o seu The Best Damn Thing, que fora editado naquela altura, mas eles só falavam sobre aquele indivíduo. Admito, também, que os seus modos efeminados me deixavam pouco à vontade (talvez, na altura, fosse mais homofóbica do que pensava). Não me orgulho de todo desta minha antiga embirração. A letra de Grace Kelly podia ter sido dirigida a mim: “Do I attact you? Do I repulse you with my queasy smile? Am I too dirty? Am I too flirty? Do I like what you like?”

 

Em minha defesa, nunca fui de dedicar tempo a coisas de que não gosto. Ser ativamente anti qualquer coisa dá demasiado trabalho - prefiro dedicar o meu tempo a coisas de que gosto. Assim, limitei-me a ignorar Mika e, durante vários anos, mal me lembrei que ele existia.

 

 

Quando, este ano, fui ao Rock in Rio no dia 20 de maio com familiares e amigos, já tinha ultrapassado a minha embirração e encarei o concerto de Mika com mente aberta. E a verdade é que fiquei rendida.

 

Não me é raro ser convertida a um artista ou banda, que antes só conhecia superficialmente, após vê-los ao vivo. Sobretudo se eles têm boa química com o público e são capazes de me entreter, mesmo não conhecendo muito bem a música deles. Mika foi incrivelmente simpático, amoroso, cantou Over My Shoulder em versão fado e chegou a trazer a própria Mariza ao palco. É de surpreender que ele me tenha conquistado?

 

Converti-me, então, ao seu pop colorido e alegre. Ainda não ouvi a discografia dele completa, mas acrescentei várias músicas dele às minhas playlists habituais. Entre outras, a já referida Grace Kelly, Happy Endings, Relax (Take it Easy), I See You, Rain, The Origin of Love.

 

 

A minha preferida, contudo, é Underwater, uma canção de amor lindíssima. Guiada por um riff de piano inspirado em Elton John que vai em crescendo até ao refrão, altura em que se juntam batidas leves e soam os vocais prolongados, ligeiramente ecoados, de “Underwateeeeer…!”. Para mim, o mar sempre teve um carácter muito romântico, poético, misterioso - muito por influência da História e cultura portuguesa - e tanto o arranjo musical como os vocais e a letra (muito simples, mas adequa-se) condizem com esse imaginário.

 

A apresentação desta música foi, de resto, um dos pontos altos do concerto do Rock in Rio - sobretudo a parte em que o público se transformou num mar de luz. Foi um dos motivos pelos quais me apaixonei por Underwater, de resto. Neste momento, é uma das minhas canções de amor preferidas. Não digo que chegue ao Top 10 mas, se escrevesse hoje esse texto, estaria pelo menos nas Menções Honrosas.



 

  • Queen

 

 

 

Na mesma noite em que redescobri Mika (que partilha algumas semelhanças com a banda seguinte (aposto que não foi por acaso que foi escolhido para atuar na mesma noite), redescobri também aquela que - duvido que alguém discorde - é uma das melhores bandas de todos os tempos. Toda a gente conhece pelo menos uma canção dos Queen - eles possuem um número absurdo de músicas extraordinárias, intemporais. Eu já tinha uma ideia disso antes do Rock in Rio. O que este concerto fez foi reforçar essa ideia.

 

Antes de prosseguir, quero desde já deixar uma coisa eclarecida: no concerto do Rock in Rio (à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos) Adam Lambert atuou como vocalista, “substituindo” o lendário Freddie Mercury - algo que ainda hoje, vinte e cinco anos após a morte deste, suscita controvérsia, na minha opinião inútil. Freddie Mercury foi um génio musical sem par. Culpar Lambert por não ser Mercury é como culpar um futebolista dos tempos que correm por não ser Eusébio. Lambert, de resto, fez questão de de deixar bem claro, no início do concerto, que não pretende substituir Freddie, apenas homenageá-lo.

 

E, na minha opinião, fê-lo bem nessa noite. Há quem diga que as músicas são suficientemente fortes para garantir um bom espetáculo, mas Lambert não esteve lá só a cantar karaoke: ele entregou-se à atuação, interagiu com o público e com os membros veteranos dos Queen. Cantou bem - não tão bem como Freddie mas, lá está, ninguém canta tão bem como Freddie. Manteve-se fiel às versões originais das canções sem as imitar, introduzindo variações discretas. Os outros membros da banda tiveram, também, oportunidade para brilharem:  Bryan May tocou e cantou Love of My Life, Roger Taylor cantou These Are the Days of Our Lives e ainda teve um duelo de baterias com o filho Rufus Tiger Taylor, o baterista de apoio) e, em certos momentos, passaram vídeos de Freddie em atuações ao vivo. Na minha opinião foi um bom espetáculo. Não foi o mesmo que ter o alinhamento original mas foi, como se diz em inglês, the next best thing.

 

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E teve o mérito de, tal como referi antes, me fazer redescobrir os Queen, canções que eu já conhecia há anos - algumas delas desde pequena. Os Queen são maioritariamente uma banda rock, mas incluem traços de diversos estilos. As suas letras abordam temas muito variados. Na minha opinião, as canções são impossíveis de odiar, são autênticos clássicos inatacáveis. Tive uma altura, algures em junho, em que andava viciada em I Want to Break Free e, mais tarde, em Radio Gaga (ainda continuo um bocadinho). Não consigo referir apenas uma preferida pois têm sido várias e em diferentes alturas - e, mesmo assim, sinto que estou apenas a raspar a superfície da grandeza dos Queen, que ainda vou passar muito tempo explorando a sua discografia.

 

Em todo o caso, referir rapidamente algumas das minhas faixas preferidas no momento: I Want it All, These Are the Days of Our Lives (ando a perceber que tenho uma queda para músicas nostálgicas), Somebody to Love, Killer Queen, a inevitável Bohemian Rhapsody, Fat Bottomed Girls e We Are the Champions… por motivos óbvios.

 

Motivos esses, aliás, que me levam para a próxima música…



 

  • This One’s for You

 

 

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Também a mim me parece um sacrilégio passar dos Queen a David Guetta. Aliás, há uns bons quatro anos nem morta me apanhariam a incluir uma música do DJ francês nas minhas preferidas. Só mesmo se… se fosse o tema do primeiro campeonato de seleções A ganho por Portugal, algo por que esperei quase metade da minha vida.

 

Mas não é só por isso que This One’s For You, de Zara Larsson e David Guetta, está entre as minhas músicas preferidas de 2016. Mesmo antes de me converter, pelo menos em parte, ao EDM, já achava que o estilo musical combinava com futebol. No YouTube existem inúmeras montagens de vídeos de futebol com EDM como banda sonora e eu mesma fiz uma. Daí que não me tenha chocado a escolha de David Guetta para a composição do tema oficial do Euro 2016, até porque ele é francês (algo que só descobri há relativamente pouco tempo). Sempre foi melhor escolha que o Pitbull...

 

Não tinha assim grandes expectativas sobre This One’s For You. Uns meses antes de lançarem o single, Guetta lançou uma campanha convidando os fãs para gravarem vocais para a parte dos “Hey! Oh!”. Eu cheguei a tentar a minha sorte uma ou duas vezes, mas hoje, depois de conhecer a versão final, acho que essa é a parte menos interessante da música. Quando ouvi This One’s For You pela primeira vez, poucas semanas antes do Euro 2016, não achei nada de especial. No entanto, fui tomando-lhe o gosto ao longo do Europeu, graças ao genérico da competição, antes dos jogos e dos programas especiais. Nos programas de rescaldo da RTP, aliás, costumavam mesmo passar o resumo do jogo em questão com This One’s For You como banda sonora.

 

 

A verdade é que aquelas primeiras notas (de xilofone?) agarram-nos logo, refletem perfeitamente a alegria e o entusiasmo de um Europeu de futebol. É em torno dessas notas que a música se desenrola. Outra das imagens de marca da música é o apito (?) que soa depois do refrão - noutras músicas, apitos destes tornam-se irritantes mas, em This One’s For You, é usado na dose certa. E, de qualquer forma, combina com imagens de fintas e golos.

 

A letra é o elo mais fraco da canção, cheia de clichés de temas desportivos, mas não ao ponto de distrair de tudo o resto (e, como reza o meme abaixo, acabaram por incluir o nome do herói da final no refrão). Zara Larsson (que tem apenas dezoito anos) fez um ótimo trabalho com os vocais - esta música não é nada fácil de cantar.

 

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O videoclipe de This One’s For You não prima pela originalidade. No entanto, gostei do facto de terem criado uma versão diferente para cada Seleção qualificada para o Euro 2016, com imagens de participações anteriores em Europeus ou da fase de Apuramento deste. O vídeo de Portugal teria sido perfeito se não tivessem incluído imagens de Cristiano Ronaldo… no Manchester United (fail) e, sobretudo, da seleção grega festejando a vitória no Euro 2004 (isto é mais do que fail, é mau gosto). Só vi alguns dos vídeos para as outras seleções e não estive propriamente a examiná-los à lupa, mas nenhum deles parece ter fífias deste género.

 

Enfim, o que vale é que, depois deste Europeu, não faltarão imagens da Seleção Portuguesa para futuros videoclipes.

 

 

Não cheguei a ver a cerimónia de abertura do Euro 2016 em direto (não acho nada de especial), mas vi, obviamente, a cerimónia de encerramento. Apesar de, naquele momento, estar a transbordar de nervosismo por causa da final, achei a cerimónia bonita. Gostei da versão que tocaram de This One’s For You, com instrumentos a sério acompanhando a música maioritariamente eletrónica. De qualquer forma, a cerimónia não foi melhor que o encerramento do Euro 2004 (nada é!) ou mesmo do Mundial 2014 - entre outros motivos porque não houve play back (ou, pelo menos, não tão óbvio como em Paris…).

 

Como poderão concluir, eu acho que a música é boa e, provavelmente, manteria essa opinião mesmo que o Europeu não tivesse corrido bem para Portugal - ainda hoje gosto de La la la e Dar um Jeito, mesmo que o Mundial 2014 tenha sido uma tragédia de proporções épicas para as cores portuguesas. No entanto, desta feita tivemos um final feliz. This One’s For You deixou de ser apenas a música do Euro 2016, tornou-se também uma das nossas canções de vitória. Daí encontrar-se entre as minhas preferidas deste ano.

 

De igual modo, também destaco o Hino Seleção 2016 e o Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal, sobre os quais escrevi aqui. O primeiro, então, foi profético (“Um grito de campeão pelas ruas de Paris…”). Ah, e o Pouco Importa - uma resposta perfeita às críticas à prestação de Portugal no Euro.


A próxima canção de que falaremos também se relaciona com o Euro 2016. (Que cara é essa? Estive doze anos à espera disto!) Vai, no entanto, ficar para a segunda parte deste texto, amanhã. Até lá, boas entradas em 2017!

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