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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quinta temporada, segunda parte

O meu plano para este verão consistia em escrever e publicar a minha série de entradas sobre Pokémon de seguida - com um único interregno para uma tag. No entanto, estes textos estão a dar-me mais trabalho do que antecipei. Contava tê-los terminados por agora, mas ainda a procissão vai no adro e o tempo começou a escassear. Já tivemos as estreias tanto da nova temporada de Once Upon a Time como do próximo filme de Digimon Adventure Tri (tanto para escrever!!!), vou ter de deixar essa série em águas de bacalhau durante algum tempo. Que deverá compreender mais algumas semanas, pois, como se OUAT e Tri não bastassem, já não falta muito para a próxima dupla jornada da Seleção - ou seja, terei de me virar para o meu outro blogue

 

Uma coisa é certa, estes textos nunca virão antes do lançamento de Pokémon Sun&Moon, marcado para 23 de novembro cá em Portugal. Fica a promessa, farei por cumpri-la.

 

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Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o final da quinta temporada.

 

A verdade é que, durante algum tempo, tive pouca vontade de escrever sobre Once Upon a Time, sobretudo quando tinha tanta coisa mais apelativa em que pensar e sobre que escrever. Adiei até às últimas semanas antes da rentrée da série. Custa-me dizer isto, mas a segunda metade da quinta temporada foi, na minha opinião, a pior desde o segundo ano de Once Upon a Time.Sabia há muito que haveria uma altura em que se começaria a notar o desgaste: esta chegou. Foi a primeira meia temporada de toda a série em que não gostei de um único episódio a cem por cento: havia sempre um flashback desnecessário ou uma história lateral desinteressante. 

 

Conforme tinha sido referido na última análise, depois de Hook ter morrido no final da primeira metade da temporada, nesta metade o elenco principal visitaria o Submundo para trazê-lo de volta à vida. Já tinha referido que o conceito inicial do Submundo me parecera interessante: uma versão retorcida de Storybrooke, em que as almas dos que partiram ficavam lá presas, de maneira semelhante à Maldição inicial, na primeira temporada. Porque é que o Submundo se parece com Storybrooke? Veremos adiante. No entanto, eu pelo menos cansei-me depressa. Para uma dimensão supostamente só acessível depois da morte, a partir de certa altura, o Submundo começa a parecer demasiado... mundano. Na prática, no Submundo não existem diferenças vivos e mortos. Estes últimos levam uma "vida" quase normal, com necessidades semelhantes às de pessoas vivas (incluindo sexuais, conforme hilariantemente demonstrado por Cruella). Eu, pelo menos, esperava uma existência mais etérea. O Submundo acaba por não ser assim tão diferente de outras dimensões no universo de Once Upon a Time, como a Terra do Nunca ou Oz. Esta opinião vem reforçada pela forma como Belle, Zelena e Ruby vão facilmente lá parar. Se o reino dos mortos é tão facilmente acessível, uma pessoa interroga-se por que motivo ninguém do elenco principal, como Rumplestilskin, Regina ou Zelena, o visitou antes.

 

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A parte subterrânea do Submundo (se é que podemos chamar assim) parece-me mais interessante, com inspirações na mitologia greco-romana e as referências à Divina Comédia de Dante. Agora que penso nisso, teria sido interessante se Dante e a sua amada morta, Beatriz, tivessem aparecido em Once Upon a Time ou, apenas, mencionados. Dante podia, por exemplo, ser o Autor homólogo do Livro de Histórias do Submundo.

 

Embora se façam vários trocadilhos entre o Submundo e o Inferno na série, o Submundo equivale mais ao Purgatório: um local onde ficam retidas as almas com "assuntos inacabados". Segundo o que nos é dito no início da meia temporada, as almas só abandonam o Submundo ou para ir para "um lugar melhor" (o Céu, assume-se, ou pura e simplesmente "a luz") ou para "um lugar bem pior" (o Inferno). No entanto, acabamos por não ver ninguém indo parar a esse lugar pior, tirando o desgraçado que Cora usou como exemplo no primeiro episódio. Em vez disso, algumas das almas vão parar (acidentalmente ou não) ao Rio das Almas Perdidas, onde se transformam numa espécie de zombie (*arrepios*). Ao longo da meia temporada, encontramos várias dessas almas com "assuntos inacabados", em histórias que faziam lembrar o Entre Vidas/Ghost Whisperer, umas mais interessantes do que outras.

 

 

Logo no primeiro episódio tivemos a oportunidade de reencontrar Henry Sénior, o pai de Regina. Esta meia temporada pode ter tido muitas falhas, conforme veremos adiante, mas este episódio pelo menos conseguiu algo que muitos poucos produtos ficcionais conseguem: fazer-me chorar. Isso aconteceu nas cenas em que Regina reencontra o pai e, depois, quando consegue acesso à "luz" e Regina lhe apresenta o neto homónimo. Admito que posso ter projetado imenso mas, de qualquer forma, o ator Tony Perez injeta imensa ternura na sua interpretação de Henry Sénior (a banda sonora também ajudou). Demonstra bem o amor incondicional e, por vezes, pouco saudável que este sempre nutriu pela filha - ao ponto de parecer quase um "banana", assistindo quase sem protestos às atrocidades que Regina ia cometendo (os flashbacks mostram, precisamente, uma das poucas ocasiões em que Henry tentou fazer frente à filha, sem sucesso). Da mesma maneira como viu a esposa, Cora, empurrando Regina para maus caminhos e nada fez para a impedir. Fez sentido, então, que Henry Sénior tenha conseguido seguir em frente da primeira vez que a filha não se deixou manipular pela mãe.

 

Mais sobre Cora adiante.

 

No Submundo também encontramos vilões, como a Bruxa Cega (morta na primeira temporada por Hansel e Gretel, a mando de Regina) e Cruella (morta da forma que sabemos). A primeira gere o diner homólogo ao da Avozinha em Storybrooke (com crianças no menu...) e, não tendo representado verdadeiro antagonismo aos heróis (tirando perto do fim). Sempre providenciou umas trocas de picardias em jeito de comic relief. Cruella, por sua vez, tinha os seus próprios interesses. Inicialmente, tentou manobrar Henry para que este usasse a pena de Autor para a devolver a vida. Acabou por não dar em nada, tirando convencer Henry a usar a pena "para o bem". Após isso, Cruella foi relegada para a posição de vilã-quando-o-enredo-precisar - um papel semelhante ao que Zelena representava na primeira metade da temporada - mas sempre com o seu charme muito próprio (revejam a cena com David que referi antes). No fim, assume a liderança do Submundo, no lugar de Hades.

 

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Reencontramos, também, Milah, a primeira esposa de Rumple, mãe de Neal, que também teve um romance com Hook. Milah é uma personagem muito complexa, ao nível das melhores personagens de Once Upon a Time, que toma atitudes com as quais não concordaríamos, mas não totalmente incompreensíveis. Dizer que o seu casamento com Rumple não foi feliz é eufemismo. Ser casada com alguém tão inseguro como Rumple era na altura não deverá ter sido nenhum prémio. No entanto, se a esposa se tivesse mostrado mais compreensiva em determinadas alturas, talvez Rumple não se tivesse tornado tão cobarde quanto se tornou. Rumple essencialmente vendeu o potencial segundo filho do casal sem consultar Milah, fazendo com que esta agarrasse a primeira oportunidade para fugir. No entanto, deixou Baelfire, que não tinha culpa de nada, para trás - ou seja, este acabaria por ser abandonado por ambos os pais em alturas diferentes. Ao abandonar Rumple, trocando-o por Hook, deixou o primeiro ainda mais predisposto para a Escuridão. No entanto, continuo a achar que não merecia ter morrido da forma como morreu.

 

Quando a encontramos no Submundo, os assuntos inacabados de Milah prendem-se com o seu abandono de Baelfire. Numa conversa em que ela e o antigo marido se mostram inesperadamente vulneráveis, Milah confessou que tudo o que deseja é voltar a ver o filho e pedir-lhe perdão. Pouco antes, Emma - após uma apresentação extremamente misógina por parte de Rumple - dera-lhe algum conforto ao revelar-lhe que Neal estava feliz, num lugar melhor. Foi de uma crueldade indescritível Rumple ter, mais tarde, atirado-a para o Rio das Almas Perdidas. Volto a dizer, nem mesmo Milah merecia isto. O mais triste é que, da parte de Rumple, isto já não surpreende. 

 

Outra alma presa ao Submundo relacionada com Rumple é a do pai, Peter Pan. Este acaba por não ter grande tempo de antena, mas não me queixo. Ele cumpriu o seu papel na terceira temporada, não se encontra, na minha opinião, entre as personagens mais interessantes de Once Upon a Time. Desta feita, ele não sente rancor contra o filho, deseja mesmo regressar ao mundo dos vivos com ele... no lugar de um dos heróis. Rumple vai aceitando a sua ajuda, em alguns momentos, mas no fim condena-o ao Rio das Almas Perdidas. Problema resolvido.

 

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 Voltaremos a falar de Rumple mais à frente. Para já, o caso de que falaremos agora está mais ligado a Oz do que ao Submundo. Há pelo menos dois, três anos, que se especulava sobre a inclusão de um casal LGBT em Once Upon a Time. O primeiro indício disso ocorreu perto do início da terceira temporada, entre Mulan e Aurora. Como poderão ver, há suficiente ambiguidade para uns pensarem que Mulan se refere a Aurora e outros pensarem que ela se refere a Phillip. A questão voltou a surgir já na quinta temporada - no episódio The Bear King, o tal que se seguiu à revelação de que Hook se tornara um Dark One. Desde essa altura, os fãs estavam à espera que o romance se desenrolasse entre Mulan e Ruby. Quando, afinal, Ruby se apaixona por Dorothy, houve quem tivesse ficado desiludido. É possível, no entanto, que a Disney tenha vetado uma potencial saída do armário por parte de uma das suas princesas, sobretudo uma que terá, em breve, o seu próprio filme em live action. Talvez fosse um passo demasiado avançado - embora se fale da possibilidade de Elsa arranjar uma namorada na sequela a Frozen.

 

Tirando esse aspeto e, talvez, o facto de as personagens se terem apaixonado ao ponto de terem "amor verdadeiro" em menos de um episódio (o que, de resto, não é propriamente inédito em Once Upon a Time - a abordagem ao primeiro romance lésbico da série foi quase perfeita. As hesitações sentidas pelas personagens não se prendiam com o género e sim com traumas do passado, com dúvidas existenciais, semelhantes às sentidas por outras personagens em OUAT). Personagens terceiras ao casal reagiram com naturalidade ao romance, nada afetadas pelo seu caráter homossexual. Deram um exemplo que devia ser seguido por muitas pessoas de carne e osso (incluindo algumas aqui na blogosfera...).

 

Passemos, agora, ao menos bom das almas do Submundo. A história de Liam Jones, o irmão de Hook, não me aqueceu nem me arrefeceu. A de Hércules e Mégara foi, na minha opinião, uma oportunidade desperdiçada. No filme da Disney, Mégara oferecera os seus serviços como escrava a Hades em troca da vida do seu amante. Depois de regressar a vida, no entanto, o "cretino" trocara-a por outra. Teria sido interessante se Once Upon a Time tivesse pegado nessa história, estabelecendo um paralelismo entre ela e a busca de Emma or Hook.

 

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Em vez disso, Mégara faz o papel de uma típica donzela indefesa (e nem sequer no sentido irónico do termo, como no filme), numa história que se focou mais em Snow. Não foi assim tão interessante - os flashbacks mostraram, essencialmente, os primeiros passos da jovem Snow passando de princesinha mimada a guerreira, com a ajuda de Hércules. No presente, Hércules está morto e preso no Submundo. Snow ajuda-o a seguir em frente e, no processo, recupera confiança em si própria. Valeu a pena só pela prestação de Bailee Madison, que já anteriormente tinha feito de jovem Snow. Bailee já de si é parecida com Ginnifer Goodwin. Adicionalmente, imita na perfeição as expressões e a maneira de falar da atriz mais velha. É uma delícia vê-la. Se quiserem incluir mais flashbacks da juventude de Snow na série, no futuro, protagonizados por Bailee, eu assinaria de imediato por baixo.

 

No fim deste episódio, Snow declara que não quer voltar a ser tratada por Mary Margaret - por norma mais passiva, focando-se mais em discursos de esperança e tal - e sim por Snow White, mais proativa e lutadora. Tudo muito bonito e inspirador e tal mas, na prática, não teve consequências. Tudo o que Snow fez no resto da temporada, para além de dar apoio a Emma e, mais tarde, a Ruby, foi lamentar-se por estar longe do filho, Neal (aumentando ainda mais o sentimento de culpa a Emma - mais sobre isso adiante) até conseguir, finalmente, regressar mais cedo a Storybrooke. Sempre deu um momento bonitinho, quando David troca o nome dela pelo seu na lápide que a prende ao Submundo, mas de resto Snow continua a dar pouco para a caixa.

 

O mesmo se passa com o marido, David. O reencontro dele com o seu irmão gémeo mau, James, foi antecipado logo desde o primeiro episódio no Submundo. E nem precisava disso, na verdade, já que há muito que ficou claro que James é a antítese do irmão - um confronto entre eles teria sempre potencial. No entanto, a montanha acabou por parir um rato. Enfiaram o reencontro num episódio em que o interesse principal era outro. James limitou-se a atacar o irmão, a tomar o seu lugar até chegar a Emma e Robin, a ameaçar atirá-los para o Rio das Almas Perdidas. À última hora, David e Hook aparecem, quase literalmente como Cavaleiros Andantes, os dois irmãos lutam e James vai parar ao Rio. Tudo muito superficial, quase cliché. Só prova que David e Snow continuam entre os elos mais fracos no elenco.

 

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Mesmo assim, não são piores que Belle e Rumplestilskin. Snow e David podem ser pouco interessantes mas, como casal, são exemplares. Rumple e Belle estão no extremo oposto, ganhando já contornos de relação abusiva. Ao menos agora, ao contrário de ocasiões anteriores, Rumple foi totalmente sincero com Belle; deixou-lhe bem claro que não vai abdicar de ser o Dark One, nem mesmo por ela. Belle, mesmo assim, continua convencida que consegue mudá-lo, mesmo contra a vontade dele. Pelo meio, o casal descobre que estão à espera de bebé (uma integração da gravidez da atriz, Emilee de Ravin, na história) e Hades usa o acordo anteriormente referido para chantagear os pais. Belle tenta obrigar Rumple a resolver o problema sem recorrer a magia negra (vai sonhando, Belle...), mas a coisa complica-se quando Gaston, o antigo noivo de Belle assassinado por Rumple, aparece para se vingar No meio do confronto, longe de virar Rumple para a Luz, Belle acaba por se aproximar da Escuridão dele ao atirar Gaston para o Rio das Almas perdidas, para salvar a vida do marido.

 

Uma pessoa mais lúcida do que Belle interpretaria isto como um sinal para se afastar de vez de Rumple e procuraria ajuda em Emma e os outros. No entanto, não é isso que acontece (não é por acaso que, muitas vezes, vítimas de relações abusivas se encontram isoladas de outras pessoas da sua vida, quer por imposição do companheiro ou por outro motivo qualquer). A única pessoa para além de Rumple a quem Belle recorre é... Zelena. Esta fá-la decidir administrar a si mesma a Maldição do Sono, como forma de proteger o filho que tem por nascer de Hades. Tanto ela como Rumple sabem perfeitamente que Rumple não a ama o suficiente para quebrar a Maldição com um beijo de verdadeiro amor. Desse modo, Belle espera que Rumple arranje maneira de anular o acordo com Hades, que a traga de volta a Storybrooke, onde o pai poderá acordá-la. 

 

Nunca achei que isso fosse resultar. Estamos a falar de um homem que tentou fazer com que a filha perdesse as memórias de modo a mantê-la afastada de um homem que ele não aprovava: Rumple. Duvido muito que o beijo do verdadeiro amor resultasse se fosse aplicado por ele. Não surpreende, deste modo, que, mais tarde, Moe tenha preferido manter a filha amaldiçoada, sem a possibilidade de voltar para o marido. A verdade é que entre o pai, Rumple e Gaston, Belle tem tido uma sorte péssima com os homens da sua vida. Na altura em que a temporada terminou, Belle ainda se encontrava sob o efeito da Maldição do Sono e Rumple ainda não sabia como acordá-la (consta que isso terá um arco narrativo próprio na sexta temporada). Só espero que, quando acordar, Belle corte definitivamente com Rumple. Não me queixaria, aliás, se ela fosse excluída da história pois toda esta história com Rumple desgastaram imenso a personagem. 

 

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Regressemos, então, à raison d'être de toda a meia temporada: Emma resgatando Hook. Depois de a primeira metade do quinto ano de Once Upon a Time se ter concentrado quase só nela, Emma ocupa um lugar mais secundário durante vários episódios. No relativamente pouco tempo de antena a que tem direito, infelizmente, não faz nada de muito interessante. Na minha opinião, perde demasiado tempo com sentimentos de culpa por a família ter vindo consigo para o Submundo. Fez-me ter saudades da Dark Swan - ela, ao menos  não perdia tempo com lamúrias, preocupava-se antes em fazer o que tinha de ser feito. É de resto habitual em Once Upon a Time, mas não só: muitos vilões são mais interessantes que os heróis. Talvez por os últimos terem, por norma, uma atitude mais passiva, reagindo em vez de agindo, muitas vezes debatendo-se com o que está certo e errado - enquanto os vilões fazem o que querem, sem dar satisfações a ninguém... mas isso daria azo a um outro texto, por si só.

 

Pudemos, no entanto, conhecer a história de origem do icónico casaco de cabedal vermelho de Emma (ando a rondar a Cada das Peles à procura de um parecido) e de como ela se tornou agente de fianças. Achei os flashbacks centrados em Emma e Cleo interessantes, só estranhei o facto de terem ocorrido apenas dois anos antes dos eventos da primeira temporada. Emma sempre deu a entender que contava vários anos de experiência em, como ela diz, "encontrar pessoas". Além de que a ideia de que Emma passou cerca de oito anos, desde o nascimento de Henry e de que saiu da prisão, deambulando por aí no seu carocha amarelo, sustentando-se com assaltos a lojas de conveniência, é deprimente.

 

No início da meia temporada, eu estava à espera que arrastassem o resgate de Hook, que ele só se reencontrasse com Emma mais tarde, na temporada. O reencontro deu-se logo no terceiro episódio. O arrastamento deu-se imediatamente depois, quando Hades prendeu os heróis ao Submundo. Em linha com o que referi antes, sobre o Submundo parecer demasiado mundano, Emma e Hook levam uma vida quase normal durante a maior parte da meia temporada. O que faz com que os eventos do antepenúltimo episódio doam mais.

 

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Eu sinceramente ainda não percebi que mensagem a série quer passar a Emma pois ora a castiga por não se querer comprometer com Hook, ora a castiga por se agarrar a ele (tornando-o um Dark One para lhe salvar a vida, indo resgatá-lo ao Submundo). Sinceramente, achei parvo que Emma e Hook tenham sido obrigados a despedir-se (sendo esta a quarta vez que Emma vê Hook morrer) para, um episódio mais tarde, Hook ressuscitar literalmente por intervenção divina (ainda que merecida, de certa forma). Parvo... e tendo em conta que os deuses não mostraram a mesma bondade a outras personagens, mesmo cruel.

 

Mas já aí vamos.

 

Ainda não falei do vilão da meia temporada, Hades, o Senhor do Submundo. Este é, na verdade, um dos motivos para que esta meia temporada tenha tido menos qualidade. Once Upon a Time tem se caracterizado pelos vilões carismáticos mas Hades, na minha opinião, não é um deles. Greg Germann faz uma interpretação demasiado monocórdica do deus do Submundo, exceto quando se põe a sussurrar. Talvez ele pense que isso torna a personagem mais assustadora mas, na verdade, apenas o torna irritante. A sua aptência por decadência e degradação faz sentido, tendo em conta que ele é, de certa forma, o Senhor da Morte. No entanto, não é fornecida mais nenhuma explicação. As suas motivações são as típicas dos vilões de Once Upon a Time - sem sequer uma história de origem satisfatória, tirando um ressentimento ao irmão Zeus. Este congelou o coração de Hades e confinou-o ao Submundo. Não será agradável, é certo, mas nada nos garante que Hades não o tenha merecido.

 

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A única altura em que Hades revela um mínimo de profundidade é no seu relacionamento com Zelena. Aí admito, o Senhor do Submundo é adorável quando está apaixonado. Achei particularmente tocante, de uma forma retorcida, o facto de ter criado o Submundo à imagem de Storybrooke, como forma de consolar Zelena por Rumple não a ter escolhido para lançar a Maldição. Existem, no entanto, alturas em que não se percebe se Hades está mesmo apaixonado por Zelena ou se está apaixonado pela ideia de estar apaixonado - visto que ele precisa do beijo do verdadeiro amor para se libertar das maldições de Zeus.

 

Zelena foi, aliás, uma das melhores personagens desta meia temporada. A Verdocas ganhou finalmente algum desenvolvimento quase um ano depois do seu bombástico regresso à série. Tal deveu-se tanto à filha recém-nascida (à boa moda de Once Upon a Time) e ao romance com Hades, como à relação com a irmã, Regina. Depois de Hades a ter arrastado, bem como à bebé e a Belle, para o Submundo, Zelena vira-se para Regina e Robin, confiando-lhes a filha e comprometendo-se a tentar torna-se a mãe de que esta precisa. Eventualmente, as duas irmãs vão se aproximando a pouco e pouco. O Senhor do Submundo, no entanto, revela-lhe que não deseja magoar, nem Zelena nem a sua filha. Pelo contrário, deseja reatar o romance com a Verdocas. Esta acaba-se por se sentir dividida entre ele e a irmã, que procura desesperadamente uma maneira de vencer Hades e de sair do Submundo. 

 

Entretanto, Regina recorre a Cora, a mãe de ambas, para tentar proteger Zelena de Hades. Cora sendo Cora, mesmo com boas intenções, recorre inicialmente à manipulação - desta feita para tentar fazer a filha mais velha esquecer o Senhor do Submundo. Quando isso não resulta, Cora acaba por recorrer a memórias que suprimira às filhas.

 

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Aproveito a ocasião para comentar que o modelo dos flashbacks de Once Upon a Time está a ficar obsoleto. Em metade dos casos não acrescenta praticamente nada de relevante à história e/ou à caracterização do elenco. Este caso é particularmente flagrante pois aliam os flashbacks a outro frequente plot device da série: alterações de memórias. Basicamente, enfiaram a martelo uns flashbacks da infância de Regina e Zelena, em que estas se teriam encontrado e feito amizade, antes de Cora as obrigar a beber uma poção de memória que as fez esquecerem-se uma à outra. Assim, bastou a Cora reverter o efeito da poção para Regina e Zelena se tornarem imediatamente amigas do peito. Um truque óbvio e barato, quando existiam maneiras mais genuínas de estabelecer uma amizade entre as duas irmãs.

 

Em todo o caso, estes eventos sempre permitiram a Cora fazer as pazes com ambas as filhas, redimindo-se de certa forma e conseguindo partir para a Luz. Provavelmente sob o efeito das emoções todas, Regina resolve dar uma oportunidade a Hades e Zelena. Antes de se encontrar com o Senhor do Submundo, contudo, Rumple e Peter Pan raptam a Bruxinha Verde, usando-a para obrigar Hades a rasgar o contrato que lhe dá direitos sobre o filho do Dark One. Hades alia-se aos heróis para salvar a amada, dando-lhes em troca passagem para fora do Submundo. Depois de resolvido o problema de Rumple (não foi muito difícil...), Zelena e Hades dão o beijo do verdadeiro amor (na minha opinião, não devia ter resultado) e vão para Storybrooke - Hades tenta reter o resto dos heróis no Submundo nas costas de Zelena. Estes escapam por pouco.

 

Por esta altura, percebe-se que Hades não se contenta com a simples vida doméstica que Zelena deseja para si e para a filha. À boa maneira dos vilões de Once Upon a Time, ele quer tudo e qué-lo agora. Zelena, não querendo acreditar que Hades lhe está a mentir, acaba por entrar em conflito com a irmã e com os outros heróis. No meio dos confrontos, Hades acaba por recorrer ao Cristal Olímpico para eliminar Robin - não se limita a matá-lo, oblitera mesmo a sua alma, de modo a que não haja nem Céu, nem Inferno, nem Submundo para ele. Só aí é que Zelena se apercebe da verdadeira natureza de Hades e recorre ao Cristal Olímpico para matá-lo.

 

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Esta morte de Robin é um dos aspetos que mais critico nesta meia temporada. Não que gostasse por aí além dele - pelo contrário, nunca teve nenhum interesse especial para além de ser o objeto romântico de Regina e é precisamente por isso que a morte dele me desagradou. Robin nunca teve direito a mais desenvolvimento para além de ser o típico ladrão honrado e a segunda hipótese de Regina no amor. Praticamente tudo o que lhe acontece na série - apaixonar-se, recuperar a esposa falecida, descobrir que essa esposa era, afinal, Zelena sob disfarce e que esta espera um filho seu, quase morrer no início da quinta temporada e, finalmente, morrer no fim desta - serviu para caracterizar Regina e não a ele. Se Robin fosse uma mulher e Regina um homem, choveriam de imediato críticas à série. Não vou deixar de criticar só porque agora reverteram os papéis, não quando aquilo deviam ter caracterizado os dois elementos do casal devidamente, em vez de reduzir um deles a plot device.

 

Um dos objetivos da morte de Robin foi precisamente despoletar a 582ª crise existencial de Regina na série, na qual esta hesita entre o heroísmo e a vilania. Esta foi uma das tramas principais do episódio duplo de final de temporada. Desta feita não houve viagem no tempo nem a uma realidade alternativa. Em vez disso, temos uma viagem a Nova Iorque atrás de Henry, que rouba o Cristal Olímpico, pega em Violet e foge para a Big Apple para tentar erradicar a magia. Por sua vez, os Charmings, Zelena e Hook caem num portal (outra vez), indo parar a um novo reino, onde são feitos prisioneiros.

 

Na minha opinião, este foi o final de temporada mais fraquinho desde o da segunda. Em parte pela comparação com os finais anteriores, de que eu gostei muito, admito. Mas também achei que as tramas foram pouco interessantes. Considero mais ou menos compreensível que Henry quisesse erradicar a magia, depois de todos os sarilhos em que a sua família se meteu ao longo das temporadas por causa dela. É claro que, depois de passar das intenções aos atos, se iria arrepender ao descobrir que eliminara a única maneira de resgatar metade da sua família. Como é que se resolve este imbróglio? Henry sobe para um muro, pede às pessoas para acreditarem em magia e que atirem moedas para um repuxo, desejando que ele recupere a família. As pessoas obedecem e puff! Fez-se o Chocapic!

 

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Para além de ser um gritante deus ex-machina, achei esta cena demasiado lamechas (e os fãs de Once Upon a Time, por norma, têm uma elevada tolerância a lamechice). Se alguém fizesse o que Henry fez na vida real, as pessoas rir-se-iam a cara dele, vaiavam-no ou, pura e simplesmente, ignoravam-no. Por outro lado, mesmo que resultasse e os Charmings, Hook e Zelena surgissem magicamente do repuxo... estamos em 2016, há smartphones em todo o lado. É mais do que certo que alguém filmaria a cena e colocaria no YouTube, arriscando a exposição de Storybrooke e dos seus habitantes. Ainda estou à espera das consequências desta jogada de Henry, mas o mais certo é os guionistas terem passado à frente assim que o problema do resgate dos heróis ficou resolvido.

 

Decobrimos, entretanto, que o reino onde os Charmings, Hook e Zelena ficam retidos chama-se Terra das Histórias por Contar. As primeiras personagens que conhecemos nesse mundo são Dr. Jekill e Mr. Hyde. Confesso que sei porquíssimo sobre essa história, tirando a premissa inicial (em pequena, costumava ver um episódio do Looney Tunes baseado nesse conto que me assustava imenso). São, aliás, esses dois que inspiram a decisão seguinte de Regina.

 

Depois de termos passado quase todo o episódio duplo a ver se Regina caía de novo na vilania ou não (se caísse, eu ia dar um berro), perto do fim Regina decide tomar o soro do Dr. Jekill de modo a arrancar o seu lado negro feito carne e a matá-lo. Aparentemente consegue, mas, nos minutos finais, descobrimos que esse lado negro personificado, a Evil Queen pura e dura, sem pingo de humanidade, sobreviveu e tenciona ripostar.

  

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É bastante óbvio que este desenvolvimento é a maneira de os guionistas, como se diz em inglês "have their cake and eating it too", ou seja ter duas boas situações que, por norma, se excluiriam uma à outra. Depois de anos e anos consolidando Regina como uma heroína, ela não podia reverter para os seus modos vilanescos. No entanto, também é óbvio que os guionistas adoram a Evil Queen (embora, na minha opinião, esta tenha começado a roçar a caricatura nos últimos tempos) e a teta dos flashbacks já começa a secar. Com esta solução toda a gente ganha. Ficou claro desde início que pura e simplesmente erradicar o seu lado negro era uma solução demasiado fácil. Daí que não tenha sido uma grande surpresa descobrir que a Evil Queen continua viva. Toda a gente sabe, de certa forma, que mais cedo ou mais tarde Regina descobrirá que o seu lado bom e o seu lado sombrio não têm fronteiras definidas, que um não existe sem o outro, que ela não pode, pura e simplesmente, apagar todas as atrocidades que cometeu ao longo dos anos. Tudo isto, por um lado, é redundante, como dei a entender acima. Por outro, uma parte de mim anseia ver o que irá a Evil Queen tramar.

 

Não será só com ela que os heróis se virão a braços na sexta temporada: também com uma data de personagens da Terra das Histórias Por Contar, trazidas para Storybrooke por Mr Hyde - depois de uma negociata com Rumple, em troca de uma solução para a maldição de Belle. A sexta temporada terá, deste modo, uma estrutura semelhante à primeira. Cada episódio focar-se-á numa história diferente (algumas das quais fugindo ao cânone habitual dos contos de fadas, como o Conde de Montecristo, Simbad, o Marinheiro, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre outras), de pequena escala, com maior envolvimento do elenco secundário, muitas vezes negligenciado nas últimas temporadas, como Dr. Archie, Dr. Whale, Cinderela e o marido. E, ao contrário dos últimos anos, este arco deverá durar a temporada inteira.

 

Talvez esta mudança de paradigma seja boa para combater o desgaste que senti nesta meia temporada. No entanto, o primeiro episódio já foi exibido e este não me entusiasmou - pelo contrário, a sensação de desgaste saiu reforçada, pelo menos no que toca a Emma... mas vou guardar as minhas opiniões sobre isso para outra ocasião. Já que em princípio, este arco narrativo durará a temporada toda, só deverei escrever sobre ela quando esta terminar. Por outro lado, agora que tenho uma página no Facebook, talvez vá fazendo mini-análises semanais após a exibição americana de cada episódio.

 

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A verdade é que, depois do Europeu, vários dos meus interesses mudaram e tenho-me sentido farta de séries em geral. Não ajuda o facto de o nível ter sido fraco... outra vez. Arrow continua a insistir nos mesmos erros da terceira temporada, de tal modo que, em princípio, não vou voltar para a quinta temporada - a menos que as críticas sejam muito boas. Legends of Tomorrow teve os seus momentos, mas desisti mais ou menos a meio. Ainda posso retomar, mas é pouco provável. Com tanto filme de super-heróis a saírem, cada um com infinitas campanhas de marketing, ando saturada - apesar de só ter seguido duas séries centradas neles e, no que toca aos filmes, só ter visto o Deadpool. 

 

The Good Wife até começou mais ou menos bem, mas acabou por se arrastar até ao final, nunca conseguindo sair da mediocridade. Considerei particularmente insultuoso que uma série que sempre se destacou pela maneira exemplar como tratava as personagens femininas, quebrando estereótipos, tenha terminado com uma mulher agredindo outra por causa dos respetivos maridos - e eu gostava tanto de Kurt e Diane como casal!

 

Ironicamente, tendo em conta o que escrevi no ano passado, acabei por gostar mais de ver Anatomia de Grey, ainda que como mero entretenimento apenas é ainda que os defeitos continuem lá todos (drama só porque sim, ninguém naquele elenco sabe lidar com as coisas como pessoas normais, sobretudo a protagonista, de quem gosto cada vez menos). Por outro lado, durante os últimos tempos, a única série que me tem apetecido ver é Last Man Standing/Um Homem Entre Mulheres, na FOX Comedy: uma sitcom que está longe de ser brilhante em termos de enredo e caracterização, mas que ao menos entretém-me e faz-me rir. 

 

 

  

Apesar de todas as minhas críticas, Once Upon a Time é, neste momento, a única série que representa mais do que um entretenimento para mim, mesmo que o meu entusiasmo esteja em mínimos históricos. Mal por mal, os pontos fortes mantém-se: um elenco subvalorizado, personagens femininas bem construídas, celebração do amor em todas as suas formas, temas de esperança e redenção. E embora uma parte de mim deseje que a sexta temporada seja a última, sei que vou ter saudades de Once Upon a Time quando esta terminar de vez. 

A minha sitcom preferida

Ao longo da primeira década do século, de forma mais ou menos regular, em minha casa tínhamos por hábito ligar na RTP2, de segunda a sexta, mais ou menos às oito e meia da noite, hora a que transmitiam uma sitcom americana. Série como Sabrina, a Bruxinha Adolescente, Yes, Dear/Sim AmorS-Club; algumas mais clássicas, como Green Acres/Viver no Campo e Bewitched; numa fase mais posterior A Teoria do Big Bang, Dois Homens e Meio e Everybody Hates Chris/Todos Contra o Chris (uma série que merecia mais popularidade, na minha opinião). Todas estas eram razoáveis, umas mais do que outras. No entanto, a partir do outono de 2005, começou a passar uma que tinha muito mais piada que as demais: Friends

 

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Cerca de ano e meio após o episódio final de Friends, a RTP2 transmitia as dez temporadas de seguida, processo que durou um ano, mais coisa menos coisa. Eu e o resto da minha família íamos ficando cada vez mais rendidos à medida que acompanhávamos a vida dos seis amigos, com as suas amalucadas reviravoltas: desde o relacionamento tumultuoso de Ross e Rachel, os empregos difíceis de Monica, Joey sendo um péssimo ator, Phoebe sendo mãe de aluguer dos sobrinhos, Ross trocando o nome da sua noiva em pleno altar, Monica indo parar à cama de Chandler e acabando por se casar com ele, entre muitas outras coisas.

 

A RTP voltaria a exibir a série no mesmo horário daí a dois anos e nós seguimo-la com a mesma convicção. Desde essa altura, continuo a rever episódios da série com frequência (demasiada frequência, diga-se). Nenhuma sitcom que tenha visto até agora está tão bem feita e, sobretudo, me faz rir da mesma maneira (How I Met Your Mother esteve perto nos primeiros anos, mas toda a gente sabe no que isso deu...). 

 

Como tal, quando dei com a TAG Eu Amo Friends, quis incluí-la aqui no meu blogue. Como o costume, adaptei as perguntas ao português europeu.

 

1) Com qual personagem mais te identificas e porquê?

Esta é uma pergunta muito interessante. Não me identifico com apenas uma personagem, mas identifico-me com cada uma das três personagens femininas, por motivos diferentes. Identifico-me com Rachel, sobretudo nas primeiras temporadas, pois ela é ingénua, um bocadinho mimada, está ainda a aprender a ser adulta, muito como acontece comigo. Identifico-me com Monica pelo seu lado mais romântico e, sobretudo, maternal, com algumas das suas inseguiranças quando começa a trabalhar no Alejandro's e também, de certa forma, com a relação tumultuosa com os seus pais. Por fim, identifico-me com Phoebe pelo seu lado mais excêntrico e amalucado.

 

2) Qual é a temporada de que gostas mais e a de que gostas menos?

 

A temporada de que gosto mais é a segunda. Isto pode ter a ver com o facto de eu possuir os DVDs das duas primeiras temporadas, logo, tenho tido mais contacto com estas do que com o resto da série.

 

A temporada de que gosto menos é a última, mais porque, por esta altura, já se notava o desgaste e as personagens já tinham demasiados elementos de caricatura. No entanto, a série tem o mérito de nunca ter deixado de fazer rir, o que é algo de que nem todos se podem gabar.

 

3) Qual é o teu episódio de feriado (Natal, Dia de Ação de Graças, etc.) preferido?

 

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É uma escolha difícil, mas eu vou responder "The one with the football". A premissa é muito simples - os seis jogando futebol americano - não é difícil fazer as piadas surgirem. E estas realmente vão fluindo, com Monica e Ross, hiper-competitivos, trocando picardias, Joey e Chandler lutando pelas atenções de uma beldade holandesa, Rachel como a inepta do grupo e algum humor físico à mistura.

 

4) Qual é a tua canção da Phoebe preferida?

 

 

Escolho esta, não tanto pela música em si, antes pelo timing cómico. Rio-me de todas as vezes.

 

5) Qual é o episódio mais engraçado?

 

Vou aproveitar a ocasião e fazer um top 7 com os meus episódios favoritos e/ou que considero mais engraçados. 

 

      7) The One After the Superbowl, part 2

 

Refiro este apenas pela história de Chandler. Este reencontra Susan, uma colega do quarto ano. Susan refere, de forma muito casual, a ocasião em que Chandler lhe levantou a saia, durante uma peça de teatro escolar, deixando-lhe as cuecas à mostra. Ela e Chandler envolvem-se, mas na verdade tudo aquilo é uma armadilha montada por Susan para vingar aquela partida. E que vingança é, senhores! Uma pessoa fica a pensar quantos anos terá Susan passado aguardando o momento em que reencontraria o antigo colega, magicando este plano.

 

Susan é interpretada por Julia Roberts e esta história não teria metade da piada não fosse o trabalho dela. Sem querer, de modo algum, menorizar o trabalho de Matthew Perry, com quem tem uma excelente química  (consta, aliás, que os dois namoravam aquando das filmagens deste episódio. Vejam só esta cena:

 

  

Atentem a esta troca: 

 

Chandler: "That was fourth grade! How come you're still upset about that?"

Susan: "Well, why don't you call me in twenty years and tell me if you're still upset about this?"

 

Por sinal, estes vinte anos completaram-se há pouco tempo. Será que o Chandler ainda está chateado?

 

Este episódio só não está mais acima na classificação porque as outras histórias neste episódio não têm assim tanta piada.

 

      6The One With the Baby on the Bus

 

Este episódio vale sobretudo pela história de Chandler e Joey, que aproveitam o episódio alérgico de Ross para usarem o bebé Ben para engatar mulheres. No entanto, acabam por se esquecer do bebé no autocarro, o que conduz a esta cena hilariante, que me cai no goto de todas as vezes, sobretudo a última fala de Chandler: "What kind of scary ass clowns came to your birthday?"

 

 

Ao contrário do episódio de que falámos antes, as outras histórias deste até são engraçadas, mesmo não sendo por aí além. A conversa final de Monica e Ross fará, certamente, sorrir quem tenha irmãos. A história de Phoebe e Rachel também tem a sua piada, mas destaca-se sobretudo por corresponder à estreia de Smelly Cat.

 

           5) The One With the Boobies

 

Ter personagens vendo-se acidentalmente nuas umas às outras não é propriamente um exemplo de comédia sofisticada, admito, mas esta está tão bem feita neste episódio que não resisto a incluí-la entre os mais engraçados da série. O que funciona aqui é o facto de haver uma escalada do efeito cómico, já que as personagens tentam vingar-se dos respetivos voyeurs, mas acabam por espreitar as pessoas erradas - tudo isto culminando com Monica invadindo o duche... do pai de Joey.

 

As outras duas histórias do episódio também têm a sua graça. A trama com a amante do pai de Joey, para além de engraçada, ajuda a caracterizar o galã do grupo. As outras personagens também passam por algum desenvolvimento graças ao namorado psicólogo de Phoebe, que faz exatamente aquilo que os psicólogos não devem fazer: usar os traumas dos outros para os diminuir.

 

         4) The One with the Embryos

  

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Este é referido inúmeras vezes entre os episódios mais engraçados de Friends, não sem razão. O jogo de perguntas e respostas que opõe Monica e Rachel a Chandler e Joey proporciona ótimos momentos de comédia, bem como a oportunidade de conhecermos melhor as personagens. Também aqui existe uma escalada do efeito cómico, à medida que o jogo se intensifica e os respetivos apartamentos entram nas apostas. O ponto alto ocorre quando as raparigas, depois de terem sabido responder a perguntas como o maior medo de Chandler e o nome e a profissão do amigo imaginário de infância de Joey, não são capazes de nomear... a profissão de Chandler.

 

             3) The One With the Two Parties 

          

Neste episódio, Rachel faz anos, mas os pais estão em processo de divórcio e não conseguem estar juntos na mesma divisão sem começarem a discutir. Quando os amigos dão uma festa de aniversário e os dois pais de Rachel aparecem, o grupo vê-se obrigado a dividir a festa pelos dois apartamentos, numa tentativa de mantê-los separados. Mais uma vez, temos uma escalada de humor à medida que as personagens recorrem a medidas cada vez mais desesperadas para impedirem os pais de Rachel de se encontrarem - culminando com Joey beijando a mãe de Rachel.

 

              2) The One Where Everyone Finds Out

 

Todos consideram este como um dos melhores episódios de Friends de sempre. Na quinta temporada, uma das tramas principais diz respeito ao romance secreto entre Monica e Chandler. Evidentemente, o segredo acaba por ser descoberto. Joey é o primeiro a descobrir, Rachel descobre mais tarde Este episódio, tal como diz o título, corresponde ao momento em que a verdade vem à tona para todo o grupo.

 

No início do episódio, Phoebe descobre acerca do romance. Depois de fazê-lo, ela e Rachel decidem fingir que não sabem, que Phoebe tem um fraquinho por Chandler, começando a fazer-lhe avanços, a ver se Chandler se descose. Por sua vez, Monica e Chandler descobrem que Phoebe e Rachel saem e decidem entrar na brincadeira, com Chandler a corresponder aos avanços de Phoebe, a ver se ela se descose. Mais uma vez, há um crescendo no efeito cómico, sobretudo quando os dois se encontram para uma suposta noite de paixão. Vê-se que Phoebe e Chandler estão claramente a forçar algo que não querem que aconteça, ficando cada vez mais aflitos ao verem que o outro não cede. Acaba por ser Chandler a render-se e fá-lo declarando o seu amor por Monica, sendo esta a primeira vez que o faz com todas as letras

 

 

Pelo meio, Ross tenta ficar com o apartamento do Ugly Naked Guy/Feioso Nu (a identidade do actor que o representou só foi revelada há bem pouco tempo), acabando por se ver obrigado a despir-se também, para cativar o dono do apartamento. No encerramento do episódio, descobre acerca do romance entre a sua irmã e o seu melhor amigo e... não reage muito bem. 

 

               1The One With the Birth

 

É muito raro as pessoas falarem deste episódio e eu compreendo porquê: é da primeira temporada, altura em que a série ainda estava a procurar a sua identidade. No entanto, é o que considero mais engraçado, na globalidade. Carol, a ex-mulher de Ross, prepara-se para dar à luz o filho deles, numa altura em que já vivia com a sua companheira, Susan. O grupo vai todo para a maternidade dar apoio ao trio parental. Existem várias situações que continuam a fazer-me rir ainda hoje: Joey dando apoio a uma grávida solteira, Monica suspirando por um bebé seu e Chandler tentando consolá-la (sabermos hoje que eles, no fim, adotam gémeos juntos dá ainda mais graça à situação), o obstetra de Carol mais interessado em namoriscar com Rachel do que em ajudar a parturiente; Ross e Susan mais interessandos em implicar um com o outro do que em ajudar a parturiente e, é claro, quando Ross, Susan e Phoebe se trancam acidentalmente uma despensa (destaque para Their Bodies, que já referi antes). O episódio acaba de forma fofinha, com a apresentação de Ben.

 

6) Que episódio te fez chorar?

 

Não me fez chorar, mas partiu-me o coração: The One With the Morning After, em que Ross e Rachel acabam a relação.

 

 

7) Qual é o casal de que mais gostas?

 

O casal Monica e Chandler. Toda a gente sabe que a relação deles começou quase que por acidente e, se calhar, nem todos esperavam que resultasse a longo prazo. Consta que os próprios guionistas estavam incertos quando juntaram as personagens, foram desenvolvendo o romance recém-nascido com muito cuidado, a ver como este se traduzia no ecrã, se os atores conseguiam vendê-lo. 

 

Felizmente conseguiram. Não digo que Monica e Chandler fossem perfeitos um para o outro, mas tornaram-se perfeitos um para o outro. Tanto Monica como Chandler tinham alguns problemas de auto-estima devido à educação que tiveram. Monica tinha peso a mais enquanto criança e adolescente e os pais favoreciam descaradamente o irmão. Isto tornou-a insegura, demasiado perfeccionista e competitiva, obcecada por controlo. Os pais de Chandler tiveram um divórcio feio, não pouparam o filho aos detalhes mais sórdidos da separação. Isto tornou-o igualmente inseguro, sarcástico, recorrendo ao humor como mecanismo de defesa, com medo de compromissos. Tanto Chandler como Monica, em graus diferentes, tiveram de confrontar as suas próprias inseguranças, de se esforçar para que a sua relação resultasse. Eles, aliás, tornaram-se pessoas melhores, de uma maneira ou de outra, graças um ao outro - quando chegaram a um meio termo sobre quanto gastariam com o seu casamento, quando Monica ajudou Chandler a fazer as pazes com o seu pai, quando Chandler disse que gostava das neuroses de Monica pois era bom a apaziguá-las. E não se pode dizer que o romance não tenha passado por obstáculos, pois Chandler teve, a certa altura, de trabalhar noutra zona do país e, mais tarde, os dois descobriram que não podiam ter filhos biológicos. Tudo isto faz deles um casal realista e saudável, a que todos deviam aspirar - ao contrário do casal Ross e Rachel, como veremos adiante.

 

  

8) Uma frase para cada personagem.

 

Rachel: "No uterus, no opinion" (A vontade de eu tenho de dizer esta ao meu pai quando ele diz que eu tomo ibuprofenos a mais naquela altura do mês...)

 

Monica: "Fine, judge all you want to, but... [aponta para Ross] Married a lesbian; [aponta para Rachel] Left a man at the altar; [aponta para Phoebe] Fell in love with a gay ice dancer; [aponta para Joey] Threw a girl's wooden leg in the fire; [aponta para Chandler] Livin' in a box!"

 

Phoebe: "I have to go before I put your head through a wall" 

 

Chandler: "There are like thousands of women out there who are just waiting to screw me over"

 

Joey: "Va fa Napoli!"

 

Ross: "When were you... under me?"

 

9) Qual é a aparição mais engraçada da Janice?

 

 

Não é preciso dizer mais nada.

 

10) Qual é o teu momento Regina Philange preferido?

 

Nunca fui assim grande fã dessa piada recorrente. Vou escolher a altura, depois da memorável troca de nomes no segundo casamento de Ross, em que ela fingiu ser a médica dele e que a troca de nomes se devia a uma doença.

 

 

11) Quem tinha razão: Ross ou Rachel?

 

Peço desculpa, mas eu estou do lado de Rachel. Se eles estavam em pausa ou a dar um tempo ou qualquer seja a vossa tradução para "We were on a break!!" é uma questão burocrática, é irrelevante. Enrolar-se com outra pessoa após uma discussão não abona a favor do carácter de ninguém. Quem garantiria a Rachel que Ross não voltaria a fazer o mesmo numa futura discussão?

 

Devo até dizer que não sou fã de Ross e Rachel como casal. Ao contrário do que acontece com Monica e Chandler, a relação não é das mais saudáveis. Para começar, não gostei de algumas das coisas que Ross fez a Rachel. Do ponto de vista feminista, não posso ignorar que ele se sentiu ameaçado quando Rachel conseguiu o emprego dos seus sonhos, quer por o ter conseguido graças à ajuda de outro homem, quer por Rachel possuir agora um aspeto na sua vida que não incluía Ross. A isto junta-se, entre outras coisas, o episódio da lista dos defeitos, a maneira como a rebaixou quando ela perdeu Marcel, o macaco, a ocasião em que ele interrompeu uma conversa dela com um homem em quem ela estava interessado (insinuando, ainda por cima, que ela era uma prostituta, como se não bastasse!), quando os dois se casaram em Las Vegas mentiu-lhe sobre o processo de anulamento, intercetou recados de outros homens que ela conhecera, subornou o antigo patrão de Rachel a ver se a impedia de ir para Paris - estes últimos actos provam que ele tem uma faceta ciumenta, insegura e algo manipuladora. Não que isso não seja compreensível, tendo em conta a maneira como o primeiro casamento dele terminou, mas a série não chegou a mostrar que ele ultrapassara esses problemas antes de voltar a juntar o casal.

 

Não que Rachel fosse uma santinha, pelo contrário. Entre outras coisas, ela tratou mal Julie e Bonnie, enquanto estas namoravam com Ross; quando os dois pensaram em reconciliar-se, em vez de falar diretamente com Ross, achou melhor ideia escrever uma carta exigindo que Ross assumisse a responsabilidade por inteiro pela anterior separação (também acho que a culpa foi sobretudo de Ross pela traição, mas os problemas deles já vinham de trás); foi até Londres só para tentar impedir o casamento de Ross com Emily - conforme foi assinalado, uma decisão egoísta, mas que felizmente não foi levada até ao fim. Em todo o caso, ao contrário de Monica e Chandler, que no fim resolviam sempre os seus problemas como adultos, Ross e Rachel raramente o faziam - não admira que tenham demorado seis ou sete temporadas a reatar. E, tal como assinalei antes, nada dá a entender que esses problemas tenham sido resolvidos no fim - fica, aliás, um amargo de boca por a série ter acabado com Rachel abdicando de um emprego fabuloso para ficar com Ross. Eles acabam juntos, mas, a menos que eles, a certa altura, recorram a um terapeuta de casais, a relação não deverá durar muito.

 

 

Está feito. Como o costume, se depois quiserem responder a esta TAG, deixem o link com as respostas nos comentários.

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quinta temporada, primeira parte

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Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o meio da quinta temporada.

 

A premissa da primeira metade da quinta temporada de Once Upon a Time era promissora: Emma Swan, a protagonista, o produto do verdadeiro amor, a Salvadora, a encarnação da luz, da esperança, de tudo o que é heróico... transformar-se ia no Dark One, o representante da Escuridão e de tudo o que é vilanesco. Não acredito que existisse um único fã que não estivesse nem um bocadinho entusiasmado. Eu, em particular, conforme escrevera antes, sentia-me ansiosa pelo desenvolvimento de Emma, que nem sempre fora o mais adequado nas primeiras temporadas, na minha opinião. Todo o marketing desta meia temporada centrou-se nisso.

 

No entanto, esta premissa apresentava um problema: contrariamente ao que alguns materiais promocionais davam a entender, incluindo este vídeo feito de propósito para a Comic Con do ano passado, transformarem Emma numa supervilã iria contra tudo o que havia sido estabelecido antes, tanto sobre o Dark One em si como sobre a personagem. Já na quarta temporada tinham tentado vender Emma como vilã, mas a única ação vilanesca que ela fez foi matar uma sociopata que ameaçava assassinar-lhe o filho. De igual modo, Emma torna-se na Dark Swan enquanto salvava a vida a Rumple (não que ele o merecesse, conforme veremos adiante) e para impedir que a essência do Dark One tomasse Regina. A única maneira de Emma se tornar naquilo que mostraram no vídeo da Comic Con seria se a essência do Dark One lhe mudasse a personalidade por completo - e, pelo que tínhamos visto de Rumple, já se sabia que não funcionava assim.

 

Na minha opinião, os guionistas tomaram a decisão correta ao respeitarem a evolução da personagem. Fizeram, até, questão de mostrar que Emma tinha uma capacidade de resistência invulgar aos efeitos da Escuridão - ainda que soubéssemos, desde a cena final do primeiro episódio, que a certa altura ela tornar-se-ia a sério na Dark Swan. Em toda a jornada de Emma como Dark One, a sua pior ação foi manipular a apaixonada do filho para que esta o rejeitasse - algo que, mesmo assim, chocou muita gente. No final, acabamos por descobrir que as intenções de Emma foram sempre boas, que, mais uma vez, o único motivo pelo qual cedera à Escuridão fora para salvar uma vida. Como disse antes, este arco foi mais ou menos coerente - mas fica aquele vazio por não termos visto Emma como vilã a sério.

 

 

 

Dizia eu que, logo no final do primeiro episódio da temporada, descobrimos que, seis semanas depois do elenco principal ter partido para Camelot, Emma está em modo cem por cento Dark One. Ela e o resto do elenco regressam a Storybrooke via mais uma Maldição e ninguém, tirando Emma, se recorda do que aconteceu em Camelot. Como poderão ver no vídeo acima, a cena em que descobrimos isto está excelente, mostrando a Dark Swan com todo o seu aterrorizante esplendor (a sério, eu estive perto de gritar pela minha mãezinha quando ela toca no rosto de Snow). 

 

No entanto, ninguém achou muita piada a mais um caso de Maldição com perda de memória em Once Upon a Time. Por está altura, a ideia que fica é que está é a única maneira que os guionistas possuem de criar tensão. Está na altura de arranjarem truques novos.

 

Depois deste episódio, a narrativa vai alternando entre o que se passa em Storybrooke e flashbacks do que aconteceu em Camelot. Durante muito tempo não sabemos ao certo o que aconteceu a Emma para ela ter dado o passo final em direção à Escuridão e as suas atitudes em Storybrooke, pelo menos a mim, confundiram. Ela nunca age em conformidade com as ameaças que fez no fim do primeiro episódio. Tão depressa ela tenta aproximar-se de Henry e Hook  como trata Regina com frieza. Devo inclusivamente dizer que Snow e Charming me desiludiram por, ao contrário dos outros entes queridos de Emma, não terem tentado falar com a filha, apelando ao seu lado heróico. Não sabemos se Emma está a tentar livrar-se da Luz ou da Escuridão e isso, a partir de certa altura, começa a cansar.

 

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Não que não tenha acontecido nada de interessante pelo meio, ainda que, demasiadas vezes, as linhas narrativas paralelas desta meia temporada tivessem atrapalhado a história em vez de enriquecê-la. Como tinha escrito antes, tinha grandes expectativas para a abordagem que Once Upon a Time faria à mitologia do rei Artur e de Camelot. Não desgostei das premissas que estabeleceram. Achei que aspetos como Arthur como o Escolhido de Merlin e o romance entre Guinevere e Lancelot foram demasiado cliché. Por outro lado, achei interessante o facto de a grandiosidade de Camelot ser uma farsa, bem como o facto de Arthur não olhar a meios para manter essa falsa grandiosidade - passando por assassinar um fiel súbdito e escravizar emocionalmente a esposa. Esta história sempre rendeu o melhor momento de Snow e Charming em demasiado tempo, quando os dois conspiraram contra Arthur em "The Broken Kingdom". No entanto, depois disso, pouca evolução houve nesta linha narrativa após esse episódio, ficando tudo por resolver. Para ser sincera, acho que ninguém se ralou particularmente com isso. A partir de certa altura, Arthur passou de um vilão intrigante a apenas irritante e, de qualquer forma, estávamos todos muito mais interessados na história principal da temporada.

 

Gostei da versão Once Upon a Time de Merlin, mas, para alguém que foi pintado como o maior Feiticeiro de todos os tempos e dimensões, aquele que profetizara tanto a Maldição, a Salvadora e a sua suposta némesis, aquele que escolhia os Autores, cujo Chapéu poderia albergar inúmeras criaturas mágicas e libertar os Dark One da adaga... e acabámos por não ver muito do seu poder. Zelena e Arthur, por exemplo, colocaram-no sobre o controlo de Excalibur com espantosa facilidade. Merlin só poderia ser derrotado por um Dark One e, conforme veremos adiante, Dark Ones não faltaram nesta meia temporada, logo, o grande Feiticeiro acabou por não ter muito tempo para exibir os seus poderes. O que é uma pena.

 

Também tinha grandes expectativas relativamente a Nimue desde que soube que ela apareceria em Once. Para aqueles que não conhecem, na mitologia de Camelot, Nimue foi uma donzela enviada pela Dama do Lago para seduzir Merlin e encerrá-lo no tronco de um carvalho. N'As Brumas de Avalon, Nimue chega a apaixonar-se por Merlin enquanto o seduz e, depois de o entregar à Dama do Lago, ela suicida-se. Logo, quando se descobriu, no início da temporada, que Merlin estava preso dentro de uma árvore, pensou-se logo em Nimue. Mais tarde na temporada, descobrimos que, em Once Upon a Time, foi o Dark One original quem aprisionou Merlin na árvore. Somando dois e dois, não foi grande surpresa descobrir que esse primeiro Dark One era Nimue, que também fora a amada de Merlin. Visto que, de certa forma, todos os Dark One vivem no Dark One corrente, é o coração de Merlin que ativa a Maldição.

 

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Vocês poderão assumir que foi Emma quem lançou a Maldição. Eu digo para continuarem a ler...

 

Para além da mitologia de Camelot, nesta meia temporada tivemos também o elenco do filme Brave. Nunca vi o filme - pelo que li em críticas não é brilhante - mas tenho uma ideia vaga da história. Amy Manson fez um ótimo trabalho dando vida a Merida e o seu arco rendeu bons momentos. No entanto, apesar das boas intenções, a história de Merida acabou por interferir com a trama principal - o exemplo mais flagrante foi o episódio The Bear King, exibido em segundo lugar, na mesma noite em que foi revelado o twist da meia temporada. Depois disso, ninguém queria saber das desventuras de Merida, nem mesmo com os regressos de Ruby e Mulan.

 

Uma nota rápida, igualmente, para Zelena. Já na última temporada me tinha queixado que, ainda que desse gosto ver Rebeca Mader divertindo-se com este papel, os guionistas não lhe deram uma história decente. Isso tem continuado nesta temporada. Nesta altura é óbvio para toda a gente que os guionistas adoram o bruxa verde, mas não sabem o que fazer com ela. Pouco mais foi que um plot device para quando a história precisava de complicações. Quando, depois de a filha dela e de Robin nascer (Emma acelerou-lhe a gravidez... eu explico mais adiante), parecia haver alguma evolução na história de Zelena - quando Regina e Robin procuram um compromisso para Zelena pudesse estar na vida da filha - no episódio segunte, Regina entrou em modo YOLO (compreensível perante as circunstâncias) e despacha a irmã para Oz. Suspeito que seja só uma maneira de se livrarem de Zelena por alguns episódios - sim, os guionistas já confirmaram que Zelena regressará, mais cedo ou mais tarde.

 

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O romance entre Emma e Hook continua a ser um dos pontos fortes em Once Upon a Time, recebendo ainda mais protagonismo que anteriormente. Em Camelot, vemos uma Emma cada vez mais aberta para Hook. O amor do atraente pirata é o que mais ajuda Emma a manter a essência do Dark One sobre controlo. Há que notar que o pior ato de Emma em Camelot - quando obrigou a apaixonada de Henry a rejeitá-lo - ocorreu quando Hook está convenientemente desaparecido da ação. Depois de tanto tempo fechando-se ao romance, soube bem ver Emma feliz, ainda que por breves momentos. É claro que não seria Emma sem as suas ocasionais inseguranças. Quase como se os guionistas tivessem lido as minhas críticas na última análise a OUaT, gostei da cena em que Emma admite que faz batota com os "Amo-te".

 

De uma maneira paradoxal, aquilo que permitiu a Emma controlar a essência do Dark One durante tanto tempo acabou por ser crucial para que ela desse o passo decisivo em direção à Escuridão. Hook é ferido mortalmente e a única maneira que Emma arranja de salvá-lo é... transformá-lo num segundo Dark One. Todas as temporadas, Once faz pelo menos uma surpresa deste género (a paternidade de Henry na segunda, a paternidade de Rumple e a Maldição lançada por Snow na terceira, o regresso de Zelena na quarta) e, tal como nas anteriores (com uma ou outra exeção), ninguém as previu.

 

O problema é que Hook possui um longo historial como vilão, logo, apresentou fraca capacidade de resistência à essência do Dark One. Dizer que ele ficou muito desagradável é um eufemismo. A primeira coisa que faz enquanto Dark One é usar o coração de Merlin para lançar a Maldição de que falámos anteriormente. Tudo o que Emma consegue fazer é remover as memórias de toda a gente, Hook incluído. Quando regressam a Storybrooke, Emma veste a pele de supervilã para manter toda a gente à distância enquanto procura uma maneira de eliminar a essência do Dark One de si e de Hook.

 

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Que uma pessoa possa ser um Dark One sem ter noção disso é questionável, sobretudo depois de eles terem revelado que estes não dormem. Hook não estranhou esse facto? No entanto, não se pode censurar Emma tendo em conta o que Hook fez depois de descobrir a verdade. O plano de Emma não era mau: aproveitar-se do coração em branco de Rumple, transformá-lo num herói, fazê-lo retirar Excalibur da pedra, usar a espada para transferir toda a Escuridão para um recipiente humano - Zelena - e matá-lo, eliminando  Dark One para sempre. A moralidade de matar Zelena seria questionável mas, na prática, ninguém se queixaria por não ter de lidar com a Verdocas - sobretudo depois de ter tido a bebé. Emma acelerou-lhe a gravidez precisamente para não ter de matar a criança. Mas Hook sendo Hook não podia deixar Emma em paz, sobretudo depois de ela, aparentemente, lhe ter salvo a vida. Acabou por descobrir mais do que queria.

 

A partir daí foi a Lei de Murphy. Custou-me em particular a maneira como Hook tratou Emma, atirando-lhe à cara todas as inseguranças que ele lhe ajudara a ultrapassar - a sério, quando Hook jogou a cartada da orfã, eu ter-lhe-ia dado um estalo. Eventualmente, o Captain Dark One abre as portas do Submundo, trazendo todos os Dark One que alguma vez existiram para Storybrooke. Estes, por sua vez, marcam todo (ou quase todo) o elenco principal para que este tome o lugar deles no Submundo. 

 

Como seria mais ou menos de esperar, à última hora Hook muda de ideias e dá a vida para travar os Dark One e destruir a sua essência. Não é totalmente bem sucedido, pois Rumple arranja uma maneira de transferir a Escuridão para si, tornando-se de novo no Dark One. Agora, na segunda metade da temporada, Emma e o resto do elenco principal vai até ao Submundo nuna tentativa de ressuscitar Hook.

 

 

Foi a primeira vez que um final de meia temporada em Once Upon a Time me desiludiu em vários aspetos. Em primeiro lugar, pelo menos um mês antes já se dizia que Hook iria morrer e Emma iria buscá-lo ao Submundo. A grande virtude de OUaT tem sido a sua imprevisibilidade: ninguém estava à espera que a Bruxa Má do Oeste aparecesse em Storybrooke a meio da terceira temporada, que a Elsa de Frozen, por sua vez, aparecesse depois (pelo menos não tão cedo), que Emma se tornasse no Dark One no final da quarta. OK, já se sabia que as Queens of Darkness viriam aí para a segunda metade da quarta temporada ainda o arco de Frozen não estava encerrado, mas isso é um spoiler mais aceitável que a morte de uma personagem importante. Não digo que a culpa seja diretamente dos guionistas, são sinais dos tempos e tal, mas a equipa da série devia ter mais cuidado com as informações e fotografias das filmagens que deixam chegar à Internet.

 

Por sua vez, quando se descobriu que Rumple era de novo o Dark One, fiquei com vontade de dar um berro. Em primeiro lugar, veio contra aquele que fora o arco de Rumple esta temporada: em que este foi obrigado a transformar-se num herói, chegando a ter uma oportunidade de matar o velho inimigo Hook e opta por poupar-lhe a vida. Já não é a primeira vez que isto acontece, já no ano passado Rumple falava em ser uma pessoa melhor em nome da memória do filho, blá blá blá, para à primeira oportunidade optar pela atitude vilanesca. Andamos em círculos constantes com Rumple desde o início, já não é um plot twist, é cansativo e irritante. O que mais indigna nisto tudo é que toda a história desta meia temporada - Emma como Dark One e tudo o que daí derivou - só aconteceu quando o elenco tentava salvar a vida a Rumple - algo que ele nem sequer merecia, pois acabara de colaborar com o Autor nos eventos do episódio Operation Mongoose. Bela maneira de agradecer, Mr. Gold, deixando Hook morrer em vão!

 

 

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No meio disto tudo, Belle continuará a ser a parva nesta história toda. Já não sinto pena nenhuma da rapariga. Nesta altura, ela já devia saber com o que está a lidar. Teve inúmeras oportunidades de ser afastar de tudo isto, incluindo uma que o próprio Rumple lhe ofereceu. Sei que a atriz que faz de Belle, Emilie de Ravin, está grávida e é possível que incluam a gravidez na história. No entanto, para ser sincera, já não tenho paciência nem para Belle nem para Rumple.

 

Agora que já deitei cá para fora aquilo que me fazia comichão neste final, falemos das coisas boas. Ainda que tenha sido capaz de prevê-lo, este final foi executado de forma soberba por parte dos atores. Eu tinha escrito antes que o arco de Dark Swan tinha potencial para mostrar-nos lados diferentes da habitualmente controlada Emma Swan e não me enganei. Jennifer Morrison teve, desde o primeiro episódio, inúmeras oportunidades para exibir o seu talento. No entanto, eu não esperava que Colin O'Donoghue fosse capaz de competir com ela, ao explorar o seu Dark Hook: ora mostrando quase embriagado com a essência do Dark Oneimitando os maneirismos de Rumple (podia vê-lo fazendo isto durante horas...), controlando a sua fúria perante Emma. Os desempenhos de ambos os atores culminaram, no entanto, com a cena do sacrifício de Hook que, embora esperada, doeu. E muito. Bem como o momento em que o corpo de Hook é levado e Emma chora nos braços dos pais. 

 

 

 

A decisão de Emma de ir resgatar Hook da própria morte é controversa. Por um lado, ressuscitar os mortos não é saudável. Emma já causou muitos problemas tentando impedir Hook de morrer. Será boa ideia fazer o mesmo de novo? Também já me ocorreu a hipótese de Hook, pura e simplesmente, não querer regressar à vida. 

 

Por outro lado, isto é um passo que faz sentido na evolução emocional de Emma. Ela deixou-se apaixonar por Hook porque este foi o único que nunca a magoou - tirando quando estava em modo Dark One e, mesmo assim, redimiu-se a tempo - e que fez tudo por ela. Abdicou do seu navio por ela, cruzou mundos por ela, viajou no tempo por ela, foi dos que mais lutou por ela em Camelot. Estava na altura que Emma fazer o mesmo por ele. De notar ainda que ela, enquanto embarca para o Submundo, diz o lema dos pais: "I will always find you"

 

Agora vem aí o Submundo. Pelo que os guionistas revelaram, não será propriamente o Inferno e sim uma espécie de Purgatório: uma dimensão/realidade onde permanecem os mortos que ainda tenham assuntos pendentes. Sabemos já que o Submundo tomará a forma de uma Storybrooke distorcida, algo que considero, em simultâneo, fascinante e sinistro. Dá também uma desculpa a série trazer de volta para o seu centésimo episódio - o primeiro da próxima meia temporada - personagens como Cora, Peter Pan, Henry Sénior, entre outras. Consta, até, que o salvamento de Hook será apenas o começo, que o Submundo trará consigo uma infinidade de histórias. Pelo que os guionistas têm referido, o elenco principal será literalmente assombrado pelo seu passado. Faz-me lembrar o que disseram sobre a Terra do Nunca, onde, não existindo futuro, o passado é tudo o que os seus habitantes possuem. Não é, de resto, por acaso que há quem compare a Terra do Nunca e a juventude eterna de Peter Pan e os Meninos Perdidos à própria morte. 

 

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Não nego que estou curiosa. Não se sabe muito mais ainda sobre a próxima meia temporada, é provável que saia mais informação até lá. No entanto, depois de a primeira metade desta temporada ter sido prejudicada por overhype e sobretudo spoilers, prefiro assim. 

 

Antes das alegações finais, quero apenas referir umas quantas pontas por atar. O aviso críptico de Merlin, referindo Nimue como a única pessoa que poderia ajudar o elenco principal a derrotar a Escuridão não faz sentido nenhum - a própria Nimue foi crucial para a Maldição e liderou os Dark One ressuscitados. Também não se percebe porque Lancelot não foi levado pela Maldição quando Merida o foi e, já agora... a mãe dele não ficara de ajudar? Algum dia conheceremos a misteriosa Dama do Lago? 

 

Tenho vindo a compreender que, ainda que goste dos mistérios e perguntas por responder que Once vai introduzindo, o mais certo é uma boa parte desses nunca serem devidamente esclarecidos. A força da série reside na evolução das personagens, nas relações entre elas, nas prestações dos atores - Once Upon a Time tem um elenco muito subvalorizado. Há personagens de quem gosto mais do que outras - Charming continua uma seca, Rumple irrita-me, apenas vejo Belle como uma vítima de Síndrome de Estocolmo. Por sua vez, relações como as de Henry com cada uma das suas mães, a amizade entre Emma e Regina, o amor entre Emma e os país (ainda hoje me comovo de cada vez que Emma trata Snow e Charming por "Mom" e "Dad") continuam entre os grandes atractivos da história, mais do que os romances por vezes. É a história deles que me vai mantendo interessada em Once, numa altura em que outras séries que  acompanho me aborrecem como nunca.

 

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As dúvidas que tinha no final da quarta temporada mantém-se - depois de terem tornado a heroína na maior vilã, para o nível continuar a subir, os guionistas tiveram de mandar a história para o Inferno, quase literalmente. O que me faz perguntar, novamente, até quando Once Upon a Time durará. Um dos patrões da ABC disse há pouco tempo que a série tem "um futuro longo e brilhante", que as histórias de Once Upon a Time os entusiasmam, mesmo não sendo brilhante em termos de audiências. Isto, em princípio, pode significar uma renovação para uma sexta temporada mas, para além disso, eu não faço apostas. Em todo o caso, quando a altura chegar, vai custar despedir-me de Storybrooke e, sobretudo, dos seus habitantes.

Desilusão em dose tripla (ou Séries 2014/2015)

Alerta Spoiler: Este texto pode conter revelações do enredo das séries abordadas. Logo, se estiverem a pensar ver uma delas, ou se ainda não têm os episódios em dia, sintam-se à vontade para saltar a respetiva análise.

 

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Arrow começou mal logo no primeiro episódio, na minha opinião, ao matar Sara. Esta era uma das minhas personagens preferidas, mas pelos vistos não dos guionistas - estava na cara que só a mataram para abrir caminho para que Laurel tomasse o seu lugar como Black Canary. 

 

Isto, na verdade, foi apenas o início de uma temporada muito confusa, sobretudo na segunda metade. A conspiração que envolveu a morte de Sara foi apenas uma parte do problema. Toda a minha narrativa relacionada com a Liga dos Assassinos e Ra's Al Ghul - que, segundo o que li na Internet, chegou a ser um copy-paste de Batman em certos momentos - podia ter resultado em algo fantástico, capaz de mudar as premissas da série, mas acabou por ser muito mal exectuado. Mesmo assim, o pior foi Olicity.

 

Durante as duas primeiras temporadas, Felicity Smoak era uma das melhores personagens de Arrow, uma fonte de luz e divertimento, numa série algo sombria em certas alturas e num protagonista que, por vezes, se leva demasiado a sério. Tinha também uma ótima química com Oliver. Como costuma acontecer nestas situações, uma boa parte dos fãs começou a fantasiar com um romance entre os dois - por outras palavras, surgiram shippers.

 

Nunca achei muita piada a shippers, embora, como escritora, reconheça o apelo das fan fictions: pegarmos em personagens alheias e inventarmos nós mesmos histórias para elas. Olicity é apenas um exemplo entre muitos. Os guionistas oficiais de Arrow é que cometeram a asneira de tentar agradar aos fãs, com resultados desastrosos. 

 

Não tenho nada contra o casal Felicity e Oliver por si mesmo, mas critico a maneira como o trabalharam. Deram-lhe demasiado protagonismo e melodrama, sobretudo na segunda metade da temporada. A Felicity desajeitada e divertida foi substituída, quase na sua totalidade, por uma choramingas estilo Laurel no ano anterior. Todo aquele drama de não-quero-andar-contigo-porque-te-coloco-em-perigo, para além de ser batidíssimo, não faz sentido pois Felicity já corre perigo de qualquer forma sendo o cérebro da Team Arrow. O triângulo amoroso com Ray Palmer também foi desnecessário. Chegaram ao cúmulo de colocar Ra's Al Ghul, o vilão da temporada, dando conselhos amorosos ao casalinho (WTF?!?!).

 

Tudo poderia ter sido evitado se o relacionamento tivesse tido um papel mais secundário. Se tivessem mantido a antiga dinâmica, acrescentando apenas alguns beijinhos. A esperança que tenho para a quarta temporada é de que o drama tenha acabado e que a relação perca os contornos de novela mexicana. Só com isso a série melhoraria imenso.

 

Para ser justa, vou falar das coisas boas da temporada. Apesar da morte de Sara e da maneira como lidaram com essa morte, gostei do seu crescimento até se tornar a Black Canary, redimindo-a de dois anos como uma das personagens menos interessantes. Também Thea melhorou consideravelmente aos meus olhos, este ano. A jovem teve muito com que lidar, com um pai biológico manipulador e tudo o que aconteceu com o irmão, revelando uma maturidade que não lhe conhecíamos antes. A partir do momento em que ficou por dentro do segredo de Oliver, foi recompensador testemunhar uma nova cumplicidade entre os dois irmãos. É aliás curioso que as personagens menos conseguidas das primeiras duas temporadas estejam, agora, entre as melhores enquanto Felicity, antigamente a mais popular, se tenha tornado a pior...

 

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Apesar de não sentir particular anseio pelo recomeço de Arrow, sinto alguma curiosidade relativamente ao seu spin-off, Legends of Tomorrow. Principalmente por causa de Sara, que ressuscitará através do Poço de Lázaro (embora não perceba muito bem nem como nem porquê), e se juntará ao elenco. 

 

Por outro lado, consta que a primeira temporada de Flash foi boa, a minha irmã, pelo menos, gostou. Ainda não tive vontade de vê-la mas talvez experimente, um dia destes...

 

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Depois de uma quinta temporada interessante, em que muita coisa mudou para a eterna Good Wife, nesta sexta temporada foi tudo por água abaixo. O motivo é muito simples: tomaram uma decisão que não coadunava com a personalidade ao colocarem-na concorrendo para Procuradora Geral/State's Attourney. Alicia não tem nem nunca teve perfil para a política. Para os bastidores, talvez. Para se aproveitar da influência do marido, talvez. Como protagonista, nunca.

 

A campanha para State's Attourney durou a temporada quase toda, teve momentos medíocres, fez com que Alicia se afastasse da firma que fundara com tanto sangue, suor e lágrimas, e dos respetivos sócios. Destaco Cary, que ainda por cima esteve à beira de ser preso. A firma, de resto, acabou por perder o seu propósito ao acolher quase todos os que traballhavam na antiga Lockhart & Gardener's. Ou seja, a quinta temporada acabou por não servir para nada.

 

Mesmo assim, esforcei-me por tolerar a campanha pois, ainda que não gostasse do caminho, gostaria de ver Alicia como State's Attourney, possivelmente enfrentando antigos colegas e/ou clientes em tribunal. Mas até isso nos foi roubado e da maneira mais estúpida possível. Alicia foi eleita, mas foi expulsa do cargo uns meros dois ou três episódios mais tarde por fraude eleitoral, fazendo com que a campanha e tudo o que implicou tenham servido exatamente para nada. 

 

Como se isso não chegasse para arruinar a série, nesta temporada despedimo-nos de Kalinda - desde o início uma das personagens mais populares - com muita polémica. Isto porque alguém se lembrou de fazer contas, chegando à conclusão que Alicia e Kalinda (outrora grandes amigas) não partilhavam uma cena desde meados da quarta temporada. Acabou por se descobrir que as respetivas atrizes não gostavam uma da outra e, aparentemente, não aguentavam estar na mesma divisão o tempo suficiente para filmarem uma cena juntas. De todas as vezes que apareciam juntas no ecrã neste último ano foi através de montagens. A Internet andou obcecada com esta suposta quezília, sobretudo aquando da despedida inglória de Kalinda. Eu apenas acho triste e pouco dignificante para atrizes tão talentosas e um golpe à credibilidade de que The Good Wife não precisava.

 

Com tudo isto, não anseio particularmente o regresso da série. Tenho alguma esperança numa recuperação de qualidade, uma vez que na próxima temporada Alicia focar-se-á na advocacia, que é o seu verdadeiro elemento. A possível parceria com Louis Canning, além do mais, tem o seu potencial. Mesmo assim, acho que The Good Wife já deu o que tinha a dar (e não foi pouco, atenção!). Espero que esta seja a última temporada.

 

 

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A série Anatomia de Grey é como se fosse um mau namorado. Andamos há muitos anos, como se diz em inglês, on and off. Nunca me satisfez por completo, fartei-me muitas vezes, termino o relacionamento, digo a mim mesma e aqui no blogue que é desta. Contudo, nunca consigo afastar-me permanentemente, acabo por voltar e, de cada vez que o faço, mais cedo ou mais tarde, arrependo-me.

 

No entanto, nunca me arrependi tanto como nesta temporada. Tinha voltado a ver a série há cerca de um ano na desportiva - depois de um par de anos criticando séries no meu blogue, é-me muito difícil ver séries como Once Upon a Time sem estar em modo analítico, o que estraga o prazer de ver um episódio novo. Como não me ralaria por aí além com Anatomia de Grey, podia ver só por ver.

 

E até estava a gostar. Simpatizei com a irmã perdida de Meredith, apesar de enfiada a martelo e de não roçar os calcanhares de Lexie - estou convencida que isso aconteceu porque a apresentação dela coincidiu com o meu estágio em Évora; tal como Maggie Pierce, também me sentia meio perdida numa terra estranha. Gostei imenso da história de Nicole Herman e, em paralelo, de Amelia Shepherd - o episódio da operação para remover o tumor é o meu preferido da temporada.

 

O casal MerDer é que esteve num impasse durante quase toda a temporada por causa de uma oferta de emprego que afastaria Derek de Seattle e da família - já que Meredith recusava-se a abdicar do seu emprego e a sair da cidade. Shonda Rhimes, usando uma expressão inglesa, wrote herself into a corner. Por outras palavras, meteu-se numa situação em que Derek não teria outro remédio senão deixar Meredith e os filhos. Eu, pessoalmente, não teria grandes problemas com isso. Seria uma oportunidade de retratar uma separação civilizada, ensinando que o amor nem sempre dura até à morte, mas que o respeito e a amizade se podem manter. Mesmo que não se passasse assim, seria melhor que a opção tomada. No entanto, tal não era possível para Shonda. Derek era o McDreamy, o Príncipe Encantado! O McDreamy deixar a amada? Podia lá ser!

 

A solução? Matar McDreamy.

 

A série já teve inúmeras mortes de personagens importantes, mas está foi a pior de todas. O relacionamento de Derek com Meredith foi a raison d'être para o início de Anatomia de Grey. Mesmo não sendo as minhas personagens preferidas, sempre gostei da dinâmica do casal MerDer, sobretudo após o post-it. Um casal que ia tendo os seus problemas, mas conseguia aguentar-se - um bom exemplo numa altura em que os relacionamentos são tão efémeros. Apenas para acabar desta forma. Levaram anos e anos a fazer com que Meredith amadurecesse, perdesse o medo ao compromisso, de ser feliz. Para agora acontecer exatamente aquilo que ela temia.

 

O pior de tudo foi que a personagem - recordo: o segundo protagonista - nem sequer teve direito a uma despedida decente. Como poderão ler aqui, o episódio da morte está cheio de incoerências. Condensaram um ano inteiro num episódio duplo, pelo que o elenco fez o luto muito mais depressa do que a audiência. Fez o luto é como quem diz... Mostraram-nos dois ou três minutos do funeral de Derek. Não se faz nem uma referência à eventual presença de Addison (ex-mulher de Derek), Cristina (que quereria estar com a sua pessoa na pior altura da vida dela) ou mesmo à mãe e outras irmãs dele. O luto de Meredith (pelo menos o que nos mostram) limita-se a olhares inexpressivos à distância e a flashbacks (a audiência é capaz de ter chorado mais do que ela...). Mesmo outros elementos do elenco regular pouco aparecem enlutados - acho que houve mais comoção aquando da morte de George. A única que, para mim teve uma reação adequada foi a irmã de Derek, Amelia.

 

  

Resumindo e concluindo, estou ainda mais furiosa com Shonda Rhimes do que fiquei com os guionistas de How I Met Your Mother o que não é dizer pouco. Ela quis prolongar a série mais do que devia, teve de inventar problemas para o casal protagonista, criando um imbróglio que não conseguiu resolver de outra maneira.

 

Por outro lado, todas estas críticas que tenho feito ainda se vão virar contra mim, um dia, quando começar a cometer na minha escrita os erros que aponto a outros...

 

Eu podia dizer aqui que é desta que largo Anatomia de Grey definitivamente. Pelo menos é essa a minha intenção. No entanto, não seria a primeira vez que diria tal. No entanto, uma coisa é certa: nunca me importarei com esta série da maneira como me importo com outras - está visto que dará mau resultado.

 

Como poderão concluir, parto para esta nova temporada com pouco entusiasmo, excepto no que toca a Once Upon a Time: recomeça no domingo e eu mal posso esperar. Mantenho a esperança de que Arrow e The Good Wife se redimam. Contudo, está mais que provado que prognósticos, só no fim da temporada...

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quarta temporada, segunda parte

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Hoje analisamos, finalmente, a segunda parte da quarta temporada da série de fantasia Once Upon a Time. Podem ler a análise à primeira parte aqui.

 

Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o final da quarta temporada.

 

O principal tema desta meia temporada - que já fora insinuado na primeira metade - disse respeito às diferenças (ou não) entre Heróis e Vilões, entre o Bem e o Mal, sobretudo no que concerne ao acesso a finais felizes. A narrativa (re)começa com o regresso de Gold a Storybrooke (depois de Belle o ter expulso anteriormente), acompanhado pelas muito publicitadas Queens of Darkness/Rainhas do Mal. Este quarteto de vilões veio à procura dos seus próprios finais felizes, tencionando obtê-los através do Autor do livro de Henry (Autor esse que Regina procurava, igualmente). Para que o Autor pudesse escrever-lhes finais felizes, precisavam que Emma, a Salvadora, para o lado das trevas.

 

Estas premissas - as Rainhas do Mal, a possível Dark Saviour - foram muito publicitadas, mesmo antes de a série recomeçar, em inícios de março. Na minha opinião, este overhype prejudicou a percepção da narrativa. As Rainhas do Mal acabam por ter um papel muito secundário, defraudando-nos as expectativas. Em relação ao arco da Dark Saviour, até terminou com um excelente twist - mesmo assim, na minha opinião, podiam ter lidado com esta linha narrativa com mais subtileza; a certa altura, só faltava termos as personagens gritando: "Ai que a Emma vai ficar má! Ai que a Emma vai ficar má!"

 

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Já voltaremos à parte de vamos-encher-o-coração-da-Salvadora-com-vilania; antes disso, abordarei rapidamente as Rainhas do Mal. Ursula, que foi a primeira a ser "despachada" da narrativa, tinha uma história interessante. No entanto, não percebo o que ela fez para receber o título de vilã: não a vi tomar nenhuma ação que considere vilanesca, tirando a parte em que atira Hook para o mar - e, de qualquer forma, já antes era Team Villan.

 

Cruella é um caso completamente diferente. Pela primeira vez na série, em lugar de alguém que optou por maus caminhos após uma vitimização ou por um defeito exacerbado (irresponsabilidade, ciúme...), Cruella é uma autêntica sociopata, o que subverte o princípio de OUaT: "evil isn't born, it's made", mas, ao contrário de outras ocasiões nesta meia temporada, este aceita-se por ser realista. Só é pena que Cruella pouco mais tenha sido que uma marioneta de Gold - como vilã principal seria espetacular.

 

Por sua vez, Maleficient surgiu sob uma nova luz, à procura da filha perdida. Gostei de ver esse novo lado (o momento em que ela recupera a roca parte o coração a qualquer um), mas gostaria de ter visto mais do seu passado - sobretudo a típica história de como começou a praticar atos vilanescos.

 

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Se eu até gostei de Maleficient nesta meia temporada, o mesmo não posso dizer da sua filha, Lily. Nem da história que a envolve. Já tinha achado a personagem uma seca quando surgiu, assim do nada, a meio do arco de Frozen. Na altura, desvalorizei-a, tomei Lily como mais uma pessoa que enganara Emma quando esta era mais nova, explicando o motivo pelo qual, no início da série, não confiava em ninguém, etc, etc. Sendo isto Once Upon a Time, devia ter calculado que Lily iria aparecer de novo - ou melhor, até calculei, apenas não ansiava por esse regresso.

 

Essa linha narrativa foi o que menos gostei nesta temporada. Descobrimos que, durante a gestação de Emma, Snow e Charming assustaram-se ao descobrir que a sua criança tinha potencial tanto para a luz como para a escuridão (por outras palavras, seria humana). Pediram ajuda ao Aprendiz de Feiticeiro e este praticou um feitiço que transferiu o potencial lado negro de Emma para a filha de Maleficient que, no processo, foi parar ao Mundo Real.

 

Achei esta história uma estupidez completa. Para começar, foi claramente enfiada a martelo. Segundo, fez-me odiar o casal Snow e Charming pois o que fizeram (ou, pelo menos, o que queriam fazer), foi uma cobardia. Para além dos danos que causou a Lily, eles demitiram-se do seu papel como pais - em vez de procurarem educar a filha para que fosse uma boa pessoa, como desejavam, optaram por um atalho. Muitos consideraram exagerada a reação de Emma a esta descoberta, mas eu compreendi-a perfeitamente. Como reagiriam vocês se descobrissem que todas as vossas grandes decisões foram tomadas por forças superiores alheias, apenas porque os vossos papás não quiseram tentar, sequer, educar-vos?

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Faz-me lembrar uma citação do Ciclo da Herança: "Poderá uma pessoa ser verdadeiramente boa se nunca tiver oportunidade de agir mal?"

  

A parte mais estúpida desta história toda é que não se percebe que efeito o feitiço teve em Emma, isto se teve algum. Uma pessoa esperaria que, deste feitiço, resultasse uma autêntica princesa da Disney, de uma bondade sobrenatural. E a Emma Swan que conhecemos tem sido tudo menos isso. Têmo-la visto fazendo coisas que, não sendo propriamente vilanescas, não podem ser consideradas virtuosas. Ela e Neal deram uma de Bonnie e Clyde enquanto jovens; vimo-la mentir a Henry mais do que uma vez por motivos egoístas; várias vezes ao longo da série procurou fugir em vez de lutar... Nada disto encaixa na ideia (já de si utópica) de uma pessoa cem por cento boa. Pura e simplesmente não faz sentido. 

 

Por sua vez, Lily acaba por não ser assim tão diferente de Emma, tirando uma suposta tendência para tomar decisões erradas. Não fosse a história do feitiço, ela seria o género de pessoas irritantes que culpam entidades externas pelos próprios erros. Lily só (re)apareceu nos últimos episódios da temporada e a série quis desesperadamente dar-lhe protagonismo, obrigar-nos a importarmo-nos com ela - no entanto, a personagem não me convence. Até gostei da interação entre Lily e Maleficient, mas mais por causa da mãe do que da filha. Se querem integrar Lily no elenco central da série, vão ter de desenvolvê-la mais.

 

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Entretanto, no meio desta confusão, aquela que terá sido a segunda maior surpresa da temporada foi o regresso de Zelena. A bruxa verde esteve quase um ano escondida à vista desarmada, sob a forma de uma Marian vinda do passado para arruinar a vida amorosa de Regina (a verdadeira Marian terá sido assassinada por Zelena, depois de Emma e Hook a terem libertado durante a sua viagem no tempo). Aquando do regresso, eu fiquei satisfeita. Zelena pode não ser a vilã mais interessante da série, nem a melhor construída, mas é sem dúvida uma das mais carismáticas, apenas suplantada por Regina em completo modo Evil Queen. É evidente que Rebecca Mader, a atriz que lhe dá vida, se diverte à grande com este papel - vejam só o vídeo abaixo:

 

 

O pior foi que, pelo menos até agora, o regresso de Zelena só serviu para que esta engravidasse de Robin, complicando ainda mais a vida amorosa de Regina. Este percalço desagradou a muitos fãs e concordo que, numa série de magia e fantasia, um desenvolvimento de novela da TVI é, no mínimo, dececionante. Não dá para perceber se a criança fazia parte do plano da Zelena ou se foi um (in)feliz acaso. Se fazia parte do plano, trazer um ser humano ao mundo para apenas manter Regina e Robin separados parece-me fútil - plausível, mas fútil. Até porque não resultou. Talvez a criança obrigue Zelena a confrontar os seus problemas de abandono - aqueles que motivam o seu ódio a Regina. Talvez a criança sirva para uma redenção de Zelena a longo prazo. Por outro lado, já foi avançada outra maneira que Zelena poderá seguir de arruinar a vida a Regina... mas já aí vamos.

 

O triângulo Regina-Robin-Marian/Zelena nem sequer foi o mais enfadonho da meia temporada. Tal honra coube a Rumple-Belle-Will. O Valete de Copas continua perdido em Storybrooke, sem que ninguém saiba ao certo porque veio, o que anda por lá a fazer. Nesta meia temporada, apenas serviu como prémio de consolação de Belle. Infelizmente, tão cedo não deverá encontrar melhor utilidade em OUaT uma vez que o ator, na próxima temporada, perderá o estatuto de personagem regular. Enfim...

 

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Infelizmente, Will nem é o pior vértice deste triângulo. Depois de Belle ter conquistado o meu respeito expulsando Rumple de Storybrooke, foi triste vê-la sendo repetidamente manipulada pelo ex-marido. Este, por sua vez, nesta meia temporada, bateu no fundo. A meu ver, perdeu qualquer direito a redenção, só o reconquistaria após um ato do género daquele que praticou para derrotar Pan. Houve, no entanto, um alteração na sua condição de Dark One e estou interessada no que o futuro reserva para o eterno Mr. Gold (mais sobre isso adiante). Por outro lado, não quero que Belle volte para Rumple até que este pratique o tal ato redentório.

 

Em diametral oposição, está o casal Hook e Emma. Alguns fãs queixam-se do pouco destaque do casal, mas eu considero que os momentos CaptainSwan vieram na dose certa. Numa meia temporada tão agitada para Emma, Hook foi provavelmente a sua maior fonte de apoio e consolo, tudo isto com gestos simples mas que valem mil palavras. Sabe bem ver Emma abraçando o amor romântico, depois de ter passado a série quase toda evitando-o.

 

 

Há quem considere Emma e Regina como outro dos casais de OUaT. Eu não, mas outra das coisas que me agradou nesta meia temporada foi a parceria entre ambas. À semelhança de Hook, também Regina serviu de apoio a Emma. Estas duas mulheres têm muito em comum, podem ser consideradas as duas faces da mesma moeda, tendo ambas evoluído muito ao longo da narrativa. Para mim, são elas as protagonistas de Once.

 

Outro aspeto de que gostei nesta meia temporada foi do regresso de August, que sempre foi um dos meus preferidos - por ser escritor, como eu. Ele voltou devido a uma das principais linhas narrativas: a busca pelo Autor do livro de Henry. Descobre-se que este, em vez de se limitar a registar os eventos ocorridos na Enchanted Forest, usou o seu poder para manipular a vida do elenco da série a seu bel-prazer, chegando ao extremo de fazer flip-flop nos heróis e vilões (falaremos sobre isso mais adiante).

 

Gostei do conceito dos diferentes Autores. No entanto, acho que se desperdiçou uma oportunidade para se explorar a natureza, não só da Enchanted Forest, como também de todos os outros mundos explorados pela série: o País das Maravilhas, Oz, a Terra do Nunca, etc. Podíamos descobrir que todos estes mundos foram criados a partir de ficções escritas no Mundo Real - mais ou menos como chegou a ser indiciado na primeira temporada.  Os eventos descritos no livro de Henry, envolvendo o elenco principal poderiam ser obra de algum Autor que tivesse querido - lá está - pegar nas histórias tradicionais e dar-lhes um toque diferente. Seriam premissas fascinantes, que dariam aos guionistas (melhores) desculpas para saírem do espectro mais tradicional dos contos de fadas. Tudo o que fizeram com a história dos Autores, contudo, foi lamberem as botas piscarem o olho a Walt Disney e pouco mais. Pode ser que, no futuro, desenvolvam melhor o conceito, mas duvido.

  

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Em relação ao Autor em destaque nesta meia temporada, Isaac, não gostei dele, ao contrário do que seria de esperar. O homenzinho não apresenta nenhuma qualidade redentora, nenhuma motivação que não uma vingança mesquinha e mal-direcionada (teria tido muito mais graça se o homem tivesse feito aquilo, pura e simplesmente, pelo gozo de escrever uma boa história). Não deixará saudades. 

 

De qualquer forma, o elenco de Once Upon a Time deve dar graças por não lhes ter calhado a Shonda Rhimes como Autora.

 

É precisamente Isaac quem lança as premissas para o episódio duplo de final de temporada - episódio esse que merecia um texto à parte. Depois de Regina perceber que, afinal de contas, não precisa de um Autor manipulando a realidade para ser feliz, Isaac alia-se a Gold e, seguindo as instruções do Dark One, escreve uma nova realidade em que os bons viram maus e os maus viram bons.

 

São claras as semelhanças entre Operation Mongoose e o final da terceira temporada: ambos funcionam como histórias independentes, quase como um filme; ambos decorrem na Enchanted Forest, apresentando variações à realidade pré-Storybrooke que todos conhecemos dos primeiros episódios de Once. E ambos são os meus preferidos das respetivas temporadas. Espero que, no entanto, não mexam na história uma terceira vez, que começa a cansar.

 

Em primeiro lugar, gostei de ver Henry (o único sem espaço na nova realidade de Isaac) assumindo um papel central, depois de uma temporada inteira sem muito que fazer. Também gostei de ver Snow e Charming o papel de maus da fita, deu para ver que os atores se divertiram à grande - mesmo assim, em vez de procurar imitar a Evil Queen, preferiria ver Snow como a princesinha mimada em que se costuma transformar sempre que entra em modo má da fita.

 

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No entanto, a personagem que mais gostei de ver neste episódio foi Emma. Aquando dos primeiros anúncios e sneak peeks, esperava vê-la como vilã. Não foi o que aconteceu, mas pudemos ver um lado diferente da eterna Savior, um lado mais enlouquecido - ela que, habitualmente, é tão composta, o elemento mais terra-a-terra de Storybrooke, a única com um sentido prático das coisas no meio de tanta magia, tanto príncipe e princesa, tanto herói e vilão. Que delícia vê-la nesta cena!

 

Por outro lado, foi recompensador ver Emma, pela primeira vez, completamente à vontade num mundo de magia, abraçando completamente o seu papel de heroína e Salvadora - quando, no final da temporada anterior, ainda se sentia fora do seu elemento na Enchanted Forest.

 

Pena foi ela ter tido de testemunhar, uma vez mais, a morte do homem que amava. Felizmente não foi real (eu ainda matava alguém...), mas achei desnecessário, um mero artifício para dar dramatismo. Em todo o caso, o reencontro com Hook, depois de apagada a escrita de Isaac, foi amoroso na dose certa - ainda que eu tenha ficado desiludida por Emma, depois do discurso que fizera a Regina, não ter dito a Hook que o amava. É compreensível, mas frustrante. Eu sei que Emma di-lo mais tarde, mas fê-lo numa altura em que não tinha nada a perder. Isso é batota. Algo que, infelizmente, ela já tinha feito com Neal.

 

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Mas passemos à parte do episódio de que toda a gente passou o verão a falar. Ao associar-se ao Autor, alterando as histórias dos habitantes de Storybrooke, Rumplestilskin cometeu o derradeiro ato maligno, permitindo à essência do Dark One apoderar-se do seu coração. Numa tentativa de lhe salvar a vida, o Aprendiz de Feiticeiro removeu a essência do Dark One do seu coração. Tentou contê-la dentro do Chapéu de Feiticeiro, mas não é bem sucedido e a Escuridão escapou-se para as ruas de Storybrooke. Eventualmente, tentou apoderar-se de Regina. Numa tentativa desesperada de salvar a vida da amiga, Emma entregou-se à Escuridão, tornando-se o novo Dark One - ou, como já é conhecida na comunidade de fãs, Dark Swan.

 

Como poderão concluir, este final de temporada fez surgir uma infinidade de perguntas, mais do que qualquer outro episódio da série, mais até que a conclusão de A Land Without Magic, em que Rumple trouxe magia para Storybrooke.

 

Pensando a curto prazo  em termos de evolução da personagem, este arco será ótimo para Emma. Tal como referi acima, anseio por ver um lado diferente da protagonista, por ver uma Emma mais solta, mais enlouquecida, como a que espreitámos no final da temporada. Espero que alguns dos traços que Emma ganhe permaneçam quando, eventualmente, ela deixar de ser a Dark Swan.

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Também estou curiosa relativamente ao futuro imediato de Gold, agora que tem o coração limpo da essência do Dark One, que papel desempenhará no salvamento de Emma. Não acredto que ele se vá tornar bonzinho assim, de um momento para o outro - não me admiraria, aliás, se ele tentasse matar Emma para recuperar a magia negra. 

 

Sabemos, igualmente, que visitaremos um mundo novo, Camelot, e espreitaremos uma versão OUaT dos mitos arturianos. Como fã de As Brumas de Avalon, terei um interesse especial nessas histórias - espero que a obra de Marion Zimmer Bradley tenha inspirado os guionistas. Já sabemos que vamos conhecer Merlin (o único que poderá salvar Emma da Escuridão), bem como Arthur, Lancelot, Guinevere (representada por uma portuguesa, Joana Metrass). Mas não devemos ficar por aqui, já que um dos novos episódios da quinta temporada intitulado "Nimue". Esta é uma personagem menos conhecida do mito arturiano mas, tanto nas lendas como n'As Brumas de Avalon, Nimue - um dos nomes possíveis para a Dama do Lago - seduz Merlin, conduzindo-o à sua destruição. No livro, é, aliás, filha de Lancelot e tem uma história trágica: acaba por se apaixonar por Merlin e, aquando da execução do seu amante, ela suicida-se. Estou, desse modo, curiosa relativamente à abordagem dos guionistas à história de Nimue.

 

Pensando a um prazo mais longo, as primeiras perguntas que eu fiz depois de ver o nome de Emma na adaga dizem respeito à natureza da essência do Dark One. Tenho-me interrogado se esta Escuridão terá alguma semelhança ao Homem de Negro/Monstro de Lost: algo que Merlin, o Feiticeiro, à semelhança de Jacob, terá sido encarregado de combater ou, pelo menos, de tentar controlar. Se será a fonte de toda a magia negra. Se a série terminará com a destruição dessa essência negra, quem sabe se às mãos de Emma, Regina ou mesmo Gold. São possibilidades fascinantes. 

 

Só espero que esse confronto final ainda demore, que eu ainda não estou preparada para me despedir de OUaT.

  

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Já que falo de Lost, outra coisa que me fez recordar a série em Once Upon a Time foram certas insinuações da dicotomia Destivo vs. Livre Arbítrio. O Destino tem servido de resposta a questões tão antigas como "Como é que Gold foi encontrar o filho da Salvadora para Regina adotar?", o que não me agrada. O Destino acaba por servir por mascarar os inúmeros deus ex-machinas a que a série recorre frequentemente. É um dos motivos pelos quais a história envolvendo Lily não me cativou e Emma demorou muito tempo a convencer como protagonista, sobretudo durante as segundas e terceiras temporadas (quando era evidente que ela não tinha particular interesse em estar em Storybrooke, para além das exigências do enredo). Por norma, prefiro que sejam as ações das personagens a empurrar a história para a frente, em vez do contrário.

 

Àparte isso, só sei que nunca ansiei tanto por uma temporada de Once Upon a Time. Felizmente, faltam menos de duas semanas. Camelot e, sobretudo, Dark Swan intrigam-me muito mais que a Terra do Nunca e a adaptação de Frozen me intrigaram na altura. Tem-se comentando, aliás, que, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, particularmente o último, o apelo desta quinta temporada tem sido mais direcionado aos fãs de longa data: o papel ainda mais central da protagonista, o recentemente anunciado regresso de Ruby e Mulan, mesmo Camelot enquadrar-se-ia nesse critério, uma vez que a série já fez umas quantas referências à mitologia arturiana. Confio nestes guionistas já que, por muito que me irritem coisas como as constantes importações de figuras da Disney (na quinta temporada vão incluir Mérida, de Brave), estas dão personagens cativantes e histórias, na sua maioria, boas. Têm outra virtude que é aprenderem com os erros e esforçarem-se por surpreender. Depois de uma adaptação de Frozen, que resultou bem mas em que não saíram muito da sua zona de conforto, na segunda parte da temporada resolveram apresentar três novas vilãs, em vez de apenas um. A ideia foi boa, a execução um bocadinho tremida, mas a conclusão foi satisfatória. Agora, com a Salvadora "engolida" por Escuridão, a parada está mais alta do que nunca, não dá para prever como terminará a historia

 

Isso pode significar, no entanto, que Once não durará muitas mais temporadas. Depois de terem subido a fasquia a este nível - Emma-como-Dark-One, possibilidade de explorarem os primórdios da magia negra - não podem voltar às histórias habituais de vilão-da-Disney-vem-a-Storybrooke. Terão de continuar a aumentar o alcance da narrativa e não me parece haver muito mais espaço.

 

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De qualquer forma, enquanto a série durar, tenciono continuar a aproveitá-la ao máximo. Como julgo ter escrito antes, posso encontrar muitos defeitos em Once Upon a Time, mas esta continua a ser a minha série preferida do momento. A única que, no fim, me deixa satisfeita. Julgo até que, por vezes, sou demasiado dura para com OUaT quando outras séries que acompanho me desiludem muito mais, sobretudo neste último ano.

 

Em princípio, escreverei outra crítica aquando da pausa de inverno. Na próxima entrada, deverei falar brevemente sobre as outras séries que acompanhei neste último ano. Aviso desde já que não tenho muitas coisas boas a dizer...

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