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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Brand New Day e I Don't Wanna Be Sad

Hoje venho falar de dois singles lançados nas últimas semanas por músicos - todos canadianos, por sinal - que se preparam para lançar álbuns em breve. O segundo single de Get Up - o álbum que Bryan Adams vai lançar no próximo mês - Brand New Day saiu numa altura chata para mim: era dia de jogo da Seleção (ou seja, estava ocupada com o meu outro blogue) e andava a arrastar a análise a Once Upon a Time há já algum tempo. Em suma, não me dava jeito escrever uma entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas. Entretanto, os Simple Plan lançaram também um single. Vou, portanto, aproveitar a oportunidade para falar das duas músicas no mesmo texto. 

 

  

"Johnny had a plan, gonna see the world, knew he had to go..."

 

Depois de You Belong to Me se ter caracterizado por uma sonoridade fora do habitual para Bryan, Brand New Day traz uma nota de familiaridade. Encaixaria sem grande dificuldade no álbum de estúdio anterior, 11. Sou capaz de apostar que os acordes de abertura, que acabam por servir de imagem de marca à canção, são os mesmos que os de Summer of '69, ainda que tocados de maneira diferente. Continua a faltar um solo de Keith Scott embora, para ser justa, essa falta não seja muito gritante em Brand New Day.

 

Suspeito, até, que Keith Scott não participou neste álbum, o que me deixa um bocadinho triste. Tal como disse antes, será a primeira vez que isto acontece desde os primórdios da carreira de Bryan.

 

A letra foge ao registo habitual de Bryan, mas não muito. Faz-me lembrar um bocadinho a música Getaway, do álbum On A Day Like Today. Conta-se a história de um casal que resolve partir à aventura. É dado a entender que a primeira tentativa acaba por dar em nada, o casal separa-se, mas, ao fim de algum tempo, o homem desafia a antiga companheira a tentar outra vez. 

 

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Temos também uma forte referência ao título do álbum no refrão. Mas continuo a achar que "Get Up" como nome de álbum é fraquinho.

 

No videoclipe participam a atriz Helena Bonham Carter e Theo Hutchcraft, da banda Hurts, que dão vida de forma primorosa ao casal de que a canção fala. Tal como calculei antes, Bryan investiu mais neste videoclipe do que tinha investido nos últimos anos - para não dizer na última década. Além do mais, há que dizê-lo, é refrescante ver uma mulher emparelhada com um homem mais novo - o contrário é muito mais frequente.

 

De uma maneira geral, Brand New Day tem um espírito muito alegre, esperançoso, encorajador. Gosto muito mais de Brand New Day que de You Belong to Me - que, aliás, não tinha voltado a ouvir desde a respetiva entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas. Consta que Don't Even Try também será lançada como single, mas será mais ou menos na altura em que sairá o álbum - pelo que, naturalmente, não se justificará escrever uma entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas para essa música. 

 

Por outro lado, eu tinha prometido uma análise ao álbum Into the Fire mas vou ter de adiá-la. Isto porque o site pessoal de Jim Vallance (o co-compositor) está em baixa. Tal como já referi antes, o site de Vallance contém sempre várias curiosidades sobre a composição e gravação dos temas que cria com Bryan e eu queria usá-lo como fonte - até porque este é o álbum de que ele menos gosta. Vou esperar algum tempo, a ver se o site volta a funcionar, mas se vir que continua em baixa, escrevo a análise à mesma.

 

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Os Simple Plan continuam sem título ou data de lançamento do novo álbum, mas já vão em três músicas lançadas: não lhes chamo "singles" porque, entretanto, foi revelado que Saturday não fará parte do álbum novo. Por um lado, fico satisfeita com essa decisão - como se pode ler na minha análise, eu não gostei da música - por outro lado, fico confusa. Não percebo esta lógica de marketing: lançar dois singles (três, se contarmos com Saturday) com menos de um mês de intervalo, quando tudo indica que o álbum só será lançado algures no fim do ano, princípios do próximo - e, pela experiência que tenho, não me admirava se só saísse em março ou abril de 2016. 

 

Compreendo a ideia de lançar vários singles antes da edição de um álbum, numa altura em que as pessoas já não compram CDs e muito menos compram um álbum inteiro por causa de um único single. Não sei se a ideia deles, contudo, é ir disponibilizando o álbum às prestações ao longo dos próximos meses, até ao lançamento oficial. Pela parte que me toca, isso diluiria o impacto do álbum. Eu continuo a dar importância à ordem da tracklist, à faixa de abertura e de encerramento, ao título do álbum e à maneira como cada faixa se relaciona com esse título. Um dos motivos pelos quais não fui capaz de apreciar devidamente o álbum Reckless (não falo da edição especial) foi por já conhecer - e conhecer muito bem - mais de metade das faixas. 

 

É esperar para ver a jogada seguinte da banda. Para já, analisemos está faixa em específico.

 

 

"I've got a badass personality

So I just need to set it free

And it starts today"

 

A sonoridade de I Don't Wanna Be Sad é um híbrido perfeito entre o som clássico dos Simple Plan e um estilo mais retro, tipo jazz dos anos 50 ou 60, incluindo saxofones e uns coros mais interessantes que os de Saturday. Um som fora do vulgar. 

 

A letra tem um tema muito Simple Plan, sobretudo em início de carreira - desânimo, alguma autocomiseração - com uma ligeira subversão. Fala-se de um período de depressão em que o afetado já está farto de se sentir assim. Suponho que seja uma fase importante para a recuperação nestas situações: admitir que se tem um problema e querer resolvê-lo pode demorar o seu tempo. De certa forma, I Don't Wanna Be Sad podia servir de prequela a Tell Me It's Okay, dos Paramore - esta última fala do momento em que a depressão já faz parte do passado, em que o afetado (ou, neste caso, afetada) está ainda a habituar-se a não estar triste.

 

Em suma, apesar de gostar mais de Boom, I Don't Wanna Be Sad é uma boa música. Inova sem perder de vista as raízes da banda. Possui ainda uma das coisas que mais valorizo nos Simple Plan: uma letra com que muita gente se pode identificar. Deixa boas indicações para o álbum novo - quando quer que este saia. 

 

Quanto a nós, visto que por enquanto esgotei as minhas ideias para o blogue e que os últimos dois meses têm sido bastante ativos, vou fazer uma pausa e tentar trabalhar na minha escrita de ficção. Mas não se preocupem - podem contar com uma crítica a Get Up quando este sair, a meio de outubro.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Boom

 

Assim está melhor.

 

Na passada sexta-feira, dia 27 de agosto, a banda canadiana Simple Plan lançou um novo single, retirado do seu quinto álbum de estúdio, ainda sem título, ainda sem data de lançamento, ainda inacabado ao que parece. A canção, chamada Boom, não era totalmente desconhecida dos fãs, visto que já tinha sido apresentada ao vivo no fim do ano passado, sob a forma acústica. Aparentemente, Saturday foi apenas um single promocional (que alívio!), Boom é o verdadeiro primeiro single, veio com videoclipe e tudo.

 

Como poderão ler aqui, o avanço anterior deste álbum desconhecido, Saturday, desiludiu-me. No entanto, como já gostava da versão acústica de Boom, era altamente provável que fosse gostar da versão de estúdio. E foi o que aconteceu.

 

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Ainda não sei de qual versão gosto mais, se da acústica, se da com banda completa. De qualquer forma, em ambas o ponto forte é a letra: faz-me lembrar Still Into You no sentido em que fala de um amor que tem resistido ao tempo e a um mundo imperfeito. A minha parte favorita da letra é o refrão: o verso em que o narrador compara a amada a uma canção preferida é uma das coisas mais românticas que já ouvi. Encontrar alguém que nos emocione continuamente, que nos console, que nos faça sentir vivos da maneira como só as músicas da nossa vida conseguem (efeitos que, de resto, já foram muito bem descritos em This Song Saved My Life) é algo a que todos nós devemos aspirar.

 

Tirando a parte dos "Boom!", se calhar, a versão acústica seria mais adequada à letra romântica. Na versão de estúdio, a letra perde-se um pouco no meio das guitarras barulhentas e bateria frenética, da sonoridade explosiva a condizer com o título. Uma pessoa comum que oiça esta música da rádio há de reparar mais depressa nos "Boom! Boom-boom-boom-boom-boom-boom-boom..." do que na metáfora que descrevi no parágrafo anterior. É óbvio que os "Boom!" foram colocados precisamente para isso, para chamar a atenção. O próprio Pierre Bouvier, o vocalista, disse qualquer coisa como:

 

- A partir de agora, as pessoas vão falar desta música como "aquela dos Simple Plan com os Boom-boom-boom".

 

O grande mérito de Boom é, assim, conjugar potencial radiofónico e para concertos ao vivo com alguma substância - ficando a anos-luz da fraquíssima Saturday. Ainda é muito cedo para decidir se Boom arranjará lugar entre as minhas preferidas dos Simple Plan, mas já se tornou uma das minhas favoritas deste ano. 

 

OK, eu sei que temos tido poucos singles dos meus artistas preferidos em 2015, mas mesmo assim...

Músicas Não Tão Ao Calhas - Saturday

 

 

 

 

 

 

 

 

Este tem sido um ano fraquinho em termos de música nova dos meus artistas preferidos. Por esta altura, há um ano, já tinha dois álbuns novos - três, se contarmos com Ghost Stories, dos Coldplay. Este ano, apenas conta Fly, de Avril Lavigne. No entanto, isto está prestes a mudar pois, a médio prazo, poderemos contar com material novo sobre o qual eu possa escrever. Uma parte desse material dirá respeito ao quinto álbum de estúdio da banda canadiana Simple Plan. Ainda não tem título, nem data de lançamento, mas o primeiro single, Saturday, foi lançado há poucos dias.

 

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"You and me, baby,

Nothing but Netflix"

 

Eu aguardava este álbum e este primeiro single com interesse pois, além de estar ansiosa por música nova, gostei imenso do EP que lançaram há pouco mais de ano e meio, Get Your Heart On - The Second Coming. No entanto, quando cliquei no play para a primeira audição e levei com uns gritos de "S! A! T-U-R! D-A-Y!", a minha reação foi:

 

- ...a sério?

 

Este espírito manteve-se ao longo dos três minutos certinhos que dura a faixa - três minutos de clichés de músicas de borga, alguns que já vêm da década passada. Acho que não existe um único verso nesta letra que não seja uma paráfrase de algo que já tenha ouvido noutro lugar. Por exemplo, a única frase mais batida que "let's get epic" é "legen... wait for it... dary!". Outro exemplo diz respeito a frases como "We can go get drunk, stayin' up all night" parecem recicladas de Outta My System - uma música com um tema não assim tão diferente, mas muito melhor conseguida em quase todos os aspetos.

 

 

Eu poderia deixar passar a letra pouco original se a melodia e o tratamento musical a redimissem. Infelizmente, não é isso que acontece. Não desgosto da melodia mas também esta me parece reciclada de outras músicas dos Simple Plan. Tal como dei a entender antes, não achei piada ao S-A-T-U-R-D-A-Y - se o facto de eles estarem a soletrar uma palavra numa canção já é suficientemente cliché, o facto de usarem vozes de crianças no coro não faz nada pela originalidade da faixa. A batida é vulgaríssima. O solo de teclados tem o seu interesse. Em termos musicais, em suma, Saturday parece um genérico de uma série do Disney Channel - o que é estranho para um tema de fala de apanhar uma piela e desmaiar no próprio vomitado.

 

Resumindo e concluindo, Saturday é uma desilusão. Qualquer um percebe que esta é uma tentativa de criar um êxito radiofónico - não posso censurá-los por quererem ter sucesso comercial, sobretudo com a pressão que as editoras discográficas exercem sobre os artistas. Eu sei que eles conseguem melhor do que isto - a canção "Boom", que só conhecemos de uma atuação acústica do ano passado, é mil vezes superior com o seu tratamento acústico e áudio amador, do que Saturday com uma produção completa. É por isso que dou à banda o benefício da dúvida no que toca ao seu próximo álbum. 

 

De qualquer forma, um dia destes torno a ouvir os álbuns antigos dos Simple Plan. Talvez até escreva sobre eles. 

 

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Entretanto, não devemos ficar por aqui em termos de música nova. Bryan Adams deixou pistas relativamente a um novo single e ao tal novo álbum de originais que eu espero há quase um ano (a fotografia acima é um screenshot do videoclipe). Também a Avril tem andado a brincar com a ideia de um single novo em breve. E ainda estou à espera que os Sum 41 digam alguma coisa sobre um possível álbum novo.

 

Quanto a nós, tenho várias entradas em processo de planeamento, uma já meio rascunhada. Fazendo um esforço para as publicar o mais cedo possível...

Simple Plan - Get Your Heart On - The Second Coming!

 
 

Os Simple Plan lançaram ontem, dia 3 de dezembro, um EP de sete canções intitulado "Get Your Heart On - The Second Coming!". Segundo eles mesmos, este conjunto inclui tanto sobras do álbum Get Your Heart On e outras posteriores ao álbum. Vou analisar casa uma delas por ordem crescente das minhas preferências. Não é demais relembrar que esta ordem é provisória, muitas das músicas estão praticamente empatadas.

Ordinary Life

 
 

"I don't want to wake up
With my best years behind me
I think I'd better wake up
Before my life's behind me"
 
Esta é a 642ª música (ou música número 642) na discografia dos Simple Plan sobre frustração com a vida atual e vontade de fugir à rotina. Ordinary Life nem sequer tem o ponto forte de Anywhere Else But Here que, ao menos, tinha uma sonoridade fora do habitual da banda. Antes pelo contrário, o arranjo de Ordinary Life é vulgaríssimo na discografia dos Simple Plan e até traz ecos de Jump. Daí que considere Ordinary Life a mais fraca deste EP.
 
Fire In My Heart
 

"Felt the spark, left a mark I can't erase"
 
Esta faixa vai na linha de várias músicas pop de hoje em dia que adotam metáforas relacionadas com fogo. Em Fire In My Heart simboliza, obviamente, paixão romântica. Não é de surpreender que a letra, que explora esta metáfora, não seja particularmente memorável.

 
Em termos de sonoridade, Fire In My Heart soa-me a uma Sippin' On Sunshine, de Avril Lavigne, mais roqueira. Também possui alguns ecos de Summer Paradise. No fundo, Fire In My Heart é uma música de verão, de lua-de-mel, mas longe de ser uma das mais marcantes deste EP.
 
The Rest Of Us
 

"We do it better than the rich and the fabulous"
 
Seguindo-se a Ordinary Life na tracklist, The Rest Of Us acaba por contrariar a mensagem da faixa anterior. Enquanto Ordinary Life se queixa da vulgaridade da rotina, da anonimidade, The Rest Of Us não se importa com isso, chega mesmo a enaltecer a condição de simples mortal. Vai em linha com a moda das músicas para elevar a auto-estima (Born this Way, Firework, Anklebiters, entre outras) que se mistura com campanhas anti-bullying. Esta mensagem de que as pessoas comuns, mesmo estranhas, são melhores que as celebridades convencionais vai também em linha com os tempos atuais, de crise, em que fica bem a figuras como a Princesa Leticia e Kate Middleton aparecerem em público com roupas de marcas mais económicas, em que personalidades mais terra-a-terra, como a atriz Jennifer Lawrence, ganham popularidade. Não admira que tenham escolhido esta música para montarem um videoclipe. Não sei se The Rest Of Us chegará a ser single e a tocar nas rádios mas, se o for, tenho a certeza de que, pelo menos pela mensagem, seria bem sucedida.
 
Destaque ainda para a referência a Bruno Mars.
 
In
 
 
"Tell me why, Tell me why we wait so long
When we know, When we know where we belong"


A letra de In fala sobre baixar a guarda e arriscar no amor, ter a coragem necessária para se abrir para outra pessoa, para se comprometer com outra pessoa. Como se pode calcular, não é um conceito completamente original, mas não faltará quem se identifique com ele.

Em termos de sonoridade, recorda-me um pouco Another Heart Calls, dos All-American Rejects, pela maneira como alterna momentos calmos, misteriosos, algo etéreos - só com piano e batidas leves - com momentos mais frenéticos, sustentados por guitarras elétricas. Tal como outras músicas deste EP, não difere radicalmente da sonoridade típica dos Simple Plan mas é suficientemente interessante para ganhar carácter próprio.

Outta My System 


 
"Now I'm here coming back to life
Turning my wrongs all back to right
I was way down, I was locked up
Now I'm free
"

Esta faixa é a mais eletrónica deste EP sem, no entanto, deixar de lado o pop rock característico dos Simple Plan. Tenho de destacar a bateria atmosférica em conjunto com os acordes de guitarra elétrica e as notas de piano ao longo da terceira parte da faixa, dando um carácter inesperadamente épico à música, elevando a sua qualidade.

A letra descreve a maneira preferida de ultrapassar uma separação: indo para a borga, saturando o fígado com etanol, enrolando-se com perfeitas desconhecidas. Com o risco de se tornar algo machista, acaba por ter a sua graça.
 
Try


 
"But if you can give me half a chance I'll show,
How much I can fix myself for you.
"
 
 Gosto do início de Try: piano com algumas notas eletrónicas, a que se juntam batidas a meio da primeira estância. A sonoridade mantém-se mais ou menos até à terceira estância, durante a qual se juntam guitarras elétricas e bateria "a sério", transformando-a numa balada mais pop rock. Devo dizer que gosto bastante do efeito. Não me lembro de alguma vez ter ouvido algo assim.
 
Em termos de letra, é uma canção de amor, de súplica por perdão, por uma segunda oportunidade, do género I Will Be, Best Of Me e Far Away (curioso: acabo de citar uma música da Avril Lavigne, uma dos Sum 41 e uma dos Nickelback na mesma frase...). Não é de todo uma letra particularmente original mas a sonoridade eleva a música bem acima da média.
 
Lucky One
 


"It feels like it's taking forever
But one day, things could get better
And maybe... my time will come"
 
Chegámos, assim, à minha preferida deste EP. Lucky One é uma balada quase exclusivamente acústica (se não for totalmente acústica). É um arranjo simples, o mais simples deste EP, mas funciona bem, condiz com a mensagem da canção. 
 
Esta é, aliás, o ponto forte desta música: pega um pouco na auto-comiseração que caracteriza vários temas da discografia da banda, em particular no início da sua carreira. Existe, contudo, num amadurecimento na maneira como aborda o tema, na maneira como o transforma numa mensagem de esperança, recordando-me Last Hope dos Paramore - uma das músicas deste ano, para mim. Tal como acontece no tema dos Paramore, Lucky One fala sobre infelicidade, contrariedades, sonhos por realizar Fala em particular da sensação de que as coisas boas só acontecem aos outros. Existe, no entanto, a esperança de que venham tempos melhores, de que um dia seja possível conquistar-se um final feliz. Visto que toda a gente já passou, pelo menos uma vez na vida, por um momento de desânimo, em menor ou maior grau, esta é uma mensagem que cativa com facilidade. Destaque para os tempos que correm, em que muitas pessoas passam por dificuldades. Uma mensagem de esperança é sempre bem-vinda - é aqui que reside a força de Lucky One.
 

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Neste EP, a banda canadiana continua igual a si mesma, para o melhor e para o pior: pop rock, punk pop, com uma ou outra influência influência eletrónica, com melodias tão contagiantes como sempre. Letras que, sem serem particularmente originais, têm aquele toque de vida real que é cada vez mais raro na música pop. O tal toque que faltou ao último álbum de Avril Lavigne, que não falta no último álbum dos Paramore. Não existe grande evolução relativamente ao material antigo mas, também, é um EP de sobras. Não se poderia exigir o que se exige de álbuns de doze músicas. No entanto, independentemente da evolução ou da falta dela, tal como listei anteriormente, de uma maneira geral são músicas boas, com conceitos interessantes.
 
Já li críticas - não apenas relativas a este EP - acusando a sonoridade da banda de estar ultrapassada. Eu mesma critiquei aqui no blogue o facto de os Simple Plan não se aventurarem fora deste espectro. No entanto, depois de ouvir e gostar deste EP, a pergunta que faço é: será mesmo necessário os Simple Plan mudarem?
 
Mudar só por mudar, só por motivos comereciais, não faz sentido. Corre-se mesmo o risco de a banda perder a sua integridade. Não precisamos de mais artistas cantando temas dubstep sobre borga. O material que os Simple Plan criam pode trnar-se repetitivo mas é autêntico, tem mais qualidade e mais conteúdo do que a média, maior potencial para servir-me de inspiração. E mesmo que os Simple Plan já não tenham a popularidade de outros tempos, ainda são capazes de arrastar fãs atrás de si. Que mais se pode exigir?
 
 
A banda deve começar, em breve, a trabalhar no seu quinto álbum de estúdio, um processo que ainda deve demorar algum tempo. Uma eventual mudança de estilo, a acontecer, teria de ser vontade dos próprios Simple Plan. Como terá acontecido com os Paramore - segundo os mesmos, eles tentaram manter o estilo dos álbuns anteriores mas, por motivos variados, a velha fórmula já não resultava. E ainda lhes custou bastante abraçarem a mudança. Quanto aos Simple Plan, para eles o estilo atual parece ainda funcionar. O mesmo parece acontecer com os fãs. Neste EP, para mim, funciona. Que se mantenha assim e ficamos todos felizes.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Here's to Never Growing Up

A semana passada foi anormalmente agitada para mim, tanto por causa do trabalho académico como por causa das músicas novas todas. Não me interpretem mal. Tal como já disse anteriormente, estou muito feliz por uma das minhas bandas preferidas ter lançado um CD e por a minha cantora preferida ter lançado um single mas foram demasiadas emoções... Já falei, ao longo da semana passada, de Paramore, agora é a vez de Here's to Never Growing Up.


"Stay, if you stay forever
Hey, we can stay forever young..."

O novo single de Avril Lavigne, o primeiro do seu quinto álbum de estúdio, ainda inacabado, ainda sem título, é uma faixa conduzida pela guitarra acústica, em ritmo midtempo, com uma batida forte. A voz da Avril surge com efeitos discretos mas, na minha opinião, perfeitamente dispensáveis - é o que menos gosto na música. É , ainda, acompanhada por coros, que fornecem um carácter festivo à faixa. 

Here's to Never Growing Up apresenta várias parecenças, tanto em termos de sonoridade como de letra, com várias músicas. Para começar, assemelha-se muito a Complicated, chegando a parecer uma versão moderna do primeiro êxito da cantora. Também me recorda Anywhere Else But Here, dos Simple Plan,  mais discretamente, mais por causa dos coros. Outra comparação gritante é Cheers, de Rihanna - faixa que, ainda por cima, reutilizou um excerto de I'm With You - tanto no som como na letra. 

O tema de Here's to Never Growing Up é muito Avril. Para nós, os fãs, já é, há algum tempo, uma private joke nossa o facto de Avril não parecer ter a idade que tem, de continuar a ter o aspeto de uma jovem de 18 anos. E, apesar do seu carácter multifacetado, a imagem que sobressai em relação a ela é a de uma eterna adolescente, de menina reguila. Não que ela seja, de resto, a única cantora com essa personalidade. Muitas estrelas de rock também são assim, apenas o disfarçam melhor. É esse o espírito que Avril abraça em Here's to Never Growing Up. Um misto entre miúdos travessos, deitando a língua de fora a quem os critica, causando confusão num centro comercial, como no vídeo de Complicated, e a velha máxima do carpe diem que, na música pop, se traduz sempre por sex, drugs and rock 'n' roll e respetivas variantes.  Pelo meio, ainda há tempo para abordar o lado romântico da coisa. 


Em suma, Here's to Never Growing Up é uma faixa agradável, o tipo de música que podia ser cantada numa noite de verão, na praia ou no campo, por amigos à volta de uma fogueira; num bar, enquanto se dança em cima de um balcão; num parque de skate, como em Complicated. Eleva o humor de uma pessoa sem precisar de se tornar demasiado agitada, como Girlfriend, arriscando-se a tornar-se cansativa.

A maior fraqueza de Here's to Never Growing Up é, de facto, a ausência de novidade. Apesar de, pelo menos em termos de sonoridade, a música ter poucas semelhanças com a discografia recente de Avril Lavigne, não existe praticamente nada de inédito em Here's to Never Growing Up. Para além do que disse acima, sobre as comparações com Complicated e Cheers, o que não falta por aí é música sobre viver o momento. Mesmo se só considerarmos a discografia da Avril, ela possui várias faixas em que explora a sua faceta de menina travessa, bem como sobre viver o momento. Anything But Ordinary, a b-side Take Me Away, Freak Out, What the Hell, Smile... Nesse aspeto, o cover que ela fez de How You Remind Me, êxito dos Nickelback, fascinou-me mais pois mostrou uma faceta diferente da cantautora. 

Aproveito a ocasião para falar sobre outras duas músicas sobre o tema não-quero-crescer embora, como já disse antes, seja um tema já bastante abordado.


"Until the day I die, I promise I won't change...
So you'd better give up"

Uma dessas músicas é Grow Up, do primeiro álbum dos Simple Plan. Esta é uma típica faixa do pop punk que caracteriza a banda e, em conformidade com o espírito dos primeiros álbuns, assume o espírito de miúdos arruaceiros. Acaba por ter uma mensagem semelhante a Here's to Never Growing Up, embora vá ainda mais longe na irresponsabilidade associada à filosofia Peter Pan. Reflete, um pouco, a mentalidade de uma criança de dez anos. 


"It's now how you look, it's how you feel inside!"

18 'Til I Die também aborda a filosofia Peter Pan. De entre as três de que falo nesta entrada, é a que apresenta a minha mensagem preferida. Também fala sobre não envelhecer, pelo menos não por dentro, mas destaca-se das outras duas pois o espírito que descreve não implica, necessariamente, falta de maturidade. Fala, simplesmente, em preservar o gosto e o entusiasmo pela vida, sem preocupações em relação ao passado ou ao futuro.

Não se pode dizer que ele não tenha passado essa filosofia à prática. Apesar de os vestígios da idade já estarem bem claros, tanto o Bryan como os seus companheiros de banca (destaque para o incomparável Keith Scott) continuam enérgicos e entusiasmantes em palco - pude conferi-lo ao vivo quando cá estiveram em dezembro de 2011. Como se, de facto, ainda tivessem dezoito anos.

Não me surpreenderia nada se o mesmo acontecesse com a Avril, se daqui a uns vinte ou trinta anos continuasse com o espírito de menina reguila que hoje a caracteriza.


Conforme afirmei acima, Here's to Never Growing Up é o primeiro single do novo álbum de estúdio da cantautora canadiana, que ainda não está acabado, mas que deverá dair durante o verão. Pelo que ela tem dio em entrevistas, o álbum terá músicas de vários estilos - como aconteceu, de certa forma, com Let Go. Ela falou em baladas e canções de amor - entre as quais um dueto com Chad Kroeger - mas também num dueto com Marilyn Manson, intitulado Bad Girl, e uma faixa, Hello Kitty, que eu prevejo ser no estilo de Girlfriend ou The Best Damn Thing. Estou ansiosa por saber mais sobre o álbum - começando pelo título - pois, apesar de não se comparar nem de longe nem de perto ao drama que foi o lançamento de Goodbye Lullaby, têm existido muitas incógnitas em relação a ele. Ainda estávamos no rescaldo do quarto álbum quando, há dois anos, apareceram supostos instrumentais de músicas novas. Nos últimos dois ou três anos - incluindo o verão de 2010, quando Goodbye Lullaby ainda nem sequer tinha sido editado - a Avril compôs e gravou com várias pessoas diferentes. E, de cada vez que afirmava ter concluído tais sessões de composição e gravação, tudo o que era fã assumia que o álbum sairia daí a pouco tempo - algo que nunca se confirmava. 

Também estou ansiosa por mais música para além de Here's to Never Growing Up porque este single não me entusiasmou por aí além, pelas razões que mencionei acima, em particular a repetitividade. Não posso dizer que esteja surpreendida por isso pois, tirando Girlfriend, os primeiros singles da Avril nunca inovam muito em relação ao material anterior. E raramente se encaixam entre as minhas faixas favoritas. As melhores músicas vêm sempre com o álbum em si e, muitas vezes, no caso da Avril, nem sequer se tornam singles. Por isso, apesar de ainda não estar nessa fase, não se admirem se, aquando do lançamento do CD, estiver de novo caída de quatro pela mulher.

Já não é a primeira vez que digo isto. Depois, não digam que não os avisei.

Em todo o caso, sinto-me feliz por termos tido direito a ouvir novo material da minha cantora preferida, por estarmos mais perto de ouvir ainda mais. E, de qualquer forma, isto foram apenas as primeiras impressões. É altamente provável que a música ganhe novos significados com o tempo. À medida que forem saindo declarações da Avril sobre a música, o videoclipe, atuações ao vivo, novas músicas, tanto dela mesma como de outros cantores, entre outras coisas.

O mesmo se aplica ao álbum Paramore. Só publiquei a crítica há uns dias mas já tenho vontade de acrescentar coisas.

Será para isso que servirão as entradas de Música do Ano, no fim de dezembro. Ainda vamos em abril mas já prevejo que terei muito sobre que escrever nas entradas de Música de 2013. 

Concluo invocando, de novo a frase que já citei noutra entrada:


...e as histórias das músicas do álbum Paramore, bem como do quinto álbum de Avril Lavigne estão apenas no seu início!

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