Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Pokémon através das gerações - La belle Kalos #2

Em X&Y, temos outra personagem importante, mas que só nos é apresentada numa fase muito avançada do jogo: um velho sem-abrigo gigantesco de nome AZ. Este, a certa altura, é aprisionado por Lysandre, pois possui a chave para a arma suprema que o líder dos Team Flare quer ativar.

  

 

AZ conta-nos a origem dessa arma. Fala-nos da guerra que assolou a região três mil anos antes dos eventos dos jogos. O rei de Kalos na altura teve de enviar o seu Floette para a guerra e este não sobreviveu. Consumido pelo luto, o rei construiu uma máquina que ressuscitasse o Pokémon. Ele foi bem sucedido e o Floette regressou à vida, mas o rei ainda alimentava desejos de vingança. Assim, transformou a máquina na arma suprema e usou-a para terminar a guerra, aniquilando inúmeros Pokémon dos dois lados em conflito. Depois desta, Floette, destroçado por tantas vidas se terem perdido por causa dele, abandona o rei.

 

Acho que isto não foi confirmado preto no branco, mas parece que a máquina conferiu vida eterna ao rei. Este passou os três milénios seguintes vagueando, à procura do seu Floette ou, pelo menos, do seu perdão.

 

AZ conclui a história pedindo ao jogador que faça tudo para que não se voltem a cometer os mesmos erros.

 

Havemos de regressar ao gigantesco sem-abrigo, mas, de qualquer forma, cumprimos a vontade dele. Com a ajuda de Shauna, Calem ou Serena e os outros rivais, invadimos o quartel-general onde a arma suprema está escondida. Enfrentamos uma data de membros do Team Flare até encontrarmos a arma, que possui Xerneas ou Yveltal (consoante a versão) aprisionado. Numa sequência espetacular nos gráficos em 3D, libertamos o Lendário e combatêmo-lo.

 

 

  

Tal como acontece com Reshiram e Zekrom em Black&White, respetivamente, somos obrigados a capturar o Lendário antes de prosseguirmos com o jogo e temos a hipótese de adicioná-lo logo à nossa equipa. Desta vez, no entanto, não sei se faz assim tanto sentido neste contexto. Não me admirava, aliás, se isto foi adicionado só para piscar o olho a Black&White.

 

Depois de capturarmos Xerneas ou Yveltal, desativando a arma suprema, temos de combater Lysandre uma última vez. O líder do Team Flare surge assustador, com uma série de implantes robóticos e um Mega Ring, disposto a recuperar o Lendário que resgatámos e a prosseguir com o seu plano.

 

Quando o derrotamos, Lysandre tem um ataque de fúria, não muito diferente dos de Ghetsis – incluindo a parte em que palavras de apelo à sua humanidade caem em saco roto. A diferença é que Lysandre age sob a influência da sua fúria – ativando a arma suprema, mesmo com pouca energia. Felizmente, tudo o que consegue fazer é destruir o quartel-general, enterrando-se debaixo dele. Em Y, Lysandre provavelmente morre. Em X, Lysandre provavelmente deseja ter morrido.

 

 

 

Havemos de regressar a Lysandre. Voltamos a ver AZ depois de vencermos a Liga – durante a grande festa em Lumiose em honra do protagonista, que travou a arma suprema e se sagrou Campeão. AZ desafia-nos para um combate, para “saber o que é um treinador”. Depois do combate, vemos AZ sorrir pela primeira vez e este agradece-nos por o ajudarmos a libertar-se da “parte de si que criou a arma suprema”.

 

Sim, caso ainda não tenham percebido, AZ é o rei da história.

 

É nesse momento que, numa cena que já se tornou icónica, o Floette desce dos céus, aparecendo perante AZ pela primeira vez desde a arma suprema. A frase “It’s been 3000 years” tornou-se conhecidíssima, já foi usada em vários memes (tenciono fazer um quando a Avril Lavigne anunciar o seu álbum), mas a cena é verdadeiramente comovente – com AZ caindo de joelhos, as mãos e os ombros a tremer. É preciso ter um coração de pedra para não ficar com, pelo menos, uma lágrima no canto do olho.

 

 

  

É uma história lindíssima, a de AZ. Faz lembrar as dos vilões de Once Upon a Time, sobretudo a de Regina. À semelhança de AZ, ela perdeu um ente querido e, em diversos momentos da sua vida, teve de escolher duas opções: ou ficava presa ao passado, consumida pelo ódio, pela raiva, procurando vingança. Ou libertava-se do passado, optava pela esperança, pelo perdão. procurava  amar de novo, tanto às pessoas à sua volta e ao mundo em geral, como a si mesma. Regina (e outros vilões da série) tomou demasiadas vezes a opção errada, demorou muito tempo a escolher o caminho certo.

 

Da mesma forma, AZ escolheu a opção errada, mesmo depois de recuperar o seu Floette, e teve de viver três mil anos com as consequências dessa decisão. Mas, no fim, só lhe bastou abrir, por um momento, o seu coração à esperança – mesmo sendo uma coisa tão simples como um combate de Pokémon – para Floette o perdoar.

 

Dito isto tudo… a história de AZ deixa um bocadinho a desejar, na minha opinião. Conforme disse antes, AZ é-nos apresentado demasiado à frente no jogo e a história deles, ainda que bonita, parece-me algo apressada. Além disso, não acho que AZ tenha feito o suficiente para merecer o perdão. Pode-se argumentar que três mil anos de solidão são castigo suficiente, mas gostava que ele tivesse tido uma participação mais ativa na luta contra Lysandre. Afinal de contas, o Team Flare estava a usar a mesma arma que AZ construira. E haverá melhor maneira de se redimir por um massacre do que impedir outro?

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

 

Podia-se, aliás, ter feito um melhor paralelismo entre AZ e Lysandre (que até é descendente distante do primeiro): dois homens que, a certa altura, ganharam ódio à Humanidade e ao mundo em geral e quiseram destruí-lo. AZ passa das intenções aos actos, o que só provoca sofrimento, a si e ao resto do Mundo. AZ podia ter tentado dissuadir Lysandre dos seus planos, fazer-lhe ver que conferir imortalidade a uns quantos escolhidos ou matar toda a gente não resolverá nada, não apaziguará o seu ódio ou a sua dor.

 

O que nos leva aos problemas que tenho com Lysandre. Já tinha dado a entender acima que a motivação do vilão destes jogos não me convence por aí além. A justificação que dão para ele odiar a Humanidade é vaga – uma boa pessoa que sofreu uma desilusão? Não podiam ter sido mais específicos? Ao menos com AZ sabemos que foi a morte do seu Floette que o atirou para um caminho destrutivo. Lysandre tornar-se-ia mais credível como vilão se tivesse uma história desse género, nem que fosse um cliché tipo “cresceu como órfão”, como o Batman.

 

E mesmo assim não disfarçaria a hipocrisia da sua mensagem. Já antes comentámos que ele estava disposto a sacrificar Pokémon inocentes. Pior ainda é o facto de pregar contra a ganância e corrupção… mas é necessário pagar uma quantia exorbitante para fazer parte dos Team Flare e, como tal, ser poupado ao massacre.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

 

Pois…

 

Não sei se é suposto Lysandre ser mesmo hipócrita, representar uma forma extrema de elitismo, ou se pura e simplesmente a personagem e respetiva organização criminosa foi construída em cima do joelho.

 

Em todo o caso, é por isso que, tirando a parte que diz respeito a AZ, e mesmo assim, o enredo principal de X&Y deixa muito a desejar, na minha opinião. Representam vários passos atrás depois de uma quinta geração que se caracterizou por boas histórias e personagens bem desenvolvidas – não apenas as diretamente envolvidas no enredo principal, mas também as mais secundárias, como os rivais e os líderes de ginásios.

 

Em X&Y, no entanto, os rivais dão pouquíssimas para a caixa e os líderes de ginásio são, de novo, esquecíveis A única com um papel mais ou menos importante é Korrina, que nos ensina acerca da Mega Evolução. Diantha é Campeã de Kalos, mas é uma mera figura decorativa – nem funciona como mentora, nem ajuda a travar Lysandre e o Team Flare. A única exceção é mesmo o professor Sycamore, que sempre aparece um bocadinho mais do que o habitual para um Professor de região e faz um mea culpa por nunca ter discordado abertamente com a mensagem que Lysandre pregava.

 

imagem de cabeçalho.jpg

 

É possível que, num jogo que se destaca tanto pelas melhorias estéticas e pelas funcionalidades novas, o enredo e o desenvolvimento das personagens tenha sido deixado um bocadinho de lado. 

 

Se formos a ver, o enredo de X&Y partilha as falhas do conceito de beleza em si: a superficialidade.

 

Existe, no entanto, uma história no post-game que tem muito pouco a ver com o enredo principal: a história de Looker e Emma.

 

Looker é uma personagem recorrente nos jogos desde Platinum. Foi a estrela de Pokémon Generations, conforme escrevi na altura. Sempre gostei dele, com os seus modos pomposos e vaidosos (acreditam que só no outro dia é que me apercebi que “Looker” significa “atraente, bem-parecido”? Ele deu a si mesmo o nome-código “Bonitão”!), mas a sua participação em X&Y é a minha preferida até ao momento.

 

tumblr_oh9ym4oznq1ru6bozhto7_1280.jpg

  

Devo avisar, no entanto, que esta foi a única parte de X&Y que só fiquei a conhecer quando joguei eu mesma. É possível que isso me tenha dado um viés.

 

No post-game, Looker convida-nos para o ajudarmos em certas missões. É numa delas que conhecemos Emma, uma sem-abrigo orfã (semelhante a outra Emma nossa conhecida), acompanhada apenas por Mimi, a sua Espurr. Descobrimos, mais tarde, que Emma se tornara, sem dar por isso, líder de um míni-gangue (que, pelo menos a mim, parece lançar as bases para a Team Skull, da sétima geração).

 

Mesmo tendo em conta as origens duvidosas, Looker acolhe Emma no seu escritório – eu confesso que pensaria duas vezes antes de tomar esta decisão, até porque receava que Emma se revelasse uma anti-heroína, que a certa altura apunhalaria Looker pelas costas. O detetive dá-lhe emprego como assistente, ensina-a a ler, a escrever e a contar. Os dois acabam por desenvolver um laço de pai e filha.

 

A partir de certa altura, no entanto, Emma começa a sentir-se culpada por andar a viver à custa de Looker. Não que este tenha problemas com isso – quando a jovem lhe fala no assunto, o detetive aconselha-a a focar-se nos estudos. No entanto, Emma continua sem se sentir bem com a situação. Desse modo, começa a procurar outro emprego.

 

maxresdefault.jpg

  

Depois disto, Emma começa a desaparecer durante intervalos de tempo prolongados – na mesma altura que surge uma mulher, vestida como se fizesse parte dos Daft Punk, utilizando diversos disfarces para roubar Pokémon, usando o nome de código Essentia.

 

Quando, a certa altura, Looker, Mimi e o protagonista conseguem cercar Essentia, descobrimos que esta é, na verdade, Emma. Descobrimos também que, no emprego que a jovem arranjou, o seu patrão é Xerosic, antigo cientista da Team Flare. Este anda a usar Emma como cobaia para o seu “fato de Expansão”, controlado remotamente. As notas de Xerosic, nos laboratórios do Team Flare, referem que Emma não está consciente enquanto usa o fato – depois de usá-lo, não se lembra do que fez com ele.

 

Também se descobre que Emma, no início, não sabia nada acerca de ser treinadora de Pokémon – as notas referem mesmo que a jovem prefere brincar com os Pokémon em vez de fazê-los combater. Xerosic teve de ensiná-la.

 

tumblr_oh9ym4oznq1ru6zhto7_1280.jpg

  

Devo confessar que acho o papel de Xerosic nesta história deveras intrigante. Os produtores são capazes de ter criado um vilão bem mais interessante e complexo que Lysandre sem darem por isso. É certo que foi cúmplice no que toca à arma suprema e afins e construiu um fato que lhe permite manipular outras pessoas. No entanto, Xerosic não é cruel para Emma. Ensina-a a ser treinadora, ou seja, dá-lhe armas para singrar na vida – algo que, provavelmente, ninguém tinha feito por ela, tirando Looker. Quando mais tarde é apanhado, Xerosic entrega-se sem reservas e ainda oferece a Emma o fato que desenvolveu e os Pokémon que utilizou.

 

Por fim, Emma parece genuinamente gostar dele – embora não deixe de censurá-lo pelas suas ações vilanescas.

 

Nada disto faz de Xerosic uma boa pessoa, nem sequer lhe serve de redenção. Mas há que reconhecer que possui um código de honra que nem todos os vilões possuem.

 

Devo dizer que, nesta parte do jogo, senti-me muito mais aflita e motivada para salvar Emma do que antes, para travar Lysandre e a arma suprema – ainda que seja um bocadinho chato termos de combater três vezes de seguida contra ela, enquanto a jovem se debate contra o controlo do fato.

 

16427212_1891025941132612_3127432905469863124_n.pn

  

E fiquei de coração partido quando Looker teve de partir, deixando Emma para trás, deixando-lhe o seu escritório em Lumiose.

 

De qualquer forma, com o escritório de Looker, o fato, os Pokémon de Xerosic e o seu novo estatuto como treinadora, Emma torna-se verdadeiramente a Essentia – uma espécie de super-heroína, guardiã de Lumiose City. Tal como a sua homónima de Once Upon a Time, a jovem passou de orfã e sem-abrigo a heroína. Até se pode dizer que encontrou uma família, com Looker, o gangue e o protagonista do jogo – mesmo que o primeiro tenha partido.

 

É uma história bonita.

 

Outro dos motivos pelos quais queria uma sequela de X&Y era para voltarmos a vê-la: uma Emma possivelmente mais madura, mais experiente como treinadora, talvez aliando-se ao protagonista na luta contra o Team Flare (se eles se mantivessem como equipa vilanesca).

 

npnnojb.png

  

Eu acredito mesmo que estes jogos precisavam de uma sequela ou, pelo menos, uma versão melhorada, sobretudo para compensar pelas falhas do enredo. Penso que era esse o plano inicial da Game Freak – talvez um ano ou dois após os remakes, como aconteceu com Emerald. Só que, entretanto, veio 2016 com o vigésimo aniversário da franquia e eles acharam melhor inaugurar uma geração nesse ano.

 

Bem, o mundo nunca saberá.

 

Voltando aos jogos X&Y em si, o meu maior problema com eles, mais do que o enredo, é o facilitismo. O Experience Share foi alterado e, agora, atribui pontos a toda a equipa, mesmo a Pokémon que não tenham participado nos combates. Aliado a isto, outro dos benefícios do Amie é um bónus nos pontos de experiência. Desse modo, os Pokémon sobem de nível muito mais depressa que antes e a dificuldade do jogo desaparece.

 

E com ela a piada. Quem é que quer jogar um jogo que não nos desafia minimamente? Cheguei a ver pessoas no YouTube com Pokémon dez níveis acima dos treinadores que enfrentava – o que é ridículo.

 

32147288_654677578198946_9021206302734417920_n.jpg

  

Eu joguei X com o Experience Share desligado e, desse modo, o jogo teve um nível de dificuldade mais aceitável – mesmo assim, os únicos ginásios onde tive de me esforçar foram os do Grant (aquele Amaura é traiçoeiro) e o de Valerie (só porque não tinha opções na equipa para lidar com o tipo Fada). A Elite 4 e a Diantha, por sua vez, não foram nada de especial.

 

Este problema repetir-se-à em Omega Ruby & Alpha Sapphire, falaremos sobre isso na altura. Para já, devo dizer que, com todo o facilitismo e uma história que deixa muito a desejar, na minha opinião, X&Y são os jogos mais fraquinhos de Pokémon para a 3Ds. Não são maus, mas os remakes e a sétima geração estão melhor conseguidos, a meu ver, conforme explicarei mais tarde.

 

Para concluir, falemos, como o costume, sobre a música: X&Y podem estar longe de ser os melhores jogos da franquia, mas a sua banda sonora não desilude. Nenhuma das bandas sonoras dos jogos principais de Pokémon desiludem, é quase uma impossibilidade física.

 

IMG_20180411_140530.jpg

  

Sem surpresa, a música em X&Y caracteriza-se pelas influências francesas. O maior exemplo é o tema do Professor Sycamore, que parece mesmo saído de um trailer de uma comédia francesa. Outros exemplos são o tema de introdução ao jogo, o tema do laboratório do Professor, o tema de Dendemille – cujos acordeões, por acaso, me fazem pensar em moinhos.

 

Já que falamos nas cidades, os dois melhores temas, na minha opinião, são o de Laverre e o de Snowbelle. O primeiro, como referiu o Miguel, um dos meus seguidores mais recentes, bem podia ser o tema do tipo Fada. As notas de xilofone ou ferrinhos (não consigo descortinar todos os instrumentos) conferem um carácter delicado e mágico ao tema, como se estivéssemos a entrar no País das Maravilhas. A flauta e os violinos, mais tarde, no entanto, têm um tom um bocadinho mais para o nostálgico.

 

O tema de Snowbelle acaba por usar essencialmente os mesmos instrumentos, mas de uma maneira diferente. Começa sereno com as notas de xilofone ou ferrinhos e da flauta, mesmo adequado a uma cidade nevada, acabando por ganhar intensidade com a orquestra e com as notas de clarinete.

 

Por sinal, um dos melhores temas da banda sonora de X&Y é o da bicicleta: com a sua melodia alegre, primeiro no teclado (ou xilofone? Não tenho mesmo jeito nenhum para identificar estes instrumentos), depois na guitarra elétrica  e a percussão. Se o Professor Oak ouvisse isto, deixaria de implicar connosco por andarmos de bicicleta dentro de portas. Este foi o último tema de bicicleta inédito até agora, na franquia, e na minha opinião é o melhor de todos.

 

54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg

  

Posso não gostar assim muito dos rivais em XY, mas a música que toca quando os encontramos é gira: alegre, inocente, perfeita para representar um grupo de amigos ainda crianças.

 

...isto apesar de, tecnicamente, o protagonista dos jogos ter dezasseis anos? Acho que alguém diz, a certa altura, que o protagonista tem a mesma idade que Emma, que é definitivamente adolescente.

 

Enfim, perdoem-me este aparte. Dizia eu que gostava do tema dos rivais. Melhor ainda são as versões lentas do mesmo. Uma delas parece uma canção de embalar. A outra lembra os temas de N, da quinta geração.

 

Na mesma linha, está o tema que soa durante os foguetes a que assistimos com Shauna. Na verdade, esta música é demasiado boa para aquilo que, essencialmente, é um capricho de um homem rico e mimado.

 

lumiose_city_scene_illustration.0.jpg

  

Falemos agora sobre os temas de combate. Não sou grande fã dos temas de Pokémon selvagens e de treinadores comuns, mas o tema dos ginásios tem sido um dos meus favoritos nestes jogos desde o início. É um tema muito eletrónico: começa grave e tenso, minimalista de certa forma, ganhando novas emoções quando soam as notas de guitarra elétrica.

 

Para além dos combates de ginásio, esta música foi também atribuída ao combate contra AZ e ainda toca quando, no fim, este sorri pela primeira vez. Esse é outro motivo para gostar desta música – porque fica associada a esse momento.

 

Mais uma vez, este é o último tema inédito de ginásios até ao momento. Ao contrário dos temas de bicicletas, no entanto, gosto dos seis de modo mais ou menos igual, não sou capaz de escolher um preferido.

 

O tema do combate com Korrina, com os Mega Lucario é muito parecido com este: a melodia é a mesma, com percussão e notas de guitarra elétrica mais intensas. É fixe, mas eu gosto mais do tema dos ginásios, por ser um pouco mais minimalista – o que não é muito comum na franquia.

 

IMG_20180411_140530.jpg

  

Gosto do tema do combate contra Xerneas e Yveltal, conduzida por órgãos e com as notas ameaçadoras de guitarra elétrica logo a abrir. O único senão é mesmo o facto de a introdução durar mais de meio minuto, antes de a guitarra regressar.

 

Por sua vez, o tema do combate com os Lendários de Kanto é um remix épico do velhinho tema de Pokémon selvagens da primeira geração – mete um pouco de 8-bit e tudo!

 

Muito gosta a Game Freak the ordenhar a teta da nostalgia. O pior de tudo é que… resulta!

 

Por fim, Diantha pode não ser grande coisa enquanto personagem, mas o seu tema de combate é fantástico, representa-a bem enquanto Campeã: mistura a graça e o glamour de uma estrela de cinema, com a tensão e a solenidade de um combate final.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

  

E é isto. Estiquei-me um bocadinho sobre estes jogos, mas teve de ser. Encerraremos a análise à sexta geração no próximo texto, sobre Omega Ruby e Alpha Sapphire. Já o tenho mais ou menos rascunhado (espero que não tenha de dividi-lo em dois...), não quero demorar muito a publicá-lo, mas não posso dar-vos uma data certa – com o Mundial à porta, vou ter de dar prioridade ao meu outro blogue.

 

Em todo o caso, obrigada pela vossa paciência. Continuem por aí!

Pokémon através das gerações - La belle Kalos #1

Hoje retomamos a série "Pokémon através das gerações". Eu queria falar sobre Pokémon X e Pokémon Y no mesmo texto, mas exagerei um bocadinho e o Sapo Blogs literalmente não me deixou publicar aquela monstruosidade. Assim, a análise a estes jogos virá em duas partes. Esta é a primeira, a próxima vem amanhã.

 

IMG_20170306_1238851_HDR.jpg

 

Depois de ter falhado a quarta e a quinta gerações dos jogos Pokémon, desta feita pude acompanhar o lançamento da sexta geração, desde os primeiros anúncios revelando os starters e os Lendários-mascote. Não cheguei a jogá-los eu mesma até alguns meses depois do lançamento de Omega Ruby e Alpha Sapphire, mas ia vendo “Let’s play”'s no YouTube. Não é de todo a mesma coisa que jogar nós mesmos, mas sempre dá para ficar com uma ideia

 

A sexta geração foi a primeira a ser hospedada pela Nintendo 3DS. Como tal, veio com uma impressionante melhoria estética. O tema da geração, aliás, é precisamente “beleza”.

 

Eu gosto em particular dos gráficos em 3D. Era algo que eu desejava para os jogos principais havia cerca de uma década – desde que combatera contra um amigo meu no seu jogo de Pokémon Colosseum, usando a minha equipa da FireRed. Os Pokémon tornam-se completamente diferentes quando ganham três dimensões. Os criadores deram-se ao trabalho de dar animações únicas a cada um dos setecentos e vinte e um Pokémon – fazendo com que ganhassem uma camada extra de personalidade.

 

Por exemplo, já referi aqui no blogue que os gestos elegantes da Gardevoir fizeram-me gostar ainda mais dela. Adoro, também, a maneira como o Torchic corre de volta para o seu lugar, depois de um ataque.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

  

Por outro lado, adiantando-me um pouco à sexta geração, o efeito estende-se a Pokémon Go, já que o jogo reutiliza as animações destes jogos. Alguns exemplos de que me lembro agora são a Roselia – que, de vez em quando, faz gestos de menina de claque – o Hitmontop – que parece estar a dançar –  e o Snorunt – que se tornou irresistível ao aparecer a tremer de frio.

 

Adiantando-me ainda mais, quando saiu o vídeo que apresentava os segundos estágios dos starters de Sun/Moon, acho que não teria achado tanta graça ao Dartrix e, sobretudo, à Brionne (que tem um desenho um pouco deslavado) se não fossem as animações de combate e do Pokémon Refresh.

 

O que nos leva a uma das funcionalidades introduzidas nesta geração: o Pokémon Amie. Esta é parecida com o Nintendo Dogs – essencialmente fazemos festinhas aos Pokémon e alimentamo-los com queques (que ganhamos jogando mini-jogos). Se o fizermos vezes suficientes, os níveis de afeição aumentam, trazendo vários benefícios.

 

  

Não surpreende que tenham criado esta funcionalidade. Afinal de contas, a larga maioria dos Pokémon são criaturas engraçadas, equivalentes a animais de estimação (embora mais inteligentes, pelo menos no meu headcannon). Dito isto, uma coisa é fazer festinhas a um Eevee, um Pikachu, mesmo a um Absol ou a um Charizard. Quando começamos a fazer festinhas a um Pokémon como um Jynx, ou a um Lendário como o Mewtwo, torna-se esquisito – embora o Pokétuber TrueGreen7 tenha uns vídeos irresistíveis sobre isso, como podem ver acima.

  

Tirando essa parte, na minha opinião, o Pokémon Amie é uma funcionalidade muito bem vinda. Não só por nos dar mais maneiras de interagirmos com os nossos Pokémon, mas também pelos benefícios em combate. Um Pokémon com afeição elevada provoca alterações no diálogo do combate, faz mais critical hits, pode desviar-se de ataques ou, então, evitar ser derrotado por 1 HP – tudo por amor a nós.

 

Uma das primeiras vezes que isto aconteceu comigo e com a minha irmã foi da primeira vez que jogámos (mais ou menos a meias) Alpha Sapphire. A certa altura, andei a brincar com o Blaziken dela no Pokémon Amie. Mais tarde, quando ela estava a combater contra o Steven, já no último Pokémon, o Blaziken aguentou um ataque ficando apenas com 1 HP. Pôde, portanto, dar o golpe final para a vitória depois dessa.

 

Um aparte rápido só para referir que comprámos Alpha Sapphire na mesma altura em que adótamos a Jane, a nossa cadela. Eu ainda estava na fase de adaptação e sentia-me culpada por andar com mais vontade de fazer festinhas a criaturas virtuais e não à minha cadela, de carne, osso e muito pêlo.

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

  

Hoje, obviamente, já não tenho esse problema. Hoje em dia, uma coisa que faço é usar o Amie e o Refresh para provocar ciúmes à Jane. Ponho-me a dizer coisas como “Ah que menino bonito! Queres festinhas?”, ela pensa que estou a falar com outro cão e ladra.

 

Fechando o aparte, estes benefícios do Amie podem ser considerados facilitismo, não sem razão. Ainda assim, pelo menos nesta geração, usar o Amie dá algum trabalho, torna-se moroso e entediante – sempre compensa o colinho que o jogo dá.

 

Além disso, é bom para a parte sentimental. Olhemos para a situação de que falei neste texto, que fez com que o Vaporeon se tornasse o meu Pokémon preferido. Alguns de nós, se calhar, imaginavam que estas coisas ocorriam porque os Pokémon em questão gostavam mesmo de nós. Na minha opinião, foi uma boa jogada transformarem isso numa funcionalidade dos jogos.

 

Havemos de voltar a falar de facilitismo mais à frente. Conforme disse antes, a sexta geração foi a primeira em que experimentei a parte online dos jogos. Não fiquei desiludida. Muitos dizem mal do GTS, não sem razão – eu fico impressionada pela lata das pessoas que oferecem um Magikarp em troca de um Mewtwo. No entanto, se propusermos trocas decentes – isto é, oferecermos Pokémon de valor/raridade equivalente ao que queremos – a coisa funciona bem.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

  

Uma novidade nesta geração é o Wonder Trade, em que as trocas são feitas ao calhas, é uma lotaria completa. Eu acho super divertido, chega a tornar-se viciante. É certo que, na maior parte das vezes, só obtemos Pidgeys ou equivalentes, mas de vez em quando apanham-se coisas interessantes, como Pokémon com bons IVs ou Egg Moves.

 

Eu, por exemplo, afeiçoei-me a uma Lopunny que recebi, com o Fire Puch, o Ice Punch e o Thunder Punch. Também já me calharam um par de shinies, o que é sempre fixe, um Volcarona em troca de um Baltoy de nível 1 (numa altura em que este ainda não tinha sido lançado oficialmente) e um Slakoth chamado… Lay-Z (melhor alcunha de sempre!).

 

Outra funcionalidade de que gosto muito é do Pokémon Bank – que me permitiu, pela primeira vez em imenso tempo (se não for desde sempre), reunir Pokémon de várias gerações no mesmo sítio. Neste momento, tenho Pokémon da quinta à sétima geração – e só não tenho da primeira e da segunda porque ainda não completámos os jogos da Virtual Console.

 

imagem de cabeçalho.jpg

 

 

Sei que, tecnicamente, isto tem sido possível ir passando Pokémon de uma geração em diante desde a terceira. Há fãs que ainda têm os Pokémon que usaram em Ruby&Sapphire. Eu, no entanto, só pude fazê-lo com o Bank e, pura e simplesmente, adoro-o. Ter Pokémon que usei em jogos diferentes, com quem vivi histórias diferentes, todos juntos, disfrutando do paraíso do Mohr no Pokémon Pélago. E quero tentar guardá-los enquanto puder.

 

Outra das novidades destes jogos diz respeito à Mega Evolução: uma evolução temporária, que requer um objeto especial e que só ativada em combate, depois de se formar um laço entre treinador e Pokémon.

 

Lembra-vos alguma coisa?

 

Aqui entre nós, o possível plágio de Digimon não me incomoda. Pelo contrário, se era para copiar alguma coisa de Digimon, copiaram um dos meus aspetos preferidos da franquia. A cena em que o jogador ativa o Mega Ring traz inclusivamente um bocadinho da euforia e epicidade das digievoluções.

 

  

Só uma mão-cheia de Pokémon é que obteve Mega Evoluções. Não surpreende que a larga maioria deles sejam dos mais populares entre os fãs. Os starters de Kanto (o Charizard teve direito a duas Mega Evoluções, porque… Charizard) e de Hoenn (com os remakes era inevitável), o Mewtwo (também com direito a duas, porque o Mewtwo ainda não era suficientemente OP), o Lucario, a Gardevoir e o Gallade, o Gengar, o Salamence… mas não o pobre Flygon, consta que por bloqueio criativo de Ken Sugimori (a sério?!?).

 

Conforme referi na resposta a um comentário no último texto desta rubrica, nunca pensei assim muito muito nas minhas Mega Evoluções preferidas. Se tivesse de escolher neste momento, escolheria a Mega Lopunny – em parte por aquela de que falei acima e também porque me faz lembrar a protagonista de Millian Dollar Baby (apesar de nunca ter visto esse filme) – e o Mega Rayquaza – que ganhou um visual muito mais intimidante e feroz.

 

Na verdade, na minha opinião, quase todas as Megas Evoluções foram bem sacadas, deram uma versão mais impressionante aos Pokémon em questão. As únicas exceções são o Mega Sableye (pouco imaginativo) e o Mega Slowbro (até dá pena…).

 

32147288_654677578198946_9021206302734417920_n.jpg

  

Mas chega de falar das funcionalidades, passemos aos jogos em si. Conforme referi antes, vi várias pessoas jogando X&Y desde que os jogos saíram – sobretudo Pokétubers, mas também a minha irmã. No entanto, só a joguei eu mesma em junho de 2016.

 

Um bocadinho de contexto. Numa altura em que já andava a fazer planos para esta série de textos, sobre as várias gerações de Pokémon, a minha ideia inicial era jogar X depois do Euro 2016. Conforme referi antes, sabia que ia andar em baixo quando a Seleção Portuguesa, inevitavelmente, fosse expulsa do Europeu. O jogo seria uma boa distração.

 

A minha irmã, no entanto, disse-me que também queria jogar X em julho, quando entraria de férias. Ela acabaria por mudar de ideias e nem sequer jogar, mas eu aceitei começar o meu jogo um mês antes do previsto – na véspera do início do Europeu.

 

Isso acabou por me dar a ideia de seguir um tema nas alcunhas dos meus Pokémon, em X. Todos receberam nomes de jogadores da Seleção Nacional.

 

15977960_855234827912217_5927008578269354388_n.jpg

  

Eu sei. Isto é mesmo o cúmulo da Sofia.

 

Sem problemas com isso, porque acabou por ser uma das melhores ideias que tive. Tornou ainda mais especial a minha aventura por Kalos – que, por sinal, foi inspirada em França, mas só me apercebi da coincidência uns dias depois. Eu e a minha mini-Seleção à conquista de França à nossa maneira, tal como a Seleção de carne e osso.

 

O facto de, no fim, Portugal ter ganho o Europeu tornou tudo ainda melhor (o emblema que nós recebemos após vencermos a Liga é, aliás, muito parecido com o logótipo do Euro 2016). Aquela equipa tornou-se ainda mais especial por ter sido a que usei durante o primeiro campeonato de seleções que ganhámos – um dos períodos mais felizes da minha vida. Por serem uma espécie de avatares dos jogadores que nos deram o nosso primeiro título.

 

Foi um jogo divertido ir adicionando Pokémon à minha equipa e tentando descobrir, de entre os 23 Convocados, quem melhor se encaixava. Começando pelo meu starter, o Chespin: um Pokémon muito defensivo, que ganha o tipo Luta quando evolui.

 

Avril-Lavigne-album-meme.png

  

Ora, tendo em conta que o Bruno Alves era defesa e fizera isto na semana anterior, não foi difícil decidir a alcunha.

 

O segundo membro da minha equipa foi um Fletchling, que evoluiria para Tallonflame. Chamei-lhe Renato Sanches, por vários motivos. Primeiro, porque é vermelho e baseado numa ave de rapina – embora se pareça mais com um falcão do que com a águia, que serve de mascote ao Benfica, onde Renato se formou. Segundo, durante a sexta geração, o Tallonflame era um dos Pokémon mais populares no modo competitivo – ao mesmo tempo, nos meses anteriores ao Europeu, surgiu um hype como nunca tinha visto em torno do Renato. Foi uma coisa parva – eu mesma acabei por me deixar levar, porque o miúdo até correspondeu durante o Euro 2016.

 

Curiosamente, a popularidade do Renato e do Tallonflame começou a decair mais ou menos na mesma altura: alguns meses após o Europeu. O Tallonflame, porque a habilidade Gale Wings foi nerfada (este termo irrita-me um bocado) na sétima geração. O Renato, porque foi aquecer bancos para o Bayern de Munique e nunca mais conseguiu voltar ao nível de antes.

 

Ao usar um Tallonflame, acabei por me aperceber de outras semelhanças com o Renato. Os dois melhores stats do Tallonflame são o Attack e, sobretudo, o Speed. Caracteriza-se assim por ataques rápidos e letais – tais como famosas arrancadas do Renato, uma das quais dando-nos na vitória perante a Croácia.

 

HDACg.jpg

 

Ao mesmo tempo, o grande problema do Tallonflame é a sua defesa – ou melhor, a falta dela. O Tallonflame tem mesmo de se valer dos seus ataques rápidos e letais, porque não consegue aguentar mais do que dois ou três golpes. De maneira similar, o Renato ainda cometia vários erros defensivos comprometedores – por falta de experiência, sobretudo.

 

Não consigo mesmo pensar num Pokémon que melhor represente o Renato.

 

Também usei um Dedenne. Chamei-lhe Raphael Guerreiro, porque ambos têm ar inofensivo. O Dedenne é literalmente um ratinho fofinho (podiam era ter-lhe dado umas cores diferentes, para que não parecesse tanto um Raichu em miniatura). O Raphael é baixinho e tem cara de miúdo. Mas ambos são bem mais fortes do que parecem. O meu Dedenne é, pelo menos. E o Raphael tem um talento incrível, conquistou-me logo nos seus primeiros jogos pela Seleção.

 

Para os restantes membros da minha equipa, as comparações são um tudo nada mais forçadas. O Nani, por exemplo, não tem muitas semelhanças com um Vaporeon, tirando o facto de ambos estarem entre os meus favoritos há muitos anos.

 

124243212.png

 

Da mesma maneira, só chamei Quaresma à minha Meowstic porque uma das alcunhas de Ricardo Quaresma é Harry Potter. E como o tipo Psíquico sempre foi o mais associado a magia, sobretudo antes de introduzirem o tipo Fada… Como era uma fêmea, usei só o apelido do jogador.

 

Por fim, chamei Rui Patrício ao meu Absol. Afinal de contas, tal como este Pokémon aparece sempre antes de acontecer uma coisa má, quando um guarda-redes aparece muito em jogo, é mau sinal. Além disso, em ambos os casos, quando as desgraças acontecem, eles acabam por arcar com a culpa, muitas vezes. É mesmo possível que sejam mais recordados pelas tragédias que não conseguiram evitar, do que por aquelas que conseguiram.

 

Isso, felizmente, não acontece com Rui Patrício. Pelo contrário, ele possui literalmente uma das suas defesas imortalizada em estátua.

 

De qualquer forma, tal como expliquei antes, prefiro pensar no Absol como um guardião do que com um profeta de desgraças. E, acho que todos concordam, Rui Patrício encaixa-se bem nesse papel. (Pena é ninguém ter feito o mesmo por ele na semana passada...)

 

54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg

  

Existem uns quantos outros Pokémon, que estiveram perto de ser titulares na minha equipa, que também receberam nomes de jogadores da Seleção. Dos starters de Kanto, escolhi o Squirtle, mas só o mantive na minha equipa até evoluir para Wartortle. Não precisava de outro Pokémon fisicamente defensivo com o Chespin na equipa. Tal como o meu starter, o Squirtle também recebeu o nome de um central. Entre Pepe e José Fonte escolhi o segundo, por motivos óbvios.

 

Também apanhei um Honedge, a quem chamei William Carvalho. Por fim, tive um Ducklett a quem chamei… Éder.

 

Sim, isto aconteceu antes da final do Europeu. Usei esse nome precisamente porque Éder era o patinho feio da Seleção, mas eu tinha esperanças de que se transformasse num cisne durante o Euro – ele pelo menos dizia, meio a brincar meio a sério, que podia tornar-se o melhor marcador da prova.

 

Infelizmente, Fernando Santos deixou-o no banco durante a maior parte do Europeu. Eu fiz o mesmo com o “meu” Éder: deixei-o no PC, preferi usar um Vaporeon.

 

nmlobo.png

  

O Éder de carne e osso, no entanto, arranjou outra maneira de se transformar num cisne – e nenhum de nós alguma vez esquecerá essa transformação.

 

Depois da final, fiquei com pena de não ter dado titularidade ao meu Ducklett, confesso. No entanto, para compensar, treinei-lhe os E.V.s (tarefa bastante facilitada nesta geração) para poder, pelo menos, usá-lo na Battle Maison e afins.

 

Mas chega do meu sentimentalismo – por agora, pelo menos. Falemos dos jogos X&Y em si. Depois de uma quinta geração bastante arrojada e inovadora em termos de conteúdo e enredo, os jogos X&Y recuperam fórmulas antigas: rivais, oitos ginásios, equipa vilanesca com administradores e líderes, Elite 4, Campeão (ou melhor, Campeã), sem desvios.

 

Bem, quase.

 

tumblr_oh9ym4oznq1ru6zhto7_1280.jpg

 

Uma das poucas variações da fórmula, na verdade, diz respeito ao facto de termos um total de quatro rivais. A perspetiva de explorar uma região integrada num grupo de amigos até é agradável, não o nego – sobretudo durante a parte de defrontar a equipa vilanesca. No entanto, nenhum destes quatro é particularmente interessante.

 

A única de de gosto é de Shauna, que parece nutrir um fraquinho pelo protagonista, independentemente do género. Destaque para a famosa cena na varanda do Parfum Palace, com os fogos-de-artifício, em que no fim o mordomo nos oferece o TM para… o Protect.

 

É sempre giro ver a Game Freak piscando o olho aos fãs mais velhos.

 

No geral, prefiro que os criadores se limitem a um ou dois rivais, minimamente desenvolvidos e interessantes. Felizmente, tem sido essa a regra após X&Y.

 

maxresdefault.jpg

 

O tema desta geração é “Beleza” e os jogos X&Y exploram bem esse conceito – começando pelas melhorias gráficas e pela capacidade, até esta altura inédita, de personalizarmos os nossos avatares. “Kalos”, o próprio nome da região, aliás, significa “beleza” em grego.

 

É de facto uma região lindíssima – pudera, é baseada em França. Estive lá de férias no ano passado e posso confirmar que os criadores capturaram bem o ambiente e o estilo arquitetónico. O Parfum Palace é provavelmente o maior exemplo. Apesar de ter sido baseado no Palácio de Versailles, que eu não cheguei a visitar, encontrei muitas semelhanças entre ele e os castelos que visitei: como o Chatêau de Chambord, o de Villandry (cujos jardins são muito parecidos aos do Parfum Palace) e o de Chinon.

 

Há quem acuse os produtores de se terem baseado apenas na perspetiva turística de França (outros dizem o mesmo sobre Alola, da sétima geração). Talvez seja por isso que os jogos possuem tantas referências à Idade Média, à nobreza e realeza, com várias personagens usando títulos nobiliárquicos e com a arrogância associada a sangue azul…

 

 lumiose_city_scene_illustration.0.jpg

 

…isto apesar de a França ter sido dos primeiros países da Europa a implementar a República. Enfim.

 

X&Y aborda também o lado negro deste conceito, não apenas a parte glamourosa. Isto da beleza é tudo muito bonito, literalmente, mas é efémero: flores murcham, a chuva dá lugar ao sol, as pessoas envelhecem e morrem. Não surpreende, assim, que, numa sociedade tão centrada na beleza, surjam extremistas como Lysandre. Pessoas tão revoltadas com a efemeridade da beleza que fazem de tudo para preservá-la eternamente… ou para destruir todos aqueles que se considerem “feios”.

 

Consta que Lysandre, o líder dos Team Flare, a equipa vilanesca destes jogos, não foi sempre assim. Até costumava ser boa pessoa e ajudar os mais necessitados. No entanto, acabou por se cansar dos vícios da Humanidade e assim se tornou no misantrópico que conhecemos em X&Y.

 

É uma motivação como qualquer outra, mas existe por aí muito boa gente misantrópica que não se põe a destruir o mundo. Além disso, Lysandre chega a ser hipócrita, pois está disposto a sacrificar Pokémon inocentes, alegando que eles, de qualquer forma, estavam destinados a ser escravizados pelos humanos.

 

IMG_20170306_1238851_HDR.jpg

 

Deve ser, deve.

 

As motivações de Lysandre acabam por ser parecidas com as de Cyrus, na quarta geração, mas, a meu ver, fazem mais sentido no conceito de X&Y. Além disso, os paralelismos com Hitler e os nazis são um bocadinho óbvios – como se o termo “Holo Caster” nos deixasse duvidar...

 

Lysandre distingue-se de outros líderes vilanescos porque encontra-se bem integrado na sociedade de Kalos. Conforme vimos em Generations, ele é essencialmente o Steve Jobs da região, bom amigo de Diantha, a Campeã, e Sycamore, o Professor. Durante uma boa parte do jogo, Lysandre fala dos seus planos para “criar um mundo lindo”, tenta recrutar o protagonista para os seus planos, sem que uma sobrancelha se erga. Mas é um choque para o elenco (não necessariamente para a audiência) quando Lysandre anuncia as suas intenções via Holo Caster.

 

Agora que penso nisso, não sei se esse anúncio terá sido a decisão mais inteligente – é como se estivesse a pedir para ser travado. Ou o Steve Jobs lá do sítio não é assim tão inteligente ou temos uma falha no enredo (aposto mais na segunda).

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

Conforme referi quando escrevi sobre Generations a ascensão se Lysandre mostra o lado negro e corrupto da sociedade de Kalos. Eu gostava de ter visto mais reações a esta revelação – uma maior reflexão por parte de Sycamore, Diantha e outros membros da sociedade sobre os motivos pelos quais Lysandre ganhou tanto poder. Porque é que ninguém se apercebeu das suas verdadeiras intenções. Talvez chegassem à conclusão de que este é o lado negro de toda uma cultura centrada em algo tão efémero e relativo como beleza.

 

Este é um dos motivos pelos quais estes jogos precisavam de uma sequela. Ou, pelo menos, de uma versão melhorada.

 

Havemos de regressar a esta ideia... amanhã. Vamos também falar, entre outras coisas, das melhores personagens e histórias destes jogos, sobre coisas que não resultaram tão bem e, claro, sobre a música. Não percam!

 

Mike Shinoda – Post-Traumatic (o EP e não só)

HDACg.jpg

  

Como é do conhecimento geral, Chester Bennigton morreu no ano passado. A sua morte deixou a sua banda, os Linkin Park, com um futuro incerto. Tirando o concerto de homenagem em finais de outubro do ano passado, cada um dos membros sobreviventes encontra-se, neste momento, a seguir o seu próprio caminho, à parte da banda. Para Mike Shinoda – segundo vocalista, multi-instrumentista e, para todos os efeitos, cérebro dos Linkin Park –  esse caminho passa por lançar música a solo

 

Em entrevistas recentes, Mike confessou que, mesmo antes de Chester morrer, já tinha a vaga ideia de, um dia, investir num projeto a solo, em música que ele pudesse criar e lançar sem passar pelo crivo de colegas de banda. Um pouco o que o próprio Chester fez com os Dead By Sunrise. A morte do melhor amigo – da pessoa com quem, nas palavras de Mike, passava mais tempo tirando a sua esposa – acabou por acelerar esses planos. Mike afirmou que, embora nem todas as músicas deste trabalho novo sejam sobre o luto por Chester, foi por aí que o projeto começou. Sendo o luto uma jornada tão pessoal, tão íntima, Post-Traumatic é um trabalho igualmente íntimo e pessoal. Para além de compôr e produzir estas músicas ele mesmo, os videoclipes vieram todos do telemóvel de Mike – o único que não veio, foi filmado com fãs.

 

Não estou surpreendida por ouvir música a solo por parte do Mike, nesta altura do campeonato. Julgo tê-lo ouvido dizer, numa entrevista de há uns anos, que ele é daquele género de compositores que precisa de estar sempre a trabalhar em algo, para o músculo não atrofiar. Em declarações mais recentes, já a propósito de Post-Traumatic, Mike referiu mesmo que, desde miúdo, sempre se voltou para a música e para o desenho nestas alturas – são a sua maneira de lidar com momentos difíceis.

 

IMG_20180411_140530.jpg

 

Eu encaro a escrita da mesma maneira: algo que faço quase todos os dias, em parte para não perder a prática (tal como expliquei aqui), mas sobretudo por necessidade. Eu preciso de ter algo para escrever, mesmo que nunca seja publicado de nenhuma forma. Também é a minha maneira de lidar com períodos mais infelizes, quer escrevendo sobre eles ou (e isto é mais frequente, confesso) como forma de consolo ou escapismo.

 

Quando o Chester morreu, no entanto, Mike teve de se obrigar a regressar ao estúdio, reaprender a compôr. Chegou a dizer que, nas primeiras semanas, compôs uma série de “músicas grunge más”, algumas propositadamente más, algumas propositadamente ridículas, até conseguir compôr algo decente. Daí Post-Traumatic.

 

Este começou por ser apenas um EP de três músicas, lançado em finais de janeiro. Na altura não escrevi sobre ele porque ainda não tinha uma opinião formada sobre ele. Mas agora que Mike lançou mais um par de faixas, confirmando que Post-Traumatic vai ser um álbum, é uma boa altura para dar o meu parecer.

 

Antes de começar, dizer apenas que, na minha opinião, estas faixas valem mais pelas letras que pela parte musical. Desse modo, não vou focar-me tanto em instrumentais como faria noutras circunstâncias.

 

  

Sem grande surpresa, um dos temas recorrentes nestas músicas é desorientação, insegurança. É o que acontece, não apenas quando se perde um melhor amigo, mas também quando o trabalho de quase duas décadas fica comprometido. A Place to Start, que abre o EP – e que deverá abrir o álbum – reflete exatamente isso. A faixa – que, segundo Mike, chegou a ser considerada para introdução ao álbum One More Light, com uma letra diferente, claro – tem um instrumental grave e melancólico, bem a condizer com a letra.

 

Em a Place to Start, Mike afirma que, essencialmente, não tem maneira de seguir com a sua vida, que sente que não tem controlo sobre ela. Diz que receia tomar decisões, pois podem acabar mal. Ao mesmo tempo, quer fazer alguma coisa. Começar por algum lado, tal como reza o título da canção.

 

Havemos de regressar a esta ideia.

 

  

Consta que Over Again é a música mais popular do EP e eu concordo com a opinião geral. Não é difícil perceber porque é que as pessoas gostam: é a mais crua, a mais específica, de todas lançadas até agora, aquela que chama os bois pelos nomes. Mike compôs a primeira estância na véspera do concerto de homenagem a Chester, no Hollywood Bowl, e a segunda no dia a seguir. Ambas as estâncias referem-se diretamente a esse concerto e a tudo o que levou a ele.

 

Na primeira parte da canção, assim, ouvimos acerca da decisão de fazer o concerto, nas primeiras semanas a seguir à morte de Chester, de como chegara o dia do concerto… e do pavor que Mike tinha de subir ao palco.

 

Mais uma vez, sem surpresas aqui. Eu mesma chorei quando anunciaram esse concerto, em inícios ou meados de setembro. E tornei a chorar na manhã que se seguiu ao concerto. Eu, que sou apenas uma fã, cujo único contacto com Chester fora agarrar-lhe a mão durante dois segundos.

 

A segunda parte aborda o pós-concerto e é muito mais intensa, rica em raiva e revolta, em que Mike parece disparar em múltiplas direções: aos críticos da banda, ao processo de luto que parece nunca mais acabar, àqueles que que não parecem compreender a dimensão do problema de Mike. O verso “Only my life’s work hanging in the fucking balance” é esclarecedor – Mike disse mesmo no Genius (mais sobre esse site aqui) que é a ideia principal de Post-Traumatic.

 

maxresdefault.jpg

  

Ao mesmo tempo, Mike confessa que não sabe o que sente em relação ao concerto em si, que quase se foi abaixo em certos momentos – isto apesar de terem existido alturas em que ele parecia animado. A certa altura, chegou a dizer que se estava a divertir, o que lhe parecia estranho.

 

É como o próprio Mike disse durante o concerto: é uma montanha-russa de emoções. Em Over Again, Mike diz que só queria que se tornasse mais fácil. A língua inglesa tem esta palavra extraordinária, closure, que não tem tradução direta para português. É um misto entre conclusão e aceitação. Essencialmente, dar um capítulo da vida de uma pessoa por encerrado e partir para outra. Algo que Mike não consegue fazer.

 

Se esta música tivesse saído um mês antes, teria dado cabo de mim.

 

O que nos leva ao refrão. O título da música Over Again refere-se ao facto de o luto nem sempre ser um processo linear. O sentimento de perda nunca desaparece de vez, está apenas dormente, despertando quando menos esperamos. E, quando acontece, abalam uma pessoa. Mike têm dado vários exemplos em que, em suma, ele até está a ter um dia bom, sai para comprar gelado, toca uma música dos Linkin Park ou é abordado por um fã e volta tudo de novo. Como reza One More Light, “the reminders pull the floor from your feet.”

 

 

Queria, por fim, chamar a atenção para os vocais do segundo e terceiro refrões e, sobretudo, perto do fim da canção: muitos, eu incluída, julgam ouvir a voz de Chester no coro. Chegou a pensar-se que talvez fossem vocais antigos do cantor, gravados para um dos álbuns de Linkin Park mas que nunca chegaram a ser usados. No entanto, Mike disse no Twitter que não, os vocais são dele mesmo – quanto muito, estaria a canalizar o Chester dentro de si.

 

Eu gosto disso. É uma parte do Chester que continua a viver em Mike – na voz dele e não só, como reza Everglow, dos Coldplay. Sempre consola um bocadinho.

 

  

Existem muitas coisas boas em Over Again, como podem ver, é a minha faixa preferida até ao momento. Por sua vez, Watching As I Fall é das menos apelativas para mim – o que não significa que seja má.

 

Tem um ritmo um pouco mais acelerado que as outras canções do EP e, tal como em Over Again, ouve-se muita raiva e revolta na letra e interpretação. Os temas são os mesmos: o luto não linear, a desorientação, o surrealismo. Destaca-se o facto de Mike estar a passar por tudo isto sob o olhar do público.

 

Estas foram, então, as músicas lançadas quando Post-Traumatic era apenas um EP. Por sua vez, Crossing A Line e Nothing Makes Sense Anymore foram lançadas há apenas duas semanas, já como parte do álbum. Além disso, nota-se que pelo menos Crossing A Line foi composta numa fase diferente das músicas do EP.

 

  

Crossing A Line – o primeiro single oficial – está a tornar-se uma das minhas preferidas de Post-Traumatic por causa da letra, um tudo nada mais esperançosa que as outras músicas. Se em a Place to Start, Mike não sabia o que fazer consigo mesmo, em Crossing a Line, ele parece ter uma ideia mais clara. As inseguranças persistem mas, desta feita, Mike tem esperança.

 

Se dúvidas existiam antes, Mike deixa bem claro no Genius que a decisão de que Crossing A Line fala é o seu álbum a solo… e sobre o medo que Mike sentia da reação dos seus colegas de banda ao projeto.

 

Eu compreendo as inseguranças de Mike, sobretudo à luz da morte de Chester – podia parecer que ele estava a desistir dos Linkin Park. Mas eu acho que o Brad, o Phoenix e os outros nunca diriam que não. Eles nunca tiveram problemas nem com Fort Minor (ao ponto de incluírem músicas como Remember the Name na setlist de vários concertos dos Linkin Park) nem com Dead by Sunrise (ao ponto de, segundo uma entrevista que vi na altura em que escrevi a análise a Out of Ashes mas que não consigo encontrar agora, terem dado ao Chester a possibilidade de lançar Out of Ashes com o nome dos Linkin Park). Porque haveriam de levar a mal este projeto do Mike?

 

De qualquer forma, Mike queria mesmo que os amigos soubessem que ele não estava a abandoná-los.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

  

A expressão “Crossing a line” – cruzando um risco, ultrapassando um limite – faz pensar em algo proibido, irreversível. Consigo pensar em várias outras possíveis interpretações para coisas “proibidas” a que a canção pode estar a referir-se. Mike está já a cruzar um limite só pelo facto de estar a seguir com a sua vida após a morte do Chester. Ao mesmo tempo, mais uma vez remetendo para A Place to Start, Mike está a deixar um lugar depressivo mas confortável para se aventurar no desconhecido.

 

Por outro lado, só o facto de este trabalho deixar a alma de Mike a nu é algo suficientemente desconfortável para equivaler a cruzar uma linha.

 

O videoclipe para Crossing a Line é mais sofisticado que os outros, mas mantém o carácter pessoal e intimista. O vídeo foi filmado no mesmo sítio onde os Linkin Park terão começado como banda. Mike avisou quarenta e cinco minutos antes no Twitter que ia para lá, pedindo aos fãs para irem lá ter se pudessem. Como se pode ver no vídeo, apareceu imensa gente.

 

Eu com inveja deles? Não! Que ideia…

 

  

Falta apenas falar sobre Nothing Makes Sense Anymore, que foi lançada juntamente com Crossing a Line. Esta, no entanto, tem mais semelhanças com as músicas do EP, lançadas em janeiro.

 

Para esta, queria começar por falar do videoclipe. Este mistura imagens dos incêndios que assolaram Los Angeles em dezembro do ano passado com imagens do telemóvel de Mike, quando este foi visitar os terrenos ardidos. Faz-me lembrar, como é evidente, os nossos próprios incêndios, no ano passado.

 

Não me surpreende que Mike tenha escolhido este cenário para o vídeo. Suponho que ele se identifique com uma vítima dos incêndios – com as devidas ressalvas, claro, porque mal por mal Mike não perdeu a sua casa. Mesmo assim, a morte de Chester foi algo que lhe destruiu a vida que conhecia e Mike encontra-se, agora, a reconstruir uma vida nova sem Chester, a encontrar o novo “normal”.

 

É sobre isso que fala a letra de Nothing Makes Sense Anymore – à mistura com os temas recorrentes de luto e incerteza.

 

Sobre a parte musical, queria dizer apenas que os efeitos na voz de Mike irritam-me um pouco, tornam o seu desempenho demasiado artificial, pouco humano. Estes efeitos também existem em Crossing a Line, eu sei, mas só no refrão, não incomodam tanto. Talvez Mike não tenha gostado do seu desempenho vocal e tenha acho que precisava de ajustes.

 

 

Em suma, conforme dei a entender antes, estas canções são mais ou menos o que se esperava da parte do Mike, tendo em conta as circunstâncias. É possível que tenhamos mais músicas assim no resto de Post-Traumatic. Pergunto-me, aliás, se Looking for an Answer fara parte da tracklist. Mike ainda não a lançou porque, segundo um tweet dele, não conseguira descobrir a melhor maneira de apresentá-la.

 

Eu gosto do Mike, quase tanto como gostava do Chester. Para além de ser um bom músico, parece ser uma boa pessoa, um bom exemplo, com sentido de humor, chegado aos fãs. Tal como Chester era. Tenho pena de, entre muitas outras coisas, não podermos voltar a vê-los juntos, mas estou grata por ainda termos Mike na nossa vida, por termos música criada por ele, mesmo que não seja Linkin Park.

 

Aqui entre nós que ninguém nos ouve, nesta fase, não me importaria muito muito se os Linkin Park nunca mais se voltassem a reunir, se a partir de agora Mike só criasse música para si mesmo. É o que sinto neste momento – não garanto que não mude de ideias no futuro. Mas, nesta fase, estou aliviada por os Linkin Park estarem em pausa, com cada membro seguindo o seu caminho, porque ainda não me sinto preparada para ver os Linkin Park continuando sem o Chester, seja de que forma for.

 

IMG_20170306_1238851_HDR.jpg

  

Mais uma vez sublinho: é o que eu sinto agora. Não está escrito em pedra.

 

Já que falo disso, suponho que faça sentido fazer uma atualização da maneira como tenho lidado com a morte do Chester, nos últimos tempos. Curiosamente, tenho estado bastante melhor este ano – a pior parte ficou em 2017. Talvez tenha ajudado escrever sobre isso nesse texto. Talvez o facto de a minha própria vida andar a correr melhor este ano tenha feito com que parasse de projetar os meus próprios dramas no que aconteceu ao Chester. De qualquer forma, está menos insuportável do que antes.

 

E, mesmo assim, de vez em quando apanha-me desprevenida – como Mike descreveu nestas canções, mas muito mais atenuado, claro. Houve uma ocasião em que estava a escrever despreocupadamente para o meu outro blogue, com o Spotify em modo aleatório. De repente, começa a tocar a música One More Light (que não ouvia há algum tempo) e deu-me um baque.

 

Esta foi a ocasião mais intensa. Para além dessa, às vezes dou por mim a lacrimejar quando oiço certas músicas. Como Breaking the Habit ou Numb (ponho-me a pensar no concerto no Hollywood Bowl, em que tocaram esta sem ninguém a cantar, apenas o microfone iluminado). Por fim, escrever este texto voltou a despertar um bocadinho do luto em mim.

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

  

Entretanto, ainda tenho o álbum One More Light por analisar. Não o fiz ainda por uma questão de calendário – tenho uma data de textos que quero escrever e publicar antes de me voltar para esse. Como tal, ainda devo demorar alguns meses.

 

Para já, quero ver se o próximo texto que publico é o próximo de Pokémon através das gerações, a análise à sexta geração, que deverá vir em duas partes Não sei se consigo publicá-los já já, mas nunca depois de finais de maio.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Continuem ligados!

Pokémon através das gerações - Cinquenta sombras de Black2&White2

Este texto é a segunda parte da análise à quinta geração de Pokémon. Podem ler a primeira parte aqui.

 

pokemon_bw2____by_namie_kun-d5h1txu.jpg

 

Falemos, então, sobre Black2&White2. Por muitos defeitos que aponte a esta geração, estes jogos são capazes de ser os meus preferidos neste momento, como mulher adulta, sem nostalgia à mistura.

 

É certo que, hoje em dia, não jogo Pokémon assim tantas vezes – da quarta geração para a frente só joguei cada jogo uma vez. A única exceção foi White 2, que joguei duas vezes. Admito que não tenho muito em que me basear para formar uma opinião. Se me perguntarem daqui a um ano ou dois, sou capaz de dar uma resposta diferente.

 

Hei de reconhecer sempre, no entanto, que estes jogos estão muito bem feitos. Um dos maiores pontos a seu favor é o facto de serem sequelas propriamente ditas, em vez que apenas versões melhoradas de Black&White. Os jogos têm lugar na mesma região, sem adicionarem Pokémon inéditos. No entanto, os eventos decorrem dois anos após os de Black&White, reencontramos a larga maioria das personagens desses jogos e conhecemos algumas vezes. Adicionaram algumas localizações novas e o percurso que fazemos por Unova é diferente. Por fim, encontramos, também, muitos mais Pokémon de gerações anteriores.

 

Se formos a ver, Black2&White2 partilham vários pontos fortes com os jogos da segunda geração e respetivos remakes – que também funcionaram como sequelas aos jogos da primeira geração e respetivos remakes, se bem que com muito mais conteúdo inédito.

 

Avril-Lavigne-album-meme-PT.png

 

Já que falamos disso… sim, fiquei chateada por não terem feito o mesmo com Ultra Sun e Ultra Moon. E não só: também queria jogos-sequela para X&Y! Mais sobre isso na altura certa.

 

A Unova de Black2&White2 é também um pouco mais rica que a dos jogos anteriores – com adições interessantes, como Lentimas Town ou o túnel subaquático entre Undella e Humilau. Muitos fãs também gostaram dos chamados “Hidden Grottos”, onde se podem encontrar certos itens e Pokémon com as respetivas Habilidades Secretas.

 

Por outro lado, só o facto de podermos encontrar Pokémon de gerações anteriores chega para dar a sensação de estarmos a jogar um jogo completamente diferente de Black&White.

 

Conforme referido antes, o enredo de Black2&White2 decorre dois anos após os eventos de Black&White. Logo no início do jogo, descobrimos que Cheren se tornou líder de ginásio em Aspertia, a cidade-natal do protagonista, e que Bianca está a trabalhar como assistente da Professora Juniper. Mais ou menos na mesma altura, conhecemos Hugh, o nosso rival, que guarda um particular ressentimento ao Team Plasma.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

  

Uma palavra sobre Hugh. Ninguém parece gostar muito dele e eu percebo porquê. Eu gosto da ideia por detrás dele: alguém com um motivo pessoal para se envolver na história e fazer frente aos protagonistas – neste caso, para recuperar o Purrloin que o Team Plasma roubou à irmã dele. Julgo que já referi aqui que, na minha opinião, estas personagens são mais credíveis do que aquelas que se envolvem na história por acaso e que permanecem porque “é a coisa certa a fazer” – como acontece na larga maioria dos jogos de Pokémon.

 

No papel fazia sentido, portanto. Mas a execução deixa muito a desejar. Hugh deseja recuperar o Purrloin da irmã, mas quase nada nos é revelado sobre ela. Não sabemos o nome nem porque motivo não vem ela mesmo procurar o seu Pokémon – já bastava uma desculpa do género: “Ai e tal, ela é demasiado nova”.

 

Faria, aliás, muito mais sentido se fosse o Purrloin do próprio Hugh.

 

Mesmo que fosse, no entanto, Hugh continua a ser um rival… esquisito. Tem um temperamento irascível, mas de uma maneira caricata, o que torna ainda mais difícil levá-lo a sério. Além disso, trata-nos menos como um rival e mais como uma arma a ser afinada para a sua vendetta contra o Team Plasma. De praticamente todas as vezes que fala connosco, sobretudo aquando dos combates, essencialmente diz para ficarmos mais fortes para que possa contar connosco na busca pelo Purrloin.

 

spotify-2017-wrapped.png

  

É certo que é uma variante à costumeira fórmula do rival e admito que possa ser interessante para algumas pessoas. Mas dá a ideia – pelo menos até perto do clímax com Ghetsis e N – que Hugh é o verdadeiro protagonista dos jogos e nós somos um mero sidekick, que faz a maior parte do trabalho sujo.

 

Talvez tivesse sido melhor se Hugh não fosse um rival propriamente dito. Se, em vez disso, desempenhasse um papel parecido ao de Lillie, nos jogos da sétima geração: alguém importante para o enredo, mas que não nos distraia por aí além da nossa jornada como treinadores.

 

Dito isto tudo, pessoalmente, nos jogos de Pokémon, gosto de ter parceiros na enfrentar as equipas vilãs – sobretudo quando se juntam a nós em combates duplos. A moda surgiu na quarta geração e tem-se mantido em todos os jogos até agora. É fixe: poder da amizade e tal. Em Black2&White2, o principal aliado é Hugh, naturalmente, mas também temos a ajuda de Cheren.

 

O Team Plasma de Black2&White2 é interessante. Dois após Ghetsis ter sido desmascarado e N ter partido, a organização encontra-se em guerra civil. De um lado, aqueles que de facto acreditavam na mensagem de N. Do outro, aqueles que só estavam lá pelo estilo de vida criminal e/ou por Ghetsis.

 

Os primeiros procuram compensar pelos erros do passado e encarregam-se de cuidar de Pokémon feridos ou abandonados, procurando treinadores que os acolham.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

Os segundos, por sua vez, têm um novo plano para ganhar o controlo de Unova. Mete gelo.

 

Uma das novas personagens em Black2&White2 é Colress, que possui imensos fãs, por sinal. Não é o meu caso, mas não desgosto dele. Colress é um cientista, que procura a maneira mais eficaz de extrair o potencial de um Pokémon. Nestes jogos, aparece como segundo líder da facção pró-Ghetsis do Team Plasma – aparentemente, Ghetsis tê-lo-á considerado útil à sua causa. Colress, no entanto, é daquele género de pessoas que só é leal a si mesmo. Não tem problemas em trocar de lado, se isso servir os seus interesses.

 

Faz-me lembrar Hook na segunda temporada de Once Upon a Time, na verdade.

 

Prova disso é o facto de, depois de combater vezes suficientes connosco, descobrindo que o laço entre treinador e Pokémon é o que o motiva a dar o melhor de si, Colress não faz nada para nos impedir de chegar a Ghetsis. Mais tarde, confessar-nos-ia que sempre odiara o líder do Team Plasma.

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

  

É uma personagem curiosa, de facto, este Colress. Voltamos a vê-lo na sétima geração – provavelmente porque os criadores perceberam que as pessoas gostavam dele.

 

Dizia eu antes que o novo plano de Ghetsis metia gelo. Ora, esse gelo vem de Kyurem – o dragão que, alegadamente, terá sobrado após Reshiram e Zekrom se separarem. Ghetsis apoderam-se de Kyurem e usa-o para recriar o segundo acto de Frozen em Opelucid (eu sei que Frozen saiu depois deste jogos, mas permitam-me a referência). Pelo meio, rouba os DNA Splicers a Drayden.

 

Isto tudo para obrigar N a sair da sua toca.

 

N, mesmo assim, só aparece quando vamos confrontar Ghetsis, no Giant Chasm – mesmo a tempo de impedir que Ghetsis nos transforme numa estalagmite.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

História engraçada sobre esse pormenor: por alturas da quinta geração, os jogos eram lançados em terras nipónicas vários meses antes de no resto do Mundo. No entanto, claro, alguns fãs conseguiam deitar as mãos a versões pirateadas. Nem todos sabiam ler japonês, quando viram esta cena sem ler os diálogos, puseram a circular o rumor de que Ghetsis nos tenta matar – o que chocou muita gente.

 

Eu até percebo por que motivo as pessoas acreditaram no rumor. Da parte de Ghetsis, não me parece nada implausível. Pode-se mesmo argumentar que congelar uma pessoa não é muito melhor que matá-la.

 

Depois disto, as coisas decorrem mais ou menos como no episódio de Generations. N passou dois anos em liberdade e finalmente vê Ghetsis como é: um vilão, um mentiroso, um manipulador. O jovem agora sabe a verdade sobre a relação entre humanos e Pokémon, afeiçoou-se a Unova e não vai deixar que Ghetsis a ameace de novo.

 

No entanto, era exatamente com issso que Ghetsis contava. E agora que N regressou com o seu dragão, basta-lhe ativar os DNA Splicers e formar ou White Kyurem ou Black Kyurem, consoante a versão.

 

spotify-2017-wrapped.png

  

Já tinha referido no meu texto sobre Generations que acho esta cena deveras assustadora e que, por esse motivo, talvez nunca use o White Kyurem ou o Black Kyurem. O próprio N fica sem reação – e Ghetsis, de uma forma típica de um tirano, culpa o jovem pelo seu próprio comportamento abusivo.

 

Estão a ver o que eu digo sobre Ghetsis ser o maior vilão de sempre?

 

Em Black2&White2 somos nós mesmos a enfrentar o White Kyurem ou o Black Kyurem. Gosto do pormenor de, segundo Ghetsis, termos os nossos Pokémon a tremer de raiva nas Poké-bolas. Depois de derrotarmos o Kyurem, temos de enfrentar o próprio Ghetsis. Mais uma vez, N dá-nos uma mãozinha, curando-nos os Pokémon entre combates.

 

E mais uma vez, depois de derrotado, Ghetsis tem um ataque de mau génio. N bem tenta, em vão, apelar à sua humanidade. O líder do Team Plasma acusa o próprio filho adotivo de ser um “anormal sem coração humano”, mas, se existe alguém sem coração humano nesta história, esse alguém é Ghetsis – acho que, nisso, estamos todos de acordo.

 

Sem Título.png

 

Ghetsis é escoltado para fora do Giant Chasm pela Shadow Triad. Consta que, depois desta segunda derrota, a fúria e a frustração levam-no à demência, perdendo por completo a sua racionalidade.

 

Problema resolvido, suponho eu.

 

Voltamos a ver N depois da Elite 4, nas ruínas do seu castelo. Aqui, combatemos com Reshiram ou Zekrom – tenho pena que ele não use uma equipa completa, mas suponho que fosse de esperar da parte de N. Este acaba mesmo por nos oferecer o seu dragão… mas eu, sinceramente, não me sinto bem a aceitá-lo. Fora a N que o dragão escolhera, dois anos antes! Fora com o dragão que N passara os seus primeiros tempos, aprendendo a verdade sobre o mundo Pokémon! A mim, parece-me profundamente errado ficar com o seu Reshiram ou Zekrom – seria como ficarmos com o starter de outra pessoa.

 

Mas percebo que tivesse de ser assim. O Black Kyurem e o White Kyurem são as mascotes dos jogos. De que nos servem as mascotes se não podemos usá-las?

 

a3029721a6409bfa9166c54805682e74.jpg

 

Regressando a N, depois de ele nos confiar o seu dragão, o jovem diz que vai à procura do protagonista de Black&White, para lhe agradecer por lhe ter mudado a vida. Se formos a Nuvema Town, à casa desse protagonista, descobrimos que este também anda à procura de N. Tal como referi no meu texto sobre Generations, é um bocadinho triste não sabermos ao certo se estes chegam a reencontrar-se.

 

Consta que haviam planos para podermos combater com o protagonista de Black&White. No código do jogo, existe texto programado para uma aparição deles no Pokémon World Tournament, mas é possível que nem sequer sejam, de facto, o herói escolhido pelo dragão. É uma pena: na minha opinião, estes eram os jogos ideais para reutilizar a parte preferida dos fãs dos jogos da segunda geração. Talvez, até, se pudesse usar o Memory Link para que o protagonista de Black&White aparecesse com a mesma equipa que usou frente a N.

 

Suponho, no entanto, que isto fosse demasiado complicado de implementar, tecnologicamente. Ou então, que os criadores não tivessem querido repetir a fórmula de Red – para manter a mística.

 

Os jogos Black2&White2 são muito elogiados pelo seu extenso post-game. Eu, na verdade, só agora é que ando a explorá-o: da primeira vez que joguei White 2, a minha irmã transferiu a minha equipa para o Pokémon Bank antes que pudesse completá-lo – deu, pelo menos, para explorar a parte de Unova onde os jogos Black&White começam.

 

a3029721a6409bfa9166c54805682e74.jpg

  

Desta feita – a segunda vez que estou a jogar White 2 – não quero trazer os meus Pokémon para jogos mais recentes sem ver tudo o que há para ver neste post-game.

 

Gosto bastante do Unova Challenge, no White Tree Hollow (em Black 2, ele tem locar na Black Tower). Esta é constituída por dez áreas com vários treinadores. Não é obrigatório vencê-los a todos. No mínimo, temos de vencer o Gate Trainer (Treinador do Portão?) para que nos indique o líder da área (Boss Trainer). Por sua vez, temos de vencer o líder da área para passarmos à área seguinte. Os combates não decorrem no modo competitivo: podemos ganhar dinheiro e experiência para os nossos Pokémon. No entanto, não podemos usar itens e só podemos curar a equipa uma vez em cada área – ou duas, em áreas mais avançadas.

 

Neste momento estou na área 9, mas estou numa fase em que os níveis já estão um bocadinho altos demais. Em que tento combater com o menor número de treinadores possível para desbloquear a área seguinte. Quero ver se subo alguns níveis à minha equipa antes de tentar avançar mais.

 

Por seu lado, o Pokémon World Tournament funciona em modo competitivo e permite-nos enfrentar líderes de ginásio, primeiro apenas de Unova, mais tarde de todas as regiões conhecidas até à altura e, por fim, os Campeões: incluindo Red.

 

HDACg.jpg

  

Sinceramente? É um golpe de génio! É fanservice bem feito – em que temos de nos esforçar, de investir tempo no jogo, para desbloquearmos o pacote todo.

 

Eu, infelizmente, ainda devo demorar até chegar aí: só desbloqueei os líderes de ginásio regionais. Aqui entre nós, eu falo muito, escrevo muito, mas não tenho grande jeito para os modos mais avançados dos jogos.

 

Pelo meio, ainda mal estive no Battle Subway, mas tenciono explorá-lo a fundo, eventualmente.

 

Como podem ver, os jogos Black2&White2 acertam em quase tudo, daí encontrarem-se entre os meus preferidos de todas as franquias. O tempo só os tem tornado melhores – sobretudo porque os jogos mais recentes não investem tanto no post-game, ou pelo menos não da mesma forma.

 

124243212.png

  

Antes de falarmos sobre a música, uma palavra rápida sobre uns novos modos de combate introduzidos nesta geração: os Combates Triplos e os Combates… em Rotação? (É assim que se traduzem?).

 

Gosto das segundas, não gosto das primeiras. Sempre gostei de combates duplos, ainda mais quando emparceiramos com um NPC, mas os combates triplos tornam-se demasiado complicados. O facto de os Pokémon só poderem atingir os adversários imediatamente à sua frente e ao lado é uma chatice. Se, por exemplo, um Pokémon que queremos usar contra um adversário específico sai na ponta oposta, temos de desperdiçar uns quantos turnos só para reorganizar a equipa. Não havia necessidade.

 

Por outro lado, os combates em rotação têm a sua graça: três Pokémon de cada lado, que vão literalmente rodando entre si, no campo de batalha, sem desperdiçar turnos para trocar. Podemos escolher livremente o Pokémon que queremos, mas temos também de prever se o adversário roda para a esquerda ou para a direita ou se mantém o “tabuleiro” na mesma. É uma camada extra de desafio, sem se tornar demasiado frustrante, ao contrário dos combates triplos.

 

maxresdefault.jpg

 

Chegou a altura de falarmos sobre a banda sonora da quinta geração. Esta destaca-se de todas as outras gerações por ser muito mais trabalhada do que qualquer outra, até ao momento. Há temas que variam consoante as estações e vários dos temas das cidades possuem múltiplos instrumentos, apenas ativados quando falamos com certos NPCs.

 

O meu exemplo preferido é o tema da Village Bridge, cujas camadas incluem uma secção de beatbox e vocais masculinos – além de ser, por si mesmo, um tema maravilhosamente melancólico.

 

Outro exemplo da dedicação que os criadores e compositores investiram nesta banda sonora é o facto de incluírem uma música para quando, em batalha, o HP do nosso Pokémon se encontra no vermelho – confesso, no entanto, que não gosto muito, porque torna uma situação já de si difícil ainda mais enervante.

  

Por outro lado, nos combates de ginásio, quando o líder envia o seu último Pokémon, soa um tema vitorioso, uma variante do tema principal da franquia. É muito fixe, mas também é enganador porque, geralmente, o último Pokémon do líder é o mais forte. Quando é assim, o combate ainda está longe de estar decidido.

 

No entanto, é perfeito para o momento em que os líderes de ginásio aparecem no castelo do Team Plasma.

 

 

Já que falamos de líderes de ginásio, em Black2&White2, os criadores deram-se ao trabalho de criar variantes ao tema clássico para cada um dos ginásios. É-me difícil escolher um tema preferido – são todos perfeitos para os respetivos líderes e/ou ginásios. O de Opelucid City, por exemplo, é uma versão épica e grandiosa, adequadíssima a Drayden e aos seus dragões. O de Humilau é uma versão descontraída e tropical, adequada a Marlon, cujo ginásio é um lago de nenúfares e que, depois de vencido, vai dar um mergulho no mar.

 

Por outro lado, gosto imenso do piano no tema de Burgh e tenho um fraquinho pelo tema de Roxie. Os vocais soletrando “Pokémon” são um bocadinho fatelas, eu sei – até porque, na versão japonesa, ela soletra “Dogars”, o nome da sua banda, que se encaixa melhor na música – mas eu gosto à mesma. E gosto do facto de o tema ir perdendo camadas à medida que vamos derrotando os treinadores do ginásio – os outros membros da banda.

 

Suponho que, se tivesse mesmo de escolher um, escolhia o de Elesa: com um bocadinho de dubstep à mistura, que vai crescendo de intensidade, perfeito para um ginásio que virou passadeira de moda.

 

Outros temas de que gosto nesta geração são o de Alder – um tema sábio e sereno, bem adequado a um mentor – o tema da Route 10 – que parece antecipar a música de Kalos – da Route 19 – que possui aquele carácter inocente e esperançoso das primeiras routes de cada jogo. Gosto também do tema da bicicleta, apesar de a usar pouco, das versões de White e White 2 do tema de Opelucid City e do tema da Dragonspiral Tower.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

   

Em termos de temas de combates, os de Pokémon comuns e treinadores comuns são-me indiferentes, mas gosto dos temas dos líderes de ginásio. Também gosto do tema dos lendários – um tema que acelera e abranda sem aviso, com aquelas notas a meio, vindas do nada, mas que soam tão bem! – e dos temas de Zekrom e Reshiram – que, a meio, parece incluir parte da melodia de um tema mais antigo, mas não consigo dizer qual.

 

Por sua vez o tema de N, Emotion, mexe de facto com as minhas emoções, chega a levar-me lágrimas aos olhos. O seu tema de despedida acaba por ser muito parecido.

 

Acreditem quando o digo: Pokémon não seria a mesma coisa sem a música. Não gosto de toda a banda sonora desta geração – existem muitos temas que me são indiferentes e alguns dos quais não gosto mesmo, como o de Castelia, o dos rivais e do Team Plasma em Black&White – acho-os um bocadinho irritantes. No entanto, tenho de dar crédito aos compositores por terem criado uma banda sonora tão rica quanto esta.

 

Em suma, esta foi uma geração que correu o risco de fazer coisas novas, que investiu imenso nestes jogos. Mesmo que a execução nem sempre tenha sido a melhor, esta geração faz-me respeitar a Game Freak pelo esforço.

 

Depois desta, a próxima entrada de Pokémon através das gerações será sobre a sexta: sobre os jogos X&Y e Omega Ruby e Alpha Sapphire. Já estou a trabalhar nele – era um dos que mais ansiava escrever deste o início desta rubrica, há quase dois anos. Sem prometer nada, vou tentar não demorar muito a publicá-lo. Para já, como já é costume, concluímos com…

 

Pokémon preferidos:

 

  • Ducklett e Swanna (Menção Honrosa)

 

54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg

  

Sempre achei piada a este par, claramente inspirado na história do Patinho Feio, mesmo que o desenho não seja muito imaginativo. Tornou-se um dos meus preferidos por causa dos dois Swannas que usei, em particular um em Pokémon X… mas isso é uma história para outra ocasião. O outro fez parte da minha equipa, da segunda vez que joguei White 2 e, como era macho, chamei-lhe… Henry. Para além da referência, é um nome associado à realeza, que acho que combina bem com um Pokémon cisne.

 

  • Lillipup, Herdier e Stoutland

 

DOqmy45WsAA6r4-.jpg

  

Durante muito tempo não liguei a esta família: eram apenas mais uma linha evolutiva inspirada em cães, um clone do Growlithe. O Lillipup até é fofinho e tal, mas não passava disso.

 

Tudo mudou quando adicionei uma à minha equipa, da segunda vez que joguei White 2 – uma fêmea. E, meu Arceus! Ela aguenta tudo, com o seu Defense e Special Defense. E com o Attack que tem, e com os TMs Return e Work Up (ambos obtidos perto do início do jogo) ela destrói tudo o que lhe aparece à frente. Tem a vantagem adicional de aprender os Fangs elementares – deu jeito quando cheguei a Opelucid, sem nada que me ajudasse perante os dragões de Drayden.

 

Admito, no entanto, que ela está a ser menos útil no post-game – existem demasiados Pokémon usando ataques do tipo Luta.

 

Confesso que existem razões sentimentais por detrás desta preferência. O nome que dei a esta Lillipup foi Jajane – uma das alcunhas da minha cadela, Jane, que por sinal adotei faz hoje três anos. Quando estive de férias sem a Jane e andava com saudades, acabei por me afeiçoar à Stoutland com o mesmo nome.

 

Só prova que, ainda que hoje em dia ligue sobretudo à utilidade dos Pokémon em combate na hora de escolher favoritos, como a maior parte dos fãs adultos, continuo a guiar-me muito pelo coração.

 

  • Zorua e Zoroark

 

IMG_20170306_1238851_HDR.jpg

 

Pode haver quem argumente, não sem razão, que o Zorua e o Zoroark são uma segunda versão do Ditto, como as que descrevi antes. Se o é, no entanto, é uma versão bem melhor. O Ditto é uma massa amorfa, que na mecânica dos combates se limita a tomar a forma do adversário – o que não é muito útil. Por sua vez, tanto o Zorua como o Zoroark têm um desenho muito fixe – preto, com apontamentos vermelhos – e entram em combate “disfarçados” de outro membro da equipa. Pode-se fazer imensa coisa com um Pokémon assim, não apenas em combate – o único limite é a imaginação.

 

  • Krookodile

 

 

Já referi antes que o tipo Terra é muito útil nos jogos, por ser eficaz contra vários outros tipos e resistir a outros tantos. Quase todas as minhas equipas possuem um Pokémon deste tipo. Em duas das minhas equipas nesta geração – uma em Black, outra em White 2 – esse Pokémon era o Krookodile. É muito competente no campo de batalha – sobretudo quando tem o Moxie como habilidade, como o meu de White 2. Além disso, adoro o seu desenho – o corpo vermelho com riscas pretas, incluindo nos olhos, que fazem lembrar óculos escuros. É um autêntico bad boy!

 

Pokémon de que menos gosto:

 

  • Os macacos elementares

 

O trio Panpour/Semipour, Pansage/Semisage, Pansear/Semisear está entre os Pokémon menos populares desta geração, talvez mesmo de sempre… e eu, desta feita, concordo com a opinião da maioria.

 

Eu compreendo que eles tenham sido inspirados nos Três Macacos Sábios, mas, mesmo assim, não gosto de nada acerca destes Pokémon. São, essencialmente, um segundo conjunto de starters mas, à parte de serem macacos, possuem apenas as características mais básicas de starters, sem nenhuma personalidade para além disso. Nem sequer são particularmente bonitos, engraçados ou fofinhos. O facto de sermos quase obrigados a usá-los no primeiro ginásio de Black&White não ajuda.

 

Não sei se a Game Freak chegou a pôr a hipótese de torná-los os starters desta geração, mas demos graças a Arceus e a Hélix Nosso Senhor por não o ter feito – acho que haveríamos de odiá-los ainda mais. Posso não gostar muito dos starters desta geração, mas prefiro-os mil vezes a estes macacos. Dispenso.

 

 

  • Patrat e Watchog

 

Todas as gerações têm um clone do Rattata: um Pokémon do tipo Normal, muito comum no início do jogo, mas longe de serem viáveis a longo prazo. Quanto muito, servem para HMs.

 

Na quinta geração, esse papel é desempenhado pelo Patrat e pela sua evolução, Watchog… e eles são, sem dúvida, os piores de todos. O seu desenho não seria muito mau, não fossem aqueles olhos enervantes – parece que estão hipnotizados ou sob o efeito de alucinogénios.

 

Como se isso não bastasse, estes Pokémon possuem um leque de ataques que parece escolhido a dedo para nos chatear: Hypnosis, Confuse Ray, Bide, Detect, Sand Attack, Super Fang e Hyper Fang. Em Black&White, ainda por cima, temos de enfrentar um Watchog infernal no segundo ginásio. Além disso, os membros do Team Plasma não usam outra coisa.

 

Quem foi a alminha iluminada que achou que isto era boa ideia?

Pokémon através das gerações - Cinquenta sombras de Black&White

Eis-me aqui continuando a minha rubrica “Pokémon através das gerações”... mais de um ano depois do último texto. Pensar que a minha ideia inicial era publicar todas as análises (às seis primeiras gerações e a Pokémon Go) no verão de 2016…

 

Hoje em dia, que demoro séculos a escrever e a publicar um texto, acho impressionante ter conseguido publicar análises (com um tamanho considerável) às três primeiras gerações em menos de um mês.

 

Mas não quero falar do passado. Neste momento, quero ver se termino esta série ao longo dos próximos meses – ou pelo menos publicar dois ou três textos, a contar com este. De qualquer forma, neste último ano consegui, finalmente, acabar de jogar Sun. Uns meses mais tarde, joguei Ultra Moon assim que saiu. Como tal, esta rubrica incluirá uma análise à sétima geração.

 

E com um bocadinho de sorte, hei de conseguir publicá-la antes de sair a oitava geração. É por isso que eu preferia que os próximos jogos ainda demorassem algum tempo a sair. Por isso… e porque quero adiar a inevitável compra da Nintendo Switch o mais possível.

 

maxresdefault.jpg

 

Mas falemos sobre os jogos de Unova, os últimos a serem lançados na Nintendo DS. Como tenho imenso a dizer sobre esta geração, resolvi analisá-la em dois textos. No de hoje, o foco principal serão os jogos Black&White. No texto de amanhã, falaremos sobretudo sobre Black2&White2.

 

Esta geração – sobretudo os primeiros jogos, Black&White – foi das mais polarizantes de toda a franquia. Mais ou menos como a terceira. Tínhamos visto no texto anterior desta rubrica que a quarta geração não inovou por aí além, apoiando-se muito nas gerações anteriores, apresentação uma região confusa e uma história que deixou muito a desejar – embora a mitologia e os lendários em si sejam interessantes.

 

A geração que se seguiu foi a antítese completa.

 

À semelhança do que a terceira geração fizera até certo ponto, a quinta geração fez tábua rasa à franquia, sobretudo nos primeiros jogos Black&White. Estes são capazes de ser os jogos mais isolados da série principal até ao momento – com pouquíssimas referências às gerações anteriores e Pokémon cem por cento inéditos até ao post-game. Em nenhum dos jogos desta geração, aliás, é impossível obter o Pikachu sem ser transferido de outros jogos (não sabia que isso era legal…).

 

20398733_scvlm.png

  

Junichi Masuda disse, na altura, que isto foi intencional: “Temos miúdos que jogaram Diamond e Pearl e adultos que cresceram com Red e Blue. Quando esses jogadores combatem, alguns saberão mais sobre as respetivas fraquezas que outros. Nós quisemos que todos começassem do zero e liderassem equipas que nunca tivessem treinado antes.

 

Depois de uma geração com pouquíssimos Pokémon completamente novos, conforme vimos antes, faz sentido que Masuda e os demais criadores tenham querido fazer algo diferente. Falando por experiência própria, quando estreio um jogo, às vezes é difícil resistir à tentação de usar Pokémon que já conheço bem, em vez de tentar fazer uma equipa com Pokémon novos. Em Black&White não existe esse risco, para o melhor e para o pior.

 

Apesar de a ideia ser boa, no entanto, a meu ver, a execução deixou um bocadinho a desejar.

 

Esta geração apresentou-nos 156 Pokémon novinhos em folha, mas, como conjunto, estes são capazes de ser os de que menos gosto de toda a franquia. Um dos principais motivos prende-se com o facto de, apesar de tecnicamente serem Pokémon inéditos, na prática, muitos reciclam conceitos de Pokémon já bem conhecidos, sobretudo da primeira geração. Tal como vimos antes, todas as gerações têm equivalentes ao Pidgey, ao Ratatta, ao Pikachu. A quinta geração, no entanto, vai mais longe.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

Admito que, em alguns casos, os novos são melhores. Ninguém gosta muito do Trubbish e do Garbodor, mas gosto mais deles do que do Grimer e do Muk, que, conforme expliquei antes, são apenas massas disformes e nojentas. Por sua vez, o Drilbur e o Excadrill são melhores Pokémon inspirados em toupeiras que o Diglett e o Dugtrio. Por fim, pode haver quem argumente que o Zorua e o Zoroark são uma reciclagem do Ditto, mas acho que todos concordam que são muito mais fixes.

 

A maior parte, no entanto, parecem versões deslavadas de Pokémon antigos. Como os Woobat e Swoobat, substituindo a família dos Zubat (ninguém gosta muito do Zubat, mas este ao menos tem uma excelente evolução final); os Audino substituindo a Chansey; os Foongus e Amoongus que, tal como os Voltorb e Electrode, se confundem com Poké-bolas; as famílias do Roggenrola e do Timburr, que partilham muitas características com a família do Geodude e do Machop, respetivamente; o par Troh e Sawk fazem lembrar o par Hitmonlee e Hitmonchan; Boufalant e Alolomola são tão parecidos com o Tauros e o Luvdisc que muitos pensaram serem evoluções dos últimos, respetivamente. E estes são apenas aqueles de que me lembro agora.

  

Dentro do universo, estes conceitos repetidos podem ser casos de evolução convergente – não falo da evolução típica em Pokémon, antes em evolução darwiniana (que foi acrescentada ao cânone da franquia na sétima geração). Trocando por miúdos, Pokémon sem ancestrais comuns e habitando em regiões muito distantes umas das outras (e já foi confirmado que Unova está muito longe das demais regiões) acabam por desenvolver características comuns ao adaptarem-se a ambientes similares. Por exemplo, o Zubat e o Woobat pertencerão a linhas evolutivas muito distantes, mas, como tiveram de se adaptar ao ambiente das cavernas, tornaram-se parecidos.

 

Por contraste, adiantando-me um bocadinho de novo, as formas de Alola são um exemplo de evolução divergente. Por exemplo, um Vulpix normal e um Vulpix de Alola têm muitas coisas em comum, mas o segundo teve de se adaptar às montanhas nevadas de Alola, logo, ganhou um tipo novo.

 

maxresdefault.jpg

 

Não sei se algum dia num futuro distante, quando fizerem remakes da quinta geração, irão incluir a minha teoria da evolução convergente no cânone oficial. Porque, tirando isso, as semelhanças que listei acima parecem-me mais falta de imaginação do que outra coisa qualquer. Se queriam criar um jogo só com Pokémon novos, podiam ter criado mais conceitos novos, funções novas, em vez que reciclarem categorias antigas.

 

Para além desta questão, temos uma série de Pokémon que parecem estar lá só para encher chouriços, como o Basculin, o Alolomola e o Maractus. Também temos uns quantos com desenhos que, não sendo horríveis, não gosto muito: como o Munna e Musharna, o Darumaka (tem cara de parvo), a família do Solosis e do Tynamo, o Ferroseed e Ferrothorn, o Elgyem e o Beheeyem, o Stunfisk, o Shelmet, o Heatmor.

 

Os starters, por sua vez, são a meu ver os menos apelativos de todas as gerações até agora. O único de que gosto – e mesmo assim não por aí além – é da família do Snivy. A família do Tepig é a terceira de seguida com o tipo Fogo/Luta e, comparada com o Infernape e o Blaziken, é a pior.

 

teo_by_colordrake-d6c41cb.png

  

Voltamos, também a ter um número excessivo de lendários – ainda bem que isso mudou na geração seguinte, apesar de tudo. Tirando o trio Reshiram, Zekrom e Kyurem, não sou grande fã de nenhum deles. As Swords of Justice, mais uma vez, parecem-me uma versão deslavada das bestas de Johto. Por sua vez, os génios da meteorologia são redundantes depois do trio Groudon/Kyogre/Rayquaza. Também não gosto do desenho deles – embora saiba que foram inspirados nos kamis da mitologia japonesa.

 

Como podem ver, existem muitos Pokémon de que não gosto nesta geração mas aqueles de que gosto, gosto a sério.

 

A começar pelos Lendários-mascote do jogo, Zekrom e Reshiram – sobretudo pelo conceito e história por detrás deles. Estes foram outrora um único dragão, que ajudou dois irmãos a criar e a governar Unova. Estes dois irmãos, no entanto, acabaram por se voltar um contra o outro. Supostamente porque um era a favor da verdade e o outro a favor dos ideais – eu acho que esta é uma outra maneira de dizer que um era mais para o cínico e realista, enquanto outro era idealista e sonhador. Em todo o caso, como os irmãos não se entendessem, o dragão dividiu-se em dois, cada um tomando um dos lados no conflito.

 

Esta história faz-me lembrar a lenda da criação de Roma, também por dois irmãos que se tornam inimigos. É por esse motivo que costumo chamar Romulus e Remus ao Zekrom e ao Reshiram, respetivamente.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

Estes dois dragões representam, assim, o yin e o yang: verdade e ideais, realismo e idealismo. Na minha opinião, representam também qualquer par de visões distintas do mundo: direita versus esquerda na política, determinismo versus livre arbítrio, religião versus ciência, Cristiano Ronaldo versus Lionel Messi.

 

Da maneira como vejo as coisas, aliás, a grande lição desta geração, sobretudo dos jogos Black/White é que este género de visões raramente são… bem, preto no branco. Duas teorias opostas nem sempre se excluem uma à outra – muitas vezes, complementam-se. Destaquemos as citações de Drayden – “I can sympathize with some of that you say, but I can’t forgive the way you reject everything else!” (reproduzida de forma excelente em Generations) – Alder – “Even if we don’t understand each other, that’s not a reason to reject each other. There are two sides to any argument. Is there one point of view that has all the answers?” – e N – “It’s not by rejecting different ideas, but by accepting different ideas that the world creates a chemical reaction. This is truly the formula for changing the world.” O tempo só tem tornado estas mensagens ainda mais relevantes, sobretudo nesta era de instabilidade política em vários países e de discussões infinitas nas internetes.

 

O que nos leva ao enredo dos jogos. Outra das coisas que caracteriza este geração, sobretudo Black&White, é o facto de a história tomar prioridade como nunca antes – ao ponto de mexer com a fórmula habitual dos oito-ginásios-equipa-vilã-Elite-4-Campeão. Foi um risco que a Game Freak decidiu correr, algo que eu aplaudo. Ainda que goste de muitos aspetos da história de Black&White, conforme veremos adiante, existiram uns quantos de não foram muito bem executados.

 

Como é do conhecimento geral, a equipa vilã é o Team Plasma que, em Black&White, faz campanha pela libertação dos Pokémon – em vez de deixá-los na posse de humanos, obrigados a lutar entre si para benefício desses humanos.

 

Team.Plasma.full.981349.jpg

  

Esta sempre foi uma das maiores críticas à franquia, de resto: promover, alegadamente, a crueldade animal.

 

Ainda que as acusações não sejam cem por cento descabidas, duas coisas. Primeiro, qualquer pessoa decente, crianças incluídas, sabe fazer a distinção entre realidade e fantasia.

 

Segundo, a franquia esforçou-se, desde o início, por passar a mensagem de que os-Pokémon-são-nossos-amigos, sobretudo na série animada. Logo nos primeiro episódios, Ash, o protagonista, leva um sermão quando pensam que este obrigou o Pikachu a lutar até ao limite das suas forças; treinadores que tratam os Pokémon como meras ferramentas, que os negligenciam, maltratam e/ou abandonam, são vilanizados; praticamente todos os Pokémon que Ash adiciona à sua equipa fazem-no de livre vontade; quando querem partir, é o próprio Ash que os liberta – com muitas lágrimas à mistura, incluindo da audiência.

 

Ainda assim, regressando à quinta geração, foi uma jogada corajosa por parte da Game Freak criar o Team Plasma. Obrigou tanto a audiência como os próprios jogos a refletir sobre a premissa básica da franquia, mesmo a questioná-la. Esta é, até à data, a geração mais introspetiva em Pokémon, tanto pelos dilemas éticos como pelo que referi antes sobre visões em conflito. E, apesar de toda a gente garantir a pés juntos, eu incluída, que não joga Pokémon pela história, o enredo uma das coisas que dá personalidade aos jogos e às gerações, conforme julgo ter afirmado antes.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

  

Ainda assim, mais do que a história propriamente dita, aquilo que se destaca nesta geração são as personagens: mais desenvolvidas do que em qualquer jogo anterior. Começando pelos nossos rivais.

 

Bianca e Cheren não são os meus preferidos, mas são interessantes e encaixam-se bem no tema dos jogos. Cheren é o rival mais típico: ambicioso, determinado a sagrar-se Campeão. Representa os ideais. Chega a ser um pouco arrogante, a levar-se demasiado a sério. Perto do fim do jogo, começa a questionar esse propósito e a descobrir que existem outras formas de se forte para além de, apenas, ganhar combates.

 

Bianca, por sua vez, é a menos capaz do grupo, incluindo o protagonista. No início do jogo é bastante insegura e anda algo perdida, sobretudo quando o Team Plasma lhe tenta roubar o seu Munna, ao perceber que todos em seu redor são mais fortes do que ela. Representa a verdade. No entanto, acaba por aceitar as suas próprias limitações e encontra o seu propósito como assistente da Professora Juniper.

 

No que toca a esta última, gosto particularmente da sua interação com o seu pai. Este não gosta da ideia de ter a filha, ainda adolescente, aventurando-se sozinha pelo mundo. Chega a segui-la até Nimbasa com intenções de trazê-la de volta a casa. Bianca consegue dissuadir o pai com a ajuda da líder do ginásio local, Elesa.

 

Na verdade, o único problema que tenho com este par de rivais é o facto de termos de combatê-los demasiadas vezes.

 

teo_by_colordrake-d6c41cb.png

  

Já que referimos Elesa, falemos dos líderes de ginásio: muito mais desenvolvidos que em qualquer jogo anterior, nesta geração. Todos têm uma ocupação para além dos ginásios e praticamente todos contribuem para o enredo – ajudando o protagonista resolvendo problemas causados pelos Plasma, dando informação importante ou, pura e simplesmente, servindo de mentores aos treinadores novatos. E, claro, o ponto alto é quando aparecem no castelo do Team Plasma, tal como reproduzido em Generations.

 

Já aí vamos. Antes, temos de falar da personagem mais importante da quinta geração, indiscutivelmente: N. N é uma personagem que não se encaixa perfeitamente em nenhuma das categorias típicas dos jogos. Pode ser considerado um rival, mas não no sentido habitual de ver quem é o melhor treinador. Pode ser considerado um líder vilanesco, mas é apenas uma marioneta do verdadeiro vilão. Pode ser considerado um Campeão, mas esse papel é desempenhado oficialmente por Alder. E o combate final com N não serve para determinar quem é o melhor treinador da região – serve para decidir o destino de toda Unova.

 

Comecemos pelo princípio. N terá sido encontrado em tenra idade por Ghetsis vivendo entre Pokémon selvagens. Dizem que N nasceu com o dom de entender a linguagem dos Pokémon. Eu, no entanto, acredito que ele pura e simplesmente desenvolveu essa capacidade por ter vivido entre Pokémon durante a idade em que os humanos aprendem a comunicar.

 

Team.Plasma.full.981349.jpg

  

De qualquer forma, esta capacidade adequava-se aos propósitos de Ghetsis. Assim, este acolheu-o e criou-o em isolamento, em contacto apenas com Pokémon maltratados por humanos – precisamente para que pensasse que humanos e Pokémon não se deviam misturar. N foi também educado pelos sete Sábios do Team Plasma (a melhor tradução que encontro para “sages”), Ghetsis incluído, para se tornar o herói da lenda, que se aliaria a Reshiram ou a Zekrom – a marioneta perfeita para quando Ghetsis e o Team Plasma começassem a fazer campanha pela libertação dos Pokémon.

 

Suponho que esteja na altura de falar do Mamoswine na sala: a campanha do Team Plasma é apenas uma desculpa para obrigar as pessoas a separarem-se dos seus Pokémon – para que ninguém lhes faça frente quando, como praticamente todas as equipas vilanescas, tentarem a dominação mundial.

 

Muitos fãs detestaram esta reviravolta no enredo e eu concordo com eles, pelo menos em parte. À primeira vista, parece um cop-out, como dizem os anglo-saxónicos: os argumentistas terão tido medo de ir até ao fim na questão da libertação dos Pokémon, logo, à última hora, terão decidido que era tudo a brincar.

 

No entanto, não se pode dizer que não tenham existido indícios da falsidade do Team Plasma. Só o facto de os próprios membros possuírem Pokémon e fazerem-nos combater pela sua campanha levanta suspeitas. Logo após o primeiro ginásio, vemo-los maltratando um Munna indefeso para usarem a sua… névoa de sonho?... para manipular as mentes das pessoas, obrigando-as a adotarem a sua filosofia pacifista. E, no clímax da história, um dos membros do Team Plasma admite que o castelo que se ergue na Liga Pokémon (já lá vamos) foi construído por Pokémon roubados e obrigados a trabalhar até à exaustão.

 

Team.Plasma.full.981349.jpg

  

Além disso, o recurso a retóricas demagógicas para ganhar apoiantes e alcançar o poder é algo que acontece na vida real. Veja-se a maneira como o atual Presidente dos Estados Unidos foi eleito: apelando aos privilegiados, que confundem a igualdade e a perda desses privilégios com opressão.

 

Não que esteja a equiparar Trump a Ghetsis. Não acho que o primeiro tenha inteligência para conceber e colocar em prática esquemas semelhantes ao do segundo. Acho mais provável que Trump seja a marioneta, não a mão por detrás dela.

 

Mas estou a desviar-me.

 

Na verdade, aquilo que salva toda esta história é mesmo o facto de N e os seus seguidores acreditarem sinceramente na mensagem que pregam. O jovem tem o coração no lugar certo, mas age limitado pelos vieses que Ghetsis lhe impôs. Conforme uma das irmãs adotivas dele afirma, “não existe nada mais belo nem mais aterrador que a inocência”.

 

232614zb8br1rj8bfbr7je.jpg

  

Existe um membro do Team Plasma em Black/White que dá a entender que, se a organização tivesse tentado tomar o poder e separado as pessoas dos seus Pokémon pela força – como fariam as organizações vilanescas de jogos anteriores, se calhar – as pessoas fariam finca-pé e virar-se-iam automaticamente contra eles. Mesmo que o Team Plasma conseguisse tomar o governo (?) de Unova, o povo nunca os aceitaria e tudo faria para boicotá-los.

 

Em vez disso, o Team Plasma procurou apelar ao coração das pessoas através de oradores, como N, que acreditavam sinceramente na mensagem que pregavam. Conseguiram fazer com que muitos se separassem de livre vontade dos seus Pokémon – ou pelo menos plantaram dúvidas nas mentes deles.

 

Há que lhes dar crédito. Apesar das intenções malévolas, obrigaram as pessoas – tanto no universo de Black&White como a comunidade de fãs de carne e osso – a refletir sobre a premissa básica dos jogos.

 

Só descobrimos acerca da manipulação de Ghetsis no clímax do enredo, após a Elite 4. Nesta altura, já há muito que N se aliara a Reshiram ou Zekrom, consoante a versão. Derrotara a Elite 4 antes de nós. Chegamos no preciso momento em que N derrota Alder, o Campeão de Unova, e o Castelo do Team Plasma se ergue.

 

teo_by_colordrake-d6c41cb.png

  

Na minha opinião, a cena do castelo é um bocadinho melodramática, mas o Team Plasma é isto: muita parra e pouca uva, muito show-off para esconder o facto de não passarem de criminosos vulgares – os apoiantes diretos de Ghetsis, pelo menos.

 

É também nesta altura que aparecem os líderes de ginásio para… não exatamente salvar o dia, mas para ajudar. E tal como referimos antes, é só um dos momentos mais fixes de toda a franquia.

 

Chegamos, assim, à sala do trono, onde se encontra N: pronto para tomar o controlo de Unova e ordenar a libertação dos Pokémon. Quando entra o seu dragão – Reshiram em White, Zekrom em Black – a nossa Dark ou Light Store, respetivamente, ativa-se e aparece o outro dragão para ser capturado.

 

A maneira como o jogo quer desesperadamente que capturemos Zekrom ou Reshiram, consoante a versão, é algo caricata – sobretudo porque, na altura, era inédita. Não só o dragão tem um índice de captura elevadíssimo como permanece disponível para combater de novo mesmo que o derrotemos. Temos ainda um NPC que oferece Ultra Balls. Consta que a única forma de o jogo prosseguir sem que o dragão seja capturado é termos um PC cheio – e, mesmo assim, pode voltar a ser capturado no post-game.

 

Team.Plasma.full.981349.jpg

  

Eles queriam mesmo que nós e N recriássemos a rivalidade dos irmãos fundadores de Unova. O único motivo pelo qual não tentaria saltar a parte em que capturo o dragão é mesmo porque gosto demasiado da simbologia deste combate: um confronto de ideologias aparentemente opostas, uma disputa pelo destino de Unova.

 

Recuando um bocadinho, no entanto, depois de se capturar o dragão, o jogo oferece a hipótese de incluí-lo de imediato na equipa, enviando outro Pokémon para o PC no seu lugar. Isto também era inédito na altura. Mas é uma pena que só tenham implementado essa funcionalidade para capturas comuns duas gerações mais tarde.

 

Dá-se, assim, o combate com N. Quando este é derrotado, ele estaca: (não era suposto isto acontecer. N achava que tinha a razão do lado dele, que nós é que estávamos errados. Seria possível que estivesse enganado? Que tanto ele como nós tivéssemos razão?)

 

Por sua vez, Ghetsis, perante a derrota da sua marioneta, descarta N de imediato de revela as suas verdadeiras intenções – para choque tanto do filho adotivo como de Alder e Cheren. Pela primeira vez, Ghetsis decide tomar o assunto nas próprias mãos e enfrentar-nos ele mesmo.

 

Team.Plasma.full.981349.jpg

 

Durante muito tempo, Giovanni foi o meu vilão preferido em Pokémon. No entanto, depois de ficar a conhecer o enredo desta geração, Ghetsis roubou-lhe o lugar. O homem é pura e simplesmente pérfido, um completo manipulador. Pegou numa criança inocente e manipulou-a durante anos para usar como peão (e muitos especulam que, assim que Ghetsis deixasse de precisar de N, o jovem seria… descartado). Ghetsis tentou, também, manipular um povo inteiro e não foi completamente mal sucedido. Numa cronologia alternativa, Ghetsis tentaria ainda manipular Giovanni… mas estou a adiantar-me.

 

De alguma forma, N tem presença de espírito para nos curar os Pokémon à distância, antes do combate com Ghetsis – imenso respeito! Se eu tivesse acabado de descobrir que o meu pai adotivo era um sociopata e que toda a minha vida fora uma mentira, não sei se capaz de funcionar normalmente.

 

Quando conseguimos travar Ghetsis, somos brindados com o seu mau génio. Não sei qual das duas versões do vilão é a mais assustadora: a versão calma, persuasiva, que nos faz acreditar que nós é que estamos errados. Ou a versão descontrolada, que não aceita a derrota, insulta sem piedade o próprio filho adotivo, que ameaça e chega mesmo a agredir uma menina de onze anos…

 

...e estou a desviar-me outra vez.

 

232614zb8br1rj8bfbr7je.jpg

  

Após Ghetsis ser levado sob custódia (para ser resgatado pela Shadow Triad mais tarde), N sofre, naturalmente (no pun intended) uma crise existencial de todo o tamanho. No fim, decide partir. Sabemos que passará os dois anos seguintes a reavaliar a sua vida, a ver o mundo em liberdade, tal como é, sem os vieses impostos por Ghetsis.

 

Depois disto – ou seja, no post-game – não há muito para fazer (e o salto de quase dez níveis entre a equipa de Ghesis e os primeiros treinadores depois da Liga é um bocadinho ridículo). Looker regressa e pede-nos ajuda para procurar e prender os Seis Sábios. Teria sido fixe se desse para combater com cada um deles, mas limitamo-nos a encontrá-los, a ouvir-lhes os monólogos e a ver Looker prendendoos. Tirando isto e umas quantas novas localizações, é um post-game fraquinho.

 

Felizmente, os jogos seguintes compensam nesse capítulo.

 

Antes de partirmos para esses, uma palavra sobre o visual de Hilda, a protagonista feminina destes jogos. O guarda-roupa dela é exatamente aquilo que sempre gostei de vestir – sobretudo quando era mais nova. Boné que faz rabo-de-cavalo, top, colete (adoro coletes!), ténis ou botas com atacadores. Só trocava os calções por calças de ganga – por algum motivo, as protagonistas femininas em Pokémon estão contratualmente proibidas de usar calças…

 

20526978_69V9P.jpeg

 

E ficamos aqui por hoje. O resto da análise à quinta geração virá amanhã. Continuem desse lado!

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Sofia

    Olá Miguel! Desculpa não ter respondido à tua mens...

  • Miguel Pinto

    Olá Sofia. Desculpa estar a falar por aqui, mas co...

  • Fernando Couto

    Como te tinha dito, desde o ano passado tenho esta...

  • Sofia

    Olá Fernando. Vou enviar-te um e-mail.

  • Fernando Couto

    Olá Sofia, espero que estejas bem.Os da Chiado Edi...

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Segue-me no Twitter

Revista de blogues

Conversion