Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Odaiba Memorial Day: Digimon Adventure #12 - A iluminada

02.png

 

Quando eu era mais nova, Kari era a minha personagem preferida da segunda temporada de Digimon. No entanto, na primeira temporada, tem muito pouco espaço para se desenvolver. Para começar, ela só entra bem depois do meio da temporada e, ao contrário de todas as outras Crianças Escolhidas, não tem um único episódio dedicado a ela e só a ela. Kari é a irmãzinha mais nova de Tai e caracteriza-se por, mais do que qualquer coisa, por ser altruísta, tão altruísta que, em certos momentos, chego a questionar a sua auto-estima. Chega a lembrar-me a Bella Swan, o que não é um elogio - já disse antes que não sou adepta de mártires. Não nos é fornecida uma explicação para este seu altruísmo incondicional e, na minha opinião, pouco saudável.

 

Na verdade, nesta temporada, Kari só parece existir para caracterizar Tai. Destaco o episódio em que ela adoece - revejam o efeito que isso tem em Tai aqui. É mais uma personagem feminina que só existe em função de uma personagem masculina - o T.K. também tem como função principal caracterizar Matt, mas, tal como expliquei aqui, pelo menos ele tem uma oportunidade de sair da sombra do irmão e mostrar o seu valor. Não vou reclamar muito mais, pois Kari encontrará mais tempo de antena na segunda temporada. 

 

02.jpg

 

Por sua vez, o seu Digimon, Gatomon, é o mais desenvolvido dos defensores das Crianças Escolhidas, mais desenvolvido que a humana que lhe coube proteger. Para além de ser mais forte que os equivalentes das outras Crianças (é a única que, em repouso, se mantém no nível Campeão), ela é mais madura do que os outros Digimon e do que a própria Kari. É de esperar, tendo em conta a sua história: ela foi separada dos outros Digimon ainda antes de nascer e escravizada por Myotismon ao ponto de esquecer a sua verdadeira identidade. Gatomon só percebe quem verdadeiramente é quando, depois de descobrir que Kari é a Oitava Criança, não consegue matá-la, contrariando, assim, as ordens de Myotismon.

 

Em linha com o que disse antes, faz muito mais sentido que Gatomon evolua para um anjo guerreiro implacável que o inocente Patamon.

 

O cartão de Kari é um dos mais controversos, pois não representa nenhuma virtude específica, apenas Luz. Da maneira como vejo as coisas, esta Luz representa o Bem em geral, em oposição à Escuridão, conceito que, no Mundo Digimon, se atribui ao Mal. Com a maior parte das outras Crianças, os Cartões assinalam uma virtude a que estas devem aspirar. No caso do Cartão da Luz, acaba por ser Gatomon quem, depois de tanto tempo na Escuridão, deve procurar a Luz. Há quem defenda que os verdadeiros virtuosos não são aqueles que nunca sentiram a tentação do Mal e sim aqueles que a sentiram, talvez tenham mesmo abraçado temporariamente esse lado, mas não se deixaram vencer. Gatomon é um bom exemplo disso. 

 

03.jpg

 

Kari, por sua vez, não tem a oportunidade de sentir verdadeiramente o efeito da Escuridão, pelo menos não nesta temporada. O seu Cartão é ativado quando o seu ser se revolta contra a Escuridão - quando se entrega para proteger os amigos e quando Wizardmon, um amigo de Gatomon, dá a vida por elas. Não sei se deva considerar as estranhas possessões por Luz que ela sofre como parte do trabalho do seu Cartão. No entanto, se bem me recordo, será durante a segunda temporada que a jovem andará mais no limite entre Luz e Escuridão. 

 

Finalmente, já analisámos todas as Crianças Escolhidas. No próximo texto, falaremos sobre os vilões.

Odaiba Memorial Day: Digimon Adventure #11 - Crianças Escolhidas não se medem aos palmos

02.png

 

Chegamos, agora, aos membros mais novos do grupo. T.K e Kari são um caso à parte nas Crianças Escolhidas, em vários sentidos. Para já, ambos foram menos desenvolvidos que os demais. Acaba por ser aceitável pois ainda são novinhos, muitas vezes permanecem na sombra dos irmãos - contribuindo mais para a caracterização dos seus onii-chans do que para a sua própria caracterização - e, de qualquer forma, desempenham um papel mais relevante na segunda temporada. Apesar de nem T.K nem Kari serem particularmente interessantes enquanto personagens, os seus Digimon, que evoluem para anjos, desempenham com frequência um papel crucial na derrota dos vilões.

 

De assinalar, igualmente, a ironia de os Digimon mais sexualizados estarem associados às Crianças mais novas.

 

Comecemos por T.K., o irmãozinho de Matt. Apesar de também ter testemunhado o divórcio dos pais e a divisão da sua família, T.K. não ficou tão marcado pelo evento como o irmão - talvez por tudo ter acontecido quando ele ainda era muito novo. A única influência que a separação parece ter na sua personalidade é o facto de não gostar de discussões nem de divisões no grupo. T.K. é uma criança afável, inocente, como seria de esperar de um rapazinho da sua idade. Conforme afirmei antes, Matt mantém-no muito preso às suas calças mas, quando está sozinho, T.K. revela-se tão corajoso, engenhoso e protetor daqueles que ama como qualquer outra Criança Escolhida. Tai percebe isso antes de Matt, estando isso entre os motivos do desentendimento entre eles, na quarta parte da narrativa. 

 

 

Por outro lado, T.K. é o único que vê o seu Digimon morrer - embora este renasça no espaço de um dia, mais coisa menos coisa. O trauma não se manifesta de imediato. mas as consequências revelar-se-ão na segunda temporada.

 

O cartão de T.K é o da Esperança, mas esta acaba por não representar tanto uma virtude do rapazinho e sim o papel que o seu Digimon desempenha na luta pelo Mundo Digital - as primeiras vezes que Patamon digievoluiu, respetivamente, para Angemon e MagnaAngemon ocorreram, literalmente, quando tudo parecia perdido para as Crianças Escolhidas. As evoluções foram uma última esperança, quase um Deus Ex-Machina. E, tanto na forma de Angemon como na de MagnaAngemon, o Digimon de T.K revela-se um dos mais poderosos do grupo, sendo capaz de derrotar adversários de nível superior ao seu, destacando-se o Dark Master, Piedmon.

 

Um aparte só para assinalar a confusão que me faz o facto de Patamon - um Digimon muito acriançado, por vezes ainda mais infantil que o próprio T.K - evoluir para um poderosíssimo anjo guerreiro.

 

 

Na próxima entrada, falaremos, finalmente da última Criança Escolhida, Kari. Continuem por aí. 

Odaiba Memorial Day: Digimon Adventure - O papá neurótico

02.png

 

Joe é a personagem de que menos gosto nesta temporada. Mais porque acho que faltou um bocadinho de consistência na sua génese. No início da narrativa, ouvimo-lo dizer que, sendo o mais velho do grupo, se sentia responsável pelos outros. Chega mesmo a dar a entender que ele devia ser o líder. No entanto, por esta altura, as ações em pouco ou nada ajudam o grupo, muitas vezes fazem o oposto. Por exemplo, num episódio, ele tenta ser racional, pensar antes de agir, no outro, é o primeiro a correr para uma armadilha. 

 

Costuma-se dizer que, se esta aventura se desenrolasse no Mundo Real, Joe assumiria naturalmente a liderança - num mundo tão fantasioso e imprevisível como o Digital, ele precisou de tempo para se adaptar. De qualquer forma, quando não está com uma das suas neuroses, Joe faz muito de "papá" do grupo, ajudando a cuidar das outras Crianças, frequentemente ignorando a sua própria segurança para protegê-los. A tradução da sua virtude é controversa - a que considero mais adequada é Lealdade, embora a ideal fosse um conceito que significasse "digno de confiança". 

 

Até agora, não tenho falado muito sobre o Digimon de cada Criança pois, na maior parte dos casos, a sua personalidade é uma extensão da personalidade da Criança que protegem. Com Joe e Gomamon é diferente, pois é, em vários sentidos, o oposto do humano que protege: divertido, descontraído. É ele quem vai ensinando a Joe a não se levar tão a sério. 

 

02.jpg

 

A verdade é que não considero Joe uma personagem muito interessante. Ele cumpre o seu papel, tem algum desenvolvimento, mas pouco mais. Voltamos à velha questão: se ele tivesse tido mais tempo de antena, talvez gostasse mais dele.

 

Nas próximas duas entradas, falaremos dos membros mais novos do grupo, que são um caso à parte, em vários aspetos. Continuem por aí...

 

Odaiba Memorial Day: Digimon Adventure #9 - A princesinha

02.jpg

 

Mimi nunca esteve entre as minhas personagens preferidas sobretudo por um motivo: a voz que lhe atribuíram na dobragem portuguesa da primeira temporada. Infelizmente, existem muitos exemplos de dobragens mal conseguidas em Portugal e Digimon nem sequer é o pior exemplo (sim, Navegantes da Lua, estou a falar de vocês e das vossas vozinhas infernais!), mas a voz da Mimi era pura e simplesmente atroz.

 

Mimi é a princesinha mimada do grupo. É a primeira a queixar-se de fome, de cansaço, de não poder tomar banho, etc. Não é difícil de imaginar o género. Não é o tipo de criança com que simpatizemos, mas, para sermos sinceros, todos nós já tivemos reações estilo Mimi quando éramos miúdos, às tantas por coisas bem menores que ir parar a um mundo desconhecido cheio de criaturas tentanto matar-nos. Todos gostaríamos de pensar que, no lugar e com a idade das Crianças Escolhidas, olharíamos o perigo de frente, como Tai, Matt ou Sora, mas provavelmente a maioria de nós reagiria como a Mimi.

 

Talvez seja por isso que nunca nos tenhamos tornado Crianças Escolhidas. 

 

03.jpg

 

Apesar de mimada e, por vezes, egoísta, Mimi tem o coração no sítio certo e uma sensibilidade que falta à maioria das outras Crianças, destacando-se Tai. O seu momento redentor ocorre na quarta parte da narrativa, quando se sente farta de lutar, quer fazer o luto pelos Digimon amigos que haviam perdido e Tai não deixa. Mais tarde, na mesma altura em que Matt se separa do grupo, Mimi decide igualmente seguir o seu próprio caminho, procurar uma maneira de salvar o Mundo Digital que não implique o sacrifício de Digimon bons. Eventualmente descobre que a luta é inevitável e começa a reunir um exército a partir de antigos aliados das Crianças Escolhidas. Sempre dá uma ajudinha na derrota de Piedmon, mas contribui sobretudo para me fazer respeitar Mimi: no início da temporada, a jovem nunca se separaria volutariamente do grupo. E não é fácil questionar abertamente Tai, que para além de teimoso, no xadrez da luta contra a Escuridão, é uma das peças mais importantes. 

 

As traduções da virtude de Mimi são contraditórias. Na minha opinião, a mais adequada é Inocência - ou Pureza - o que faz sentido por muito do seu desenvolvimento passar pelo conflito entre as suas tendências egoístas e mimadas o seu coração puro.

 

Mimi é uma das personagens menos populares, não sem motivo, mas, na minha opinião, merecia receber um bocadinho mais amor por ser uma das personagens com maior evolução na primeira temporada. É a única personagem feminina com uma evolução digna desse nome, na verdade... Podem ler mais reclamações feministas no que diz respeito a esta série aqui.

Músicas Não Tão Ao Calhas - You Belong to Me

IMG_20150810_081558.jpg

 

Interrompemos uma longa série de entradas sobre a primeira temporada de Digimon para vos trazer o mais recente single de Bryan Adams, disponibilizado ontem: You Belong to Me, primeiro avanço de Get Up, o décimo-segundo álbum de inéditos do cantautor canadiano, com lançamento marcado para 16 de outubro. Não sei se é um single a sério, pela pouca divulgação da música até ao momento. Às tantas, é só uma faixa promocional, como acabou por ser Saturday, dos Simple Plan (e ainda bem!)

 

 You Belong to Me é uma faixa curtinha, com apenas dois minutos e meio de duração. Abre com uma linha de guitarra eléctrica que nos remete para o rock dos anos 60-70. Depressa se juntam outros instrumentos e a música ganha um carácter country, muito alegre e descontraído. A canção vai repetindo a mesma estrutura até ao fim, sem que o ritmo se altere e com pouquíssimas variações na melodia. O solo de guitarra é um dos pontos altos da faixa.

 

A letra é muito simples, dentro do registo romântico habitual de Bryan. Tirada do contexto de uma música alegre, no entanto, faz lembrar demasiado algo que um stalker - ou, pelo menos, um homem sem noção dos limites - diria. Se alguém falasse assim comigo, eu diria:

 

- Meu amigo, eu não pertenço a ninguém!

 

 

Em suma, You Belong to Me não é uma música extraordinária, nem anda perto disso. Tem o mérito de ter uma sonoridade, tanto quanto sei, única na carreira de Bryan - e isso é significativo, sabendo que o homem já lançou onze álbuns de inéditas. Nesse aspeto, ganha a She Knows Me, lançada há um ano. You Belong to Me é uma audição agradável. No entanto, os seus méritos limitam-se a isso - volto a dizer que, comparando com outros primeiros avanços, I thought I'd seen everything encantou-me mais.

 

De qualquer forma, estou curiosa em relação a este álbum. Conforme expliquei no início, este intitula-se "Get Up" - um título demasiado prosaico para um álbum, na minha opinião. Suponho que o "up" se refira a "upbeat", ou seja, alegre, animado em termos musicais. É assim que Bryan, de resto, o descreve: "animado, roqueiro, soa muito retro... e não me importo!"

 

Continuo a achar que é um título pouco imaginativo.

 

02.png

 

Pegando de novo nas declarações de Bryan sobre Get Up - que ele afirma ser um dos melhores que já fez - as influências retro não me surpreendem. Depois de Tracks of My Years, estava mais ou menos à espera. No entanto, acabo de ler no site de Jim Vallance que a coisa é mais complexa do que isso: You Belong to Me e outra música, intitulada Don't Even Try foram compostas em finais de 2012 para uma série sobre uma banda pré-Beatles - logo, teriam de soar à anos 50, 60. Mais tarde, o produtor Jeff Lynne gravou-as e produziu-as. Nos dois anos que se seguiram foram criando mais faixas de longe a longe, até terem um álbum (que, mesmo assim, só tem nove músicas inéditas. Forretas...).

 

Já que falo em Jim Vallance, assinalar o facto de Get Up ser o primeiro álbum, depois de Into the Fire, em 1987, em que o compositor participa em todas as faixas. 

 

Na verdade, aquilo que mais me intriga em Get Up é o entusiasmo com que Bryan fala dele. Já referi aqui no blogue que, durante muito tempo, julguei que ele não tornaria a lançar álbuns de inéditos. E, no entanto, ei-lo aqui. Se um cantor com mais de trinta e cinco anos de carreira, com uma mão-cheia de êxitos no currículo, que já não tem nada a provar como cantautor, sente este nível de entusiasmo ao lançar um álbum novo, dizendo mesmo que este é um dos melhores da sua carreira... isso tem de significar alguma coisa!

 

02.jpg

 

Os próximos singles de Get Up não tardarão: a 7 de setembro será lançada uma faixa chamada A Brand New Day, com a participação de Helena Bonham Carter no videoclipe (estão a ver o que eu digo? O álbum 11 não teve direito a videoclipes a sério e, agora, Bryan vai lançar um videoclipe com Helena Bonham Carter?!?!?). Para além da óbvia entrada de Música Ao Calhas, estou a pensar escrever uma crítica ao álbum Into the Fire mais ou menos na mesma altura (quando receber o CD que encomendei na Amazon). Contem, por isso, com uma overdose de Bryan Adams aqui no blogue nos próximos tempos.

 

Antes disso, no entanto, tenho muitas outras coisas sobre que escrever. Mantenham-se ligados!

 

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Sofia

    Claro, a maior parte das pessoas é̶ ̶n̶o̶r̶m̶a̶l, ...

  • Simple Girl

    Li esta análise (e a primeira parte), não costumo ...

  • Sofia

    Missão cumprida, ah ah! Piadas à parte, não é prec...

  • Anónimo

    eu estou completamente v-i-c-i-a-d-o nas suas anal...

  • Anónimo

    Nada, eu que agradeço por você analisar tão bem. S...

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Segue-me no Twitter

Revista de blogues

Conversion

Em destaque no SAPO Blogs
pub