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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas – Shine a Light

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Bryan Adams lançou, na passada quinta-feira, dia 17 de janeiro, o single Shine a Light, primeiro avanço do álbum com o mesmo nome, que sai a 1 de março.

 

Shine a Light foi co-composta com Ed Sheeran. Consta que os dois se conheceram há uns meses, em Dublin, e mantiveram o contacto. Porque ninguém do mundo da música é idiota ao ponto de conhecer Ed Sheeran e não manter o contacto. A certa altura, Bryan enviou-lhe aquele que se tornaria o refrão de Shine a Light. Uns dias depois, recebeu o esboço de volta, com estâncias compostas por Ed.

 

Tenho uma certa pena que Ed não tenha também cantado, até porque Bryan disse que “devíamos tê-lo ouvido a cantar”. Por outro lado… não estou a ver ao certo onde está a influência de Sheeran nesta música. Não sei o que é que ele fez pela música que Bryan não podia ter feito. O estilo musical dos dois não é assim tão diferente quanto isso. Não havia necessidade, na minha opinião.

 

Mas, lá está, é o Ed Sheeran. Como disse acima, nos dias que correm, ninguém deixaria a oportunidade escapar.

 

 

"Big city lives, fast lane living but
You never forgot your roots"

 

Cinismo à parte, esta é uma canção que, não sendo extraordinária, cativou-me à primeira audição com o seu tom luminoso – a condizer com o título da música. A guitarra acústica domina (ouve-se muito pouca guitarra elétrica), num ritmo acelerado marcado pela bateria. Lembra-me um bocadinho Oxygen, do álbum 11, se bem que a bateria de Shine a Light não seja tão dominadora.

 

Outra música que Shine a Light me recorda é Breakin’, dos All-American Rejects.

 

Infelizmente, regressa uma das falhas de Get Up: a ausência de solos de guitarra. De que serve ter um guitarrista excelente, como Keith Scott, se não podemos ouvir a guitarra dele na música de Bryan?

 

Enfim. Passemos à frente.

 

O tema de Shine a Light não é inédito na discografia de Bryan. À semelhança de Walk on By, do álbum 11, a letra aborda a história, muito típica na cultura americana e canadiana, da jovem que deixa a terra pequena onde nasceu e parte para a cidade para seguir os seus sonhos. Enquanto a letra de Walk on By é mais cautelosa, Shine a Light conta a mesma história numa luz (pun intended) bem mais otimista. Aqui ninguém duvida que a menina em questão conseguirá desenrascar-se sozinha e tornar os seus sonhos realidade – até porque ela ilumina tudo o que a rodeia.

 

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Em suma, Shine a Light é uma boa introdução ao álbum com o mesmo nome. Não acho que se vá tornar uma das minhas músicas preferidas, mas imagino-a ganhando um estatuto parecido ao de I thought I’d seen Everything, do álbum 11, e de She Knows Me.

 

Esta última, aliás, tem andado a subir na minha consideração ao longo do último ano. De vez em quando passa na Rádio Comercial, enquanto estou a trabalhar. Quando a oiço, lembro-me que saiu num dos períodos mais difíceis da minha vida. Só o percebi muito depois, mas na altura soube-me a um dia de sol, no meio de um verão invulgarmente cinzento e gélido.

 

Espero que seja esse o significado do nome deste álbum. Talvez o objetivo de Shine a Light seja mesmo esse: trazer música que nos aqueça neste inverno, que nos ilumine os dias, numa altura em que as vidas de muitos de nós já foram bem mais fáceis.

 

Já se conhece a tracklist do álbum Shine a Light. Desta feita, não temos apenas nove faixas inéditas, com quatro versões acústicas para nos poderem cobrar o preço de um álbum inteiro – mais de três anos depois de Get Up, ainda acho uma jogada super manhosa.

 

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Nada disso desta vez. Vamos ter direito a treze faixas inéditas. Bem, mais ou menos, uma é um cover de Whiskey in a Jar. A versão digital, em CD e em cassete (?) vai ter The Last Night on Earth como faixa exclusiva, enquanto a versão em vinil terá I Hear You Knockin’.

 

Um destaque da tracklist é o dueto com Jennifer Lopez. Confesso que não estava à espera desta. Não sou grande fã de JLo – tirando uma música ou outra, considero-a uma cantora mediana. No entanto, estou com algumas expectativas em relação a este dueto. Acho que pode sair uma coisa gira daqui.

 

Como disse antes, o álbum Shine a Light sai a 1 de março. Ou seja, no próximo mês e meio, vou receber três álbuns novos de artistas do meu nicho, com um intervalo de duas semanas. Resist, dos Within Temptation, a 1 de fevereiro. Head Above Water, de Avril Lavigne, a 15. Shine a Light a 1 de março. Que luxo!

 

Ainda bem que aderi à promoção do Spotify, que oferecia três meses de Premium pelo preço de um. Fiz a compra perto do Ano Novo e abarca estes três lançamentos. Bem jogado, Sofia-do-passado!

 

Já arranjei, aliás, uma playlist para toda a música nova que foi saindo este ano, para me ser mais fácil ir-me familiarizando com o material novo até arranjar os CDs. E também para ir manipulando o número de reproduções.

 

 

Entretanto, tenho andado a trabalhar num texto de Músicas Ao Calhas sobre duas músicas, uma de Bryan, outra de Avril Lavigne. Talvez o timing não seja o melhor – vai ser muita Avril e muito Bryan em pouco tempo neste blogue. Por outro lado, vou regressar às origens neste texto. Já que os dois se preparam para lançar álbuns novos, acho que é uma boa altura para voltar atrás e recordar o início da nossa relação musical.

 

Preparem-se, então, para muita música aqui no blogue nas próximas semanas, se não forem meses. Estamos apenas a começar. Continuem desse lado!

Música de 2018 #2

Segunda parte do meu balanço musical de 2018. Podem ler a primeira parte aqui. Até agora, a crónica tem sido um pouco mixórdia de temáticas, mas as secções seguintes falarão apenas de um artista ou banda (embora a segunda fale tanto de uma banda como do trabalho a solo de um dos membros). O primeiro item será uma estreia absoluta neste blogue. Deem, assim, as boas-vindas a... 

 

  • Carly Rae Jepsen

 

Conheci Carly Rae Jepsen ao mesmo tempo que quase toda a gente: em 2012, quando o mundo inteiro andava obcecado com Call Me Maybe. Ainda hoje gosto da música. A letra é um bocadinho totó, mas isso faz parte do apelo. Além de que a melodia é irresistível. No que toca a músicas virais, esta é das melhores – até porque saiu num ano em que tivemos de levar com Gangham Style…

 

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Quado Carly lançou o seu álbum, Emotion, três anos mais tarde, não teve o mesmo hype. Alguns dos singles geraram algum buzz, mas o seu impacto não se comparou ao de Call Me Maybe. As críticas, no entanto, foram positivas (houve quem chamasse a Emotion o “1989 de 2015”). Um YouTuber que sigo há uns anos, aliás, teceu rasgados elogios ao álbum Emotion, na altura.

 

Teimosa como sou, só há pouco mais de um ano é que resolvi espreitá-lo no Spotify. Já na altura gostei e acrescentei várias faixas às minhas playlists. Mesmo assim, foi só este ano, depois de comprar o álbum em CD é que me rendi a sério a Emotion. Não digo que goste de todas as músicas deste projeto, mas quando gosto, gosto mesmo muito.

 

O primeiro single, I Really Like You parece ter sido criado para recriar o fenómeno Call Me Maybe. A letra cai em territórios parecidos. Tom Hanks e Justin Bieber até foram recrutados para o videoclipe. A música não teve o mesmo impacto de Call Me Maybe, mas na minha opinião é melhor: um tudo nada mais cativante e com um melhor desempenho vocal. 

 

A faixa-título Emotion é também irresistível – ainda que com uma letra inesperadamente mazinha (não no sentido de mal escrita, a narradora é que é mazinha). Por sua vez, All That é uma balada que parece saidinha dos anos 80.

 

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Making the Most of the Night é uma música de que, de início, me esquecia um pouco, perdida entre tantas músicas giras. No entanto, quando a ouvia, censurava-me por não lhe dar mais atenção. Adoro a maneira como começa num tom mais grave, acelerando e abrandando, até finalmente entrar em crescendo até ao refrão.

 

Estas são apenas algumas de várias boas músicas da edição padrão do álbum. Foi esta que comprei em CD, para ouvir no carro, logo, conheço-a um pouco melhor que as faixas extra. Emotion tem uma data de b-sides, várias das quais foram lançadas num EP, chamado Emotion side B, no ano seguinte. Consta que foram compostas à volta de 250 canções nos trabalhos para Emotion (e que a editora fez uma confusão enorme no lançamento deste álbum). De qualquer forma, encontram-se várias pérolas entre estas faixas extra.

 

Uma delas é Love Again, que faz parte da edição japonesa. Confesso que só me apercebi desta há relativamente pouco tempo, mas tenho andado obcecada pelo seu refrão, cheio de luz.

 

Quem foi o idiota que deixou esta música de fora do Spotify? Não, não! Quem foi o idiota que deixou esta música de fora da edição padrão do álbum. O que a editora fez com Emotion devia dar direito a cadeia!

 

 

Dizia eu que há quem ache que o side B é ainda melhor que a edição padrão de Emotion. Eu não vou a esse ponto, mas está definitivamente ao mesmo nível – com músicas como Cry, Store e First Time. As minhas preferidas são Higher – com uma melodia que, de facto, nos leva aos céus – e Roses – uma balada lindíssima, romântica e um tudo nada sensual. Aquela terceira estância é uma obra de arte.

 

Deixei a minha preferida para o fim: Run Away With Me, a música que abre a edição padrão de Emotion. Eu nunca me apaixonei a sério, mas quer-me parecer que Run Away With Me é a tradução musical de cair de amores (se não for, ficarei desiludida). Desde as notas iniciais de saxofone, passando pela melodia irresistível, o refrão explosivo, terminando nos vocais em coro. Andei semanas viciada e dá para vê-lo – foi a segunda mais tocada no meu Spotify.

 

A letra não é nada do outro mundo, mas cumpre o seu papel. Fala de uma escapadela romântica, de fugir a tudo para estar com a pessoa amada. Está longe de ser um tema super original, eu sei, mas, mais do que na letra, a força da música está na emoção genuína com que Carly a interpreta.

 

 

Run Away With Me tem, assim, todos os elementos que atraem na música de Carly Rae Jepsen. Aliás, as músicas de Emotion – tanto a edição padrão como as múltiplas faixas extra – representam o meu ideal de música pop: bem interpretada, com melodias cativantes. As letras não precisam de ser muito muito boas ou profundas (aliás, se tenho alguma falha a apontar à música de Emotion é o facto de, em certos momentos, parecer algo impessoal), desde que não sejam completamente ocas. Desde que sejam minimamente sentidas.

 

Estes elementos, aliás, também estão presentes nas músicas de que falei na secção anterior, especialmente no synth pop dos anos 80 e nas músicas dos ABBA.

 

Por tudo isto, é um crime que Carly Rae Jepsen não receba mais atenção – quando a música mainstream de hoje em dia é tão medíocre que os Grammys tiveram de nomear músicas como The Middle e Girls Like You.

 

Consta que Carly se prepara para lançar o sucessor a Emotion em 2019. Não sei muito sobre este álbum, apenas que Carly terá composto à volta de oitenta músicas para este projeto (estou a ver que esta não sofre de bloqueio criativo), que terá influências disco e que o primeiro single é Party For One. É uma música gira e tem um toque pessoal que as músicas de Emotion não parecem ter – segundo Carly, a música foi inspirada numa noite que teve, pouco após uma separação. Se o resto do álbum for parecido, não me queixo.

 

 

Fico então a aguardar esse álbum. Ainda não sei se escreverei sobre ele aqui no blogue, mas, depois de Emotion, estou definitivamente curiosa.

 

Depois de, até agora, termos falado de músicas mais de fora do nicho habitual deste blogue, o resto da crónica será um pouco mais conservador. Começando por…

 

  • My Indigo & Within Temptation

 

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Já tinha referido My Indigo, o side project de Sharon den Alden dos Within Temptation, de passagem, no balanço musical do ano passado. O álbum saiu em abril e não desiludiu. Foi mais um exemplo de música com influência dos anos 80 – desta feita, à mistura com folk e alguns elementos orquestrais, parecidos com os que encontramos na música dos Within Temptation. Mais do que isso, é um álbum emotivo, real, com um toque agradável de melancolia – para uma audiência mais velha que a da música mais mainstream.

 

Confesso que é o género de música de que tenho precisado nos últimos dois anos.

 

Não me vou alongar muito, pois quero escrever uma análise a este álbum a curto/médio prazo. De qualquer forma, My Indigo permitiu a Sharon curar o seu bloqueio criativo e ganhar inspiração para o novo álbum dos Within Temptation. Este chamar-se-á Resist e será lançado a 1 de fevereiro.

 

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Duas semanas antes do álbum novo da Avril Lavigne, Head Above Water. É um aspeto curioso em que reparei há pouco tempo: desde 2004, tanto a Avril como os Within Temptation têm lançado os seus álbuns de estúdio quase ao mesmo tempo. Under My Skin e The Silent Force saíram em 2004. The Best Damn Thing e The Heart of Everything saíram em 2007 com pouco mais de um mês de intervalo (e, além disso, rimam!). Goodbye Lullaby e The Unforgiving saíram em 2011 com pouco mais de duas semanas de intervalo. O álbum homónimo de Avril e o Hydra saíram com pouco menos de três meses de intervalo em finais de 2013, início de 2014.

 

Isto deve ser apenas uma coincidência, creio eu (se alguém tiver provas em contrário, avise-me). É possível que existam outros artistas ou bandas que lancem música ao mesmo tempo. Em todo o caso, eu acho piada.

 

Os Within Temptation já partilharam umas quantas canções de Resist, mas a única que oiço com alguma regularidade é o primeiro avanço, The Reckoning. É uma boa música – gosto em particular na sequência que parece uma espécie de trompa de guerra eletrónica. Também gosto da participação de Jacoby Shaddix, dos Papa Roach.

 

Não quis ouvir as outras músicas, tirando uma vez ou duas. Tal como tenho referido nos últimos tempos, não gosto de ouvir um álbum às prestações, antes do lançamento oficial.

 

 

Uma palavra que tem sido usada para descrever o conceito de Resist é “futurista”. Segundo a banda, o álbum foi inspirado pela atualidade cada vez mais digital e as consequências para a humanidade. Aquilo que temos visto em termos de estética do álbum e dos videoclipes, aliás, dão a ideia de um futuro distópico, talvez mesmo  cyber punk.

 

Faz sentido. Os álbuns até The Heart of Everything foram inspirados por fantasia épica/medieval. The Unforgiving inspirou-se em fantasia urbana (Hydra foi menos conceptual). O passo lógico seguinte, de facto, é o futuro, o distópico, a ficção científica.

 

Fico contente, pois sempre gostei desta faceta dos Within Temptation – embora tenha de admitir que, nos últimos tempos, prefiro música mais… “real”, menos fantasiosa.

 

Enfim. Pode ser que me ajude quando decidir voltar a escrever ficção.

 

São, assim, dois álbuns novos por que esperar em fevereiro. Não vou falar sobre Avril Lavigne e o álbum Head Above Water neste texto, pois já falei muito sobre ele há pouco tempo.

 

Na verdade, só vou falar sobre mais um artista nesta crónica. Nada mais nada menos que…

 

  • Mike Shinoda

 

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A era do álbum Post Traumatic durou o ano todo (acho que ainda nem sequer acabou). Começou a 25 de janeiro, com o lançamento do EP com as três primeiras músicas. Foi continuando ao longo do primeiro semestre, com o lançamento de vários singles até à publicação do álbum completo. Mesmo depois, Mike continuou a lançar singles e videoclipes. A título pessoal, foi durante os últimos meses do ano, enquanto trabalhava na análise, que passei mais tempo com Post Traumatic.

 

E agora, em dezembro, Mike lançou o vinil de Post Traumatic, com duas canções inéditas, Prove You Wrong e What the Words Meant.

 

Em termos musicais, se Over Again e Ghosts se juntassem e tivessem um filho, esse seria Prove You Wrong. É conduzida pelo piano e algumas das melodias lembram Ghosts. Ao mesmo tempo, possuir várias semelhanças com Over Again: é cantada maioritariamente em rap, a segunda parte é cantada num tom mais agudo, denotando raiva e os últimos refrões surgem acompanhados de guitarras e vocais que, em certos momentos, parecem a voz de Chester.

 

Em termos de letra, Prove You Wrong está ali num intermédio entre Crossing a Line e Make It Up As I Go. É menos esperançoso e luminoso que o primeiro. É movido a determinação, como o segundo, mas o tom é menos sombrio.

 

 

Como já tínhamos visto com várias canções de Post Traumatic, Mike está à procura de um caminho para a sua vida, de um novo normal, depois de o antigo normal ter morrido, com o Chester. O rapper anda à procura de encorajamento, de votos de confiança, da parte dos demais, mas ninguém parece acreditar a sério nele. Assim, Mike decide cerrar os dentes e levar os seus planos a cabo, só mesmo para calar os céticos.

 

Eu perguntou-me quem eram essas pessoas que não acreditavam em Mike. Não estou a ver, por exemplo, a esposa dele, a família próxima, os colegas dos Linkin Park ou mesmo os fãs a duvidarem das capacidades de Mike – pelo contrário, Mike revelou que, ainda no rescaldo imediato da morte do Chester, pessoas na Internet suplicavam-lhe que não deixasse de fazer música.

 

Tudo isto leva-me a pensar que os destinatários de Prove You Wrong serão os seus próprios demónios, as suas inseguranças personificadas. As vozes que Mike diz que já não consegue ouvir em Can’t Hear You Now.

 

Acho que Prove You Wrong é a minha preferida das duas músicas novas, no entanto, What the Words Meant não fica muito atrás na minha consideração. É, aliás, uma música fascinante.

 

 

A sonoridade de What the Words Meant é grave e algo melancólica. De uma maneira estranha, a parte depois do segundo refrão lembra-me Midnight, dos Coldplay.

 

Segundo Mike, a letra de What the Words Meant foi inspirada por uma conversa que teve com uma artista musical (ele não revelou o nome dela). Mike gostara muito de um certo álbum dela e perguntou-lhe acerca dos assuntos das canções. Ela respondeu-lhe que eram sobre a morte da sua irmã. Ao saber disso, Mike nunca mais ouviu essas músicas da mesma maneira – até porque ele tivera uma perda semelhante.

 

Não estando, nem de longe nem de perto, a comparar a dor de Mike com a minha, esta é uma letra com que qualquer fã dos Linkin Park se pode identificar pós julho de 2017.

 

Conforme veremos quando voltar a escrever sobre a música da banda, depois do que aconteceu ao Chester, pelo menos metade da discografia dos Linkin Park (e também dos Dead by Sunrise) soa a pedidos de ajuda e/ou bilhetes de suicídio. Antes, se calhar, não levávamos muito a sério ou achávamos que, entretanto, ele tinha resolvido essas questões (sou culpada de ambos os casos, sobretudo do segundo). Agora sabemos que não era exagero, que não era uma personagem que Chester estava a representar. Era tudo real e, no fim, ele não conseguiu ultrapassar nada daquilo.

 

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Como diz Mike nesta música, quem me dera não ter descoberto a verdade. Muito menos desta forma.

 

É uma pena que estas músicas não tenham sido incluídas na edição padrão do álbum. Mas compreendo porque não foram. Como vimos acima, Prove You Wrong é demasiada parecida com outras músicas do álbum e a letra é um pouco redundante. Por sua vez, What the Words Meant foge um bocadinho ao conceito principal de Post Traumatic. Além de que a edição padrão já conta com dezasseis faixas – e eu não excluiria nenhuma delas a favor de Prove You Wrong e What the Words Meant.

 

Enfim.

 

Nós – os fãs, Mike e os outros membros dos Linkin Park – temos passado o último ano e meio tentando habituar-nos a um mundo sem Chester. De maneiras diferentes, a ritmos diferentes, com graus de sucesso diferentes, é certo. Mas consola-me, de uma maneira estranha, saber que estamos todos no mesmo barco.

 

No que diz respeito a mim, não tenho estado mal. Não digo que não volte a ir-me abaixo, sobretudo quando os restantes membros dos Linkin Park tomarem uma decisão em relação ao futuro da banda. Mas acho que a pior parte já passou.

 

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Quero acreditar que o mesmo se passa com Mike e os outros. Que eles encontraram alguma paz de espírito, um novo normal.

 

Tal como referi na análise ao álbum, a música que encerra Post Traumatic, Can’t Hear You Now, descreve bem o meu estado de espírito na maioria de 2018 e neste momento. Não apenas no que toca a Chester, mas no que toca à vida em geral. Sinto-me melhor que no fim de 2017, ainda que mantenha muitas das minhas inseguranças. Acho que estou no caminho certo – quero ver o que vem a seguir.

 

O futuro dos Linkin Park enquanto banda continua uma incógnita. Os membros que restam têm dado a entender que querem, um dia, voltar a fazer música juntos – apenas não sabem quanto.

 

Pessoalmente, não sei o que quero. Não sei se quero que voltem só os cinco, se quero que arranjem outro vocalista, se quero que continuem sob outro nome. Estou sempre a mudar de opinião. Nesta fase, prefiro deixar a bola do lado deles, não ter nenhuma opinião. O Mike, o Phoenix e os outros que decidam o que quiserem, quando quiserem. Quando derem esse passo, eu lidarei com isso.

 

E foi isto o meu ano musical. Em baixo está uma playlist com todas as músicas de que falámos aqui e mais algumas.

 

 

2018 foi um ano um bocadinho menos interessante que 2017, mas também 2017 não foi interessante pelos melhores motivos. Sinto, aliás, que 2018 foi o ano em que os músicos do meu “nicho” começaram a recuperar dos anos difíceis que tiveram – que tivemos todos. O Mike lançou música a solo. A Avril está de volta ao mundo da música, após a sua doença. Sharon e os Within Temptation também estão de volta após um período de bloqueio. Os Paramore encerraram a era After Laughter e parecem mais felizes que quando a começaram.

 

Talvez estejamos todos, finalmente, a dar a volta por cima.

 

Temos uns quantos álbuns por que esperar em 2019. Já falámos sobre os dos Within Temptation e da Avril.

 

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Quem, pelos vistos, também se prepara para lançar um álbum novo é Bryan Adams. Não se sabe muito sobre ele, ainda – apenas que se chamará Shine A Light, que o primeiro avanço terá o mesmo nome, que Bryan filmou o videoclipe há cerca de duas semanas e que terá uma digressão no Reino Unido em 2019.

 

Confesso que não contava com esta. Depois de ter esperado sete anos e meio por um álbum novo após 11, em 2008, não estava habituada a esperar apenas três ou quatro anos pelo sucessor a Get Up.

 

Quando é que eu me tornei uma mulher tão paciente?

 

É possível que Shine a Light inclua uma digressão que passe por Portugal. Talvez já em 2019, talvez só em 2020. Mais uma vez, não passou assim tanto tempo depois da última vez. No entanto, se ele voltar, vou tentar ir. Depois do que aconteceu ao Chester, não quero desperdiçar nenhuma oportunidade. Já foi suficientemente mau não ter conseguido ir ao Porto ver a Lorde, em junho último.

 

Para além destes três, há outros álbuns que me interessam a caminho, ou que se especulam que possam estar a caminho em 2019. Já referi o de Carly Rae Jepsen, mas também poderemos ter álbuns dos Sum 41, dos Coldplay, de Mika. Na altura, decido se escrevo sobre eles ou não.

 

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No que toca a este blogue, 2018 não foi um ano muito fácil. Por causa do meu emprego novo, tenho tido muito menos tempo para escrever. Houve alturas em que não foi fácil gerir. Infelizmente, isso não deverá mudar em 2019.

 

Ao mesmo tempo, apesar de ter tido menos tempo, apesar de, demasiadas vezes, ter estado semanas e semanas sem conseguir publicar, quando consegui, foram textos de que me orgulho. Os textos de Pokémon através das gerações, por exemplo, deram imenso trabalho, mas valeram a pena – oh, se valeram. Outros textos que destaco são a última análise a Tri, as análises a Head Above Water e a Post Traumatic.

 

Este foi também um ano em que recebi bastante feedback aqui no meu blogue. Falo dos comentários do Fernando e do Miguel, mas também aqueles que recebi no grupo Comunidade Portuguesa de Pokémon e Digimon PT. Vocês sabem que eu não dependo de validação externa no que toca à minha escrita. Mas há dias em que ajuda. Há dias em que ajuda mesmo muito. Estou muito grata.

 

Espero, então, conseguir manter este nível em 2019: produzir textos de que me orgulhe, mesmo que demorem.

 

Obrigada, então, por tudo o que fizeram por mim e pelo meu blogue em 2018. Que tenham um 2019 muito feliz, com saúde (mas não muita muita, porque senão fico sem emprego), dias bons, momentos bons, boa música, bons filmes, bons jogos, muitos Pokémon Shinies, enfim, tudo de bom. Continuem desse lado!

Música de 2018 #1

Primeira publicação de 2019! Bom ano, pessoal! Como já é tradição aqui no blogue nestas ocasiões, eis o meu balanço musical de 2018.

 

À semelhança do que aconteceu nos últimos dois anos, esta lista não se limita a música lançada em 2018. Bem pelo contrário, uma parte deste texto falará de música lançada há mais de 30 anos. A crónica virá em duas partes, publicarei a segunda amanhã.

 

Este ano, a crónica não será tão coesa tematicamente como a última. Esta primeira parte, então, não dirá respeito a um único artista ou banda, como em 2016 e 2017, será um bocadinho mixórdia de temáticas. A segunda parte deste texto será mais... tradicional, digamos, com secções dedicadas a um artista ou banda.

 

Assim, sem mais delongas, vamos começar por…

 

  • Música dos anos 80 (e não só)

 

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Isto é apenas um ponto de partida, mas a verdade é que passei uma boa parte deste ano – sobretudo por alturas do verão – obcecada com músicas dos anos 80.

 

Muitas destas músicas estavam longe de ser desconhecidas para mim – bem pelo contrário, cresci ouvindo muitas delas, nunca chegaram a sair das rádios. Durante muito tempo, favorecia o soft rock dos anos 80 – Bryan Adams acima de tudo, mas também Bon Jovi e mais tarde Queen-.

 

Desta feita, virei-me mais para o pop. ou melhor para o synth pop. Este é um estilo que tem estado na moda nos últimos anos – o álbum 1989, da Taylor Swift, é um exemplo, mas também o After Laughter dos Paramore. O último, aliás, terá sido aquele que mais me empurrou na direção deste género. E mais à frente, neste mesmo texto, falaremos de artistas cujo trabalho também foi influenciado pelo synth pop dos anos 80.

 

Não estou sozinha. Pelo que vejo por aí, existem muitos fãs de música com trinta ou quarenta anos de idade. Um dos maiores exemplos é Africa, dos Toto.

 

 

Não sendo a minha música preferida neste estilo, Africa tem subido na minha consideração – por causa da popularidade quase… memética (neologismo criado a partir da palavra “meme”) da música e por influência da minha irmã e, sobretudo, do António, do Odaiba Memorial Day Portugal.

 

Africa tem muitos dos elementos que me atraem na música dos anos 80: sintetizadores e teclados à mistura com instrumentos “reais”, melodias agradáveis, o pequeno solo de bateria que conduz ao excelente refrão.

 

Estou, aliás, convencida que o refrão (que terá sido inspirado por trabalhos dos Beatles e dos Beach Boys) é o principal motivo pelo qual as pessoas gostam tanto de Africa. Hoje em dia é raro encontrar um refrão como este, agudo, com emoção genuína, na música mainstream. O exemplo mais parecido que encontro é em Shallow, do filme Nasceu Uma Estrela. Outro exemplo recente é Perfect Places, da Lorde, mas esse não chegou ao mainstream, com muita pena minha.

 

A letra é daquelas que não tem um significado consistente. Os próprios membros da banda têm fornecido cada um a sua explicação. Há quem diga que é uma típica história de amor, há quem diga que o “you” se refere ao continente africano. Há quem diga que a ideia era chamar atenção para a fome em África. O baterista Jeff Porcaro (falecido em agosto de 1992) terá dito que a letra foi escrita do ponto de vista de, parafraseando, “um miúdo branco que só conhece África daquilo que vê na televisão”.

 

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Por sua vez, o vocalista na altura, David Paich, disse que Africa conta a história de um missionário, como um que Paich conheceu em miúdo. Esse missionário teria estado em terras africanas, difundindo a fé cristã, distribuindo bíblias e, segundo o próprio, abençoando as culturas, as pessoas, as aldeias e… as chuvas. A parte mais difícil do trabalho seria a solidão devido aos votos de celibato – daí Africa falar de um interesse romântico tentando encontrar-se com o narrador.

 

Paich acaba por dizer que prefere que seja o ouvinte a interpretar a letra conforme melhor entender. Eu vou aproveitar a deixa.

 

Sendo este um retrato tão vago e generalista do continente africano, eu prefiro pensar que a África de que a letra fala é uma metáfora. Um símbolo de uma viagem espiritual, de um final feliz, de um local mágico onde os sonhos do narrador se tornarão realidade, onde ele e a sua amada poderão dar asas ao seu amor. No fundo, aquilo que Tallahasee representava para Emma e Neal, em Once Upon a Time.

 

Há uns tempos, o António fez um podcast em que escolhia canções dos anos 80 relacionando-as com Digimon Adventure. Na altura, ele tentou encaixar Africa mas não conseguiu. No entanto, pegando na minha teoria de África como metáfora, um desses sítios podia ser o mundo Digimon.

 

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É tudo uma questão de imaginação. Não há nada que nos impeça de abençoar as chuvas no Mundo Digital.

 

Ainda não compreendo ao certo porque é que a Internet e os jovens escolheram Africa para idolatrar. Tenho perguntado ao Google, mas ninguém parece ter uma resposta concreta. Eu acho que é porque, hoje em dia, é mais difícil encontrar música pop como esta: bem interpretada, com emoção genuína, apesar da história simplista e, para algumas pessoas, um bocadinho lamechas.

 

Essencialmente, os mesmos motivos pelos quais vim a apreciar muitas músicas desta secção.

 

A banda Weezer chegou a lançar um cover de Africa somente porque as internetes o pediram. Consta que um fã fez o primeiro pedido há cerca de um ano, tendo mesmo criado uma conta no Twitter só mesmo para fazer pressão sobre a banda – conta essa que ganhou milhares de fãs nos meses que se seguiram.

 

 

Após seis meses de campanha e de um cover de Rosanna (uma faixa do mesmo álbum que incluiu Africa), os Weezer lá aceitaram abençoar as chuvas de África.

 

Se esta história não for suficiente para vos convencer da veneração das internetes por Africa, nada será.

 

O cover em si não é nada mau. Acaba por ser apenas uma reinterpretação de Africa com instrumentação de 2018. Acho que foi uma boa escolha – conserva todos os elementos que tornaram a versão dos Toto tão especial.

 

Além disso, foi amoroso da parte deles terem incluído um dos tweets da tal conta na capa do single.

 

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Infelizmente, Pitbull teve a triste ideia de fazer uma espécie de remix de Africa, para a banda sonora do filme Aquaman. Quer dizer… porquê? Quem é que achou que isto era boa ideia? O rapper/DJ/seja-lá-o-que-for já não goza de grande popularidade (e eu contribuo para isso). Foi mexer na música preferida das internetes… Estava mesmo a pedi-las, não estava?

 

Por acaso já fui ouvir a música. Não está horrível, mas a versão original e mesmo a dos Weezer está anos-luz à frente. Não havia mesmo necessidade.

 

E com isto tudo desviei-me um bocadinho do assunto deste texto.

 

Regressando ao synth pop dos anos 80, Africa pode ser um bom representante deste estilo e desta década, mas para mim o maior ícone dos anos 80 é Take On Me, dos A-ha. Toda a gente conhece aquele riff de teclado e o refrão, que começa relativamente grave e acabando em agudos impossíveis. E o excelente videoclipe, claro.

 

 

Uma historieta engraçada sobre esse vídeo. Quando ainda dava o Top + na RTP, eles passavam esse videoclipe com alguma regularidade. O pior é que cortavam sempre na parte em que, depois de a rapariga ter saído da banda desenhada e regressado a casa, o rapaz aparece à frente dela, em aparente sofrimento. A última coisa que via era o rapaz debatendo-se contra as paredes e a rapariga em lágrimas – ficava sem saber se ele sobrevivia. Só vários anos depois, quando tive acesso a canais de música que mostravam os videoclipes por inteiro, é que descobri como acabava a história.

 

No fim de 2017, a banda gravou uma lindíssima versão acústica de Take On Me. Não fica nada atrás da original. Chegou a ser incluída na banda sonora do segundo filme de Deadpool.

 

Eu na verdade gosto um pouco mais da menos conhecida, Crying in the Rain (que na verdade é um cover de uma música dos The Everly Brothers). Foi uma das minhas  mais tocadas este ano, no Spotify. A sonoridade é excelente, sim, sobretudo pela maneira como incorpora o som dos trovões e do vento. Mas o que mais me cativa é a sua letra.

 

Em suma, o narrador espera por dias de chuva para poder dar asas à sua dor, após ter perdido a sua amada. A ideia é que as gotas de chuva se confundam com as suas lágrimas, para que ninguém, em particular a sua ex, perceba que ele está a sofrer.

 

 

Pode parecer um bocadinho deprimente, mas a letra da canção tem uma nota de esperança – o narrador sabe que, um dia, a dor passará. “Someday, when my crying is done, I’m gonna wear a smile and walk in the sun”.

 

Outra música synth pop que ouvi muito este ano é Everywhere, dos Fleetwood Mac. Descobri esta música depois de os Paramore terem incluído um cover nos concertos de After Laughter. Eles têm bom gosto.

 

Outras músicas neste estilo de que gosto, mas não tanto como das que falei acima, são clássicos como Girls Want to Have Fun, Like a Prayer, Never Gonna Give You Up, I Wanna Dance With Somebody, Dancing in the Dark.

 

Não me limitei ao synth pop nem mesmo aos anos 80, no entanto. Estive, por exemplo, a explorar ao de leve a discografia dos Beatles, uma ou outra música do Bob Dylan e da Joan Baez e alguns temas de Pat Benatar.

 

Por outro lado, já conheço os Roxette há muito tempo – desde Listen to Your Heart – mas este ano acrescentei mais uns quantos singles à minha biblioteca, como Spending My Time e Fading Like a Flower.

 

 

Tenho andado também a revisitar a discografia dos ABBA, sobretudo depois de ter saído a sequela a Mamma Mia (gostei muito). Tenho ouvido tanto as versões originais como as do filme.

 

Algumas delas ficaram mesmo muito giras, como a Angel Eyes, interpretada pelas atrizes Christine Barranski, Julie Walters e Amanda Seyfried. Outro destaque óbvio é Fernando, com o desempenho extremamente emotivo de Cher. Por fim, Super Trouper, interpretada pelo elenco todo – se aquela cena final é a ideia que Mamma Mia tem do Paraíso, espero que estejam certos!

 

Uma música individual por que tenho andado obcecada é Mickey, de Toni Basil. Este tema parece a avó de Girlfriend e The Best Damn Thing, da Avril – ela mesma chegou a incluir um cover parcial na The Best Damn Tour. É uma música mesmo muito gira. Tem um efeito semelhante a What is Love (que também está entre as mais tocadas no meu Spotify e sobre a qual escrevi aqui) no sentido em que me dá uma vontade incontrolável de dançar.

 

Eu pelo menos quero descontrolar-me um bocadinho mais com estas coisas. É bom exercício. Além disso, a vida é demasiado curta para não dançar quando me apetece.

 

 

 

Como também já referi em publicação recente, ouvi umas quantas músicas da Shakira, sobretudo durante o primeiro semestre – em preparação para o concerto que deu em junho.

 

Por outro lado, também ouvi uns quantos temas… não sei qual é o nome oficial do género, mas eu costumo descrevê-la como música etérea. Todas elas baladas, nalguns casos com inspirações célticas ou gregorianas. Alguns singles de Enya, por exemplo. Andei particularmente obcecada pela versão gregoriana de Brothers in Arms.

 

Tenho, aliás, uma história engraçada com essa música. Quando eu andava no sexto ou sétimo ano, havia um número a que podíamos ligar a partir de telefones públicos, para que a chamada fosse paga por quem a recebia (pensar que há pessoas maiores de idade que nunca terão usado uma cabine telefónica…). Eu de vez em quando usava esse número, para ligar para casa através do telefone público da minha escola. A versão gregoriana de Brothers in Arms era a música de espera, daí sempre a ter adorado.

 

Admira-me aliás ter demorado tanto tempo a dar com a música, quando ando há uma década a encontrar música na Internet.

 

 

Já a versão original, dos Dire Straits, possui um carácter levemente etéreo. A instrumentação e interpretação gregoriana multiplica esse carácter, tornando a música francamente mágica. Como se viesse diretamente dos céus.

 

Este grupo, na verdade, já gravou uma série de versões gregorianas de temas bem conhecidos da música das últimas décadas. Dei uma espreitadela, mas só gosto a sério de algumas. Uma delas é Nothing Else Matters – a versão gregoriana dá-lhe um carácter estranhamente ameaçador, como que a anunciar o dia do Julgamento Final. Também gosto da versão de The Sound of Silence e de In the Air Tonight – só faltou o icónico solo de percussão.

 

Acabámos por nos afastar da premissa inicial. Isto tudo foi só para terem uma ideia dos meus consumos musicais hoje em dia, para mostrar que ando a tentar expandir o meu gosto – através das sugestões do Spotify e afins. Procurando contrariar os meus hábitos conservadores. Uma das minhas resoluções (que não chegam a sê-lo a sério) para este ano, aliás, é tentar não ouvir sempre as mesmas músicas no Spotify – compararem as listas com as músicas mais tocadas em 2018 com as de 2017, há muitas repetições. Quero evitar que o mesmo aconteça com a lista de 2019.

 

De qualquer forma, o synth pop dos anos 80 continua a destacar-se das outras músicas que referi nesta parte do texto – até porque a segunda parte desta crónica falará de artistas que colheram inspirações nesse estilo. 

 

Mais sobre isso, então, amanhã!

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