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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Música 2021 #3: Comendo da mão

 

O texto de hoje será mais curtinho que os anteriores – e os próximos, provavelmente. Quase todas as minhas retrospectivas anuais têm incluído uma música isolada, que entra na minha lista por um motivo muito específico.

 

Este ano, essa música é a versão de Post Malone de Only Wanna Be With You, dos Hootie and the Blowfish. E o motivo não será difícil de adivinhar para quem der uma rápida vista de olhos a este blogue. 

 

Em fevereiro comemorámos o vigésimo-quinto aniversário de Pokémon enquanto franquia. Escrevi sobre isso aqui. A propósito dessas comemorações, The Pokémon Company lançou uma compilação com temas de vários músicos. 

 

Acho que ninguém percebeu muito bem a lógica da decisão – e não aderiram muito. Mesmo eu só me dei ao trabalho de ouvir esta e Electric, de Katy Perry (que não sendo má, não é nada por aí além). 

 

Only Wanna Be With You foi a primeira do projeto a ser lançada. Ainda assim, não me afeiçoei logo à música – demorou um bocadinho. A versão de Post Malone é relativamente fiel ao original, mas inclui um excerto do tema de Ecruteak, dos jogos da segunda geração de Pokémon. Ecruteak é uma das minhas cidades preferidas e um dos meus temas preferidos de toda a banda sonora dos jogos. 

 

Agora, imaginem estarem a trabalhar, com o rádio ligado, e de repente ouvirem estas notas em 8bit. Notas que estão habituados a ouvir em circunstâncias muito diferentes. No meu caso, era sobretudo quando andava à caça do trio de Johto – sempre que precisava que estes mudassem de localização, voava sempre para Ecruteak. Era estranho, mas sabia-me bem. 

 

 

E isto é o suficiente para me afeiçoar à canção. Aquelas notinhas em 8bit. É o que eu digo, esta franquia consegue pôr-me a comer da mão deles com coisas tão simples como esta.

 

Não que esse seja o único ponto forte de Only Wanna Be With You, pelo contrário. É uma música gira, tanto o original (o vocalista Darius Rucker tem uma voz bonita) como esta versão. Noutras circunstâncias, se a ouvisse na rádio, não mudaria de estação. Talvez até usasse o Shazam, para mais tarde adicioná-la ao meu Spotify.

 

Por outro lado, por muito gira que seja a música… esta não tem muito a ver com Pokémon. Only Wanna Be With You é uma canção de amor, sobre um romance que não parece ser muito harmonioso. Lá está, noutras circunstâncias não faria mal, mas para uma música associada a Pokémon não faz muito sentido.

 

Na minha opinião, a menos que quisessem criar música que servisse como temas de abertura ou encerramento do anime, se quisessem que as canções funcionassem fora do contexto de Pokémon, as letras teriam de ser mais vagas. Canções de amor suficientemente genéricas para se poderem aplicar a relações platónicas – como Carry On, do filme Detetive Pikachu – ou músicas com típicas mensagens inspiradoras, sobre tornar sonhos realidade ou assim – como Electric, de Katy Perry.

 

Mas pronto. Gosto de Only Wanna Be With You à mesma. Foi uma das músicas que mais toquei este ano à mesma. 

 

Para já é tudo. No próximo episódio, vou escrever sobre uma banda que nunca referi aqui no blogue – ou na página sequer. Uma pista: eles cantam em mais do que uma língua.

 

Caso não volte a publicar antes do Ano Novo, boas entradas em 2022!

Música 2021 #2: Já tenho direito ao cartão de Swiftie?

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Esta é outra que vem na sequência do ano passado – e que eu sabia que podia voltar a aparecer na lista de fim de ano. Taylor Swift continua a subir nas minhas preferências e acredito que, não sendo propriamente a melhor cantora, é certamente a melhor compositora da nossa geração. 

 

No final do ano passado, eu estava ainda a começar a explorar folklore e evermore. Agora que já passei bastante tempo com esses álbuns, posso alongar-me um pouco mais sobre eles. 

 

Não que tenha muito a dizer que outros não tenham dito já. Apenas que ambos são álbuns poderosíssimos, que mexem com as emoções – um pouco demais para o meu conforto, até. As músicas de separação (pelas quais Taylor é infame) nem sequer são as piores, pelo menos não no meu caso.

 

Devo dizer que gosto mais de folklore do que de evermore – ambos são excelentes, mas, no geral, gosto mais das músicas do primeiro. De todas as faixas de folklore – incluindo a faixa extra, the lakes – apenas peace e hoax não me cativam muito. 

 

Cardigan não é das minhas favoritas, mas existe um par de versos que batem forte – sobretudo no final do ano passado, início deste. “Tried to change the ending, Peter losing Wendy” lembra-me Kizuna. Embora talvez a primeira versão da letra fosse mais adequada “Peter leaving Wendy”. Ou mesmo ao contrário “Wendy losing Peter”

 

Exile, my tears ricochet e illicit affairs são todas tristes, cada uma à sua maneira. Identifico-me um pouco com this is me trying. Seven, então, é terrível, traz-me lágrimas aos olhos de todas as vezes. August é a melhor do triângulo amoroso musical e mesmo de todo o álbum. 

 

 

Por fim, tomei o gosto a mirrorball. Traduz de maneira interessante aquilo que Taylor estaria a sentir no início da pandemia: o mundo do espetáculo fechando portas, mas o desejo dela de entreter não fora a lado nenhum. “When they called off the circus, burned the disco down, when they sent home the horses and the rodeo clowns, I’m still on that tightrope, I’m still trying everything to get you laughing at me”. 

 

Evermore tem menos músicas causando o mesmo impacto, mas elas estão lá. Como primeiro single, gosto mais de willow do que de cardigan. Gold rush é muito gira: um cruzamento entre o synth pop de 1989 e música dos anos 50. No body no crime é deliciosamente sombria. Cowboy like me merecia mais apreciação. Marjorie foi inspirada pela falecida avó de Taylor, mas também me recorda a minha – é outra que me faz chorar.

 

São bons álbuns mas, como referi várias vezes ao longo do ano, a partir de certa altura tornaram-se demasiado pesados emocionalmente para mim. Comecei a sentir falta de música mais alegre.

 

Entretanto, Taylor começou a lançar as regravações dos seus álbuns antigos. Fearless na primavera, Red agora no outono. Na altura em que se começou a falar disso, não achei que fosse resultar. Se Avril decidisse regravar os seus primeiros álbuns, não resultaria de todo, na minha opinião. A sua voz muda muito de álbum para álbum, sobretudo na primeira metade da sua carreira – a sua voz hoje em dia é muito mais firme, ela nunca conseguiria replicar a fragilidade dos seus vocais em Let Go ou o timbre mais grave, à maria-rapaz, de Under My Skin

 

Além disso, qual era a piada de voltar a lançar música que os fãs já conhecem de trás para a frente e de frente para trás?

 

No entanto, tive de engolir as minhas dúvidas depois do que ela fez com Fearless (Taylor’s Version) e sobretudo Red (Taylor’s Version). Como a própria Taylor explicou, acaba por ser uma nova forma de explorar nostalgia e fan service. Taylor pega no feedback que recebeu ao longo dos anos dos fãs em relação às músicas mais populares, àquelas que deviam ter sido singles/recebido videoclipes (o caso mais óbvio é All Too Well, como veremos já de seguida). Por sua vez, os fãs recordam um álbum e uma era que os marcou e ainda recebem conteúdo extra. 

 

 

Taylor tem regravado as faixas-padrão de modo a soarem idênticas às originais, por motivos óbvios. Mas com as b-sides – ela chama-lhes From the Vault, do cofre – é diferente. Tecnicamente estas nunca foram lançadas por meios oficiais, nunca renderam dinheiro (mesmo que os fãs mais hardcore já as conheçam há muitos anos), ela agora pode fazer o que quiser com elas: rearranjá-las, mudar partes da letra, trazer convidados.

 

É diferente, é interessante. Com isto em conta, decidi aproveitar estas regravações para ficar a conhecer melhor a discografia de Taylor, um álbum de cada vez. 

 

Fearless não me impressionou por aí além, no entanto. Tirando aquelas de que já gostava antes – Love Story, White Horse, Fifteen – acrescentei poucas às minhas playlists: a faixa-título, Superstar, The Other Side of the Door, Mr. Perfectly Fine e Don’t You. E mesmo assim não adoro nenhuma delas.

 

Com Red foi diferente. Gosto mais de Red do que de Fearless. Não sei se esta é uma opinião popular na comunidade de fãs. Será o equivalente a dizer que gosto mais de The Best Damn Thing do que de Under My Skin?

 

De resto, acho que o lançamento de Red TV teve mais impacto. Talvez por causa do lançamento da versão de dez minutos de All too Well, com direito a curta-metragem e tudo. 

 

À semelhança de toda a gente, All too Well é uma das minhas preferidas de Taylor. Até escrevi sobre ela no ano passado e tudo. A minha declaração de que não precisávamos da versão de dez minutos envelheceu como um iogurte. Apesar do que escrevi, quando ficou confirmado que teríamos dez minutos de All too Well, fiquei tão entusiasmada como toda a gente. Na noite anterior ao lançamento de Red TV, mal consegui dormir pensando na música, sonhando constantemente que esta já tinha saído e que a ouvia pela primeira vez. 

 

 

Isto já me dá direito ao cartão de Swiftie?

 

Em relação à música em si, começo por dizer que as minhas previsões não estavam erradas. A versão longa de All too Well não tem os mesmos clímaxes em termos de instrumental que a versão curta tem. A letra é menos linear em termos de progressão, chegando a contradizer-se a si mesma. Perto do fim da música, a narradora diz que o ex se lembra tão bem como ela – a parte de ele não ter devolvido o cachecol e tal. Mas na estância final, ela pergunta-lhe se ele também sofreu com a separação, se ele também se lembra.

 

É possível que seja intencional, no entanto.

 

Em todo o caso, estes são problemas menores. Os pontos fortes da versão longa compensam sobejamente. Os cinco minutos extra oferecem novas perspectivas sobre o romance falhado, novas camadas de emoção, talvez demasiado melodramática nalguns momentos, mas sem deixar ninguém indiferente.

 

Taylor diz que esta versão é o primeiro rascunho da música, tal como a compôs em 2011 ou 2012… mas será verdade? Estou disposta a admiti-lo para noventa por cento da letra, mas existem partes que são demasiado 2021, nomeadamente o foco na diferença de idades. Duvido que Taylor aos vinte e um, vinte e dois, estivesse afastada o suficiente da situação para se aperceber desse aspeto.

 

Enfim, é apenas um pormenor. Concordo com Taylor quando diz que esta é a versão definitiva de All too Well. 

 

 

Mas esta não é a única música de destaque em Red TV. Eu já adorava o tema-título mesmo antes disto, por exemplo, bem como Treacherous (ainda que há menos tempo). Quando saiu a regravação, no entanto, tomei o gosto a Begin Again.

Por acaso, várias das que gosto vêm do “cofre”. Por exemplo, gosto imenso de Girl At Home. A versão original tinha um arranjo mais country que não era mau. Mas esta versão, mais ao estilo de 1989, é muito mais gira. E a letra envelheceu surpreendentemente bem.

 

Também gosto de Come Back… Be Here. O início recorda-me Wish You Were Here, de Avril Lavigne. É possível que tenham inspirações comuns, típicas do início dos anos 2010. 

 

Finalmente, temos I Bet You Think About Me. Adoro o tom trocista da letra (que será sobre o mesmo interesse romântico de All too Well), muito bem explorado pelo videoclipe, lançado poucos dias depois de Red TV. Pontos para o que fizeram com o branco e o vermelho – e o bolo parece delicioso. Se algum dia me casar e for um casamento dos grandes, também quero um bolo de noiva red velvet.

 

Dizem que a próxima regravação será de 1989. Sendo este um dos álbuns que melhor conheço de Taylor, isto contraria um pouco o meu plano. Mas não me queixo: continuo a querer conhecer mais músicas do cofre, quiçá com novos videoclipes. 

 

Não se admirem, assim, se voltar a escrever sobre Taylor daqui a um ano.

 

 

E chegámos ao fim da segunda parte desta retrospetiva. Se não voltar a publicar antes, boas entradas em 2022!

Música 2021 #1: Flowers For Vases e o que farão os Paramore a seguir

Chegámos àquele período em que olhamos para trás e refletimos sobre o ano que termina. Quem acompanha este blogue há algum tempo saberá que, nesta altura, gosto de fazer um apanhado da música que mais me marcou ao longo do ano. 

 

Uma espécie de Spotify Wrapped por escrito.

 

Estes têm sido textos difíceis de escrever, contudo. Em parte por ter menos tempo, já que coincidem com as festas. Mas também tenho tido dificuldades em decidir os moldes adequados para a retrospetiva. 

 

Este ano decidi regressar ao básico e fazer como fazia nos primeiros anos deste blogue: uma publicação para cada artista ou banda, sensivelmente (poderão haver exceções). Mesmo que me atrase e só consiga concluir a retrospectiva em inícios ou mesmo meados de janeiro (espero que não), na pior das hipóteses já tenho esta primeira parte publicada. E talvez seja mais apelativo, tanto para mim como para quem leia.

 

Vou seguir uma ordem mais ou menos cronológica. As primeiras artistas vêm em continuidade de 2020. Começando por Hayley Williams, que, depois de ter encerrado 2020 com o EP Petals For Armor: Self-Serenades, de ter deixado pistas nas redes sociais e ter “vazado” o tema My Limb, lançou o seu segundo álbum a solo, Flowers For Vases em inícios de fevereiro. 

 

 

Vários temas de Flowers For Vases aparecem no meu Spotify Wrapped, mas isso não é representativo. Conforme expliquei aqui, tirando quando tenho o Premium, geralmente só uso o Spotify no meu computador, enquanto escrevo ou preparo textos para publicação. 

 

Assim, as músicas de Flowers For Vases terão acumulado reproduções enquanto eu tratava da análise. Eu nem sequer gosto assim tanto de Inordinary ou de Good Grief. O álbum foi marcante no início do ano, sim. Mas, tal como previ na altura, regressei pouco a este trabalho, tirando as minhas músicas preferidas – My Limb, Over Those Hills, Find Me Here, Just a Lover. Asystole quando estou para aí virada. 

 

Conforme escrevi na análise, Flowers For Vases tem os seus momentos, mas é um álbum demasiado minimalista em termos de instrumental. As músicas são demasiado curtas e, nalguns casos, pouco intensas, incapazes de me cativar. 

 

Na minha opinião, Hayley precisa de pelo menos uma outra pessoa com quem compôr. As músicas de Flowers For Vases, mesmo deixando a desejar, continuam acima da média no que toca a música no geral. Ainda assim, mesmo as melhores neste álbum mal conseguem competir com os temas de Petals For Armor e da maioria da discografia dos Paramore. Adaptando uma frase que citei na análise a PFA, Hayley até se pode safar muito bem a solo, mas sozinha já não se safa tão bem.

 

Além disso, só prova que aqueles que dizem que os Paramore são Hayley-mais-dez não sabem do que falam. Hayley é claramente uma jogadora de equipa.

 

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A mim parece-me que o início de 2021, quando saiu Flowers For Vases, foi há imenso tempo. Foi um ano muito comprido para mim, tanto quanto 2020 pareceu na altura. 

 

Isto será em parte porque mudei de emprego este ano. Tenho rotinas diferentes, questões de trabalho que me apoquentavam há um ano hoje nada significam. Mas mesmo tirando estas questões mais pessoais, as coisas mudaram. Em janeiro/fevereiro estávamos na pior fase da pandemia, no nosso segundo confinamento, sem sequer podermos beber um café “ao postigo”. Desde aí a pandemia melhorou significativamente à medida que a vacinação se disseminou. Tornou a piorar nas últimas semanas e os próximos meses são muito incertos, mas longe da gravidade do início do ano. 

 

Assim, quando oiço certas músicas de Flowers For Vases, sobretudo aquelas que oiço menos vezes, tenho recordações do início do ano. Entretanto, Hayley entrou em estúdio com Taylor e Zac e, agora, o sexto álbum dos Paramore já esteve bem mais longe. Hayley praticamente confirmou-o para 2022 e acho que está na altura. Até porque os Paramore acabam de ter o seu melhor ano de sempre no Spotify – um feito notável para uma banda que não lança música nova há mais de quatro anos. A ideia que eu tenho é que eles têm ganho popularidade no Tik Tok.

 

Eles têm de aproveitar.

 

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Tenho-me esforçado por não pensar muito no próximo álbum dos Paramore. Em parte por, como referi quando escrevi sobre All We Know is Falling, ter precisado de me alhear um pouco do universo cinemático deles (embora tenha começado a ouvir este podcast, que recomendo). 

 

Ao mesmo tempo, não quero especular demasiado nem criar expectativas, que correm o risco de serem defraudadas. Estou a tentar manter a minha mente o mais aberta possível. Ao contrário de uma grande fatia dos fãs, não tenho preferência pelo género musical do próximo trabalho. Podem trazer o som mais pesado dos primeiros álbuns – juntando-se a Avril Lavigne, Travis Barker e companhia – podem trazer as influências de synth pop e new wave de After Laughter ou seguir uma direção completamente diferente. A mim é-me igual, desde que a qualidade seja a mesma de sempre.

 

Só tenho dois desejos. O primeiro, o mais importante, é que Hayley não cante sobre o ex-marido. Falando por mim, estou farta, ela que enterre esse cavalo morto de vez. Que cante antes sobre o Taylor sobre a nova relação saudável que diz ter neste momento. 

 

O segundo desejo é que Hayley aplique as lições aprendeu com os seus trabalhos a solo. Que suje as mãos com a instrumentação, mesmo que use algumas das influências de Petals For Armor e Flowers For Vases. Não seria absolutamente essencial, mas seria interessante. 

 

A ver no que dá. 2022 vai ser bom pois a minha santíssima trindade – o meu cantor preferido, a minha cantora preferida e a minha banda preferida – irá toda lançar música nova. Não tenho grande pressa com o álbum novo dos Paramore – até me covinha que eles “deixassem” Avril e Bryan lançarem os seus trabalhos primeiro antes de anunciarem o seu. 

 

Ficamos por aqui, para já. Se não conseguir publicar antes, votos de Boas Festas e de boas entradas em 2022, sempre com os devidos cuidados porque pandemia. Até à próxima!

Músicas Não Tão Ao Calhas – So Happy it Hurts e mais um par

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No passado dia 11 de outubro, Bryan Adams lançou So Happy It Hurts, o primeiro single do álbum com o mesmo nome, que sairá no próximo dia 11 de março. Não estava nos meus planos dedicar-lhe um texto – apenas alguns parágrafos no fim do texto anterior. No entanto, quando estava quase a terminar essa publicação, Bryan lançou uma segunda música, On the Road. Assim, decidi escrever sobre as duas canções no mesmo texto. Quando estava quase a terminar essa publicação, o homem lança-me uma terceira música, Kick Ass. 

 

Não há respeito neste mundo por blogueiras em part-time que gostam de escrever sobre músicas novas dos seus artistas preferidos!

 

Sigamos a ordem dos lançamentos. Mais do que Avril Lavigne com Bite Me, So Happy it Hurts é Bryan sendo Bryan, sobretudo o dos últimos anos. Um som rock clássico, vagamente retro, um tom alegre. Imagino-o tocando isto em palco e era capaz de apostar que os gestos e movimentos dele na minha mente – as suas expressões, a maneira como ele toca a guitarra, a cabeça dele abanando ao ritmo da música – não serão muito diferentes da realidade. 

 

Em termos de letra, So Happy it Hurts também está longe de ser um tema super raro na discografia de Bryan. Basicamente, fala sobre saltar para dentro de um carro, arrancar pela noite dentro, deixando todas as preocupações para trás. Mais ou menos o mesmo tema de The Last Night on Earth, do álbum anterior – e este é apenas o exemplo mais recente. 

 

Por outro lado, gostava de saber onde é que o homem andou nestes últimos dois anos para vir, agora, dizer que está “tão feliz que dói”.

 

 

Não é má canção. E o videoclipe é fofinho, sobretudo as partes em que aparece a mãe dele, bem como a mulher grávida e o jogador de futebol americano. É a música ideal para abrir um concerto, sobretudo no pós-confinamento… mas estou a adiantar-me. 

 

Ao contrário de So Happy it Hurts, On the Road é um pouco diferente do costume para Bryan. Esta foi lançada aquando da divulgação do calendário Pirelli de 2022.

 

Lançada é como quem diz… durante mais de uma semana a música só estava disponível no YouTube. Nem sequer havia letra em lado nenhum. Lá está, como blogueira em part-time que gosta de escrever sobre música nova dos seus artistas preferidos, foi um bocadinho chato. Felizmente, quando saiu Kick Ass, On the Road foi também lançada como deve ser.

 

O instrumental de On the Road é algo mais pesado que o costume para Bryan. Não sei como descrevê-lo senão como música de motoqueiros. Talvez seja influência da letra ou mesmo do videoclipe, onde Bryan surge de casaco de cabedal preto.

 

A letra de On the Road entra em territórios parecidos aos de So Happy it Hurts, se bem que com um tom menos delirantemente feliz. Uma vez mais, nada de muito original, a comparação com Open Road chega a ser óbvia. Segundo declarações de Bryan, a letra serve para celebrar o regresso à normalidade (normalidade com vários asteriscos, claro), bem como o estilo de vida de muitos artistas e bandas: sempre na estrada, sempre em digressão.

 

 

E de facto aquilo que me é mais óbvio destas duas músicas é que Bryan estava farto de estar confinado. Não era o único, claro. Mas imagino que para ele – ele que, de acordo com a sua música, passou quase toda a sua vida na estrada, já deu a volta ao mundo cerca de mil vezes – tenha sido particularmente doloroso. E que doa ainda mais agora, que contraiu Covid, precisamente no seu regresso aos palcos. 

 

Pergunto-me se esse será um tema recorrente em So Happy it Hurts. 

 

Falta falar sobre Kick Ass – a mais engraçada das três. Começa com uma narração melodramática do lendário John Cleese, sobre um anjo enviado por Deus, vestido com calças de ganga, botas e boné –  podia ser eu – para salvar a Humanidade do inferno da música má e trazer o rock aos mortais.

 

No fundo é a mesma filosofia de Kids Wanna Rock e Go Down Rockin’, apresentada de forma hilariante. Pergunto-me o que Travis Barker e respetiva turma pensariam desta música. 

 

À parte isso, é certo que esta música não é para ser levada cem por cento a sério, mas podemos parar de fingir que o rock é o único género musical que é bom? Rock é o meu género musical preferido, rock e todas as suas variantes, mas se uma pessoa só se limita a isso arrisca-se a perder muita música boa.

 

Mas pronto. 

 

 

Mesmo sem a introdução de Cleese – e existe uma versão da música sem essa parte – Kick Ass é uma boa música. Gosto da parte em que Bryan – falando pelo tal anjo – nomeia cada instrumento e este se junta à música. Faz-me lembrar o filme Escola de Rock, a parte em que Dewey atribui um instrumento a cada miúdo. 

 

Por outro lado, acho um bocadinho estranho Bryan falar na primeira pessoa do plural, apresentando-se como uma “kickass rocking band”, quando tecnicamente ele é um artista a solo. Se bem que nós, fãs um pouco mais hardcore, já vamos conhecendo os membros da banda dele. Em particular, o lendário Keith Scott.

 

Em suma, estas são três boas músicas de Bryan, mesmo não sendo nada por aí além. So Happy it Hurts é a mais fraquinha das três, mas não por muito, apenas por causa da previsibilidade. On the Road e Kick Ass sempre têm qualquer coisa de diferente para se distinguirem.

 

O que nos leva a So Happy it Hurts, o álbum. Não estou assim tão ansiosa por ele. Estou à espera que seja semelhante ao seu antecessor, Shine a Light: um conjunto de músicas agradáveis ao ouvido, mas pouco memoráveis. 

 

Mas posso estar enganada, claro. Estas três músicas até são boas, como vimos. Se o resto do álbum for de qualidade semelhante, ficarei satisfeita.

 

Ainda assim, em princípio não deverei escrever sobre So Happy it Hurts. A menos que o álbum seja deveras interessante, o que duvido. 

 

 

Antes de lançar So Happy it Hurts, no entanto, Bryan irá voltar a Portugal! Dia 29 de janeiro em Gondomar e dia 30 em Lisboa – tenho bilhetes para esse último. Não contente com isso, Bryan ainda virá ao Festival Marés Vivas, em julho.

 

Algo me diz que ele tem saudades nossas. 

 

É um bocadinho estranho, pois só se passaram dois anos desde a última vez que ele este cá. Estava habituada a encontros tetra-anuais. Mas não me queixo! Noutras circunstâncias talvez pusesse a hipótese de não ir, mas depois da pandemia, enquanto estiver dentro das minhas possibilidades, não quero desperdiçar oportunidades. 

 

Além disso, como o último concerto foi em finais de 2019, poucos meses antes de isto tudo se ter virado do avesso, as recordações dessa noite foram um dos meus consolos durante a pandemia. Vai ser especial regressar aos concertos precisamente com Bryan – e criar novas recordações. 

 

Também será especial pois, se tudo correr bem, vou ver os meus dois pais musicais com cerca de um mês e meio de diferença – o concerto de Avril Lavigne em Zurique é a 7 de março. Isso já devia ter acontecido há dois anos (com um intervalo maior entre concertos). A ver se desta não falha. Os álbuns também deverão sair mais ou menos na mesma altura, à semelhança do que aconteceu em 2019 – o de Avril, no entanto, ainda não tem data oficial; não me admirava se se atrasasse um bocadinho. 

 

 

Estou é com medo que o concerto seja cancelado, com a evolução da pandemia nas últimas semanas. As festas de fim de ano já foram canceladas – mas suponho que tenha sido por ser difícil verificar testes e certificados de vacinação. Não me importo se tiver de mostrar certificado e fazer teste antes do concerto de Bryan. 

 

A parte da máscara é que será mais difícil. Uma pessoa vai para lá dançar, saltar, cantar em altos berros e, pelo menos no meu caso, soprar beijinhos para o palco. Não dá jeito fazê-lo com máscara. Mas se tiver de ser…

 

Só não cancelem, por favor. Quero mesmo ir a estes concertos!!

 

Entretanto, conforme prometido, hei de escrever uma sequela a este texto. Desta vez, vou fazer por publicar a tempo – nas vésperas dos concertos de Bryan cá. Também já estou a preparar a minha retrospetiva musical de 2021. Ainda estou a tentar decidir os moldes, mas à partida vou voltar ao modelo dos primeiros anos deste blogue: uma publicação por artista ou banda, sensivelmente.

 

E é tudo por agora. Obrigada pela vossa visita, como sempre. Até à próxima!

 

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