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Álbum de Testamentos

"Como é possível alguém ter tanta palavra?" – Ivo dos Hybrid Theory PT

Música 2023 #3: Too big to hang out, slowly lurching toward your favorite city

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Hoje vamos então falar da dona disto tudo, da omnipresente. Taylor Swift é um poço sem fundo de ótima música. Dez álbuns de estúdio, um décimo-primeiro a caminho, em menos de vinte anos de carreira, incluindo reedições e respectivos baús e, no caso de Midnights, múltiplas edições especiais. Chega a ser irritante. 

 

Mas não há volta a dar. Taylor tornou a ser uma das artistas que mais ouvi em 2023. 

 

Este ano, Taylor lançou duas regravações de álbuns antigos: Speak Now no verão, 1989 no outono. Gostei muito do primeiro. Speak Now era um daqueles que ainda não tinha explorado muito e estava à espera da reedição para ficar a conhecer melhor. 

 

Não fiquei desiludida. Já tinha ouvido alguns fãs elogiando as letras em Speak Now, as histórias que contam – algo que regressaria em força em folklore e evermore. Também gosto muito da sonoridade: o country pop do início da carreira dela misturado com rock, alguns momentos de pop punk e metal sinfónico.

 

Um aspeto de que gosto imenso em relação a Speak Now – tanto no alinhamento padrão como no baú – é da duração destas músicas. Faixas de quatro ou cinco minutos, algumas de seis ou sete. Solos de guitarra, instrumentos com tempo de antena. Numa altura em que é raro ouvirmos música com mais de dois ou três minutos de duração, sabe bem, é refrescante.

 

Já conhecia e gostava de algumas músicas em Speak Now: Mine e Back to December. Enchanted, então, é uma das minhas preferidas de Taylor há uns anos. Com a regravação fiquei a conhecer e a gostar de mais umas quantas. 

 

Haunted, para começar, a tal que brinca com metal sinfónico. Parece uma música dos Within Temptation. É gira, mas uma parte do meu cérebro está sempre à espera de ouvir a voz de Sharon den Adel. Também gosto de Dear John e Last Kiss. Better than Revenge é a Misery Business de Taylor – um bocadinho de mesquinhez sabe bem de vez em quando. Never Grow Up leva-me lágrimas aos olhos – Taylor tem demasiadas músicas com essa capacidade, não acho nada bem.

 

 

Mas as minhas preferidas neste álbum são duas (bem… três, se contarmos com Enchanted). A primeira é Sparks Fly – aparentemente um clássico na discografia de Taylor. Segundo as minhas pesquisas, Taylor tê-la-á composto aos dezasseis anos, ainda antes de ter lançado o seu álbum de estreia. Tocou-a nalguns concertos, apareceram vídeos dessas apresentações na Internet, os fãs adoraram e convenceram Taylor a gravá-la para Speak Now. A versão de estúdio é diferente, menos country, mais pop rock, com alterações na letra. Na minha opinião é melhor, mas não nego que a versão pré Speak Now tem um charme muito próprio.

 

Adoro a sonoridade de Sparks Fly, sobretudo aquele refrão. Em termos de letra – sobre paixão adolescente – não é super original, mesmo um bocadinho básica, mas que posso dizer? Apela ao meu coração romântico de menina de quinze anos – um pouco como Enchanted, na verdade.

 

E, de qualquer forma, a letra tem um ou outro indício de que a narradora tem mais autoconsciência do que seria de esperar. “Give me something that’ll haunt me when I’m not around” – ela quer sentir-se assim, ela quer que o seu interesse romântico lhe dê motivos para o prender na sua cabeça. Também gosto do verso “Get me with those green eyes”. Olhos bonitos usados como armadilha, mesmo como arma.

 

A minha outra preferida é Long Live, a faixa que encerra a edição-padrão de Speak Now. Esta é outra com uma sonoridade pop rock grandiosa que eu adoro. A letra é uma carta de amor de Taylor para os seus colaboradores, a sua banda e – como ela tem sublinhado nos últimos tempos – os seus fãs. É uma canção de vitória, uma celebração dos seus triunfos após ter entrado no mundo da música como desfavorecida.

 

Ou pelo menos é assim que ela se pinta.

 

Isto pode ter acontecido por a regravação ter saído poucos dias antes do 10 de julho, mas, de uma forma muito minha, desde o início associei Long Live à vitória da Seleção Portuguesa no Euro 2016. Afinal de contas, também essa foi uma história de underdogs que triunfaram. 

 

 

When they gave us our trophies and we held them up for our town” recorda-me, claro, as nossas celebrações no feriado a seguir à final. “You held your head like a hero on a history book page” é basicamente a postura de Cristiano Ronaldo por defeito. “I had the time of my life fighting dragons with you” faz-me pensar em como tantos destes jogos grandes, contra tubarões futebolísticos, o nervosismo, a euforia, a frustração, os Nitromint debaixo da língua, têm sido dos períodos mais excitantes da minha vida. 

 

Por fim, os versos “and the cynics were outraged, screaming ‘this is absurd’” dão-me vontade de rir. Descrevem de forma quase literal a reação dos franceses à nossa vitória.

 

Por outro lado, embora esses versos também se encaixassem no tema da final do Euro 2016, prefiro dedicar aquela parte mais calminha (a que começa com “Will you take a moment?”) à minha família HT.

 

…talvez eu esteja na minha era Speak Now – depois de ter passado por uma era Midnights na primeira metade de 2023.

 

Passemos às faixas inéditas de Speak Now. É possível que a minha opinião mude no futuro mas, até ao momento, este é o meu baú preferido das regravações. A única de que não gosto tanto é Electric Touch (acho que teria ficado melhor sem a participação do Patrick Stump).

 

Começando por Castles Crumbling, aquela por que mais ansiava por causa da participação de Hayley Williams. Estava com algum medo de uma situação semelhante a Snow On the Beach, em que a voz de Lana Del Rey mal era perceptível – de tal modo que, mais tarde, foi lançada uma segunda versão da música. No que toca a Taylor, por vezes “feat” é uma palavra demasiado forte.

 

 

Felizmente, nesse aspeto, não nos podemos queixar de Castles Crumbling. Hayley ouve-se bem quando canta – a interpretação do verso “and they trusted me” é muito ela. Eu queria ainda mais Hayley, mas podia ter sido pior.

 

Alguns de nós estranharam que tenha sido esta música a ter a participação de Hayley. Uma balada ao piano, calminha, vagamente atmosférica, não é o género musical em que o ouvinte comum pensa quando se fala na Hayley dos Paramore. Hayley revelou há umas semanas que a primeira música que Taylor lhe enviou se encaixava melhor no estilo pelo qual os Paramore são conhecidos (provavelmente Electric Touch), mas Hayley não gostou. Taylor, então, enviou-lhe Castles Crumbling. Hayley gostou mais dessa.

 

A letra terá sido um dos elementos a conquistar Hayley. Como li algures, Castles Crumbling é a antítese de Long Live. É uma canção de derrota em vez de vitória. A narradora perdendo o amor do público, o poder que detinha e ao qual se afeiçoar demasiado – ao ponto de ter deixado corrompê-la. 

 

É interessante analisar a letra de Castles Crumbling à luz das personalidades díspares de Hayley e Taylor. Penso em Idle Worship e No Friend, dos Paramore, cujos narradores se ressentem dos pedestais em que foram colocados, que avisam – com toda a razão – que aquilo que os fãs veneram é uma ideia, uma ilusão, não corresponde à realidade.

 

Acho que Taylor está mais afeiçoada à fama que Hayley. Ela mesma se descreveu há pouco tempo como “a pathological people pleaser”, e os últimos anos deixaram bem claro que ela gosta da fama, gosta da sua posição como DDT do mundo da música (e não só) – daí eu torcer o nariz a algumas das mensagens de Anti-Hero. Havemos de regressar a essa ideia mais à frente. 

 

Aqui entre nós, não estou habituada a isso da parte dos artistas e bandas que sigo. Estou habituada a ouvi-los falar mais de amor à arte, menos de amor à atenção e aos prémios. Mas também acredito que pelo menos alguns deles liguem mais a isso do que estão dispostos a admitir.

 

Não que vá fazer juízos de valor sobre esta atitude de Taylor (bem… não muitos). Tem as suas vantagens e as suas desvantagens, como tudo. Em Castles Crumbling mostra mágoa pela perda do pedestal. Penso que será um retrato fiel daquilo que Taylor sentiu quando Kanye West a humilhou durante os VMAs – e talvez quando o público se virou contra Taylor em 2016.

 

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Ao mesmo tempo, a narradora de Castles Crumbling admite culpas naquilo que aconteceu, admite ter abusado da sua posição. O que remete para Dear Reader – uma música que tem vindo a subir na minha consideração nas últimas semanas – onde Taylor tenta dar conselhos, mas sabe que não tem autoridade para tal. Gosto em particular dos últimos versos “You should find another guiding light, guiding light, but I shine so bright”. É como se Taylor estivesse em debate consigo mesma – ou com a voz do coro, como numa tragédia grega. Ela gosta de ser admirada, gosta de ser um exemplo a seguir, mas sabe que não o merece verdadeiramente.

 

Castles Crumbling será talvez a melhor música do baú de Speak Now, a mais profunda. Naturalmente, já que os Paramore irão com ela para a Eras Tour na Europa, espero que Taylor e Hayley a cantem todas as noites.

 

I Can See You, a única música do baú com direito a videoclipe, é engraçada, mais sexy  do que o habitual para Taylor na altura – com tropos que ela só voltaria a usar em Reputation. Compreende-se porque terá sido deixada de fora da Speak Now original – a equipa de Taylor, talvez ela mesma, tentando manter uma imagem ainda relativamente inocente.

 

When Emma Falls in Love é fofinha. Timeless também é linda: a letra faz lembrar Mine e também as letras em folklore e evermore.

 

Finalmente, Foolish One é daquelas músicas que nos faz perguntar “Quem nunca?”. Sobre enganos de alma ledos e cegos, sobre alimentar ilusões sobre os nossos interesses românticos, mesmo sabendo que a outra parte não sente o mesmo.

 

Definitivamente nunca me aconteceu. Nunca fiz filmes na minha cabeça baseando-me em quase nada, sabendo que a pessoa em questão já estava comprometida. No cenário pintado em Foolish One, em defesa da narradora, o interesse romântico (assumindo que é um rapaz) também estava comprometido, mas mantinha um caso com a narradora. A narradora só se culpa a si mesma, mas a verdade é que isto não abona nada a favor do carácter do rapaz. No fundo, uma versão mais jovem e inocente de illicit affairs.

 

 

De qualquer forma, no final de Foolish One, a narradora é gentil consigo mesma. Promete a si mesma que, um dia, haverá quem corresponda aos seus afetos. De qualquer forma, Foolish One é uma boa música para se ouvir depois de Sparks Fly, para descer um pouco à Terra.

 

Como poderão concluir, gostei muito de Speak Now (Taylor’s Version). Pena a sua era ter sido tão curta. Cerca de um mês depois, mais coisa menos coisa, Taylor estava já a anunciar a regravação de 1989 e rapidamente se deixou de falar de Speak Now. Foi chato.

 

Embora, para sermos justos, ao menos o baú de Speak Now teve direito a um videoclipe. O de 1989 não teve essa sorte.

 

Ao contrário do que aconteceu com as regravações anteriores, já tinha acompanhado o lançamento da 1989 original e guardo alguma nostalgia em relação a essa hora. Ouvir Shake it Off em todo o lado e arranjar a minha própria coreografia para ela, usar versos de Blank Space para descrever os meus primeiros tempos com a Jane.  

 

Também já conhecia o álbum bastante bem. Ainda pensei que pudesse redescobrir algumas músicas da edição-padrão, mas não foi o caso. Tirando You Are in Love e Wonderland, mais recentemente, aquelas de que gostava não se alteraram. As minhas favoritas são Clean, Wish You Would e os singles, tirando Bad Blood.

 

Avancemos já para as faixas do baú. Em termos de temática são muito consistentes – parece que são todas sobre o romance falhado de Taylor com Harry Styles. Aliás, as cinco parecem contar uma narrativa, começando na lua-de-mel da relação, passando pelas diferentes fases da rotura. Pode-se argumentar que a história tem um final aberto – a narradora perguntando se a relação terminou mesmo. Não é dada uma resposta.

 

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Infelizmente, não gosto tanto do baú de 1989 como gosto do baú de Speak Now. Parte disso, será mesmo porque as músicas são pura e simplesmente menos apelativas para mim. Por outro lado, na altura em que saiu a regravação, vi imensos vídeos de Swifties no YouTube sobre estas músicas… e acho que foi um erro.

 

Este é para mim o problema da música de Taylor e dos Swifties. Com as devidas exceções (e mesmo assim há quem duvide que sejam mesmo exceções), Taylor infamemente escreve sobre pessoas reais, escreve a sua própria história, deixa pistas, referências. Um típico Swiftie adora escrutinar as letras, os videoclipes e… bem, tudo o que Taylor faz ou deixa de fazer, para tentar descobrir mensagens secretas, descobrir de que interesse romântico Taylor está a falar, o que isto revela sobre a relação deles. 

 

Não digo que não compreenda o apelo, atenção! Também compreendo o gozo de Taylor em escrever a sua própria história, em criar a sua própria mitologia. Eu faço o mesmo, até certo ponto, com os meus blogues – numa escala muito menor, claro. Mas por vezes é demais. Lá está, sou o tipo de ouvinte que gosta de fazer as suas próprias interpretações das músicas que ouve. Não gosto de me limitar a um cânone oficial. 

 

É por isso que gosto mais do baú de Speak Now. Tem menos bagagem em termos de “lore”.

 

Mas pronto, isto sou só eu, o problema sou eu – (mais uma) obrigatória referência a Anti-Hero. Sou eu que tenho de reajustar a minha relação com a música de Taylor e com as análises de Swifties mais ferrenhos. É preciso moderação.

 

Falemos sobre as músicas em si. Uma das minhas preferidas neste baú é Say Don’t Go. Sobretudo pela parte musical. As melodias são super cativantes e bem apoiadas pela instrumentação. Aquele refrão é irresistível, incluindo os backvocals. Não posso deixar de reparar nas semelhanças, tanto em termos de letra como de musicalidade, com You’re Losing Me. 

 

 

Now That We Don’t Talk também é interessante. Ainda assim, acho que todos concordamos que Is it Over Now é a melhor deste baú. Para começar, é a mais sumarenta no que toca ao romance com Harry Styles. Tem, também, óbvias semelhanças com Out of the Woods. 

 

Um dos meus aspetos preferidos, no entanto, é a sua falta de linearidade, a sua estrutura fora do convencional, o quão caótica soa. Porventura um bom reflexo das emoções de Taylor quando a compôs. 

 

Sei que há algo que vem antes, mas já falamos sobre isso. Para já queria falar do concerto de Taylor na Luz, pelo qual anseio. Tenho feito um esforço para evitar spoilers – nem sequer quis ver o filme da Eras Tour – mas é praticamente impossível. Como disse acima, Taylor Swift é omnipresente, estou sempre a apanhar publicações sobre a Eras Tour. Ainda por cima, em todos os concertos há pelo menos um fã a filmá-lo todo e a transmiti-lo em direto no Tik Tok ou no Instagram (ou no YouTube?). Logo, toda a gente sabe o que acontece em cada noite da Eras Tour.

 

Sinto-me ambivalente em relação a isso. Eu nunca seria a pessoa que filma um concerto inteiro. Não sou repórter de imagem, como disseram uma vez no grupo de fãs dos Hybrid Theory, não é para isso que pago bilhete. E, regra geral, só gosto de ver vídeos de concertos se forem de uma digressão a que já fui. Sou aquela pessoa que não gosta de ter spoilers, caso tenha uma hipótese, por remota que seja, de ir a um concerto desses. Embora seja difícil evitá-los – por exemplo, os HT devem estrear um novo alinhamento no concerto que vão dar na Covilhã, no início de março, e acho que vou ter de fazer blackout às redes sociais para não levar com spoilers

 

E, de qualquer forma, por muito bom que o vídeo seja, não se compara à experiência de estar mesmo lá.

 

Por outro lado, não vou mentir, a ideia de haverem milhares – se não forem milhões – de fãs um pouco por todo o planeta a verem o mesmo concerto ao mesmo tempo é linda. É o que possivelmente irá acontecer a 24 e 25 de maio: imensa gente pelo mundo inteiro de olhos em Portugal, em Lisboa, no Estádio da Luz. Como se fosse a final da Liga dos Campeões ou do Europeu. 

 

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E a verdade é que – chocante! – nem toda a gente é como eu. Regressando aos fãs de HT, lá no grupo há muitas pessoas pedindo vídeos dos concertos para compensar por não poderem ir. Partilhamos a experiência dentro do possível. Eu nunca pediria isso a outra pessoa, não para mim mesma. Mas se me pedem a mim, filmo três ou quatro canções por noite com todo o gosto – que, de resto, faria sempre.

 

Assumindo que os demais não se importam que eu cante por cima dos vocalistas ou que, pelo menos no caso dos HT, grite parvoíces aos membros das bandas. 

 

No que toca à Eras Tour, no entanto, devo ficar demasiado longe para conseguir filmar alguma coisa que se veja. Hei de filmar só mesmo pelo ambiente, pelas bancadas cantando em coro.

 

Estou ao mesmo tempo excitada e nervosa com a perspetiva de ver Lisboa virada do avesso para receber a Eras Tour. Eu que, ainda por cima, trabalho perto do Estádio da Luz e não vivo muito longe dele (“slowly lurching toward your favorite city”). Suponho que não seja pior que a vinda do Papa, no ano passado, que esteja mais ou menos ao nível de, lá está, a final da Champions. E, mal por mal, creio que os Swifties são ligeiramente menos desordeiros que típicas claques de futebol. 

 

Vamos ver como corre. 'bora lá provocar atividade sísmica no Estádio da Luz! E vou fazer figas para que me cruze com Taylor ou com os Paramore na rua, por esses dias. Não é impossível...

 

No meu primeiro rascunho deste texto, nesta parte dizia que esperava que, a médio/longo prazo, depois da Eras Tour e das regravações que faltam, Taylor fizesse uma pausa. Como referi acima, Taylor tem dez álbuns de estúdio publicados, com uma série de músicas extra.

 

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Paremos para pensar nisso. Os Linkin Park só lançaram seis álbuns entre 2000 e 2017. Bryan Adams só chegou ao décimo álbum ao fim de quase vinte e cinco anos de carreira. 

 

E o pior é que toda a discografia de Taylor é boa. Algumas músicas são melhores do que outras, claro, mas no geral acima da média. Como disse acima, um poço sem fundo. E eu ainda não conheço a música dela tão bem quanto desejava. Preciso de passar (ainda) mais tempo com ela. Dava-me jeito ter um ano ou dois sem música nova de Taylor para me pôr a par de tudo como deve ser – até porque, parecendo que não, gosto de ouvir outros artistas e bandas, de vez em quando.

 

Mas não. Vem aí um álbum novo em abril, The Tortured Poets Department. Acho que fui a única cuja primeira reação foi revirar os olhos.

 

Não me interpretem mal. Não digo que não esteja nem um bocadinho entusiasmada com TTPD. Bem pelo contrário. Acredito que será tão bom como qualquer um dos outros álbuns de Taylor, talvez ainda melhor. Aquilo que já se conhece do álbum promete. Estou certa de que, daqui a um ano ou menos, estarei a escrever sobre várias músicas de TTPD no balanço musical de 2024.

 

Mas não começa a ser demais? Ela há de lançar um álbum de inéditas este ano, depois deverão vir as últimas duas regravações em 2025, depois dessa um décimo-segundo álbum inspirado pelo moço atual… Para além da questão de ser demasiada boa música para o tempo de que disponho… Taylor está em todo o lado! No mundo da música, na final da Super Bowl, no ciclo eleitoral norte-americano (conselho de amiga: quando se quiserem sentir melhor em relação aos nossos políticos, pesquisem notícias sobre política nos Estados Unidos), em breve no Estádio da Luz. Sei que nem tudo é por vontade da própria Taylor, mas mesmo assim. Tenho medo de que as pessoas se fartem, de que eu me farte, de que a própria Taylor entre em burnout. Na minha opinião, precisávamos de menos. 

 

Taylor claramente não concorda. Não digo que o gosto pela fama seja o seu principal catalisador. Acredito nela quando diz que cria tanta música pelo gozo. Mas ela também gosta da atenção, gosta de ser dona disto tudo, não adianta negá-lo. E eu tenho medo que as suas asas derretam, que tudo isto rebente na cara dela.

 

Espero estar enganada. Espero que Taylor saiba o que está a fazer. Genuinamente não lhe desejo mal. Mesmo com as suas falhas, que não devem ser ignoradas (a mania de se fazer de vítima, a poluição do seu jato privado, mesmo o facto de ser bilionária, etc), ela está longe de ser uma pessoa horrível e, se é para haver alguém omnipresente desta forma, que seja alguém com o talento de Taylor Swift. Já tivemos de levar com pior.

 

E por agora é tudo. Na próxima parte, a última deste balanço, vou falar de músicas soltas que marcaram o meu ano. Espero não me demorar muito com ela, mas é possível que só consiga publicá-la em março. Enfim.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre.

Música 2023 #2: Ainda (mais ou menos) emo

A minha ideia inicial para o balanço de 2023 era que este tivesse duas partes apenas. Uma para os concertos, outra para música em si. No entanto, esse texto estava a ficar muito grande e achei por bem dividi-lo em três – até porque faz sentido do ponto de vista temático, mesmo que os textos fiquem relativamente curtos. Há de ficar parecido com o balanço de 2021

 

Suspeito que, mais uma vez, só devo terminar lá para finais de fevereiro, se não for mais tarde. Já não é a primeira vez que uso a expressão aqui no blogue mas, citando uma das bandas visadas neste texto, olhem… c’est comme ça.

 

Como escrevi na parte anterior, os meus hábitos musicais em 2023 não foram muito diferentes dos do ano anterior. Com as devidas exceções – Linkin Park e Meteora20, por exemplo – diria que 2023, em termos musicais, foi uma continuação de 2022. Em parte no que toca a música (mais ou menos) emo

 

Um dos maiores exemplos disso foi a prevalência de Jimmy Eat World, uma banda que entrou no meu radar através de, precisamente, Everything is Emo, o podcast que Hayley gravou em 2022. Em particular o álbum Bleed American, que continuou com muita rotação em 2023. 

 

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Não me vou alongar demasiado sobre ele, já o fiz no ano passado. Mas Bleed American é mesmo muito bom. Os meus favoritos não mudaram radicalmente desde o ano passado, mas Cautioners subiu imenso na minha consideração. A sua melancolia cativou-me em particular nos meus momentos mais tristes no ano passado.

 

Curiosamente, de todo o álbum, Cautioners é a que menos tem reproduções no Spotify. Não percebo porquê. Sim, a letra não é nada por aí além, mas a música é tão bonita! Tem uma sonoridade tão única!

 

Peço-vos o favor de a ouvirem, a ver se concordam. Deem amor a Cautioners. 

 

Não me limitei a Bleed American, no entanto. Dei uma hipótese a Clarity, o álbum anterior deles… mas infelizmente, não sendo um álbum mau, não gostei tanto como do seu sucessor. Ainda assim, a minha preferida nesse álbum é Lucky Denver Mint, seguida de For Me This is Heaven e Table For Glass. 

 

Fora disto, vou ouvindo um tema ou outro, solto, sobretudo no Spotify. Uma que ando a ouvir muito ultimamente, por exemplo, é Let it Happen. Que posso dizer? Jimmy Eat World é o tipo de som que sempre gostei. Quero explorar Futures a seguir. Talvez não já já, que tenho muita música para ouvir como trabalho de casa (mais sobre isso mais tarde). 

 

Outra banda que ouvi com alguma frequência este ano foi The Cure, em particular um álbum Wish. Continuo a gostar imenso de Trust, quis explorar o resto desse álbum. Ainda hei de lhe dar mais rotação, mas também é um álbum muito fixe. Diria que, tirando Trust, as minhas preferidas são From the Edge of the Deep Green Sea e A Letter to Elise. Outras músicas “soltas” que tenho ouvido são Just Like Heaven e Pictures of You. Hei de continuar a adicionar músicas deles ao meu radar, conforme me for apetecendo.

 

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Outro exemplo de continuidade em relação a 2022 diz respeito aos Paramore e a This is Why. Álbum esse que, por sinal, acaba de ganhar um Grammy – foram a primeira banda liderada por uma mulher a ganhar o prémio. Naturalmente, estou muito feliz por eles. Aqui entre nós, acho que After Laughter ou o Self-Titled mereciam mais, mas a banda já merecia esta distinção há muito tempo. 

 

A minha opinião em relação a This is Why não mudou desde a minha análise, nem mesmo depois do álbum de remixes. Continuo a achar que é um bom álbum, mas é demasiado curto, os temas que explora não chegam a nenhuma conclusão. Pelo menos não da mesma forma que os três álbuns anteriores. Não tenho ouvido This is Why muitas vezes. Se as músicas me aparecem no aleatório, não as passo à frente e até as aprecio, mas tem sido raro pô-las a tocar por vontade própria.

 

Com duas exceções. O Spotify Wrapped e seus equivalentes confirmaram aquilo que eu já sabia: Liar e Crave são as minhas duas preferidas em This is Why. Tanto as versões originais como os remixes.

 

Aliás, Crave é para mim, a par de Lost, a música mais importante de 2023. Para começar, entra em territórios parecidos com algumas das minhas músicas preferidas de todos os tempos – Here I Am e Perfect Places sobretudo – no sentido em que a letra fala de nos agarrarmos aos melhores momentos da nossa vida. Ao mesmo tempo, como escrevi antes, 2023 foi de altos e baixos. Crave reflete-o bem no sentido em que tenho romantizado tanto as partes boas como algumas – só algumas – partes más deste ano. 

 

E, claro, é música de pós-concertos. Faz sentido que tenha sido marcante num ano em que fui a tantos.

 

Quanto aos Paramore em si, eles estão numa situação estranha neste momento. Ganharam um par de Grammys, sim, e lançaram um cover giríssimo de uma música dos Talking Heads, Burning Down the House. Ao mesmo tempo, no final do ano passado, esvaziaram as redes sociais, desativaram o site oficial e, pior de tudo, começaram a cancelar compromissos. Primeiro, foi a participação no festival iHeartRadio, em meados de janeiro. Depois, foram concertos em vários festivais de música na América do Sul, marcados para março deste ano.

 

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De início, os fãs, iguais a eles mesmos, temeram logo o fim dos Paramore. Nunca acreditei verdadeiramente nessa hipótese – depois dos últimos anos, não me parece provável que a banda termine. Pelo menos não por vontade própria. 

 

Ainda assim, andei preocupada por uns tempos. Perguntei-me se algum deles estaria doente ou se a vocalista, Hayley Williams, estaria grávida. O mais certo é ter a ver com o fim do contrato de Hayley com a Atlantic Records – o tal de oito álbuns que ela, e só ela, assinou, tinha catorze ou quinze anos. 

 

Eu não percebo nada do assunto, tenho imensas perguntas. A editora pode impedi-los de tocar em concertos? Isso é legal? Já houve quem dissesse que os Paramore teriam de dar uma de Taylor Swift e regravar toda a sua discografia – espero que não seja verdade, não tenho a mínima pachorra. Nem sequer sei se é possível, tendo em conta os membros que saíram.

 

É sempre assim com esta banda, não é? Sempre tudo tão difícil.

 

Em todo o caso, os Grammys e Burning Down the House deram-me um bocadinho de esperança para o futuro próximo. Ficamos a aguardar outros desenvolvimentos. Até porque tenho andado com medo que cancelem a participação na Eras Tour de Taylor Swift, que vai passar por cá.

 

Sei que muitos fãs da banda não andam muito contentes com esta digressão. Eu compreendo, conforme já expliquei antes. Há também quem ande preocupado com a duração da Eras Tour, pois Hayley costuma ficar doente nestas digressões longas. Aconteceu no verão passado, por exemplo.

 

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Tenho esperanças de que isso não aconteça desta vez. Eles vão só abrir concertos. A atuação deles não deve durar mais do que uma hora, e estou a arredondar para cima. Além disso, as datas parecem-me relativamente espaçadas. Há de dar tempo para recuperar. 

 

Não quero mesmo que os Paramore cancelem a Eras Tour. Como já escrevi antes, vou ao segundo concerto na Luz. Não vai deixar de ser bom se sou houver Taylor Swift, mas se não houver Paramore, depois destes meses todos sonhando com isso, será um balde de água fria.

 

E por hoje ficamos aqui. Na próxima parte vamos, então, falar da atração principal da Eras Tour. Vou fazer por não demorar muito, mas já sabem como é.

 

Obrigada pela visita. Até à próxima.

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