Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Desilusão em dose tripla (ou Séries 2014/2015)

Alerta Spoiler: Este texto pode conter revelações do enredo das séries abordadas. Logo, se estiverem a pensar ver uma delas, ou se ainda não têm os episódios em dia, sintam-se à vontade para saltar a respetiva análise.

 

03.jpg

 

Arrow começou mal logo no primeiro episódio, na minha opinião, ao matar Sara. Esta era uma das minhas personagens preferidas, mas pelos vistos não dos guionistas - estava na cara que só a mataram para abrir caminho para que Laurel tomasse o seu lugar como Black Canary. 

 

Isto, na verdade, foi apenas o início de uma temporada muito confusa, sobretudo na segunda metade. A conspiração que envolveu a morte de Sara foi apenas uma parte do problema. Toda a minha narrativa relacionada com a Liga dos Assassinos e Ra's Al Ghul - que, segundo o que li na Internet, chegou a ser um copy-paste de Batman em certos momentos - podia ter resultado em algo fantástico, capaz de mudar as premissas da série, mas acabou por ser muito mal exectuado. Mesmo assim, o pior foi Olicity.

 

Durante as duas primeiras temporadas, Felicity Smoak era uma das melhores personagens de Arrow, uma fonte de luz e divertimento, numa série algo sombria em certas alturas e num protagonista que, por vezes, se leva demasiado a sério. Tinha também uma ótima química com Oliver. Como costuma acontecer nestas situações, uma boa parte dos fãs começou a fantasiar com um romance entre os dois - por outras palavras, surgiram shippers.

 

Nunca achei muita piada a shippers, embora, como escritora, reconheça o apelo das fan fictions: pegarmos em personagens alheias e inventarmos nós mesmos histórias para elas. Olicity é apenas um exemplo entre muitos. Os guionistas oficiais de Arrow é que cometeram a asneira de tentar agradar aos fãs, com resultados desastrosos. 

 

Não tenho nada contra o casal Felicity e Oliver por si mesmo, mas critico a maneira como o trabalharam. Deram-lhe demasiado protagonismo e melodrama, sobretudo na segunda metade da temporada. A Felicity desajeitada e divertida foi substituída, quase na sua totalidade, por uma choramingas estilo Laurel no ano anterior. Todo aquele drama de não-quero-andar-contigo-porque-te-coloco-em-perigo, para além de ser batidíssimo, não faz sentido pois Felicity já corre perigo de qualquer forma sendo o cérebro da Team Arrow. O triângulo amoroso com Ray Palmer também foi desnecessário. Chegaram ao cúmulo de colocar Ra's Al Ghul, o vilão da temporada, dando conselhos amorosos ao casalinho (WTF?!?!).

 

Tudo poderia ter sido evitado se o relacionamento tivesse tido um papel mais secundário. Se tivessem mantido a antiga dinâmica, acrescentando apenas alguns beijinhos. A esperança que tenho para a quarta temporada é de que o drama tenha acabado e que a relação perca os contornos de novela mexicana. Só com isso a série melhoraria imenso.

 

Para ser justa, vou falar das coisas boas da temporada. Apesar da morte de Sara e da maneira como lidaram com essa morte, gostei do seu crescimento até se tornar a Black Canary, redimindo-a de dois anos como uma das personagens menos interessantes. Também Thea melhorou consideravelmente aos meus olhos, este ano. A jovem teve muito com que lidar, com um pai biológico manipulador e tudo o que aconteceu com o irmão, revelando uma maturidade que não lhe conhecíamos antes. A partir do momento em que ficou por dentro do segredo de Oliver, foi recompensador testemunhar uma nova cumplicidade entre os dois irmãos. É aliás curioso que as personagens menos conseguidas das primeiras duas temporadas estejam, agora, entre as melhores enquanto Felicity, antigamente a mais popular, se tenha tornado a pior...

 

03.jpg

 

Apesar de não sentir particular anseio pelo recomeço de Arrow, sinto alguma curiosidade relativamente ao seu spin-off, Legends of Tomorrow. Principalmente por causa de Sara, que ressuscitará através do Poço de Lázaro (embora não perceba muito bem nem como nem porquê), e se juntará ao elenco. 

 

Por outro lado, consta que a primeira temporada de Flash foi boa, a minha irmã, pelo menos, gostou. Ainda não tive vontade de vê-la mas talvez experimente, um dia destes...

 

rs_634x846-150421085940-634.good-wife.cm.42115.jpg

 

Depois de uma quinta temporada interessante, em que muita coisa mudou para a eterna Good Wife, nesta sexta temporada foi tudo por água abaixo. O motivo é muito simples: tomaram uma decisão que não coadunava com a personalidade ao colocarem-na concorrendo para Procuradora Geral/State's Attourney. Alicia não tem nem nunca teve perfil para a política. Para os bastidores, talvez. Para se aproveitar da influência do marido, talvez. Como protagonista, nunca.

 

A campanha para State's Attourney durou a temporada quase toda, teve momentos medíocres, fez com que Alicia se afastasse da firma que fundara com tanto sangue, suor e lágrimas, e dos respetivos sócios. Destaco Cary, que ainda por cima esteve à beira de ser preso. A firma, de resto, acabou por perder o seu propósito ao acolher quase todos os que traballhavam na antiga Lockhart & Gardener's. Ou seja, a quinta temporada acabou por não servir para nada.

 

Mesmo assim, esforcei-me por tolerar a campanha pois, ainda que não gostasse do caminho, gostaria de ver Alicia como State's Attourney, possivelmente enfrentando antigos colegas e/ou clientes em tribunal. Mas até isso nos foi roubado e da maneira mais estúpida possível. Alicia foi eleita, mas foi expulsa do cargo uns meros dois ou três episódios mais tarde por fraude eleitoral, fazendo com que a campanha e tudo o que implicou tenham servido exatamente para nada. 

 

Como se isso não chegasse para arruinar a série, nesta temporada despedimo-nos de Kalinda - desde o início uma das personagens mais populares - com muita polémica. Isto porque alguém se lembrou de fazer contas, chegando à conclusão que Alicia e Kalinda (outrora grandes amigas) não partilhavam uma cena desde meados da quarta temporada. Acabou por se descobrir que as respetivas atrizes não gostavam uma da outra e, aparentemente, não aguentavam estar na mesma divisão o tempo suficiente para filmarem uma cena juntas. De todas as vezes que apareciam juntas no ecrã neste último ano foi através de montagens. A Internet andou obcecada com esta suposta quezília, sobretudo aquando da despedida inglória de Kalinda. Eu apenas acho triste e pouco dignificante para atrizes tão talentosas e um golpe à credibilidade de que The Good Wife não precisava.

 

Com tudo isto, não anseio particularmente o regresso da série. Tenho alguma esperança numa recuperação de qualidade, uma vez que na próxima temporada Alicia focar-se-á na advocacia, que é o seu verdadeiro elemento. A possível parceria com Louis Canning, além do mais, tem o seu potencial. Mesmo assim, acho que The Good Wife já deu o que tinha a dar (e não foi pouco, atenção!). Espero que esta seja a última temporada.

 

 

03.jpg

 

A série Anatomia de Grey é como se fosse um mau namorado. Andamos há muitos anos, como se diz em inglês, on and off. Nunca me satisfez por completo, fartei-me muitas vezes, termino o relacionamento, digo a mim mesma e aqui no blogue que é desta. Contudo, nunca consigo afastar-me permanentemente, acabo por voltar e, de cada vez que o faço, mais cedo ou mais tarde, arrependo-me.

 

No entanto, nunca me arrependi tanto como nesta temporada. Tinha voltado a ver a série há cerca de um ano na desportiva - depois de um par de anos criticando séries no meu blogue, é-me muito difícil ver séries como Once Upon a Time sem estar em modo analítico, o que estraga o prazer de ver um episódio novo. Como não me ralaria por aí além com Anatomia de Grey, podia ver só por ver.

 

E até estava a gostar. Simpatizei com a irmã perdida de Meredith, apesar de enfiada a martelo e de não roçar os calcanhares de Lexie - estou convencida que isso aconteceu porque a apresentação dela coincidiu com o meu estágio em Évora; tal como Maggie Pierce, também me sentia meio perdida numa terra estranha. Gostei imenso da história de Nicole Herman e, em paralelo, de Amelia Shepherd - o episódio da operação para remover o tumor é o meu preferido da temporada.

 

O casal MerDer é que esteve num impasse durante quase toda a temporada por causa de uma oferta de emprego que afastaria Derek de Seattle e da família - já que Meredith recusava-se a abdicar do seu emprego e a sair da cidade. Shonda Rhimes, usando uma expressão inglesa, wrote herself into a corner. Por outras palavras, meteu-se numa situação em que Derek não teria outro remédio senão deixar Meredith e os filhos. Eu, pessoalmente, não teria grandes problemas com isso. Seria uma oportunidade de retratar uma separação civilizada, ensinando que o amor nem sempre dura até à morte, mas que o respeito e a amizade se podem manter. Mesmo que não se passasse assim, seria melhor que a opção tomada. No entanto, tal não era possível para Shonda. Derek era o McDreamy, o Príncipe Encantado! O McDreamy deixar a amada? Podia lá ser!

 

A solução? Matar McDreamy.

 

A série já teve inúmeras mortes de personagens importantes, mas está foi a pior de todas. O relacionamento de Derek com Meredith foi a raison d'être para o início de Anatomia de Grey. Mesmo não sendo as minhas personagens preferidas, sempre gostei da dinâmica do casal MerDer, sobretudo após o post-it. Um casal que ia tendo os seus problemas, mas conseguia aguentar-se - um bom exemplo numa altura em que os relacionamentos são tão efémeros. Apenas para acabar desta forma. Levaram anos e anos a fazer com que Meredith amadurecesse, perdesse o medo ao compromisso, de ser feliz. Para agora acontecer exatamente aquilo que ela temia.

 

O pior de tudo foi que a personagem - recordo: o segundo protagonista - nem sequer teve direito a uma despedida decente. Como poderão ler aqui, o episódio da morte está cheio de incoerências. Condensaram um ano inteiro num episódio duplo, pelo que o elenco fez o luto muito mais depressa do que a audiência. Fez o luto é como quem diz... Mostraram-nos dois ou três minutos do funeral de Derek. Não se faz nem uma referência à eventual presença de Addison (ex-mulher de Derek), Cristina (que quereria estar com a sua pessoa na pior altura da vida dela) ou mesmo à mãe e outras irmãs dele. O luto de Meredith (pelo menos o que nos mostram) limita-se a olhares inexpressivos à distância e a flashbacks (a audiência é capaz de ter chorado mais do que ela...). Mesmo outros elementos do elenco regular pouco aparecem enlutados - acho que houve mais comoção aquando da morte de George. A única que, para mim teve uma reação adequada foi a irmã de Derek, Amelia.

 

  

Resumindo e concluindo, estou ainda mais furiosa com Shonda Rhimes do que fiquei com os guionistas de How I Met Your Mother o que não é dizer pouco. Ela quis prolongar a série mais do que devia, teve de inventar problemas para o casal protagonista, criando um imbróglio que não conseguiu resolver de outra maneira.

 

Por outro lado, todas estas críticas que tenho feito ainda se vão virar contra mim, um dia, quando começar a cometer na minha escrita os erros que aponto a outros...

 

Eu podia dizer aqui que é desta que largo Anatomia de Grey definitivamente. Pelo menos é essa a minha intenção. No entanto, não seria a primeira vez que diria tal. No entanto, uma coisa é certa: nunca me importarei com esta série da maneira como me importo com outras - está visto que dará mau resultado.

 

Como poderão concluir, parto para esta nova temporada com pouco entusiasmo, excepto no que toca a Once Upon a Time: recomeça no domingo e eu mal posso esperar. Mantenho a esperança de que Arrow e The Good Wife se redimam. Contudo, está mais que provado que prognósticos, só no fim da temporada...

Era Uma Vez/Once Upon a Time - Quarta temporada, segunda parte

04.jpg

 

Hoje analisamos, finalmente, a segunda parte da quarta temporada da série de fantasia Once Upon a Time. Podem ler a análise à primeira parte aqui.

 

Alerta Spoiler: Este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que, até para a própria compreensão do mesmo, não é aconselhável que este seja lido, a menos que tenham visto Era Uma Vez /Once Upon a Time até, pelo menos, o final da quarta temporada.

 

O principal tema desta meia temporada - que já fora insinuado na primeira metade - disse respeito às diferenças (ou não) entre Heróis e Vilões, entre o Bem e o Mal, sobretudo no que concerne ao acesso a finais felizes. A narrativa (re)começa com o regresso de Gold a Storybrooke (depois de Belle o ter expulso anteriormente), acompanhado pelas muito publicitadas Queens of Darkness/Rainhas do Mal. Este quarteto de vilões veio à procura dos seus próprios finais felizes, tencionando obtê-los através do Autor do livro de Henry (Autor esse que Regina procurava, igualmente). Para que o Autor pudesse escrever-lhes finais felizes, precisavam que Emma, a Salvadora, para o lado das trevas.

 

Estas premissas - as Rainhas do Mal, a possível Dark Saviour - foram muito publicitadas, mesmo antes de a série recomeçar, em inícios de março. Na minha opinião, este overhype prejudicou a percepção da narrativa. As Rainhas do Mal acabam por ter um papel muito secundário, defraudando-nos as expectativas. Em relação ao arco da Dark Saviour, até terminou com um excelente twist - mesmo assim, na minha opinião, podiam ter lidado com esta linha narrativa com mais subtileza; a certa altura, só faltava termos as personagens gritando: "Ai que a Emma vai ficar má! Ai que a Emma vai ficar má!"

 

03.jpg

 

Já voltaremos à parte de vamos-encher-o-coração-da-Salvadora-com-vilania; antes disso, abordarei rapidamente as Rainhas do Mal. Ursula, que foi a primeira a ser "despachada" da narrativa, tinha uma história interessante. No entanto, não percebo o que ela fez para receber o título de vilã: não a vi tomar nenhuma ação que considere vilanesca, tirando a parte em que atira Hook para o mar - e, de qualquer forma, já antes era Team Villan.

 

Cruella é um caso completamente diferente. Pela primeira vez na série, em lugar de alguém que optou por maus caminhos após uma vitimização ou por um defeito exacerbado (irresponsabilidade, ciúme...), Cruella é uma autêntica sociopata, o que subverte o princípio de OUaT: "evil isn't born, it's made", mas, ao contrário de outras ocasiões nesta meia temporada, este aceita-se por ser realista. Só é pena que Cruella pouco mais tenha sido que uma marioneta de Gold - como vilã principal seria espetacular.

 

Por sua vez, Maleficient surgiu sob uma nova luz, à procura da filha perdida. Gostei de ver esse novo lado (o momento em que ela recupera a roca parte o coração a qualquer um), mas gostaria de ter visto mais do seu passado - sobretudo a típica história de como começou a praticar atos vilanescos.

 

07.png

  

Se eu até gostei de Maleficient nesta meia temporada, o mesmo não posso dizer da sua filha, Lily. Nem da história que a envolve. Já tinha achado a personagem uma seca quando surgiu, assim do nada, a meio do arco de Frozen. Na altura, desvalorizei-a, tomei Lily como mais uma pessoa que enganara Emma quando esta era mais nova, explicando o motivo pelo qual, no início da série, não confiava em ninguém, etc, etc. Sendo isto Once Upon a Time, devia ter calculado que Lily iria aparecer de novo - ou melhor, até calculei, apenas não ansiava por esse regresso.

 

Essa linha narrativa foi o que menos gostei nesta temporada. Descobrimos que, durante a gestação de Emma, Snow e Charming assustaram-se ao descobrir que a sua criança tinha potencial tanto para a luz como para a escuridão (por outras palavras, seria humana). Pediram ajuda ao Aprendiz de Feiticeiro e este praticou um feitiço que transferiu o potencial lado negro de Emma para a filha de Maleficient que, no processo, foi parar ao Mundo Real.

 

Achei esta história uma estupidez completa. Para começar, foi claramente enfiada a martelo. Segundo, fez-me odiar o casal Snow e Charming pois o que fizeram (ou, pelo menos, o que queriam fazer), foi uma cobardia. Para além dos danos que causou a Lily, eles demitiram-se do seu papel como pais - em vez de procurarem educar a filha para que fosse uma boa pessoa, como desejavam, optaram por um atalho. Muitos consideraram exagerada a reação de Emma a esta descoberta, mas eu compreendi-a perfeitamente. Como reagiriam vocês se descobrissem que todas as vossas grandes decisões foram tomadas por forças superiores alheias, apenas porque os vossos papás não quiseram tentar, sequer, educar-vos?

 get over it.jpg

 

Faz-me lembrar uma citação do Ciclo da Herança: "Poderá uma pessoa ser verdadeiramente boa se nunca tiver oportunidade de agir mal?"

  

A parte mais estúpida desta história toda é que não se percebe que efeito o feitiço teve em Emma, isto se teve algum. Uma pessoa esperaria que, deste feitiço, resultasse uma autêntica princesa da Disney, de uma bondade sobrenatural. E a Emma Swan que conhecemos tem sido tudo menos isso. Têmo-la visto fazendo coisas que, não sendo propriamente vilanescas, não podem ser consideradas virtuosas. Ela e Neal deram uma de Bonnie e Clyde enquanto jovens; vimo-la mentir a Henry mais do que uma vez por motivos egoístas; várias vezes ao longo da série procurou fugir em vez de lutar... Nada disto encaixa na ideia (já de si utópica) de uma pessoa cem por cento boa. Pura e simplesmente não faz sentido. 

 

Por sua vez, Lily acaba por não ser assim tão diferente de Emma, tirando uma suposta tendência para tomar decisões erradas. Não fosse a história do feitiço, ela seria o género de pessoas irritantes que culpam entidades externas pelos próprios erros. Lily só (re)apareceu nos últimos episódios da temporada e a série quis desesperadamente dar-lhe protagonismo, obrigar-nos a importarmo-nos com ela - no entanto, a personagem não me convence. Até gostei da interação entre Lily e Maleficient, mas mais por causa da mãe do que da filha. Se querem integrar Lily no elenco central da série, vão ter de desenvolvê-la mais.

 

07.png

 

Entretanto, no meio desta confusão, aquela que terá sido a segunda maior surpresa da temporada foi o regresso de Zelena. A bruxa verde esteve quase um ano escondida à vista desarmada, sob a forma de uma Marian vinda do passado para arruinar a vida amorosa de Regina (a verdadeira Marian terá sido assassinada por Zelena, depois de Emma e Hook a terem libertado durante a sua viagem no tempo). Aquando do regresso, eu fiquei satisfeita. Zelena pode não ser a vilã mais interessante da série, nem a melhor construída, mas é sem dúvida uma das mais carismáticas, apenas suplantada por Regina em completo modo Evil Queen. É evidente que Rebecca Mader, a atriz que lhe dá vida, se diverte à grande com este papel - vejam só o vídeo abaixo:

 

 

O pior foi que, pelo menos até agora, o regresso de Zelena só serviu para que esta engravidasse de Robin, complicando ainda mais a vida amorosa de Regina. Este percalço desagradou a muitos fãs e concordo que, numa série de magia e fantasia, um desenvolvimento de novela da TVI é, no mínimo, dececionante. Não dá para perceber se a criança fazia parte do plano da Zelena ou se foi um (in)feliz acaso. Se fazia parte do plano, trazer um ser humano ao mundo para apenas manter Regina e Robin separados parece-me fútil - plausível, mas fútil. Até porque não resultou. Talvez a criança obrigue Zelena a confrontar os seus problemas de abandono - aqueles que motivam o seu ódio a Regina. Talvez a criança sirva para uma redenção de Zelena a longo prazo. Por outro lado, já foi avançada outra maneira que Zelena poderá seguir de arruinar a vida a Regina... mas já aí vamos.

 

O triângulo Regina-Robin-Marian/Zelena nem sequer foi o mais enfadonho da meia temporada. Tal honra coube a Rumple-Belle-Will. O Valete de Copas continua perdido em Storybrooke, sem que ninguém saiba ao certo porque veio, o que anda por lá a fazer. Nesta meia temporada, apenas serviu como prémio de consolação de Belle. Infelizmente, tão cedo não deverá encontrar melhor utilidade em OUaT uma vez que o ator, na próxima temporada, perderá o estatuto de personagem regular. Enfim...

 

05.jpg

 

Infelizmente, Will nem é o pior vértice deste triângulo. Depois de Belle ter conquistado o meu respeito expulsando Rumple de Storybrooke, foi triste vê-la sendo repetidamente manipulada pelo ex-marido. Este, por sua vez, nesta meia temporada, bateu no fundo. A meu ver, perdeu qualquer direito a redenção, só o reconquistaria após um ato do género daquele que praticou para derrotar Pan. Houve, no entanto, um alteração na sua condição de Dark One e estou interessada no que o futuro reserva para o eterno Mr. Gold (mais sobre isso adiante). Por outro lado, não quero que Belle volte para Rumple até que este pratique o tal ato redentório.

 

Em diametral oposição, está o casal Hook e Emma. Alguns fãs queixam-se do pouco destaque do casal, mas eu considero que os momentos CaptainSwan vieram na dose certa. Numa meia temporada tão agitada para Emma, Hook foi provavelmente a sua maior fonte de apoio e consolo, tudo isto com gestos simples mas que valem mil palavras. Sabe bem ver Emma abraçando o amor romântico, depois de ter passado a série quase toda evitando-o.

 

 

Há quem considere Emma e Regina como outro dos casais de OUaT. Eu não, mas outra das coisas que me agradou nesta meia temporada foi a parceria entre ambas. À semelhança de Hook, também Regina serviu de apoio a Emma. Estas duas mulheres têm muito em comum, podem ser consideradas as duas faces da mesma moeda, tendo ambas evoluído muito ao longo da narrativa. Para mim, são elas as protagonistas de Once.

 

Outro aspeto de que gostei nesta meia temporada foi do regresso de August, que sempre foi um dos meus preferidos - por ser escritor, como eu. Ele voltou devido a uma das principais linhas narrativas: a busca pelo Autor do livro de Henry. Descobre-se que este, em vez de se limitar a registar os eventos ocorridos na Enchanted Forest, usou o seu poder para manipular a vida do elenco da série a seu bel-prazer, chegando ao extremo de fazer flip-flop nos heróis e vilões (falaremos sobre isso mais adiante).

 

Gostei do conceito dos diferentes Autores. No entanto, acho que se desperdiçou uma oportunidade para se explorar a natureza, não só da Enchanted Forest, como também de todos os outros mundos explorados pela série: o País das Maravilhas, Oz, a Terra do Nunca, etc. Podíamos descobrir que todos estes mundos foram criados a partir de ficções escritas no Mundo Real - mais ou menos como chegou a ser indiciado na primeira temporada.  Os eventos descritos no livro de Henry, envolvendo o elenco principal poderiam ser obra de algum Autor que tivesse querido - lá está - pegar nas histórias tradicionais e dar-lhes um toque diferente. Seriam premissas fascinantes, que dariam aos guionistas (melhores) desculpas para saírem do espectro mais tradicional dos contos de fadas. Tudo o que fizeram com a história dos Autores, contudo, foi lamberem as botas piscarem o olho a Walt Disney e pouco mais. Pode ser que, no futuro, desenvolvam melhor o conceito, mas duvido.

  

FB_IMG_1431617106557 (1).jpg

 

Em relação ao Autor em destaque nesta meia temporada, Isaac, não gostei dele, ao contrário do que seria de esperar. O homenzinho não apresenta nenhuma qualidade redentora, nenhuma motivação que não uma vingança mesquinha e mal-direcionada (teria tido muito mais graça se o homem tivesse feito aquilo, pura e simplesmente, pelo gozo de escrever uma boa história). Não deixará saudades. 

 

De qualquer forma, o elenco de Once Upon a Time deve dar graças por não lhes ter calhado a Shonda Rhimes como Autora.

 

É precisamente Isaac quem lança as premissas para o episódio duplo de final de temporada - episódio esse que merecia um texto à parte. Depois de Regina perceber que, afinal de contas, não precisa de um Autor manipulando a realidade para ser feliz, Isaac alia-se a Gold e, seguindo as instruções do Dark One, escreve uma nova realidade em que os bons viram maus e os maus viram bons.

 

São claras as semelhanças entre Operation Mongoose e o final da terceira temporada: ambos funcionam como histórias independentes, quase como um filme; ambos decorrem na Enchanted Forest, apresentando variações à realidade pré-Storybrooke que todos conhecemos dos primeiros episódios de Once. E ambos são os meus preferidos das respetivas temporadas. Espero que, no entanto, não mexam na história uma terceira vez, que começa a cansar.

 

Em primeiro lugar, gostei de ver Henry (o único sem espaço na nova realidade de Isaac) assumindo um papel central, depois de uma temporada inteira sem muito que fazer. Também gostei de ver Snow e Charming o papel de maus da fita, deu para ver que os atores se divertiram à grande - mesmo assim, em vez de procurar imitar a Evil Queen, preferiria ver Snow como a princesinha mimada em que se costuma transformar sempre que entra em modo má da fita.

 

08.jpg

 

No entanto, a personagem que mais gostei de ver neste episódio foi Emma. Aquando dos primeiros anúncios e sneak peeks, esperava vê-la como vilã. Não foi o que aconteceu, mas pudemos ver um lado diferente da eterna Savior, um lado mais enlouquecido - ela que, habitualmente, é tão composta, o elemento mais terra-a-terra de Storybrooke, a única com um sentido prático das coisas no meio de tanta magia, tanto príncipe e princesa, tanto herói e vilão. Que delícia vê-la nesta cena!

 

Por outro lado, foi recompensador ver Emma, pela primeira vez, completamente à vontade num mundo de magia, abraçando completamente o seu papel de heroína e Salvadora - quando, no final da temporada anterior, ainda se sentia fora do seu elemento na Enchanted Forest.

 

Pena foi ela ter tido de testemunhar, uma vez mais, a morte do homem que amava. Felizmente não foi real (eu ainda matava alguém...), mas achei desnecessário, um mero artifício para dar dramatismo. Em todo o caso, o reencontro com Hook, depois de apagada a escrita de Isaac, foi amoroso na dose certa - ainda que eu tenha ficado desiludida por Emma, depois do discurso que fizera a Regina, não ter dito a Hook que o amava. É compreensível, mas frustrante. Eu sei que Emma di-lo mais tarde, mas fê-lo numa altura em que não tinha nada a perder. Isso é batota. Algo que, infelizmente, ela já tinha feito com Neal.

 

09.jpg

 

Mas passemos à parte do episódio de que toda a gente passou o verão a falar. Ao associar-se ao Autor, alterando as histórias dos habitantes de Storybrooke, Rumplestilskin cometeu o derradeiro ato maligno, permitindo à essência do Dark One apoderar-se do seu coração. Numa tentativa de lhe salvar a vida, o Aprendiz de Feiticeiro removeu a essência do Dark One do seu coração. Tentou contê-la dentro do Chapéu de Feiticeiro, mas não é bem sucedido e a Escuridão escapou-se para as ruas de Storybrooke. Eventualmente, tentou apoderar-se de Regina. Numa tentativa desesperada de salvar a vida da amiga, Emma entregou-se à Escuridão, tornando-se o novo Dark One - ou, como já é conhecida na comunidade de fãs, Dark Swan.

 

Como poderão concluir, este final de temporada fez surgir uma infinidade de perguntas, mais do que qualquer outro episódio da série, mais até que a conclusão de A Land Without Magic, em que Rumple trouxe magia para Storybrooke.

 

Pensando a curto prazo  em termos de evolução da personagem, este arco será ótimo para Emma. Tal como referi acima, anseio por ver um lado diferente da protagonista, por ver uma Emma mais solta, mais enlouquecida, como a que espreitámos no final da temporada. Espero que alguns dos traços que Emma ganhe permaneçam quando, eventualmente, ela deixar de ser a Dark Swan.

 04.jpg

 

Também estou curiosa relativamente ao futuro imediato de Gold, agora que tem o coração limpo da essência do Dark One, que papel desempenhará no salvamento de Emma. Não acredto que ele se vá tornar bonzinho assim, de um momento para o outro - não me admiraria, aliás, se ele tentasse matar Emma para recuperar a magia negra. 

 

Sabemos, igualmente, que visitaremos um mundo novo, Camelot, e espreitaremos uma versão OUaT dos mitos arturianos. Como fã de As Brumas de Avalon, terei um interesse especial nessas histórias - espero que a obra de Marion Zimmer Bradley tenha inspirado os guionistas. Já sabemos que vamos conhecer Merlin (o único que poderá salvar Emma da Escuridão), bem como Arthur, Lancelot, Guinevere (representada por uma portuguesa, Joana Metrass). Mas não devemos ficar por aqui, já que um dos novos episódios da quinta temporada intitulado "Nimue". Esta é uma personagem menos conhecida do mito arturiano mas, tanto nas lendas como n'As Brumas de Avalon, Nimue - um dos nomes possíveis para a Dama do Lago - seduz Merlin, conduzindo-o à sua destruição. No livro, é, aliás, filha de Lancelot e tem uma história trágica: acaba por se apaixonar por Merlin e, aquando da execução do seu amante, ela suicida-se. Estou, desse modo, curiosa relativamente à abordagem dos guionistas à história de Nimue.

 

Pensando a um prazo mais longo, as primeiras perguntas que eu fiz depois de ver o nome de Emma na adaga dizem respeito à natureza da essência do Dark One. Tenho-me interrogado se esta Escuridão terá alguma semelhança ao Homem de Negro/Monstro de Lost: algo que Merlin, o Feiticeiro, à semelhança de Jacob, terá sido encarregado de combater ou, pelo menos, de tentar controlar. Se será a fonte de toda a magia negra. Se a série terminará com a destruição dessa essência negra, quem sabe se às mãos de Emma, Regina ou mesmo Gold. São possibilidades fascinantes. 

 

Só espero que esse confronto final ainda demore, que eu ainda não estou preparada para me despedir de OUaT.

  

03.jpg

 

Já que falo de Lost, outra coisa que me fez recordar a série em Once Upon a Time foram certas insinuações da dicotomia Destivo vs. Livre Arbítrio. O Destino tem servido de resposta a questões tão antigas como "Como é que Gold foi encontrar o filho da Salvadora para Regina adotar?", o que não me agrada. O Destino acaba por servir por mascarar os inúmeros deus ex-machinas a que a série recorre frequentemente. É um dos motivos pelos quais a história envolvendo Lily não me cativou e Emma demorou muito tempo a convencer como protagonista, sobretudo durante as segundas e terceiras temporadas (quando era evidente que ela não tinha particular interesse em estar em Storybrooke, para além das exigências do enredo). Por norma, prefiro que sejam as ações das personagens a empurrar a história para a frente, em vez do contrário.

 

Àparte isso, só sei que nunca ansiei tanto por uma temporada de Once Upon a Time. Felizmente, faltam menos de duas semanas. Camelot e, sobretudo, Dark Swan intrigam-me muito mais que a Terra do Nunca e a adaptação de Frozen me intrigaram na altura. Tem-se comentando, aliás, que, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, particularmente o último, o apelo desta quinta temporada tem sido mais direcionado aos fãs de longa data: o papel ainda mais central da protagonista, o recentemente anunciado regresso de Ruby e Mulan, mesmo Camelot enquadrar-se-ia nesse critério, uma vez que a série já fez umas quantas referências à mitologia arturiana. Confio nestes guionistas já que, por muito que me irritem coisas como as constantes importações de figuras da Disney (na quinta temporada vão incluir Mérida, de Brave), estas dão personagens cativantes e histórias, na sua maioria, boas. Têm outra virtude que é aprenderem com os erros e esforçarem-se por surpreender. Depois de uma adaptação de Frozen, que resultou bem mas em que não saíram muito da sua zona de conforto, na segunda parte da temporada resolveram apresentar três novas vilãs, em vez de apenas um. A ideia foi boa, a execução um bocadinho tremida, mas a conclusão foi satisfatória. Agora, com a Salvadora "engolida" por Escuridão, a parada está mais alta do que nunca, não dá para prever como terminará a historia

 

Isso pode significar, no entanto, que Once não durará muitas mais temporadas. Depois de terem subido a fasquia a este nível - Emma-como-Dark-One, possibilidade de explorarem os primórdios da magia negra - não podem voltar às histórias habituais de vilão-da-Disney-vem-a-Storybrooke. Terão de continuar a aumentar o alcance da narrativa e não me parece haver muito mais espaço.

 

03.jpeg

 

De qualquer forma, enquanto a série durar, tenciono continuar a aproveitá-la ao máximo. Como julgo ter escrito antes, posso encontrar muitos defeitos em Once Upon a Time, mas esta continua a ser a minha série preferida do momento. A única que, no fim, me deixa satisfeita. Julgo até que, por vezes, sou demasiado dura para com OUaT quando outras séries que acompanho me desiludem muito mais, sobretudo neste último ano.

 

Em princípio, escreverei outra crítica aquando da pausa de inverno. Na próxima entrada, deverei falar brevemente sobre as outras séries que acompanhei neste último ano. Aviso desde já que não tenho muitas coisas boas a dizer...

Follow Friday

Parece que, aqui no SAPO, existe a tradição do #FollowFriday, que se assemelha à do Twitter, com a diferença de que, aqui, recomendam-se blogues. Não resisto a juntar-me.

 

Assim sendo, o primeiro blogue que quero divulgar é o Banha de Cobra, de Antero Eduardo Monteiro, que já sigo há alguns anos e que foi uma das minhas inspirações para começar a escrever críticas, sobretudo a filmes e séries. Gosto muito daquilo que o Antero escreve, apesar de não concordar com várias das suas opiniões. Partilho convosco uma das suas melhores e mais hilariantes crónicas. 

 

através das redes.jpeg

 

Séries 2013-2014 #2

Alerta Spoiler: Este texto pode conter revelações do enredo das séries abordadas. Logo, se estiverem a pensar ver uma delas, ou se ainda não têm os episódios em dia, sintam-se à vontade para saltar a respetiva análise.

 
Primeira parte aqui.

 

Já vinha acompanhando esta série de há alguns anos a esta parte antes de esta a acabar, este ano. À semelhança de muito boa gente, fiquei extremamente desiludida com o final de How I Met Your Mother. Já houve muita gente pela Internet fora falando sobre o assunto, eu não vou dizer nada de inédito, apenas relatarei a minha experiência.

Comecei a ver How I Met You Mother pois, além de trazer ecos de Friends, o conceito de história contada oralmente, com as naturais incoerências, avanços e recuos no tempo, inverossimilhança de algumas partes era original e engraçado. Isto para não falar das frases-feitas, sobretudo da autoria de Barney, que se tornaram icónicas, em parte muito graças ao advento das redes sociais e dos chamados memes ("challenge accepted", "true story", "legend...wait for it... dary", entre outras). As primeiras duas temporadas foram muito boas mas, com o tempo, a qualidade foi-se desvanecendo. À volta da sétima temporada, já deixara de ter piada, passara a ser pura e simplesmente imbecil. Estive muitas vezes perto de deixar de segui-la completamente. Só não o fiz porque, que diabo, queria conhecer a Mãe! Assim, ia assistindo só a um ou outro episódio, só mesmo para não perder o fio à meada no que tocava à principal (?) trama da série.

Se, na altura, soubesse que a Mãe teria direito a pouquíssimo tempo de antena, que acabaríamos por saber menos sobre ela que sobre outras namoradas do Ted, como Victoria (uma das minhas preferidas, no primeiro ano, bem entendido), Stella e a inútil Zoey, que morreria no final, que toda a esta história era apenas Ted pedindo aos filhos permissão para namorar com Robin, teria desistido da série há muito tempo. Suponho que devíamos ter desconfiado disto mais cedo. Já se suspeitava há algum tempo que a Mãe morreria no final. Sabia-se que a cena final da série tinha sido filmada durante o segundo ano, mais coisa menos coisa, mas a atriz que faz de Mãe só foi escolhida no ano passado. Mesmo assim, acho que ninguém previu esta malfadada reviravolta.

Eu até poderia aceitar este desfecho no fim da terceira, quarta, quinta, mesmo sexta temporada, altura em que havia boa química entre os atores, em que ainda não haviam enrolado a história deles até ao enjoo e ainda não haviam imbecilizado completamente o tom da série. Mesmo agora, podiam perfeitamente ter excluído a anteriormente filmada cena final, mesmo mantendo a morte da Mãe. Podia ter acontecido o mesmo que aconteceu a House: mesmo que a qualidade tivesse decrescido nos últimos anos, o final encerrou a série devidamente, permitindo-nos recordá-la pelos bons momentos.  Ainda que as comparações não sejam assim tão legítimas (afinal, a premissa de HIMYM era mais complicada que o habitual), com How I Met Your Mother, em vez disso, fica a sensação de que os guionistas andaram a gozar com a nossa cara desde o primeiro momento.

Em suma, só tenho uma coisa a dizer: How I Met Your Mother, my ass!

 

Esta é outra série que venho seguindo há uns anos. Já falei dela aqui no blogue em duas ocasiões (aqui e aqui). Este último ano foi, na minha opinião, o pior de Bones, com a série a revelar um claro desgaste. Não se poderia esperar muito mais no nono ano da série mas, mesmo assim, houve coisas que poderiam ter sido melhoradas. A morte de Peleant veio demasiado tarde (um problema herdado da temporada anterior), a história da serial killer foi mal explorada, o caso da corrupção do FBI até era interessante, devia era ter sido um dos principais arcos narrativos da temporada, em vez de se confinar, praticamente, ao último episódio. Isto tudo intercalado com episódios aborrecidos, vários deles gritantemente formulaicos (sou capaz de apostar que os guionistas tinham um modelo pré-fabricado, em que, para além do caso da semana, inseriam um novo problema para o casal Brennan-Booth, facilmente resolvido, e um arco irrelevante envolvendo um dos estágiários para cada novo episódio), em que se contam os bons momentos pelos dedos de uma mão.

Um dos poucos pontos fortes desta temporada é a clara evolução do carácter de Temperance, muito mais aberta ao seu lado menos racional (ainda que com algumas incoerências). O casamento e tudo o que o antecede é um exemplo óbvio, mas existem outros. O ataque de histeria nos momentos finais do último episódio seria inconcebível para a personagem há alguns anos; ao mesmo tempo, adequa-se a alguém que ainda não está habituada a lidar com emoções fortes.

A verdade é que Bones devia ter terminado com o muito aguardado casamento entre Brennan e Booth (um dos melhores episódios desta temporada), pois não parece ter ideias para muito mais. Como tal, não me vou dar ao trabalho de acompanhar a décima temporada da série. Provavelmente só verei um ou outro episódio, e mesmo assim. Na minha opinião, Bones já deu o que tinha a dar - o que, mesmo assim, não foi pouco.

 

24 foi uma das primeiras séries que acompanhei, se bem que apenas a partir da quarta ou quinta temporada - nunca vi os primeiros anos da série. O seu conceito único, com a edição das imagens muito característica. o relógio, o protagonista Jack Bauer (um dos meus heróis de ação preferidos) e a parceira Chloe O' Brien, com o seu constante beicinho, algumas das deixas típicas tornaram a série num ícone para mim e uma das minhas maiores fontes de inspiração nos anos em que eu dava os meus primeiros passos na escrita de ficção. Só me apercebi das saudades que tinha dela quando, quatro anos depois, 24 regressou para uma meia temporada nova, sediada em Londres.

Tirando um aspeto ou outro (por exemplo, as premissas iniciais trouxeram ecos de Homeland), esta temporada extra de 24 não desapontou. Achei a primeira vilã brilhantemente retorcida. Gostei do Presidente "desta temporada". Fiquei de coração partido com a morte de uma personagem importante. E deu-me um gozo imenso ver Jack Bauer de novo em ação, depois de todos estes anos.

Parece que 24 (ainda) não fica por aqui. Ouve-se falar, de novo, num filme que ate as pontas que ficaram soltas no final de Live Another Day. Eu preferia uma nova temporada da série: o filme, para mim, só resultaria se mantivessem o relógio e a edição de imagem, o que não sei se será possível. De qualquer forma, um dia destes vou ver a série do princípio ao fim a ver se, entre outras coisas, esta me dá inspiração para o meu quarto livro.


Eu sei que, anteriormente, tinha falado de Homeland e Anatomia de Grey. Em relação à última, eu já tinha dado a entender que ia deixar de segui-la e foi o que aconteceu. Desta última temporada, só vi três ou quatro episódios, e isto em alturas em que não tinha melhor para fazer. Homeland, por sua vez, sofreu uma queda vertiginosa em termos de qualidade, pelo que desisti ainda a temporada não devia ir a meio (e visto que esta era apenas de doze episódios, fartei-me relativamente depressa) e não é provável que a retome.

Foi assim a última temporada de séries, pela parte que me toca. A nova já começou e ainda bem - andava com mais saudades de ter episódios novos todas as semanas do que estava à espera. Estou aqui em pulgas para ver o novo de The Good Wife. Não sei se começarei a ver alguma série nova este ano, mas é pouco provável pois não gosto de acompanhar muitas séries ao mesmo tempo. Em todo o caso, espero que este novo ano que agora começa nos traga coisas positivas nas séries que vejo, com destaque para Once Upon a Time, Arrow e The Good Wife. 

Séries 2013-2014 #1

Depois de ter falado mais exaustivamente sobre Once Upon a Time, queria agora falar rapidamente sobre as séries que vi ao longo do último ano. Isto numa altura em que já não falta muito para estas recomeçarem - se já não tiverem recomeçado à altura da publicação deste texto. Para evitar outra entrada demasiado grande, vou dividir este texto em duas partes. Publico a segunda entrada assim que puder.
 
Alerta Spoiler: Este texto pode conter revelações do enredo das séries abordadas. Logo, se estiverem a pensar ver uma delas, ou se ainda não têm os episódios em dia, sintam-se à vontade para saltar a respetiva análise.
 

 

Visto que tinha falado dela quando falei do segundo ano de OUaT, achei por bem tornar a falar deste spin-off agora. Eu tinha grandes expectativas para esta Once Upon a Time in Wonderland, mas a série acabou por se revelar um desapontamento logo nos primeiros episódios. A história de amor que guia a narrativa pareceu-me demasiado lamechas para o meu gosto. Os elementos típicos do País das Maravilhas, tal como o conhecemos há gerações, eram quase inexistentes. A Rainha Vermelha era uma imitação barata da inagualável Evil Queen de OUaT, uma mera menina mimada com uma permanente duckface. Desisti da série quando, a dez minutos do terceiro episódio, me deu o sono, parei para dormir uma sesta e nunca mais peguei naquilo - até porque tal ocorreu na altura em que saiu o CD da Avril Lavigne e eu tinha um exame na semana seguinte, logo, tinha mais em que pensar. 
 
Não fiquei surpreendida quando a série não foi renovada para uma segunda temporada. Os administradores do canal que a transmitia mostraram-se arrependidos de não terem seguido o plano inicial, que era um modelo de meia temporada para preencher o hiato de OUaT. Contudo, julgo que nem mesmo assim a história me cativaria. Parece, também, que uma das personagens, o Valete de Copas, vai integrar o elenco da série-mãe. Em todo o caso, este spin-off foi uma aposta falhada. Acontece.

 

Esta é uma série que descobri há cerca de um ano, enquanto fazia zapping e dei com um dos primeiros episódios no AXN. Julgo que é uma das séries da moda pois ambos os meus irmãos começaram a vê-la igualmente este ano, em momentos diferentes, sem serem influenciados por mim. Nunca fui particularmente fã de super-heróis, não sou capaz de identificar muitas das referências que a série faz a essa mitologia. No entanto, um dos pontos fortes de Arrow é, precisamente, a capacidade de apelar a pessoas como eu, o facto de não precisarmos de saber muito sobre super-heróis para apreciarmos a série. No meu caso particular, gosto de Arrow por, para além de ser diferente daquilo que estou habituada em séries, ter um tema e um tom parecido com o dos meus livros - embora, por vezes tenha a sensação de que Arrow se perde em lugares-comuns.

A série tem algumas incoerências: a primeira temporada foi mais consistente que a segunda, talvez por ter um enredo mais linear: Oliver tinha uma lista deixada pelo pai de alvos a abater e bastou ir seguindo essa lista para chegar ao vilão principal. No segundo ano, o rumo não estava tão bem definido e, embora até tenha tido um bom começo, a série ressentiu-se disso. Há personagens melhor construídas do que outras (Lauren, por exemplo, é demasiado Lois Lane para o meu gosto e Thea tem demasiados momentos de menina mimada. Por sua vez, Felicity é deliciosa, não é por acaso que é a favorita dos fãs). Tais falhas não impedem que Arrow, para mim, se eleve acima da média.

Este ano estreia-se um spin-off  de Arroe, centrado em Flash, que já fizera uma aparição na segunda temporada. Não estou com grande vontade de vê-la, vou ler primeiro algumas críticas, pedir opiniões sobre o piloto antes de decidir que a vejo ou não. Por outro lado, as pistas que têm saído sobre a terceira temporada de Arrow têm-me agradado. A ver se a série consegue manter a qualidade e, de preferência, se conseguirá recuperar o nível do primeiro ano.

 

Esta é uma série que já sigo há alguns anos mas nunca calhou falar sobre ela aqui. Durante algum tempo, ia assistindo à emissão da FOX Life, que se encontrava um ano atrasada relativamente à emissão americana. Este ano - que foi particularmente marcante, por sinal - finalmente apanhei o ritmo. The Good Wife sempre me atraiu pelas personagens interessantes e bem construídas, bem como pelas interpretações sublimes. A protagonista destaca-se, tanto pela evolução (passa de dona de casa submissa e humilhada pelo marido a uma mulher forte, bem mais cínica, líder de uma firma de advogados, afastando de vez o rótulo de "coitadinha"), como pelo desempenho da atriz que lhe dá vida, Julianna Margulies, que de resto já ganhou pelo menos dois prémios Emmy graças a Alicia.

Gostei muito dos primeiros dois anos da série, do terceiro e do quarto nem tanto. O relacionamento entre Alicia e Will é um dos pilares da série mas a mim confunde-me. Durante a terceira temporada, segundo o que eu percebi, a ligação é mostrada com algo meramente causal, sem grande componente emotiva, mas depois disso todos agem como se tivesse sido uma grande história de amor. Esse é, provavelmente, o aspeto de que menos gosto na série. Por sua vez, conforme já disse acima, o quinto ano foi particularmente intenso, com Alicia criando a sua própria firma de advogados e a morte (algo rebuscada) de Will. O sexto ano começa amanhã e, pelos trailers, promete ser interessante. Espero que cumpra tais promessas e que mantenha o nível que, até agora, não tem sido nada mau.

Uma coisa devo confessar, contudo: por muito que goste da série, esta fez com que me apercebesse que não gostaria nada de seguir uma carreira na área do Direito ou da Política. Não tenho perfil para alinhar em jogos como aqueles, lidar com tantas áreas cinzentas. E se o sistema americano é um pouco melhor que o português, eu vejo o Jon Stewart e, para ser sincera, acho que os políticos americanos são ainda piores que os nossos, o que é dizer alguma coisa. Prefiro mil vezes ser farmacêutica e escritora (não necessariamente por essa ordem) que me parecem profissões mais honestas. 

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Sofia

    Claro, a maior parte das pessoas é̶ ̶n̶o̶r̶m̶a̶l, ...

  • Simple Girl

    Li esta análise (e a primeira parte), não costumo ...

  • Sofia

    Missão cumprida, ah ah! Piadas à parte, não é prec...

  • Anónimo

    eu estou completamente v-i-c-i-a-d-o nas suas anal...

  • Anónimo

    Nada, eu que agradeço por você analisar tão bem. S...

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Segue-me no Twitter

Revista de blogues

Conversion