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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Álbum de Testamentos no Facebook

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Já andava há uns meses a pensar criar uma página de Facebook para este blogue. Agora, resolvi passar das ideias à prática. A minha intenção é que esta página funcione em moldes semelhantes aos da página do meu outro blogue, O Meu Clube é a Seleção: terá como primeiro objetivo promover aqui o blogue, bem entendido, partilhando as suas publicações, mas também terá outros conteúdos relacionados com os assuntos sobre que escrevo. Notícias, artigos, entradas de outros blogues, imagens, memes, fotografias do meu Instagram, vídeos do YouTube, música... O que me apetecer.

 

Talvez a página ajude a trazer mais visitantes ao blogue, talvez não. Não me preocuparei muito com isso, a minha prioridade é divertir-se. Por agora quero fazer esta experiência, a ver no que dá. Visitem aqui e façam o favor de fazer "LIKE".

 

Entretanto, não vou demorar muito mais a publicar textos novos. Continuem desse lado.

 

Liebster Awards


 

Antes de mais nada, quero agradecer à Marisa e à Rafaela por me terem nomeado para estes Prémios, dando-me assunto para uma entrada diferente das habituais no meu blogue. Estes Liebster Awards são uma forma excelente de ficarmos mais próximo umas das outras aqui na Blogosfera. Cada uma das que me nomearam submeteu uma lista diferente de perguntas, eu vou combinar as duas respondendo a um total de 16 perguntas. Vou alongar-me mais do que tem sido habitual neste desafio, mas não é por acaso que este blogue se chama Álbum de Testamentos.

 

Regras:

  • responder a todas as perguntas que foram sugeridas
  • referir o link do blog que nomeou
  • nomear entre 11 a 20 blogues com menos de 200 seguidores
  • não nomear quem nomeou
  • obrigatório informar os blogs da nomeação
  • fornecer aos blogs nomeados o link para o post em que foram nomeados (para que lhes seja explicado o que devem fazer)

Aqui vai...

 

1) Diz cinco coisas sobre ti

 

Já fui deixando muitas pistas sobre mim ao longo de mais de dois anos de blogue. Nesta resposta, vou tentar dizer coisas novas.

 

  • A minha cor preferida é o azul, sobretudo por causa da canção "A Cor Azul" dos Delfins, de que gostava muito quando era miúda. De resto, gosto de praticamente todas as cores, sendo que a de que gosto menos é o cinzento.

 

  • Uma das coisas de que mais gosto de fazer é conduzir sozinha com a minha irmã. Permite-nos falar livremente sobre o que quisermos, seja futebol, música ou outro assunto qualquer. Também ouvimos música e, quando surge a música adequada, fazemos duetos - por exemplo, quando toca Let Me Go, costumo dizer "Eu sou o Chad, tu és a Avril" e cantamos as duas. Ela é adorável a fazer de Marilyn Manson.

 

  • Sou uma #GrammarNazitenho quase uma perturbação obsessivo-compulsiva com o português e orgulho-me disso. Sou daquelas pessoas irritantes que publica comentários corrigindo erros de ortografia ou gramática em publicações alheias (à Rafaela que me nomeou, diz-se "agora é a vossa vez", não "agora é a vossa vês"). Como sou escritora, a língua portuguesa, as palavras são o meu instrumento de trabalho e irrita-me que as pessoas não o respeitem. Ainda posso tolerar pessoas como o Jorge Jesus, que provavelmente não terá frequentado a escola depois do quarto ano, mas pessoas como estudantes ou detentoras de cursos universitários têm, na minha opinião, a obrigação de conhecerem minimamente a sua própria língua. 

 

 

  • Adoro crianças, sobretudo bebés. Como diz Fernando Pessoa, são o melhor do Mundo. Recentemente, nasceu mais um bebé na minha família, mais uma priminha para eu estragar com mimos, o que me deixa feliz. A maior desvantagem de ser irmã mais velha é que muita gente da minha idade já tem sobrinhos e eu não...

 

  • Sou uma ave rara no sexo feminino porque não gosto de comprar roupa. A minha mãe passa-se comigo e com a minha irmã pois é dificíl encontrarmos coisas de que gostemos. No meu caso, quando encontro uma peça do meu agrado, nove em cada dez vezes quando vou a experimentar não me fica bem - o que é ótimo para a minha auto-estima. Regra geral, apenas uma loja, ao pé da minha antiga casa, costuma ter quase sempre roupa de que gosto. Por altura dos saldos de verão, compro lá calças para o resto do ano. Por isso, quando vou a centros comerciais, mais depressa me apanham na Fnac ou na Bertrand do que na Zara ou outra loja do género. 

 

2) O que te levou a criar o teu blogue?

 

Eu na verdade tenho dois blogues. O primeiro, O Meu Clube é a Seleção!, criei há seis anos, em vésperas do Euro 2008. Ambos os blogues foram criados para alimentar esta minha necessidade quase fisiológica de escrever. No primeiro blogue, escrevo sobre a Seleção Nacional, uma das minhas maiores paixões. Neste segundo blogue, escrevo sobre assuntos variados, acabando por escrever mais frequentemente sobre música.

 

 

3) Conta-nos o teu maior vício

 

Eu diria que o meu maior vício físico é o café: não passo sem pelo menos duas chávenas por dia, uma de manhã, outra à tarde, com adoçante e "pingado" com um bocadinho de leite, para dar sabor.

 

Outro vício é escrever, que como disse acima é-me quase uma necessidade fisiológica. Só me sinto verdadeiramente eu mesma se estiver a trabalhar em algo, seja nos meus livros, nos meus blogues ou outra coisa qualquer. 

 

Por fim, já fui viciada em música. Juro que tive sintomas de abstinência quando, há dois anos e meio, me roubaram o telemóvel e fiquei sem poder ouvir a minha música sem ser em casa. Hoje, ando menos viciada essencialmente por dois motivos. Primeiro, porque no estágio passo o dia todo a ouvir ou a RFM ou a Comercial, o que se torna cansativo (se torno a ouvir a voz ensonada da Sia...). Segundo, porque este verão fiz exames auditivos e já estou com perda auditiva devido a tantos anos de headphones, daí andar a cortar neles. Se são como eu, se recorrem a headphones há muitos anos, aconselho-vos a fazerem exames auditivos. Aquelas coisas com que nos nossos pais nos assustam, como surdez aos 40 anos, correspondem à verdade pelos vistos!

 

4) Qual a tua marca favorita? Seja de roupa, maquilhagem, calçado...

 

Conforme disse acima, não sou grande fã de compras. Geralmente, quando gosto de uma peça de roupa é pela peça em si, não é pela marca. O mais próximo que tenho de uma marca preferida é a Abercrombie & Fitch, uma cadeia de roupa casual que, infelizmente, ainda não tem lojas em Portugal. Quando vamos ao estrangeiro, ou vai a minha mãe, traz-me quase sempre qualquer coisinha. Eu adoro os seus hoodies (camisolas com capuz), que são giros, confortáveis e quentinhos.

 

 

5) O que achas da blogger/blog que te nomeou?

 

Eu não conhecia nenhuma das bloggers em questão antes de me nomearem. O meu problema é que ambas se focam em moda e maquilhagem, assuntos que nunca foram  a minha praia. No entanto, não deixei de dar uma olhadela nos dois blogues. O da Marisa é ainda recente. Gostei do visual dela nesta entrada. Ainda não vi muito do blogue da Rafaela, mas achei graça ao post sobre o milho.  

 

6) Onde é que achas que vais estar daqui a vinte anos? Talvez a fazer aquilo que sempre sonhaste?

 

Pela maneira como as coisas estão, sobretudo para os jovens da minha idade, não me parece sensato estar a fazer grandes planos. Espero que, daqui a duas décadas, eu tenha um emprego estável, dois filhos e vários livros escritos (não necessariamente publicados). Só desejar isso parece-me sonhar demasiado alto. E no entanto, como diz a grande pensadora do nosso tempo Hayley Williams, estes sonhos são tudo o que tenho

 

 Em linha com esta pergunta...

 

7) Qual pretendes que seja a tua profissão no futuro?

 

Sou estudante de Ciências Farmacêuticas, logo, a minha profissão está escolhida - pior será saber se consigo exercê-la. Perfeito seria poder ser farmacêutica e escritora ao mesmo tempo.

 

8) Ainda te falta fazer…

 

 Tornar-me independente, apaixonar-me e ter um filho (já tratei do livro e - mais ou menos - da árvore).

 

9) Qual tem sido o grande desafio da tua vida?

 

A vida só por si é um desafio. O mais difícil tem sido crescer.

 

 

 

10) Qual o presente que neste momento gostavas de receber?

 

De momento, não me falta nada de que precise mesmo. Não costumo julgar as pessoas pelos presentes ou pelo preço dos presentes que me oferecem no Natal ou nos anos. Um presente que nunca falha comigo são cadernos bonitinhos para eu escrever. No entanto, se pudesse pedir qualquer coisa independentemente do preço, pedia uma Nintendo 2DS ou 3DS e um jogo Pokémon X ou Y ou mesmo, se fosse daqui a um mês, Omega Ruby ou Alpha Saphire.

 

11)  Qual é a característica que mais valorizas nas pessoas?

 

 A frontalidade, embora não necessariamente dizer-se tudo o que se pensa sem filtrar. 

 

12)  Qual o teu produto favorito?

 

Sou uma exceção no mundo das bloggers pois, conforme já disse acima, a maquilhagem não é o meu ponto forte. Não gosto de me maquilhar demasiado, fico demasiado diferente, não me reconheço quando me vejo ao espelho. No dia-a-dia, só uso base para uniformizar o rosto e esconder uma ou outra imperfeição. Sinto-me bonita só com isso. O meu produto preferido é a base líquida d'O Boticário. 

 

13)  A aventura da tua vida é/foi…

 

Está a ser viver sozinha pela primeira vez, em Évora onde estou a fazer um estágio de dois meses, apesar de ir a casa todos os fins de semana. Nos primeiros dias foi difícil, costumava ter a música sempre ligada para não ter de ouvir o silêncio. No entanto, acho que vou ter saudades quando acabar.

 

 

14)  Qual a tua cidade de sonho? 

 

Já tive o privilégio de visitar várias cidades no estrangeiro, aquela onde gostava mais de viver é Nova Iorque.

 

15)   Não sais de casa sem…

 

O meu telemóvel, a minha carteira, chaves de casa, uma caneta e o meu caderno de rascunhos.

 

16)    O que levas na mala e/ou bolsos?

 

O meu telemóvel, a minha carteira, chaves, canetas, o meu caderno, headphones, pensos higiénicos, comprimidos para as dores de cabeça ou menstruais, gloss e, quando me lembro, base.

 

Já está. Eis as minhas nomeadas. 

 

Incompleto

Simplesmente Complexa

Tempestade de Ideias

Silver Linnings

Maria das Palavras

Such Great Heights

Bel-Air

Na Outra Margem da Memória

Words With Soul. Soul With Love

Sofia Margarida

O que ficou por dizer

 

Avisem-me quando tiverem respondido ao desafio, quero ler as vossas respostas. :)

Mudança de casa

Ao longo das últimas semanas tenho visitado muitos blogues alojados no SAPO. Acabou por me surgir o desejo de me juntar à comunidade, entre outros motivos, para poder ficar mais perto de outros autores de blogues portugueses, por aparentemente haver uma boa equipa de apoio e - não vou mentir - pela possibilidade de obter maior audiência. Assim, importei o meu blogue Álbum de Testamentos, que antes estava alojado na Blogspot, para esta plataforma. 

 

Para eventuais novos visitantes, que estejam a descobrir o blogue agora, este é o meu segundo blogue em termos cronológicos. O seu objetivo é albergar "testamentos" meus sobre assuntos variados. O assunto predominante acaba por ser música. Também falo sobre séries e livros, embora com menos frequência.

 

Ainda me estou a habituar a esta plataforma - por exemplo, as imagens das entradas ficaram enormes com a importação, ando a editá-las uma a uma. Acho que, apesar de tudo, vou ter saudades do Blogspot, que já conheço há vários anos. Não vou apagar o blogue dessa plataforma pois este está cheio de links que ligam as entradas umas as outras e demoraria eternidades a alterá-las todas - já me chegam as imagens. Também não vou deixar de utilizar o Blogspot, sobretudo por causa da Lista de Leitura, que me permite seguir publicações de vários sites.

 

Tenho ainda outro blogue, O Meu Clube é a Seleção, que tenciono eventualmente também transferir para aqui. Só não o fiz ainda porque, como se calcula facilmente, é um blogue sobre a Seleção Nacional, que se encontra em vésperas de dois jogos. Tendo eu o costume de publicar análises a cada jogo da Equipa de Todos Nós neste blogue, ao longo da próxima semana terei de trabalhar em duas publicações, sendo que queria publicar a primeira antes do jogo com a Dinamarca, ou seja, só tenho três dias para escrevê-la. Não queria ter de fazê-lo num site que ainda me é estranho. Logo, vou esperar até que estes textos estejam publicados antes de importar o blogue. Até lá, espero ficar a conhecer melhor a plataforma SAPO. 

 

Quanto a este blogue, tenciono inagurá-lo a sério com a crítica ao novo álbum de Bryan Adams, Tracks of My Years, editado esta semana. Crítica essa que ainda vai demorar. Ainda nem sequer tenho o CD, só ouvi uma ou outra música e, conforme referi acima, o meu outro blogue manter-me-á ocupada ao longo dos próximos dias. Vou tentar não me demorar muito, contudo.

 

Entretanto, convido os novos visitantes a espreitarem algumas das entradas antigas, só para terem uma ideia da essência deste meu Álbum de Testamentos.

O Poder dos Introvertidos

 

Há algumas semanas, enquanto folheava a revista Activa do mês de agosto, dei com um artigo intitulado "O Poder Secreto dos Introvertidos". Falava sobre um livro escrito por Susan Cain, intitulado, precisamente "Silêncio - O Poder dos Introvertidos num Mundo que não pára de falar". Mais tarde, quando pesquisei sobre o assunto, encontrei o vídeo acima das conferências TED, com um discurso da mesma Susan Cain. Essencialmente, tanto no livro como discurso, a autora desmonta todo o estigma das pessoas mais introvertidas, defendendo que o Mundo necessita de valorizar os mais solitários em vez de os marginalizar.

Sendo eu, desde tenra idade, uma pessoa introvertida, com predisposição para falar pouco e me isolar (palavra que, por motivos que explicarei mais à frente, ainda hoje possui, para mim, uma conotação negativa), não imaginam o bem que faz ao meu ego ouvir tais argumentos.

Entre os vários pontos fortes dos introvertidos, encontra-se a inteligência e a criatividade. Não vou falar da inteligência pois não concordo com muitas das ideias pré-concebidas que continuam a circular por aí - não acho que seja fixa, que seja algo com que nascemos e que nunca se altera; acredito plenamente que pode ser desenvolvida bem como pode regredir. Também acho que não se limita ao QI, aos resultados académicos, que existem vários tipos de inteligência, cada um com a sua utilidade.

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No entanto, não me choca o facto de várias teorias e/ou descobertas científicas - de Charles Darwin, Albert Einstein - livros, peças musicais, enfim, todo o tipo de obras de arte, que hoje fazem parte do nosso quotidiano, da nossa cultura, tenham sido concebidas por pessoas apreciadoras de solidão. Atividades como a leitura, a escrita, o desenho, a pintura, a composição de música, não se realizam em grupo, geralmente. Defende-se que esta maior criatividade e eficácia se deve ao facto e estas pessoas "refletirem", serem capazes de ouvir, tomar decisões mais ponderadas e ter ideias inovadoras.

Eu diria mesmo que, da mesma forma, os introvertidos possuem um maior sentido crítico. Não apenas por serem bons ouvintes, por pensarem antes de falar, mas também por, não tendo tanta necessidade de conviver, não sentem tanto a pressão de agradar aos demais para serem aceites num grupo. E pelo o fenómeno que Susan Cain descreve no vídeo acima: a tendência de adotarmos a opinião do alfa do grupo.

Um dos aspetos que é realçado várias vezes é que, contrariamente ao que se pensa, não se pode dizer que os introvertidos não gostem do convívio. Os mais reservados acabam, aliás, por serem melhores ouvintes, por terem menos predisposição para inconfidências que os mais extrovertidos.

Não admira que, de vez em quando, me procurem para desabafos.

 

Susan Cain argumenta ainda que, surpreendentemente, os extrovertidos não são os melhores lideres. Podem ser melhores em termos de carisma e oratória, como já foi afirmado em cima em defender o seu ponto de vista, mas, se calhar, não são tão bons em conteúdo - faz-me lembrar a discussão lógica versus retórica que estudei em Filosofia. Os extrovertidos gostam mais de mandar, entusiasmam-se com as suas próprias ideias, são impulsivos. Em contraste, os introvertidos são mais cautelosos e, tal como já foi dito anteriormente, são mais recetivos às ideias dos outros. Cain chega a invocar nomes com Elianor Roosevelt, Gandhi, Rosa Parks, Barack Obama, que na verdade são (ou foram) pessoas mais metidas nas suas conchas. É verdade que passam muito tempo no centro das atenções mas - pelo menos no caso dos três primeiros exemplos - faziam-o, não por gostarem, mas porque não tinham escolha. Para fazerem vingar os seus princípios, para, de facto, serem a mudança que desejavam ver no Mundo, tiveram de engolir a sua falta de à-vontade e falar às multidões, com os resultados que se conhecem.

Isto recorda-me uma citação do último livro do Harry Potter, uma das várias afirmações sábias de Dumbledore - de que os melhores líderes não são aqueles que ambicionam o poder pelo poder, mas sim aqueles para quem o poder, a liderança, é apenas uma ferramenta para concretizar as suas convicções.

De resto, conforme Susan Cain afirma, a subvalorização das pessoas reservadas é relativamente recente - ela dá o exemplo das religiões, cujos profetas testemunhavam as grandes revelações quando estavam sozinhos. Foi só a partir do século vinte, num mundo cada vez mais global, que a extroversão foi valorizada. Um mundo cada vez mais global, ironicamente graças a invenções dos chamados bichos-do-mato.
 
 
Foi assim que se formou o estigma, que se torna cruel, por vezes. Como todos os estigmas o são, de resto. A obsessão com a vida social. As bocas do género: "Ai e tal, eu não tenho tempo para ler, eu tenho uma vida". Em suma, a ideia de que a afinidade para a solidão é um defeito, quase uma deficiência.

E, no entanto, acho que o estigma já foi pior. Nos últimos anos, com o advento da Internet, dos blogues, do YouTube, das redes sociais, tornou-se mais fácil aos introvertidos expressarem a sua criatividade, as suas ideias, e encontrarem pessoas com interesses semelhantes. Há quem diga que estas tecnologias andam a promover o isolamento, a tornar as pessoas mais solitárias - mas eu penso o contrário. Penso que, com a Internet, já ninguém tem de se sentir sozinho. Porque uma pessoa pode estar rodeada de outros e estar sozinha. Mas não terá muita dificuldade em encontrar quem partilhe os seus ideais, as suas paixões, através da Internet.

Por outro lado, Jennifer Lawrence, uma das atrizes da moda, adorada por toda a gente por ser invulgarmente terra-à-terra (ou, pelo menos, representar bem esse papel), tem dito várias vezes que não é do género de sair à noite, que prefere passar os serões a ver televisão, que muitas vezes às onze da noite já só pensa em ir para a cama, provando que ser "fixe" não significa necessariamente levar o estilo de vida típico de Hollywood. Por fim, com as novas tecnologias, com pessoas como Steve Jobs, Mark Zuckerberg, os chamados nerds ou geeks, qualquer que seja a designação correta, começam a ganhar popularidade.
 

Aproveito, já agora, para dizer que, apesar de tudo, a sociedade continua a simplificar demasiado as pessoas. Já aqui falei que me irritam os rótulos em música - os rótulos em pessoas ainda me irritam mais. Susan Cain defende, precisamente, que o Mundo não se divide em introvertidos e extrovertidos. Que casa pessoa em a sua própria maneira de lidar com o contacto com os demais, a sua proporção de introversão e extroversão. Não me é difícil pensar em exemplos. Voltemos a Jennifer Lawrence, por exemplo: conforme já foi dito neste texto, ela não é do género de ir a muitas festas; no entanto, em entrevistas destaca-se pelo seu completo à-vontade, por ser alegre e bem humorada. Suponho que ela seja aquilo a que Cain chama, numa tradução possível, ambivertidos. Aqueles que, nas palavras da autora, aproveitam o melhor de ambos os mundos.

Agora vou falar do meu caso. Tendo eu sido sempre reservada, tal como já revelei, a minha mãe sempre tentou corrigir-me esse "defeito", à semelhança do que, certamente, acontece com todos os introvertidos. Chegou mesmo a dizer-me que era má educação estar com outras pessoas e não falar - hoje, contudo, apercebo-me que as pessoas mais difíceis de aturar são aquelas que nunca se calam.

Não pensem, no entanto, que tudo o que a minha mãe conseguiu com isto foi reprimir-me. Ela também me ensinou a ser mais simpática e agradável para com as pessoas, capacidades que, sejamos francos, são essenciais, básicas, para vivermos em sociedade.

 
Pior para mim foi o Secundário. Na escola que frequentei, gostavam de pensar que cultivavam valores como a união, a amizade, e outras coisas muito bonitas em que, no entanto, bastava raspar à superfície para perceber que não passava de hipocrisia. Queriam à força que fôssemos todos amigos e nunca passava despercebido que eu gostava de isolar-me durante os intervalos. Na verdade, passava grande parte desse tempo fechada na casa de banho a escrever, a aprender a ser a escritora que sou hoje. Uma das piores coisas que me podem fazer é obrigar-me a conviver e era isso que me faziam. Eu só queria que me deixassem em paz. Se eu queria isolar-me, o "problema" era meu, a pressão deles apenas fazia com que me sentisse ainda mais marginalizada. Talvez eu tivesse sido mais feliz durante o Secundário se, entre outras coisas, me tivessem deixado integrar-me na turma à minha maneira. Até porque, quando não me pressionavam, eu até convivia normalmente, até conversava - e eles ficavam sempre tão surpreendidos!
 
E a verdade é que eu aprendi a gostar de conversar com as pessoas, de conviver. Já existiram situações em que eu me sentia deprimida e uma simples conversa sobre séries com colegas minhas foi suficiente para me consolar. E com pessoas da minha idade ou mais novas é fácil falar, o assunto "aulas" é suficiente para fazer uma conversa fluir. É claro que daí a confiar nas pessoas, a fazer amizades, vai um grande passo - porque hoje toda a gente tem segundas intenções.
 
Para além da minha escrita, um dos motivos que me levam a procurar a solidão - ou uma das desculpas que dou a mim mesma - é, também, sentir que as pessoas não têm pachorra para os meus interesses, as coisas de que falo nos meus blogues, as minhas manias. Daí que a minha irmã seja uma das minhas pessoas preferidas - porque partilhamos vários interesses e, sobretudo, aturamos as maluquices uma da outra. 
 

Depois, tenho as pessoas que conheci na Internet, através das redes sociais, do Fórum Avril Portugal, dos meus blogues. Algumas, há já vários anos. Admito que podem não ser consideradas relações verdadeiras, podem ser só "amigos do Facebook" mas a quem, por vezes, me sinto mais próxima do que a quem vejo quase todos os dias. Porque, tal como um desses amigos me disse há pouco tempo, conhecem o nosso interior antes de conhecerem o nosso exterior. Antes de estarem sujeitos aos enganos da aparência. Da mesma forma, muita gente da minha família ficou surpreendida quando eu, no ano passado, fui convidada para ir ao A Tarde É Sua, Especial Seleção, (pormenores AQUI) e aparentava perfeito à-vontade, estava alegre e comunicativa. Chegaram mesmo a dizer:
 
- Aquela não é a Sofia!
 
Na verdade, estava de facto nervosíssima, mas também me sentia bem, feliz - porque aquelas pessoas tinham gostado do meu blogue ao ponto de fazerem questão de me trazerem ao programa, de me ouvirem falar sobre ele. Fizeram-me sentir aceite, mesmo admirada, graças a algo que era muito importante para mim - e que, na minha família, é frequentemente objeto de desdém.
 
As únicas alturas em que me sinto em perfeita harmonia com as multidões é, de resto, em concertos ou em jogos de futebol. Porque, para além da escrita e de outras atividades mais intimistas, duas das melhores sensações do Mundo são gritar "GOLO!" em uníssono com um estádio inteiro e cantar as nossas músicas preferidas em altos berros, em coro com dezenas de milhares de pessoas.


 
Susan Cain não diz, contudo, que devemos todos deixar de conviver. Até porque o isolamento em excesso torna-se prejudicial. Noto, aliás, uma certa contradição nos argumentos dela, quando diz que os introvertidos são mais abertos às opiniões dos outros. Ora, se uma pessoa se isola demasiado, tem maiores probabilidades de se tornar egoísta, de perder empatia. Da mesma maneira, os mais extrovertidos, por contactarem frequentemente com outras pessoas, podem perfeitamente tornar-se mais conhecedores da natureza humana, mais tolerantes. E o convívio também é importante para o sentido crítico - toda a gente precisa de ser questionada de vez em quando ou corre o risco de ficar demasiado preso às suas ideias. As conversas, os debates, podem, deste modo, ser extremamente enriquecedores ao ajudarem-nos a ver as questões sob diferentes prismas, prismas que, se calhar, nunca nos tinham ocorrido. Nestes assuntos aprendi que não se pode generalizar. Em linha com o que disse há pouco, as pessoas não são assim tão simples, cada caso é um caso e, que diabo, somos sete mil milhões! Como podemos ter a arrogância de julgar saber como é que todas as pessoas são?
 
O que se pede, no fundo, é tolerância, equilíbrio. Não que deixemos de estimular (sem as forçar) as pessoas a conviverem, a socializarem, porque isso também é importante, mas que se acabe com os estigmas todos contra os introvertidos, que se tente "curá-los" do mal. O que se quer é que se respeite a personalidade de cada pessoa, que lhe seja dado espaço, caso seja esse o seu desejo, para abraçar a solidão. O Mundo só tem a ganhar com isso. No meu caso, na maior parte do tempo, abraço a solidão para me dedicar à minha escrita, seja ela para os meus livros ou para os meus blogues Não me arrogo ao pensar que o Mundo perderia caso eles não existissem mas são uma parte de mim que tenciono cá deixar antes de morrer. E isso para mim é o suficiente para ir deixando se me sentir mal comigo mesma por me achar diferente de toda a gente, em vários aspetos. E para dizer "Não!" a pessoas como a minha mãe ou a minha antiga diretora de turma que me pressionem para ser menos "antissocial", para lhes esfregar no nariz que a introversão não é defeito, é feitio, podendo mesmo ser, por todos os motivos aqui listados, uma força.

Manuscrito

Depois de uma longa série de entradas sobre música, decidi escrever algo diferente. A inspiração para este texto veio-me da seguinte imagem, que me apareceu no Facebook há algum tempo:
 
 
Estive a pesquisar na Internet sobre o assunto e, pelo que li, escrever ao computador e escrever à mão são, de facto, atividades muito diferentes, em diversos níveis. Sendo a escrita manual uma atividade mais intensa a nível sensorial, estimula uma parte diferente do cérebro, a área de Broca, ligada à linguagem - talvez isso explique a maior facilidade das palavras em surgirem na escrita em papel, testemunhada por mim e por outras pessoas. Outros estudos demonstraram que, por dar mais trabalho e por requerer maior concentração, a escrita manual facilita a aprendizagem, em particular no que toca a símbolos e fórmulas e mantém o cérebro ativo, contrariando os efeitos do envelhecimento. No fundo, as diferenças entre escrever à mão e escrever no computador acabam por serem equivalentes às diferenças entre praticar um determinado desporto e ver alguém a praticá-lo. 
 
Devo dizer que fui sempre uma grande adepta da escrita à mão, em detrimento da escrita a computador. Não que nunca digite, é óbvio que não, se assim fosse não estariam a ler este texto. O que costumo fazer é rascunhar manualmente estes textos e depois passá-los a computador.
 
Foi, de resto, quase sempre a regra no que toca à minha escrita: primeiro em suporte de papel, com lápis ou caneta. Devo ter escrito milhões de páginas desde os meus oito anos. Tirando os meus diários, durante muitos anos escrevi em folhas soltas, pouco recorrendo a cadernos. Isto porque, muitas vezes, escrevia durante as aulas. Ao contrário dos cadernos, as folhas podem, facilmente, ser escondidas debaixo de um dossier ou entre as páginas de um manual ou caderno diário. Os inconvenientes eram o facto de poderem ser perdidas e a ordem das páginas baralhadas.
 
 
 
 
Só em 2010, quando comecer a pensar seriamente em escrever algo publicável, é que adotei, definitivamente os cadernos. Prática que mantenho ainda hoje. Geralmente, são cadernos A5, que podem ser levados para todo o lado na minha mala. Muitas vezes, são oferecidos aos meus pais, em congressos, outras vezes são sobras de material escolar, minhas ou dos meus irmãos, outras vezes sou eu que os compro. Se puder escolher, prefiro argolas e folhas quadriculadas. Por possuírem mais linhas - e a minha letra, ainda por cima, é grande - e por darem jeito para fazer esquemas. Como poderão ver nesta fotografia, e no topo do blogue, gosto de guardá-los e exibi-los. Em parte por vaidade, para poder olhar para eles e pensar: "A minha "obra" está toda ali". Também gosto de folhear os cadernos, ver os rascunhos de certos capítulos ao lado de notas ou rascunhos de entradas para os meus dois blogues, para me recordar das circunstâncias em que escrevi aquelas passagens (jogos da Seleção, episódios de séries que acompanhava, músicas recém-lançadas...). Mas sobretudo por conterem imensas notas para as sequelas de "O Sobrevivente".
 
Posso acrescentar às que disse acima mais umas quantas vantagens da escrita manual: é mais prática, pois não tenho de carregar com um computador portátil, com o risco de esgotar a bateria e não ter acesso a eletricidade. É claro que, para a escrita manual, estou dependente de papel e caneta, mas estas últimas são bem mais fáceis de transportar - um aparte só para referir que sou a maior consumidora do mundo de canetas bic - e, mesmo que me esqueça do caderno, existem sempre guardanapos em cafés e restaurantes. 
 
Outra vantagem de estar longe do computador é estar longe da Internet. Eu, aliás, nos últimos tempos, tenho escrito relativamente pouco em casa. Se tenho um computador por perto, fico irremediavelmente presa ao Twitter, ao Facebook, ao YouTube e afins. Sou muito mais produtiva à mesa de um café, por exemplo. E agora, com o regresso do bom tempo, tenho escrito bastante em jardins públicos e esplanadas, enquanto faço a fotossíntese. 
 

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A maior vantagem já foi, contudo, mencionada aqui: as palavras saem-me com mais facilidade quando escrevo à mão.
 
Vou dar um exemplo relacionado com o meu primeiro blogue, sobre a Seleção Nacional. No primeiro ano, ano e meio, de entradas (não conto com o ano que estive sem publicar nada), escrevia diretamente no editor do blogger. Só em meados, finais de 2010, é que me habituei aos rascunhos manuscritos. Ora, aquando do particular com a Argentina, em fevereiro de 2011, andava cheia de exames, só tive tempo de trabalhar na entrada de antecipação do jogo na tarde do dia do próprio encontro. Como achava que não teria tempo para o rascunho manuscrito, resolvi escrever o texto diretamente no computador. Levou-me a tarde toda. Só consegui terminar menos de uma hora antes do início do jogo.
 
Daí que, agora, escreva sempre à mão antes. Dá bastante mais trabalho e consome-me bastante tempo - durante o Euro 2012, às vezes, só conseguia publicar as entradas vários dias depois dos respetivos jogos. A do jogo com a Espanha, então, levou-me uma semana - mas, quando comparo entrada, as que foram manuscritas primeiro estão melhores. Mesmo pequenos textos, para as páginas no Facebook, por vezes custam-me a sair quando escritas diretamente no computador. Por fim, o ato de passar os rascunhos a limpo já constitui uma primeira correção.
 
 
Por outro lado, passar os rascunhos das minhas histórias a computador sempre foi uma das minhas partes preferidas, nem eu sei bem porquê. Ao longo de uns bons doze anos, tenho tido muitas tardes felizes, ou mesmo noites, de férias em particular, digitando rascunhos das minhas pequenas "obras" de ficção, ao som da minha música. As memórias mais antigas que tenho disso remontam aos meus onze anos de idade. Na altura, penso que eram histórias inspiradas n'"Os Cinco" e/ou n'"Uma Aventura" e a música era a banda sonora do Pokémon. Hoje, as histórias são as sequelas d"O Sobrevivente" e as músicas são playlists por mim compiladas de modo a adequarem-se ao espírito da cena em que estou a trabalhar. 
 
Sei perfeitamente que sou uma raridade, que a tendência é a digitalização de tudo. Não sei por mais quanto tempo fabricarão papel e caneta. Duvido que seja tão cedo, contudo, nem que seja porque a eletricidade pode, sempre, falhar. De qualquer forma, enquanto me for possível, não deixarei de recorrer ao suporte em papel e, quando a altura chegar, farei questão de que os meus filhos aprendam a escrever manualmente. Nem que os tenha de ensinar eu mesma.
 
Entretanto, terminei na semana passada o rascunho do meu terceiro livro. Quase dois anos depois de o ter começado... Estou, portanto, a entrar numa parte de que gosto muito. O que também significa que terei de fazer uma pausa aqui no blogue. Não convém estar a aumentar a resma de papel que tenho de passar a computador com entradas para o Álbum. Com a agravante de ter imenso trabalho para a Faculdade este semestre.
 
Esta pausa não se deve prolongar muito, no entanto, já que se aproxima o término da temporada de séries e quero falar, pelo menos, de Era Uma Vez.
 
Em todo o caso, não deixem de visitar aqui o Álbum de vez em quando, caso continuem interessados nestes meus monólogos, primeiro manuscritos e depois digitalizados.

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