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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Digimon Frontier #7 – O choramingas, o enfeite, o stalker

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Julgo que esta não é uma opinião popular – e de resto, pela parte que me toca, não está gravada em pedra – mas Tomoki é a minha personagem preferida em Fronteira. Não significa que o adore – não adoro nenhum dos miúdos deste elenco, o que é um bocadinho triste. Mas é com Tomoki que eu mais me identifico. 

 

Não me surpreende não ver muita gente citando Tomoki como uma personagem de que gostam. Ele não é o género de personagens de que uma audiência infantil goste muito: não é confiante, não é particularmente corajoso e é um pouco choramingas, sobretudo na primeira metade da história. Por outras palavras, é um miúdo realista.

 

Nesse aspeto, Tomoki tem algumas semelhanças com Takato, outra personagem que não se encaixa perfeitamente nos arquétipos do género – ainda que no caso dele se note mais por ser o gogglehead – e por ser outro com quem me identifico. Diz bastante sobre mim, não é? Revejo-me em personagens inseguras e “choramingas”. Por outro lado, são personagens que se vão tornando mais fortes ao longo da história. Gosto de pensar que o mesmo tem acontecido comigo.

 

No início da história, Tomoki é o único que não veio de livre vontade para o Mundo Digital (tirando Kouichi, mas ele só se torna relevante muito mais tarde). Foi literalmente empurrado para dentro do Trailmon. Tomoki é o mais novo do grupo, vítima de bullying, um tudo nada mimado demais pelos seus pais e o que mais tem dificuldades em adaptar-se à vida no Mundo Digital. Uma vez mais, nada disto é irrealista num miúdo de nove anos.

 

Um aspeto interessante é que Tomoki tem plena consciência das suas limitações. Um dos motivos pelos quais, depois de lhe abrirem uma porta para regressar a casa, Tomoki escolhe permanecer no Mundo Digital é precisamente porque ele quer tornar-se mais forte. Chega mesmo a dizer que os pais apoiariam essa decisão se soubessem. Vários episódios mais tarde, quando os dispositivos dos rapazes são roubados e ele tenta recuperá-los, Tomoki está mais preocupado com os de Takuya e Kouji do que com o seu. 

 

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E a verdade é que a narrativa não procura desenganá-lo. Deixa bem claro que Takuya e Kouji são os únicos que interessam, como temos vindo a assinalar. É um dos aspetos infames em Fronteira, mas dentro do universo Tomoki aceita-o sem problemas.

 

Já tinha referido no texto anterior que adoro a maneira como Takuya e Tomoki se adotam um ao outro como irmãos, assumindo papéis a que estão habituados. Takuya traz ao de cima o lado heróico de Tomoki: veja-se a maneira como o mais novo desbloqueia o seu Espírito Humano.

 

Ao mesmo tempo, no episódio de Tomoki do arco de Sephirotmon, descobrimos que o seu irmão mais velho, Yutaka, ocupa na família uma posição semelhante à de Takuya: de irritação por o mais novo levar com demasiada indulgência. Em retrospetiva, Tomoki de início pensa que o irmão tem ciúmes dele ​​– isso talvez fosse verdade se Yutaka fosse mais novo, mas Tomoki refere noutro episódio que o irmão já está na faculdade, ou seja, terá dezoito anos. Se tem ciúmes de um miúdo com metade da sua idade, alguma coisa estará mal. 

 

O mais certo é as queixas de Yutaka partirem de preocupações honestas com o irmão mais novo. Yukata acusa Tomoki de não saber fazer nada sozinho e de estar à espera que esteja lá sempre alguém para lhe fazer a papinha toda. Isso poderá acontecer enquanto os pais estiverem lá, mas o mundo real não funciona assim (Alexa, toca Ain’t It Fun dos Paramore).

 

Ora, Tomoki tem apenas nove anos. Em circunstâncias normais, ainda é um bocadinho cedo para o obrigarem a ser independente. Ainda assim, ainda tirando o fator Mundo Digital da equação, Tomoki é vítima de bullying e não tem amigos. 

 

No que toca à primeira questão, por princípio discordo com argumentos que colocam a responsabilidade pela situação na vítima. Ainda assim, pode-se argumentar que a indulgência dos pais de Tomoki já está a causar danos. Que se tornam ainda mais evidentes quando o jovem vem para o Mundo Digital, onde é obrigado a lutar com as próprias mãos (este é outro conflito interno que não poderia ocorrer, ou ocorreria de maneira diferente, se existissem companheiros Digimon neste universo). Aliás, o argumento de Yutaka não é muito diferente do de Kouji no episódio 7, que comentámos no texto anterior. 

 

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Assim, Tomoki percebe finalmente o que o irmão mais velho queria dizer. E promete a si mesmo dizer-lho quando regressar a casa. 

 

A evolução de Tomoki fica concluída durante o arco dos Cavaleiros Reais, quando se descobre que os antigos bullies fazem parte do segundo grupo de miúdos que veio parar ao Mundo Digital. Estes de início procuram intimidar o mais pequeno de novo, tentando convencê-lo que ele é demasiado fraco para o Mundo Digital e que devia regressar a casa. No fim, porém, Tomoki vence-los salvando-lhes o couro (eu tê-los-ia deixado às aranhas um bocadinho), provando que já não é o mesmo miúdo frágil que eles empurraram para dentro do Trailmon.

 

Tomoki pode não ser o grande herói de Fronteira e pode, à semelhança dos não-Takuya-ou-Kouji, ter-se tornado irrelevante no último terço da história. No entanto, ao longo da história, tornou-se numa versão mais heróica de si mesmo. Às vezes isso é suficiente.

 

Vamos agora falar das personagens de que menos gosto no elenco de heróis. No primeiro caso isso não é por culpa própria. Deverá ser das personagens sobre a qual tenho mais a dizer… mas não por bons motivos.

 

Izumi é a única rapariga no elenco de heróis. Isso já de si é um sinal de alarme – todas as temporadas anteriores tinham pelo menos duas raparigas heroínas (As meninas também gostam de Digimon!). Mas a maneira como Fronteira trata a sua única personagem principal feminina deixa muito a desejar – e estou a ser simpática. 

 

Penso que não é a primeira vez que admito aqui que, em análises anteriores, fui demasiado crítica em relação ao tratamento recebido pelas personagens femininas em Digimon. Além disso, Tamers tinha dado vários passos em frente ao incluir Ruki e Juri, duas personagens femininas muito bem construídas. Fronteira, no entanto, anulou esses progressos e recuou ainda mais ao fazer de Izumi, a) a única rapariga, b) praticamente sem desenvolvimento, c) excessivamente sexualizada, d) de longe a mais inapta.

 

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Podemos começar por falar das digievoluções de Izumi? Sobretudo da Fairymon? Esta não é a primeira vez nem será a última que temos o Digimon com o aspeto de uma mulher em trajes menores, claro que não. Quando falamos de Digimon “puros”, por norma não sou muito comichosa em relação a isso. Vocês estão à vontade para discordar, mas na minha opinião, em termos de progressão de maturidade, é difícil traçar paralelismos entre Digimon e humanos. Depende de muitos fatores, começando pelo universo: no universo de Adventure, é dado a entender que, regra geral, a maturidade avança com o nível de digievolução. A única exceção é Meicoomon, que de resto é um caso à parte em muitos aspetos.

 

Assim, até agora, os principais exemplos de sexualização não eram assim tão questionáveis. Tanto Tailmon como Renamon têm uma maturidade acima da média.

 

No entanto, no que toca a Izumi, estamos a falar de uma menina de onze anos no máximo essencialmente vestindo o corpo de uma mulher adulta. Uma mulher adulta usando lingerie. Nem sequer é um visual interessante: as fatiotas da Angewomon e da Rosemon ao menos são engraçadas. Além disso, é uma péssima indumentária para ir à luta, já que deixa todos os órgãos vitais desprotegidos. 

 

Tecnicamente já tinha acontecido o mesmo com Ruki em Tamers, mas, em primeiro lugar, Sakuyamon foi muito menos sexualizada (o único caso mais questionável foi aquela ocasião em que deixou cair a armadura). Em segundo lugar, era a fusão de Ruki e Renamon: quem determina onde acaba uma e começa a outra?

 

Com Izumi é menos ambíguo. Tecnicamente esta estará a ser possuída por uma entidade externa, como vimos antes, mas fica bem claro que é ela quem controla o corpo e toma as decisões. Uma criança. 

 

Se mesmo assim precisássemos de mais argumentos, basta referirmos as infames cenas imaginárias do episódio 15. Estamos a falar de uma menina de onze anos, uma criança. Nem sequer uma adolescente pós-puberdade, uma criança. Nojento!

 

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Eu até poderia tolerar (bem… mais ou menos) este tratamento se, adicionalmente, não tivessem tornado a personagem tão incompentente, a pior do grupo. 

 

Começando logo pelo quarto episódio. Izumi encontra o seu Espírito Humano, como todos os outros, digievolui e tal. No entanto, não vence o combate – tem de vir Kouji vencer a luta por ela e capturar o DigiCódigo. Na estreia de uma digievolução! Uma ocasião em que, nalguns casos, os digiguionistas forçam as circunstâncias de modo a dar ao miúdo em questão o seu momento de glória (como, por exemplo, no episódio 26 de Adventure. O Vandemon ataca o grupo mas aquele é o episódio de Sora, logo, só deu Garudamon – apesar de nesta altura já três dos miúdos tinham desbloqueado formas Perfeitas). Izumi não tem direito nem a essa pequena cortesia. 

 

E infelizmente este episódio dá uma boa indicação do tratamento que a jovem recebe no resto da temporada. 

 

Izumi apenas se destaca pela positiva em dois aspetos. Em primeiro lugar, por ser a única com um controlo perfeito sobre a sua forma Animal. Sempre é alguma coisa, mas eu suspeito que isso se deva, pelo menos em parte, ao facto de a Shutumon ter características mais Humanas que a maior parte das formas Animais. Parece mais um Espírito Híbrido na verdade.

 

Já que falo nosso, descobri há pouco tempo que existem formas Híbridas para as outras linhas que não a do Agnimon e do Wolfmon. Por final, Jet Silphymon, a forma Híbrida da Fairymon, é muito fixe. Aproveito para dizer que deviam ter deixado Izumi, Junpei e os outros desbloquearem as formas Híbridas durante o arco do Sephirotmon. 

 

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E com isto desviei-me ligeiramente. Regressemos a Izumi. O segundo único momento positivo da jovem é quando derrota Ranamon sozinha. Não é um feito menor – Tomoki não se pode gabar de ter feito um Guerreiro Lendário regredir até ao estado de DigiOvo. 

 

Mas mesmo a rivalidade entre Ranamon e Izumi tem os seus problemas. Como referimos antes, Ranamon define-se pela sua beleza e implica com Izumi sobretudo porque acha que a jovem é mais bonita do que ela – uma opinião que é reforçada por terceiros como os Toucanmon, que a certa altura Ranamon recruta mas que trocam de lado quando descobrem que a forma Animal dela, Calamaramon, é “feia”. É daqueles tropos misóginos tão velhos como o tempo mas que deviam ser enterrados de vez.

 

Aquando destas duas vitórias, Izumi debita clichés de girl power – como se isso nos fizesse esquecer a forma como a jovem é tratada no resto da história. Além disso, por muito que tenha a apontar ao tratamento recebido por outras personagens femininas antes de Izumi, nunca faltaram momentos fortes com elas. Seja Shaochung recusando-se a deixar Lopmon ou Ai reconhecendo os seus erros com Impmon. Para não falar de outros mais óbvios, como Sora cuidando dos amigos às escondidas, Mimi procurando maneiras menos violentas de salvar o Mundo Digital, Hikari finalmente fazendo frente ao irmão, Miyako puxando Hikari para a luz, Meiko lutando por Meicoomon, Ruki… sempre que aparece no ecrã, Juri… sempre que aparece no ecrã. 

 

Nenhuma delas precisou de justificar estes momentos dizendo que foi porque as mulheres são isto ou aquilo. Elas limitaram-se a ser elas mesmas. 

 

À parte isto tudo, Izumi como personagem até tem algumas premissas interessantes. Como o facto de ser filha de emigrantes em Itália. Na versão original, os ataques de Fairymon são em italiano. Tenho pena que a dosagem portuguesa não tenha mantido esse pormenor. 

 

Izumi é também outra personagem com dificuldade em fazer amizades. Sente necessidade de companhia, mas não se quer esforçar por se integrar num grupo e socializar – o que é muito eu. 

 

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No entanto, isto é uma coisa que Izumi diz, não tanto uma coisa que ela faz. Tirando alguma fricção natural nos primeiros episódios, Izumi encaixa-se relativamente bem no grupo, não exibe comportamento anti-social nem se separa de livre vontade do grupo. Não que isso não seja plausível – eu também sou introvertida, mas se fosse parar ao Mundo Digital também não quereria venturar-me sozinha, sobretudo se não tivesse companheiro Digimon. E pode ter sido o facto de Izumi ter sido obrigada a permanecer com o grupo que a tornou menos anti-social.

 

Ainda assim, Fronteira podia ter explorado melhor este aspeto. 

 

Outra coisa que não ajuda em relação a Izumi é o facto de ter havido “ship tease” com todos os outros elementos do elenco de heróis (tirando Tomoki – corrijam-se se estiver enganada!). O que nos leva a Junpei. 

 

Este é o único no elenco de heróis de quem não gosto. Não sou grande fã de Izumi mas, como referi acima, não é tanto por culpa dela. É mais pela maneira como a narrativa a trata. De Junpei não gosto mesmo pela sua personalidade.

 

Nomeadamente o facto de metade da sua caracterização (ou talvez mais) se centrar no fraquinho que nutre por Izumi – o que só reforça o papel dela na história como enfeite, mero objeto de desejo. Admito que é daqueles tropos que, em miúda, não me incomodava e às vezes até achava piada – como o Brock da franquia concorrente – mas que envelheceu muito mal. 

 

É certo que esta não é a primeira vez que temos personagens humanas apaixonando-se umas pelas outras em Digimon. Também não adoro a história entre Daisuke e Hikari em 02, mas tolero-a muito melhor: é apenas uma faceta na caracterização de Daisuke e, de qualquer forma, a paixoneta vai-se desvanecendo ao longo da temporada. Por sua vez, o fraquinho de Takato por Juri é importante para o enredo de Tamers, mas, em parte por ser mais tímido, Takato é muito mais respeitador para com Juri.

 

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Com Junpei não há nada disso, infelizmente. Ele, aliás, só permanece no Mundo Digital para poder andar atrás de Izumi. Nem sequer tem a qualidade redentora de querer ser um herói e/ou proteger os amigos. Ele praticamente não tem qualidades redentoras, ponto. Mesmo alguns dos seus melhores momentos – como quando Izumi perde o seu espírito e Junpei advoga com o grupo para tentarem recuperá-lo – vêm, pelo menos em parte, com a segunda intenção de se tornar mais desejável aos olhos de Izumi. 

 

À parte isso, Junpei é outro anti-social. A cena dele é, como diz Pulver, confundir amigos com fãs, tentar comprar amizades com chocolates e truques de magia. O que denota alguns problemas de auto-estima: Junpei sentirá que ele mesmo não é suficiente para cativar os demais, que precisa de se tornar mais interessante e esforça-se demasiado. 

 

Uma vez mais, isto podia ter sido explorado de maneira interessante. Fronteira podia até ter feito um paralelismo entre ele e Izumi: ela não se quer esforçar para fazer amizades, Junpei esforça-se da maneira errada. Mas não acontece nada disso. Ele forma amizades dentro do grupo, sim – o que é credível, não me interpretem mal – mas isso aconteceria com qualquer um. A caracterização de Junpei não faz diferença. O único desenvolvimento de Junpei ao longo da história é tornar-se menos irritante.

 

Não tenho mais nada a dizer sobre ele. Por hoje ficamos por aqui. Só falta falarmos sobre mais um Escolhido e achei por bem deixar um texto inteiro só para ele. Estou ansiosa por escrevê-lo, na verdade, ele é um caso… interessante. 

 

Não garanto, no entanto, que esse seja o próximo texto aqui no blogue. No dia 17 de julho aqui o estaminé completa dez anos online e vou querer escrever sobre isso e publicá-lo nesse dia. 

 

Obrigada pela vossa visita e, já agora, feliz vigésimo-quinto aniversário de Digimon!

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