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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Música de 2017 #1

No fim de mais um ano, regressa o tradicional texto sobre a música que mais me marcou ao longo desse ano. Os moldes serão semelhantes ao texto do ano passado: nem todas as músicas foram lançadas este ano (embora não tenha faltado música nova dos meus artistas preferidos em 2017). Alguns dos itens desta lista dirão respeito a um artista ou banda em geral. Alguns dirão respeito a uma música, apenas.

 

No ano passado segui uma ordem mais ou menos cronológica. Não vou fazer o mesmo este ano, por razões que explicarei já de seguida. Assim, sem mais delongas, começamos por falar sobre…

 

  • Linkin Park

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...mais especificamente, sobre a morte de Chester Bennigton. É incontornável, esta perda atingiu-me em cheio, fazendo com que 2017 – que já não estava a ser fácil, entre os incêndios, os atentados terroristas, Donald Trump como presidente, entre outras coisas – não tenha sido um bom ano. Quase todos os itens desta lista irão fazer referência, de uma forma ou de outra, ao que aconteceu ao Chester – como poderão ver de seguida

 

Já se passaram mais de cinco meses, mas ainda dói. Tive oportunidade de explicar porquê há pouco tempo, no Quora. Ainda não consigo aceitar, não acho justo. Ele era amado por milhões, salvou a vida a muitos de nós. Nos concertos a que fui, éramos oitenta ou noventa mil cantando em coro com ele. E não fomos capazes de falar mais alto, cantar mais alto, que as vozes na sua cabeça.

 

Isto não tem tido uma progressão linear, tenho tido alturas piores do que outras. Um dos períodos mais difíceis para mim ocorreu depois do concerto de homenagem a Chester, no Hollywood Bowl.

 

  

Mike Shinoda disse, há uns tempos (não consigo encontrar a fonte) que, para além de homenagear Chester e de “obrigar” a banda a regressar aos palcos, este concerto seria um funeral para os fãs. Algo que nos ajudasse a mentalizarmo-nos de que o Chester morreu mesmo e não vai voltar.

 

Bem, comigo resultou. Acho que fez com que passasse da fase de negação/negociação à fase de depressão e andei em desânimo durante semanas. Agora estou melhor, mas não posso dizer ainda que tenha aceitado a morte dele.

 

O concerto em si foi muito bonito. Nesse dia, acordei a meio da noite para vê-lo em direto, no YouTube. Deu para ver que a banda continuava em forma. O Mike, então, continuava a ser o Mike que todos conhecemos e adoramos – ainda que desse para ver que aquilo não estava a ser fácil para ele. Sobretudo quando apresentou Looking For an Answer, a canção que compôs no rescaldo da morte do Chester.

 

 

Apesar de ver que os Linkin Park continuam a ser os Linkin Park e que o Chester continua com eles em espírito… também dava para ver que o Chester não estava lá. Nenhum dos convidados tinha a mesma química com Mike e o resto da banda. Um bom exemplo disso foi Machine Gun Kelly, o convidado em Papercut – fez-me imensa confusão porque aquele tipo era uma cabeça mais alto que o Mike, quando o Chester tinha mais ou menos a mesma altura. Aquele tipo não se encaixava, quase literalmente.

 

É por estas e por outras que eu preferia que os Linkin Park continuassem com cinco membros (Mike promovido a vocalista principal), com o ocasional dueto ou vocalista convidado. O Chester nunca poderá ser substituído – acho que toda a gente concorda com isso. No entanto, na minha opinião, a banda ainda tem muito para dar.

 

Dito isto, repito o que disse antes: continuarei a apoiar os Linkin Park, independentemente do que decidirem.

 

As semanas que se seguiram ao concerto podem não ter sido fáceis para mim, mas ao menos, depois dele, fui capaz de voltar a ouvir a música dos Linkin Park normalmente… Isto é, dentro do possível.  Poucos meses antes de o Chester morrer, tinha comprado os CDs físicos de Hybrid Theory e Meteora (apesar de já os ter em formato digital) para ouvir no carro e, eventualmente, escrever sobre eles. Hei de fazê-lo, a médio/longo prazo, mas não sem escrever sobre One More Light primeiro. Não vai ser fácil, porque a morte do Chester afetou a maneira como oiço este álbum… mas é (mais) uma barreira que tenho de ultrapassar.

 

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Havemos de ficar bem. Eu, a banda, os fãs. Tenho de acreditar nisso: que um dia deixará de custar tanto, que um dia conseguirei ver vídeos como este sem ficar com vontade de chorar. Talvez com o tempo…

 

  • Oasis – Don’t Look Back in Anger

 

  

Fiquei a conhecer esta canção depois do atentado terrorista em Manchester, no concerto de Adriana Grande. Numa das homenagens às vítimas, após o tradicional momento de silêncio, uma mulher começou a cantar Don’t Look Back in Anger, dos Oasis (que, por sinal, são nativos de Manchester). O resto da multidão juntou-se a ela. A canção tornou-se, assim, num símbolo da resistência e solidariedade do povo de Manchester perante o terrorismo.

 

Dias mais tarde, os Coldplay interpretariam a canção no concerto One Love Manchester.

 

Queria falar rapidamente sobre estes concertos solidários. Não é preciso ler muito deste blogue para se descobrir que adoro música. Adoro o seu poder para emocionar, para consolar, para unir, para curar. Concertos ao vivo são a celebração mais pura disso.

 

Como tal, é claro que aprovo que esse poder tenha sido colocado ao serviço de quem mais precisa. Não só das vítimas dos atentados em Manchester, como também das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande.

 

  

Tal como aconteceria mais tarde com os Linkin Park, no Hollywood Bowl, via-se que estava a ser difícil à Ariana estar de volta ao palco – depois do que acontecera da última vez que lá estivera. A música dela não me aquece nem arrefece, mas qualquer um com sentimentos sentiria a dor dela. Eu então, que adoro concertos, achei este atentado particularmente cruel – mas era esse o objetivo.

 

Como tal, foi muito bonito ver os artistas todos em palco, consolando Ariana, mostrando que a música é mais forte que o terror. A própria Ariana disse: “O amor e a união que estamos a demonstrar é o remédio de que o mundo precisa neste momento.”

 

Continua a ser verdade, mesmo passados estes meses todos.

 

  

Nessa linha, outra música que me marcou este ano (embora não tanto como outras desta lista) foi Don’t Dream It’s Over, dos Crowded House. Também foi cantada no concerto – pela Ariana e por Miley Cyrus. Neste contexto, os versos seguintes levam-me lágrimas aos olhos: “They come they come to build a wall between us. You know they won’t win.”

 

Mas regressemos a Don’t Look Back in Anger – que ganhou novos significados para mim para além deste. Mais de vinte anos depois de lançar a música, Noel Gallangher continua a dizer que não sabe ao certo o que a música significa, que nem sequer sabe quem é a Sally, referida no refrão.

 

Por outro lado, noutra entrevista, chegou a dizer que a mensagem da música aconselha o ouvinte a não viver preso ao passado, a não guardar ressentimentos. Ele mesmo pôs essa filosofia em prática há pouco tempo, por sinal, ao fazer as pazes com o seu irmão e também membro dos Oasis, Liam.

 

Segundo as anotações no Genius, a letra de Don’t Look Back in Anger é uma manta de retalhos em termos de referências e significados. Os versos “So I’ll start a revolution from my bed”, por exemplo, são uma referência aos bed-ins pela paz de John Lennon e Yoko Ono, em 1969. Por outro lado, os versos “Stand up beside the fireplace, take that look from off your face” são uma alusão às fotografias de Natal que a mãe dos irmãos Gallangher lhes tirava, junto à lareira. Eles, como quaisquer miúdos, faziam caretas, daí o “take that look from your face”.

 

  

A vantagem de músicas como esta, com significados vagos e/ou desconjuntados, é podermos dar as interpretações que quisermos. É o que acontece com muitas das minhas canções preferidas.

 

Desse modo, tenho-me fartado de projetar coisas na letra de Don’t Look Back in Anger. Em 1995/1996, quando esta música terá sido composta, revoluções a partir da cama só mesmo bed-ins. Agora, no entanto, na era das internetes, das redes sociais, é mais do que possível criar revoluções sem deixarmos os lençóis – basta pegarmos num portátil ou num smartphone.

 

Não que todas essas revoluções online tenham propósitos tão nobres como a paz – demasiadas vezes é o extremo oposto.

 

Os primeiros versos de cada estrofe (“Slip inside the eye of your mind, don’t you know you might find a new place to play”; “Take me to the place where you go, where nobody knows if it’s night or day”)  fazem-me pensar em escapismo e introspeção – uma coisa que faço muito.

 

  

Por outro lado, os versos “Please don’t put your life in the hands of a rock’n’roll band who’ll throw it all away” tocaram-me em particular nas semanas que se seguiram à morte do Chester. Eu, que talvez me tivesse afeiçoado demasiado a uma banda de rock e, agora, estava a sofrer com a morte de um dos membros.

 

Depois do concerto no Hollywood Bowl, no entanto, acho que a minha vida podia estar em piores mãos que as dos Linkin Park.

 

Para além destas mensagens todas, há que assinalar que a musicalidade de Don’t Look Back in Anger ajuda muito: abrindo com notas de piano que recordam Imagine, de John Lennon, seguindo com guitarras e um refrão que dá vontade de cantar. Como fez com aquelas pessoas no memorial, levando a isto tudo. Quando é assim, é muito fácil uma canção tornar-se imortal.

 

  • Lady Gaga – Million Reasons

 

  

Esta é uma descoberta mais recente do que a maior parte das canções desta lista. Nunca fui grande fã de Lady Gaga, mas ouvi Million Reasons na rádio e gostei – tanto da parte musical como da letra.

 

Não que a sonoridade seja particularmente original – uma balada guiada pelo piano e pela guitarra acústica – mas funciona bem. E não deixa de ser refrescante, numa altura em que os instrumentos a sério estão em vias de extinção.

 

Por outro lado, cinco estrelas para o desempenho vocal de Lady Gaga. Porque é que não me avisaram mais cedo que a mulher tinha este vozeirão?

 

  

De qualquer forma, na minha opinião, a força de Million Reasons está na letra. A sua mensagem é simples, bem resumida pelos versos “I’ve got a hundred million reasons to walk away, but baby I just need a good one to stay”. Se formos a ver, é essencialmente a mensagem de Last Hope, a grande balada do Self-Titled dos Paramore. Esta última, no entanto, é uma das músicas da minha vida por algum motivo – é uma mensagem que preciso de ouvir de vez em quando. 2017 deu-nos milhões de razões para virarmos costas ao mundo, à Humanidade, a tudo. Mas eu esforço-me por arranjar motivos, por pequenos que sejam, para seguir em frente.

 

Havemos de regressar a esse tema mais adiante. Para já, falemos de uma canção que talvez não esperassem ver nesta lista.

 

  • Matias Damásio (ft. Héber Marques) – Loucos

 

  

Esta música não faz o género do que costumo ouvir. Ainda menos sobre o qual costumo escrever. Não que não goste de kizomba. Gosto o suficiente para não mudar de estação se, por acaso, apanhar uma música na rádio, mas não o suficiente para as adicionar às minhas playlists.

 

Loucos, de Matias Damásio e Héber e Marques, conseguiu cativar-me, no entanto, depois de apanhá-la várias vezes na rádio – e sobretudo depois de Matias Damásio a ter cantado no concerto Juntos Por Todos.

 

Loucos é uma canção de amor que está longe de ser pioneira ou inovadora. Reflete os momentos iniciais de um novo romance, a fase de lua-de-mel, em que tudo é novo e excitante, em que julgamos estar a viver uma épica história de amor. Todas as músicas que passam na rádio são sobre nós, o próprio Universo ajoelha-se perante o nosso amor, os simples mortais não compreendem e/ou têm inveja de nós.

 

É uma música ingénua, chega a ser um bocadinho lamechas… mas foi por isso mesmo que me cativou. Num ano tão complicado como este foi, em que uma boa parte da música que oiço reflete isso e/ou é bastante cínica (sobretudo Lorde e Paramore), a inocência de Loucos acabou por ser um bom contraste, um bom antídoto.

 

  

Serviu mesmo de consolo, em certas alturas. Como por exemplo, aquando do concerto no Hollywood Bowl, pelo Chester. Eu tinha conseguido ver a transmissão em direto do mesmo sem chorar. No entanto, na manhã seguinte, quando Loucos surgiu no Spotify, não aguentei.

 

É um bocadinho ridículo, eu sei. Esta canção está no extremo oposto do espectro relativamente à música dos Linkin Park. Mas talvez tenha sido por isso que teve este efeito.

 

Admito que, se as circunstâncias fossem diferentes, talvez esta música me tivesse passado ao lado. Não sei o que esta escolha diz de mim. Talvez diga que, no fundo, ainda tenho o coração romântico de uma menina de quinze anos. Talvez seja o meu subconsciente agarrando-se a esse lado romântico e idealista (mais sobre isso mais à frente).

 

Também é possível que o facto de o meu pai se irritar com esta música tenha ajudado. Um comportamento muito maduro, eu sei. Mas em minha defesa, ele passou uma boa parte de 2017 cantarolando o Despacito – exatamente como imaginam um pai cantando o Despacito. Eu tinha de me vingar de alguma maneira…

 

E com este pensamento concluímos a primeira parte deste texto. Regressem connosco amanhã, já em 2018! Boas entradas!

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