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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Mais pérolas escondidas de Bryan Adams

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Quando Bryan Adams atuou pela última vez em terras lusas, no final de 2019, compilei uma lista de músicas dele que mereciam mais atenção – tanta quanto os Summer of ‘69 desta vida. Só publiquei o texto uns meses depois dos concertos porque sou péssima a gerir o meu tempo. 

 

Agora, pouco mais de dois anos depois, Bryan está de volta a Portugal. Irá dar um concerto em Gondomar no dia 29 de janeiro e um em Lisboa, no dia 30 – é a esse que vou. Daqui a uns meses, no dia 15 de julho, Bryan atuará no Festival Marés Vivas. 

 

Eu pensava que tinha deixado a promessa de publicar uma sequela às “Pérolas escondidas” quando Bryan regressasse depois de 2019. No entanto, quando fui dar uma vista de olhos a esse texto, não encontro essa promessa em lado nenhum. 

 

Onde fui buscar essa ideia?

 

Passando à frente daquilo que eu espero que não sejam sintomas de demência, com promessa ou sem promessa, o regresso de Bryan é um bom pretexto para desenterrar mais algumas pérolas escondidas da sua discografia. Não tenho tantas como da última vez. As primeiras duas são apenas menções honrosas, aliás (opalas escondidas?). Mas não deixa de valer a pena trazê-las à luz.



 

  • Menções honrosas: I Still Miss You… a Little Bit e Hidin’ From Love

 

 

 

 

Eu na verdade já desenterrei I Still Miss You… a Little Bit há muito tempo, quando escrevi sobre o álbum Bare Bones. Este é um texto muito antigo, um dos primeiros que publiquei aqui – escrito uns meses antes de ter criado o blogue. 

 

Por norma, não gosto de reler nem de referir os meus primeiros textos. Já lá vão quase dez anos, mais ainda nalguns casos. Na minha opinião, a minha escrita melhorou significativamente desde essa altura e não consigo olhar para esses textos sem ter vontade de reescrever tudo (o texto sobre Bare Bones não está muito mau, apesar de tudo). Não os apago do blogue. Mesmo que hoje não esteja satisfeita com eles, foi por escrevê-los – esses e muitos outros – que cheguei ao nível em que estou agora. Mas não os promovo da maneira que faço com textos mais recentes. Assim, de seguida irei repetir algumas coisas de que já falei nessa análise.

 

Como era a norma em Bare Bones, os únicos instrumentos são o piano e a guitarra acústica – com as palmas do público marcando o ritmo. O tom é saltitante e divertido, o que condiz com a letra. Destaque para o momento em que Gary Breit, o pianista, se entusiasma durante o solo. 

 

A letra, então, descreve uma relação que falhou porque a amada não lhe conseguia ser fiel. Ao ponto de trazer outro homem para a cama com eles. 

 

Como já escrevi antes, para mim I Still Miss You… a Little Bit conta a história de What the Hell, de Avril Lavigne, do ponto de vista do homem. Até porque as músicas foram lançadas com poucos meses de intervalo. 

 

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Por outro lado, às vezes gosto de imaginar um videoclipe para esta música com Keith Scott – o guitarrista de Bryan – fazendo de rival amoroso do narrador. Keith aparecendo na cama com Bryan e a mulher… Seria hilariante.

 

Às vezes tenho saudades da era Bare Bones e tenho pena por não ter ido a nenhum concerto nesse conceito. Mas também em Portugal seria sempre difícil – eram em salas mais pequenas, os bilhetes esgotariam num abrir e fechar de olhos. 

 

Agora recuemos trinta anos, para o álbum de estreia de Bryan, homónimo. Como vimos antes, este álbum deixa muito a desejar. Tanto o próprio Bryan como Jim Vallance – o principal co-compositor de Bryan nos primeiros dez anos da sua carreira – concordam. Só gosto verdadeiramente de três músicas neste álbum – e Hidin’ From Love é a minha preferida.

 

A letra é algo vaga – o que não é invulgar com Bryan. Fala sobre um interesse romântico que não se quer comprometer, que não quer avançar na relação. Arranja desculpas, mas a verdade é que ela tem medo do amor, está a esconder-se dele.

 

Sinto-me atacada.

 

Num álbum que Bryan descreve como uma coleção de demos, Hidin’ From Love não é má em termos de instrumental. Eu pelo menos gosto da guitarra elétrica.

 

 

Ainda assim, existe outra versão da música. Em 2020, durante o confinamento, Bryan foi publicando vídeos de si mesmo cantando músicas suas. Regra geral, usava os instrumentais oficiais e cantava por cima deles.

 

Para Hidin’ From Love, no entanto, ele gravou um novo instrumental – porque claramente não estava satisfeito com a versão do álbum. E esta versão é de facto melhor, carregando mais nas influências rock de álbuns posteriores. Só é pena ter deixado o solo de guitarra original de fora.

 

Pergunto-me se ele planeia regravar todo o seu primeiro álbum neste estilo, um dia. Se calhar devia tê-lo feito em 2020, a propósito dos quarenta anos de edição.

 

Bem, ainda haverá o quinquagésimo aniversário.

 

 

  • Miss America

 

 

Uma vez mais, escrevo aqui sobre uma B-side do álbum 11. Este não é um mau álbum de todo, mas infelizmente dois dos meus melhores temas não estão incluídos na edição-padrão.

 

Ao contrário do que aconteceu com The Way of the World, só conheci Miss America mesmo quando saiu a versão Deluxe do álbum, algures em novembro de 2008. Infelizmente, parva como sou, perdi o CD, mas ao menos tanto Way of the World como Miss America estão disponíveis no Spotify. 

 

 

Nos primeiros meses após o lançamento dessa versão de 11, andei obcecada com Miss America. Lembro-me inclusivamente de ouvi-la todas as manhãs, na minha aparelhagem-despertador, enquanto fazia a cama. Tinha imensa vontade de lhe fazer uma montagem de vídeos – era o que eu fazia na altura – mas provavelmente nunca conseguiria colocá-la no YouTube, por causa dos direitos de autor.

 

Musicalmente, Miss America segue a fórmula de quase todo o álbum 11. A guitarra acústica no centro, bateria, piano e guitarra elétrica a acompanhar. Gosto imenso destes dois últimos instrumentos nesta música. 

 

Em termos de letra, é basicamente uma versão mais fofinha de Summer of ‘69. Miss America recorda com saudades um romance de verão entre dois adolescentes antes de a vida os separar. A letra inclui pormenores que dão carácter à música, a tornam credível: o facto de ela ser mais velha, de ele preferir vê-la de cabelo solto, de ambos passarem noites a olhar para as estrelas. 

 

A música não explica preto no branco porque é que o narrador se refere ao seu interesse romântico como Miss America ou Miss USA. Eu, no entanto, sempre assumi que era uma alcunha fofinha do narrador para a sua amada: para ele, ela era a mais bonita do país. 

 

Não é por acaso que a primeira vez que referi Miss America aqui no blogue tenha sido quando Avril Lavigne lançou 17. As duas canções são muito parecidas tematicamente. Ainda assim, dou a vantagem a 17. A letra está mais desenvolvida, mais pormenorizada, Avril verteu nela a sua própria personalidade, a sua própria história. 

 

Pena não ter voltado a fazê-lo no álbum seguinte, quando mais se justificava. 

 

E desviei-me um bocadinho. Miss America não deixa de ser uma linda música, uma verdadeira pérola escondida. Não deixem de ouvi-la.



 

  • The Best Was Yet to Come

 

 

 

The Best Was Yet to Come é a última faixa do alinhamento de Cuts Like a Knife, o terceiro álbum de Bryan. É a única balada no disco, à exceção da clássica Straight From the Heart.

 

Esta é muito semelhante a outras baladas dos anos 80 – sobretudo por ser conduzida pelo piano elétrico. Existe até uma história engraçada sobre isso, contada por Jim Vallance, co-compositor da música, no seu site. Na altura dos trabalhos de Cuts Like a Knife, pediram a Vallance que fizesse uma gravação do piano para que servisse de guia para outro tecladista. Assim, Vallance não se preocupou muito com o rigor da sua gravação. 

 

No entanto, mais tarde, Bryan decidiu usar essa gravação na versão final de The Best Was Yet to Come. Vallance entrou em pânico quando descobriu, mas na altura já era tarde demais. Ainda hoje, Vallance não consegue deixar de ouvir os erros na versão final. 

 

Tem piada porque nem eu, nem – penso – a maior parte dos ouvintes consegue ouvir os erros. Não há nada que soe fora de sítio pois não conhecemos a versão certa. Ao serem incluídas no álbum final, as notas erradas de Vallance passaram a ser as notas certas. 

 

Haverá uma lição de vida aqui, suponho eu. Haverão ocasiões em que o melhor é fingir que não se cometeram erros, que fazia tudo parte do plano. Se os outros não souberem o que era o correto, nunca saberão o que está errado.

 

A letra de The Best Was Yet to Come foi inspirada pela história trágica de Dorothy Stratten, assassinada pelo marido com apenas vinte anos, quando estava prestes a vingar-se em Hollywood. Um crime que ainda é discutido hoje, mais de quarenta anos depois. 

 

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Dorothy era de Coquitlam, uma cidade pequena do Canadá. Os americanos e os canadianos têm uma cena por este tropo: pessoas, geralmente mulheres, que vêm de uma terra pequena para as grandes cidades. Dorothy terá conhecido o futuro marido aos dezoito anos: um homem mais velho, um chulo, que lhe prometeu fazer dela uma estrela. 

 

Pode-se dizer que ele cumpriu a promessa, mas na verdade o que ele queria era explorar Dorothy, ganhar dinheiro à custa dela. Veja-se o facto de ele ter feito dela uma coelhinha da Playboy – apesar de, alegadamente, Dorothy não se sentir à vontade com a nudez e o eroticismo desse mundo. 

 

Ao menos permitiu à jovem dar o salto para a representação. Dorothy chegou a participar nalguns episódios televisivos e num par de comédias românticas. 

 

Gosto de pensar que, hoje em dia, se as pessoas vissem uma miúda da idade de Dorothy sendo seduzida por um homem mais velho, soariam alarmes. Sobretudo com eles casando-se, teria a jovem dezoito ou dezanove anos – as pessoas casavam-se assim tão cedo nos anos 70, 80?

 

Ainda assim, para sermos justos, várias pessoas do círculo de Dorothy ter-se-ão apercebido da relação abusiva. A jovem terá tentado fugir do marido várias vezes, ajudada por essas pessoas. Começou inclusivamente uma relação com Peter Bogdanovic, realizador de um dos filmes em que ela entrou. Por sinal, o senhor morreu no início deste ano. 

 

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Esta também me parece uma relação questionável. Bogdanovic tinha o dobro da idade de Dorothy na altura. Por outro lado, ele terá tratado melhor a jovem que a besta do marido. Depois da morte dela, Bogdanovic ter-se-á aproximado da família de Dorothy e tê-los-á ajudado a suportar a perda. Ao ponto de se ter casado com Louise, a irmã mais nova de Dorothy… quase trinta anos mais nova que Bogdanovic (Louise tinha vinte anos quando se casou).

 

Essa sim, ainda me parece mais questionável. Consta que deu polémica na altura e, para ser sincera, não os censuro. Dito isto… o casamento ainda durou doze anos e, mesmo depois do divórcio, tanto Louise como Bogdanovic continuaram a dar-se bem. Não há nada que indique que tenha havido abuso.

 

Suponho que existam nuances nestas coisas. Diferenças de idades não significam necessariamente relações abusivas.

 

Regressando a Dorothy, esta infelizmente foi assassinada pelo marido – que se matou de seguida. A jovem foi explorada e fetichizada tanto em vida como depois da morte – talvez ainda mais depois da morte – inspirando filmes, livros e canções. Não digo que todos esses trabalhos tenham sido explorações da tragédia dela… mas alguns terão sido. O canal de YouTube The Take tem um vídeo muito interessante sobre esta fetichização de vítimas de crimes.

 

The Best Was Yet to Come foi também uma exploração? Talvez. No entanto, a letra não refere o assassinato, nem sequer refere o marido. O carácter vago da letra joga a seu favor – duvido que o ouvinte casual saiba de que fala a música. The Best Was Yet to Come foca-se sobretudo na vida que se perdeu, nos sonhos que ficaram por realizar. 

 

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É daí que vem o título, aliás. O melhor ainda estava para vir.

 

Não se percebe muito bem a quem é dirigida a letra de The Best Was Yet to Come. Existem partes que parecem referir-se a Dorothy – "You had it there and it slipped away, oh you left the song unsung" – e outras que parecem dirigir-se aos seus entes queridos, a eventuais sentimentos de culpa que poderão nutrir – "You can cry yourself to sleep at night, you can't change the things you've done". Falta alguma consistência nesse aspecto. 

 

De qualquer forma, a frase mais dolorosa é mesmo a última: "What 's so good about goodbye when the best was yet to come?“. 

 

Consta que, anos depois da edição de Cuts Like a Knife, Peter Bogdanovic cruzou-se com Bryan e com Vallance e agradeceu-lhes por The Best Was Yet to Come. Segundo ele, a música foi um grande consolo para a família de Dorothy. The Best Was Yet to Come pode ter sido mais um trabalho explorando uma coisa horrível que aconteceu a uma jovem mulher, mas fê-lo com respeito e consideração. 

 

É uma música linda, mas mesmo muito triste. Recomendo-a a quem não a conheça, mas não é para pedir num concerto. 

 

A próxima música é mais alegre, prometo. 

 

 

  • I Will Always Return

 

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Já me fartei de escrever sobre a banda sonora do filme Spirit Stallion of the Cimarron neste blogue, sobretudo nos seus primeiros anos. É um dos meus álbuns preferidos de todos os tempos, o disco que me apresentou a Bryan Adams, cheio de pérolas escondidas – incluindo a minha canção preferida

 

É possível que tenha um viés por ter conhecido este álbum num período particularmente formativo, como expliquei no texto sobre Here I Am. Por outro lado… outro dos responsáveis pela banda sonora é Hans Zimmer! Não é por acaso que o homem é considerado uma lenda no que toca a bandas sonoras. 

 

Em Spirit em particular, o protagonista não fala fisicamente – e a narração de Matt Damon é escassa. A música conta uma grande parte da história.

 

Custa a acreditar que este álbum e este filme vão fazer vinte anos.

 

I Will Always Return era uma das poucas faixas neste álbum sobre as quais me faltava escrever. Isto é, tirando as faixas exclusivamente instrumentais. Depois desta, sobram You Can’t Take Me, Get Off My Back e Brothers Under the Sun. Não está nos meus planos escrever sobre elas… mas não vou dizer “nunca”.

 

 

I Will Always Return é a música principal da banda sonora de Spirit. Representa o… bem, o espírito do filme, a principal motivação do protagonista: regressar a casa.

 

No álbum, a primeira versão da música que aparece é um tema soft rock, guiado pela guitarra acústica. Não muito diferente do estilo habitual de Bryan – encaixaria bem em On A Day Like Today. Inclui inclusivamente Robert “Mutt” Lange nos créditos de composição – um colaborador regular de Bryan na altura. A mensagem da letra é essencialmente a mesma das versões da banda sonora, mas com um maior foco no romance.

 

Imagino que esta versão tenha sido gravada para, eventualmente, ser lançada como single nas rádios. Mais uma canção de amor de Bryan Adams. No entanto, Here I Am acabou por ser o single principal do álbum.

 

Não que me queixe.

 

Eu gosto desta versão. Tive um período (quando tinha dezasseis ou dezassete anos, penso eu) em que andava obcecada com ela. No entanto, hoje acho que as versões da banda sonora são melhores. O próprio Bryan parece concordar, como veremos já de seguida.

 

A versão seguinte de I Will Always Return no álbum chama-se oficialmente This Is Where I Belong. No filme esta soa ainda no início, logo depois de Here I Am. Existe algo no seu instrumental que me faz pensar em cavalos a galope. Em comparação com outras versões, esta tem um carácter sereno e reconfortante, o que condiz com a letra. This Is Where I Belong diz-nos tudo o que precisamos de saber sobre o protagonista, Spirit: ele adora a terra onde nasceu e cresceu.

 

 

Naturalmente, logo a seguir, Spirit é arrancado dela. 

 

Saltando algumas faixas no álbum, damos com Homeland. É a música de abertura do filme, sobre a qual ouvimos o primeiro monólogo de Matt Damon. No fundo é o instrumental da versão final de I Will Always Return, centrada na mesma melodia, ainda que com algumas diferenças. Eu pelo menos sempre a usei para fazer karaoke, ainda que tenha de cantar a primeira estância duas vezes.

 

Eu pura e simplesmente adoro esta instrumentação, estas melodias, aquele piano. Talvez seja o meu viés a falar, mas para mim isto é perfeição musical. Don’t @ me.

 

Gostaria de destacar a sequência final, aquele momento mais eufórico – coincidente com a primeira vez que surgem cavalos no ecrã. É muito semelhante à peça instrumental que soa muito mais à frente, no clímax do filme: o momento em que Spirit salta sobre o precipício para fugir aos soldados. Um momento de exultação, de júbilo. O equivalente musical, mesmo cinemático, ao golo do Éder (salta daí, caralho!). 

 

A versão final de I Will Always Return é igualmente exultante, triunfal – pois soa quando Spirit regressa finalmente a casa. Pode ser semelhante a This Is Where I Belong em termos melódicos, mas o carácter é completamente diferente. TIWIB é serena, IWAR é música de vitória. A interpretação de Bryan começa suave, mas vai ganhando intensidade. Destaque para os agudos, sobretudo na última estância

 

 

Eu não consigo resistir a esta música, sobretudo à parte final. Emociono-me de todas as vezes. É a melhor versão de I Will Always Return e encontra-se facilmente no meu top 10 de músicas de Bryan.

 

Deverá ser por isso que Bryan optou por recriar essa versão – em vez da versão soft rock de que falámos antes – quando tocou I Will Always Return ao vivo nalguns concertos em 2019. Lançou mesmo o áudio dessas apresentações nas plataformas digitais.

 

Esta é aquilo a que gosto de chamar uma versão Bare Bones: apenas piano e guitarra acústica. Guitarra é como quem diz… só a refiro porque Bryan aparece em palco com uma. Na prática mal se ouve.

 

O que em nada diminui a beleza da música. É uma versão reduzida aos melhores instrumentos da versão da banda sonora: o piano e a voz. Continuo a preferir a instrumentação completa, mas I Will Always Return é daquelas músicas que soam bem de qualquer forma.

 

Bryan publicou também uma versão da música em francês: Je Reviendrai Vers Toi. Na preparação deste texto descobri que Bryan também canta na dobragem francesa de Spirit. Já fui dar uma audição e descobri que gosto imenso de Me voilà, a versão francesa de Here I Am – o que é irónico, sendo esta uma canção que associo à Seleção Portuguesa

 

Pois bem, já pedi I Will Always Return para o concerto de domingo, bem como Here I Am. Deixei um comentário numa publicação do Instagram quase duas semanas antes do concerto. Talvez tenha sido demasiado cedo, mas ele falava já nos concertos cá em Portugal e em Espanha… 

 

 

Não será o fim do mundo se Bryan não a tocar, claro que não, mas seria especial se ele o fizesse. Em parte para pagar uma dívida ao meu eu de treze anos, que esperava mais músicas da banda sonora de Spirit no concerto de 2003. 

 

Mas também porque é a música perfeita para celebrar o regresso de Bryan a Portugal e aos palcos depois da pandemia. Nós os fãs somos a casa dele –  e os fãs portugueses são um bocadinho mais do que os outros. Foi duro estarmos separados, tanto para nós como para ele, mas agora estaremos juntos de novo, depois destes dois anos tão difíceis. Como reza I Will Always Return:

 

And now I know it’s true

My every road leads to you

And in the hour of darkness

Your light gets me through!”



E é com esta nota que nos despedimos por hoje. À hora desta publicação ainda não tenho cem por cento de certeza de que os concertos deste fim de semana não serão cancelados. Cá em Portugal não estamos com restrições muito duras. No entanto, bandas como os Måneskin e Bring Me the Horizon cancelaram as suas digressões europeias porque a Europa está demasiado heterogénea em termos de medidas de controlo da pandemia. E eu fiquei com medo.

 

Por outro lado, Bryan tem estado em Madrid na última semana, semana e meia a preparar estes concertos. A digressão vai começar aqui na Península Ibérica, onde as restrições estão mais leves. Mesmo que tenham de cancelar concertos posteriores… bem, eles já estão aqui ao lado. E acho pouco provável que, daqui até ao fim de semana, eles decidam apertar as restrições cá em Portugal. 

 

Em princípio irá mesmo para a frente. Teremos de usar máscara, o que vai chatear um bocadinho, mas paciência. Eu faria sacrifícios bem piores só para poder voltar a concertos como este. 

 

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Se tiverem bilhetes para Lisboa ou para Gondomar, espero que se divirtam muito – com segurança. Vai valer a pena. Obrigada pela vossa visita.

Músicas Ao Calhas - Naked e similares

Já faz algum tempo desde a última vez que falei de um tema de Avril Lavigne numa entrada de Músicas ao Calhas. Hoje quero falar daquela que tem sido, de maneira constante desde as primeiras audições, uma das minhas músicas preferidas da cantautora canadiana - mas cujo significado demorei alguns anos a compreender. E tal como fiz com Innocence e Nobody's Home, falarei também de músicas que abordam temas semelhantes.
 

 
"You see right through me and I can't hide"
 
Naked é uma balada rock, proveniente do primeiro álbum de Avril Lavigne, Let Go. Começa com notas de órgão - que se tornam a marca da música - seguida da guitarra acústica que a conduz. Depressa se juntam a bateria e a guitarra elétrica, no refrão. A terceira parte da música é indubitavelmente a melhor, a mais emocionante, com os vários instrumentos soltando-se e os vocais extremamente expressivos de Avril, terminando apenas com a voz dela e a guitarra acústica. Referir, rapidamente, que nas versões ao vivo, acrescentava-se um solo de guitarra, que também fica muito bem.
 
A letra de Naked fala de intimidade, da liberdade de se ser quem verdadeiramente é junto da pessoa que se ama. Fala de aceitação, de ausência de segredos, de muros. De uma nudez em termos emocionais, em suma. No entanto, também é legítimo atribuir um carácter sexual à letra. Na minha opinião, ele existe, mas de uma maneira muito romântica. No fundo, em Naked há uma mistura única de romantismo, intimidade, inocência e erotismo, revelando-se uma canção muito emotiva e surpreendentemente madura, se tivermos em conta que a Avril a terá composto quando tinha dezasseis ou dezassete anos.
 
A interpretação vocal da cantautora transmite bem esse carácter híbrido da música. A voz dela em todo o álbum Let Go, de resto, é a minha preferida de todos os discos dela até ao momento. No seu álbum de estreia, esta surge muito pura, com nuances que nunca mais conseguiu repetir. Tal voz funciona muito bem em Naked. Regressando à terceira parte da música, gosto muito dos yeah-yeah-yeah, dos through que se prolongam com os backvocals por detrás mas, sobretudo, aquele baby mesmo no final, extremamente expressivo e perfeito.


Existe uma versão demo da música, naturalmente com menos qualidade que a versão final, incluída no álbum. Esta possui, no entanto, algo que, na minha opinião, ficou a faltar na versão do disco: uma secção de violinos - embora estes estejam presentes na versão instrumental da música. Em termos de interpretação vocal, fazem falta vários elementos, como os yeah-yeah-yeah e o baby no fim. De uma maneira geral, a interpretação está bem melhor na versão definitiva. No entanto, vale a pena ouvir este demo, tanto pela curiosidade como pelo instrumental.

Entre as músicas com temas similares a Naked que escolhi para esta entrada, encontram-se dois temas de Bryan Adams. Um deles é She's Got A Way.



"Such a mystery, how she seems to know, every part of me"
 
She's Got a Way faz parte de 11, o último álbum de estúdio do cantautor canadiano, sendo uma das minhas canções preferidas deste disco. A letra fala de alguém com quem não é possível mentir ou fingir, que nos conhece demasiado bem e nos deixa completamente desarmados. Esta canção tem versões diferentes - uma com mais guitarra elétrica e um remix, por Chicane (que já tinha feito a sua versão de Cloud Number Nine) - mas só gosto da que vem no álbum original. A do vídeo acima é muito semelhante. A sonoridade está de acordo com o próprio conceito do álbum: guitarras discretas, com solos que funcionam como segunda voz, piano, bateria suave. E a interpretação de Bryan, suave, terna como só ele sabe fazer, combina perfeitamente com a letra.
 

"I wanna know you like I know myself"

A segunda canção de Bryan Adams deste grupo é Inside Out, do álbum On a Day Like Today - embora a tenha ouvido pela primeira vez na compilação The Best of Me, há já onze anos. Esta tem uma sonoridade grave e intimista, proporcionada por notas de órgão, baixo, guitarra elétrica. A letra que expressa a vontade de saber tudo sobre a amada, conhecê-la a fundo, ser íntimo dela. Sempre considerei Inside Out uma música extremamente tocante, ao ponto de, durante os primeiros anos, me fazer frequentemente chorar quando a ouvia - não sei bem explicar porquê.

 
"You see all my light, 
And you love my dark"

 Passemos agora a Everything, uma das primeiras canções que conheci de Alanis Morissette, há dez anos. Já afirmei anteriormente que o carácter que Alanis expressa na sua música - personalidade forte, politicamente incorreta, terra-a-terra sem deixar de ter uma faceta espiritual - me recorda a minha personagem principal feminina, Bia. Everything vai nessa linha, pela maneira como a narradora descreve, sem pudores nem eufemismos, todos os seus defeitos e virtudes e a maneira como o seu amado está ciente de tudo isso e, em vez de a criticar ou de se afastar, ainda a ama mais por isso. Quanto à sonoridade, não há muito a dizer: é o típico rock ligeiro de Alanis.


"But no one in this world knows me the way you know me
So you'll porbably always have a spell on me..."

A última música de que quero falar nesta entrada é Hate that I Love You, de Rihanna e Ne-Yo. Não sou fã desta cantora, gosto de meia dúzia de singles dela - que não é ela a compôr - e detesto uns quantos outros. Hate that I Love You é, provavelmente, a minha favorita dela. Em termos de sonoridade, é uma típica balada R&B, guiada pela guitarra acústica, ritmada por batidas, bastante agradável e adequada à temática da canção. Em termos de interpretação vocal, nada a assinalar. Posso não ter grande opinião acerca de Rihanna e da sua carreira, mas ela canta bem. A letra é mais profunda que a maioria das canções de Rihanna. Fala sobre alguém que nos conhece a fundo e que amamos, talvez contra vontade, ao ponto de ficarmos completamente à mercê dessa pessoa e vermos isso usado contra nós.

Todas estas canções, à sua maneira, mostram que amar implica sinceridade, baixar as defesas, permitirmo-nos ser vulneráveis, abandonarmo-nos em mãos alheias, correndo o risco de sairmos magoados. Pode ser uma maldição, pode mudar-nos mais do que desejaríamos, para melhor ou para pior. Isto é um dos motivos pelos quais, tal como afirmei anteriormente, apesar da minha costela romântica, me sinto tão relutante em apaixonar-me a sério. Não consigo imaginar-me expondo-me dessa maneira perante qualquer um... ou qualquer uma. No entanto, a ver se mantenho essa convicção se ou quando cair nessa armadilha.

 

O meu interesse pela carreira de Avril Lavigne já não é o que era há uns anos, por diversos motivos. Por o seu mais recente álbum não me ter entusiasmado por aí além e por, neste momento, andar mais interessada noutros artistas. Poucas notícias relevantes têm surgido sobre a Avril, este ano. A cantautora esteve em digressão pela Ásia, nos últimos meses mas, pelo que tenho visto em fotografias e vídeos do YouTube - o que não é muito, admito - o conceito tem sido muito semelhante ao da digressão anterior, The Black Star Tour. Pior do que tudo, anda a faltar-lhe presença em palco. Tal lacuna tem-se tornado mais evidente para mim agora, que estou mais familiarizada com o desempenho em palco de artistas como Hayley Williams dos Paramore, Mike e Chester dos Linkin Park, e Sharon dos Within Temptation.

Por outro lado, os próximos singles do seu álbum homónimo foram anunciados recentemente. Em primeiro lugar, Hello Kitty será lançada na Ásia, uma jogada que considero inteligente. A música é, por várias razões, perfeita para o mercado asiático - noutros mercados, contudo, o resultado seria demasiado imprevisível. Esta acaba por ser a solução ideal: por um lado, eu não queria, de todo, ter Hello Kitty como single. Por outro, não podia deixar de reconhecer que a canção tem um certo potencial que não seria sensato desperdiçar. Com esta decisão, toda a gente ganha.

Mas ainda quero ver o que fazem com o videoclipe. Estou com um bocadinho de medo...

Entretanto, Avril anunciou, também, que Give You What You Like será lançada como single a nível mundial. Já se especulava há algumas semanas que a escolha para o quarto single, sem ser Hello Kitty, seria entre Bad Girl e esta música. Mais uma vez, fiquei contente com a decisão tomada. Apesar de gostar muito de Bad Girl, para a rádio esta seria demasiado agressiva e... explícita. Give You What You Like é bem mais adequada, na minha opinião. É uma das melhores do quinto álbum, tanto em termos musicais como de letra, uma das mais amadurecidas.

É, aliás, interessante compararmos Naked com Give You What You Like: uma das músicas mais antigas com uma das mais recentes, duas canções que abordam temas parecidos mas de maneiras bem distintas.

Por muito de goste de várias músicas do álbum Avril Lavigne, canções anteriores a esse disco são bem mais marcantes. Em particular as mais clássicas, como Naked, as que me fizeram apaixonar por Avril e que continuam a ter o mesmo impacto de sempre. Ou mesmo maior pois, à medida que vou amadurecendo, conhecendo música nova, vou ficando cada vez mais ciente da genialidade destes primeiros temas, descobrindo outros motivos para adorá-los. É por isso, também, que ainda não desisto de Avril Lavigne - por ainda ter a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, torne a lançar músicas que me surpreendam pela positiva.

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