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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Digimon Tamers #7 – Moumantai!

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Devo avisar desde já que, dos três protagonistas de Tamers, Jianliang (Jian para os amigos) é o qe menos me diz. Não que não goste dele, apenas gosto mais dos outros dois. É dos três aquele que menos evolui, o que não prejudica a história – pelo contrário, desempenha um papel importante nela.

 

Talvez seja só eu, mas vejo algumas semelhanças entre ele e Iori, de 02. As personalidades são semelhantes – calmos, sensatos, maduros, ligados à família. Praticam artes marciais e os seus instrutores acabam por ter um papel algo importante para a história. Os seus pais ( no sentido de progenitores masculinos) têm um passado com os Digimon que os filhos descobrem no decurso da narrativa.

 

Por fim, os dois acabam por ter papéis semelhantes nas temporadas onde aparecem. Iori via o mundo a preto e branco numa história de vilões (exceto um) em tons de cinzento. Jian detesta violência num universo onde, como vimos antes, os Digimon e o Mundo Digital se regem pela lei do mais forte. É um pacifista numa zona de guerra.

 

O lado pacifista de Jian recebe mais destaque na primeira parte do Enredo, mas só muito mais tarde é que descobrimos o porquê. Quando era mais novo, magoara outro miúdo recorrendo ao Kenpo. Não se conhece a gravidade das agressões, mas foi suficiente para que o jovem ganhe aversão à violência.

 

Isso explica as circunstâncias em que se torna Treinador de Terriermon. Algum tempo antes do início da narrativa de Tamers, Terriermon era apenas playable character no videojogo de Digimon, que Jian recebera do pai. A partir de certa altura, o jovem começa a interrogar-se se Terriermon consegue sentir dor durante os combates no jogo.

 

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Não é qualquer criança que faz estas perguntas. Todos nós jogámos videojogos envolvendo pelo menos algum grau de violência, mas nem todos nos pudemos a pensar que as personagens sentem as consequências dessa violência. Sobretudo porque – enfim, tanto quanto sabemos – são apenas isso: personagens, bonecos digitais.

 

Mesmo assumindo que é esse o caso com o Terriermon – e o pai, Jiang-yu, reforça essa ideia – por causa das suas ações em miúdo, Jian não consegue desligar esses sentimentos. E acaba por descobrir que tem razão – é assim que Terriermon se materializa no Mundo Real e Jian se torna o seu Treinador.

 

Apesar de ter sido a aversão de Jian à violência a ganhar-lhe o estatuto de Treinador, isto também constitui fonte de conflito entre ele e Terriermon. Este é um Digimon semelhante aos outros, com instintos agressivos, sempre à procura de um combate. Jian não o deixa lutar, obriga-o a literalmente ser um brinquedo para a irmã, para frustração de Terriermon.

 

De início, a narrativa até parece dar razão a Jian. Logo nos primeiros episódios quando Ruki deseja que Renamon lute e tente absorver os dados de Guilmon, tanto o jovem como Terriermon tentam travar a luta. Quando Terriermon dá por si na mira do ataque de Renamon, digievolui para Gargomon e desata a disparar em todas as direções, rindo como um maníaco. Acaba mesmo por apontar um dos braços-metralhadora  a uma Ruki que, pela primeira vez em Tamers, deixa cair a faceta de durona.

 

Guilmon consegue derrubá-lo e eventualmente Gargomon recupera a razão mas, sim… aquilo podia ter corrido muito mal. Jian tinha bons motivos para manter a trela curta.

 

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E no entanto, logo no episódio seguinte, a trela curta de Terriermon começa a atrapalhar mais do que ajuda. São atacados por um Gorimon, o mesmo que tinham enfrentado no videojogo, por sinal. De início, Jian impede Terriermon de lutar, deixando Takato e Guilmon a lutar sozinhos. O Treinador mais recente, no entanto, ainda não sabe o que está a fazer. Com o Gorimon a fazer o que quer com os dois companheiros Digimon, Jian não tem outra hipótese senão intervir com uma carta. E mesmo assim, não deixa Terriermon absorver os dados e Gorimon, depois de derrotá-lo.

 

Existe outra ocasião em que a incompetência de Takato encosta Jian as cordas, obrigando-o a deixar Terriermon combater. Nesta altura do campeonato, Takato tivera a sua primeira vitória e, de uma maneira muito típica de um miúdo da sua idade, achava-se invencível depois de ter ganho um combate. É então que um Musyamon aparece numa rua movimentada de Shinjuku. Takato mete os pés pelas mãos. Quando uma menina da idade de Shaochung, talvez mais nova, entra no campo de dados, Jian vê-se obrigado a intervir. É apenas a segunda vez que vemos Terriermon a digievoluir para Gargomon, mas desta feita ele não perde o controlo. Pelo contrário, salva o dia.

 

É neste momento que Jian e Terriermon conseguem chegar a um compromisso: lutar quando necessário para proteger os demais. É o primeiro, aliás, a assumir esse papel enquanto Digitreinador. Ao mesmo tempo, à medida que os miúdos se vão habituando uns aos outros, assume o papel de mediador, de ajuizado do grupo, servindo de contraponto não só à combatividade de Ruki como à inocência de Takato.

 

Isto é, até ao momento em que Shaochung se junta à festa no Mundo Digital.

 

Estou a ver que Digimon tem uma cena com onii-chans sobreprotectores – Yamato e Taichi foram apenas os primeiros. Como irmã mais velha, gosto disso.

 

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Infelizmente, a sobreprotecção de Jian não mostra a sua melhor faceta. Shaochung aparece no Mundo Digital no episódio anterior ao da morte do Leomon e torna-se Treinadora de um Deva. Não só Jian é incapaz de consolar a irmã durante o longo combate contra Beelzebumon (Ruki, de todas as pessoas, sai-se melhor nisso), como aproveita todas as oportunidades para pressioná-la para deixar Lopmon – a única coisa boa que acontecera a Shaochung no Mundo Digital. Quando Chatsuramon aparece, Renamon e Dukemon fazem mais para proteger a menina que o seu próprio irmão. Jian nem sequer repara que Terriermon caiu na ravina e só no episódio seguinte é que repara que o seu Digimon ficou com ferimentos.

 

Pode-se argumentar, também, que em circunstâncias normais Jian teria conseguido chamar Takato à razão, impedindo-o de criar o Megidramon.

 

Esta má fase de Jian culmina no episódio que se segue à derrota de Beelzebumon. Nesta altura, o grupo tenta infiltrar-se no território de Zhuqiaomon e Jian está obcecado por enviar a irmã de volta a casa (embora trate Shaochung com uma brusquidão incaracterística quando esta faz birra, recusando-se a ficar para trás, em segurança).

 

O jovem chega a achar que terá de ser ele mesmo, sozinho, a enfrentar Zhuqiaomon e a resgatar Culumon – com Ruki e Takato ao lado dele a pensar: “O Guilmon e a Renamon são o quê? Bonecos de peluche?”. Faz lembrar um pouco a situação que atirou Sora para a caverna escura, na parte final de Adventure, mas melhor elaborada.

 

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Rapidmon estaria sempre em desvantagem perante Zhuqiamon, mas a situação complica-se ainda mais quando os ferimentos da luta com o Chatsuramon começam a manifestar-se. É aí que Jian percebe os erros que tem cometido.

 

Tem de ser o próprio Terriermon a fazer-lhe ver que o jovem não precisa de ser tão duro consigo mesmo, não precisa de tomar responsabilidade por tudo, que existe mais gente no grupo. É nesse momento que desbloqueia o MegaloGargomon. Depois desta, Jian não torna a perder a cabeça desta maneira – o que é de admirar, tendo em conta o que acontece a seguir, em Tamers.

 

Shaochung não é o único membro da família de Jian a contribuir para a história. Conforme referido antes, o seu pai, Jiang-yu, fez parte do Grupo Selvagem, que criou os Digimon.

 

O filho, no entanto, ignora esse facto durante muito tempo. Jiang-yu oferece-lhe o videojogo de Digimon, vê o filho colecionando as cartas. A partir de certa altura, vê dois dos seus filhos brincando com um peluche de Digimon. Mas não lhe ocorre revelar ao filho o seu papel nas origens da franquia. Jiang-yu nem sequer diz a verdade a Jian quando este lhe mostra uma carta azul que lhe veio parar às mãos e o pai deteta o código de Shibumi.

 

Em defesa de Jiang-yu, também o filho não lhe conta que o peluche é, na verdade, um Digimon. Nem que passa muito do seu tempo livre – incluindo de noite – lutando com outros Digimon.

 

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Em ambos os casos, a verdade só vem à tona quando Jian-yu dá com o filho, Takato e os respetivos Digimon sendo importunados por Impmon, no parque. Este último chega a atirar uma bola de fogo a Jiang-yu, só mesmo para este ter a certeza de que não está a alucinar.

 

Pouco depois de Jianliang descobrir a verdade sobre o Grupo Selvagem, Yamaki recruta Jiang-yu e outros membros do grupo como colaboradores do Hypnos. Jiang-yu parece assumir, de início, que o objetivo é retomar o projeto dos Digimon – só alguns episódios mais tarde é que se descobre que Yamaki pretende usar os conhecimentos deles para ativar o Shaggai uma segunda vez, para expulsar todos os Digimon do Mundo Real.

 

Jiang-yu protesta, pois o programa expulsará também os Digimon do filho e dos amigos dele – ainda que Yamaki lhe aponte, não sem razão, que Jiang-yu começara tudo aquilo vinte anos antes e o envolvimento de Jiangliang e das outras crianças com os Digimon colocava as suas vidas em perigo.

 

A atitude de Jiang-yu no que diz respeito ao Shaggai mudará mais à frente na história. Para já, como referido antes, uma vez mais, a ativação do Shaggai causa mais problemas do que aqueles que resolve. Ainda assim, Jiang-yu acha por bem fazer o seu mea culpa perante o filho e os amigos. Só torna a colaborar com Yamaki vários episódios mais tarde – depois de este bater no fundo e reerguer-se.

 

Durante o resto dos eventos de Tamers, aliás, Jiang-yu e o resto do Grupo Selvagem trabalham em conjunto com o Hypnos, dando apoio aos Treinadores – tanto quando estes se encontram no Mundo Digital como durante a luta contra o D-Reaper, em Shinjuku.

 

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É durante a luta contra o D-Reaper, aliás, que ocorre um momento-chave na caracterização tanto de Jian como do seu pai. Depois de vários planos falhados, Hypnos e o Grupo Selvagem levam a cabo a Operação Joaninha. Se percebi corretamente (se estiver errada, avisem-me!), Jiang-yu instala uma versão do Shaggai em Terriermon. Este será ativado quando o MegaloGargomon se enfiar no vórtex, criado pelo D-Reaper, que une o Mundo Real ao Digital. Depois de ativado, o MegaloGargomon começará a girar a grande velocidade no sentido oposto ao do vórtex (um minuto de silêncio pelo estômago de Jian), revertendo o D-Reaper ao seu estado inicial, mais básico que uma calculadora, inofensivo.

 

O que Jiang-yu não revela ao filho é que a Operação Joaninha implicará o regresso dos companheiros Digimon ao Mundo Digital. A verdade só vem à tona poucos minutos após a neutralização do D-Reaper, numa altura em que os Digimon já começaram a… bem, desdigievoluir.

 

Esta é uma cena de fazer chorar as pedras da calçada, como veremos mais tarde, mas acho que qualquer um faria o mesmo no lugar de Jiang-yu. A ameaça do D-Reaper ganhara escala mundial, toda a Humanidade estava em risco de ser aniquilada. Por comparação, a expulsão dos companheiros Digimon é um preço razoável a pagar. E se, aquando da situação com o Vikaralamon, Jiang-yu não estava disposto a arriscar a perda dos Digimon das crianças, agora já não se pode dar a esse luxo.

 

Mesmo do ponto de vista da narrativa, nesta fase do campeonato uma solução fácil não seria credível. Aliás, em Tamers não há soluções fáceis, ponto.

 

Ainda assim, quando diz a verdade ao filho, Jiang-yu considera-se indigno de perdão. Um dos momentos mais bonitos em toda a série é a imagem de Jianliang lavado em lágrimas, mas sorrindo ao pai e abanando a cabeça – mostrando a Jiang-yu que o perdoa.

 

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Fico contente por ser essa a última imagem que vemos de Jian.

 

Qual é, então, a lição que Jianliang aprende ao longo de Tamers? Eu diria que é de flexibilidade. Aprende a ser mais flexível consigo mesmo, com as suas crenças, com os demais. Muda ainda menos que Takato em relação ao início da história, mas também não precisa

 

Agora que penso nisso, a lição que Jian aprende é o lema de Terriermon: Moumantai! Tem calma, não há problema, não faz mal. Não sendo a minha personagem preferida, nem aquela em que mais me revejo, essa é uma lição valiosa para qualquer um de nós.

Digimon Tamers #5 – Dentro e fora da fórmula

Nas minhas análises, esta é a parte em que olhamos para o enredo da temporada. Dividimo-lo em partes e deixamos algumas impressões sobre as mesmas.

 

Antes de partirmos para isso, no entanto, queria ir um pouco ao pormenor antes de olharmos para o quadro geral.

 

Os episódios de Tamers possuem uma estrutura diferente que, confesso, demorei algum tempo a entranhar. Em Adventure e 02 era tudo muito mais simples: com as devidas exceções, os episódios possuíam um determinado problema como premissa inicial e esta, na maior parte dos casos, era resolvida no mesmo episódio. Em praticamente todos os episódios, os protagonistas deparavam-se com um Digimon adversário e pelo menos um dos companheiros dos miúdos digievoluía para derrotá-lo.

 

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Tamers tem alguns episódios assim, mas muitos deles fogem a essa fórmula. No primeiro episódio, por exemplo, só no minuto final é que o chamado gogglehead da temporada – Takato – conhece o seu companheiro, Guilmon. Vários capítulos terminam em cliffhangers, há linhas narrativas que se prolongam por mais do que um episódio. O combate com Beelzebumon, então, dura três episódios.

 

Estranha-se, sim, mas acaba por funcionar bem. Torna a história menos previsível e formulaica.

 

Se olharmos bem para a trama de Tamers em geral, esta acaba por ser o oposto da de Adventure. A primeira temporada de Digimon passa-se quase toda no Mundo Digital, com uma parte no Mundo Real. Tamers decorre quase todo no Mundo Real, com uma parte do Mundo Digital. Em ambos os casos, a mudança de cenário deve-se a um MacGuffin que funciona como encarnação da luz – Hikari no caso de Adventure, Culumon neste caso.

 

Eu digo que é um MacGuffin, mas não se pode dizer que a audiência não se rale com o Culumon. Bem pelo contrário – o pequenote é uma coisinha extremamente adorável, é preciso ter um coração de pedra para não se importar que ele esteja em perigo.

 

Assim, o enredo de Tamers pode, na minha opinião, ser dividido em cinco partes.

 

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A primeira parte, que vai do primeiro episódio ao décimo-quarto, funciona como introdução. Vendo Tamers pela primeira vez, parecerá demasiado lenta – tal como Tri pareceu, na verdade – mas, vendo segunda vez, é mais fácil reparar nas sementes que vão sendo plantadas, na evolução lenta mas segura das personagens e da história. Esta parte serve para sermos apresentados às personagens, ao conceito de Treinadores, para preparar os três protagonistas para o papel que terão de desempenhar mais à frente, na história.

 

Conforme vimos antes, os Treinadores começaram sem propósito específico. Nem sequer se assumem logo como equipa, nem sequer se assumem logo como amigos. Nesta parte, vemos Takato aprendendo o “bê-á-bá” de ser Treinador; Jiangliang aprendendo que, por muito que não goste, às vezes lutar é necessário; Ruki descobrindo as consequências de lutar por motivos egoístas. Vemos os três protagonistas habituando-se uns aos outros e também à digievolução. Mesmo os secundários, futuros Treinadores – Hirokazu, Kenta e Juri – são apresentados aos Digimon no final desta parte.

 

Nesta altura do campeonato, os Digimon que se realizam no Mundo Real são meros “selvagens”, pouco mais que espécies infestantes. Tirando um caso ou outro, servem mais para aprendizagem dos Treinadores do que para outra coisa qualquer.

 

É também nesta parte que nos é apresentada a organização Hypnos, pouco a pouco. Durante vários episódios só vemos breves cenas de Yamaki brincando com o seu isqueiro e de Reika e Megumi anunciando o aparecimento de Digimon no Mundo Real (sou capaz de apostar que eles reutilizam a mesma cena uma meia dúzia de vezes).

 

Este arco termina com o Hypnos assumindo-se como uma força que quer erradicar os Digimon do Mundo Real – ou seja, funcionando como antagonistas dos Treinadores. Para esse fim, ativam o programa Shaggai… que acaba por causar mais problemas do que aqueles que resolve, ao permitir a aparição do primeiro Deva.

 

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Conforme comentaremos mais à frente, isto é mesmo a cena do Hypnos, pelo menos na primeira metade de Tamers: causar mais problemas do que aqueles que resolvem. Este é apenas um dos primeiros exemplos.

 

Por outro lado, a luta com o primeiro Deva, Mihiramon, durante este episódio de transição, sempre desbloqueia o MegaloGrowlmon, a forma perfeita de Guilmon.

 

Não estava habituada a termos formas Perfeitas tão cedo na temporada. Por esta altura, em Adventure, só agora é que Takeru tinha desbloqueado o Angemon, de forma traumática, diga-se. Em 02, estávamos a começar a segunda ronda de armodigievoluções. Nalgumas coisas o início de Tamers é lendo, mas neste aspeto é surpreendentemente rápido.

 

A segunda parte – que vai do episódio 15 ao 23, inclusive – caracteriza-se pela invasão dos Deva. Se na primeira parte, a digievolução para nível Adulto só ocorre em circunstâncias especiais, na segunda parte esta está normalizada (sendo ativada por carta). Desta feita, é a digievolução para nível Perfeito que ocorre em circunstâncias especiais.

 

Pelo meio, Leomon aparece no Mundo Real. Juri persegue-o durante um episódio, mas só no fim da segunda parte é que a parceria é oficializada.

 

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Nesta fase, é revelada a história de origem dos Digimon, o Grupo Selvagem e o papel que Jiang-yu, pai de Jianliang, desempenhou no processo. Esse mesmo grupo começa a colaborar com o Hypnos, embora com intenções meramente académicas da parte dos cientistas – as de Yamaki não são bem assim.

 

No fim da segunda parte, Vikaralmon – o Deva-porco, uma criatura gigantesca – invade Shinjuku, destruindo uma parte da cidade. Numa tentativa de travá-lo, Yamaki tenta ativar o Shaggai. Torna a correr bem: não só Vikaralmon não é travado como a sede do Hypnos colapsa.

 

É também nesta altura que o Deva-macaco, Makuramon, deita as mãos a Culumon e leva-o para o Mundo Digital. A segunda parte termina com os Treinadores decidindo ir atrás deles, para o Mundo Digimon.

 

A terceira parte, do episódio 24 ao 34, decorre toda no Mundo Digital. Os Treinadores exploram este mundo diferente enquanto procuram Culumon. O grupo divide-se, encontra Culumon, reúne-se, perde novamente Culumon, divide-se outra vez. Há uma altura em que Ruki decide venturar-se a sós com Renamon, outra em que Shaochung, a irmãzinha de Jianliang, é trazida ao Mundo Digital pelos Digignomos. Pelo meio, é-nos apresentado Ryo que, no entanto, acaba por se afastar sozinho, antes do fim deste arco. Por fim, Impmon faz um pacto quase literal com o diabo, que lhe permite digievoluir para Beelzebumon.

 

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É inevitável colocar uma quebra no episódio em que o Leomon morre. É um claríssimo ponto de viragem na narrativa. Até este momento, Tamers tivera um tom razoavelmente descontraído. Não exatamente ao nível de um vulgar produto dirigido ao público infantil, mas normal para Digimon.

 

Depois da morte de Leomon, no entanto… bem, a coisa fica preta. E de que maneira!

 

A partir daqui é mais difícil dividir a narrativa, mas eu acho que faz sentido colocar uma divisória no episódio 41. A quarta parte de Tamers decorre ainda no Mundo Digital. Concluí-se o combate com Beelzebumon – onde ocorre uma digievolução negra para nível Extremo, uma digievolução correta para nível Extremo e, no fim, deixam Beelzebumon sair vivo, a pedido de Juri.

 

Depois desta, também Jian e Ruki desbloqueiam as formas Extremas dos seus Digimon, enfrentam as Bestas Sagradas, descobrem que o inimigo não são as Bestas Sagradas e sim o D-Reaper. Encontram o Culumon e este usa os seus poderes para catalisar inúmeras digievoluções para nível Extremo, para poderem enfrentar o D-Reaper. Os miúdos são autorizados a regressar a casa.

 

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No universo de Adventure, a reta final das temporadas é sempre mais sombria – no caso de Tri, tanto no sentido figurativo como no literal. Tamers segue pelo mesmo caminho, mas o tom sombrio nem se compara – sobretudo quando se descobre que o D-Reaper está a usar o corpo e a mente de Juri. São precisas várias tentativas para resolver o imbróglio – existem ocasiões em que tanto os Treinadores como o Hypnos e as forças militares não têm outra hipótese senão bater em retirada. Mesmo que isso implique deixar uma menina de dez anos presa naquela monstruosidade.

 

Se Tamers possui um final feliz é questionável. A situação do D-Reaper resolve-se, sim, mas o preço a pagar é elevado. A cena em que esse preço é cobrado é traumática… mas isso é conversa para mais adiante nesta análise.

 

Para já, na próxima publicação, vamos passar àquela que tem sido sempre a minha parte preferida em Tamers: as personagens. Fiquem por aí!

Digimon Tamers #4 – Os que Escolhem

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Até agora nesta análise a Tamers, olhámos para o Mundo Real e o Mundo Digital onde decorre a ação, bem como para as características dos Digimon enquanto espécie, neste universo. Neste texto, vamos falar do papel dos humanos. Queria refletir em particular sobre o porquê. Porque surgiram os Treinadores, qual é o seu objetivo. 

 

Comecemos pela semântica da coisa. Consta que, em termos do “meta” de Digimon enquanto franquia, o termo Tamer é um hiperónimo para qualquer ser humano que possua um companheiro Digimon. Pode ser alguém Escolhido por uma entidade divina qualquer para salvar o mundo. Ou pode ser apenas alguém que emparceirou com um Digimon para explorar o Mundo Digimon e treiná-lo para combate. Pode até nem sequer possuir um dispositivo digital.

 

Ora, a tradução literal de “tamer” é “domador”. No entanto, pelo menos nesta temporada, a dobragem portuguesa usa o termo Digitreinador ou, pura e simplesmente, Treinador. Não sei como é com vocês, mas a mim recorda-me demasiado a franquia concorrente.

 

Talvez não tenham usado o termo “domador” por possuir uma certa conotação negativa. No entanto, pelo menos no universo de Tamers, “domador” faz mais sentido do que “treinador”.

 

Tal como comentado amplamente no texto anterior, os Digimon neste universo possuem uma faceta fortemente selvagem e violenta. No entanto, é referido várias vezes ao longo da série que emparceirar com uma criança humana representa uma maneira alternativa de digievoluir, sem ser necessário absorver outros Digimon.

 

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Uma parte do trabalho dos miúdos é precisamente controlarem os instintos violentos dos seus Digimon. Takato e Jianliang debatem-se com isso em momentos diferentes, mas o caso mais óbvio é Ryo e Cyberdramon. Se Ryo não o mantiver com trela curta, Cyberdramon andará para sempre à procura de adversários fortes com quem combater. Ryo chega a usar uma espécie de chicote laser para imobilizar o seu Digimon.

 

Isso a mim assemelha-se à definição de “domar” na Infopédia. Pelo menos até certo ponto. O objetivo não é exatamente domesticar os Digimon (pelo menos não devia ser), antes canalizar os seus instintos violentos para fins mais produtivos.

 

Por isso sim, nesse aspeto faria mais sentido chamar-lhes domadores, na minha opinião. Até por uma questão de coerência com as versões japonesa e americana. No entanto, para esta análise, vou usar o termo “oficial” português, Digitreinador – ou Treinador, por uma questão de simplicidade.

 

Um ponto a favor de Tamers em relação a Adventure é o facto de não existirem Crianças Escolhidas, pelo menos não diretamente. Foram os miúdos que escolheram ser Treinadores, de uma maneira ou de outra. De igual modo, os Digimon com que emparceiram não foram desenhados como uma extensão da personalidade dos miúdos. Digimon e Treinador escolhem-se um ao outro. Juri vai literalmente atrás do seu futuro companheiro Digimon, Hirokazu e Kenta vão ao próprio Mundo Digital à procura de parceiros.

 

Parte dos conflitos em Tamers, aliás, derivam de incompatibilidades entre Digimon e parceiro humano – sendo que o principal conflito da história foi despoletado, indiretamente, por uma relação entre Digimon e seus Treinadores que correu mal.

 

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A contrapartida é que não se percebe ao certo qual é o propósito de existirem Treinadores. Não lhes é exigido nada, ninguém espera que salvem o Mundo, nem o Real nem o Digital. O Hypnos de início procura boicotá-los ativamente, considera (não sem razão) que crianças não têm nada que lidar com Digimon. Mesmo quando começam a colaborar com os miúdos, fazem-no com alguma relutância – e com os pais deles a respirar-lhes sobre os pescoços.

 

Da mesma forma, os Treinadores apenas visitam o Mundo Digital para resgatar um amigo, o Culumon. Depois de o salvarem, os miúdos querem logo regressar a casa e as Bestas Sagradas não os impedem – isto apesar de, nesta altura, o D-Reaper já se ter declarado como o inimigo. Mesmo considerando histórias menores, como os Tsuchidarumon na Vila Esquecida ou os Gekomon escravizados por Orochimon, ninguém lhes pede, preto no branco, que façam alguma coisa. No primeiro caso, é Takato quem deseja tentar destruir a mota assombrada (contra a vontade de Jianliang, note-se). No segundo, Orochimon rapta Juri e os demais são obrigados, naturalmente, a intervir.

 

Isto não é uma coisa má. Pelo contrário, confere maior agência aos Treinadores. Eles envolvem-se na história não porque o destino o exigiu ou porque alguém lhes pediu ajuda, mas porque desejam proteger a sua cidade, aqueles que amam, aqueles que não se conseguem defender por si mesmos. Porque só eles têm possibilidades para isso.

 

A minha questão é, se os Treinadores não possuem nenhum propósito senão aqueles que definem para sim, porque é que começaram a surgir, aparentemente do nada, crianças “adotando” Digimon?

 

Durante a segunda vez que vi Tamers, desta feita já tomando notas para escrever esta análise, perguntei-me se o objetivo de existirem Treinadores seria para tentar tornar os Digimon em geral menos violentos. Como referimos antes, a natureza violenta dos Digimon afeta quase todas as relações entre Digimon e Treinador. Mas mesmo fora disso, no episódio em que Ruki, Hirokazu e Kenta pernoitam na casa do Gigimon e da Babamon, nota-se a influência da presença dos humanos. Quando estão sozinhos, os dois Digimon vivem num tédio constante e o único entretenimento que lhes ocorre é andarem à bulha. No entanto, na azáfama de servirem de anfitriões aos miúdos, deixam as brigas de parte e acabam por passar um bom bocado.

 

 

O episódio em si é fraquinho, é um filler e um bocadinho parvo, no bom sentido, quanto mais não seja pela icónica Canção da Pesca (naquelas circunstâncias, o António era menino para cantar o Africa). Mas sempre planta uma ideia interessante: se passarem tempo suficiente com humanos, mesmo que estes não sejam os seus Treinadores, será que os Digimon começam a deixar de lado as suas tendências violentas?

 

Eu pelo menos fiquei com a impressão, em vários momentos de Tamers, que o conflito principal da história seria humanos versus Digimon. Ou pelo menos Digimon-com-humanos versus Digimon-sem-humanos. Só que o D-Reaper meteu-se no meio.

 

É possível que, se não fossem as consequências da Operação Joaninha, para derrotar o D-Reaper, a história tivesse ido nessa direção: numa tentativa de “civilizar” os Digimon enquanto espécie. O que poderia proporcionar uns conflitos interessantes.

 

Conforme vimos no texto anterior, os Digimon não consideram que haja nada de errado com o seu estilo de vida. A parte, aliás, de Chatsuramon considerar insultuoso os Treinadores não absorverem os dados dos seus adversários – quando, antes, o facto de os miúdos terem deixado de absorver dados tenha sido pintado como uma evolução positiva – poderia ter sido melhor explorada. Tamers poderia ter examinado a moralidade das acções dos miúdos, ao tentarem impor os seus valores aos Digimon – quando, ainda por cima, foram os próprios humanos a codificar a lei do mais forte nos dados dos Digimon.

 

Havemos de regressar a este tema quando falarmos dos vilões de Tamers. Regressemos à questão do porquê de existirem Treinadores.

 

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A única resposta que me ocorre é pura e simplesmente porque as crianças o desejaram e os Digignomons concederam-no. Canonicamente, estes só terão influenciado a sagração de Takato e Kenta. No entanto, é possível que também tenham tido um dedinho com as dos outros. E de facto não acho que seja necessária outra explicação.

 

Se formos a ver, aliás, são os humanos quem fizeram quase tudo no universo de Tamers. Foram os humanos a criar os Digimon tal como são. Foram crianças humanas a desejar ganhar companheiros Digimon. Mesmo o grande vilão da história, o D-Reaper, foi criado por humanos e talvez não tivesse chegado ao Mundo Real se Beelzebumon não tivesse assassinado Leomon – o que não teria acontecido se as coisas entre Impmon e os seus Treinadores não tivessem corrido mal. Por fim, a Operação Joaninha que neutraliza o D-Reaper e tem… outras consequências, foi também obra de humanos: neste caso, o Hypnos e o Grupo Selvagem.

 

Os humanos são os principais condutores desta história, o que me agrada. Há menos Deus Ex-Machinas, menos ocasiões em que os protagonistas são salvos pelos dispositivos digitais ou semelhante.

 

O tema da próxima publicação será precisamente esse: o enredo, a narrativa. Publico-a daqui a uns dias, como tenho feito até ao momento. 

 

Espero que tenham um excelente vigésimo Odaiba Memorial Day (não podia deixar de manter a tradição e publicar neste dia). O encontro deste ano foi no sábado passado. Estejam atentos à página de Facebook deste blogue, bem como à página do evento, para saberem como foi. 

Digimon Tamers #3 – Dados, cartas, direitos de autor, lei do mais forte

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Falemos, então, da origem dos Digimon neste universo. Em Tamers, os Digimon foram criados nos anos 80 por um grupo de estudantes universitários – conhecidos como o Grupo Selvagem – que exploravam a inteligência artificial. O projeto acabou por ser interrompido quando perderam o pratocinador.

 

Um dos membros do grupo, conhecido por Shibumi, no entanto, continuou a trabalhar no projeto, acabando por ser ele a criar o algoritmo que permitiu aos Digimon ganharem vida própria – digievoluírem.

 

É um aspeto curioso de Tamers: o facto de “digievolução” poder ser usado como um sinónimo de evolução enquanto espécie – ganho de consciência, inteligência, criação de um sistema de valores próprio, mesmo de deuses próprios. A geração de uma civilização, em suma. Não sei que é intencional ou um erro de tradução, mas é um conceito fascinante. Até porque os Digimon não serão os únicos a digievoluír.

 

Uma característica relevante acerca dos Digimon, desde a sua criação pelo Grupo Selvagem, é o seu apelo para as crianças. De tal forma que, algures entre o cancelamento do projeto e alguns anos antes dos eventos de Tamers, alguém encontrou o conceito de Digimon na Internet e criou toda uma franquia centrada nos monstrinhos digitais. Incluindo uma série de televisão – Adventure e 02.

 

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Pois é, o universo de Adventure existe como ficção no universo de Tamers. Isso é muito mais explícito na versão americana. Na versão original e nas outras que se baseiam diretamente nela (incluindo a portuguesa), ninguém o refere diretamente, mas aparece na cronologia do site de Konaka.

 

Pergunto-me se Tri também foi lançada no universo de Tamers. Espero que tenha tido recebida um bocadinho melhor que no nosso mundo…

 

Por outro lado... porque é que os membros do Grupo Selvagem não processaram a empresa que comercializa os produtos de Digimon por violação dos direitos de autor? Se a franquia tem assim tanto sucesso no Mundo Real de Tamers, acho estranho nenhum dos membros do Grupo Selvagem não reclamar uma parte dos lucros para si – afinal, foram eles a criar o conceito de Digimon.

 

A menos que tenha sido um dos membros do Grupo Selvagem a criar a franquia? É possível... Talvez ele ou ela tenham convencido os antigos colegas a abdicar dos seus direitos de propriedade intelectual. Também é possível que os membros do Grupo Selvagem estejam a receber dinheiro dos direitos de autor, apenas não o referem.

 

Não sei. É um pormenor que me faz confusão e de que, se calhar, os produtores de Tamers se esqueceram. Ou então acharam que o público, maioritariamente infantil, não se preocuparia com isso.

 

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Da franquia de Digimon no universo de Tamers faz parte um jogo de cartas e um videojogo, para além da série de TV. Consta que foi uma diretriz da Toei, para poderem vender esses produtos na vida real. Pode ter sido uma jogada de marketing, mas, como veremos a seguir, na minha opinião foi bem executada, no geral.

 

Todo o anime de Digimon, aliás, sempre teve como objetivo vender brinquedos e videojogos. No entanto, tem-no feito contando histórias inesquecíveis. Portanto, aceita-se.

 

À primeira vista, no universo de Tamers as cartas funcionam de maneira similar à da vida real: com itens colecionáveis, para o jogo de cartas, até para o videojogo. No entanto, quando dos Digimon começam a aparecer no Mundo Real e crianças começam a tornar-se Treinadoras, estas usam as cartas para conferir temporariamente novos poderes aos seus Digimon,

 

Tamers não chega a explicar ao certo porque é que os Digimon conseguem ser afetados por cartas provavelmente adquiridas em quiosques ou assim. É possível que as cartas tenham sido codificadas com os mesmos dados de que os Digimon são feitos – embora apenas para determinados poderes ou características. Explicaria também o motivo pelo qual as cartas são compatíveis com o jogo de computador e com leitores, como aquele que se transforma no D-arco de Takato.

 

Em todo o caso, o uso das cartas sempre dá aos miúdos um papel mais interventivo nos combates de Digimon – em vez de apenas desbloquearem as digievoluções e ficarem a assistir de fora, como um adepto na bancada apoiando a equipa da casa. A digievolução, aliás, é uma ocorrência bem mais rara em comparação com as temporadas anteriores, sobretudo nos primeiros actos. Fica, no entanto, claro desde o início que a escolha das cartas requer pensamento estratégico – algo que Takato, por exemplo, demora algum tempo a desenvolver.

 

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Bem, pelo menos em teoria. Há ocasiões em que depende de pensamento estratégico, sim, mas também existem circunstâncias em que a vitória se obtém sacando uma carta super rara. Ou seja, depende menos da estratégia e sim da sorte e/ou dinheiro gasto para obter essa carta. Por outras palavras, é um pouco como usar um Mewtwo em jogos da franquia concorrente. 

 

Por fim, sempre são uma desculpa para umas quantas sequências de “Card Slash!/Carta Escolhida!”, com o respetivo tema pop rock. Já tentei replicar a cena com terminais Multibanco mas, não sei bem porquê, não é tão épico. Talvez por os cartões não deitarem faíscas ao deslizarem nos leitores magnéticos…

 

Isto tudo para dizer que, neste universo, uma boa parte da população civil, sobretudo crianças, sabe o que são Digimon. No universo de Adventure, por sua vez, só na segunda metade de Tri é que a população começou a referir-se às criaturas que os atacavam por Digimon.

 

Outra diferença em relação ao universo de Adventure é o facto de os Digimon não serem os únicos habitantes do Mundo Digital. Nem sequer são uma espécie nativa – apenas migraram para lá quando o projeto foi abandonado.

 

Agora que penso nisso, talvez não devesse chamar-lhe Mundo Digimon nesta análise. Mas gosto demasiado do termo – dá-me nostalgia pela dobragem portuguesa de Adventure e 02.

 

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Enfim, perdoem-me este pequeno àparte. Ainda antes de os Digimon terem sido concebidos, foram criadas outras formas de inteligência artificial. Chamam-se Digignomos, a mim parecem-me uma mistura de anjos e fantasmas, e possuem a capacidade de realizar desejos.

 

O que me leva à pergunta: como é que os investigadores conseguiram conceber criaturas com inteligência artificial capazes de realizar desejos? Mais, como conseguiram criá-las antes de criarem os Digimon? Talvez tenham ganho o poder de conceder desejos com o algoritmo de Shibumi. Não sei. Em todo o caso, é provavelmente o único elemento de fantasia em Tamers – que assenta sobretudo em ficção científica. De qualquer forma, são responsáveis por vários eventos importantes para o enredo.

 

Regressemos aos Digimon em si. No universo de Tamers, o lado feroz e violento dos Digimon é muito mais explícito do que estávamos habituados. Quando foram criados, o Grupo Selvagem fez questão de torná-los semelhantes a animais selvagens, fazendo-os viver sob a lei do mais forte (uma decisão de ética questionável, na minha opinião). Os Digimon passam a vida lutando uns com os outros. Quando perdem, desfazem-se em partículas digitais, que os adversários absorvem – o que lhes confere mais poder e, quiçá, a capacidade para digievoluir.

 

Ou seja, neste Universo não existe Aldeia do Começo. Quando um Digimon morre, permanece morto, não tem maneira de regressar à vida.

 

Pois.

 

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Teoricamente, ao absorver os dados de um adversário, os Digimon ganham a capacidade de usar os seus poderes e/ou ataques. Na prática, apenas vemos Beelzebumon fazendo isso. É uma pena porque o conceito é interessante. Seria giro vermos os Digimon dos Treinadores usando técnicas de adversários que derrotaram. No entanto, talvez isso os tornasse demasiado fortes. Mais: Renamon estaria claramente em vantagem em relação aos outros, por todos os Digimon que derrotou ao lado de Ruki.

 

Embora tenhamos exemplos de Digimon vivendo em paz no Mundo Digital, todos os Digimon parecem possuir uma tendência inata para a violência – não é apenas uma questão cultural. Mesmo o Guilmon, que nasceu no Mundo Real, foi criado por Takato (que não estimulava o seu lado violento tanto como, por exemplo, Ruki) e tem uma personalidade afável, tem instintos agressivos, sobretudo na presença de outro Digimon.

 

A maior parte dos Digimon não parece ter problemas com este sistema, nem sequer os que estão na base da pirâmide. Um exemplo diz respeito aos Tsuchudarumon, que vivem na Vila Esquecida (aonde vão parar dados digitais à deriva), resignados com o facto de que, de vez em quando, surge uma mota assombrada que mata um deles. Não lhes ocorre tentarem destruir a mota ou, pelo menos, arranjarem outro local para viver.

 

De maneira semelhante, vemos uma comunidade de Gekomon escravizada por um Orochimon – num episódio com que adoro indignar-me por motivos que explicarei mais tarde. Neste caso, os Gekomon não escondem que não estão satisfeitos com a vida que lhes foi imposta, mas levam a mal quando Andromon tenta ajudá-los – porque invariavelmente falha e o Orochimon retribui neles.

 

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Por outro lado, também vemos Chatsuramon revoltado por os Digimon dos Treinadores não absorverem os dados dos adversários – dando a entender que pelo menos uma parte dos Digimon prefere ser absorvida em vez que ter os seus dados à deriva.

 

Ou seja, é um sistema baseado em matar ou morrer ou, pelo menos, conformar. Nós, humanos, consideramo-lo distópico, mas para os Digimon são apenas como as coisas são no mundo deles.

 

O que nos leva à altura em que, uma geração depois do Grupo Selvagem, crianças humanas começam a interferir com esta cultura de violência. Tudo para correr bem. Será esse o tema do próximo texto desta série.

Digimon Adventure Tri – Bokura No Mirai #3

Terceira parte da análise a Bokura No Mirai. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui.

 

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Tri não tem um epílogo à 02, mas dá um salto de alguns meses no tempo, até ao Natal. Meiko regressara a Tottori no fim do verão – viveu em Odaiba durante o quê? Dois meses? Mas compreende-se: demasiadas recordações dolorosas.

 

Fica um enigma por esclarecer: porque é que Meiko e a família vieram viver para Odaiba. A mim, ninguém me convence que não foi sugestão de Maki, para soltar Meicoomon numa área densamente povoada e colocar a Operação Reinício em marcha.

 

E por falar em Maki…

 

A agente não chega a aparecer em Bokura No Mirai. A última vez que a vimos foi em Kyousei, no fundo do Mar Negro. Terá morrido? Se morreu… bem, a sua história é deveras deprimente. Antes de Mirai, eu calculava que um dos dois – Daigo ou Maki – morreria e o outro sobreviveria. Afinal, parece que ambos faleceram…

 

…ou não? Terá Maki sobrevivido? Não é impossível… Ter-se-á tornado consorte dos Divermon, como queriam que Kari se tornasse, em 02? (*arrepios*) Regressará numa possível terceira sequela de Adventure? Se o novo vilão for Daemon, que supostamente está preso no Mar Negro desde o final de 02… seria interessante.

 

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Por outro lado, se todos os Digimon recuperaram as recordações pré-Reinício, isso significa que Bakumon lembra-se de Maki… Eish!

 

Mas regressemos ao final de Mirai. Através de um e-mail que T.K. envia a Meiko, algumas pontas são atadas. Os miúdos de 02 terão recebido alta do hospital – mas não sabemos ao certo como é que deram de caras com o plano de Yggdrasil ou, sequer, como estarão em termos psicológicos, depois de terem passado semanas aprisionados.  

 

Entretanto, no Mundo Digital, a Homeostase declarou um embargo a Yggdrasil e… é suposto sentirmo-nos descansados? Com o Dark Gennai ainda à solta, com o Alphamon ainda à solta – que nunca mais foi visto desde o ataque de Jesmon que atirou Tai e Daigo para o abismo – sabendo, agora, que a Homeostase nem sempre toma as decisões mais adequadas?

 

Não me convencem.

 

Por sua vez, no Mundo Real, a opinião pública continua desfavorável aos Digimon. Compreende-se. Tanto as autoridades como os próprios Escolhidos tornaram-se melhores, ao longo de Tri, a controlar os danos provocados pelos Digimon. Mas eles continuam a existir. Talvez muitos civis não tenham dado pela diferença.

 

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Um aparte rápido para comentar em algo que reparei há pouco tempo: a premissa inicial de Tri é muito parecida com a dos filmes d’Os Incríveis. Um elenco com vidas duplas, que fazem trabalho de heróis, mas que o público não compreende e acaba por vilanizá-los. Um protagonista que sente dificuldades em adaptar-se à vida como cidadão normal, que sente saudades do passado.

 

Tri e Os Incríveis trabalham as premissas de maneira diferente, claro. Mas Mirai dá a entender que o próximo passo de Tai será semelhante às ações da Mulher-Elástica, n’Os Incríveis 2: tornar-se um representante desses heróis incompreendidos.

 

Sora refere mesmo que Tai tomou a decisão inspirado pelas palavras de despedida de Daigo: sonha alto, constrói o futuro que desejas. Essencialmente, se não estás satisfeito com o futuro que o mundo escolheu, muda-lo tu mesmo – tal como Emma Swan disse certa vez.

 

Tem uma certa piada que a resposta de Matt a isto seja seguir a carreira espacial – só mesmo para não ficar atrás de Tai. Tem piada… mas não chega para dar credibilidade à carreira dele, na minha opinião.

 

Regressando a Tai e a Daigo, pergunto-me se a carreira dele será o único efeito da morte do segundo. Eu, se estivesse no lugar de Tai, tentaria descobrir o mais possível sobre Daigo. Procuraria a família dele, as outras Primeiras Crianças Escolhidas. E, sobretudo, tentaria descobrir o que aconteceu a Maki.

 

É possível que, por alturas do e-mail de T.K., não tenham descoberto o paradeiro da agente. Se tivessem, T.K. escreveria sobre isso no e-mail – até porque Meiko conhecia-a antes.

 

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Consta que Izzy anda a pesquisar uma maneira de aceder ao Mundo Digimon sem a ajuda dos D3. T.K. termina o e-mail dizendo que espera que, um dia, Meiko regresse com eles ao Mundo Digital…

 

…mas porque faria Meiko isso? A sua breve passagem pelo Mundo Digimon só lhe trouxe más experiências. Foi torturada pelo Dark Gennai. Dois amigos caíram no abismo por sua causa e um deles não sobreviveu. Agora nem sequer tem Meicoomon – enquanto os outros Escolhidos puderam conservar os seus companheiros Digimon, saudáveis e com as memórias intactas e tudo.

 

Tai e os outros são miúdos impecáveis, ninguém coloca isso em causa – a maneira como receberam Meiko foi exemplar. Mas, se eu estivesse no lugar de Meiko, não quereria conviver muito com eles – seria demasiado doloroso.

 

É por essas e por outras que não acredito que Meiko regresse numa eventual nova sequela de Adventure. A história dela está terminada – é a única em Tri que não deixou pontas soltas. Só se eventualmente lhe derem um segundo companheiro Digimon – o que acho pouco provável.

 

Ainda assim, os Escolhidos fazem questão de telefonar a Meiko, na véspera de Natal – na última cena de Bokura No Mirai.

 

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Gostei que tivessem escolhido essa época para terminar Tri. Remete para uma das minhas partes preferidas de 02: os episódios natalícios. E, claro, por muitas reservas que tenha em relação a esta quadra, é uma ótima altura para renovar votos de lealdade.

 

É o que Tai faz, na chamada que efetua em nome de todo o grupo – embora a maneira como Matt, Sora e os outros olham para ele dê a entender que Tai quer dizer outra coisa.

 

Seria engraçado, admito, mas não acho que resultasse a longo prazo.

 

De qualquer forma, quando Tai tropeça nas palavras, Agumon está lá para completar a frase. Porque Tai pode ser muito corajoso e amadurecido imenso ao longo de Tri, mas continua a ter dezassete anos.

 

Mirai termina com uma versão fantástica de Butter-fly, cantada não só pelo falecido Wada Kouji, mas também pelas vozes dos Escolhidos. Eu confesso, no entanto, que teria tido mais impacto se não tivéssemos ouvido já três versões diferentes da música nos últimos vinte minutos do filme: a versão normal quando Tai reaparece, uma versão instrumental do tema de Adventure original, quando Kari desbloqueia Magnadramon, e uma versão suave, agridoce, que começa durante a morte de Meicoomon e se prolonga quase até ao fim de Mirai.

 

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Não me interpretem mal, todas estas versões são fabulosas, à sua maneira. A versão agridoce leva-me lágrimas aos olhos. A minha preferida, no entanto, é a versão com o elenco todo – a única coisa que faltou no encontro do Odaiba Memorial Day deste ano foi um karaoke a várias vozes de Butter-fly. No entanto, as quatro versões surgem demasiado de seguida, acabando por se anularem umas às outras, um bocadinho.

 

Eu suspeito que, após a morte de Wada Kouji, os produtores se tenham afeiçoado a Butter-fly. Não vou dizer que não compreendo, ou que não fizesse o mesmo se estivesse no lugar deles. Mas com estes exageros acabam por fazer o oposto daquilo que, por certo, pretendiam.

 

Em contrapartida, Brave Heart acabou por ser negligenciada, relegada para os combates fúteis com Ordinemon – quando podia e devia ter sido tocada durante o momento da digievolução de Magnadramon. Eu gosto de Butter-fly, tenho vindo a gostar cada vez mais, mas Brave Heart será sempre a música de Digimon para mim. Ela merecia mais amor da parte de Tri.

 

Confesso que, depois dos créditos terminarem, no momento em que surge o logótipo de Digimon Adventure Tri, senti um baque e precisei de um momento (e de uns goles de Somersby). Parecendo que não, foram dois anos e meio da minha vida acompanhando esta história.

 

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Já aí vamos.

 

Tal como comentámos antes, Mirai dedica mais tempo a cenas de ação e não tanto ao desenvolvimento de personagens e, na minha opinião, sai prejudicado. Eu, por exemplo, queria ter visto mais manifestações de luto por Tai – sobretudo no que diz respeito a Kari. Esperava ver mais Escolhidos tentando consolá-la, não apenas T.K. – talvez dizendo-lhe que não era a primeira vez que Tai desaparecia assim, que ele poderia estar vivo.

 

Queria, sobretudo, ver interações entre ela e Matt – as duas pessoas que mais estavam a sofrer com a perda. Talvez referissem o episódio 36 de Adventure, em que Tai pedira a Matt que tomasse conta da irmã na sua ausência – e em que Matt acabara por fazer a menina chorar e não consegue impedi-la de entregar-se a Myotismon.

 

Esperava um bocadinho mais de desenvolvimento de Kari, aliás. Este existiu, não me interpretem mal, e foi mais do que tínhamos recebido até ao momento – tivemos de esperar temporada e meia e cinco filmes. Mesmo assim, soube-me a pouco. Pareceu-me mais um ponto de viragem, não uma conclusão.

 

Pode ser que o seja. Pode ser que haja mais, num projeto futuro. Eu pelo menos gostava de ver como será a relação dela com o irmão, depois de Tri.

 

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Assim, a minha opinião sobre Bokura No Mirai é mista: nem muito boa, mas não assim tão má. Assim assim. Sendo este o último filme de Tri, já posso dar a minha classificação final. Kokuhaku é um primeiro lugar claríssimo, não me canso de elogiá-lo. SaikaiKyousei estão empatados no segundo lugar: são filmes muito diferentes, difíceis de comparar, ambos bons mas não tanto como Kokuhaku. Bokura No Mirai fica a seguir, no meio da tabela.

 

Por outro lado, Ketsui tem vindo a subir na minha consideração. Compreendo agora que Mimi dificilmente teria um papel de relevo em Tri. Sendo ela brutalmente honesta com toda a gente, incluindo ela mesma, era incompatível com um enredo em que metade do conflito parte de personagens mordendo línguas e guardando segredos. Daí relegarem-na para um conflito escolar.

 

Além disso, ainda que Ketsui não avance muito na história, em retrospetiva, dá para ver indícios de aspetos que serão importantes mais à frente. Como o facto de Daigo se rever nos Escolhidos mais novos e de Maki revelar ter sentido dificuldades em crescer.

 

Soshitsu é mesmo o pior de todos, na minha opinião. Mais do que qualquer outro filme de Tri, este parece ter sido feito em cima do joelho. Sobretudo a parte final.

 

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E assim terminou Tri, pouco menos de quatro anos após os primeiros anúncios. Está longe de ser perfeita, claro, mas, ao contrário do que alguns fãs parecem recordar-se, não é pior que Adventure E é definitivamente melhor que 02. Talvez até possa ser melhor que Adventure, em certos aspetos – mas tenho de revê-la um dia destes, antes de formar uma opinião sobre isso.

 

Tri não se limita a ser um produto movido a fan service e nostalgia – pelo contrário, acaba por desconstruir esses conceitos, mostrando o lado mais sombrio de ser uma Criança Escolhida. Com personagens como Daigo, Maki e Meiko, que não colheram os mesmos benefícios que os oito de Adventure receberam. Mostrando que a Homeostase está longe de ser perfeita. E que os próprios Escolhidos podem fazer mais mal que bem e têm de tomar decisões difíceis.

 

Tri foi, sobretudo, a história de Meiko e Meicoomon, para o melhor e para o pior. Tudo começou porque elas vieram viver para Odaiba, tudo terminou quando a segunda morreu. Muitos fãs alegam que não era necessário ter acrescentando mais uma Criança Escolhida (sobretudo quando os miúdos de 02 foram excluídos da narrativa), mas eu discordo.

 

Se Meicoomon não tivesse um companheiro humano, pouco mais seria que um dos vilões da semana de Adventure ou 02 – Tri acabaria ao fim de dois filmes, no máximo. Talvez um ou outro Escolhido sentisse alguns escrúpulos em matá-la, mas acabariam por fazê-lo antes que causasse demasiados danos. Mas, como era o Digimon de Meiko, acolheram-na entre eles e, quando deram por ela, Meicoomon tinha matado Leomon, infetado os companheiros Digimon, precipitado o Reinício. E, como era o Digimon de Meiko, demoraram quatro filmes a matá-la.

 

Concordo que Meiko, enquanto personagem, nem sempre foi fácil de aturar. Mas, para ser sincera, se estivesse no lugar dela, teria cometido os mesmos erros. E provavelmente também passaria a vida a chorar.

 

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A situação de Meiko serviu, também, para desenvolver os Escolhidos de maneiras que, sem Meiko ou Meicoomon, se calhar não teriam sido possíveis – quer como reação aos acontecimentos, quer fazendo paralelismos. Como T.K., em Kokuhaku, e Sora, em Soshitsu.

 

Nesse aspeto, Tri partilha um ponto forte com Adventure: o foco nas personagens. Também partilha a desigualdade nos tempos de antena: Tai é mais desenvolvido do que qualquer um, tirando Meiko, Sora volta a ser das menos desenvolvidas, seguida de Mimi e Joe.

 

Tri, mesmo assim, saiu-se um bocadinho melhor que Adventure, pois cada Escolhido tem pelo menos um filme dedicado a si. A única exceção será Matt, até certo ponto, mas uma boa parte do seu desenvolvimento esteve interligado com o de Tai. Logo, aceita-se.

 

Se a questão de Meicoomon ficou resolvida, como vimos antes, o mesmo não se pode dizer da mão por detrás de Meicoomon: Yggdrasil. Este é, sem dúvida, o maior ponto fraco de Tri – sim, ainda mais que a questão dos miúdos de 02 que, mal por mal, não ficou por responder.

 

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Referi em análises anteriores que a motivação de Yggdrasil – um poder dentro do Mundo Digimon que não queria contacto com humanos – tinha imenso potencial. Tri, no entanto, não correspondeu. Sabemos tanto sobre Yggdrasil quanto sabíamos quando ele foi introduzido na história, em Soshitsu.

 

Fica a ideia que Yggdrasil foi enfiado a martelo em Tri, quando os digi-guionistas precisaram que um vilão por detrás das ações de Maki.

 

Além disso, conforme comentei antes, os discípulos de Yggdrasil – o Dark Gennai e o Alphamon – andam por aí à solta, sem castigo. Parece-me mais que os Escolhidos ganharam uma batalha, não a guerra.

 

E se uma batalha já teve estas consequências – um Reinício, duas antigas Crianças Escolhidas mortas, uma companheira Digimon eutanasiada – o que acontecerá a seguir?

 

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O que nos leva ao novo projeto de Adventure. O primeiro anúncio saiu poucas horas antes da estreia de Bokura No Mirai – se bem me recordo, era apenas um tweet dizendo algo como “A aventura digievoluirá de novo”. Talvez nem déssemos importância se Mirai não estivesse, conforme vimos, cheio de sequel baits.

 

Na verdade, depois dessa, não saiu mais nenhuma informação até há poucos dias, no Digimon Thanksgiving Festival 2018 – e mesmo assim foi muito pouco e existem versões diferentes pelas internetes fora. Aquilo que parece ser certo é que será um projeto cinemático, outra vez, que será mais uma sequela a Adventure e que decorrerá quando Tai e Matt tiverem vinte e dois anos – este tweet refere mesmo que estarão no quarto ano da faculdade. Os desenhadores serão diferentes dos de Tri, como podemos ver na imagem acima (que é apenas um esboço).

 

Admito que já tinha tentado imaginar os Escolhidos como jovens adultos, logo, esta premissa agrada-me, para já. No entanto, temos todos uma infinidade de perguntas sobre isto – o António fez um belo apanhado com a imagem abaixo. Eu suspeito que este projeto ainda deve demorar pelo menos um ano até ser lançado. Haverá muito tempo para especular.

 

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Uma coisa é certa: quando voltar a escrever sobre o universo de Adventure – quer sobre este novo projeto, quer uma retrospetiva sobre Adventure, 02 ou Tri – vou usar os nomes japoneses. Ao fim de três anos vendo Digimon quase sempre em japonês, tirando 02, já não me faz sentido usar os nomes americanizados. Não quando nomes como Taichi, Yamato, Hikari e Takeru são bem mais bonitos e adequados às personagens.

 

Só não comecei a usá-los mais cedo aqui no blogue por uma questão de consistência. Seria estranho ter uma parte das análises a Tri com os nomes americanizados (e foi há mais ou menos um ano que comecei a cansar-me deles) e outra com os nomes originais. Mas, agora que acabámos com Tri, isso muda.

 

Ao fim e ao cabo, é um ciclo que se encerra aqui no blogue – um ciclo que começou há precisamente três anos, no Odaiba Memorial Day de 2015, com o meu primeiro texto sobre Adventure. Só regressei a Digimon após dez anos de ausência, só comecei a escrever sobre Adventure porque descobri acerca de Tri.

 

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E a melhor parte, de longe? Esse regresso, a minha escrita, permitiram-me conhecer vários outros fãs, em Portugal e não só, online e, também, em carne e osso. Destaco, obviamente, os dois encontros do Odaiba Memorial Day Portugal a que fui, o último dos quais no fim-de-semana passado.

 

Ao contrário do que aconteceu há dois anos, desta feita, cheguei cedo e fiquei até bem depois do fim oficial. Diverti-me imenso, como não me acontecia há semanas, se não forem meses. Entre outras coisas, joguei um bocadinho de Digimon Rumble Arena 2 (mais de uma década, à vontade, desde a última vez que toquei numa PlayStation; as vezes anteriores contam-se pelos dedos de uma mão), participei nos quizes (onde não me saí mal para alguém que só conhece de passagem o universo de Adventure), competi no karaoke (não me saí por aí além mas, em minha defesa, o I Wish é difícil de cantar!).

 

Uma das minhas partes preferidas foi quando cantámos Brave Heart, alternadamente – como o elenco de Tri fez com Butter-fly, para os créditos do último filme. Eu, aliás, tinha esperança que recriássemos essa versão, mas foi melhor assim pois, como referi acima, Brave Heart é a minha música preferida de Digimon. Estou à espera do vídeo dessa performance.

 

Outro momento giro foi este:

 

 

 

Mais do que tudo, gostei de estar com outros fãs, de reencontrar o António, o Daniel e todos os outros, do convívio que se prolongou até por volta da meia-noite. Como disse acima, foi dos melhores dias que tive ultimamente. Isto… isto foi o melhor que Digimon me deu!

 

Por isso e por me ter dado tanto sobre que escrever aqui no blogue, quer sobre o bom quer sobre o mau, estarei sempre grata a Digimon e a Tri. Vou ter imensas saudades de escrever sobre estes filmes – este último deu-me um gozo especial, depois de várias semanas a braços com textos bem mais difíceis de escrever (os de Pokémon através das gerações) e sobre assuntos deveras frustrantes (o desempenho fraquinho da Seleção Portuguesa no Mundial 2018, para o meu outro blogue).

 

Em todo o caso, não ficamos por aqui em termos de Digimon, neste blogue. Como já dei a entender acima, hei de escrever sobre o novo projeto de Adventure, quando este sair. Além disso, quero começar a ver Tamers e, eventualmente, analisar aqui no blogue (acho que não é a primeira vez que falo disso aqui…). Agora que redescobri esta franquia, tão cedo não quero sair.

 

Antes de terminar, uma palavra para as oito Crianças Escolhidas de Adventure. Nestes últimos anos, apercebi-me que, em toda a ficção, não existem um elenco que eu adore mais do que estes miúdos (só mesmo as minha próprias personagens, e mesmo assim). Mais nenhum elenco alguma vez mexeu comigo desta forma, derreteu-me o coração, afligiu-me, me deu vontade, ao mesmo tempo, de gritar-lhes e de abraçá-los e protegê-los.

 

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Estes miúdos, estes Escolhidos, que cresceram comigo (mesmo que apenas no meu subconsciente) são a melhor parte deste Universo, são o motivo pelo qual adoro Tri, tal como adorei Adventure e 02. Devemos voltar a vê-los, mais cedo ou mais tarde, mas, caso isso não aconteça, foi um prazer e um orgulho.

 

Bem, penso que é tudo o que tenho a dizer sobre Tri, por enquanto – e não foi pouco. Fica só uma última palavra…

 

Dandan.

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