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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas – Tell Me It's Over

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Avril Lavigne lançou, no ano passado 12 de dezembro, a música Tell Me It’s Over, que serve de segundo avanço ao seu sexto álbum – que se chamará Head Above Water, tal como o primeiro single, e será lançado a 15 de fevereiro.

 

"Oh, you come and you leave
Shame on me for believing every word out of your mouth"

 

Se a faixa Head Above Water não representou uma grande inovação no que toca à Avril, pelo menos em termos musicais, Tell Me It’s Over é outra história. Esta é uma música soul com elementos de jazz, uma faixa que parece saída do século passado (anos 50 ou assim), com saxofones à mistura com piano e violinos. Faz lembrar o tema Love on the Brain, da Rihanna – uma música bastante boa mas, na minha nada enviesada opinião, Tell Me It’s Over é melhor.

 

Acho que ninguém estava à espera desta – o mais próximo que Avril tinha estado deste estilo foi com o cover de How You Remind Me. Julgo ter referido há uns anos que esperava ouvir mais músicas dela nesse género. Mas daí a ouvir a voz da Avril num coro de soul vai um pedaço.

 

Julgo que a Avril referiu uma ou outra vez, em entrevistas, que gostava de ouvir jazz nas horas vagas. Em declarações mais recentes, a propósito deste lançamento, referiu mesmo que se inspirou em nomes como Aretha Franklin, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Etta James, em parte por serem ícones feministas (mais sobre isso adiante).

 

 

De qualquer forma, gosto muito do resultado final.

 

Começando pela interpretação. Esta música pode ter sido território novo para a Avril mas, baseando-se no seu desempenho vocal, não se nota nada. Quando saiu uma prévia da faixa, com os seis primeiros segundos, eu contava com vocais graves, estilo Give You What You Like.  Em vez disso, Avril alterna sem dificuldade entre agudos e graves, dá voz aos coros, como se tivesse passado os seus (*faz contas de cabeça*) quase dezassete anos de carreira cantando neste estilo.

 

Tanto Head Above Water como Tell Me It’s Over mostram que a voz da Avril nunca esteve em melhor forma – ótimas indicações para o álbum novo.

 

A letra de Tell Me It’s Over, não sendo nada do outro mundo, é melhor que a de Head Above Water – mais fluida e consistente, sem partes que parecem só lá estar para a rima ou para preencher buracos. No que toca à Avril, está acima da média em termos de qualidade.

 

Esta é mais uma canção entre várias na discografia da Avril sobre relações falhadas. Tell Me It’s Over fala sobre uma relação tóxica, sem futuro, mas em que o homem insiste em permanecer na vida da narradora. Não é capaz de dar-lhe o que ela quer, ou de tratá-la como deve ser, mas consegue manipulá-la demasiadas vezes. Na terceira parte da canção, a narradora está determinada a cortar com ele de vez e para sempre.

 

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É curioso que Avril tenha escrito esta letra nesta altura do campeonato. Ela sempre deu a impressão de ser bastante exigente em termos românticos – músicas como He Wasn’t e The Best Damn Thing deixam-no bem claro. Se olhássemos para essas duas faixas, nunca imaginaríamos a narradora delas (assumindo que é a mesma narradora nas três músicas), presa numa relação tóxica – antes, não aceitava um homem que não lhe abrisse as portas, mas agora não consegue largar um que, no videoclipe, lhe destrói o telemóvel?

 

Só prova que , por vezes, somos os nossos piores conselheiros.

 

Como podem ver, estou bastante satisfeita com Tell Me It’s Over. A única falha que tenho a apontar é à percussão – a batida soa um bocado artificial. Não havia necessidade, podiam ter gravado uma bateria a sério.

 

É apenas um pormenor, não afeta a qualidade da música, na minha opinião. Só reparei nisso porque uma pessoa o referiu no Twitter – se não o tivesse lido, ter-me-ia passado ao lado.

 

Não digo que Tell Me It’s Over esteja já entre as minhas músicas preferidas, mas é um passo na direção certa. O álbum homónimo jogou muito pelo seguro, tirando uma ou outra exeção. Tanto esse como o Goodbye Lullaby pareceram seguir um critério comercial na escolha dos singles – o quarto álbum, por exemplo, era cerca de oitenta por cento, mais coisa menos coisa, baladas e/ou música maioritariamente acústica, mas só uma dessas faixas se tornou single.

 

Não que tenha dado grande resultado.

 

Desta feita, foram lançadas duas baladas como singles – pela primeira vez em toda a carreira da Avril. A única exceção poderá ser Nobody’s Home depois de My Happy Ending, para o Under My Skin, mas não considero My Happy Ending uma balada.

 

Calculo que ela tenha mais controlo sobre a sua carreira e estratégias de marketing, depois de se ter mudado de gravadora. Faz bem. Se é para ser flop, que o seja com liberdade criativa, segundo os termos da Avril!

 

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Como disse antes, o álbum chamar-se-á Head Above Water, tal como o primeiro single. É um bom nome para este álbum, tendo em conta as circunstâncias e tudo o que a Avril revelou, quando lançou o single. Só acho estranho que ela não tenha revelado na altura que o álbum teria o mesmo nome (talvez só o tenha decidido depois).

 

O nome, data de lançamento, capa e tracklist foram revelados oficialmente no passado dia de 7 de dezembro – exatamente oito anos após o mesmo ter acontecido com o Goodbye Lullaby (mais um argumento para a minha previsão de que Head Above Water será uma versão melhorada de Goodbye Lullaby).

 

A capa não é das mais populares entre os fãs. Eu mesma não gostei muito à primeira – não pela nudez, mais por a achar demasiado escura. É, aliás, a segunda capa de seguida em preto. Eu sei que é a cor preferida da Avril, mas acho que ficava um pouco melhor a cores, com o fundo em azul.

 

Além de que aquele braço é um fail de Photoshop. Espero que corrijam antes do lançamento do álbum. Duvido que o façam, no entanto, já que a capa tem sido publicada em vários sítios sem alterações desde essa altura.

 

Agora que já se passaram alguns dias, já gosto um pouco mais da capa. Continuo a achar que a capa do álbum homónimo é pior.

 

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Na verdade, acho a tracklist muito mais interessante – com títulos como Love Me Insane e Bigger Wow. Além de que tem piada haver uma música chamada I Fell In Love With the Devil, num álbum cuja faixa-título é essencialmente uma oração.

 

Dumb Blonde é, segundo Avril, a música mais agitada, mas parecida com os seus típicos singles pop rock. Segundo um texto que vazou por umas horas há um par de meses, Dumb Blonde será uma música contra estereótipos misóginos como, lá está, “a loira burra”.

 

Quase quinze anos após Don’t Tell Me, Avril vai finalmente lançar outra música feminista. Ainda bem!

 

Por sua vez, Warrior é um título que conhecemos há quase dois anos. Pelos vistos, foi escolhida para encerrar o álbum. Baseando-me nisto, acho que Warrior funcionará como um epílogo à história contada em Head Above Water. Avril refletirá sobre tudo por que passou, concluindo que é uma guerreira, que sobreviverá e sairá mais forte desta luta.

 

Ficamos à espera, então. Talvez saia mais um single antes mas, se não sair, não me importo. Pode haver quem não tenha gostado de ter de esperar três meses por Tell Me It’s Over, depois de Head Above Water. Eu, no entanto, acho-o preferível a levar com metade de um álbum antes do lançamento oficial.

 

Só espero que o resto do álbum esteja ao nível dos primeiros dois singles, sobretudo de Tell Me It’s Over.

 

Antes, tenho planeado um texto de Músicas Ao Calhas centrando-se em duas músicas, uma delas da Avril. Mesmo que não hajam mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas antes do lançamento de Head Above Water, preparem-se para uma dose saudável de Avril Lavigne neste blogue.

 

Entretanto, ando já a trabalhar no habitual texto de fim de ano. Este deverá ser um pouco mais curto que o do ano passado – ainda não sei se vou sequer dividi-lo em duas partes. De qualquer forma, já comecei a escrever o primeiro rascunho. Espero conseguir publicá-lo a tempo.

 

Obrigada pela sua visita, como sempre.

Músicas Não Tão Ao Calhas – Head Above Water

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Avril Lavigne lançou, no passado 19 de setembro, Head Above Water, uma música que serve de primeiro avanço ao seu sexto álbum de estúdio (ainda sem nome e sem data de lançamento).

 

Quem siga este blogue há pouco tempo, se calhar, não saberá que Avril é a minha cantora preferida de todos os tempos. Como ela tem estado afastada dos holofotes durante os últimos quatro anos, tirando uma ou outra ocasião, não tenho tido muitas oportunidades para escrever sobre ela.

 

O seu último álbum de estúdio, homónimo, saiu há quase quatro anos. Depois desse, Avril lançou um single isolado, Fly, deu a voz à Branca de Neve do Príncipe Bué Encantado (embora não se perceba o que está a acontecer a esse filme) e emprestou a voz a canções de outros artistas. Desses, escrevi sobre Get Over Me e Listen, mas não sobre Wings Clipped. Não gostei desta última e, como saiu na véspera do quinto filme de Tri, não quis perder tempo com ela.

 

Foi uma longa espera, mais do que com os álbuns anteriores, mas, falando por mim, não me custou tanto como antes – em parte porque andei entretida com outras coisas, outras músicas. Em parte porque, desta feita, havia um motivo excelente (mais sobre isso adiante). Fui gerindo a página do Avril Portugal, que é a última ligação que tenho ao Fórum com o mesmo nome, mas existiram várias ocasiões em que mal pensava nela.

 

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No entanto, tudo isso mudou nas últimas semanas, assim que saíram os primeiros sinais de que Avril ia lançar música nova – e não era mais uma falsa partida, era mesmo a sério, com fotografias promocionais, com filmagens de videoclipe. Tenho-me sentido como se tivesse dezanove anos outra vez – altura em que quase só ouvia, pensava e respirava Avril Lavigne. As saudades que eu tive destas coisas.

 

Avril é como se fosse a minha casa no mundo da música, a minha mãe musical. Foi uma das primeiras artistas cuja música me apaixonou. Foi ela quem me trouxe ao mundo da música, com quem aprendi a ser fã, que ajudou a formar o meu carácter (musical e não só).

 

Estive muito tempo agarrada às saias dela, quando era mais nova, pouco ouvindo de outros artistas (tirando Bryan Adams, que por esta lógica pode ser considerado o meu pai musical). Com o tempo, fui saindo de debaixo da asa dela, descobrindo outra música – música, em muitos casos, falando de modo cem por cento racional, melhor que a da Avril – mas nunca deixo de voltar para ela. Tal como uma mãe, ela sabe sempre aquilo de que gosto e nunca haverá ninguém que tome o lugar dela.

 

Isto sou eu, claro, mas estou longe de ser a única. Uma coisa de que me apercebi nos últimos anos, de resto, é que a pegada que Avril deixou no mundo da música não desapareceu – mesmo que, na última década, ela tenha deixado de ter o sucesso comercial de outros tempos. As pessoas respeitam-na, sobretudo pelos seus primeiros dois álbuns mas não só. Reconhecem, tal como eu, o seu talento enquanto cantora e compositora, que ela é genuína de uma maneira que poucos são, no mundo da música. Avril, além disso, tem sido citada como influência por toda uma geração de artistas indie rock, como Soccer Mommy e Snail Mail.

 

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Isto é, quando não falam sobre a estúpida teoria da conspiração – que, à luz das últimas declarações dela, é de péssimo gosto.

 

Conforme já referi noutras ocasiões, os últimos anos não foram fáceis para Avril – nem para ela, nem para a maioria do meu “nicho” musical, como tenho vindo a reparar. A Avril contraiu a Doença de Lyme em 2014 – mais ou menos na mesma altura em que o seu primeiro marido, Deryck Whibley dos Sum 41, se ia matando à custa do álcool. Os Paramore estiveram à beira da implosão, depois da saída do baixista Jeremy Davies, o que quase deu cabo da vocalista Hayley Williams. Mesmo os Within Temptation terão passado por uma mini-crise, por desgaste, bloqueio criativo e problemas pessoais. Por fim, e sem dúvida o pior de tudo… o Chester morreu.

 

Não tem sido fácil para ninguém. Mesmo comigo tem sido com altos e baixos.

 

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Avril já tinha falado sobre a sua experiência com o Lyme noutras ocasiões mas, tanto quanto me lembro, não tinha ido tão longe como na carta de apresentação de Head Above Water. Avril escreveu que passou uma boa parte dos últimos anos, sobretudo os dois primeiros, presa à cama; que houve uma altura em que estava nos braços da sua mãe, sentindo o corpo a desligar-se e aceitando que ia morrer.

 

Vão ter de me perdoar a linguagem mas ler isto, do punho da minha mãe musical, pouco mais de um ano depois de perder o Chester, foi fodido.

 

Terá sido nessas circunstâncias que Avril rogou a Deus que não a deixasse morrer, que “mantivesse a sua cabeça à tona da água”. Daí Head Above Water – essa prece feita música e a primeira faixa gravada para este álbum.

 

  

And my voice becomes the driving force”

 

Musicalmente, Head Above Water é uma balada – é a primeira vez que Avril usa uma balada como primeiro single de um álbum novo. É um bocadinho estranho que tenha demorado tanto tempo, quando algumas das suas canções mais populares são neste estilo – como I’m With You e Keep Holding On. Começa com piano, num ritmo um bocadinho mais acelerado que o habitual, ao qual se juntam mais instrumentos – destacando-se uma guitarra elétrica discreta, um violoncelo e aquela percussão típica de baladas.

 

Em termos de vocal, Avril entra com tudo desde o início, a voz clara e forte do princípio ao fim. Na biografia atualizada do seu site oficial, Avril refere que, após ter passado dois anos praticamente sem cantar, não sabia em que estado estaria a sua voz. Quando gravou Head Above Water, no entanto, a sua voz soou “mais forte do que nunca”. Eu tenho de concordar.

 

Destacaria, aliás, o verso que citei acima, tanto pelo seu significado como pela maneira como Avril o canta – eu fiquei de queixo caído da primeira vez que o ouvi. Yep, se há voz capaz de servir de força motriz, é esta.

 

Falemos, então, da letra. Com referi acima, Head Above Water é uma oração, um pedido de socorro a Deus, Avril rogando-Lhe que não a deixe morrer. Não que ela chegue a usar essa palavra, recorrendo antes a eufemismos (“I’m too young to fall asleep”).

 

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Um aspeto que me agrada particularmente é a temática aquática. Conforme referi noutras ocasiões, a água é o meu elemento. Entre outras coisas, sempre adorei nadar, sobretudo no mar, sobretudo debaixo de água e já escrevi aqui no blogue sobre canções que usam metáforas aquáticas. Ao contrário de Underwater e Pool, no entanto, em Head Above Water, a água, o mar, possuem uma conotação negativa – representam a doença dela.

 

Ao mesmo tempo, foi nestes momentos de dificuldade que Avril se aproximou de Deus – como acontece com muitas pessoas em circunstâncias semelhantes. (“I’ll meet you there, at the altar, as I fall down to my knees”, “I need you now, I need you most”)

 

Infelizmente, a letra de Head Above Water acaba por cair nas mesmas armadilhas que uma boa parte da discografia da Avril: a letra é demasiado vaga e acaba por se perder um pouco em clichés. Confesso que fiquei um pouco desiludida, depois de o quinto álbum tem incluído algumas letras boas, como 17 e Give You What You Like, melhorando bastante em relação ao seu antecessor, estava à espera de um bocadinho mais.

 

Não que isso prejudique demasiado a música. A letra é suficientemente sólida para transmitir a mensagem e a emoção – e para comover outros doentes de Lyme (mais sobre isso adiante).

 

  

É isto, essencialmente. Não diria que esteja caída de quatro com Head Above Water, mas é uma boa música, uma música que poderá tocar muitas pessoas, sobretudo alguém que tenha passado por uma situação semelhante – quer seja Lyme ou outra doença grave, quer sejam dificuldades económicas ou assim. Por muito que uma pessoa até possa gostar das Girlfriends e Hello Kittys desta vida e que, por vezes, Avril não queira levar a sua música demasiado a sério, a verdade é que é desta faceta da Avril que gostamos. Da música que vem do coração e que salva vidas, mesmo com letras imperfeitas.

 

E Head Above Water até tem sido bem recebida pelo público. Tem dominado as tabelas de vendas do iTunes, chegando mesmo ao primeiro lugar nos Estados Unidos, algo que não acontecia desde Girlfriend (embora eu tenha algumas dúvidas no que toca à relevância do iTunes numa era dominada pelo streaming). Tem sido ainda melhor recebida por outros doentes de Lyme – como esta senhora. Não sei como isto afetará o sucesso comercial de Avril e do próximo álbum a longo prazo, mas é um bom começo.

 

Ainda não há nenhuma pista em relação ao álbum ou mesmo a outros singles. Há quem diga que o álbum ainda sai este ano, mas eu duvido. A ideia com que fiquei foi que Avril quer ir fazendo isto aos bocadinhos, regressando a pouco e pouco ao mundo da música, não vá a sua saúde ressentir-se. Acredito, aliás, que os adiamentos se devem a recaídas (sinto-me culpada por ter reclamado antes…). Não me admirava se saíssem vários singles antes de o álbum ser lançado por completo.

 

Em todo o caso, se houver outro single nos próximos tempos, podem contar com mais um texto de Músicas Não Tão Ao Calhas. Mal posso esperar.

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. 

Música de 2017 #2

Primeira publicação de 2018! Bom Ano, minha gente! Hoje continuamos a falar da música que me marcou em 2017. Como poderão ler aqui, se ainda não o tiverem feito, terminámos a primeira parte com uma música cantada em português. A próxima música desta lista também é cantada na nossa língua – e sei que não fui de todo a única a render-me a ela.

 

  • Salvador Sobral – Amar Pelos Dois

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Não podia falar da música de 2017 sem falar de Salvador Sobral e de Amar Pelos Dois. Nunca me interessei muito pelo Festival da Canção mas, à semelhança da maior parte dos portugueses, não fiquei indiferente ao músico e à canção que finalmente nos sagraram vencedores da Eurovisão. A noite de 13 de maio é capaz de ter sido a mais feliz do ano todo – foi como estivéssemos a ganhar o Euro 2016 outra vez.

 

Confesso que, noutras circunstâncias, talvez a música me tivesse passado ao lado. É lindíssima, sim, mas está longe de ser pioneira. Não faltam por aí baladas de piano-e-violinos. Ainda este ano tivemos Writer in the Dark, de Lorde. Por sua vez, a minha cantora preferida, Avril Lavigne, tem uma data delas – destacando-se Innocence.

 

Também acho que, se esta música tivesse saído há dez, quinze anos, talvez tivesse passado despercebida a muita gente. Mas estamos em 2017: os instrumentos a sério estão em vias de extinção, tal como já referi antes; pelo menos noventa por cento das músicas que tocam na rádio são descartáveis; a larga maioria das músicas da Eurovisão são mais espetáculo, “foguetes”, que conteúdo (embora a edição deste ano tivesse umas quantas músicas giras, sobretudo a da Bélgica). Não foi, por isso, grande surpresa que Amar pelos Dois se tenha destacado. A sua vitória sempre abrirá caminho para que músicas parecidas, com mais emoção e conteúdo, se qualifiquem para o Festival do próximo ano.

 

 

  

E de facto, se ouvirmos com atenção, Amar Pelos Dois é uma música encantadora na sua simplicidade. A minha manicura habitual diz que a canção lhe parece saída de filmes antigos da Disney – bem visto. A música funcionaria bem como uma serenata de um príncipe à sua amada ou cantada pela Branca de Neve aos animais da floresta.

 

Outro ponto a favor é o facto de o Salvador ser… “Salvadorable”. Possui o equilíbrio perfeito entre esquisito e fofinho – penso que é a isto que os anglo-saxónicos chamam “adorkable”. Ele acaba por ser parecido com a Lorde no sentido em que ambos sentem e interpretam música com o corpo todo, de forma pouco convencional. Tem, ainda um sentido de humor terra a terra, que fica sempre bem.

 

  

Isto é, até se virar contra ele, no concerto do Juntos Por Todos.

 

A boca em si não me chateou… muito. Não era de todo a melhor altura para dizer aquilo, mas não acho que tenha sido por mal. São daquelas atitudes típicas de quem é famoso há pouco tempo e ainda não tem noção da sua posição. O que me chateou mais é que pôs toda a gente a falar sobre isso e as coisas boas que aconteceram durante o resto do concerto passaram ao lado.

 

Enfim. Mais importante é que o dinheiro chegue mesmo às vítimas.

 

Em setembro, o Salvador colocou a carreira em pausa, pelos motivos de saúde que todos conhecemos. Felizmente, há poucas semanas, recebeu finalmente um coração novo (esperemos que este também possa amar pelos dois…) e, por alturas do Natal, saiu dos Cuidados Intensivos. Ainda lhe espera uma recuperação longa, mas todos desejamos que tudo corra bem a partir de agora e que não demore muito a regressar aos estúdios e aos palcos – de preferência, a tempo de dar um saltinho ao próximo Festival da Canção, organizado por Portugal.

 

  • Paramore

 

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Os Paramore foram a banda que mais ouvi no Spotify, como poderão ver aqui. Isso deve-se muito ao álbum que lançaram – e que, de maneira paradoxal, me fez revisitar a discografia antiga deles. After Laughter é muito 2017, com uma data de canções sobre pessimismo, sobre desânimo, sobre cair na real… disfarçadas de músicas alegres. Uma espécie de escapismo ao contrário.

 

As minhas opiniões sobre o álbum não mudaram muito desde que publiquei a minha análise, no verão passado. After Laughter está muito bem feito – não parenas graças a Hayley Williams, às suas letras, à sua interpretação, mas também aos instrumentais criados por Taylor York, com a ajuda ocasional de Zac Farro.

 

Quando se fala de Paramore, a maior parte das pessoas fala apenas sobre a Hayley, tratando os outros membros (ou ex-membros) como mera banda de apoio. O que é um erro. Se Hayley é a cara, a voz e o final das músicas dos Paramore, Taylor é o cérebro. É onde surgem os xilofones de Hard Times, os riffs de Told You So, a guitarra acústica de 26, o piano de Tell Me How.

 

Para não dizer, mais uma vez, que poderá ser graças a Taylor que ainda temos Paramore.

 

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O que nos vale é que o Taylor é muito tímido, segundo consta, não parece ser pessoa para reclamar créditos (talvez seja por isso que ainda não tenha imitado Josh ou Jeremy).

 

Mais sobre isso um dia destes.

 

Tal como referi acima, After Laughter representa bem este ano, pelo menos para mim. Uma das principais, nesse capítulo, é 26. Já tinha referido, na análise, que esta, na minha opinião, descreve um conflito entre idealismo e cinismo. Acho que já tinha dito aqui, algures, que por norma não sou uma pessoa cínica e não desejo sê-lo.

 

  

No entanto, tive momentos este ano em que estive perto – sobretudo durante as tais semanas de desânimo, depois do concerto pelo Chester. Houveram alturas em que não me reconhecia a mim mesma e que me assustaram – uma delas aquando dos jogos da Seleção de novembro, em que não me conseguia entusiasmar como antes. Procurava agarrar-me a qualquer resquício de esperança, de alegria, que conseguisse encontrar, mas a realidade nem sempre colaborava. Até mesmo no filme mais recente de Tri (cuja análise andava a escrever na altura) a esperança e o idealismo tinham saído derrotados, no final mais sombrio daquele universo.

 

Consegui ultrapassar esse mau momento, mas nada me garante que não volte a cair no desânimo, um dia destes. Não quero de todo perder a capacidade de sonhar, de me entusiasmar com pequenas grande coisas, como a minha escrita, jogos de futebol, músicas novas, entre outras coisas. De esperar por dias melhores. Tal como Hayley diz, em 26, sobreviver nem sempre é a parte mais difícil. Às vezes, o mais difícil é manter a nossa esperança e o nosso idealismo intacto, perante todas as facetas horríveis deste mundo.

 

Sem pensar que, por muito triste que seja a perda de pessoas excelentes, como o Chester, a verdade é que não parecem existir grandes vantagens em viver neste planeta.

 

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A propósito do Chester, mais uma vez, a morte dele deu-me novas perspetivas sobre as músicas Idle Worship e No Friend – músicas que nos recordam que os nossos heróis são apenas humanos. Prova melhor do que o que aconteceu a Chester não há.

 

Um excerto de No Friend reza assim “I see myself in the reflection of people’s eyes, realizing that what they see may not be even close to the image I see in myself”. Parece-me que esse sempre foi o caso de Chester – ele que descrevia a sua própria mente como um lugar hostil, que dizia que ele mesmo era o seu pior inimigo, quando, na verdade, era idolatrado por milhões. E, no fim, ninguém conseguiu salvá-lo dele mesmo.

 

Mas regressemos aos Paramore. Neste final de 2017, Hayley parece um bocadinho melhor que há alguns meses, quando o Aflter Laughter estava para sair. Talvez o pior já tenha passado para ela e para o resto da banda.

 

Em todo o caso, gosto sempre de recordar que a última frase em After Laughter é “I can still believe”. Se a Hayley ainda consegue manter a esperança, ou a fé, ou o que quer que lhe chamemos, nós podemos tentar fazer o mesmo.

 

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  • Lorde

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Aquando do texto de Ano Novo do ano passado, eu sabia que voltaria a escrever sobre Lorde no texto deste ano. Após o excelente Pure Heroine, a fasquia estava alta para o segundo álbum de Ella Yelich-O'Connor. No entanto, Melodrama não desiludiu ninguém: é uma autêntica obra de arte, do princípio ao fim. Desde a energia dançante de Green Light e Supercut, à vulnerabilidade de Liability de Writer in the Dark, passando pela bipolaridade de Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S.

 

Não que o público em geral tenha dado por isso. Segundo as minhas pesquisas, apenas o single Green Light teve sucesso moderado. Conforme já tinha escrito antes, Homemade Dynamite seria o grande single – até lançaram um remix com uns quantos artistas da moda, a ver se descolava. Não que tenha tido grande sucesso, tanto quanto sei.

 

Tem piada. Em 2013/2014, quando ainda não era fã dela, as rádios portuguesas tocavam Royals até dar comigo em doida. Agora que já sou, não me lembro de ter ouvido uma música que seja dela.

 

De qualquer forma, continuo a fazer figas para que ela venha a Portugal no próximo ano.

 

  

Parece-me um sacrilégio estar a falar de favoritos num álbum tão consistentemente bom, mas tenho andado obcecada com Sober: uma canção como nenhuma outra, que combina inúmeros pormenores fantásticos. Deste os “Night, midnight, lose my mind”, às trompetes e saxofone no refrão, passando pelo rugido de um tigre (numa trela de ouro, espero eu). Este podcast disseca os elementos todos.

 

Não que as outras canções fiquem atrás em qualidade, mesmo não sendo tão intricadas. Nalgumas, aliás, a simplicidade é o seu ponto forte. Como Liability (só piano) e Writer in the Dark (piano e violinos, como vimos antes). Outras recriam o estilo minimalista de Pure Heroine. Nomeadamente Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S. e a reprise de Liability.

 

Já que falamos no estilo minimalista de Lorde, queria fazer um aparte e falar sobre o cover que ela gravou para o Live Lounge da BBC 1 e que tem incluído nos seus concertos.

 

 

Quando descobri acerca deste cover, fiquei contente por dois motivos. Primeiro, porque In the Air Tonight é uma das minhas canções preferidas de todos os tempo. Escrevi sobre ela aqui no blogue, há quase cinco anos (!!). Segundo, porque a versão original é perfeita para a Lorde – tão perfeita que me pergunto porque não reparei mais cedo.

 

Conforme escrevi na altura, a versão original de In the Air Tonight é grave, um tanto ou quanto fantasmagórica, assenta-se muito na percussão, com destaque para o famoso solo, no final da segunda estância. A música acabou, assim, por antecipar o estilo característico de Lorde, sobretudo do seu primeiro álbum.

 

Isto para não falar dos “Oh, Lord” – que, nesta versão, têm imensa piada.

 

Mas regressemos a Melodrama. Falta falar sobre a minha canção preferida nesse álbum e de todo 2017: Perfect Places.

 

  

Já tinha explicado antes aquilo que me atrai na música: um refrão que é puro ecstasy, uma letra com a qual me identifico. Tenho vindo a identificar-me cada vez mais com Perfect Places, aliás – sobretudo com o verso “I hate the headlines and the weather”.

 

No site Genius, Lorde escreveu sobre esta frase: “Esta música começou a ganhar forma no final do verão de 2016, em Nova Iorque e as notícias eram horríveis todos os dias e estava tanto calor de uma maneira errada, da maneira como eu imagino o tempo num filme de desastres mesmo antes de uma bomba rebentar ou de os aliens aterrarem. Deu comigo em doida, um bocadinho, eu andava por Midtown e sentia-me à beira de arrancar as minhas roupas ou de me passar perante um estranho. E todos os dias nas notícias diziam “Lado positivo! Temperaturas recorde todo o fim de semana!” e eu pensava “NÃO PERCEBEM O QUE ISTO SIGNIFICA!!! VAMOS TODOS MORRER!!!” Este é provavelmente o verso mais Melodrama em todo o álbum.”

 

Bem, tendo em conta o que se passou em Portugal com os incêndios, num verão que nunca mais acabava, nada disto me parece melodramático. Eu, aliás, alteraria o verso seguinte para “My whole country is on fire”.

 

E, claro, a parte do “All of our heroes fading”. Já me fartei de falar do Chester, mas este ano também perdemos Pedro Rolo Duarte (que ouvia há vários anos na rádio) e o Zé Pedro, dos Xutos – mais uma banda que não vai voltar a ser o mesmo. E não nos limitamos a heróis de carne e osso – tenho também um herói de infância que não teve um desfecho feliz da última vez que o vi.

 

  

Perfect Places funciona, assim, como uma boa representação do meu 2017: o mundo desabando à minha volta, eu tentando agarrar-me à minha versão de sítios perfeitos, às coisas boas da vida, a experiências que transcendessem a turbulência deste ano. Podem não resolver nada, podem não passar de escapismo, mas em certas ocasiões são das poucas coisas que me fazem levantar da cama. Que me impedem, lá está, de ceder ao cinismo.

 

E a verdade é que, apesar destas queixas todas, o ano 2017 trouxe várias coisas boas: as músicas de que falámos neste texto (em particular a que venceu na Eurovisão), o bom período da Seleção Portuguesa, a segunda e terceira geração de Pokémon Go, bem como os Raids Lendários, os jogos Ultra Sun e Ultra Moon, os dois filmes de Tri (mesmo com todos os defeitos, mesmo com o final triste do último).  Enquanto tivermos coisas como essas nas nossas vidas, conseguiremos sobreviver. Eu pelo menos conseguirei.

 

 

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Agora que já falei sobre os principais artistas e músicas deste ano, deixo aqui algumas notas sobre outros músicos do meu nicho. Bryan Adams lançou Ultimate, um Greatest Hits com um par de músicas novas, Ultimate Love e Please Stay.

 

Ultimate Love tenta abordar temas atuais e ser inspiradora, mas não consegue elevar-se acima de clichés e banalidades. De Please Stay gosto mais, apesar de não fugir muito à fórmula das canções de amor de Bryan Adams. Essa, ao menos, tem passado algumas vezes na rádio.

 

Não tenho mais a dizer sobre estas faixas. Aqui entre nós, tanto elas como o próprio CD, Ultimate, eram desnecessários.

 

  

Primeiro, os Spotifys e YouTubes desta vida tornaram os álbuns de Greatest Hits obsoletos. Se alguém quiser conhecer melhor um artista ou banda, vai às playlists This Is [Artist] ou pesquisa no YouTube e clica nos primeiros resultados. Fãs de longa poderão comprar o CD para a coleção, mas calculo que muitos, como eu, limitar-se-ão a comprar as músicas inéditas no iTunes.

 

Segundo, o álbum de inéditas mais recente do Bryan saiu há apenas dois anos. Não fazia falta material novo tão cedo, na minha opinião.

 

Dito isto, é bom saber que Bryan ainda não se acomodou, continua com vontade de fazer e lançar música, dar concertos. Conforme escrevi há quase dois anos, se o Bryan ainda não se cansou, eu também não me canso.

 

Por sua vez, Sharon den Adel, dos Within Temptation, inaugurou um projeto a solo, de nome My Indigo. O álbum, homónimo, tem lançamento marcado para 20 de abril e já duas canções foram divulgadas: uma homónima, My Indigo, e Out of the Darkness.

 

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Tenho gostado do que ouvi até agora, sobretudo de My Indigo – a primeira que conhecemos, a meio de novembro. Estive quase para escrever sobre ela, nas Músicas Não Tão Ao Calhas, mas preciso de mais tempo para decifrar a música. Prefiro esperar pelo lançamento do álbum.

 

My Indigo é, assim, o primeiro álbum por que esperar em 2018. Outro será, possivelmente, o sexto de Avril Lavigne… que, se se recordarem do texto do ano passado, ela tinha prometido para este ano. Eu, na altura, pensava que estava a ser pessimista quando dizia para apontarmos para novembro e dezembro. Pelos vistos não estava…

 

Não é o atraso em si que me incomoda, atenção. Não me importo de esperar… muito. A doença de Lyme não é brincadeira nenhuma, os sintomas podem durar anos (alguns fãs esquecem-se disso). Mesmo tirando o Lyme da equação, também não quero que a Avril lance material com o qual não esteja satisfeita, só porque os fãs estão impacientes. Um bom álbum pode demorar um ano ou cinco a ser lançado. Mas um mau álbum dura para sempre depois de partilhado com o mundo.

 

Confesso que um dos motivos para pensar assim foi um tweet da Lorde, há algumas semanas: quando um idiota qualquer reclamou com ela por ter demorado quatro anos a lançar um álbum, ela disse não vai lançar álbuns “que existam apenas numa única dimensão”, nem que leve dez anos a criá-los.

 

  

Não, o meu problema não é a demora – sobretudo se o sexto álbum valer a espera. O meu problema é que a Avril tem a mania de fazer promessas que depois não cumpre. Ela, por exemplo, passou os primeiros meses de 2017 deixando pistas sobre possíveis canções novas, em especial Warrior. Chegou mesmo a dizer, num vídeo, que “fez um álbum sem tentar fazer um álbum”. Mas, depois disso, passaram-se meses e meses sem mais nada de concreto e, no mês passado, num direto do Facebook, disse mesmo que ainda nem sequer tinha gravado Warrior.

 

Isso para não falar da palavra “soon”, que já se tornou um meme entre os fãs.

 

Eu nem me posso irritar com ela, porque já não é a primeira vez que ela faz isto. Já com os últimos dois álbuns foi este drama. Preferia mil vezes que ela se mantivesse calada, demorando o tempo que quiser em estúdio, e, quando estivesse pronta – e por “pronta” quero dizer já com nome, capa, tracklist, pelo menos um single lançado e, de preferência, CDs físicos sendo já enviados para as lojas e datas de digressão marcadas (para Portugal, por favor!!!!) – fizesse o grande anúncio nas redes sociais.

 

E, mesmo assim, acho que só acreditaria quando as músicas aparecessem no Spotify ou no iTunes.

 

  

Em todo o caso, espero mesmo que este álbum valha este drama todo. Vai ser bom ouvir música nova da Avril, depois de tudo o que aconteceu desde o último álbum.

 

É com esta nota de esperança que termino este texto. Deixo uma playlist com as músicas de que falámos aqui.

 

 

Também podem ver e ouvir aqui as músicas que mais toquei no Spotify este ano, se quiserem.

 

Que 2018 corra melhor para todos nós (já será bom se não ocorrer mais nenhuma tragédia, como a dos incêndios florestais, e se mais nenhum dos meus heróis ou qualquer pessoa de quem goste, morrer). Que não falte boa músicam, pelo menos. Fiquem bem. Feliz Ano Novo!

Músicas Não Tão Ao Calhas - Listen

No verão passado, a banda japonesa One OK Rock andava a abrir concertos para os 5 Seconds of Summer. Terá sido num desses concertos no Canadá que a banda conheceu a cantautora Avril Lavigne. Trocaram contactos com ela e terá sido a própria Avril, pouco depois, a sugerir uma colaboração no novo álbum deles. A banda escolheu uma canção chamada Listen. A canção com a participação da Avril só foi editada na versão japonesa do álbum, por algum motivo, e foi lançada no dia 11 de janeiro, juntamente com o resto do álbum Ambitions.

 

 

"Ride or die until the end

But only you can save yourself"

 

Por algum motivo, eu, pelo menos, estava à espera de um tema pop rock alegre e agitado. Fiquei surpreendida quando Listen se revelou uma música relativamente calma, em ritmo midtempo, misturando guitarras elétricas, batida, teclados e outros elementos eletrónicos discretos. Um aspeto de que gosto em Listen é do facto de fugir à estrutura habitual da música pop: estância-refrão-estância-refrão. Na primeira metade da faixa, as estâncias vão alternando com momentos instrumentais. Takahiro Moriuchi, o vocalista dos One Ok Rock, (também conhecido simplesmente por Taka) e Avril vão cantando à vez e as vozes deles combinam bem. 

 

O meu momento preferido na música ocorre perto do fim, numa altura em que Taka vai alternando entre japonês e inglês, no fundo Avril vai cantando alguns versos em agudos impressionantes. "I won't let you go", "the pain you've been through", "the best thing to do". Mais uma prova de que Avril não se empenha menos só por ser uma música alheia e, também, que os seus dotes vocálicos não foram a lado nenhum.

 

A letra de Listen fala de alguém (pode ser um interesse romântico, um amigo ou um familiar) passando por uma fase difícil - possivelmente uma dependência ou um qualquer problema de saúde mental. O narrador (apesar de serem duas vozes, na minha opinião, há só um narrador) ajuda no que pode, quer ajudar mais. No entanto, terá de ser o próprio ente querido a fazer a maior parte do trabalho para se recuperar, o narrador pouco pode fazer.

 

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Pergunto-me se a letra de Listen foi baseada numa história real, passada com algum dos membros da banda ou alguém que eles conheçam. Faria sentido se assim fosse. Tanto quanto sei, Avril não contribuiu para a letra. Porém, não me admiraria se esta a tivesse feito pensar na sua própria doença (recordo que ela contraiu a Doença de Lyme em 2014, daí ter passado a maior parte dos últimos dois anos, dois anos e meio, retirada do mundo da música). Ou então, nos problemas do ex-marido com o álcool

 

Não é um assunto propriamente original, é certo. Não faltam por aí canções sobre pessoas passando por situações difíceis, com ou sem ofertas de apoio por parte dos narradores. Mesmo dentro da discografia da Avril é possível encontrar canções com temas semelhantes (Nobody's Home, Won't Let You Go, Keep Holding On, Darlin). Em todo o caso, Listen sempre possui mais interesse e substância que a música pop comum, sobretudo nos dias que correm.

 

Listen não é uma música absolutamente extraordinária e certamente não é melhor que a generalidade da discografia da Avril. No entanto, à medida que vou ouvindo várias vezes, tenho vindo a gostar mais e mais dela. Tal como referi acima, acaba por não ser muito diferente do tom que várias canções da Avril adotam - nesse sentido, Get Over Me trouxe um pouco mais novidade. 

 

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Quer-me parecer, de resto, que o próximo material da Avril andará mais ou menos nesta linha. Conforme referi antes, Avril deverá lançar um álbum novo este ano, refletindo a sua luta contra a Doença de Lyme. Depois de eu ter publicado essa entrada, ela partilhou a fotografia acima - como é óbvio, dá a entender que uma das músicas novas chamar-se-á Warrior (Guerreira). Não é difícil imaginar sobre que será a canção... Talvez seja o primeiro single. Tudo isto é bastante promissor. Conforme já dei a entender aqui, é quando Avril se baseia nas suas próprias emoções que a sua música verdadeiramente toca os corações dos seus ouvintes, que salva vidas. Assumindo que o Lyme terá sido uma das piores experiências da sua vida, julgo que podemos contar com músicas emocionantes - quiçá estilo Goodbye Lullaby

 

Tirando isso, estou a tentar não criar demasiadas expetativas em redor deste álbum. De igual modo, não ponho a fazer contas para possíveis datas de lançamento - porque isso correu tão bem das últimas vezes... Falando por mim, não tenho pressas, Avril lançará material novo quando estiver preparada.

 

Quanto a nós, tenciono publicar em breve uns quantos textos aqui no blogue. Alguns já estão meio escritos, alguns ainda nem sequer os planeei. Não me peçam para avançar com datas porque não consigo - tem sido muito complicado arranjar disponibilidade para o blogue nos últimos tempos. Mas hei de publicar estes textos, nem que seja daqui a seis meses. Em todo o caso, obrigada pela vossa paciência. Continuem desse lado!

 

O meu gosto musical

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Como poderão ter deduzido, no último mês não tenho tido muito tempo aqui para o blogue. Isto porque me tenho focado mais nos meus livros. Infelizmente, num futuro próximo não deverei ter muito mais tempo porque o Euro 2016 está aí à porta, logo, darei prioridade ao meu outro blogue. Para não deixar aqui o estaminé ao abandono por tanto tempo, nos intervalos, vou tentar escrever uns textos mais ou menos rápidos. Hoje respondo à TAG "O meu Gosto Musical".

 

1) Qual é o teu estilo musical preferido?

 

Tal como respondi antes, o meu estilo musical preferido é o rock.

 

2) Qual é o teu cantor ou banda preferido?

 

Mais uma vez, tal como respondi antes, o meu cantor masculino preferido é Bryan Adams. A minha cantora feminina preferida é Avril Lavigne. De momento, a minha banda preferida é Paramore.

 

3) Qual é o estilo musical de que menos gostas?

 

Há uns anos responderia dubstep e/ou EDM, mas a verdade é que tenho músicas deste estilo entre as minhas favoritas. Acho que não existe estilo musical de que não goste mesmo nada: só música pimba e mesmo assim.

 

4) Indica uma música que te faça chorar.

 

Tenho várias, mas a maior culpada é Tears in Heaven, de Eric Clapton.

 

 

5) Indica uma música que tenha marcado algum momento da tua vida.

 

Posso falar de vários momentos diferentes?

 

 

Eu podia continuar...

 

6) Que música andas a ouvir muito ultimamente?

 

 

Neste momento, ando a ouvir imenso o álbum da Lorde - algo que me surpreende a mim mesma. Houve altura há um par de anos em que ganhei ódio a Royals depois de a ter ouvido milhões de vezes na rádio (agora, gosto imenso dessa música). Por outro lado, apaixonei-me por completo por Team quando a ouvi pela primeira vez, há cerca de ano e meio. Essa ainda hoje é a minha preferida dela - aquele refrão é perfeito.

 

Há umas semanas resolvi ouvir Pure Heroine na sua totalidade e gosto da maioria das músicas. As minhas preferidas são 400 Lux, Tennis Court, Ribs e Buzzcut Season, para além daquelas que já referi. O estilo musical dela é muito sui generis, não dá para encaixar em nenhum género - só o "indie", que de resto engloba tudo o que não seja mainstream - já que Lorde quase não usa instrumentos (ela nem sequer sabe tocar nenhum deles), o instrumento principal é a voz. Apesar de eu não ir muito na conversa de anti-popstar (essa fase nunca dura muito, querida...), acho que ela tem muito potencial e quero ver o que fará com o resto da sua carreira.

 

7) Indica três artistas que gostarias de ver ao vivo.

 

  • Avril Lavigne, mas, pelo andar das coisas, mais depressa Jesus Cristo desce à Terra...
  • Gostava de ver os Paramore mais uma vez.
  • Os Within Temptation

 

8) Que música te recorda a infância?

 

O primeiro tema da série animada de Pokémon (esta versão é a minha preferida). A banda sonora dos jogos Pokémon versão Gold/Silver/Crystal.

 

Ah, e Brave Heart. O Daniel Costa da Animedia, aliás, já arranjou um ficheiro áudio decente da versão orquestral que tocou em Saikai e de que gostei tanto. Fica aqui o áudio...

 

 

 

9) Que música melhora o teu humor?

 

Dreaming, dos Smallpools. Esta música é tão alegre, tão contagiante, é uma coisa parva. É-me muito difícil ouvir esta música sem abanar o esqueleto.

 

 

Uma música com um efeito semelhante, mais antiga, é What Is Love, de Haddaway.

 

10) O teu filme preferido em termos de banda sonora.

 

Spirit é a resposta óbvia, mais óbvia do que eu gostava, até... Existem muitas músicas de que gosto que fizeram parte da banda sonora de filmes, mas não consigo pensar em mais nenhuma película em que aprecie toda ou quase toda a banda sonora. Só mesmo o Mamma Mia, mas nem sei se conta pois o musical foi baseado das músicas dos Abba, não o oposto. Já agora, referir que Mamma Mia é o meu feel-good movie, aquele que me deixa facilmente bem disposta. E partilho a minha cena preferida (relembro que esta é a mesma atriz que faz de Diane Lockhart, em The Good Wife).

 

 

 

11) Que tipo de música gostas de ouvir quando estás triste?

 

Depende muito das ocasiões. Lembro-me que, no Mundial 2014, no dia a seguir ao jogo com os Estados Unidos (em que Portugal ficou praticamente eliminado da prova), a única coisa que me apetecia ouvir era o álbum The Hunting Party, dos Linkin Park. Tinha acabado de sair e o estado de espírito Linkin Park era o que mais se adequava ao meu desânimo e mau humor. 

 

Houve outra ocasião em que a única coisa que me consolava eram canções de amor. 

 

À parte isso, regra geral, quando ando em baixo evito música demasiado triste.

 

12) Em que altura houves mais música?

 

Quando estou a conduzir. Oiço cada vez menos rádio, prefiro pôr o meu telemóvel a tocar a minha música. Adoro cantar quando estou a conduzir, quer quando estou sozinha no carro, quer quando estou a minha irmã.

 

13) Que música mais gostas de cantar em voz alta?

 

Existe música para ser cantada e música para ser apenas ouvida. Não significa que uma seja pior do que outra, depende muito do artista e do estilo musical. Dito isto, a única que consegue pôr-me sempre a cantar é Avril Lavigne. Quer com músicas mais alegres, quer com músicas mais calmas, quer com melodias fortes, quer com raps. Ela agarra-me sempre. 

 

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