Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Sunshine Blogger Award

sunshine-blogger-award.jpg

 

Mais uma vez lembraram-se de mim para uma tag e eu não podia estar mais feliz. Desta feita, foi a Helena – muito obrigada pela nomeação! Demorei quase um mês, mas aqui estão as minhas respostas. 

 

Eis as regras:

 

1) Agradecer à bloggerque te nomeou

2) Responder às 11 perguntas que foram feitas

3) Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas

4) Colocar as regras na tua publicação, incluído também a imagem do prémio.

 

As perguntas colocadas pela Helena são as seguintes:

 

1) De onde vem o nome do teu blogue?

 

Não é uma história por aí além, confesso. Criei este blogue para ser uma plataforma onde pudesse partilhar os meus “testamentos” (ou seja, os meus textos muito compridos). A palavra “álbum” parecia-me um sinónimo razoável de “blogue” (ou de qualquer rede social, na verdade). Daí Álbum de Testamentos.

 

Hoje, seis anos depois, admito que não morro de amores pelo nome. É um bocadinho comprido demais e não muito apelativo. Se fosse hoje, escolhia um nome diferente – algo que incluísse “caderno”. Mas agora já é tarde…

 

2) Quando e porque é que decidiste começar um blogue?

 

Como já escrevi várias vezes aqui, sempre adorei escrever, desde que aprendi a fazê-lo, sobretudo sobre coisas que me apaixonam. Antes de criar este blogue, criei outro (há já dez anos) sobre a Seleção Nacional. Só que, a partir de certa altura, senti vontade de escrever sobre outros assuntos e de partilhar esses textos na Internet. Daí este blogue.

 

3) O que mais gostas e menos gostas de ler noutros blogues?

 

Tenho um fraquinho especial por histórias de bebés e crianças pequenas, mas gosto de ler sobre de tudo um pouco. Quer sejam histórias pessoais, opiniões sobre a atualidade, críticas a livros ou filmes, sei lá…

 

A única coisa a que não acho grande piada – e estou a arriscar-me a incomodar muita gente aqui no Sapo Blogs – são aqueles blogues em que todas as publicações são apenas duas ou três frases. Quando são apenas uma parte delas – como as “Curtas do Dia”, da Mula – ainda vá que não vá. Mas quando são todas, irritam-me um bocadinho. Na minha opinião, um blogue deve ser diferente de uma conta no Facebook ou no Twitter.

 

Mas isto sou só eu – cujas publicações são quase sempre monstros de milhares de palavras. Cada um faz o que quiser com o seu blogue.

 

4) O que te faz seguir ou deixar de seguir outro/a blogger?

 

Geralmente, quando começo a seguir um blogue, é porque gosto do seu conteúdo, porque seguem o meu blogue e/ou porque os conheci pessoalmente. Não gosto de comentários do género “Olá! Segui o teu blogue, segues de volta?” mas, se alguém comenta ou reage a alguma publicação minha, gosto de pelo menos dar uma espreitadela ao seu blogue, a ver se gosto.

 

Por outro lado, acho que nunca deixei de seguir ninguém. O que pode acontecer é ir visitando menos vezes, sobretudo por falta de tempo ou por preguiça.

 

41418466_2181525538788325_8934222744784935080_n.jp

 

5) Se pudesses, dedicavas mais tempo ao teu blogue ou estás feliz com o teu trabalho atual?

 

Vamos por partes.

 

Primeiro, sim, gostava de ter mais tempo para os meus blogues. Com o meu emprego atual é difícil – para arranjar tempo e para arranjar energia, ao fim da tarde ou à noite, depois de um dia de trabalho. Uma tarde de fim-de-semana com o meu caderno, uma caneta, o meu computador e uma boa chávena de café é uma bênção, quando os consigo arranjar – e mesmo assim, nem sempre consigo ser produtiva.

 

Estou a tentar desabituar-me de fazer promessas no que toca a este blogue. Nem sempre consigo cumpri-las e estou sempre a mudar de ideias.

 

Por outro lado, não posso dizer que não esteja feliz com o meu blogue. Posso demorar eternidades a escrever e a publicar os meus textos mas, quando o faço, tenho ficado satisfeita com eles. Além disso, este ano, tenho obtido mais feedback do que o habitual, o que é muito animador, sobretudo nos dias mais difíceis.

 

É na boa. Vou tentar gerir melhor o meu tempo, ir tirando uma ou outra folga para escrever, sem stress. O importante é publicar textos que me agradem, mesmo que levem tempo, mesmo que nem sequer recebam muita atenção.

 

6) Peça de roupa sem a qual não podes viver.

 

Os meus ténis, cada vez mais, mesmo no verão. São o único calçado que trata bem os meus pés – até porque, por vezes, passo muitas horas de pé no meu trabalho.

 

Depois desses, os meus casacos de cabedal (eu adoro a Casa das Peles!) mas, como é evidente, quando está muito calor, não consigo vesti-los – e no entanto, neste verão atípico, tenho usado o casaco mais leve algumas vezes.

 

7) Tens alguma rotina “só tua” antes de dormir?

 

Nem por isso… Só mesmo desmaquilhar-me, lavar os dentes, tomar um duche (mais quando tenho de me levantar cedo na manhã seguinte). Gosto também de beber uma caneca de leite frio, pois ajuda-me a adormecer – não sei se é efeito placebo ou se existe mesmo algum composto no leite que contribui para isso.

 

8) Como te definiriam os teus amigos?

 

Nunca lhes perguntei diretamente… Acho que diriam que, ao primeiro contacto, sou simpática mas calada e reservada, mas que, depois de me pôr à vontade e começarem a conhecer-me melhor, sou bastante divertida.

 

9) “Antes só que mal acompanhado”?

 

Sem dúvida. Sempre fui uma pessoa introvertida, que nunca teve problemas em estar sozinha. Não que não saiba apreciar a companhia de outras pessoas, sobretudo pessoas de quem gosto. No entanto, se a escolha for entre estar sozinha e estar com pessoas de quem não gosto, vou para a primeira opção.

 

10) Qual é o livro da tua vida?

 

O Harry Potter. De caras.

 

41964854_184764715770064_6727563281877517850_n.jpg

 

11) Que histórias gostarias de ver em livro ou filme?

 

Não respondo a essa. Se houver alguma história que eu queira ver em livro ou filme, escrevo-a eu mesma!

 

 

E é isto. Agora, gostaria de nomear a Magda, o Fernando, o Triptofano, a Simple Girl, a Cátia, o P.A., a Happy, a Psicogata, o David, a Mula e a Chic'Ana para responder às seguintes perguntas:

 

1) Quando e porquê decidiste começar um blogue?

2) De onde vem o nome do teu blogue?

3) O que te faz seguir ou deixar de seguir outro/a blogger?

4) Se pudesses, dedicavas mais tempo ao teu blogue ou estás feliz com o teu trabalho actual?

5) Qual é a peça de roupa sem a qual não podes viver?

6) Quais são as três músicas da tua vida e porquê?

7) Que três países gostarias de visitar?

8) Se olhasses para a tua vida há 2 anos atrás, dirias que estavas melhor ou pior do que hoje?

9) Qual foi o último filme que viste no cinema? Que achaste dele?

10) Como imaginas a tua vida daqui a 5 anos?

11) Qual foi a melhor coisa que o(s) teu(s) blogue(s) te deu(deram)?

 

10 coisas para fazer este verão

maxresdefault.jpg

 

Há imenso tempo que não fazia uma destas. A Bruxa Mimi desafiou-me para responder à tag “10 coisas para fazer este verão”. Parece-me uma boa maneira de regressar a este blogue, após quase dois meses sem publicar. E também uma boa oportunidade de escrever sobre assuntos fora do habitual – nos últimos meses, pelo menos.

 

Eis as regras:

  • Agradecer a quem o nomeou, fazendo uma ligação para o blogue em questão;
  • Fazer uma lista de dez coisas que gostaria de fazer – e que sejam exequíveis – este verão;
  • Nomear cinco bloggers para fazer o mesmo.

 

Vamos a isso, então:

 

1) Recuperar do desgosto da expulsão do Mundial

 

Esta não deverá surpreender quem conheça o meu outro blogue. Quando isto acontece, quando Portugal é excluído de uma grande competição (o que tem acontecido sempre, tirando em há precisamente dois anos), fico chateada – às vezes durante uns dias, às vezes durante semanas, dependende. Desta feita, contudo, não quero que o mau humor dure demasiado.

 

Não que esteja a ser muito mau, na verdade. Esta tag veio na altura certa: pensar nos planos que tenho para o resto da estação tem ajudado. Há de passar.

 

2) Publicar textos em atraso

 

18252262_680553978795911_5623959589041995776_n.jpg

  

…nomeadamente, o texto sobre Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire, que queria ter publicado antes do Mundial. Quando terminei o gigantesco testamento sobre XY, pensava que tinha o primeiro rascunho sobre ORAS mais ou menos alinhavado. Esqueci-me que tinha deixado um enorme buraco no texto. Por outras palavras, tinha escrito o início e o fim, faltava o meio – ou, vá lá, uma parte dele.

 

Tentei ir preenchendo o buraco nos escassos intervalos entre textos do meu outro blogue, mas pouco progredi. Agora que estamos fora do Mundial, estou a tentar acabá-lo de vez.

 

É, de resto, a única vantagem de não termos chegado mais longe neste campeonato: agora tenho tempo para este blogue.

 

Depois deste texto, começo a escrever a análise a Bokura No Mirai, o último filme de Digimon Adventure Tri. O plano sempre foi escrevê-lo depois do Mundial e, de preferência, terminá-lo antes do fim deste mês. Está mais ou menos planeado, só falta mesmo escrever.

 

O que nos leva, aliás, ao próximo item desta lista...

 

3) Ir ao encontro do Odaiba Memorial Day Portugal

 

54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg

 

Depois de ter estado pouco tempo no encontro de 2016 e de ter falhado o encontro de 2017, este ano quero mesmo ir. Não vai ser no dia 1 de agosto, será no sábado anterior, o que é muito mais conveniente para mim, confesso. Pelo que se lê aqui, parece que o António se esmerou. Estou ansiosa por ver o resultado.

 

  • Tirar férias no Algarve

 

Eu adoro praia e o Algarve é o meu destino de eleição. Vou para o mesmo sítio todos os anos, desde miúda, mas é mais do que suficiente para mim. É capaz de ser o único local em todo o mundo onde consigo sentir-me verdadeiramente de férias, sem preocupações, sem dramas. Como reza uma frase que vi estampada numa t-shirt, a vida pura e simplesmente é melhor no Algarve.

 

  • Jogar jogos de tabuleiro com os meus irmãos

 

IMG_20180411_140530.jpg

 

Esta é parecida com um dos itens da Bruxa Mimi. O meu irmão é emigrante, mas vem passar duas semanas connosco. Uma das coisas que mais anseio fazer com ele e com a minha irmã é precisamente jogar jogos de tabuleiro: sobretudo Munchkin (embora este seja mais um jogo de cartas) e Catan.

 

É engraçado que, numa era cada vez mais tecnológica, as pessoas continuem a achar piada a estes jogos.

 

  • Pôr leituras em dia

 

Eu ando uma vergonha em termos de leituras: nestes últimos dois anos, tenho lido muitos poucos livros – leio artigos do Pocket e assim, não tanto livros. Continuo a ler mais do que a maior parte das pessoas, é certo, mas menos do que queria. Em parte porque a escrita ocupa uma grande parte do meu tempo, em parte porque, muitas vezes, só tenho energia para me esticar no sofá, à frente do Netflix.

 

Quero ver se compenso durante as férias. Comprei uns quantos na Feira do livro mas, até agora, só li uma parte de “Inês da Minha Alma”, de Isabel Allende. Também já soube que o Joel Dicker, entretanto, lançou um livro novo. A ver se o compro.

 

  • Escrever sobre My Indigo e Post-Traumatic

 

Estes – My Indigo, o projeto lateral de Sharon Den Alden, dos Within Temptation, e Post-Traumatic, o álbum a solo de Mike Shinoda – são álbuns que saíram nos últimos meses, por pessoas que admiro muito no mundo da música. Ainda não tive oportunidade de ouvi-los com ouvidos de ouvir, de ler as letras como deve ser, de consultar as interpretações no Genius, mesmo de escolher as minhas faixas preferidas.

 

Quando acabar a análise a Tri, hei de escrever sobre eles aqui no blogue – mas sem pressas. Os últimos meses têm sido um bocadinho stressantes no que toca aos meus blogues. Depois do texto sobre Mirai, vou querer ir com calma. O “quem corre por gosto, não cansa” só é verdade até certo ponto. Às vezes, é necessário abrandar, ou mesmo parar.

 

  • Ir ao cinema

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

  

Este verão há uma série de filmes que quero ver. Queria ter visto o Deadpool 2 quando saiu, há um mês ou dois, mas não tive oportunidade. Felizmente, consegui ver os Incríveis 2, no fim de semana passado. Gostei muito. Está muito bem feito, ao nível do primeiro. O único problema que tenho com o filme, sem dar grandes spoilers, diz respeito à motivação do vilão – podia ter sido melhor explorada.

 

Por sua vez, a curta-metragem, Bao, antes do filme, deu cabo de mim. Acho que foi a primeira vez que chorei numa sala de cinema – e vocês sabem que eu raramente choro com estas coisas.

 

Para além deste, também quero ver o Mamma Mia 2 – é possível que o faça em família. E, mais tarde, o novo Missão Impossível. Por sua vez, estava renitente em ir ver o Ocean’s Eight, mas disseram-me que era giro. Talvez o veja.

 

  • Jogar Sims

 

O Sims é um jogo curioso. Costumo jogá-lo durante o verão (o Sims 3 saiu em junho de 2009 e o hábito ficou). Não sei se o mesmo acontece convosco, mas, quando começo a jogar, o jogo agarra-me, vicia-me, não consigo largá-lo durante horas. Ao fim de algum tempo, contudo, deixo de jogar, por um motivo ou por outro (na maior parte das vezes é porque as férias acabam). Durante vários meses quase me esqueço que o jogo existe. Até que a certa altura (geralmente por volta do verão) bate-me a saudade e começa tudo de novo.

 

Não sei explicar ao certo que me me vicia tanto no Sims. Talvez a possibilidade de sermos Deus, de termos controlo absoluto sobre vidas virtuais, de escrevermos as suas histórias – essencialmente como brincar com bonecos. Talvez por ser o único sítio onde se consegue ter casa própria e, para ter um emprego, basta pedi-lo.

 

IMG_20170306_1238851_HDR.jpg

  

Uma coisa que gosto de fazer, pessoalmente, é recriar personagens ficcionais e deixá-las como vizinhos NPCs. Às vezes resulta em coisas engraçadas – como quando recriei o elenco de Friends, e o Chandler traiu a Monica com… a Emma. Sim, a filha do Ross e da Rachel. Já adulta, atenção – mas sim, é um bocadinho incestuoso…

 

A versão que jogo é o The Sims 3: Ambições Profissionais. Não comprámos o Sims 4 porque, pelo que vi de Let’s Plays e críticas na altura, tiraram algumas das minhas partes preferidas do Sims 3: o Create-a-Style, que permite personalizar tudo até ao infinito, e a possibilidade de jogarmos com o bairro inteiro, sem inúmeros ecrãs de carregamento e com todos os NPCs envelhecendo ao mesmo ritmo. Prefiro continuar a jogar o 3, mesmo que já tenha quase uma década de vida.

 

Neste momento, estou na fase da saudade. No entanto, este item está bastante abaixo na minha lista de prioridades para este verão. Por muito divertido que seja o jogo, está longe de ser uma atividade produtiva ou mesmo muito saudável. Primeiro, está a praia, a escrita, os livros, os jogos de tabuleiro. Se houver tempo para o Sims, ótimo. Se não houver, paciência.

 

  • Convencer a minha irmã a jogar Pokémon Sun

 

Quando começou a sétima geração, o plano era eu e a minha irmão jogarmos Sun juntas. No entanto, era difícil arranjar períodos em que ambas estivéssemos livres e, sobretudo, eu via que a minha irmã não estava tão interessada no jogo como eu. Finalmente, no verão passado, ela deixou-me jogar Sun sozinha.

E assim fiz. Mais tarde, quando saiu Ultra Sun e Ultra Moon, comprei a segunda e joguei-a de imediato até ao fim.

 

Quero ver, contudo, se consigo convencer a minha irmã a jogar pelo menos Sun. A sétima geração é fixe, os jogos são bons. Quero falar com a minha irmã sobre eles e quero que ela os disfrute, tal como eu disfrutei. Além disso, é uma boa maneira de recordar os jogos, para quando escrever sobre eles em Pokémon através das gerações.

 

 

916490_1249185025098166_1540780065_n.jpg

  

E aqui está. Estiquei-me um bocadinho com as respostas, mas é assim que o meu blogue funciona. Mais uma vez, muito obrigada à Bruxa Mimi para o desafio. Se quiserem nomear-me para outras tags deste género, estou disponível.

 

Deixo, então os meus nomeados: a Magda, a Mula, a Psicogata, a Happy e o David.

 

Tenham um bom verão!

 

À descoberta dos bloggers

 

IMG_20171220_171640_HDR.jpg

 

Há dez dias estive no Jantar de Natal dos Blogs, no Lx Factory. Foi divertido. Não conhecia ninguém pessoalmente, tirando a Magda – não há como esquecer o nosso primeiro encontro – e nem sequer conhecia muito bem os blogues das outras pessoas. Pois bem, fiquei a conhecer, tanto as pessoas como os blogues.

 

Não me vou alongar muito mais sobre essa noite – já outros falaram sobre ela (como a Magda). Esta publicação é a resposta a um desafio que começou nessa noite, com a Bruxa Mimi (tal como ela explica, no blogue dela). Em suma, temos de responder a cada uma destas perguntas com uma pessoa da comunidade do Sapo Blogs.

 

Tive de pesquisar um bocadinho – a Bruxa Mimi ajudou-me imenso, por sinal, ao se auto-indicar para várias das perguntas e por me ter ajudado a encontrar nomes para umas duas que não consegui encontrar sozinha. Assim, sem mais delongas...

 

 

Encontra alguém que...

 

1 … saiba falar três línguas (ou mais).

 

A Bruxa Mimi

 

2 … tenha ido a Nova Iorque.

 

A Maria das Palavras.

 

3 … nunca tenha feito um bolo.

 

O Último Fecha a Porta.

 

4 … tenha mais do que um sobrinho(a).

 

A Just Smile.

 

5 … tenha assistido a um jogo de futebol ao vivo.

 

O José da Xã.

 

6 … não goste de Coca­­­‑­­cola.

 

Mais uma vez, a Bruxa Mimi.

 

7 … tenha usado (ou use) aparelho nos dentes.

 

A Mia.

 

8 … seja ex-fumador(a).

 

A Maria Mocha.

 

9 … escreva num blogue com outra(s) pessoa(s).

 

A Mula, no Aprender uma coisa nova por dia.

 

10 … tenha andado de Uber.

 

A Hipster Chique.

 

11 … tenha aparecido na televisão.

 

A Magda.

 

12 … nunca tenha visto neve.

 

A Edite.

 

13 … não tenha máquina de lavar loiça.

 

O David

 

14 … cante no duche frequentemente.

 

A Joana

 

15 … goste de conduzir.

 

Mais uma vez, a Edite.

 

16 … seja blogger há mais do que cinco anos.

 

A Fátima

 

17 … tenha um blogue com menos de doze letras no título.

 

A Psicogata.

 

18 … nunca tenha andado de avião.

 

As Duas Mulheres e Meia.

 

19 … vá a pé para o trabalho/escola.

 

Mais uma vez, a Bruxa Mimi.

 

20 … tenha vivido noutro país (pelo menos um mês).

 

Mais uma vez, a Bruxa Mimi.

 

21 … não siga a Pipoca nem a Cocó.

 

A Magda, mais uma vez.

 

22 … tenha publicado um livro (ou mais).

 

Mais uma vez, a Hipster Chique.

 

23 … não tenha nenhuma iCoisa.

 

A Maria das Palavras.

 

24 … tenha mais do que três irmãos.

 

A Bruxa Mimi.

 

25 … tenha um animal de estimação sem ser cão/gato.

 

O Triptofano.

 

E está feito. Obrigada pela vossa visita. Continuem por aí – no Ano Novo falarei sobre a Música de 2017.

15 Conselhos sobre Escrita (para blogues e não só!) #3

IMG_20170414_165025_HDR.jpg

 

Estes são os últimos cinco dos meus quinze conselhos sobre escrita, que começaram aqui. Seguimos, então, para o décimo-primeiro...

 

11) A Internet está cheia de dicas para escritores...

 

Muitos dos conselhos que tenho deixado aqui foram obtidos da Internet. E nem sequer é preciso procurar muito. Se forem ao Google e pesquisarem “Conselhos de Escrita” ou “Writing Advice”, encontram logo uma série de citações de autores prestigiados sobre escrita (com um bocadinho de sorte, estas publicações hão de aparecer algures entre os resultados). Encontrarão, com relativa facilidade, conselhos generalistas, como aqueles que tenho listado aqui, e outros mais específicos e complexos. Qualquer dúvida que tenham, poderá ser esclarecida.

 

Também encontrarão os tais bancos de ideias e exercícios de escrita, que referi aquando do meu primeiro conselho.

 

Sem Título.png

  

Uma das minhas fontes preferidas de conselhos de escrita é o blogue de Rachel Aaron. Já referi os livros dela algumas vezes, nas minhas respostas a tags sobre livros, mas não foi através deles que a descobri. Foi através de um texto viral que ela escreveu há uns anos, sobre como foi capaz de atingir a marca das dez mil palavras por dia. Desde mais ou menos essa altura, tenho seguido o blogue dela e aprendido imenso sobre escrita, desde planear livros, desenvolver personagens, escrever diálogos, editar livros, entre muitas outras coisas.

 

O reverso da medalha é que tenho vindo a descobrir que fiz quase tudo mal com o meu primeiro livro.

 

Em todo o caso, recomendo fortemente o blogue dela a todos aqueles que escrevam, sobretudo ficção, ou que aspiram a isso.

 

Sem Título2.png

  

Outra fonte que já sigo há anos é a conta de Twitter Advice to Writers. Esta conta está constantemente a partilhar citações/conselhos de escritores publicados – foi assim que encontrei as citações de J.K.Rowling, Nora Roberts e Geoff Dyer que referi antes. Partilha, também, entrevistas a escritores, perguntando-lhes sempre como começaram a escrever, as suas influências e, lá está, conselhos para combater o bloqueio de escritor.

 

Deem uma espreitadela, mas tenham em conta o conselho seguinte.

 

 

12)As dicas para escritores são diretrizes, não regras.

 

 

 ...incluindo as minhas. Cada escritor é diferente, cada texto ou livro é diferente. Como tal, certos conselhos de escrita são isso mesmo: conselhos, diretrizes. Não são regras ou ordens. Vocês estão à vontade para não os seguirem.

 

Um exemplo é a minha preferência por escrever à mão primeiro em vez de diretamente no computador. Sei de vários escritores que não conseguem trabalhar assim. Do mesmo modo, existem escritores, como Stephen King, que não planeiam livros, sentam-se pura e simplesmente a escrever, e outros, como J.K.Rowling, que os planeiam minuciosamente (podem ver o plano de Rowling para Harry Potter e a Ordem da Fénix abaixo). Sei também que muitos escritores não seriam capazes de escrever em cafés ou em bancos do jardim enquanto passeiam a cadela, como eu.

 

Crop-rotation-cartoon1.jpg

  

Encarem qualquer conselho de escrita, meu incluído, com espírito crítico. Neste texto, estou só a referir métodos que funcionam comigo – não é obrigatório que funcione para toda a gente. Na minha opinião, vale sempre a pena saber como é que outros escritores trabalham e, de vez em quando, experimentar um truque novo. Não têm nada a perder. Se não resultar, não faz mal – tal como disse Thomas Edison, descobriram uma maneira que não funciona.

 

13) Talento (se é que existe) é sobrevalorizado.

 

Este vem em linha com o meu quarto conselho. Pelo menos no que toca à escrita, não acredito em talento – talento no sentido de uma capacidade inata. Nem eu nem ninguém nasce com jeito para a escrita. Quando andava na escola, em vários anos escolares, Português era (tirando Educação Física) a disciplina em que tirava piores notas – e, com uma única exceção, não tive maus professores, bem pelo contrário. Se nasci com alguma coisa, foi com boa imaginação, tendência para sonhar acordada, gosto por histórias e ficção em geral e paixão pelo acto de escrever.

 

02.jpg

  

Foi essa paixão que me fez começar a escrever quando tinha sete ou oito anos. Era – ainda é – algo que fazia por prazer, algo que fazia quando devia estar a prestar atenção às aulas ou a fazer os trabalhos de casa. E, sem dar conta, fui colocando o conselho número quatro em prática. Só se aprende a escrever escrevendo – não há volta a dar.

 

Não acreditem, por isso, que só uma mão-cheia de indivíduos, abençoados por Deus Nosso Senhor, génios de nascença, é que podem ser escritores. Podem existir uns quantos com maior facilidade em aprender, maior gosto pela escrita, mas qualquer um pode ser escritor. Desde que esteja disposto a trabalhar nisso, a escrever e a aprender – o que nem sempre é fácil.

 

14) Só serão fracassos se desistirem de escrever.

 

Conforme acabei de referir, ninguém nasce sabendo escrever obras-primas/best-selleres. Ser escritor dá trabalho. E podem... não, vão existir alturas em que ser escritor dá demasiado trabalho, é demasiado difícil. Alturas em que não escrevemos durante dias, semanas, meses ou anos, por um motivo ou por outro. Manuscritos rejeitados por editoras ou blogues que não recebem visitas. É muito fácil deixarmo-nos abater por coisas como estas, sentirmo-nos uns falhados.

 

youonlyfailwhenyoustop.jpg

  

No entanto, tal como Rachel Aaron, mais uma vez, me ensinou, na escrita, só falhamos quando desistimos por completo de escrever. Conforme tenho repetido inúmeras vezes ao longo deste texto, uma pessoa aprende a escrever escrevendo. Enquanto continuarmos a escrever, continuaremos a crescer como escritores – não que a escrita se torne mais fácil. Desde que regressem sempre, mesmo após uma longa ausência, não falharão.

 

15) Quando quiserem desistir, lembrem-se porque começaram.

 

Confesso que, de uma maneira geral, a parte de nunca parar de escrever é fácil para mim. Conforme já referi amiudadas vezes aqui no blogue, escrever é-me quase uma necessidade fisiológica. Tenho alturas em que a escrita é a única que me dá um propósito. Dito isto, também é verdade que, às vezes, quando ando em baixo, escrevo menos material publicável.

 

No entanto, já tive um momento em que me apeteceu desistir. Certa noite há uns anos, li uma notícia sobre uma escritora de vinte e um anos de idade, que seria “a próxima J.K.Rowling”. Hoje desconfiaria de rótulos como esse – até porque a previsão claramente não se confirmou – mas, na altura, acreditei. Comecei a comparar-me com a tal autora e afundei-me em autocomiseração.

 

Felizmente não fiquei nesse buraco por muito tempo. Comecei a pensar nas minhas primeiras histórias em miúda – aquelas que escrevia à socapa nas aulas, cujos rascunhos escondia no meio dos livros ou do dossier – nos meus diários, nas tardes gastas passando essas histórias para o computador enquanto ouvia música, a tal fan fiction que me fez apaixonar pela escrita de ficção em geral (não sei se cheguei mesmo a relê-la nessa noite). E a neura passou-me.

 

why you started.jpg

  

Isto é um daqueles conselhos que, de vez em quando, aparece no Facebook mas, como podem ver, funciona: quando vos apetecer desistir, lembrem-se porque começaram. Lembrem-se do que vos motiva a escrever. Talvez tenham coisas a dizer, histórias para contar. Talvez a escrita seja, como a arte em geral, a vossa maneira de decifrarem o mundo e a vida, de desabafarem, de se ligarem a outras pessoas.

 

Se o vosso desejo, por outro lado, é ganhar fama e fortuna à custa da escrita… bem, com livros, esqueçam, existem maneiras mais fáceis de enriquecer. Com blogues, talvez seja possível, mas não sou a melhor pessoa para vos dizer como. A blogosfera está cheia de conselhos sobre isso.

 

Seja ela qual for, a vossa motivação tem de estar sempre presente nas vossas cabeças. Será ela que vos ajudará a suportar as partes mais difíceis da escrita, fazendo com que nunca desistam dela. Não definitivamente, pelo menos. Continuem a escrever e pode ser que, um dia, consigam aquilo que desejam.

 

 

cavalitas.jpg

  

E são estes os meus conselhos. Ironicamente, muitos dos problemas para os quais dei soluções manifestaram-se enquanto escrevi este texto. No meu primeiro rascunho, saltei muitos parágrafos e tive de escrevê-los mais tarde. Houve uns quantos outros que tive de cortar do rascunho inicial, outros que tive de reescrever. Pelo meio, pratiquei muita, mas mesmo muita rotação de culturas.

 

Só prova que tudo o que referi neste texto é verdade: escrever dá trabalho.

 

Apesar de já escrever há quase vinte anos, estou longe de ser uma escritora exemplar. Ainda estou a tentar corrigir muitos dos meus vícios: frases demasiado compridas, parágrafos demasiado compridos, linguagem demasiado complexa, por vezes, abuso de advérbios e de outras palavras de estimação. Também isto faz parte do processo: como em tudo na vida, estamos sempre a aprender.

 

Espero que estes meus conselhos vos ajudem na vossa escrita, seja ela qual for. Se vocês tiverem alguma dica a acrescentar, partilhem-na nos comentários. Continuem desse lado, se quiserem ver o resultado destes conselhos aplicados à prática.

  

noname01.png

 

15 Conselhos sobre Escrita (para blogues e não só!) #2

Hoje, continuamos a dar dicas para contornar o bloqueio de escritor. Podem ler as anteriores aqui.

 

6) Experimentem escrever em sítios diferentes.

 

Sem Título2.png

 

 

Hoje em dia, é muito raro eu escrever em casa. Passo rascunhos para o meu computador, sim, mas geralmente existem demasiadas distrações para escrever mesmo. Como referi antes, os cafés são dos meus sítios preferidos. Julgo que também referi noutra ocasião que outros dos meus locais preferidos são bancos de jardim. Hoje em dia, como tenho uma cadela, ela acompanha-me nessas ocasiões. Os nossos passeios chegam a incluir diversas paragens, primeiro numa esplanada, depois em diversos bancos. Para um cão, ela até fica bastante sossegada enquanto escrevo. É claro que não posso ficar parada durante muito tempo, mas, tendo em conta o que referi no ponto anterior, isso até resulta bem comigo.

 

Como é do conhecimento geral, a escrita é uma atividade solitária.  Isso pode tornar-se um fardo. Por norma, a solidão não me incomoda particularmente, mas não gosto de ficar em casa o dia todo. Assim, ir mudando de local de trabalho pode tornar a escrita muito mais agradável.

 

 

7) Facilitem o começo ou o recomeço.

 

01.jpg

 

 

Na escrita, o mais difícil é começar. Por muito que planeie os meus textos, conforme referi antes, continua a assaltar-me o medo da página em branco, às vezes. No entanto, por norma, basta-me começar a escrever, mesmo que sejam duas ou três frases mal amanhadas, para entrar no ritmo e as palavras começarem a fluir levemente da minha caneta.

 

Porque acham que começo quase todos os textos do meu outro blogue da mesma forma? (“No próximo dia X, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere Y, no estádio Z...”) Porque o facto de ter uma estrutura mais ou menos fixa para o primeiro parágrafo me ajuda a começar a escrever esses textos.

 

Quando isso acontece, quando se consegue fazer com que a escrita flua, o ideal seria continuar a escrever, a escrever, sem nunca parar – algo que, naturalmente, não é possível. Ou temos de parar, por um motivo ou por outro, ou o ritmo, pura e simplesmente, arrefece ao fim de algum tempo. E existe sempre o risco de voltarmos a ter um arranque difícil da próxima vez que formos escrever.

 

Para evitar esses arranques difíceis, aquilo que procuro fazer quando páro de escrever é certificar-me de que saberei como começar da próxima vez. Uma maneira de fazer isso é deixar dois ou três tópicos, sintetizando o que vou escrever nos parágrafos seguintes (faço muito isso em ficção). Outro truque é deixar uma frase a meio. Um que tenho usado ultimamente é escrever a primeira frase do parágrafo seguinte – sobretudo quando este vai falar sobre um assunto diferente.

 

Aconselho-vos, então, a experimentarem estes meus truques ou a inventarem os vossos. O que quer que vos ajude a escrever o mais possível.

 

8) Alternem entre projetos e/ou tirem dias de folga

 

Crop-rotation-cartoon1.jpg

 

Em agricultura, quando se pratica o cultivo intensivo da mesma espécie vegetal no mesmo terreno, a longo prazo, os nutrientes e minerais essenciais a essa espécie começam a esgotar-se e a produtividade diminui. Uma solução para esse problema é a prática da rotação de culturas: as espécies vegetais cultivadas no mesmo terreno vão mudando de um ano para o outro. Por exemplo, no primeiro ano, um determinado terreno produz uma espécie leguminosa, no segundo, uma espécie não-leguminosa (que, segundo este artigo, exige um aporte mineral diferente). No segundo ano, o terreno teria tempo para repôr os minerais necessários para a espécie leguminosa. Assim, quando o terreno voltar a produzir a espécie leguminosa no terceiro ano, os minerais necessários estarão lá.

 

Na escrita, também é benéfico praticar a rotação de culturas. Se andam há muito tempo a trabalhar no mesmo projeto e, a certa altura, bloqueiam, uma solução pode ser escreverem outra coisa. Um solo tem tempo de se remineralizar enquanto produz uma espécie com necessidades nutritivas diferentes. Da mesma forma, enquanto se focam noutro projeto, o vosso subconsciente tem tempo para se curar do desgaste provocado pelo projeto antigo. Pode mesmo ganhar novas ideias para esse projeto. Assim, quando regressarem a ele, a escrita tornar-se-á mais fácil.

 

Também podem fazer rotação de culturas dentro do mesmo trabalho. Não é obrigatório começarmos em “Era uma vez…” e terminarmos em “...e viveram felizes para sempre”. Se estão bloqueados (e isto é válido tanto para ficção como para não-ficção), nada vos impede de saltarem para o fim ou para uma qualquer outra parte que esteja mais clara na vossa cabeça. Desvendarem o destino primeiro pode, até, ajudar-vos a encontrarem o caminho por entre o bloqueio. Desde que, no fim, se certifiquem que o texto ou livro tem coerência.

 

Por outro lado, se existem partes do vosso texto que vos aborrecem ao ponto de quererem saltar à frente, talvez elas não devam estar lá – mais sobre isso adiante.

 

normal.jpg

  

Dentro da rotação de culturas, existe a possibilidade de deixar o terreno em pousio – ou seja, sem produzir nada. Podem fazer o mesmo na escrita – isto é, não escreverem de todo, tirarem uns dias de folga. Eu, por norma, não faço isso a menos que seja obrigada. Prefiro estar sempre a trabalhar em qualquer coisa, mesmo que não sirva para nada, só mesmo pela minha sanidade mental. Mas nem todos são maluquinhos como eu. E, de resto, podem à mesma ganhar ideias novas, perspetivas novas, para a vossa escrita – sobretudo se, lá está, estiverem em contacto com as vossas fontes de inspiração, sejam elas livros, filmes, música ou a vida em geral.

 

O senão deste conselho é o risco de cairmos em exageros. Eu sou culpada disso. Conforme já dei a entender, nas últimas semanas tenho praticado demasiada rotação de culturas na minha escrita. Em certas alturas, estive a trabalhar em três ou quatro textos ao mesmo tempo, sem concluir nenhum. Assim, se não têm cuidado, podem arrastar projetos durante demasiado tempo. Continuo a achar que é sempre melhor escrever do que não escrever mas, quando exagerada, a rotação de culturas não passa de falta de disciplina. É preciso atenção. (*olha, com ar culpado, para o primeiro rascunho, ainda por terminar, da sua análise ao último filme de Digimon Adventure Tri*)

 

9) “Consigo corrigir uma página má, não consigo corrigir uma página em branco”

 

normal_002.jpg

  

Esta é uma tradução livre da citação de Nora Roberts, acima, que me tem ajudado muito, sobretudo no passado recente. Uma das maiores causas do bloqueio de escritor é o desejo de escrever tudo certinho à primeira. A escrita não funciona assim, infelizmente. Eu, aliás, nos últimos tempos, tenho tido ocasiões de “falta de inspiração”, em que o texto me custa a sair como deve ser. Não sei se isso acontece por me ter tornado mais exigente ou mais ansiosa relativamente à escrita.

 

Qualquer escritor vos dirá que o primeiro rascunho de qualquer texto é uma porcaria – eu não vou a esse extremo, mas sim, é suposto um primeiro rascunho ficar aquém das expectativas. Todos os textos precisam de, pelo menos, uma correção antes de estarem prontos para consumo. É muito mais fácil corrigir um texto já no papel do que corrigi-lo na nossa cabeça – é assim que uma pessoa se bloqueia!

 

Como eu escrevo os primeiros rascunhos sempre à mão, quando os passo a computador (em muitos casos, algum tempo após escrevê-los), aproveito para corrigir o texto conforme achar necessário. Faz parte do processo. Mesmo que o primeiro rascunho esteja uma porcaria – e, acreditem, às vezes está – mesmo que tenha de reescrever algumas partes ou o texto todo, preciso sempre de algo no papel com que possa trabalhar.

 

O meu conselho é, assim, que, mesmo que não estejam satisfeitos com o que vos está a sair da caneta ou do teclado, façam por continuar a escrever, por acabar esse texto, seja ele qual for. Não têm de mostrar esse primeiro rascunho de má qualidade a ninguém. Depois de o terminarem, podem corrigi-lo até ficar ao vosso gosto.  Como diz Rachel Aaron (mais sobre ela adiante) a escrita não é uma arte de palco – não é obrigatório sair bem à primeira.

 

10) Não é suposto ser assim tão difícil

 

normal_005.jpg

  

Isto acaba por contrariar um pouco o meu conselho anterior, mas às vezes não dá para continuar a escrever, por muito que insistamos. Muitos não deverão sabê-lo, mas o bloqueio de escritor pode ser sintoma de um problema com o vosso trabalho. No caso da ficção, talvez não saibam o que acontece a seguir na vossa história, talvez esta esteja a ir na direção errada. No caso da não-ficção, talvez não estejam a abordar o assunto da maneira correta. Algo está a correr mal, o vosso subconsciente sabe-o e escrever torna-se difícil, mesmo impossível.

 

Quando é assim, há que parar, tentar descobrir qual é o problema e procurar resolvê-lo. No caso da ficção, podem descobrir, por exemplo, que as vossas personagens estão a agir contra o seu carácter (ou, como se diz em inglês, “out of character”), que essa parte da vossa história é aborrecida (se vocês, os autores, se aborrecem com o vosso próprio livro, os leitores também se vão aborrecer, acreditem!), que o final que planearam para a vossa história não é o mais adequado.

 

No caso dos vossos blogues, ou de não-ficção em geral, podem descobrir, por exemplo, que estão a fugir ao assunto do vosso texto, a divagar, a andar em círculos, que precisam de pesquisar melhor sobre o assunto do texto. Talvez o plano que traçaram para esse texto, como expliquei no meu primeiro conselho, não seja o mais adequado – esta será uma boa altura para voltar a olhar para ele e considerar novos caminhos.

 

Ou então, podem descobrir que o vosso projeto não tem salvação possível.

 

Sem Título2.png

   

Aconteceu comigo há pouco tempo. Quem acompanha o meu outro blogue, saberá que, no final de cada ano, costumo fazer um apanhado de tudo o que aconteceu com a Seleção nos doze meses anteriores. No entanto, o texto relativo a 2016 estava a custar-me imenso. Arrastei-o durante semanas, desde princípios de dezembro até bem depois do início de 2017 (quando, nos anos anteriores, conseguia publicar sempre antes do Ano Novo, quando não publicava antes do Natal). O facto de ter menos tempo do que o costume para escrever não ajudava. Tinha vários outros projetos que me entusiasmavam muito mais (este texto, por exemplo), mas decidi que só trabalharia neles quando concluísse a revisão de 2016. Estávamos já em meados de Janeiro, o texto ainda nem ia a meio, eu ia pondo a hipótese de publicar o texto em data já passada.

 

Foi aí que pensei: “Que estou a fazer?”. Aquele texto andava a consumir-me o reduzido tempo de escrita de que dispunha há semanas e para quê? Era pouco provável que alguém o lesse, ainda por cima se fosse publicá-lo em data já passada.

 

O facto de ter pouca audiência nunca me foi fator impeditivo em nenhum dos blogues. Se fosse, já teria desistido há muito tempo – quando, na verdade, já ultrapassei a barreira das duzentas publicações em ambos. Sou demasiado egoísta para não ocupar espaço online escrevendo sobre aquilo que me dá na veneta. No entanto, se a escrita não está a dar-me prazer, não vale a pena – não quando tenho outros textos para escrever que não me custam tanto.

 

Não me foi fácil tomar esta decisão. Acho que nunca tinha desistido desta maneira de um texto para um blogue. Talvez pudesse ter evitado este desfecho se tivesse planeado melhor as coisas. Tirando isso, não me arrependo de ter abandonado este.

 

sleeping-at-desk-small.jpg

 

Não quero com isto aconselhar-vos a desistir à primeira dificuldade, nada disso. Apenas quero dizer que, se notam alguma resistência a sentarem-se e a escrever, façam uma pausa para pensarem se existe algum problema com o vosso trabalho. Se existir, procurem resolvê-lo. No entanto, se não encontrarem forma de resolvê-lo, ou se não encontram nenhum problema visível com o projeto mas, mesmo assim, não conseguem continuar a escrever, deixem-no de lado e trabalhem noutra coisa.

 

Pode ser que o projeto fique para sempre inacabado e acabem por reciclar alguns elementos dele noutro trabalho. Pode ser que a lógica da rotação de culturas, de que falámos antes, entre em ação e, daí a dois dias, uma semana, um mês ou um ano, descubram uma solução para o vosso bloqueio. Faz parte do processo. Existem coisas que não valem mesmo o esforço.

 

E com este pensamento animador, encerramos por agora. Podem ler os últimos conselhos aqui.

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Segue-me no Twitter

Revista de blogues

Conversion