Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Digimon Tamers #2 – Entre Shinjuku e o Inferno de Dante

maxresdefault.jpg

 

Um aspeto que Digimon Tamers possui em comum com a sua antecessora, 02, é o facto de uma boa parte da ação decorrer no Mundo Real. Até pelo menos meio da temporada, os protagonistas – designados por Tamers ou Digitreinadores ou simplesmente Treinadores (mais sobre isso adiante) – levam a vida que qualquer criança da idade deles leva. Vão à escola, brincam com os amigos no parque local, passam tempo com a família.

      

Ao mesmo tempo, possuem um companheiro Digimon e com ele combatem outros Digimon, como uma atividade extracurricular (a brincar a brincar, eu incluí-lo-ia no meu CV). A diferença é que o elenco de 02 visitava o Mundo Digital em quase todos os episódios, tirando nos atos finais. Em Tamers, por sua vez, só quinze episódios decorrem no Mundo Digimon.

 

Quando falamos do Mundo Real em Tamers, falamos sobretudo de Shinjuku (no universo de Adventure falaríamos de Odaiba e Hirogarioka). Muitas das localizações onde decorre a ação de Tamers existem mesmo, como a rua onde Takato vive, a escola de Takato e Jianliang, o parque (incluindo o casinhoto onde Guilmon vive), as torres que, em Tamers, servem de sede ao Hypnos, entre outras, como dá para observar no vídeo abaixo.

 

 

Uma pessoa fica com vontade de ir ao Japão ver estes sítios todos. Se não fosse o preço. E os voos intermináveis. E o jet-lag…

 

Um aparte sobre a sede do Hypnos: o episódio em que as torres caem foi emitido pela primeira vez a… 9 de setembro de 2001. Se a série tivesse começado uma semana mais tarde, este episódio provavelmente nunca teria sido emitido – ou, pelo menos, alterariam a parte da destruição da sede do Hypnos.

 

Mas falemos sobre o Mundo Digital – que é muito diferente do que conhecíamos em Adventure. O primeiro Mundo Digimon a ser-nos apresentado era um mundo maioritariamente unidimensional e estático. O Mundo Digimon de Tamers é multidimensional, quase um ser vivo. Possui várias camadas e múltiplos mini-universos que servem de habitat a diferentes Digimon. Encontra-se em constante expansão.

 

Segundo o site de Konaka, a ideia era mesmo que o Mundo Digital tivesse níveis diferentes de profundidade, um pouco à semelhança do Inferno de Dante. Assim, o nível mais superficial será  deserto, o primeiro sítio que os humanos conhecem – se não considerarem aquelas estranhas zonas de transição entre o Mundo Real e o Digital. Aí, o Mundo Real é visível sob a forma de uma esfera no céu. Por sua vez, o nível mais profundo é a residência das Bestas Sagradas.

 

Outra característica do Mundo Digital é o facto de ser movido a perceção. No universo de Adventure brincaram um bocadinho com esse conceito, pelo menos no que toca ao Mundo dos Sonhos e ao Mar Negro, mas em Tamers é diferente.

 

digital_world_day2.jpg

 

 Quando as crianças lá entram (e, aqui, não é obrigatório ser-se um Treinador, qualquer criança pode ir ao Mundo Digimon) transformam-se por completo em dados. Não possuem necessidades fisiológicas, como fome ou sede, a menos que elas mesmo tenham vontade de comer ou beber. Só não conseguem respirar debaixo de água se acreditarem nisso – se, por outro lado, acreditarem que conseguem respirar debaixo de água, é isso que acontece. Chega-se ao extremo de se trazer uma criança extra ao Mundo Digimon, apenas com um mero desabafo de saudades.

 

Faz sentido assim, que só crianças ou, pelo menos, pessoas com mente jovem sejam capazes de ir ao Mundo Digital: visto ser necessária uma mentalidade aberta e imaginativa. Pergunto-me se eu conseguiria ir…

 

Conforme referi antes, o Mundo Digital está em constante mudança, crescendo em paralelo com o desenvolvimento dos sistemas informáticos do Mundo Real. Se o Mundo Digimon já estava assim aquando dos eventos de Tamers – por volta do início dos anos 2000 – como estará nos dias de hoje, em que já nem sabemos viver sem Internet?

 

Se o Mundo Digital de Adventure era um mundo de magia e maravilha, pelo menos à primeira vista, o Mundo Digital de Tamers chega a ter contornos de distopia: zonas com, por exemplo, ventanias quase permanentes, fluxos de dados que surgem do nada e transportam os incautos para outro local aleatório, motas de controlam a mente de quem tenta conduzi-las (juro, o momento em que o Guilmon aparece possuído a conduzir a mota assustou-me quase tanto como os pesadelos de Juri).

 

Sim, é uma distopia, mas sinceramente, quando ligo o Telejornal e vejo o estado do nosso mundo, parece-me um paraíso. 

 

De qualquer forma, o carácter implacável do Mundo Digital deriva sobretudo dos seus habitantes, conforme veremos na próxima publicação.

Digimon 02 #2 - Cenários e atividades extracurriculares

Sem Título.png

 

Falemos um pouco dos Cenários. Não me vou alongar muito no que toca ao Mundo Digimon visto que este é o mesmo que em Adventures, expandindo-se apenas num aspeto ou outro. Por outro lado, em 02, é-nos revelado que existem outros mundos/dimensões paralelas, para além do Mundo Real e do Mundo Digital, embora só cheguem a falar de dois deles: o Mar Negro e o Mundo dos Sonhos.

 

De 02, eu fiquei com a ideia de que o Mar Negro é a fonte de toda a Escuridão do Mundo Digimon (e não só, suponho...). No entanto, não encontro informação oficial que confirme, preto no branco (no pun intended) esta teoria. O Mar Negro é governado por Dragomon, cujos súbditos, Divermon, se referem como o seu "deus das profundezas". De uma maneira paradoxal, Kari, a Encarnação da Luz, é particularmente vulnerável à influência deste Mundo. Por outro lado, o Mar Negro serve de catalisador à transformação de um Ken deprimido e solitário no Imperador Digimon. O Mundo dos Sonhos, por sua vez, acaba por ser a antítese do Mar Negro no sentido em que dá vida a emoções, sonhos e desejos. O Mundo Digimon acaba por ser formado a partir de elementos tanto do Mar Negro como do Mundo dos Sonhos à mistura com dados digitais, tal como já tinha explicado aqui

 

Eu sei que isto parece muito vago e resumido, mas a verdade é que isto é tudo o que sabemos sobre estes mundos. O Mar Negro aparece algumas vezes ao longo de 02, mas sempre num plano secundário. No fim do episódio 13, o primeiro em que visitamos o Mar Negro, a ideia que fica é que Dragomon será um vilão futuro, que as Crianças Escolhidas terão de enfrentar depois de vencerem o Imperador Digimon. No entanto, este nunca mais é referido.

 

16.jpg

 

Por sua vez, o Mundo dos Sonhos só aparece no final da temporada, embora isso até faça o seu sentido: um mundo em que os desejos se tornam facilmente realidade não tem grande potencial em termos de história - pelo menos, não no universo de Digimon. Mesmo assim, sobretudo no que toca ao Mar Negro, é apenas mais um exemplo de conceitos mal-desenvolvidos em 02.

 

Mudando de assunto, ao contrário do que acontece em Adventure, aqui as Crianças Escolhidas (exceto Ken) não chegam a viver no Mundo Digimon, tirando durante três ou quatro episódios. As Crianças vão salvando o Mundo Digital mais ou menos em jeito de atividade extracurricular. Tal como já tinha escrito antes, eu gostava desse aspeto quando tinha doze anos. Por outro lado, este carácter um bocadinho facultativo da salvação do Mundo Digital faz-nos questionar as motivações das novas Crianças Escolhidas. Sobretudo quando Yolei - que, em muitos aspetos, é uma Mimi 2.0 - depressa revela insegurança e aversão à violência. E mesmo Cody, que chega a trocar uma visita ao Mundo Digimon por... uma aula de kendo. As primeiras Crianças Escolhidas foram, literalmente e sem cerimónias, atiradas para o Mundo Digimon. Mesmo que não quisessem fazê-lo, tiveram de lutar para sobreviverem. Desta forma, quando descobriram que o seu dever era salvar o Mundo Digital, já existia uma certa ligação àquele mundo e, de qualquer forma... salvá-lo permitir-lhes-ia regressar a casa. Aqui não existiam problemas de motivação, enquanto que, em 02, tirando T.K e Kari, a única motivação parece ser, apenas, o cliché de fazer o que está certo. 

 

Em 02 existe, ainda, um maior enfoque nas tecnologia e informática - outro dos aspetos que mais me agradou quando tinha doze anos. Para começar, passa a ser possível entrar no Mundo Digimon a partir de um computador. Por essa altura, sempre que passava por um computador, na escola ou noutro sitio qualquer, divertia-me pensando que, enquanto outros viam meros monitores, em via passagens para o Mundo Digital. Ainda existiram ocasiões em que pegava num D3 (os dispositivos digitais em 02) imaginário, encostava-o aos monitores e exclamava para mim própria: "Porta digital aberta!"

 

Se a história decorresse nos dias de hoje, talvez fosse possível entrar no Mundo Digimon com maior facilidade, através de um smartphone - provavelmente com uma aplicação especial para o efeito. 

 

Sem Título.png

 

Já que falo em smartphones, quero falar também dos D-Terminais - outros dispositivos usados pelas Crianças, embora não seja clara a maneira como estes foram obtidos. Numa altura em que os SMS estavam apenas a começar a estar na moda, com cada caracter pago a peso de outro, em que ter uma conta de e-mail em meu nome e só em meu nome era um dos meus maiores orgulhos (pensar que, hoje em dia, miúdos de doze anos já têm Facebook, Twitter, Instagram, etc...), eu invejava as Crianças Escolhidas por poderem trocar mensagem entre si em qualquer sítio, a qualquer hora, através de dispositivos manuais. Algo que hoje é trivial, quer com telemóveis dos mais baratos, quer com o último iPhone, que dispõe de inúmeras aplicações diferentes para o efeito.

 

É tudo por hoje, na próxima entrada falaremos do Enredo de 02. Continuem ligados.

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Sofia

    Claro, a maior parte das pessoas é̶ ̶n̶o̶r̶m̶a̶l, ...

  • Simple Girl

    Li esta análise (e a primeira parte), não costumo ...

  • Sofia

    Missão cumprida, ah ah! Piadas à parte, não é prec...

  • Anónimo

    eu estou completamente v-i-c-i-a-d-o nas suas anal...

  • Anónimo

    Nada, eu que agradeço por você analisar tão bem. S...

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Segue-me no Twitter

Revista de blogues

Conversion

Em destaque no SAPO Blogs
pub