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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Paramore – All We Know Is Falling (2005) #1

Quem conheça este blogue saberá que os Paramore são uma das minhas bandas preferidas há vários anos. Eu diria mesmo que, neste momento, estão no primeiro lugar das minhas preferências. No entanto, durante muito tempo não tive cópias físicas dos álbuns deles, tirando do Self-Titled e, mais tarde, do After Laughter – compradas quando estes foram lançados. 

 

Há uns anos, decidi mudar isso e encomendei na Fnac online os três primeiros CDs da banda. Um deles, o All We Know Is Falling, comprei algures em fevereiro ou março de 2018. No entanto, quando a encomenda chegou, a caixa do CD vinha partida.

 

Acabou por não ser muito problemático para mim. Bastou-me ir a uma loja da Fnac e eles trocaram-me o CD na hora. No entanto, já na altura achei que o episódio foi uma boa metáfora para o início dos Paramore como banda. 

 

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Não estava nos meus planos continuar no universo Paramore depois de ter escrito sobre Flowers For Vases. No entanto, calhou ter voltado a ouvir All We Know Is Falling pouco tempo depois de ter publicado esse texto e ter ficado inspirada. Além disso, visto músicas como Inordinary e Just a Lover recordarem as origens da banda, faz sentido regressar ao primeiro álbum dos Paramore.

 

Por outro lado, depois de um álbum maioritariamente acústico e vocais maioritariamente graves e contidos da parte de Hayley, é estranho ouvir guitarras pesadas e refrões explosivos.

 

Além disso, como referi no texto anterior, mudei de emprego há pouco tempo. A minha vida tornou-se menos familiar, sobretudo no mês passado – ainda que, por enquanto, não tenha reduzido o meu tempo de escrita, como cheguei a temer. Para lidar com esse stress, optei por um texto mais dentro da minha zona de conforto, em vez de projetos mais ambiciosos.

 

Como All We Know is Falling é o primeiro álbum dos Paramore, a sua estreia no mundo da música, importa ir às origens da banda. À semelhança do que fizemos com os Linkin Park e Hybrid Theory – é uma pena não existir um site equivalente à Linkinpedia para os Paramore.

 

Os Paramore nasceram enquanto banda em Nashville, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Hayley Williams mudou-se para Franklin juntamente com a sua mãe quando tinha onze ou doze anos. Foi aqui que conheceu os futuros companheiros da banda: Josh e Zac Farro, Taylor York, Jeremy Davis. Hayley e Jeremy faziam ambos parte de uma banda que fazia covers funk (Ain’t it Fun não veio do nada). Ao mesmo tempo, começou a compôr música com Taylor e Josh – daqui surgindo temas como Conspiracy e a B-side Oh Star. 

 

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Hayley diz que, até àquela altura, ouvira sobretudo música pop e R&B – e essas influências apareceriam muitos anos mais tarde, com Petals For Armor. No entanto, com os Farro aprendeu a ouvir música mais pesada, como Radiohead e Deftones. 

 

Quem nunca?

 

Consta que, de início, várias pessoas estiveram perto de fazer parte da banda. Josh e Zac não estariam muito entusiasmados com a ideia de ter uma rapariga no grupo – sem comentários. Houve um tipo chamado Randall que era o vocalista original, chegando a co-compôr as primeiras versões de músicas como Conspiracy e Stop This Song (Lovesick Melody). Segundo Hayley, quando ela se juntou oficialmente, Josh expulsou Randall da banda via Messenger do AOL.

 

Também terá havido um baixista antes de Jeremy, cujo apelido de solteira da mãe foi usado para batizar a banda. Mais tarde, descobriram que Paramore vem de “paramour”, que significa “amor secreto” ou “por amor” – o que acharam adequado. 

 

Por outro lado, Jeremy terá ficado de pé atrás quando conheceu os Farro. Jeremy já teria dezassete ou dezoito anos e Zac apenas onze ou doze – qualquer um teria dúvidas. No entanto, depois de ouvi-los tocar, Jeremy mudou de ideias.

 

Por fim, Taylor ajudaria a compôr tanto em All We Know is Falling como em Riot!. No entanto, só iria em digressão com o resto da banda durante o ciclo do segundo álbum – e só se tornou um membro oficial em 2009. Taylor só não se juntou mais cedo por dois motivos. Primeiro, por interferência da editora. Segundo, porque os pais queriam que ele fizesse o equivalente ao décimo-segundo ano primeiro.

 

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Calculo que tenha sido duro para o Taylor de treze ou catorze anos. De todos, Hayley incluída, Taylor foi o único que nunca renunciou aos Paramore por vontade própria. Dito isto, no lugar dos pais dele, eu teria decidido o mesmo. Isso de ter uma banda e gravar um disco é muito bonito, mas é um tiro no escuro. Eu também quereria que o meu filho tivesse todas as armas possíveis antes de se lançar nessa aventura, caso não resultasse.

 

Além disso, não é segredo nenhum que a vida de músico nem sempre é fácil – nem para adultos, quanto mais para miúdos. Aliás, sabendo agora o que se sabe da carreira dos Paramore, sobretudo nos primeiros álbuns, não teria feito mal àqueles miúdos esperarem uns anos – Zac chegou a afirmar que um dos motivos pelos quais saiu em 2010 foi por sentir que a banda lhe roubara a infância. Muitas coisas teriam sido diferentes, a começar pelos álbuns, mas aposto que teriam tido muito menos crises.

 

É difícil sabê-lo, no entanto. E também não é certo que a Atlantic Records e/ou a Fueled By Ramen ficassem à espera deles. 

 

E por falar da Atlantic e da Fueled By Ramen…

 

Por estes dias já toda a gente sabe que Hayley foi a única dos Paramore a assinar um contrato com a Atlantic Records. Antes disso, Hayley compusera algumas músicas a solo e enviara demos para várias editoras – chegou a cantar para LA Reid, em Nova Iorque, tal como a Avril. Todos os interessados viram nela uma miúda bonita, carismática, com uma voz incrível – ou seja, com tudo para ser uma estrela – e queriam precisamente fazer dela a próxima Avril Lavigne.

 

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O problema é que Hayley não queria de todo ser uma cantora a solo. Queria formar uma banda com os seus amigos. Hoje sabemos que a jovem queria fazer dos Paramore a família que nunca tivera até à altura.

 

Pensemos nisso por um momento. Hayley tinha catorze ou quinze anos nesta altura. Nesta idade, a maior decisão que uma pessoa vulgar toma é se quer ir para o Secundário (e, se sim, para que área) ou para um curso profissional – e há quem argumente, com alguma razão, que o típico adolescente não tem maturidade suficiente para fazer esta escolha. 

 

No entanto, com esta idade, Hayley tinha praticamente todos os adultos na sua vida – desde os seus pais a uma data de executivos – a dizerem-lhe para cagar nos esquecer os companheiros de banda e agarrar a oportunidade de se lançar no mundo da música. Nove em cada dez pessoas – não não, noventa e nove em cada cem pessoas nestas circunstâncias teria cedido. Que miúdo de catorze ou quinze anos é capaz de se sentar numa reunião com pessoas poderosas da indústria musical e dizer, entre lágrimas, “ou faço isto com os Paramore ou volto para a garagem do Taylor”?

 

De uma maneira extremamente retorcida, se Hayley não tivesse passado a infância lidando com divórcios e não visse nos Paramore a família que nunca teve, o mais certo é não estarmos aqui a ter esta conversa. 

 

A Atlantic Records, de resto, foi a única interessada na ideia da banda. E mesmo assim só Hayley assinou com a Atlantic. O único contrato como banda foi assinado com a Fueled By Ramen, uma divisão da Atlantic um pouco mais nicho, que se achou mais adequada.

 

Twilight+Cast+Paramore+Lost+Show+Performance+KBSeL

 

Eu compreendo os ressentimentos de Josh e dos outros. Quem não ficaria? Sobretudo se os pais de Hayley tentaram proteger a filha à custa dos outros miúdos. A ser verdade, não foi o correto – se tivesse no lugar dos pais dela, gosto de pensar que tentaria proteger tanto a minha filha como os amigos dela – mas compreende-se. 

 

Além disso… onde estavam os pais dos Farro, mesmo de Jeremy, no meio desta história toda? Porque não estiveram lá a tentar defender os interesses dos filhos? Fica a pergunta.

 

Tenho muito menos compaixão pelos executivos, agentes e outras pessoas da Atlantic e/ou Fueled By Ramen – que, ninguém duvida, terão favorecido descaradamente a “estrela”. Não se espera comportamento ético por parte dessa gente, mas recordo que eles estavam a lidar com miúdos – Zac tinha onze ou doze anos! Há limites!

 

Hayley referiu mesmo que as pessoas da editora tentaram virá-los uns contra os outros – tendo isso inspirado a letra de Conspiracy. O que certamente explica a maneira como Josh deixaria os Paramore anos mais tarde. Havemos de falar sobre isso noutra ocasião, mas pelo menos no que toca a isto Josh fez mal em culpar Hayley. 

 

Mas o drama não ficou por aqui. Oh não, minha gente, com esta banda o drama nunca fica por aqui… 

 

Quando os Paramore finalmente conseguiram a luz verde para gravarem um disco, Jeremy virou-se para os amigos e disse algo como:

 

– Comprei um bilhete de avião para Nashville…

 

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Os outros tiveram as reações esperadas, Hayley terá chorado, coitada, mas não conseguiram dissuadi-lo. Mais tarde, Jeremy diria que se assustara – e, para ser sincera, com tudo o que acontecera até ao momento e tudo o que aconteceria mais tarde, compreendo. Os membros que restaram compuseram All We Know nos dias seguintes. Mais tarde, decidiram usar a partida de Jeremy como inspiração para o conceito do álbum. Daí o nome e a capa, com um sofá vazio e a sombra de alguém afastando-se.

 

O primeiro álbum dos Paramore centra-se na saída de um membro da banda. Ainda eles não tinham começado e já tinham perdido um membro. Eles nunca tiveram qualquer hipótese, pois não? Está no seu ADN!

 

Não admira que Hayley sinta a necessidade de dizer dia sim, dia não, que os Paramore ainda são uma banda.

 

A parte mais engraçada é que Jeremy nem sequer se manteve afastado muito tempo. Depois de deixar os Paramore, esteve a entregar pizzas – é claro que não ia durar, não tendo ele uma hipótese de se lançar no mundo da música. Não consigo descobrir ao certo quando é que ele voltou, mas foi a tempo de filmar o videoclipe de Pressure. Estou a tentar imaginá-lo caindo de pára-quedas no meio do ciclo de um álbum inspirado pela sua ausência.

 

Como diriam os anglosaxónicos, awkward…

 

E depois de mais de mil e quinhentas palavras de introdução (é sempre assim), vamos às músicas.

 

 

Comecemos pela faixa que dá o nome ao álbum, All We Know. Como vimos acima, esta foi uma das primeiras a ser composta, logo no rescaldo da partida de Jeremy. A letra é bastante simples e direta, talvez um pouco simples e direta demais. Musicalmente, tem aquele estilo pop punk/rock alternativo que define a primeira metade da carreira dos Paramore. Belos riffs da guitarra de Josh, bela bateria de Zac, vocais impressionantes de Hayley.

 

Eu, no entanto, não gosto muito da música. Não me diz muito. 

 

Pressure, no entanto, que se segue a All We Know na tracklist e cuja letra pega onde a sua antecessora parou, é outra história. Quando há pouco mais de dez anos decidi conhecer melhor a banda e me pus a ouvir as músicas deles em aleatório, Pressure foi das que mais depressa me cativou (bem como Emergency). Não me surpreendeu quando descobri mais tarde que é um clássico dos Paramore. 

 

Por estes dias, Hayley diz que foi Pressure que os cimentou no pop punk/emo, pois não era esse o estilo musical que ela e os amigos ouviam – coisas mais pesadas, como vimos antes. A mim mete-me sempre confusão quando artistas dizem coisas destas: como se pode criar arte num determinado género quando se prefere consumir outro por prazer?

 

Musicalmente, Pressure é irrepreensível, mas o ponto alto é o refrão – um dos melhores que a banda alguma vez compôs. Em termos de letra, esta terá sido inspirada pela ausência de Jeremy mas sinceramente? Nesta fase podia aplicar-se a todas as partidas traumáticas da banda.

 

 

Começando pelos versos de abertura:  “Tell me where our time went and if it was time well spent”. A narradora pergunta ao visado se ao menos gostou do tempo que passaram juntos, mesmo que o outro se tenha ido embora. 

 

Os versos “now that I’m losing hope and there’s nothing else to show for all of the days that we spent carried away from home” parecem um pouco mais específicos para esta situação. Aludem possivelmente a uma altura em que não estariam a fazer grandes progressos nos trabalhos de All We Know is Falling. 

 

Em oposição, os versos “Some things I’ll never know and I have to let them go”, de uma maneira algo caricata, refletem algo que os fãs dos Paramore tiveram de aprender ao longo dos anos, com tanto drama. Nunca saberemos a verdade toda. Nunca saberemos quem é o bom e o mau da fita – ou sequer se eles existem – e se haviam maneiras de se evitar os conflitos e as separações. Eu posso ter gasto mil e quinhentas palavras só nesta análise tentando compreender, mas isto é tudo especulação, não são factos comprovados.

 

Por outras palavras, mais vale aceitar. 

 

Por fim, Pressure termina com um ligeiro twist. Em vez de “We’re better off without you”, como todos os anteriores, o último refrão reza “You’re better off without me”. À luz do que sei agora sobre os traumas de abandono de Hayley… au!

 

 

Uma nota sobre o Pressure-flip. Ironicamente, um dos momentos mais icónicos de Jeremy em palco decorria durante uma música inspirada pelo seu abandono da banda. Quando fui ver os Paramore ao Optimus Alive de 2011, não sabia que essa acrobaciazinha era algo que eles faziam em palco. Não há dúvidas de que esta foi a melhor maneira de descobri-lo. É um dos momentos que melhor recordo desse concerto – que ainda por cima fora antecedido pelo pequeno discurso de Hayley dando-nos as boas-vindas à família (tenho qualquer coisa no olho…). 

 

Existem versões contraditórias para a origem de Conspiracy. Aquilo que parece certo é que foi a primeira música de sempre dos Paramore. Em 2016, Hayley contou que o instrumental foi composto pelo tal Randall, o primeiro vocalista da banda. Quando a jovem o substituiu, ela mudou a letra e a melodia. Hayley conta como trazia os poemas que escrevera em casa para os ensaios de banda e os lia ao som da música. 

 

No entanto, no ano passado, em entrevista à Vulture, Hayley disse que a letra de Conspiracy foi inspirada pelas tensões entre os membros da banda e a editora. O que não bate certo – a menos que as tensões tenham começado cedo, assim que Hayley se juntou à festa (admirem-se…). 

 

É possível que a primeira versão da letra fosse ligeiramente diferente. Ou então que tenha sido inicialmente inspirada por outra coisa – talvez a sua situação familiar com os pais e os padrastos – e que, mais tarde, tenha ganho novos significados. Se acontece connosco, ouvintes, também acontecerá com os criadores. 

 

Em todo o caso, a letra reflete bem as múltiplas crises nos Paramore – a desconfiança, a paranóia, a impotência, a solidão. E foi logo a primeira música que eles compuseram enquanto banda.

 

É o que eu digo, está no ADN deles!

 

 

À parte isso, infelizmente, não gosto muito de Conspiracy. O instrumental tem os seus momentos, gosto da introdução, mas existem partes que não fluem bem – sobretudo no refrão. Na mesma linha, nota-se que a letra foi escrita por uma rapariga novinha – demasiado simples, rimando muitas palavras com elas mesmas.

 

Bem, foi a primeira música deles. Ninguém pode censurá-los por não acertarem à primeira, sobretudo naquelas idades.

 

Ficamos por aqui, para já. Peço desculpa por só termos falado de três canções: com esta banda é preciso quase sempre falar do que acontece nos bastidores. Amanhã haverá mais. Não percam!

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