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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Não sejam idiotas. Vacinem as vossas crianças!

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Por estes dias, existem duas coisas que me irritam mais do que qualquer outra no Mundo. Uma delas é Donald Trump e tudo o que ele representa. Outra é a moda de não vacinar as crianças. Esta última é um dos assuntos da moda, tendo em conta o recente surto de sarampo que provocou a morte de uma adolescente não-vacinada. Sendo algo relacionado com a minha área - Ciências Farmacêuticas - achei por bem escrever sobre o assunto.

 

Começo por admitir um viés: eu tendo a ser pró-Medicina Tradicional e pró-Indústria Farmacêutica. Para além de ser de Ciências Farmacêuticas e ter tirado um curso em Ensaios Clínicos, tenho pais médicos. É uma questão de educação, em suma. Fui sempre uma mulher de Ciência. Não desvalorizo as medicinas alternativas, mas confio menos nelas que na Medicina Tradicional.

 

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Não quero com isto dizer que a Medicina e a Indústria Farmacêutica sejam isentas de corrupção - nada o é neste mundo. No entanto, o público em geral não parece ter noção de quanta fiscalização e controlo existe na Indústria Farmacêutica. Na minha primeira aula de Farmacologia, o meu professor - julgo que foi o professor Hélder Mota-Filipe, que chegou a ser presidente do Infarmed - afirmou mesmo que o setor farmacêutico é um dos mais regulados, a par do setor da aviação civil. Nenhum medicamento ou dispositivo médico é lançado no mercado sem ser sujeito a uma infinidade de controlos e avaliações (aquando do fabrico, dos ensaios clínicos, etc). Ou seja, dificilmente lançam produtos sem eficácia e/ou com níveis de toxicidade inaceitáveis. Mesmo depois de o medicamento ter entrado no mercado, continua a haver monitorização constante de possíveis efeitos secundários.

 

E este sistema, bem como a Medicina em geral, por muitos defeitos que tenha, permitiram aumentar imenso a nossa esperança média de vida, qualidade de vida em geral e reduzir a nossa mortalidade infantil. Cá em Portugal, aliás, temos mais sorte que uma boa parte do Mundo, com o nosso Sistema Nacional de Saúde tendencialmente gratuito. Este pode já ter visto melhores dias, mas ainda permite, entre outros benefícios, cem por cento de comparticipação nos medicamentos para o HIV. Tendo em conta que foram estes medicamentos que permitiram transformar a SIDA numa doença crónica, que não mata, sim, isto é um enorme benefício.

 

Como tal, irrita-me solenemente quando as pessoas não dão o devido valor à Medicina. Ainda mais quando desdenham abertamente dela. A moda de não vacinar as criancinhas é o expoente máximo dessa filosofia.

 

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Antes de mais nada, uma breve explicação sobre como funcionam as vacinas - acho que, no meio da polémica toda, ainda ninguém o explicou como deve ser. Quando o nosso organismo é infetado por um determinado agente patogénico (um vírus, uma bactéria, etc) pela primeira vez, a resposta do sistema imunitário - resposta primária - é relativamente lenta e pouco intensa. Aquando desse primeiro contacto e “combate” com o agente patogénico, são criadas células de memória. Estas guardam a informação específica sobre esse agente patogénico durante vários anos, às vezes mesmo durante a vida toda. Assim, quando ocorre uma segunda infeção pelo mesmo agente patogénico, uma vez que o sistema imunitário já o “conhece” e sabe tudo sobre ele, graças às tais células de memória, a resposta - resposta secundária - é muito mais rápida e intensa. Podemos nem sequer desenvolver sintomas da doença em questão.

 

Ora, o que as vacinas fazem é explorar as potencialidades dessas células de memória. As vacinas contém, ou o agente patogénico que queremos combater numa versão atenuada, ou partículas desse agente. O objetivo é que estas provoquem uma resposta primária por parte do sistema imunitário. Como usamos uma versão bem mais suave do agente patogénico em questão, ou partes dele, não ficamos doentes (embora certas vacinas, como a do tétano, possam provocar alguma reação). No entanto, se tudo funcionar como deve ser, a resposta do sistema imunitário será o suficiente para criar células de memória.

 

Depois disso, quando ocorrer uma infeção a sério por parte desse agente, o sistema imunitário pensará que é uma segunda infeção e partirá de imediato para a resposta secundária. Assim, desenvolvemos menos sintomas da doença em questão - ou não a desenvolvemos de todo.

 

Tem-se também falado, por estes dias, da imunidade de grupo. Passo também a explicar esse conceito.

 

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Existem pessoas que não podem ser vacinadas, por motivos de saúde: pessoas imunossuprimidas, que sofrem de cancro ou que desenvolvem reações alérgicas a um qualquer componente da vacina. Consta que a bebé de treze meses que terá começado o surto e a jovem de dezassete anos que morreu não foram vacinadas por motivos de saúde.  

 

Nesses casos, é importante que as pessoas em redor desses indivíduos estejam vacinadas. Porquê? Porque, como o sistema imunitário delas combate rapidamente o agente patogénico em questão, é menos provável que contagiem uma pessoa não-vacinada.

 

Como podem ver, a decisão de vacinarem ou não os vossos filhos afeta-nos a todos. As vacinas são uma das principais razões pelas quais temos a longevidade e a qualidade de vida que temos hoje, tal como referi acima. Ajudam a prevenir doenças devastadoras como, lá está, o sarampo (cujas complicações incluem cegueira, pneumonia e encefalite - as duas últimas são, frequentemente, fatais), a tuberculose, a tosse convulsa, a difteria, a febre-amarela, a poliomielite (que pode provocar paralisia), a papeira e a rubéola (que, se contraída durante a gravidez, pode provocar malformações, abortos espontâneos e nados-mortos). Os programas de vacinação em países subdesenvolvidos têm tido resultados fantásticos - na Guiné-Bissau, por exemplo, ajudaram a reduzir a mortalidade infantil de cinquenta para sete por cento. Aliás, a UNICEF acaba de revelar que a vacinação reduziu em oitenta e cinco por cento a morte de crianças com menos de cinco anos.

 

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Eu não gosto de tecer juízos de valor sobre as capacidades parentais de ninguém quando nem sequer sou mãe. Mas que pai ou mãe nega este tipo de proteção aos seus filhos? Quem é que permite que os seus filhos corram o risco de contrair doenças como estas?

 

Claro que existem riscos na vacinação, como existem em qualquer medicamento ou dispositivo médico. Um princípio que aprendemos outra e outra vez no curso de Ciências Farmacêuticas reza que tudo é um veneno, depende apenas da dose. Mesmo assim, tirando reações alérgicas graves (como, segundo consta, seria o caso da jovem que morreu) ou caso estejam imunossuprimidos, não vejo que malefícios suplantam o risco de contrair poliomielite ou tosse convulsa. Mesmo que as vacinas causassem autismo, como se chegou a alegar - e já foi mais que provado que esse estudo foi a mãe de todas as fraudes - arrisco-me a dizer que prefiro ter um filho autista do que um filho morto.

 

Ainda não conheci pessoalmente nenhum anti-vacinas confesso e militante, mas, se vier a conhecer, não devo conseguir evitar dizer-lhes umas quantas verdades. Com o devido respeito, estas pessoas julgam-se melhor informadas que médicos, enfermeiros, farmacêuticos, cientistas? Pessoas que estudam durante anos, investigam durante anos? Cujas descobertas têm se ser revistas por outros investigadores antes de serem publicadas? Um estudo aldrabado e uns quantos blogues manhosos valem mais que séculos de Medicina?

 

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A verdade é que estamos a entrar em tempos perigosos, dos chamados “factos alternativos”, em que confundimos verdade com opinião. Não foi por acaso que, no fim de semana passado, se realizou uma marcha pela Ciência em diversos pontos do Mundo, Portugal incluído. A ignorância e a arrogância unidas são catastróficas. Eu tenho medo de viver num mundo assim.

 

Mas regressemos às vacinas. Se a decisão de não vacinar afetasse exclusivamente o decisor, ninguém se ralava. Infelizmente, a decisão afeta crianças - não apenas os filhos dos decisores, os filhos de muitos outros também. Seriam capazes de viver com a vossa consciência se o vosso filho morresse só porque vocês não querem vaciná-lo? Querem mesmo correr esse risco?

 

Não sejam idiotas. Oiçam os médicos, enfermeiros e farmacêuticos. Vacinem as vossas crianças!

 

Alguns dos artigos que consultei, só para verem que não estou a inventar nada.

 

 

Odaiba Memorial Day: Digimon Aventure #2 - Cenários e pais negligentes

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Nesta entrada, vamos analisar os Cenários onde decorre a narrativa. A história da primeira temporada de Digimon Aventures decorre, maioritariamente, no Mundo Digital. Este, também conhecido por Mundo Digimon, é uma dimensão paralela ao chamado "mundo real", tendo sido criado a partir de dados informáticos à mistura com pensamentos, emoções, sonhos e crenças humanas - o que explica o facto de vários Digimon e lugares do Mundo Digital tenham características de mitos e culturas humanas. Tendo em conta que, na altura em que via Digimon pela primeira vez, a Internet e mesmo os telemóveis eram ainda coisas muito recentes, a ideia de um Mundo Digital fascinava-me - em particular, a de um mundo digital acessível através de um computador (na segunda temporada). E, claro, este conceito de dimensões alternativas, mundos paralelos, serviu de inspiração para o meu livro

 

Por outro lado, o arco narrativo mais interessante da temporada acaba por se passar no Mundo Real, quando o elenco regressa temporariamente às cidades natais e estas são atacadas por Digimons hostis. Para além de podermos ver as Crianças Escolhidas relacionando-se com as respetivas famílias (mais sobre isso quando falarmos sobre as Personagens), quando era mais nova, a ideia de Digimons atacando a comunidade, com as crianças sendo as únicas a saber o que está a acontecer e porquê e as únicas capazes de salvar o dia, fascinava-me. Cheguei a imaginar que isso acontecia na minha localidade, inclusivamente na minha escola. Os meus colegas, os professores e os outros funcionários abrigar-se-iam no pavilhão desportivo e eu ficava cá fora, com o meu Birdramon, defendendo-os dos ataques dos Digimons maus - ao mesmo tempo que comunicava à distância com as outras Crianças Escolhidas, que combatiam noutras frentes.

 

Que cara é essa? Como é que acham que eu me tornei escritora, meus amigos?

 

 

Já que falo do assunto, referir que um dos aspetos da segunda temporada de que gostava mais era do facto de o elenco frequentar as aulas, ir para casa ao fim do dia, fazendo o trabalho de Crianças Escolhidas quase como uma atividade extracurricular - reunindo-se numa sala de computadores, como a que havia na minha escola. Eu identificava-me com isso. Lembro-me, inclusivamente, de ler numa revista há uns anos que era comum miúdos à volta dos doze anos se identificarem com esse género de narrativa: em que os protagonistas levam a vida normal de um pré-adolescente, mas também fazem o trabalho de heróis em segredo. Este artigo vinha a propósito de uma banda desenhada qualquer, que estava na moda na altura (Witch? O clube Winx?), mas fez-me pensar em Digimon.

 

Um aparte só para assinalar que, na realidade, dificilmente crianças de onze anos, ou menos, conseguiriam escapar ao controlo dos adultos durante tempo suficiente para salvar o Mundo Digital. Eu não conseguiria quando tinha essa idade, mas eu era a excepção, não a regra. No entanto, pela norma dos dias de hoje - em que os pais podem ser acusados de negligência se deixam os filhos ir sozinhos para a escola - seria impossível. Para que pudesse haver história, foram necessários adultos responsáveis mais liberais, talvez irrealisticamente liberais. Num dos episódios, Izzy tem de travar um Digimon hostil a meio da noite, por isso, tranca-se no quarto e foge pela janela. Os pais apercebem-se da porta trancada, mas não fazem nada - na vida real, qualquer pai, mais permissivo ou não, se um filho se trancasse no quarto e deixasse de responder, entraria em pânico ou, no mínimo, faria tudo para abrir a porta.

 

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Outro exemplo são os país de Tai e Kari que, por duas vezes, deixam a filha doente sozinha em duas ocasiões. Uma vez aos quatro, cinco anos, outra vez aos seis/sete - já no decurso da história. Isto sempre me fez confusão, mesmo quando era mais nova: já é suficiente mau deixar uma criança de sete anos saudável sozinha em casa, quanto mais doente. Até porque a primeira vez teve consequências graves, seria de esperar que os país de Kari tivessem aprendido a lição. Ou melhor, nem por isso, pois deitaram a culpa ao filho mais velho que, na altura, tinha... nove anos, no máximo. Na realidade, os pais teriam, no mínimo, sido abordados por uma assistente social.

 

E com este comentário sobre negligência parental, encerro está entrada. Na próxima, analisarmos o enredo desta primeira temporada de Digimon.

 

Follow Friday #3

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Já devo ter referido aqui no blogue que uma das coisas que mais adoro neste mundo são crianças. Faço parte daquele género de pessoas que pára na rua quando se cruza com algum bebé ou criança pequena. Estou convencida que isto se deve ao facto de a minha irmã ter nascido quando eu já tinha idade para me recordar disso e  tenha adorado vê-la crescer. Como tal, um blogue que fale de crianças, que atualize sobre os feitos recentes ou tiradas engraçadas dos petizes, vai sempre chamar-me a atenção.

 

Um dos meus preferidos neste momento é o Quem Sai aos Seus. O seu foco principal são as três meninas da Lina (meu Deus, três meninas...). Daí que hoje, dia de Follow Friday, tenha optado por falar deste blogue. 

 

Para concluir, queria só dizer que, pelo que tenho lido nestes blogues todos, ainda que hoje adore crianças e sonhe com filhos meus, quando os tiver mesmo não devo achar tanta graça. Além disso, pelos genes que circulam na minha família, aposto que vou pagar com juros todas as diabruras com que eu e os meus irmãos atormentámos a geração anterior à nossa. 

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