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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Digimon Tamers #5 – Dentro e fora da fórmula

Nas minhas análises, esta é a parte em que olhamos para o enredo da temporada. Dividimo-lo em partes e deixamos algumas impressões sobre as mesmas.

 

Antes de partirmos para isso, no entanto, queria ir um pouco ao pormenor antes de olharmos para o quadro geral.

 

Os episódios de Tamers possuem uma estrutura diferente que, confesso, demorei algum tempo a entranhar. Em Adventure e 02 era tudo muito mais simples: com as devidas exceções, os episódios possuíam um determinado problema como premissa inicial e esta, na maior parte dos casos, era resolvida no mesmo episódio. Em praticamente todos os episódios, os protagonistas deparavam-se com um Digimon adversário e pelo menos um dos companheiros dos miúdos digievoluía para derrotá-lo.

 

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Tamers tem alguns episódios assim, mas muitos deles fogem a essa fórmula. No primeiro episódio, por exemplo, só no minuto final é que o chamado gogglehead da temporada – Takato – conhece o seu companheiro, Guilmon. Vários capítulos terminam em cliffhangers, há linhas narrativas que se prolongam por mais do que um episódio. O combate com Beelzebumon, então, dura três episódios.

 

Estranha-se, sim, mas acaba por funcionar bem. Torna a história menos previsível e formulaica.

 

Se olharmos bem para a trama de Tamers em geral, esta acaba por ser o oposto da de Adventure. A primeira temporada de Digimon passa-se quase toda no Mundo Digital, com uma parte no Mundo Real. Tamers decorre quase todo no Mundo Real, com uma parte do Mundo Digital. Em ambos os casos, a mudança de cenário deve-se a um MacGuffin que funciona como encarnação da luz – Hikari no caso de Adventure, Culumon neste caso.

 

Eu digo que é um MacGuffin, mas não se pode dizer que a audiência não se rale com o Culumon. Bem pelo contrário – o pequenote é uma coisinha extremamente adorável, é preciso ter um coração de pedra para não se importar que ele esteja em perigo.

 

Assim, o enredo de Tamers pode, na minha opinião, ser dividido em cinco partes.

 

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A primeira parte, que vai do primeiro episódio ao décimo-quarto, funciona como introdução. Vendo Tamers pela primeira vez, parecerá demasiado lenta – tal como Tri pareceu, na verdade – mas, vendo segunda vez, é mais fácil reparar nas sementes que vão sendo plantadas, na evolução lenta mas segura das personagens e da história. Esta parte serve para sermos apresentados às personagens, ao conceito de Treinadores, para preparar os três protagonistas para o papel que terão de desempenhar mais à frente, na história.

 

Conforme vimos antes, os Treinadores começaram sem propósito específico. Nem sequer se assumem logo como equipa, nem sequer se assumem logo como amigos. Nesta parte, vemos Takato aprendendo o “bê-á-bá” de ser Treinador; Jiangliang aprendendo que, por muito que não goste, às vezes lutar é necessário; Ruki descobrindo as consequências de lutar por motivos egoístas. Vemos os três protagonistas habituando-se uns aos outros e também à digievolução. Mesmo os secundários, futuros Treinadores – Hirokazu, Kenta e Juri – são apresentados aos Digimon no final desta parte.

 

Nesta altura do campeonato, os Digimon que se realizam no Mundo Real são meros “selvagens”, pouco mais que espécies infestantes. Tirando um caso ou outro, servem mais para aprendizagem dos Treinadores do que para outra coisa qualquer.

 

É também nesta parte que nos é apresentada a organização Hypnos, pouco a pouco. Durante vários episódios só vemos breves cenas de Yamaki brincando com o seu isqueiro e de Reika e Megumi anunciando o aparecimento de Digimon no Mundo Real (sou capaz de apostar que eles reutilizam a mesma cena uma meia dúzia de vezes).

 

Este arco termina com o Hypnos assumindo-se como uma força que quer erradicar os Digimon do Mundo Real – ou seja, funcionando como antagonistas dos Treinadores. Para esse fim, ativam o programa Shaggai… que acaba por causar mais problemas do que aqueles que resolve, ao permitir a aparição do primeiro Deva.

 

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Conforme comentaremos mais à frente, isto é mesmo a cena do Hypnos, pelo menos na primeira metade de Tamers: causar mais problemas do que aqueles que resolvem. Este é apenas um dos primeiros exemplos.

 

Por outro lado, a luta com o primeiro Deva, Mihiramon, durante este episódio de transição, sempre desbloqueia o MegaloGrowlmon, a forma perfeita de Guilmon.

 

Não estava habituada a termos formas Perfeitas tão cedo na temporada. Por esta altura, em Adventure, só agora é que Takeru tinha desbloqueado o Angemon, de forma traumática, diga-se. Em 02, estávamos a começar a segunda ronda de armodigievoluções. Nalgumas coisas o início de Tamers é lendo, mas neste aspeto é surpreendentemente rápido.

 

A segunda parte – que vai do episódio 15 ao 23, inclusive – caracteriza-se pela invasão dos Deva. Se na primeira parte, a digievolução para nível Adulto só ocorre em circunstâncias especiais, na segunda parte esta está normalizada (sendo ativada por carta). Desta feita, é a digievolução para nível Perfeito que ocorre em circunstâncias especiais.

 

Pelo meio, Leomon aparece no Mundo Real. Juri persegue-o durante um episódio, mas só no fim da segunda parte é que a parceria é oficializada.

 

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Nesta fase, é revelada a história de origem dos Digimon, o Grupo Selvagem e o papel que Jiang-yu, pai de Jianliang, desempenhou no processo. Esse mesmo grupo começa a colaborar com o Hypnos, embora com intenções meramente académicas da parte dos cientistas – as de Yamaki não são bem assim.

 

No fim da segunda parte, Vikaralmon – o Deva-porco, uma criatura gigantesca – invade Shinjuku, destruindo uma parte da cidade. Numa tentativa de travá-lo, Yamaki tenta ativar o Shaggai. Torna a correr bem: não só Vikaralmon não é travado como a sede do Hypnos colapsa.

 

É também nesta altura que o Deva-macaco, Makuramon, deita as mãos a Culumon e leva-o para o Mundo Digital. A segunda parte termina com os Treinadores decidindo ir atrás deles, para o Mundo Digimon.

 

A terceira parte, do episódio 24 ao 34, decorre toda no Mundo Digital. Os Treinadores exploram este mundo diferente enquanto procuram Culumon. O grupo divide-se, encontra Culumon, reúne-se, perde novamente Culumon, divide-se outra vez. Há uma altura em que Ruki decide venturar-se a sós com Renamon, outra em que Shaochung, a irmãzinha de Jianliang, é trazida ao Mundo Digital pelos Digignomos. Pelo meio, é-nos apresentado Ryo que, no entanto, acaba por se afastar sozinho, antes do fim deste arco. Por fim, Impmon faz um pacto quase literal com o diabo, que lhe permite digievoluir para Beelzebumon.

 

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É inevitável colocar uma quebra no episódio em que o Leomon morre. É um claríssimo ponto de viragem na narrativa. Até este momento, Tamers tivera um tom razoavelmente descontraído. Não exatamente ao nível de um vulgar produto dirigido ao público infantil, mas normal para Digimon.

 

Depois da morte de Leomon, no entanto… bem, a coisa fica preta. E de que maneira!

 

A partir daqui é mais difícil dividir a narrativa, mas eu acho que faz sentido colocar uma divisória no episódio 41. A quarta parte de Tamers decorre ainda no Mundo Digital. Concluí-se o combate com Beelzebumon – onde ocorre uma digievolução negra para nível Extremo, uma digievolução correta para nível Extremo e, no fim, deixam Beelzebumon sair vivo, a pedido de Juri.

 

Depois desta, também Jian e Ruki desbloqueiam as formas Extremas dos seus Digimon, enfrentam as Bestas Sagradas, descobrem que o inimigo não são as Bestas Sagradas e sim o D-Reaper. Encontram o Culumon e este usa os seus poderes para catalisar inúmeras digievoluções para nível Extremo, para poderem enfrentar o D-Reaper. Os miúdos são autorizados a regressar a casa.

 

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No universo de Adventure, a reta final das temporadas é sempre mais sombria – no caso de Tri, tanto no sentido figurativo como no literal. Tamers segue pelo mesmo caminho, mas o tom sombrio nem se compara – sobretudo quando se descobre que o D-Reaper está a usar o corpo e a mente de Juri. São precisas várias tentativas para resolver o imbróglio – existem ocasiões em que tanto os Treinadores como o Hypnos e as forças militares não têm outra hipótese senão bater em retirada. Mesmo que isso implique deixar uma menina de dez anos presa naquela monstruosidade.

 

Se Tamers possui um final feliz é questionável. A situação do D-Reaper resolve-se, sim, mas o preço a pagar é elevado. A cena em que esse preço é cobrado é traumática… mas isso é conversa para mais adiante nesta análise.

 

Para já, na próxima publicação, vamos passar àquela que tem sido sempre a minha parte preferida em Tamers: as personagens. Fiquem por aí!

Digimon Tamers #4 – Os que Escolhem

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Até agora nesta análise a Tamers, olhámos para o Mundo Real e o Mundo Digital onde decorre a ação, bem como para as características dos Digimon enquanto espécie, neste universo. Neste texto, vamos falar do papel dos humanos. Queria refletir em particular sobre o porquê. Porque surgiram os Treinadores, qual é o seu objetivo. 

 

Comecemos pela semântica da coisa. Consta que, em termos do “meta” de Digimon enquanto franquia, o termo Tamer é um hiperónimo para qualquer ser humano que possua um companheiro Digimon. Pode ser alguém Escolhido por uma entidade divina qualquer para salvar o mundo. Ou pode ser apenas alguém que emparceirou com um Digimon para explorar o Mundo Digimon e treiná-lo para combate. Pode até nem sequer possuir um dispositivo digital.

 

Ora, a tradução literal de “tamer” é “domador”. No entanto, pelo menos nesta temporada, a dobragem portuguesa usa o termo Digitreinador ou, pura e simplesmente, Treinador. Não sei como é com vocês, mas a mim recorda-me demasiado a franquia concorrente.

 

Talvez não tenham usado o termo “domador” por possuir uma certa conotação negativa. No entanto, pelo menos no universo de Tamers, “domador” faz mais sentido do que “treinador”.

 

Tal como comentado amplamente no texto anterior, os Digimon neste universo possuem uma faceta fortemente selvagem e violenta. No entanto, é referido várias vezes ao longo da série que emparceirar com uma criança humana representa uma maneira alternativa de digievoluir, sem ser necessário absorver outros Digimon.

 

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Uma parte do trabalho dos miúdos é precisamente controlarem os instintos violentos dos seus Digimon. Takato e Jianliang debatem-se com isso em momentos diferentes, mas o caso mais óbvio é Ryo e Cyberdramon. Se Ryo não o mantiver com trela curta, Cyberdramon andará para sempre à procura de adversários fortes com quem combater. Ryo chega a usar uma espécie de chicote laser para imobilizar o seu Digimon.

 

Isso a mim assemelha-se à definição de “domar” na Infopédia. Pelo menos até certo ponto. O objetivo não é exatamente domesticar os Digimon (pelo menos não devia ser), antes canalizar os seus instintos violentos para fins mais produtivos.

 

Por isso sim, nesse aspeto faria mais sentido chamar-lhes domadores, na minha opinião. Até por uma questão de coerência com as versões japonesa e americana. No entanto, para esta análise, vou usar o termo “oficial” português, Digitreinador – ou Treinador, por uma questão de simplicidade.

 

Um ponto a favor de Tamers em relação a Adventure é o facto de não existirem Crianças Escolhidas, pelo menos não diretamente. Foram os miúdos que escolheram ser Treinadores, de uma maneira ou de outra. De igual modo, os Digimon com que emparceiram não foram desenhados como uma extensão da personalidade dos miúdos. Digimon e Treinador escolhem-se um ao outro. Juri vai literalmente atrás do seu futuro companheiro Digimon, Hirokazu e Kenta vão ao próprio Mundo Digital à procura de parceiros.

 

Parte dos conflitos em Tamers, aliás, derivam de incompatibilidades entre Digimon e parceiro humano – sendo que o principal conflito da história foi despoletado, indiretamente, por uma relação entre Digimon e seus Treinadores que correu mal.

 

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A contrapartida é que não se percebe ao certo qual é o propósito de existirem Treinadores. Não lhes é exigido nada, ninguém espera que salvem o Mundo, nem o Real nem o Digital. O Hypnos de início procura boicotá-los ativamente, considera (não sem razão) que crianças não têm nada que lidar com Digimon. Mesmo quando começam a colaborar com os miúdos, fazem-no com alguma relutância – e com os pais deles a respirar-lhes sobre os pescoços.

 

Da mesma forma, os Treinadores apenas visitam o Mundo Digital para resgatar um amigo, o Culumon. Depois de o salvarem, os miúdos querem logo regressar a casa e as Bestas Sagradas não os impedem – isto apesar de, nesta altura, o D-Reaper já se ter declarado como o inimigo. Mesmo considerando histórias menores, como os Tsuchidarumon na Vila Esquecida ou os Gekomon escravizados por Orochimon, ninguém lhes pede, preto no branco, que façam alguma coisa. No primeiro caso, é Takato quem deseja tentar destruir a mota assombrada (contra a vontade de Jianliang, note-se). No segundo, Orochimon rapta Juri e os demais são obrigados, naturalmente, a intervir.

 

Isto não é uma coisa má. Pelo contrário, confere maior agência aos Treinadores. Eles envolvem-se na história não porque o destino o exigiu ou porque alguém lhes pediu ajuda, mas porque desejam proteger a sua cidade, aqueles que amam, aqueles que não se conseguem defender por si mesmos. Porque só eles têm possibilidades para isso.

 

A minha questão é, se os Treinadores não possuem nenhum propósito senão aqueles que definem para sim, porque é que começaram a surgir, aparentemente do nada, crianças “adotando” Digimon?

 

Durante a segunda vez que vi Tamers, desta feita já tomando notas para escrever esta análise, perguntei-me se o objetivo de existirem Treinadores seria para tentar tornar os Digimon em geral menos violentos. Como referimos antes, a natureza violenta dos Digimon afeta quase todas as relações entre Digimon e Treinador. Mas mesmo fora disso, no episódio em que Ruki, Hirokazu e Kenta pernoitam na casa do Gigimon e da Babamon, nota-se a influência da presença dos humanos. Quando estão sozinhos, os dois Digimon vivem num tédio constante e o único entretenimento que lhes ocorre é andarem à bulha. No entanto, na azáfama de servirem de anfitriões aos miúdos, deixam as brigas de parte e acabam por passar um bom bocado.

 

 

O episódio em si é fraquinho, é um filler e um bocadinho parvo, no bom sentido, quanto mais não seja pela icónica Canção da Pesca (naquelas circunstâncias, o António era menino para cantar o Africa). Mas sempre planta uma ideia interessante: se passarem tempo suficiente com humanos, mesmo que estes não sejam os seus Treinadores, será que os Digimon começam a deixar de lado as suas tendências violentas?

 

Eu pelo menos fiquei com a impressão, em vários momentos de Tamers, que o conflito principal da história seria humanos versus Digimon. Ou pelo menos Digimon-com-humanos versus Digimon-sem-humanos. Só que o D-Reaper meteu-se no meio.

 

É possível que, se não fossem as consequências da Operação Joaninha, para derrotar o D-Reaper, a história tivesse ido nessa direção: numa tentativa de “civilizar” os Digimon enquanto espécie. O que poderia proporcionar uns conflitos interessantes.

 

Conforme vimos no texto anterior, os Digimon não consideram que haja nada de errado com o seu estilo de vida. A parte, aliás, de Chatsuramon considerar insultuoso os Treinadores não absorverem os dados dos seus adversários – quando, antes, o facto de os miúdos terem deixado de absorver dados tenha sido pintado como uma evolução positiva – poderia ter sido melhor explorada. Tamers poderia ter examinado a moralidade das acções dos miúdos, ao tentarem impor os seus valores aos Digimon – quando, ainda por cima, foram os próprios humanos a codificar a lei do mais forte nos dados dos Digimon.

 

Havemos de regressar a este tema quando falarmos dos vilões de Tamers. Regressemos à questão do porquê de existirem Treinadores.

 

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A única resposta que me ocorre é pura e simplesmente porque as crianças o desejaram e os Digignomons concederam-no. Canonicamente, estes só terão influenciado a sagração de Takato e Kenta. No entanto, é possível que também tenham tido um dedinho com as dos outros. E de facto não acho que seja necessária outra explicação.

 

Se formos a ver, aliás, são os humanos quem fizeram quase tudo no universo de Tamers. Foram os humanos a criar os Digimon tal como são. Foram crianças humanas a desejar ganhar companheiros Digimon. Mesmo o grande vilão da história, o D-Reaper, foi criado por humanos e talvez não tivesse chegado ao Mundo Real se Beelzebumon não tivesse assassinado Leomon – o que não teria acontecido se as coisas entre Impmon e os seus Treinadores não tivessem corrido mal. Por fim, a Operação Joaninha que neutraliza o D-Reaper e tem… outras consequências, foi também obra de humanos: neste caso, o Hypnos e o Grupo Selvagem.

 

Os humanos são os principais condutores desta história, o que me agrada. Há menos Deus Ex-Machinas, menos ocasiões em que os protagonistas são salvos pelos dispositivos digitais ou semelhante.

 

O tema da próxima publicação será precisamente esse: o enredo, a narrativa. Publico-a daqui a uns dias, como tenho feito até ao momento. 

 

Espero que tenham um excelente vigésimo Odaiba Memorial Day (não podia deixar de manter a tradição e publicar neste dia). O encontro deste ano foi no sábado passado. Estejam atentos à página de Facebook deste blogue, bem como à página do evento, para saberem como foi. 

Digimon Tamers #3 – Dados, cartas, direitos de autor, lei do mais forte

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Falemos, então, da origem dos Digimon neste universo. Em Tamers, os Digimon foram criados nos anos 80 por um grupo de estudantes universitários – conhecidos como o Grupo Selvagem – que exploravam a inteligência artificial. O projeto acabou por ser interrompido quando perderam o pratocinador.

 

Um dos membros do grupo, conhecido por Shibumi, no entanto, continuou a trabalhar no projeto, acabando por ser ele a criar o algoritmo que permitiu aos Digimon ganharem vida própria – digievoluírem.

 

É um aspeto curioso de Tamers: o facto de “digievolução” poder ser usado como um sinónimo de evolução enquanto espécie – ganho de consciência, inteligência, criação de um sistema de valores próprio, mesmo de deuses próprios. A geração de uma civilização, em suma. Não sei que é intencional ou um erro de tradução, mas é um conceito fascinante. Até porque os Digimon não serão os únicos a digievoluír.

 

Uma característica relevante acerca dos Digimon, desde a sua criação pelo Grupo Selvagem, é o seu apelo para as crianças. De tal forma que, algures entre o cancelamento do projeto e alguns anos antes dos eventos de Tamers, alguém encontrou o conceito de Digimon na Internet e criou toda uma franquia centrada nos monstrinhos digitais. Incluindo uma série de televisão – Adventure e 02.

 

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Pois é, o universo de Adventure existe como ficção no universo de Tamers. Isso é muito mais explícito na versão americana. Na versão original e nas outras que se baseiam diretamente nela (incluindo a portuguesa), ninguém o refere diretamente, mas aparece na cronologia do site de Konaka.

 

Pergunto-me se Tri também foi lançada no universo de Tamers. Espero que tenha tido recebida um bocadinho melhor que no nosso mundo…

 

Por outro lado... porque é que os membros do Grupo Selvagem não processaram a empresa que comercializa os produtos de Digimon por violação dos direitos de autor? Se a franquia tem assim tanto sucesso no Mundo Real de Tamers, acho estranho nenhum dos membros do Grupo Selvagem não reclamar uma parte dos lucros para si – afinal, foram eles a criar o conceito de Digimon.

 

A menos que tenha sido um dos membros do Grupo Selvagem a criar a franquia? É possível... Talvez ele ou ela tenham convencido os antigos colegas a abdicar dos seus direitos de propriedade intelectual. Também é possível que os membros do Grupo Selvagem estejam a receber dinheiro dos direitos de autor, apenas não o referem.

 

Não sei. É um pormenor que me faz confusão e de que, se calhar, os produtores de Tamers se esqueceram. Ou então acharam que o público, maioritariamente infantil, não se preocuparia com isso.

 

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Da franquia de Digimon no universo de Tamers faz parte um jogo de cartas e um videojogo, para além da série de TV. Consta que foi uma diretriz da Toei, para poderem vender esses produtos na vida real. Pode ter sido uma jogada de marketing, mas, como veremos a seguir, na minha opinião foi bem executada, no geral.

 

Todo o anime de Digimon, aliás, sempre teve como objetivo vender brinquedos e videojogos. No entanto, tem-no feito contando histórias inesquecíveis. Portanto, aceita-se.

 

À primeira vista, no universo de Tamers as cartas funcionam de maneira similar à da vida real: com itens colecionáveis, para o jogo de cartas, até para o videojogo. No entanto, quando dos Digimon começam a aparecer no Mundo Real e crianças começam a tornar-se Treinadoras, estas usam as cartas para conferir temporariamente novos poderes aos seus Digimon,

 

Tamers não chega a explicar ao certo porque é que os Digimon conseguem ser afetados por cartas provavelmente adquiridas em quiosques ou assim. É possível que as cartas tenham sido codificadas com os mesmos dados de que os Digimon são feitos – embora apenas para determinados poderes ou características. Explicaria também o motivo pelo qual as cartas são compatíveis com o jogo de computador e com leitores, como aquele que se transforma no D-arco de Takato.

 

Em todo o caso, o uso das cartas sempre dá aos miúdos um papel mais interventivo nos combates de Digimon – em vez de apenas desbloquearem as digievoluções e ficarem a assistir de fora, como um adepto na bancada apoiando a equipa da casa. A digievolução, aliás, é uma ocorrência bem mais rara em comparação com as temporadas anteriores, sobretudo nos primeiros actos. Fica, no entanto, claro desde o início que a escolha das cartas requer pensamento estratégico – algo que Takato, por exemplo, demora algum tempo a desenvolver.

 

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Bem, pelo menos em teoria. Há ocasiões em que depende de pensamento estratégico, sim, mas também existem circunstâncias em que a vitória se obtém sacando uma carta super rara. Ou seja, depende menos da estratégia e sim da sorte e/ou dinheiro gasto para obter essa carta. Por outras palavras, é um pouco como usar um Mewtwo em jogos da franquia concorrente. 

 

Por fim, sempre são uma desculpa para umas quantas sequências de “Card Slash!/Carta Escolhida!”, com o respetivo tema pop rock. Já tentei replicar a cena com terminais Multibanco mas, não sei bem porquê, não é tão épico. Talvez por os cartões não deitarem faíscas ao deslizarem nos leitores magnéticos…

 

Isto tudo para dizer que, neste universo, uma boa parte da população civil, sobretudo crianças, sabe o que são Digimon. No universo de Adventure, por sua vez, só na segunda metade de Tri é que a população começou a referir-se às criaturas que os atacavam por Digimon.

 

Outra diferença em relação ao universo de Adventure é o facto de os Digimon não serem os únicos habitantes do Mundo Digital. Nem sequer são uma espécie nativa – apenas migraram para lá quando o projeto foi abandonado.

 

Agora que penso nisso, talvez não devesse chamar-lhe Mundo Digimon nesta análise. Mas gosto demasiado do termo – dá-me nostalgia pela dobragem portuguesa de Adventure e 02.

 

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Enfim, perdoem-me este pequeno àparte. Ainda antes de os Digimon terem sido concebidos, foram criadas outras formas de inteligência artificial. Chamam-se Digignomos, a mim parecem-me uma mistura de anjos e fantasmas, e possuem a capacidade de realizar desejos.

 

O que me leva à pergunta: como é que os investigadores conseguiram conceber criaturas com inteligência artificial capazes de realizar desejos? Mais, como conseguiram criá-las antes de criarem os Digimon? Talvez tenham ganho o poder de conceder desejos com o algoritmo de Shibumi. Não sei. Em todo o caso, é provavelmente o único elemento de fantasia em Tamers – que assenta sobretudo em ficção científica. De qualquer forma, são responsáveis por vários eventos importantes para o enredo.

 

Regressemos aos Digimon em si. No universo de Tamers, o lado feroz e violento dos Digimon é muito mais explícito do que estávamos habituados. Quando foram criados, o Grupo Selvagem fez questão de torná-los semelhantes a animais selvagens, fazendo-os viver sob a lei do mais forte (uma decisão de ética questionável, na minha opinião). Os Digimon passam a vida lutando uns com os outros. Quando perdem, desfazem-se em partículas digitais, que os adversários absorvem – o que lhes confere mais poder e, quiçá, a capacidade para digievoluir.

 

Ou seja, neste Universo não existe Aldeia do Começo. Quando um Digimon morre, permanece morto, não tem maneira de regressar à vida.

 

Pois.

 

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Teoricamente, ao absorver os dados de um adversário, os Digimon ganham a capacidade de usar os seus poderes e/ou ataques. Na prática, apenas vemos Beelzebumon fazendo isso. É uma pena porque o conceito é interessante. Seria giro vermos os Digimon dos Treinadores usando técnicas de adversários que derrotaram. No entanto, talvez isso os tornasse demasiado fortes. Mais: Renamon estaria claramente em vantagem em relação aos outros, por todos os Digimon que derrotou ao lado de Ruki.

 

Embora tenhamos exemplos de Digimon vivendo em paz no Mundo Digital, todos os Digimon parecem possuir uma tendência inata para a violência – não é apenas uma questão cultural. Mesmo o Guilmon, que nasceu no Mundo Real, foi criado por Takato (que não estimulava o seu lado violento tanto como, por exemplo, Ruki) e tem uma personalidade afável, tem instintos agressivos, sobretudo na presença de outro Digimon.

 

A maior parte dos Digimon não parece ter problemas com este sistema, nem sequer os que estão na base da pirâmide. Um exemplo diz respeito aos Tsuchudarumon, que vivem na Vila Esquecida (aonde vão parar dados digitais à deriva), resignados com o facto de que, de vez em quando, surge uma mota assombrada que mata um deles. Não lhes ocorre tentarem destruir a mota ou, pelo menos, arranjarem outro local para viver.

 

De maneira semelhante, vemos uma comunidade de Gekomon escravizada por um Orochimon – num episódio com que adoro indignar-me por motivos que explicarei mais tarde. Neste caso, os Gekomon não escondem que não estão satisfeitos com a vida que lhes foi imposta, mas levam a mal quando Andromon tenta ajudá-los – porque invariavelmente falha e o Orochimon retribui neles.

 

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Por outro lado, também vemos Chatsuramon revoltado por os Digimon dos Treinadores não absorverem os dados dos adversários – dando a entender que pelo menos uma parte dos Digimon prefere ser absorvida em vez que ter os seus dados à deriva.

 

Ou seja, é um sistema baseado em matar ou morrer ou, pelo menos, conformar. Nós, humanos, consideramo-lo distópico, mas para os Digimon são apenas como as coisas são no mundo deles.

 

O que nos leva à altura em que, uma geração depois do Grupo Selvagem, crianças humanas começam a interferir com esta cultura de violência. Tudo para correr bem. Será esse o tema do próximo texto desta série.

Digimon Tamers #2 – Entre Shinjuku e o Inferno de Dante

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Um aspeto que Digimon Tamers possui em comum com a sua antecessora, 02, é o facto de uma boa parte da ação decorrer no Mundo Real. Até pelo menos meio da temporada, os protagonistas – designados por Tamers ou Digitreinadores ou simplesmente Treinadores (mais sobre isso adiante) – levam a vida que qualquer criança da idade deles leva. Vão à escola, brincam com os amigos no parque local, passam tempo com a família.

      

Ao mesmo tempo, possuem um companheiro Digimon e com ele combatem outros Digimon, como uma atividade extracurricular (a brincar a brincar, eu incluí-lo-ia no meu CV). A diferença é que o elenco de 02 visitava o Mundo Digital em quase todos os episódios, tirando nos atos finais. Em Tamers, por sua vez, só quinze episódios decorrem no Mundo Digimon.

 

Quando falamos do Mundo Real em Tamers, falamos sobretudo de Shinjuku (no universo de Adventure falaríamos de Odaiba e Hirogarioka). Muitas das localizações onde decorre a ação de Tamers existem mesmo, como a rua onde Takato vive, a escola de Takato e Jianliang, o parque (incluindo o casinhoto onde Guilmon vive), as torres que, em Tamers, servem de sede ao Hypnos, entre outras, como dá para observar no vídeo abaixo.

 

 

Uma pessoa fica com vontade de ir ao Japão ver estes sítios todos. Se não fosse o preço. E os voos intermináveis. E o jet-lag…

 

Um aparte sobre a sede do Hypnos: o episódio em que as torres caem foi emitido pela primeira vez a… 9 de setembro de 2001. Se a série tivesse começado uma semana mais tarde, este episódio provavelmente nunca teria sido emitido – ou, pelo menos, alterariam a parte da destruição da sede do Hypnos.

 

Mas falemos sobre o Mundo Digital – que é muito diferente do que conhecíamos em Adventure. O primeiro Mundo Digimon a ser-nos apresentado era um mundo maioritariamente unidimensional e estático. O Mundo Digimon de Tamers é multidimensional, quase um ser vivo. Possui várias camadas e múltiplos mini-universos que servem de habitat a diferentes Digimon. Encontra-se em constante expansão.

 

Segundo o site de Konaka, a ideia era mesmo que o Mundo Digital tivesse níveis diferentes de profundidade, um pouco à semelhança do Inferno de Dante. Assim, o nível mais superficial será  deserto, o primeiro sítio que os humanos conhecem – se não considerarem aquelas estranhas zonas de transição entre o Mundo Real e o Digital. Aí, o Mundo Real é visível sob a forma de uma esfera no céu. Por sua vez, o nível mais profundo é a residência das Bestas Sagradas.

 

Outra característica do Mundo Digital é o facto de ser movido a perceção. No universo de Adventure brincaram um bocadinho com esse conceito, pelo menos no que toca ao Mundo dos Sonhos e ao Mar Negro, mas em Tamers é diferente.

 

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 Quando as crianças lá entram (e, aqui, não é obrigatório ser-se um Treinador, qualquer criança pode ir ao Mundo Digimon) transformam-se por completo em dados. Não possuem necessidades fisiológicas, como fome ou sede, a menos que elas mesmo tenham vontade de comer ou beber. Só não conseguem respirar debaixo de água se acreditarem nisso – se, por outro lado, acreditarem que conseguem respirar debaixo de água, é isso que acontece. Chega-se ao extremo de se trazer uma criança extra ao Mundo Digimon, apenas com um mero desabafo de saudades.

 

Faz sentido assim, que só crianças ou, pelo menos, pessoas com mente jovem sejam capazes de ir ao Mundo Digital: visto ser necessária uma mentalidade aberta e imaginativa. Pergunto-me se eu conseguiria ir…

 

Conforme referi antes, o Mundo Digital está em constante mudança, crescendo em paralelo com o desenvolvimento dos sistemas informáticos do Mundo Real. Se o Mundo Digimon já estava assim aquando dos eventos de Tamers – por volta do início dos anos 2000 – como estará nos dias de hoje, em que já nem sabemos viver sem Internet?

 

Se o Mundo Digital de Adventure era um mundo de magia e maravilha, pelo menos à primeira vista, o Mundo Digital de Tamers chega a ter contornos de distopia: zonas com, por exemplo, ventanias quase permanentes, fluxos de dados que surgem do nada e transportam os incautos para outro local aleatório, motas de controlam a mente de quem tenta conduzi-las (juro, o momento em que o Guilmon aparece possuído a conduzir a mota assustou-me quase tanto como os pesadelos de Juri).

 

Sim, é uma distopia, mas sinceramente, quando ligo o Telejornal e vejo o estado do nosso mundo, parece-me um paraíso. 

 

De qualquer forma, o carácter implacável do Mundo Digital deriva sobretudo dos seus habitantes, conforme veremos na próxima publicação.

Adulta reage a Digimon Tamers #1

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Quando comecei a rever Digimon Adventure há quatro anos – depois de descobrir que esta temporada teria uma sequela (isto é, outra para além de 02) – não sabia no que me estava a meter. Não imaginava a dimensão da franquia, não tinha noção de que as duas primeiras temporadas do anime eram apenas um universo entre vários. Muito menos imaginava que viria a conhecer tantos outros fãs de Digimon, tanto portugueses como estrangeiros, tanto online como em pessoa.

 

Não imaginava, em suma, que depois de reentrar neste mundo, após dez anos de ausência, não quereria voltar a sair.

 

De qualquer forma, não demorei muito a descobrir que, lá está, cada temporada do anime depois de 02 (exceto Tri) decorre numa cronologia diferente, com o seu próprio elenco e a sua própria versão do Mundo Digital. Os Digimon em si são essencialmente os mesmos, tirando as novas espécies introduzidas, claro, embora algumas das suas características mudem.

 

Até ao outono passado, só conhecia o universo de Adventure. Já fazia parte dos meus planos, há algum tempo, ver as outras temporadas de Digimon por ordem e escrever sobre elas aqui no blogue. Estive só à espera que Tri terminasse – o que aconteceu há pouco mais de um ano – para poder encerrar o capítulo de Adventure (pelo menos por agora). A ideia é fazer análises semelhantes às que fiz em 2015 para Adventure e 02 para cada uma das temporadas.

 

Isto é empreitada para levar anos, como é evidente. Familiarizar-me com todo um novo universo em Digimon o suficiente para escrever sobre o mesmo leva tempo. Não terei a vantagem de ter visto os episódios várias vezes em miúda, de cerca de quinze anos de convivência com o elenco e o mundo (ainda que apenas no subconsciente, em boa parte desses anos).

 

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Assim, antes de escrever sobre cada temporada, quero vê-la pelo menos duas vezes (uma vez a versão original, uma vez a versão dobrada em português de Portugal, a menos que esta não exista ou seja muito má). E, claro, a escrita em si também demora. Mesmo que fizesse este processo todo com todas as temporadas de seguida, o que não farei – por muito carinho que tenha pela franquia, há blogue e vida para além de Digimon – iria sempre levar um par de anos, mais coisa menos coisa.

 

Como tal, não me comprometo a nada – no que toca a este blogue, mal consigo fazer compromissos para semanas ou meses, quanto mais anos. Mas vou tentar pelo menos cobrir uma temporada por ano, mais ou menos – o lançamento de Last Evolution, no próximo ano, pode interferir com este esquema. 

 

Vamos então começar por Digimon Tamers. Tal como referi antes, não tenho a vantagem de ter conhecido a série quando era mais nova – só me lembro de ver um episódio (o décimo-segundo) e metade de outro (o vigésimo-quarto). Por outro lado, não serei influenciada pela nostalgia – que, não há como negá-lo, pesou muito nas análises anteriores.

 

Isto será mesmo um “Adulta reage a Tamers”. Uma adulta que não é assim tão madura e que não é estranha à franquia, mas acho que dá para justificar o ligeiro clickbait.

 

O principal guionista de Tamers foi Chiaki J. Konaka, que já tinha escrito para o anime Serial Experiments Lain. Estou longe de ser uma especialista em animação japonesa, mas consta que o estilo de Konaka se caracteriza por dramas psicológicos, fortemente influenciado por Lovecraft. Um bom exemplo, na verdade, é o episódio 13 de 02, onde ele colaborou (aquele onde Hikari vai parar ao Mar Negro).

 

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Outro aspeto positivo em relação a Konaka é o facto de ele ter criado um site recheado de informações interessantíssimas sobre o desenvolvimento de Tamers: descrições dos conceitos, inspirações dos mesmos, esboços, impressões sobre cada uma das personagens, entre outras coisas. Uma autêntica mina de ouro para pessoas curiosas – e uma fonte essencial para esta análise (Obrigada à minha seguidora Rita Oliveira pelo link).

 

O resultado foi globalmente positivo na minha opinião. Não sei se Konaka foi o único responsável por isso, mas Tamers quebra uns quantos dogmas estabelecidos pelo universo de Adventure, tem um enredo bastante coeso e, sobretudo, um elenco rico, bem caracterizado. Não admira que Tamers esteja entre as temporadas mais populares de Digimon.

 

Nesta análise vamos então ver o que Tamers tem de tão especial – na minha opinião, claro está. Como disse acima, vi cada episódio pelo menos duas vezes e pesquisei um bom bocado sobre a temporada antes de escrever sobre ela. Pode, no entanto, não ter sido suficiente. Estão à vontade para me corrigirem nos comentários, para me acusarem de não saber do que estou a falar – dentro dos limites do respeito, bem entendido.

 

Uns avisos antes. Primeiro, um alerta spoiler. Segundo, vou usar os nomes japoneses. Ponderei um bom bocado antes de tomar esta decisão. Nesta análise irei fazer referências ao universo de Adventure e, tal como anunciei no ano passado, passarei a usar os nomes japoneses. Não faria sentido usar nomes ocidentais para um universo e nomes originais para outro.

 

Além de que a dobragem portuguesa mistura nomes americanizados com os japoneses – e, no caso de Juri, usa um nome completamente novo. É confuso. Penso que será mais simples se usar os nomes originais.

 

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Com isto tudo, tenho vivido no universo de Tamers nos últimos meses – embora também tenha estado em Rhyme City e no Porto. E vou continuar – até porque as coisas na franquia concorrente têm andado demasiado desagradáveis para o meu gosto. Tenho procurado refúgio precisamente focando-me em Tamers. Aqui, Digimon matam-se uns aos outros, uma menina de dez anos é torturada por um programa de computador, mas continua a ser um universo menos tóxico que a comunidade de fãs dessa outra franquia, neste momento. Só espero fazer-lhe justiça. 

 

Entretanto, relembrar que este ano realiza-se de novo o encontro do Odaiba Memorial Day. Desta feita, será sábado dia 27 de julho. Eu estarei lá. Saibam mais aqui.

 

Tal como anteriormente, iremos começar por falar dos cenários. Fiquem desse lado!

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