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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Here's to Never Growing Up

A semana passada foi anormalmente agitada para mim, tanto por causa do trabalho académico como por causa das músicas novas todas. Não me interpretem mal. Tal como já disse anteriormente, estou muito feliz por uma das minhas bandas preferidas ter lançado um CD e por a minha cantora preferida ter lançado um single mas foram demasiadas emoções... Já falei, ao longo da semana passada, de Paramore, agora é a vez de Here's to Never Growing Up.


"Stay, if you stay forever
Hey, we can stay forever young..."

O novo single de Avril Lavigne, o primeiro do seu quinto álbum de estúdio, ainda inacabado, ainda sem título, é uma faixa conduzida pela guitarra acústica, em ritmo midtempo, com uma batida forte. A voz da Avril surge com efeitos discretos mas, na minha opinião, perfeitamente dispensáveis - é o que menos gosto na música. É , ainda, acompanhada por coros, que fornecem um carácter festivo à faixa. 

Here's to Never Growing Up apresenta várias parecenças, tanto em termos de sonoridade como de letra, com várias músicas. Para começar, assemelha-se muito a Complicated, chegando a parecer uma versão moderna do primeiro êxito da cantora. Também me recorda Anywhere Else But Here, dos Simple Plan,  mais discretamente, mais por causa dos coros. Outra comparação gritante é Cheers, de Rihanna - faixa que, ainda por cima, reutilizou um excerto de I'm With You - tanto no som como na letra. 

O tema de Here's to Never Growing Up é muito Avril. Para nós, os fãs, já é, há algum tempo, uma private joke nossa o facto de Avril não parecer ter a idade que tem, de continuar a ter o aspeto de uma jovem de 18 anos. E, apesar do seu carácter multifacetado, a imagem que sobressai em relação a ela é a de uma eterna adolescente, de menina reguila. Não que ela seja, de resto, a única cantora com essa personalidade. Muitas estrelas de rock também são assim, apenas o disfarçam melhor. É esse o espírito que Avril abraça em Here's to Never Growing Up. Um misto entre miúdos travessos, deitando a língua de fora a quem os critica, causando confusão num centro comercial, como no vídeo de Complicated, e a velha máxima do carpe diem que, na música pop, se traduz sempre por sex, drugs and rock 'n' roll e respetivas variantes.  Pelo meio, ainda há tempo para abordar o lado romântico da coisa. 


Em suma, Here's to Never Growing Up é uma faixa agradável, o tipo de música que podia ser cantada numa noite de verão, na praia ou no campo, por amigos à volta de uma fogueira; num bar, enquanto se dança em cima de um balcão; num parque de skate, como em Complicated. Eleva o humor de uma pessoa sem precisar de se tornar demasiado agitada, como Girlfriend, arriscando-se a tornar-se cansativa.

A maior fraqueza de Here's to Never Growing Up é, de facto, a ausência de novidade. Apesar de, pelo menos em termos de sonoridade, a música ter poucas semelhanças com a discografia recente de Avril Lavigne, não existe praticamente nada de inédito em Here's to Never Growing Up. Para além do que disse acima, sobre as comparações com Complicated e Cheers, o que não falta por aí é música sobre viver o momento. Mesmo se só considerarmos a discografia da Avril, ela possui várias faixas em que explora a sua faceta de menina travessa, bem como sobre viver o momento. Anything But Ordinary, a b-side Take Me Away, Freak Out, What the Hell, Smile... Nesse aspeto, o cover que ela fez de How You Remind Me, êxito dos Nickelback, fascinou-me mais pois mostrou uma faceta diferente da cantautora. 

Aproveito a ocasião para falar sobre outras duas músicas sobre o tema não-quero-crescer embora, como já disse antes, seja um tema já bastante abordado.


"Until the day I die, I promise I won't change...
So you'd better give up"

Uma dessas músicas é Grow Up, do primeiro álbum dos Simple Plan. Esta é uma típica faixa do pop punk que caracteriza a banda e, em conformidade com o espírito dos primeiros álbuns, assume o espírito de miúdos arruaceiros. Acaba por ter uma mensagem semelhante a Here's to Never Growing Up, embora vá ainda mais longe na irresponsabilidade associada à filosofia Peter Pan. Reflete, um pouco, a mentalidade de uma criança de dez anos. 


"It's now how you look, it's how you feel inside!"

18 'Til I Die também aborda a filosofia Peter Pan. De entre as três de que falo nesta entrada, é a que apresenta a minha mensagem preferida. Também fala sobre não envelhecer, pelo menos não por dentro, mas destaca-se das outras duas pois o espírito que descreve não implica, necessariamente, falta de maturidade. Fala, simplesmente, em preservar o gosto e o entusiasmo pela vida, sem preocupações em relação ao passado ou ao futuro.

Não se pode dizer que ele não tenha passado essa filosofia à prática. Apesar de os vestígios da idade já estarem bem claros, tanto o Bryan como os seus companheiros de banca (destaque para o incomparável Keith Scott) continuam enérgicos e entusiasmantes em palco - pude conferi-lo ao vivo quando cá estiveram em dezembro de 2011. Como se, de facto, ainda tivessem dezoito anos.

Não me surpreenderia nada se o mesmo acontecesse com a Avril, se daqui a uns vinte ou trinta anos continuasse com o espírito de menina reguila que hoje a caracteriza.


Conforme afirmei acima, Here's to Never Growing Up é o primeiro single do novo álbum de estúdio da cantautora canadiana, que ainda não está acabado, mas que deverá dair durante o verão. Pelo que ela tem dio em entrevistas, o álbum terá músicas de vários estilos - como aconteceu, de certa forma, com Let Go. Ela falou em baladas e canções de amor - entre as quais um dueto com Chad Kroeger - mas também num dueto com Marilyn Manson, intitulado Bad Girl, e uma faixa, Hello Kitty, que eu prevejo ser no estilo de Girlfriend ou The Best Damn Thing. Estou ansiosa por saber mais sobre o álbum - começando pelo título - pois, apesar de não se comparar nem de longe nem de perto ao drama que foi o lançamento de Goodbye Lullaby, têm existido muitas incógnitas em relação a ele. Ainda estávamos no rescaldo do quarto álbum quando, há dois anos, apareceram supostos instrumentais de músicas novas. Nos últimos dois ou três anos - incluindo o verão de 2010, quando Goodbye Lullaby ainda nem sequer tinha sido editado - a Avril compôs e gravou com várias pessoas diferentes. E, de cada vez que afirmava ter concluído tais sessões de composição e gravação, tudo o que era fã assumia que o álbum sairia daí a pouco tempo - algo que nunca se confirmava. 

Também estou ansiosa por mais música para além de Here's to Never Growing Up porque este single não me entusiasmou por aí além, pelas razões que mencionei acima, em particular a repetitividade. Não posso dizer que esteja surpreendida por isso pois, tirando Girlfriend, os primeiros singles da Avril nunca inovam muito em relação ao material anterior. E raramente se encaixam entre as minhas faixas favoritas. As melhores músicas vêm sempre com o álbum em si e, muitas vezes, no caso da Avril, nem sequer se tornam singles. Por isso, apesar de ainda não estar nessa fase, não se admirem se, aquando do lançamento do CD, estiver de novo caída de quatro pela mulher.

Já não é a primeira vez que digo isto. Depois, não digam que não os avisei.

Em todo o caso, sinto-me feliz por termos tido direito a ouvir novo material da minha cantora preferida, por estarmos mais perto de ouvir ainda mais. E, de qualquer forma, isto foram apenas as primeiras impressões. É altamente provável que a música ganhe novos significados com o tempo. À medida que forem saindo declarações da Avril sobre a música, o videoclipe, atuações ao vivo, novas músicas, tanto dela mesma como de outros cantores, entre outras coisas.

O mesmo se aplica ao álbum Paramore. Só publiquei a crítica há uns dias mas já tenho vontade de acrescentar coisas.

Será para isso que servirão as entradas de Música do Ano, no fim de dezembro. Ainda vamos em abril mas já prevejo que terei muito sobre que escrever nas entradas de Música de 2013. 

Concluo invocando, de novo a frase que já citei noutra entrada:


...e as histórias das músicas do álbum Paramore, bem como do quinto álbum de Avril Lavigne estão apenas no seu início!

Paramore (2013) #2

 

Segunda parte da crítica ao álbum Paramore. Podem ler a primeira parte AQUI. Começo, agora, a entrar nas músicas de que realmente gosto. 
 
Hate to See Your Heart Break



 
"For all the things that you're alive to feel
Just let the pain remind you hearts can heal"
 
Hate to See Your Heart Break é uma balada suave, terna - mais terna do que é habitual ouvirmos por parte dos Paramore - com alguns ecos de In the Mourning em termos sonoros. Em termos de letra, por sua vez, assemelha-se um pouco a Darlin e Everybody Hurts de Avril Lavigne no sentido em que ensina a lidar com a dor. É uma música bonita mas não tem o carácter arrebatador que outras baladas, como My Heart e The Only Exception, possuem.


Grow Up

 

"We get along, for the most part,
Me and reality, the light and the dark"
 
Esta é uma das faixas onde se notam mais inovações na sonoridade, com especial destaque para os elementos eletrónicos. Gosto, em particular, da conclusão da música. O tema é algo recorrente na discografia dos Paramore mas, tal como em Fast in My Car, a letra parece ser mais específica do que a maioria do álbum. Acho que tem uma ou outra referência à crise dos Farro mas ensina a ultrapassar os problemas, a deixar de termos pena de nós próprios, a agarrarmo-nos às coisas boas. A crescer, em suma.


Still Into You



"Let them wonder how we got this far
'Cause I don't really need to wonder at all"
 
Até ao momento, julgo que os singles foram bem escolhidos. Still Into You acaba por ser a faixa mais pop de todo o álbum e Now a mais pesada, a mais rock. Em relação à primeira, não tenho muito mais a dizer que não tenha dito na entrada que dediquei a ela. Apenas que já descobri como é que se fazem as sombras chinesas do lyric video. Agora não sou capaz de ouvir a música sem as imitar.

O videoclipe da música foi lançado no mesmo dia que o CD, tornando o dia 9 de abril ainda mais memorável. Eu estava à espera de um videoclipe diferente, com uma história de amor semelhante à relatada pela letra. No entanto, segundo a própria banda, não optaram por isso porque, tendo a letra sido baseada na relação da Hayley com o seu atual namorado, não quiseram expô-los ainda mais. Assim, gravaram este vídeo, sem enredo, refletindo mais o lado pop e festivo de Still Into You. A mim, desiludiu-me um pouco , esperava algo com mais conteúdo, mas também, depois de os dois últimos videoclipes terem sido tão tensos, também lhes deve ter sabido bem terem gravado um vídeo só para se divertirem.

Em todo o caso, gosto mais do lyric video. 


Proof


"My heart is bigger than the distance in between us"
 
Esta é uma faixa que vai na linha de Still Into You, no sentido de ser uma música de amor, alegre e confiante. Ao contrário do single, está é bem mais clássico Paramore, com guitarras pesadas, dando vontade de saltar e abanar o capacete. Fala sobre um relacionamento à distância mas em que isto não constitui impedimento e não existe qualquer insegurança. Lembra-me um pouco I Drove All Night (original de Roy Orbison, mas a minha versão preferida é a de Céline Dion), em particular a segunda estância.


Now

"Feels like I'm waken from the dead and everyone's been waiting on me..."

Now permanece uma faixa marcante neste álbum. Quando escrevi pela primeira vez sobre ela, há já mais de dois meses, afirmei que esta não era uma música de consumo rápido, que era bastante complexa. Não deve, por isso, provocar admiração que, neste longo intervalo de tempo, tenha ganho novos significados.

Os Paramore descreveram-no como o seu hino de vitória, assinalando o facto de terem ultrapassado um momento turbulento e estarem prontos para o que vem a seguir. Uma mensagem em que muitas pessoas se poder rever. Quanto a mim, por exemplo, hei de cantá-la se algum dia Portugal sair desta crise... Na verdade, a discografia dos Paramore tem vários temas na mesma linha (Hallelujah, Looking Up...) mas Now destaca-se pelo seu tom combativo, desafiador, que me levou a incluir a faixa na minha playlist de cenas de ação. Posso, ao início, ter estranhado Now mas agora encontra-se bem entranhada.

Para isso, muito contribuiu o videoclipe, lançado algumas semanas depois do single. Que é capaz de ser um dos meus favoritos dos últimos tempos. A cena de batalha - que também ficaria bem num videoclipe dos Linkin Park ou dos Within Temptation - ajuda-me quando, na minha escrita, estou a trabalhar em cenas de ação. Tem, além disso, uma certa graça ver os elementos da banda no meio daquilo, numa situação que, de certa forma, podia ter saído de um filme ou da minha escrita. Quando vi o vídeo pela primeira vez, passei uma boa parte dizendo coisas tipo: "Foge, Hayley!"

Quanto ao final, foi pura e simplesmente surpreendente.

Uma das melhores coisas deste vídeo é o facto de ter múltiplas interpretações. Os Paramore afirmaram que o vídeo tinha uma mensagem pacifista, semelhante de certa forma à do filme Looper (tenho de o ver um dia destes), de o-amor-é-sempre-a-solução. Uma das minhas interpretações é a cena de batalha simbolizar um conflito interior, um trauma, cuja única solução é desistir do ressentimento, fazer as pazes consigo mesmo e com outros, perdoar.

Apesar de achar que a mensagem pode, facilmente, resvalar para o campo do cliché, a verdade é que tenho-me deparado com a mesma mensagem - com variações, como é evidente - em diferentes locais. Talvez fale do tema noutra entrada, a propósito de outro assunto.


Daydreaming


"I wanna get out and build my own home
On a street where reality is not much different from dreams I've had
A dream is all I have..."

Estou a chegar ao topo das minhas preferências. Daydreaming é uma delas. Em termos de sonoridade, é uma das mais interessantes do álbum. Tal como Now, tem padrões interessantes de bateria. Temos violinos, alguns elementos eletrónicos, sem deixarmos de ter guitarras elétricas, uma bela interpretação por parte da Hayley. Mas o ponto mais forte é, na minha opinião, a letra que, uma vez mais, tem imenso a ver comigo. Eu , que sou muito sonhadora - sou escritora, escrevo ficção, de onde acham que isso vem? - e muitas vezes, em particular nesta fase da minha vida, sinto-me desiludida com a realidade. Gosto do pormenor da escola, na segunda estância - quem nunca passou aulas sonhando acordado, enquanto esperava pela campainha?

 

Uma vez mais, vêm-me músicas de Avril Lavigne à mente: uma b-side chamada Falling Down, cuja letra também fala do choque entre sonhos e realidade - embora de uma forma muito mais vaga. Outra é My World, do álbum Let Go, cujo refrão fala igualmente sobre sonhar acordado.
 

Terceira Parte
Quarta Parte

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