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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Guilty All The Same

Na semana passada, a banda californiana Linkin Park lançou, algo inesperadamente, o primeiro single do seu sexto álbum de estúdio, ainda sem título, de edição prevista para junho. A música chama-se Guilty All the Same e conta com a participação do rapper Rakim.
 

 

"You want to point your finger
But there's no one else to blame"
 
O que se destaca mais em Guilty All the Same (por algum motivo, ando a dizer na minha cabeça Guilty All the Way... enfim) é a sua sonoridade. Depois de dois álbuns com uma forte componente eletrónica, e em diametral oposição ao forte dubstep de A Light that Never Comes, o novo single  dos Linkin Park tem um som rock muito pesado, cru, visceral, metaleiro - o mais parecido com isto que conheço são certas músicas dos Sum 41, em particular do seu último álbum. Guilty All the Same possui longas sequências instrumentais, incluindo uma introdução de minuto e meio. É dominada por guitarras elétricas, com destaque para a sequência de abertura e encerramento, que se torna a imagem de marca da música, e um riff  que mimetiza a melodia. Possui, ainda, uma bateria que não se contenta com o papel hoje em dia reservado aos sintetizadores, que repetem o mesmo padrão de batida do princípio ao fim, com poucas variações. Ainda se ouve piano, primeiramente na já referida introdução de minuto e meio, imitando a sequência de marca da musica; é ouvido, depois disso, no apoio às estâncias.
 
Nesta música tão pesada, a melodia revela-se surpreendentemente cativante, em particular nas estâncias. Nada a apontar à interpretação de Chester Bennington, embora ele pudesse ter complementado a música com um dos seus icónicos gritos. Talvez receassem que a música ficasse demasiado pesada. No entanto, não me custa imaginar o Chester apimentando a interpretação ao vivo de Guilty All the Same dessa forma muito sua.
 
Sobre a letra, não há muito a dizer. Aborda um tema tipicamente Linkin Park, com críticas a pessoas que julgam que sabem tudo, que têm sempre razão, que encontram defeitos em tudo exceptuando elas mesmas. Não é particularmente original nem memorável, mas não é má. É definitivamente melhor que A Light that Never Comes. Eu até gosto da estrutura das estâncias.
 
A terceira parte da música, com o rap, é a de que gosto menos. Na minha opinião, falta energia à interpretação de Rakim, esta não condiz com o carácter da música. Bastava, pura e simplesmente, o tom subir uma oitava. Não sou capaz de compreender esta participação especial, tirando o facto de Mike Shinoda - o habitual rapper dos Linkin Park - ter afirmado ser grande fã de Rakim, mas eu penso que Mike faria melhor trabalho. A letra do rap traça críticas ao capitalismo, à indústria musical, mas, mais uma vez, nada de particularmente memorável ou fora do vulgar.

Segundo declarações de Chester e Mike, a sonoridade do álbum novo estará dentro deste estilo, que penso ser o mais pesado de sempre da banda, mais pesado ainda que os primeiros álbuns. Mike afirmou que queria "preencher um vazio" existente na rádio dos dias de hoje. Eu pergunto-me se a intenção dos Linkin Park será, realmente, ressuscitarem o estilo musical. A ser verdade, será de louvar, estarão a fazer um favor a inúmeras bandas de rock que não conseguem, ou não querem, adaptar-se ao eletro-pop da rádio atual. Esperemos é que sejam bem sucedidos, o que não está garantido. Uma coisa é agradarem aos fãs hardcore, que nunca alinharam muito no estilo dos últimos álbuns. Outra coisa é a reação do mundo da música geral a este estilo pouco radiofónico.
 
Intenções nobres à parte, visto que o álbum só sairá em junho, ou mesmo depois (espero não ter uma nova situação à Avril Lavigne, o álbum), talvez se lance um segundo single em finais de abril, inícios de maio. Talvez, à semelhança do que aconteceu em 2012, apresentem uma ou outra música inédita no concerto do Rock in Rio, a que vou assistir.

Guilty All the Same não teve, para mim, o mesmo impacto que Burn it Down teve quando saiu. Acho até que gosto mais de A Light that Never Comes, apesar de ser mais imperfeita - coisas incompreensíveis. O que não me impede de gostar muito de Guilty All the Same, de ansiar pelo resto do álbum. Quer-me parecer que, com os Linkin Park e Hydra, dos Within Temptation, 2014 será o ano do metal para mim. Vai ser engraçado.


Neste momento, encontro-me em estágio, pelo que tenho menos tempo aqui para o blogue. No entanto, vou tentar não deixá-lo ao abandono durante demasiado tempo. Não deixem de visitá-lo, de vez em quando.

Dead By Sunrise - Out of Ashes (2009)

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Hoje quero falar-vos de um álbum que já saiu há quase quatro anos mas que só descobri há alguns meses. Entre vídeos dos Linkin Park, no YouTube, encontrei alguns relativos a Dead By Sunrise, o chamado side-project ou projeto lateral de Chester Bennington, em parceria com membros da banda Julien-K. Cheguei a ouvir uma ou outra música e, como gostasse do que ouvia, quis conhecer o álbum todo. Em Out of Ashes, Chester adotou uma direção que considerava não encaixar no estilo dos Linkin Park - em vez de teorias híbridas, temos um rock mais clássico, em comparação; nalgumas faixas mais pesado, noutras mais leve e acústico, noutras com algumas influências eletrónicas. As letras são bastante pessoais, bem mais pessoais do que a larga maioria das músicas dos Linkin Park.

O nome Out of Ashes (Das Cinzas) refere-se, como se deduz facilmente, a uma recuperação, ao abandono de um caminho auto-destrutivo, a um renascimento. Nessa linha, abordam os vários altos e baixos experimentados pelo Chester ao longo da sua vida, em particular nos anos imediatamente anteriores à edição deste álbum.
 

Músicas como Crawl Back In, My Sufferin', Condemned não diferem muito de certas músicas dos Linkin Park, sobretudo no que toca à letra, embora a sonoridade seja mais grunge do que o habitual na banda. Não faltam os icónicos gritos do Chester, bem como solos de guitarra em quase todas as faixas. Estas músicas bastante sombrias referem-se as dificuldades por que Chester passou: uma infância eufemisticamente difícil, problemas amorosos, dependência de drogas e álcool. Crawl Back In é uma crise existencial. Em Condemned, o sofrimento é tanto que já se transformou em masoquismo. End of the World é uma crítica à sociedade atual.

A faixa extra Morning After, que fala sobre a vontade de adormecer até a tempestade passar, foi composta por Chester aos quinze anos (!!!) e possui duas versões: uma mais eletrónica e outra mais roqueira, de que gosto mais. Apesar do caráter mais rock, não deixa de ter algumas notas eletrónicas, que chegam a confundir-se com o solo de guitarra, criando um som que me agrada muito. Também gosto da repetição da palavra "Alive" no segundo e terceiro refrão.

 Por outro lado, em Inside of Me, dá-se o reconhecimento de que se está no caminho errado e que cabe ao próprio sujeito narrativo mudar essa situação.


Para além destas faixas, existem outras com uma sonoridade mais leve. Estas expressam sentimentos de alguma vulnerabilidade, algumas delas fazendo-me lembrar Castle of Glass. Let Down, a mais eletrónica do álbum, com um arranjo que considero bem conseguido, dando um tom etéreo à música, fala de desilusão e receio de passar pelo mesmo outra vez. Walking in Circles, guiada pela guitarra acústica recorda-me, em termos de letra, From the Inside e Somewhere I Belong, dos Linkin Park. Vem em linha com End of the World na medida em que também exprime desilusão perante o mundo em redor.

Too Late é uma das minhas preferidas em todo o álbum. Também com elementos eletrónicos, desta feita mais discretos mas que não deixam de conferir um tom etéreo, recorda-me Astronaut, dos Simple Plan. Mais porque ambas definem bem um momento particular do meu terceiro livro, uma das minhas partes preferidas da obra. Tal como Astronaut, fala de solidão, abandono, desorientação. No entanto, para além disso, o sujeito narrativo sabe que terá de ser ele mesmo a salvar-se. Por fim, gosto dos vocais no último refrão, perto do fim da faixa.

Into You olha para o caminho passado, de altos e baixos, vários erros cometidos, a que se sobreviveu contra todas as expectativas, que o tornou na pessoa que é hoje.


No entanto, foram as músicas de amor que mais me surpreenderam, por serem inéditas na discografia dos Linkin Park - estes possuem várias baladas mas nenhuma assume, preto no branco, um carácter romântico. In the Darkness é um tema mais para o romântico-erótico. Fire é uma balada rock, grandiosa, de letra simples mas cantada magistralmente, dando-lhe um carácter épico, em que nem o discreto grito de Chester destoa. Por sua vez, Give Me Your Name podia rivalizar com as clássicas músicas românticas. É definitivamente uma canção que se poderia ouvir num casamento, até pela letra. Confesso que nunca esperei ouvir o Chester - o tipo que, no Rock in Rio do ano passado, exibia quase sempre cara de mau, ficando vermelho como um pimentão e suando cascatas quando gritava, ao ponto de eu recear que o homem rebentasse ali mesmo, no palco - cantar uma música deste género. Mas está mais do que provado que ele pode fazê-lo.

Devo dizer que gostei muito deste álbum, considero-o uma experiência bem sucedida. Ficou demonstrada a versatilidade do Chester como cantor - a sua voz é compatível tanto com as teorias híbridas dos Linkin Park como com as várias variantes do rock, desde o grunge às baladas mais suaves. Gostaria de ouvir um eventual segundo álbum de Dead by Sunrise mas parece que é pouco provável que este seja criado. Infelizmente.

Entretanto, hei de ouvir, também, as músicas do Fort Minor, o projeto lateral de Mike Shinoda, o rapper dos Linkin Park. Talvez fale dele aqui no Álbum.

 
Chester Bennington é uma das pessoas que tenho aprendido a admirar nos últimos tempos. Sem saber pormenores - e não estou interessada em conhecê-los, não são da minha conta - sei que a sua vida não tem sido fácil. Out of Ashes é um testemunho disso. No entanto, em vídeos de bastidores, o homem não parece nada traumatizado nem nada do género, antes pelo contrário: passa a vida a fazer palhaçadas, em particular com os colegas de banda, seja ela Linkin Park ou Dead By Sunrise. Não sei se é apenas para a câmara, não sei se é por estar entre amigos, não sei se é por muita gente no mundo da música rock ser também assim. Talvez a música seja suficientemente terapêutica para ele não ser demasiado assombrado pelo seu passado durante o resto do tempo. Em todo o caso, ele não parece ser uma pessoa amarga e misantrópica em que, se calhar, outro que tivesse experimentado o mesmo se transformaria.
 
Espero que o Chester tenha, de facto, ultrapassado a dependência em álcool e drogas, até porque estes tornaram recentemente a levar a melhor sobre mais um famoso. O Chester é das últimas pessoas que desejaria que se juntassem a esse mórbido clube. Seria um desperdício. Se, pelo contrário, ele conseguiu ultrapassar tudo isto, pode-se dizer que Chester Bennington é um exemplo e uma inspiração para todos nós.

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