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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Especial Dia dos Namorados: Top 10 Canções de Amor

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À semelhança de muito boa gente, não sou fã do Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim. Do comercialismo associado, do romance por imposição, sem originalidade, e tudo o que muitos já listaram melhor do que eu. Dito isto, não acho que exista nada de errado, no seu essencial, com um dia dedicado ao amor romântico - da mesma maneira como existe um dia para os pais ou para as mães, para a solidariedade e família (a.k.a. o Natal), para a mulher, para a criança, para o bullying, etc. A sociedade é que escolhe alguns desses dias para explorá-los comercialmente até ao enjoo.

 

Como já fui dando a entender aqui, apesar de nunca me ter apaixonado a sério, apesar de não acreditar em conceitos como almas gémeas ou amor à primeira vista ou outros clichés que vemos nos filmes, de não ter uma visão assim tão idealizada do amor, de achar, por vezes, que o amor romântico é sobrevalorizado, eu tenho uma forte costela romântica. Gosto de uma boa canção de amor, que mexa com as minhas emoções, que me inspire para a parte romântica da minha escrita. Assim, este ano, a propósito do Dia dos Namorados, resolvi compilar um top 10 de canções de amor.

 

Não foi fácil escolher as músicas deste top. Por um lado, os meus gostos são um bocadinho voláteis: hoje posso gostar de uma música e, daqui a uns meses, ter-me fartado dela. Para este top quis escolher músicas que se tivessem mantido de forma mais ou menos consistente entre as minhas preferidas. Mesmo assim, esta classificação não está gravada em pedra, daqui a um ano ou dois - ou mesmo daqui a uns meses - pode ter algumas alterações.

 

Além disso, tive de escolher entre inúmeras músicas. Daí que a lista de Menções Honrosas seja extensa:

 

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Como fã de Bryan Adams, várias músicas dele estão entre as minhas canções de amor preferidas, algumas das quais ele cantou no concerto do mês passado: Straight From the Heart (esta versão), Have You Ever Really Loved a Woman, Cloud Number Nine, Flying e She's Got a Way. Não refiro (Everything I Do) I Do It For You. É uma das mais populares dele, tida como a canção de amor dele, mas, embora goste, não está entre as minhas preferidas. 

 

Também tenho algumas de Avril Lavigne, como Fall to Pieces e 4 Real. Existe uma, Daydream, que só não está no Top 10 porque não conhecemos a versão completa cantada pela Avril, apenas uma versão encurtada. Daydream foi excluída da tracklist final de Under My Skin. Chegou a ser interpretada por Demi Lovato nos seus primeiros concertos ao vivo, mas acabou por ser reclamada e regravada por Miranda Cosgrove. A versão de Miranda não é má, mas, mesmo numa versão reduzida e de qualidade longe do ideal, dá para ver que Avril canta com maior emotividade. Daydream é uma balada rock cuja narradora está a apaixonar-se, mas sente-se relutante em abrir-se para o apaixonado, em confiar nele, em ceder ao amor. A Avril não tem nenhuma outra canção como esta, é um desperdício ela nunca ter querido lançá-la, nem sequer como b-side. No entanto, ainda não perdi a esperança de ouvir a versão original na íntegra, depois de termos conseguido fazê-lo há dois anos, com Breakaway

 

Leona Lewis também contribui com algumas músicas para estas Menções Honrosas. I Got You é uma das minhas preferidas dela. Esta caracteriza-se por notas de guitarra nas estrofes, em crescendo para um refrão emotivo. A letra faz uma oferta de abrigo, de consolo, sem pedir nada em troca. Bleeding Love é uma óbvia. Acrescento também Whatever It Takes, do seu primeiro álbum e uma das minhas preferidas dela, Favourite Scar, uma música que tenho ouvido imensas vezes no último ano, ano e meio. 

 

As Long As You Love Me dos Backstreet Boys possui uma melodia muito açucarada, talvez demais, mas eu não lhe consigo resistir. Por sua vez, Baby Can I Hold You, de Tracy Chapman, vale pela simplicidade, mesmo pela inocência. Também já falei de 23, de Shakira.

 

Sem mais delongas, comecemos pelo número 10 que, na verdade, diz respeito a dois temas:

 

 10) Listen to Your Heart/What About Love

 

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"And there are voices that want to be heard"

 

"The love I'm sending ain't making it through to your heart"

 

Hão de reparar que quase todas as músicas deste top são baladas rock. Estas duas faixas são o exemplo clássico disso. Lembro-me de ouvi-las na rádio algures entre os quinze e os dezassete anos e de pensar: "Sim. É disto que eu gosto: canções de amor com guitarras elétricas". Coloco as músicas uma ao lado da outra porque são muito parecidas uma com a outra (eu cheguei a confundi-las), tanto em termos de sonoridade como de mensagem - basta ler os títulos para termos uma ideia. Em alturas diferentes, eu identificava a mensagem das músicas - incitando o destinatário a dar uma oportunidade ao amor - com personagens da minha escrita.

 

Listen to Your Heart tem uma letra mais vaga que a de What About Love, mais sólida e direta, cantada de uma forma mais intensa, mais urgente. No entanto, odeio o final da segunda - de tal forma, que hoje em dia oiço mais vezes um cover que termina de uma maneira diferente. De qualquer forma, estas músicas figuram neste top sobretudo por as considerar clássicos. 

 

9) Give Me Your Name

 

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"Inside of your arms

Taking me deeper

Giving me new life"

 

Muito boa gente não imaginaria Chester Bennington, dos Linkin Park, sendo romântico, mas é isso que acontece em Give Me Your Name. Já falei aqui do side project de Chester, Dead By Sunrise, do álbum Out of Ashes e já tinha referido brevemente esta canção.

 

Give Me Your Name é conduzida pela guitarra acústica, com notas de guitarra elétrica no fundo. A voz de Chester soa incrivelmente suave e cheia de sentimento. A letra não foge muito do típico das canções deste género: é uma declaração de amor pura e dura, uma serenata. Tal como escrevi antes, adequar-se-ia a um casamento, sobretudo pelos versos "Give me your name, girl/Let them know that your mine/And I'll do the same for you"

 

8) The Story

 

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"No, they don't know who I relly am

And they don't know what I've been through, like you do"

 

The Story, de Brandi Carlile, esteve muito na moda há uns anos. Em parte devido a um célebre anúncio da Super Bock, em part devido à sua inclusão na banda sonora da série Anatomia de Grey. A canção começa com uma guitarra acústica, estilo folk, antes de explodir com guitarras elétricas. Destaque para o solo. A voz de Brandi soa algo rouca, à country, mas isso dá personalidade à canção. 

 

Também gosto da versão cantada por Sara Ramirez no episódio musical de Anatomia de Grey (foi a única música de que gostei nesse episódio...). Em termos de instrumentação, não soa muito díspar da versão original (a alteração mais significativa foi terem substituído a guitarra acústica inicial por piano), apenas o suficiente para ter um carácter próprio.

 

A letra é, de novo, uma declaração de amor, mas também fala de intimidade, de segredos e experiências partilhadas. Identifiquei-me muito com ela em termos da minha escrita e cheguei a citá-la no meu primeiro livro. Na verdade, esta música só não está mais acima neste top porque, nos últimos anos, me cansei um bocadinho dela. A longo prazo, no entanto, será sempre uma canção especial para mim.

 

 7) I Will Be/Best Of Me

 

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"You're the one thing I got right

The only one I let inside

Now I can breathe 'cause you're here with me"

 

"I will stand accused, with my hand on my heart

I'm just trying to say I'm sorry"

 

Não vou falar muito destas duas musicas pois tenciono, um dia destes, falar melhor sobre elas numa entrada de Músicas Ao Calhas. Digo apenas que a mensagem destas baladas de Avril Lavigne e Sum 41 servem, essencialmente, para pedir perdão e prometer ser melhor pessoa em nome da pessoa amada - uma situação por que todos passam a certa altura.

 

 6) Anyone Else But You

 

 

Esta música é diferente de todas as outras neste top... e de quase todas as canções de amor, na verdade. Anyone Else But You foi lançada originalmente em 2001 pelo dueto indie the Moldy Peaches, composto por Adam Green e Kimya Dawson. Na altura, nenhum dos trabalhos do par vendeu muito, mas conseguiram cativar a atriz Ellen Page, que, aquando do filme Juno, sugeriu a música do dueto como banda sonora. Quando o filme foi lançado, a música ganhou uma enorme popularidade.

 

Juno é um dos meus filmes preferidos, com uma mensagem semelhante à da música de que estamos a falar. Adam e Kimya escreveram a letra de Anyone Else But You listando as coisas que diriam aos respetivos amores da sua vida, coisas essas fora do convencional. É um romance de pessoas humildes, terra-a-terra, sem glamour mas também sem drama - um romance a que todos devíamos aspirar. A sonoridade da música coincide com a simplicidade da mensagem: a melodia é algo desafinada, o instrumento principal é a guitarra acústica, apenas com dois acordes (em que só é preciso mudar dois dedos para passar de um ao outro), tocada de maneira simples.

 

Já que falamos de Juno e é Dia dos Namorados, fica uma mensagem de sabedoria sobre o amor:

 

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5) Cose Della Vitta/Can't Stop Thinking Of You

  

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"Some for worse and some for better

But through it all we've come so far!"

 

Cose Della Vita foi lançada originalmente em 1993 pelo cantor romântico italiano Eros Ramazzotti. Quatro anos mais tarde, a canção foi transformada num dueto bilingue com Tina Turner. Os versos em inglês saíram do punho dela. Existe também uma versão em Espanhol/Inglês - eu vou alternando entre as duas.

 

Está é mais uma balada rock ao meu gosto, com uns riffs e solos de guitarra interessantes. A voz de Eros é naturalmente romântica e a voz de Tina é naturalmente apaixonada, logo, fazem um dueto fantástico. A letra fala de um romance antigo, que teve altos e baixos, mas cujas partes estão a pensar um no outro de novo, a apaixonar-se de novo, dispostos a fazer uma nova tentativa. Pode também ser interpretada como a celebração de um amor que resistiu ao teste do tempo, à semelhança de outra música neste top. Qual? Continuem a ler...

 

 

 4) Underneath Your Clothes

 

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"Because of you I forgot the smart ways to lie

Because of you I'm running out of reasons to cry"

 

Conheço esta música há uma data de anos, mas ainda hoje me toca. Talvez não seja correto chamar-lhe uma balada rock, mas definitivamente tem guitarra elétrica: é conduzida por notas desse instrumento, complementada com trompetes e uma bateria leve. Shakira tem uma das minhas vozes preferidas do mundo da música, extremamente versátil, e esta não desilude nesta música.

 

A letra de Underneath Your Clothes apresenta semelhanças com outra música neste top no sentido em que entra em território romântico-erótico. É outra declaração de amor, também falando de intimidade e confiança, em que o ser amado surge como uma fonte de consolo. Underneath Your Clothes tem aquele toque de genuinidade que, muitas vezes, faz a diferença entre uma música boa e uma música extraordinária - algo que voltaria a acontecer mais tarde.

 

 

3) The Only Exception

 

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"And I'm on my way to believing"

 

The Only Exception é uma canção muito única na discografia dos Paramore. Foi a primeira canção de amor propriamente dita da banda - pelo menos nas palavras de Hayley. É conduzida maioritariamente por uma doce guitarra acústica, que se mantém suave até o segundo refrão, antes de um solo de guitarra e bateria, abrindo caminho para os vocais mais sentidos de Hayley.

 

A história por detrás da canção é conhecida e até um bocadinho óbvio: à semelhança de muitos filhos de pais divorciados, Hayley sempre foi algo céptica em relação ao amor: algo que músicas como Emergency e Stop this Song (Lovesick Melody) já haviam referido. Isso mudou quando Hayley conheceu Chad Gilbert dos New Found Glory, o seu atual noivo (a menos que já se tenham casado sem eu dar conta...). Muita gente pode identificar-se com a mensagem de The Only Exception, mesmo eu de certa forma - os meus pais têm um casamento feliz e eu acredito no amor, mas tenho algum receio em apaixonar-me.

 

No entanto, mais do que a letra, é a interpretação vocal de Hayley, a emoção que transmite para a melodia, a sinceridade que impede a canção de entrar em território demasiado meloso. Ainda hoje me arrepio e lacrimejo com a sua interpretação. A minha parte preferida é o verso final "And I'm on my way to believing" - o verso que mais me emociona, por, na sua simplicidade, estar associada a tanta esperança, a tantas promessas, ao início daquilo que se poderá tornar uma linda história de amor.

 

É por isto tudo que The Only Exception, para além de estar no pódio das minhas canções de amor preferidas, foi, a par de Crush Crush Crush, uma das músicas que me convenceu a dar uma oportunidade aos Paramore. Encontra-se, assim, entre as minhas canções preferidas de todos os tempos.

 

 

2) Naked

 

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"You see right through me and I can't hide"

 

Os dois primeiros lugares deste top não constituirão surpresa por já falei deles aqui no blogue. Naked é uma das minhas músicas preferidas de Avril Lavigne. Há pouco menos de dois anos escrevi sobre ela e sobre outras músicas com temas semelhantes. De maneira resumida, Naked é uma emocionante balada rock, que fala daquilo que, para mi, é o mais difícil e incompreensível no amor: baixar a guarda, assumir as nossas vulnerabilidades, abandonarmo-nos em mãos alheias.

 

Para uma reflexão mais extensa sobre o assunto, cliquem aqui.

 

 

1) Heaven 

 

 

"Now our dreams are coming true

And through the good times and the bad

Yeah, I'll be standing there by you!"

 

Já tinha escrito aqui que Heaven é a minha canção de amor preferida, que está reservada para o meu casamento. Como disse antes, é uma música de final feliz, celebrando um amor que resistiu a muito. Tem inúmeras versões diferentes, por artistas diferentes, soando linda em todas. Hoje, partilho a versão que Bryan e respetiva banda tocaram no concerto do mês passado - muito parecida com a versão de estúdio, por sinal. Um dos pontos altos da noite, conforme referi antes. Conforme já tinha assinalado, nós, o público, cantámos a primeira estância sozinhos - o mesmo acontecera quatro antes quando ouvi outra das minhas canções de amor favoritas ao vivo.

 

Está concluído o top. Se já estão fartos de tanta lamechice, recomendo-vos Linkin Park para vos baixar a glicémia  - eles até têm uma música chamada Valentine's Day, apropriadamente depressiva. Se, pelo contrário, estão mesmo dentro do espírito do Dia dos Namorados, deixem nos comentários as vossas canções de amor preferidas.

 

"Nowhere else on Earth I'd Rather Be" ou Bryan Adams ao vivo pela terceira vez

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Yep, aquela sou eu. Fonte: Blitz

 

Bryan Adams atuou no Pavilhão Atlântico (nunca me convencerão a chamar-lhe MEO Arena) na passada segunda-feira, dia 25 de janeiro. Eu e a minha irmã estivemos lá, quase na primeira fila (tinha uma pessoa à frente). Não podia deixar de falar do concerto aqui no blogue. 

 

NOTA: Eu não sei como é com vocês, mas eu não gosto de spoilers em relação a concertos. Prefiro não saber de possíveis setlists, de truques de palco, de ocorrências engraçadas em concertos anteriores, entre outras coisas, dentro do possível, claro. Gosto de ser surpreendida, de descobrir coisas pela primeira vez por mim mesma e não por testemunhos alheios ou vídeos do YouTube – como, por exemplo, quando descobri acerca do Pressure-flip dos Paramore quando estes vieram ao Alive em 2011. Uma vez que já se passaram uns dias desde os dois concertos em Portugal, em princípio este texto não estragará a surpresa a ninguém. No entanto, pode ser que alguém esteja a pensar a ir a uma das datas da digressão no estrangeiro. Para essas pessoas fica o alerta de spoilers.

 

Depois de, em 2011, termos ficado nas bancadas e detestado (se eu quisesse assistir a um concerto sentada, teria ficado em casa, no sofá, a ver o DVD Live in Lisbon. E as pessoas ao nosso lado pareciam estar a dormitar…) e também por uma questão económica (os preços subiram imenso em apenas quatro anos, é uma coisa parva), este ano quisemos ir para a plateia. Para arranjarmos lugares decentes, chegámos lá com duas horas de antecedência (mas também pensávamos que o concerto começava meia hora antes). Tivemos de esperar uma hora ao frio antes de abrirem as portas, mas conseguíamos ouvir do lado de fora os testes de som, dando alguns spoilers da setlist.

 

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Eu, outra vez. Fonte: Blitz

 

 

Quando finalmente nos deixaram entrar no Pavilhão, eu e a minha irmã conseguimos ficar perto do palco, mais para a direita – cheguei a ter um dejá-vu pois foi quase a mesma posição em que fiquei no Rock in Rio de 2014. Ainda ficámos mis uma hora e vinte minutos à espera, entretendo-nos com a capa no ecrã gigante, que de vez em quando mexia os olhos, fazia duck faces, deitava a língua de fora, e, a certa altura, pousou-lhe uma mosca no nariz e rejeitou uma chamada no seu iPhone... 

 

Finalmente, o concerto começou com Do What You Gotta Do - por sinal, a canção de que gosto menos em Get Up, mas não deixei de cantá-la. Para além do álbum Get Up, a setlist foi também influenciada pelos 30 anos de Reckless – para além dos singles do costume, Bryan e os companheiros de banda tocaram também She's Only Happy When She's Dancin', Somebody e Kids Wanna Rock. Só ficou a faltar One Night Love Affair. Ele também tocou outros temas menos rodados, como I'll Always Be Right There, o cover de C'mon Everybody (numa versão mais rock que a de Tracks of My Years), e Lonely Nights – esta última em resposta a um pedido nas redes sociais (porque não me lembrei eu também de pedir músicas desta forma?).

 

Por acaso, houve uma altura, há cerca de... nove, dez anos (?!) em que andava a ouvir imenso esta música, imaginando-a tocada ao vivo. Foi fixe vê-la passar da imaginação à realidade sem muitas alterações - as expressões do Keith Scott nos backvocals, por exemplo, eram iguaizinhas ao que imaginei. É o que dá ter visto o DVD Live in Lisbon inúmeras vezes, na altura.

 

Gostei do facto de esta setlist ter equilibrado os Summer of 69's desta vida com temas menos rodados, como os que referi acima. Já tinha sido assim em 2011, cujo tema fora os 20 anos de Waking Up the Neighbours, rendendo temas como House Arrest, Do I Have to Say the Words, Depend on Me, Thought I'd Died and Gone to Heaven (que eu adoro). Foi um dos motivos pelos quais não me importei muito por ter falhado o concerto do Rock in Rio em 2012, no qual ele tocou quase só os singles habituais que toca em todos os concertos. São os temas de que toda a gente gosta, é certo, mas que não satisfazem completamente o fã mais dedicado, que tem favoritos entre os temas menos popularizados. O próprio Bryan admitiu, durante o concerto, que não é fácil agradar a toda a gente, que treze álbuns correspondem a muitas músicas. Eu falo por mim mas não fiquei com motivos de queixa em relação à setlist.

 

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Após a terceira ou quarta música, Bryan apresentou-se dizendo que, em Portugal, o seu nome é "O-Bryan". "O-Bryan?", perguntávamos nós. Sim, porque, em terras lusas, as pessoas cumprimentam-no com um "Ó Bryan, como está?". Ele tem sentido de humor, dá para ver, por exemplo, nesta entrevista (a propósito, será que lhe arranjaram carcaças, desta vez?). Mais tarde no concerto, ele diria algo como "This is kind of a new song for us, you may have heard it on the album, if you know it sing along..." antes de começar a tocar... (Everything I Do) I Do it For You. Como se diz em bom português, jajão.

 

Antes dessa, no entanto, já tínhamos tido outros pontos altos, como Heaven - em que o Pavilhão se encheu de luzes brancas, nós, na audiência, cantámos a primeira estrofe sozinhos, muitos agarrados aos mais-que-tudo.

 

Por outro lado, uma das minhas maiores expectativas era It's Only Love, sempre uma oportunidade para exibir as habilidades da arma secreta, como Bryan lhe chamou, Keith Scott, um dos melhores guitarristas do Mundo. Não fiquei desiludida.

 

Tivemos, contudo, um pequeno desapontamento. Para a canção Baby When You're Gone, o Bryan costumava chamar uma menina ao palco. Estando eu e a minha irmã muito perto do palco, estávamos as duas, como diz a minha irmã, cheias d'a fé. Eu ia mesmo pedir para tocar guitarra em vez de cantar - tinha andado a praticar e tudo! Bryan, no entanto, quis fazer uma coisa diferente: pediu uma "mulher selvagem" para dançar ao som de If Ya Wanna Be Bad Ya Gotta Be Good. Não é tão giro como subir ao palco, na minha opinião, mas sempre rendeu momentos engraçados, como poderão ver no vídeo abaixo. 

 

 

 

A feliz contemplada foi uma Joana, de top branco (ele só não me escolheu a mim porque eu estava vestida até ao pescoço, aposto... mas também não sou grande dançarina e demasiado tímida para aquele género de dança). Mas a Joana não se saiu nada mal e o próprio Bryan, como podem ver, não teve pejo em encorajá-la. Também poderão ver que ele tentou emparelhá-la com algum homem livre no concerto, antes de ela mostrar que era casada.

 

- Yeah, but he's not here - disse ele. Tinha ficado a jogar futebol - Of course. He's Portuguese? Of course he plays football!

 

Um aparte só para dizer que eu só aceitarei como marido (ou esposa) alguém que venha comigo a concertos, do Bryan Adams ou de outros artistas de que eu goste. Não acho nada de mais, até porque eu, ao contrário de muitas mulheres, não gosto assim tanto de compras nem de filmes lamechas e, além disso, sou fã de futebol.

 

 

 

Depois desta, ele tocou Here I Am, também a pedido - incluindo de um cartaz que se via na audiência. Fico em dívida para essa pessoa, pois é a minha canção preferida dele e ia ficar triste se não tivesse sido tocada. 

 

Tendo ficado muito perto do palco, mesmo em frente de um dos microfones, como se vê no primeiro vídeo, eu e a minha irmã pudemos ver tanto Bryan como Keith mesmo à nossa frente em várias ocasiões. Desta vez não cometi o erro do Rock in Rio de 2014 e procurei não desperdiçar essas ocasiões: sempre que olhavam na minha direção, soprava-lhes beijos, fazia-lhes corações com o dedos, apontava para eles quando as canções o justificavam. O ponto mais alto foi em 18 'Til I Die, quando o Bryan apontou para a minha irmã, a única naquela zona tirando eu que sabia a letra (estão na primeira fila e nem sequer sabem a letra de 18 'Til I Die. Tristeza...) e ela apontou de volta. Desde essa altura ela quem vindo a dizer que o Bryan cantou pelo menos aqueles três versos - We´re gonna have a ball, yeah/ We're gonna have a blast/Gonna make it last! - especialmente para ela. Até porque ela tem dezoito anos, precisamente.

 

 

 

Tal como já tinha acontecido antes, o concerto terminou com aquilo a que chamo um momento Bare Bones: Bryan sozinho com uma guitarra e uma harmónica. Antes, Bryan falou um pouco da sua infância em Birre, Cascais, dos seus primeiros passos no mundo da música: desde a música clássica do seu pai ao fado - altura em que percebeu o poder da música para tocar pessoas, independentemente das palavras - aos Beatles. De seguida, tocou Straight From the Heart. Gosto imenso de ouvir a música assim, só com guitarra e harmónica, realçando a relativa inocência da letra. 

 

Antes da última canção, All For Love, Bryan pediu-nos que acendêssemos todos os telemóveis e o Pavilhão Atlântico encheu-se de luz. Não gosto assim tanto da versão acústica da música, sobretudo por não incluir a terceira parte, mas não deixou de ser um belo encerramento de concerto.

 

E assim se passou mais uma das melhores noites da minha vida. Saí do Pavilhão Atlântico à beira da desidratação, com as pernas a querer colapsar. Fiquei dorida durante dois ou três dias e estou convencida que a constipação que apanhei está relacionada com o abuso das cordas vocais. Costumo dizer que, quando temos sintomas de bangover como estes, é porque tivemos uma das melhores experiências da nossa vida, é porque aproveitámos como deve ser. 

 

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O meu pai perguntou-me, quando regressámos a casa, se eu não estava farta do Bryan, após três concertos. Aparentemente, ainda não. Se o Bryan ainda não se fartou ao fim de mais de trinta e cinco anos e, por esta altura, de milhares de concertos, eu não me vou fartar ao fim de apenas treze anos (metade da minha vida, vejo agora) e três concertos. Como explica muito bem este artigo, existem bons motivos para uma pessoa ver várias vezes os mesmos artistas ao vivo. Vocês sabem que eu tenho uma relação muito próxima com a música - serve-me de companhia, de inspiração, de catarse, de ligação com outras pessoas. Um concerto dos meus cantores ou bandas preferidos é uma celebração disso. Uma celebração com mais gente igualmente tocada pela música e com os criadores dela. Uma maneira de mostrar a minha gratidão a esses criadores. 

 

Dizem que o dinheiro traz mais felicidade se for gasto em experiências, mais do que em objetos. Concertos de artistas de quem gosto são, para mim, um dos melhores exemplos disso. Daí que, sim, enquanto Bryan Adams estiver por aí às voltas dando concertos (e cheira-me que dá-los-á durante mais tempo do que se calcula), dentro das minhas possibilidades, eu estarei sempre lá. E, como reza a minha canção preferida, não haverá mais sítio na Terra onde preferisse estar. 

Bryan Adams - 30 anos de Reckless (2014) #1

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Em menos de um ano após o lançamento [de Reckless], o álbum que Adams fizera esperando que fosse tão bem sucedido como o seu anterior, dera seis singles de sucesso, vendera-se em quantidades que faziam o êxito de Cuts Like a Knife parecer bastante insignificante (...) e transformou Bryan Adams numa das maiores estrelas de rock do mundo. Adams diz que é capaz de indicar o momento exato em que ele se apercebeu do que acontecera (...) "Estávamos a fazer o mesmo que andávamos a fazer desde o início, o concerto era o concerto que dávamos há três ou quatro anos. E de repente tínhamos público. Uma arena cheia de gente que tinha vindo ver-nos. Tínhamos conseguido. Lembro-me de ir ter com o Keith, o meu guitarrista, e dizer 'Que fizemos de diferente? O que aconteceu?'. Ele encolheu os ombros.

 

Booklet da Edição Deluxe de Reckless

 

Como poderão deduzir a partir do excerto acima, Reckless, o quarto álbum de estúdio de Bryan Adams, foi o álbum que colocou o cantautor canadiano no estrelato. É este o álbum que inclui muitas das músicas que definem a carreira de Bryan e se tornaram autênticos clássicos do rock: Run to You, Summer of '69, Heaven... 

 

Visto que este ano, no dia 5 de novembro (no 55º aniversário de Bryan), se completaram trinta anos desde o lançamento de Reckless, Bryan decidiu lançar uma edição especial deste álbum com sete faixas inéditas. Eu vou aproveitar a ocasião para, não apenas analisar as músicas "novas, mas também falar das canções da edição original. 

 

Quero esclarecer desde já que esta não será propriamente uma crítica. Eu já não costumo ser imparcial nas minhas análises, tenho pesos e medidas diferentes para cada artista ou banda; nesta sê-lo-ei ainda menos pois os singles deste álbum são autênticos clássicos para mim, são intocáveis, estão acima de toda a crítica. No fundo, centrar-me-ei nos motivos pelos quais gosto destas músicas, bem como em algumas curiosidades, a maior parte delas retiradas do site pessoal de Jim Vallance, co-autor destas músicas, que teve a bondade de partilhar segredos por detrás da composição destas faixas. Contudo, para as músicas "novas" farei uma análise costumeira. Ao contrário do que pensava, estas músicas não são propriamente inéditas - depois de serem excluídas da tracklist de Reckless, com duas exceções, foram regravadas por outros artistas.

 

Tal como já vai sendo hábito, esta crítica virá às prestações. Ainda não sei quantas mas, visto que são dezassete canções, serão mais do que as costumeiras quatro. Respeitarei a ordem da tracklist pois, com a mistura de velhos clássicos e músicas desconhecidas (pelo menos para mim), não faz sentido estar a ordená-las por preferência. Assim, começamos por...

 

1) One Night Love Affair

 

 

 "All my senses say I'm in this much too deep

Now you're out of reach"

 

Reckless abre com uma faixa que foi single, embora não tenha tido o mesmo impacto que outros singles deste álbum. One Night Love Affair, tal como a larga maioria das faixas de Reckless, é conduzida por acordes de guitarra elétrica com um padrão característico, acompanhada por solos que fazem de segunda voz e bateria. Queira, aliás, chamar a atenção para este último instrumento, para o seu ritmo... eu chamar-lhe-ia "binário", mas não sei se é essa a designação correta. É um padrão de bateria simples, presente em muitas das músicas mais antigas de Bryan, mas que, por algum motivo, já não se ouve da música dos últimos dez, quinze anos.

 

Para dizer a verdade, atualmente ouve-se cada vez menos bateria na música, ponto.

 

Tal como diz o título, a letra de One Night Love Affair fala de um caso de uma noite que deixa sequelas inesperadas, numa altura em que o narrador já perdeu o rasto da mulher com quem se envolveu. Tal como acontece em várias músicas de Reckless, a letra é simples mas suficiente para contar a história de maneira eficaz.

 

Existe uma história engraçada por detrás desta música, revelada no site de Jim Vallance. Quando ele e Bryan estavam a trabalhar em One Night Love Affair, quiseram que, como habitual, o guitarrista Keith Scott fizesse o solo de guitarra. Em jeito de brincadeira, Bryan regravou o verso "If the night was made for love it ain't for keeps" (se a noite foi feita para o amor, não é para manter), alterando para "if the night was made for love it ain't for Keith" (se a noite foi feita para o amor, não é para o Keith), o que fez o guitarrista quase cair da cadeira com as gargalhadas. Consta que por vezes, em concertos, Bryan canta o verso alterado fazendo um gesto para Keith. Estou a contar que faça o mesmo num eventual concerto em Portugal da digressão dos trinta anos de Reckless. 

 

2) She's Only Happy When She's Dancin'

 

 

"Nothin' matters until Monday so she goes insane"

 

Na entrada sobre Tracks Of My Years, falei sobre a voz de Bryan, caracteristicamente rouca. Esta voz não se fez de um dia para o outro, demorou uma mão-cheia de anos. Se compararem os primeiros álbuns de Bryan com TOMY, hão de reparar na diferença. Reckless foi apenas o quarto álbum de Bryan, a sua voz ainda não estava no ponto certo (na minha opinião, só chega a esse ponto com Waking Up the Neighbours). Isto nota-se particularmente em She's Only Happy When She's Dancin', os vocais ainda algo imaturos, demasiado gritados.

 

Esse é, praticamente, o único defeito desta faixa. De resto, sem ser nada de extraordinário, é uma música interessante, a única música não single (tirando as "novas") que fica na memória. A sonoridade obedece à fórmula do álbum, sem nenhum aspeto que se destaque. A letra, por outro lado, conta uma história diferente do habitual - a história de uma mulher que leva uma vida monótona e cinzenta, presa à rotina, que só ganha cor quando o fim-de-semana chega e ela vai dançar. 

 

3) Run to You

 

 

 

"I know her love is true

But it's so damn easy making love to you"

 

Run to You foi o single de apresentação de Reckless (embora Heaven andasse a ser tocada nas rádios havia algum tempo) mas que, na verdade, esteve muito perto de não ser editada. Segundo Vallance, a música inicialmente fora encomendada por um produtor mas este, no fim, não gostou dela. Bryan e Vallance ainda tentaram enviá-la a outros artistas mas todos a rejeitaram. Bryan esteve perto de rejeitá-la ele mesmo. Foi o produtor Bob Clearmoutain quem o convenceu a incluir a música em Reckless. E ainda bem que o fez, pois Run to You tornou-se um dos grandes clássicos da carreira de Bryan.

 

A letra é curta, direta, mas suficiente para contar a história de um triângulo amoroso, mas o ponto forte de Run to you é outro. Durante alguns anos, a música nunca me atraiu por aí além. Foi só quando, nas aulas de guitarra, o meu professor disse que tinha as pautas da música e eu pedi-lhe que me ensinasse, que passei verdadeiramente a gostar da canção. Chegámos a gravar a nossa versão de Run to You, que apresento em baixo. Eu toco a melodia, um colega meu (já não me lembro do nome dele...) toca a guitarra rítmica e o meu professor toca o baixo. Os pontos fortes da música residem, precisamente, nos instrumentos, no riff característico, no solo de guitarra, nas linhas de baixo - é divertida de tocar. 

 

 

 4) Heaven

 

 

"Now our dreams are coming true

And through the good times and the bad

Yeah, I'll be standing there by you"

 

Heaven é a única balada em Reckless e, tal como já expliquei antes, a minha canção de amor preferida. Como já falei sobre esta música antes, não tenho muito mais a acrescentar. Destaco apenas que Heaven tem uma sonoridade muito diferente do resto do álbum (faixas extra incluídas), parecendo um outlier, sendo esse um dos motivos pelos quais esteve quase a ser deixada de fora. Ainda bem que tal não chegou a acontecer, pois Heaven teve um sucesso monstruoso, à semelhança dos outros singles de Reckless. 

 

Se formos a ver, três das músicas que definiram a carreira de Bryan - Run to You, Heaven, Summer of '69 - estiveram perto de nunca serem editadas. É a prova de como o sucesso de uma música ou de qualquer trabalho artístico pode ser completamente imprevisível e, algumas vezes, os próprios criadores não são as pessoas com melhor discernimento para determinar o potencial da música.

 

 

Mantenham-se ligados, vou tentar publicar a segunda parte da análise em breve.

Músicas Ao Calhas - Heaven

Primeira entrada de 2014! Feliz Ano Novo. Eu sei que já se passaram algumas semanas mas, este mês, tenho-me focado mais no meu quarto livro. Além disso, estava a precisar de uma pausa dos meus blogues, do frete que, às vezes, se torna passar páginas e páginas de rascunhos para o computador. Planeio, no entanto, publicar algumas entradas nos próximos tempos, com destaque para a crítica a Hydra, o novo álbum dos Within Temptation, editado no próximo dia 31.
 
Hoje gostava de vos mostrar um pouco o meu lado mais lamechas e falar-vos da minha canção de amor preferida: Heaven, de Bryan Adams.
 
 
 

"Now our dreams are coming true

And through the good times and the bad
Yeah, I'll be standing there by you"
Sei que muitos fãs consideram (Everything I Do) I Do it For You a melhor canção romântica de Bryan Adams, mas eu discordo. Primeiro, por considerar Heaven melhor, tanto em termos de letra como de música, mais emotiva. Segundo, porque Heaven tem imensas versões diferentes e, em todas elas, soa linda - algo que é raro. Heaven é, há já muitos anos, uma música muito especial para mim. Sei tocá-la na guitarra, cheguei a tentar aprendê-la no piano e, um dia, se tiver a felicidade de me casar, será a música do meu casamento.
 
Muitos, se calhar, não o sabem, mas Heaven esteve quase para não ser incluída no quarto álbum de Bryan Adams, Reckless. A música foi composta para a banda sonora do filme A Night in Heaven (Noites de Paixão, em Portugal). Filme esse que se centrava num stripper masculino e que... foi um fracasso de bilheteira. Deve ter sido essa uma das razões que levaram Bryan a ponderar excluir a música do álbum. Em todo o caso, à última hora resolveu incluí-la e fez bem: Heaven tornou-se o primeiro single da carreira dele a atingir o topo das tabelas de música nos Estados Unidos.
 
A letra de Heaven é muito simples, como quase todas as músicas de Bryan Adams. Ligeiramente nostálgica, fala de uma relação que tem resistido ao teste do tempo, aos altos e baixos, às dificuldades. É uma música de final feliz, na minha opinião, daí achar que é a música de casamento perfeita.
 
 
Vou agora falar de algumas das muitas versões que existem desta música, começando, naturalmente, pela orginal. Esta é conduzida pelo piano (ou será pelo órgão?), acompanhada por notas de guitarra elétrica, que funciona como uma segunda voz - tal como acontece com muitas canções de Bryan Adams - acordes no refrão, baixo a partir da segunda estância, tudo isto numa aura etérea, muito romântica, perfeita para o primeiro slow dos noivos num casamento.


Em 1997, Bryan apresentou uma versão acústica de Heaven, a propósito da MTV Unplugged. Esta caracteriza-se por, na sua maioria, ser quase só a voz de Bran, com a guitarra acústica muito discreta. Só no segundo refrão é que o resto da banda se junta - toda ela em acústico - destaque para a linda flauta do irlandês Davy Spillane. Banda essa que torna a desaparecer nos últimos refrões. Bem, não desaparece completamente, pois ainda se ouve uma ou outra nota de piano e a flauta, em particular na conclusão da música.

Na digressão Bare Bones, dos últimos anos, Bryan tem igualmente apresentado Heaven em acústico. Desta feita, sem banda - regra da digressão - só com guitarra acústica e piano. Apesar de não ser uma má versão,  não é das minhas preferidas. Teria sido mais interessante uma versão sem guitarra, só com o piano.

A minha versão preferida de Heaven é a do DVD ao vivo Live in Lisbon, editado em 2005. Esta versão é também conduzida pela guitarra acústica - é esta que eu toco na minha - acompanhada pela bateria discreta, o baixo, a guitarra elétrica de Keith Scott, notas de piano. Tudo muito suave, emprestando um tom etéreo à música. Pontos para o solo de Keith, após a terceira estância, e sobretudo para audiência no refrão seguinte, que canta como um coro contratado, quase abafando a voz de Bryan. De repente, contudo, a música aumenta de ritmo, explode para um último refrão em alta - para isso contribui também, uma vez mais, a guitarra de Keith Scott. Sem dúvida, uma das melhores versões de Heaven. De resto, recomendo o resto do DVD pois o concerto é excelente, muito graças ao fantástico público português.
 


Queria, agora, falar de versões de Heaven gravadas por outros cantores. Começando por uma de Brandi Carlile - responsável por The Story, outra das minhas canções de amor preferidas. Brandi oferece-nos uma versão mais folk de Heaven, bem ao seu estilo, conduzida pela guitarra acústica, acompanhada, ocasionalmente, por notas de órgão.


Outras versões mais conhecidas (julgo eu) foram criadas por DJ Sammy e cantadas por Yanou. Uma delas é conduzida por notas de piano, muitas delas agudas, fazendo com que a música se assemelhe a uma canção de embalar, acompanhada aqui e ali por violinos. A interpretação doce de Yanou é perfeitamente compatível. É uma das versões mais açucaradas de Heaven mas isso não é defeito. Tal como todos os exemplos aqui mencionados, mostra uma prespetiva diferente da canção.


A outra versão, de DJ Sammy é bem diferente: é um remix tecno de Heaven, lançado em 2002. Temos muitos exemplos de remixes deste género, que transformam todo o tipo de canções em temas dançáveis, muitas vezes com grande prejuízo para a qualidade da música original. Não é este o caso, nem de longe nem de perto. De alguma forma, este remix conseguiu preservar a magia e o romance da versão original e, ao mesmo tempo, adequá-la às pistas de dança. Também ajuda o facto de Yanou ter uma boa voz e de esta soar quase sem alterações - naquela altura o auto-tune ainda não estava na moda, belos tempos! Quase vinte anos depois de ser lançada pela primeira vez, Heaven regressava às rádios sob outro "disfarce" e também conseguiu atingir os primeiros lugares das tabelas.

Conforme afirmei no início, poucas músicas se podem gabar de terem inúmeras versões diferentes e soarem ótimas em todas. É incrível como uma canção como Heaven, que parece tão simples, pode afinal ter tantas facetas. É por estas e por outras que este tema é-me imortal desde há, pelo menos, nove anos, conseguindo sempre derreter o meu coração. Algo que, de resto, Bryan Adams nunca teve dificuldade em fazer.

Bem, depois de um tema tão meloso como este, acho que este texto me deixou com a glicémia elevada. Se não se importam, vou ouvir Linkin Park. Entretanto, mantenham-se ligados: em breve publicarei a crítica a Hydra.

Músicas Não Tão Ao Calhas - 17

Esta entrada de Músicas Não Tão Ao Calhas será diferente das outras porque, em rigor, esta música ainda não foi lançada, ainda não temos versão de estúdio. Temos apenas uma versão ao vivo, extraída de um vídeo amador:
 

"These days are long gone, 
but when I hear this song, 
it takes me back..."

Como podem ver, a música chama-se 17 e foi apresentada pela primeira vez ao vivo, num concerto "secreto", na noite de 25 de abril. Sendo uma versão ao vivo, de qualidade longe do ideal ainda que razoável, não posso avaliar a parte instrumental da música. Pelo que se pode ouvir deste vídeo, parece ser uma faixa conduzida pela guitarra acústica, com um ritmo semelhante a outras músicas de Avril (Girlfriend, The Best Damn Thing, What the Hell), acompanhada por teclados e guitarra elétricas, em algumas partes. Uma música alegre, de verão.

Em termos de letra, de conteúdo, acaba por ter um tema semelhante a Here's to Never Growing Up: exaltação do espírito jovem, da rebeldia, ambos imagens de marca da carreira da cantautora canadiana. No entanto, em 17 isso surge numa perspetiva diferente. Surge como uma recordação de uma história de amor juvenil. Pessoalmente, noto um espírito muito Bryan Adams em 17, em vários aspetos. O grande êxito do cantautor compatriota de Avril, Summer of 69, recorda igualmente uma paixão antiga. Mas a b-side de 11, Miss America, que acaba por ser uma versão mais romântica e... politicamente correta de Summer of 69, tem ainda mais semelhanças. Por outro lado, a expressão "wild and free" recorda-me Heaven.

Como podem ver, a nostalgia de um amor passado, a saudade da inocência dos tempos de juventude não são temas inéditos na música pop. No entanto, constituem uma novidade na discografia da Avril, que nunca revelou esta sua faceta nostálgica, saudosista. Suponho que seja, de certa forma, um reflexo da sua proximidade à década dos trinta - geralmente, não são os mais novos a ter saudades de tempos passados.

Por outro lado, durante muito tempo, a Avril pareceu retrair-se, de certa forma, no que tocava a canções de amor. Parecia relutante em declarar, preto no branco, que amava alguém. Isso só aconteceu em Goodbye Lullaby, há relativamente pouco tempo. Por isso, canções de amor como esta nela ainda sabem a novo.

É este carácter refrescante, ainda que apenas considerando a discografia da Avril, que torna, na minha opinião, 17 melhor que Here's to Never Growing Up - cuja fraqueza é, precisamente, a repetitividade, conforme mencionei na entrada anterior. Especula-se se 17 será o segundo single do quinto álbum. Eu preferia que tivesse sido o primeiro. Até porque, pelas semelhanças com Here's to Never Growing Up, duvido que 17 se torne single, pelo menos não para já.

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Ainda não se sabe quando poderemos ouvir a versão de estúdio de 17. O lançamento do quinto álbum está previsto para setembro, mas um single será lançado antes. Se for 17, ao menos não teremos de esperar quatro ou cinco meses para ouvir a música com boa qualidade. Se for outra música, ao menos conheceremos uma terceira faixa do quinto disco e terei algo sobre que escrever aqui no Álbum.

Se Here's to Never Growing Up não me deixou caída de quatro, como outros lançamentos de Avril Lavigne, 17 esteve bem perto disso. Ainda não decorei a letra - tratando disso! - mas o refrão faz-me saltar e dançar, como a Avril costuma fazer em palco. A mulher continua com a capacidade de me apanhar de surpresa, quando menos espero. Tal como ela diz em Here's to Never Growing Up, acho que nunca vou mudar...

Daí que esteja ainda ansiosa por saber mais sobre o quinto disco de Avril Lavigne: título, capa, tracklist... Tais informações podem sair a qualquer momento ou podemos ficar mais dois meses sem saber mais nada. Mas ao menos já temos duas músicas com que nos entreter. Tudo o que é fã da Avril sabe perfeitamente que podia ser muito pior...

Entretanto, tenho mais uma entrada pronta para o blogue. A ver se a publico nos próximos dias.

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