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Álbum de Testamentos

"Como é possível alguém ter tanta palavra?" – Ivo dos Hybrid Theory PT

Digimon 02 #6 - O barómetro moral

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Por algum motivo, na dobragem portuguesa (que foi adaptada da espanhola), tornaram Cody uma rapariga. Não acho que isso tenha prejudicado a história, tirando no epílogo, em que ele aparece homem feito. Na minha opinião, Cody funcionaria bem como uma personagem feminina. Lembro-me, inclusivamente, de quando era miúda ter ficado contente por termos um número igual de rapazes e raparigas entre as Crianças Escolhidas. Mas isso seria demasiado progressista...

 

A personalidade de Cody parece ser um híbrido das personalidades de Izzy e Joe. Tal como Izzy, Cody é uma criança um bocado tímida, discreta, obediente e respeitadora para com os adultos da sua família - sobretudo o seu avô. É natural, tendo em conta que o seu pai era polícia e morreu em serviço, protegendo uma qualquer personalidade política. Igualmente em linha com esse facto, Cody dá uma grande importância à honra, ao dever e à honestidade, de uma maneira que recorda Joe, de certa forma.

 

É precisamente de Izzy e Joe que Cody "herda" os Digiovos. Se o Digiovo da Lealdade (pessoalmente, acho que a tradução mais correta é Confiabilidade, mas vou seguir a dobragem portuguesa para não criar confusão) faz sentido, o do Conhecimento não faz sentido absolutamente nenhum. Em nenhum momento Cody funciona como o Cérebro do grupo. Na verdade, tal como expliquei na entrada anterior, Yolei cumpre mais vezes esse papel. Mas uma rapariga representante do Conhecimento? Podia lá ser! As raparigas em Digimon apenas servem ou para serem as mamãs das Crianças Escolhidas, ou para serem fiteiras, ou para serem sobrenaturalmente altruístas

 

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Desabafos feministas à parte, faz sentido que, numa história com vilões complexos, tenham incluído uma Criança Escolhida com uma moralidade a preto e branco, que fizesse de barómetro moral do grupo. Nestas circunstâncias, era muito difícil Cody não evoluir por muito que os guionistas tentassem. Não é de admirar que Cody seja o último a perdoar e a aceitar Ken no grupo, quando este se junta ao lado dos bons. Do mesmo modo, na altura em que as Crianças Escolhidas descobrem que o BlackWarGreymon, apesar de ser constituído por Torras Negras, tem consciência e debatem se é legítimo tentarem matá-lo, Cody não perde tempo e confronta-o de uma maneira suicida. Diz-lhe, parafraseando: "Se na verdade tens coração, não queremos matar-te, por isso pára!". Não serve de muito, mas, tal como disse antes, nesta altura tudo o que as Crianças Escolhidas fazem não serve rigorosamente para nada. 

 

De qualquer forma, é com Oikawa que as convicções de Cody são verdadeiramente testadas - ao descobrir que este foi amigo de infância de Hiroki, o seu falecido pai, e que ambos tinham descoberto o Mundo Digimon por essa altura. Que Oikawa nunca recuperara da perda do melhor amigo. Que Chikara, avô paterno de Cody, se arrepende de não ter estendido uma mão a Oikawa após a morte de Hiroki sendo, portanto, parcialmente responsável pelos eventos de 02.

 

Hei de falar melhor sobre esta faceta da história. Para já, tudo o que interessa é que, (depois de ter testemunhado a redenção de Ken, de conhecer a história de Oikawa, de ver o BlackWarGreymon - o BlackWarGreymon -  salvar a vida do seu avô) a evolução de Cody culmina quando, mesmo depois da vitória final, ajuda um Oikawa enfraquecido por anos de possessão, à beira da morte, a cumprir o seu sonho de visitar o Mundo Digimon.

 

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De entre as Crianças Escolhidas em 02, Cody é o único que eu gostaria de acompanhar nos anos que se seguem aos eventos desta temporada. Agora que a moralidade a preto e branco com que ele foi educado foi questionada e, também, com a revolta natural da adolescência, não me surpreenderia vê-lo rebelando-se contra a mãe e o avô (sobretudo agora que Cody conhece os erros que Chikara cometeu), questionando a "morte honrada" que o pai teve. Sabemos do Epílogo que ele se tornará advogado de defesa em adulto. Em 02 deu os primeiros passos nessa direção. Gostava de ver mais desse percurso.

 

Talvez possamos vê-lo em Tri. 

 

O único problema de Cody é ser um pouco aborrecido. Um pouco à semelhança de Joe, Cody leva-se demasiado a sério. No entanto, ao contrário de Joe, cuja seriedade e rigidez é motivo de piada desde o início e que, de qualquer forma, começa cedo a ganhar sentido de humor, nada disso acontece com Cody. É pena que a Criança Escolhida melhor desenvolida seja, por vezes, a mais enfadonha...

 

No que toca à análise das Crianças Escolhidas, já vamos a meio. Continuem ligados, na próxima entrada falaremos de T.K.

Odaiba Memorial Day: Digimon Adventure - O papá neurótico

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Joe é a personagem de que menos gosto nesta temporada. Mais porque acho que faltou um bocadinho de consistência na sua génese. No início da narrativa, ouvimo-lo dizer que, sendo o mais velho do grupo, se sentia responsável pelos outros. Chega mesmo a dar a entender que ele devia ser o líder. No entanto, por esta altura, as ações em pouco ou nada ajudam o grupo, muitas vezes fazem o oposto. Por exemplo, num episódio, ele tenta ser racional, pensar antes de agir, no outro, é o primeiro a correr para uma armadilha. 

 

Costuma-se dizer que, se esta aventura se desenrolasse no Mundo Real, Joe assumiria naturalmente a liderança - num mundo tão fantasioso e imprevisível como o Digital, ele precisou de tempo para se adaptar. De qualquer forma, quando não está com uma das suas neuroses, Joe faz muito de "papá" do grupo, ajudando a cuidar das outras Crianças, frequentemente ignorando a sua própria segurança para protegê-los. A tradução da sua virtude é controversa - a que considero mais adequada é Lealdade, embora a ideal fosse um conceito que significasse "digno de confiança". 

 

Até agora, não tenho falado muito sobre o Digimon de cada Criança pois, na maior parte dos casos, a sua personalidade é uma extensão da personalidade da Criança que protegem. Com Joe e Gomamon é diferente, pois é, em vários sentidos, o oposto do humano que protege: divertido, descontraído. É ele quem vai ensinando a Joe a não se levar tão a sério. 

 

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A verdade é que não considero Joe uma personagem muito interessante. Ele cumpre o seu papel, tem algum desenvolvimento, mas pouco mais. Voltamos à velha questão: se ele tivesse tido mais tempo de antena, talvez gostasse mais dele.

 

Nas próximas duas entradas, falaremos dos membros mais novos do grupo, que são um caso à parte, em vários aspetos. Continuem por aí...

 

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