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Álbum de Testamentos

"Como é possível alguém ter tanta palavra?" – Ivo dos Hybrid Theory PT

Música 2022 #2: Justiça para as B-sides de Let Go (e para as outras também)

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Primeira publicação de 2023! Bom ano, minha gente!

 

Como já terão concluído por vocês mesmos, estes textos vêm com um longo atraso, ainda maior do que previ. Estou numa altura da minha vida em que está a acontecer muita coisa, tenho imenso que gerir. Primeiro foi o Mundial 2022, depois foram as festas. Mesmo agora tenho assuntos pessoais e de trabalho que me roubam tempo de escrita.

 

De escrita e não só. Ainda não acabei Pokémon Scarlet, apesar de ter comprado o jogo no dia em que saiu, há dois meses.

 

Mas pronto, já consegui publicar esta parte. Por acaso, estou bastante entusiasmada por escrever este balanço. 2022 foi um ano bastante rico, musicalmente e não só. Se só conseguir terminá-los em meados fevereiro… quem se rala?

 

Adiante. Nesta parte do balanço musical de 2022, vamos falar sobre Avril Lavigne. Alguns de vocês poderão ter estranhado não ter dedicado um texto inteiro a Love Sux. Não cheguei a escrever esse texto porque, bem, Love Sux quase literalmente entrou a cem e saiu a duzentas. É até agora o álbum de Avril que menos gosto. Não o odeio, apenas me é indiferente – o que pode ser pior que de facto odiar. É esquecível, não tem uma única música que eu adore a sério – ao contrário de todos os outros trabalhos de Avril. Estive meses e meses sem ouvi-lo, só voltei a fazê-lo há pouco tempo – e apenas em preparação para este texto.

 

Como já se sabia que iria acontecer – e como foi referido neste texto – em Love Sux, Avril abraçou a fundo o estilo pop punk. Infelizmente, o resultado final tem várias das falhas que têm sido apontadas a todos estes músicos apadrinhados por Travis Barker. Nomeadamente o facto de o som ser pouco original, quase um copy-paste do estilo típico dos Blink-182. 

 

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Love Sux em particular é demasiado homogéneo, com músicas que se confundem umas com as outras. Como sempre gostei da diversidade dos álbuns da Avril anteriores a este, isto para mim é um problema. As faixas são demasiado curtas – só três delas têm mais de três minutos – sem pausas instrumentais, em ritmo acelerado (tirando Dare to Love Me e Avalanche). Todos os intervalos são preenchidos com “Whoa!” ou “Na na na” ou monossílabos do género – daqueles incluídos para tentar cativar o público num concerto. Quando o álbum saiu, um outro sobrevivente do Fórum Avril Portugal comentou comigo que não sabia como é que Avril ia cantar estas músicas em palco. Ela sempre foi inconsistente em palco e, agora, este é um álbum acelerado que quase não lhe dá um momento para respirar.

 

A verdade é que já lá vai quase um ano e uma data de concertos. Não sei se ela tem incluído muitas músicas do Love Sux nas setlists. Não quero ir ao Google para evitar spoilers para o concerto de Zurique.

 

O pior são as letras. Love Sux é basicamente uma extensão de I Can Do Better com letras mais elaboradas – na forma, não no conteúdo. Uma série de break up songs imaturas, movidas a mesquinhez e espírito vingativo (e nem sequer com a piada de C’est Comme Ça). “Ex”s que lhe dão vontade de vomitar, insultos, ameaças de atropelamento, entre outras coisas super dignificantes. 

 

Isto era uma coisa aquando de The Best Damn Thing, quando eu tinha dezassete anos e Avril vinte e dois (e mesmo assim cansei-me relativamente depressa de I Can Do Better). Outra coisa é agora, que estamos ambas na casa dos trinta – e Avril está próximo dos quarenta. Nenhuma de nós é adolescente há muito tempo – e eu pelo menos não quero voltar a sê-lo. Porque se porta Avril como uma? Quem acha piada a isso?

 

Já que falo disso, permitam que me estique, que faça especulações e tece juízos de valor sobre a vida amorosa alheia. Uma coisa que me tem incomodado nos últimos anos é que, pelo menos no que toca ao seu cânone musical, Avril nunca admite culpas pelas suas relações falhadas – a única exceção é I Will Be, que de resto é uma B-side. Avril já teve vários parceiros, já foi casada duas vezes, mas aparentemente nunca lhe ocorreu que ela poderá ser pelo menos parte do problema. Até Taylor Swift, de todas as pessoas, admite culpas desde pelo menos Reputation. Às tantas não é o amor que não presta, é ela. Avril precisa de olhar para si mesma e perceber o que está errado ou continuará a ter azar no amor.

 

 

Mas, lá está, isto é apenas especulação à mistura com psicologia barata. Nada me garante que as letras de Love Sux sejam um reflexo fidedigno dos valores de Avril – pode ser apenas uma imagem que ela projeta. Ela neste momento está noiva de Mod Sun, que me parece um bom rapaz q.b. Pode ser que eu esteja enganada e que o casamento resulte. Eu pelo menos não desejo outra coisa. 

 

Regressamos a Love Sux. Olhemos mais de perto. Já escrevi sobre Bite Me antes e, na minha opinião, é das melhores. Ainda pensei que isso fosse por a ter ouvido antes de todas as outras – aliás, pelo menos algumas faixas em Love Sux funcionam melhor fora do contexto do álbum. No entanto, Love it When You Hate Me também foi lançada antes e dessa não gosto. A melodia na primeira estância até é agradável ao ouvido mas esse é o único ponto a favor da música. Meu Deus, que letra mais vazia!

 

Cannonball é das poucas neste álbum de que gosto. É possível que seja por ser a primeira do alinhamento – ainda não dá tempo para me fartar do estilo. Por outro lado, na minha opinião, Cannonball tem elementos que a elevam acima das demais: aquela introdução explosiva com uns vocais impressionantes, aquela espécie de rap que combina bem com o ritmo acelerado. Também gosto dos “Whoa! Whoa!” na terceira parte, mas acho que deviam ter sido repetidos pelo menos uma vez. 

 

É o problema das músicas demasiado curtas. Quando estamos a gostar, sabem a pouco. 

 

Outra de que até não desgosto é All I Wanted, o dueto com Mark Hoppus. Sempre foge à fórmula do resto do álbum e as vozes dos dois casam bem. A letra aborda velhos tropos do pop punk – nostalgia, desejo de fugir à terra natal – mas sempre tem mais substância que noventa por cento de Love Sux. 

 

Queria agora falar sobre as duas músicas que fogem um pouco à fórmula: Avalanche e Dare to Love Me. A sonoridade da primeira até é interessante, o híbrido de balada rock com o pop punk do resto do álbum mas… outra vez… A letra é tão. Má. Vaga, cheia de clichés, é tão frustrante. 

 

 

Sim mulher, estás com problemas, a vida é difícil, mas explica porquê, caramba! Dá-nos pormenores!

 

Da mesma maneira, antes da edição de Love Sux, estava curiosa em relação a Dare to Love Me. Esta até tinha potencial. Acho que nunca cheguei a escrevê-lo em nenhum lado, mas há anos que desejava que Avril voltasse a incorporar guitarras elétricas nas baladas. Ela fazia-o nos seus primeiros álbuns – em músicas como I’m With You, Naked, My Happy Ending, Fall to Pieces, Slipped Away – mas, a partir de The Best Damn Thing deixou de fazê-lo. 

 

Uma vez mais, o instrumental de Dare to Love Me não é mau, o problema é a letra. Uma vez mais, Avril perde-se em lugares-comuns, não verte o seu carácter na música. Medo de ser abrir ao amor é assunto de inúmeras canções e quase todas – incluindo duas de que falarei mais à frente neste balanço – exploram melhor o tema. 

 

Love Sux teve uma edição Deluxe, lançada agora no fim de 2022. Acho que não ouvi Pity Party nem Mercury in Retrograde segunda vez, mas I’m a Mess é um caso à parte. Este dueto com Yungblud não se encaixa super bem no álbum. Começa guiada pela guitarra acústica, à qual se junta o piano até evoluir para uma grandiosa balada pop rock. A letra fala sobre saudade – é a terceira música, não, o terceiro single de Avril sobre este tema.

 

Ou seja, é mais uma canção que não traz nada de novo, quer em termos de letra, quer em termos de sonoridade. No entanto, na minha opinião, sempre tem um bocadinho mais de carácter e emoção que o resto de Love Sux. Gosto da imagem inicial da letra, das ruas vazias de Londres (suspeito que essa parte da letra tenha vindo de Yungblud, infelizmente). Nesta altura da carreira de Avril, eu aceito. 

 

O pior é que, na divulgação do single, Yungblud cortou o cabelo de Avril. Fica-lhe agora pouco acima dos ombros. Pela primeira vez na minha vida tenho o cabelo mais comprido do que Avril e… não gosto! O cabelo comprido era a imagem de marca dela!

 

 

No fundo, muitos dos problemas de Love Sux são uma continuação dos de Head Above Water: falta de profundidade, de originalidade, até mesmo os refrões circulares. Misturem isso com imaturidade, um som demasiado homogéneo e temos Love Sux. Este é o primeiro álbum em que nem uma única música me agarrou pelo coração – nem sequer posso dizer que gosto da maioria. Admito dar alguma rotação a Cannonball, Bite Me, All I Wanted no futuro, mas não vou incluir nenhuma música da edição-padrão de Love Sux na minha habitual playlist do ano. Não seria honesto. 

 

Eu compreendo o que alguns de vocês quererão dizer. Nunca estou satisfeita com nada. Aquando de Head Above Water disse que preferia que Avril não tentasse ser séria ou profunda e agora, que não está a fazê-lo, continuo a queixar-me. Talvez tenham razão. Talvez Avril já não me consiga agradar. A expressão que me ocorre não tem boa tradução em português: “I’ve outgrown her”.

 

Basicamente, tornei-me naquilo que nunca pensaria ser há uma década: um daqueles fãs que só gostam dos primeiros álbuns de Avril e das B-sides.

 

E por falar nisso…

 

Em 2022 assinalaram-se vinte anos desde a edição de Let Go, o primeiro álbum de Avril e ainda hoje o meu preferido dela. A propósito disso, o álbum foi re-editado e eu por acaso gostei muito do que fizeram nessa edição especial – ainda que com alguns asteriscos. Foi uma tarde de folga engraçada, a de 3 de junho – dia em que saiu a re-edição – tentando ouvir o álbum no carro, na versão gratuita do Spotify, enquanto andava de um lado para o outro fazendo recados.

 

Esta re-edição conseguiu captar o melhor de dois mundos. As músicas não foram regravadas, como fizeram Taylor Swift e Bryan Adams. São os mesmos vocais deliciosos do tempo de Let Go: mais graves, menos polidos, mais frágeis, com mais nuances. Avril nunca conseguiria recriá-los hoje em dia.

 

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Ao mesmo tempo, à semelhança das regravações, estas novas versões têm pormenores novos em número suficiente para dar uma nova vida às músicas. Os instrumentais e os vocais têm melhor qualidade, para começar. Além disso, incluíram elementos de algumas versões demo, o que é um bónus simpático para fãs mais hardcore como eu. Mobile e Tomorrow são os exemplos mais óbvios.

 

Infelizmente, não fizeram o mesmo com Naked, o que é uma pena. Teria adorado se o instrumental fosse mais parecido com o da versão demo

 

A re-edição também inclui conteúdo extra… mas não em quantidade suficiente, na minha opinião. 

 

Let Go tem uma data de B-sides que estão disponíveis na Internet há muitos anos – ainda que não nas plataformas oficiais. Segundo consta – as fontes não são super fidedignas – elas terão sido editadas num álbum promocional que terá sido enviado para as rádios no final de 2001. Esta edição de vigésimo aniversário teria sido a oportunidade ideal para lançar estas faixas oficialmente e em boa qualidade… e eles desperdiçaram-na.  

 

Tirando Make Up, cada uma das faixas-extra já tinha sido lançada oficialmente de uma forma ou de outra. I Don’t Give foi incluída nalgumas versões do single de Complicated (lembram-se de quando os singles incluíam faixas-extra?), teve apresentação ao vivo no DVD My World e faz parte da banda sonora do segundo filme do American Pie. Why (com uma roupagem diferente da edição de aniversário) também foi lançada com Complicated na Austrália e na Europa, em algumas versões de Let Go e no EP que acompanhou o DVD My World. Get Over It sai nalgumas versões do single de Sk8er Boi. Falling Down faz parte da banda sonora do filme Sweet Home Alabama. Finalmente, como será do conhecimento geral, Breakaway foi gravada e lançada por Kelly Clarkson.

 

 

Mas aproveito para falar sobre essas músicas. Como já escrevi antes, gosto da versão oficial de I Don’t Give, mas prefiro a versão ao vivo – a tal incluída no DVD My World. A faixa editada oficialmente é “limpa”, mas a que foi incluída no CD B-sides inclui o termo “shit” e era assim que Avril a cantava. A ideia que eu tenho é que I Don’t Give esteve quase quase a ser incluída na edição padrão de Let Go. Não chegou a sê-lo porque a mãe de Avril a terá vetado. Numa entrevista de 2006 que agora não consigo encontrar agora, lembro-me de ler Avril dizendo que a mãe não a deixara lançar uma música com os termos “damn” e “shit” em Let Go. Mas agora já não era adolescente e o seu próximo álbum – The Best Damn Thing – seria mais explícito. 

 

Avril não refere nenhum título, mas tenho quase a certeza que estava a falar de I Don’t Give.

 

Eu diria que a dona Judy não se devia ter metido. Por outro lado, se era para incluir I Don’t Give, teria de ser a versão mais pop punk – não sei se os produtores deixariam. 

 

Falling Down e Get Over It são OK. Gosto mais da primeira, um número acústico charmoso. A segunda tem uma letra demasiado estranha para o meu gosto. Também esta tem uma versão explícita, mas não da maneira convencional. Apenas trocaram “don’t turn around, ‘cause you’ll get punched in the face” por “don’t turn around, I’m sick and I’m tired of your face” – a primeira, se calhar, era demasiado violenta para as sensibilidades dos produtores.

 

Make Up também é OK. Não percebo porque, de todas as B-sides, escolheram esta para editar. Nada contra, claro, apenas gostava de saber o motivo.

 

Talvez seja pela ironia. Uma música sobre não usar maquilhagem quando o smokey eye se tornou rapidamente a sua imagem de marca, quando a própria Avril confessou ser viciada no eyeliner preto. Claro que Make Up é sobre maquilhagem metafórica. No início da sua carreira, um dos lemas de Avril era ser ela mesma, ser honesta com a sua música. Algo que ela perdeu pelo caminho, como assinalámos antes.

 

 

Uma palavra para Breakaway – a única que Avril gravou recentemente para esta reedição. Já tinha escrito sobre a música em 2014, quando apareceu na Internet uma demo na voz de Avril, gravada aquando dos trabalhos para Let Go.

 

Depois disso, Avril pareceu querer recuperar Breakaway – em 2019 cantou-a na digressão de Head Above Water. Na altura isso não me agradou muito: é uma versão muito mais leve de reclamar um filho que se deu para adoção. No entanto, Kelly Clarkson entrevistou Avril no seu programa e ambas fartaram-se de trocar elogios em relação a Breakaway – vale a pena ver, é bonito.

 

Se Kelly não se importa que Avril a cante, eu não tenho o direito de me importar. E fico à espera do dueto.

 

Quanto à versão de 2022 da Avril, não tenho muito a dizer. O instrumental tem um toque rock agradável e o desempenho vocal de Avril é irrepreensível. Gosto em particular dos backvocals no último refrão. 

 

No entanto, mantenho o que escrevi em 2014: Breakaway soa melhor na voz de uma menina de quinze ou dezasseis anos dando os primeiros passos no mundo da música. Definitivamente não na voz de uma mulher celebrando vinte anos de carreira. Continuo a preferir a versão demo. 

 

Por fim, temos Why. Esta em si não é inédita, mas esta versão é. Foi a grande surpresa desta edição de aniversário. Depois de anos e anos com uma versão só com guitarra em voz, temos Why com instrumentação completa.

 

 

Esta nova roupagem de Why teve um significado especial para mim pois tenho um histórico curioso com a música. Não sei se já o referi cá no blogue, mas adquiri o DVD My World antes de ter o Let Go. Recebi-o juntamente com o Under My Skin no Natal de 2004 – pensava que o My World era o primeiro álbum de Avril. Como ainda não tínhamos leitor de DVD na altura, dei mais atenção ao CD que o acompanhava, onde estava Why. Algures em fevereiro de 2005, andei brevemente obcecada com a música. Eu tinha quinze anos – a mesma idade que Avril tinha quando a compôs. 

 

Só anos mais tarde é que descobri a história por detrás de Why. Foi uma das primeiras compostas para Let Go, em parceria com Peter Zizzo, o produtor que a descobriu e a trouxe para Nova Iorque. No ano passado, em entrevista, Avril revelou que escreveu a letra de Why baseando-se em desentendimentos com a sua mãe. Zizzo tê-la-á persuadido a adaptar a letra a uma relação amorosa. 

 

Pena termos demorado vinte anos a obter esta informação mas, olhando para a letra, faz sentido. Why é claramente sobre falhas de comunicação.

 

Why foi também a música que Avril cantou para LA Reid na sua apresentação. Conseguiu-lhe o contrato com a Arista, mas também tê-la-á levado a assumir que ela tomaria um rumo mais folk.

 

A música resultaria bem com um arranjo nesse estilo, não tenho dúvidas. Mas aplicando-lhe o filtro Let Go, como nesta nova versão, ficou perfeita. Estou surpreendida por se ter mantido inédita durante vinte anos quando, lá está, inúmeros outras B-sides e demos vieram parar às internetes. E se tinham esta versão completa na gaveta, porque incluíram a versão só acústica no DVD My World, nos singles, etc? É que nem sequer se limitaram a pegar na versão só acústica e a acrescentar instrumentos. A nova versão tem uma gravação vocal diferente e é provável que tenha sido feita mais tarde, já com este instrumental na ideia. 

 

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É possível que esta versão tenha ficado inacabada por um motivo qualquer durante estes anos todos – e só a concluíram para o vigésimo aniversário. Talvez tenham achado preferível, antes, lançar uma versão só acústica em vez de uma com o instrumental incompleto nos singles e afins. É a única explicação que me ocorre. 

 

Em todo o caso, esta nova versão de Why reacendeu a minha obsessão pela música, mais de dezassete anos depois. Ficou em quinto lugar no meu top da Last FM e em décimo-terceiro no meu top do Spotify. É uma das minhas preferidas de 2022.

 

Eu queria mais disto na reedição de Let Go. Queria mais B-sides remasterizadas. Os fãs mais casuais de Avril mereciam ouvi-las nas plataformas oficiais.

 

Não porque essas B-sides sejam músicas excelentes, nada disso. As músicas da edição-padrão são melhores que a maioria destas B-sides – são pouquíssimas as que editaria em Let Go. As letras são inconsistentes, algumas não fazem sentido e/ou entram em territórios esquisitos. Mas essa bizarria tem o seu charme. Representa uma faceta diferente de Let Go, uma faceta que eu queria que mais fãs conhecessem – tal como eu fiz com a re-edição de Hybrid Theory e as faixas do baú das regravações de Taylor Swift. Além de que algumas destas canções mostram diferentes facetas de Avril, facetas que ela exploraria em trabalhos futuros. O lado mais romântico (Stay (Be the One), Once and For Real), o lado mais sábio (Move Your Little Self On), o lado mais brincalhão (Headset, Take Me Away).

 

Já que nem Avril nem a sua equipa fizeram justiça pelas B-sides de Let Go, fá-la-ei eu mesma. 

 

 

Até porque estas B-sides têm valor nostálgico para mim. Os primeiros vídeos que vi no YouTube, algures nos finais de 2006, foram de algumas destas canções – numa altura em que andava sedenta de música nova de Avril. Acho que na altura ainda usava uma ligação por telefone e vídeos de três minutos levavam eternidades a carregar. Ia ouvindo as canções um segundo ou dois de cada vez. Lembro-me de Headset, que tem uma introdução instrumental de quase trinta segundos, ser particularmente penosa.

 

Os jovens de hoje não aguentariam.

 

Claro que, entretanto, obtivemos uma ligação melhor. Fiquei a conhecer todas estas músicas entre 2006 e 2008, 2009. Foi uma alegria quando, finalmente, aprendi a sacá-las. A partir de certa altura comecei a montar vídeos para algumas delas, no Windows Movie Maker – claro que envelheceram pessimamente, mas hoje têm valor sentimental para mim.

 

Dito isto… modéstia à parte, a que fiz para Let Go continua boa.

 

Mas falemos sobre as músicas em si. All You Will Never Know é um tema agradável cuja letra parece uma precursora de Stop Standing There. A narradora está à espera que a pessoa de quem gosta retribua os seus sentimentos, tome a iniciativa, antes que ela perca o interesse. Ao mesmo tempo, Move Your Little Self On tem uma letra menos consistente, mas tem partes que parecem antecipar as mensagens de Everybody Hurts e Darlin’ (embora esta última, tecnicamente, tenha sido composta antes de Avril ter sido descoberta). 

 

Uma das que mais gosto é de Tomorrow You Didn’t, mais pelo instrumental, embora a letra até seja interessante. O padrão dos acordes de guitarra faz-me recordar Hot. Por outro lado, Take Me Away (sabiam que Avril tem duas músicas com este título? Alguns fãs chamam a esta Pick Me Up para distinguir.) é algo estranha: as estâncias têm uma sonoridade pop, estilo Complicated, o refrão e a terceira parte têm uma sonoridade mais agressiva, estilo Losing Grip. 

 

 

Pessoalmente gosto, mas não me choca se for demasiado bizarra para alguns ouvintes. De qualquer forma, o solo de guitarra é muito fixe.

 

A letra tem o seu quê de WTF – as estâncias encorajando o ouvinte a cometer atos que eu acho que são crimes – mas essencialmente Take Me Away transmite uma mensagem de carpe diem, um tema que Avril tornaria a abordar em músicas posteriores.

 

You Never Satisfy Meé uma que só comecei a apreciar há pouco tempo. A letra e o desempenho vocal são bons, nada a assinalar, mas este instrumental é mais interessante do que o da maioria das outras B-sides. Começando pelos teclados (ou sintetizadores?) na introdução, o órgão semelhante ao de Unwanted no refrão, o piano no penúltimo refrão e, sobretudo, o solo de guitarra acústica – quase parece guitarra espanhola. Nenhuma outra música de Avril tem algo assim. 

 

Falling into History é um caso curioso. É diferente de todas as outras em Let Go, B-sides ou não – a que mais se aproxima é Tomorrow e mesmo assim. É uma balada acústica cuja letra fala sobre “desapaixonar-se” (essa palavra existe?). 

 

Quando tinha dezanove anos passei por uma fase de obsessão com esta música. Quando lhe montei um vídeo (abaixo), o ritmo lento inspirou-me a experimentar outras funcionalidades do Windows Movie Maker – câmaras lentas, transições, fade ins, fade outs – o que me serviu de aprendizagem para vídeos futuros. E a verdade é que não conheceu outra música que aborde este tema – o fim de uma paixão – desta maneira.

 

Ainda gosto da canção, mas hoje reconheço que é um tudo nada lenta demais e a letra é demasiado madura para uma cantora e um álbum adolescente. A narradora de Falling into History parece uma mulher pós-divórcio, não uma menina de dezasseis ou dezassete anos lidando com as primeiras relações amorosas. 

 

 

Assim, não posso dizer que tenha sido uma surpresa descobrir, em pesquisas para este texto, que Avril não a compôs. Não existe muita informação fidedigna sobre os créditos destas B-sides, mas Falling into History é uma exceção – por motivos que explicarei já de seguida. Calculo que Falling into History tenha sido uma das canções, compostas por outros (um dos compositores é, uma vez mais, Peter Zizzo), que tentaram impôr a Avril quando queriam que ela seguisse um rumo mais folk.

 

Só acho estranho ter sido incluída no tal álbum de B-sides, entre outras músicas bem mais adequadas ao perfil de Avril. Suponho que quisessem mostrar que a jovem também conseguiria agradar a uma audiência mais adulta (como, de resto, I’m With you provaria, ainda que de uma forma mais genuína). 

 

Falling into History seria regravada uns anos mais tarde por Brie Larson. Sim, a atriz de Room e Capitã Marvel. Ela tentou aventurar-se no mundo da música em adolescente com o álbum Finally Out of P.E., que infelizmente foi um fracasso comercial. 

 

Consta que Brie passou por dificuldades semelhantes às de Avril. Teve de lutar contra a editora para ter liberdade criativa, para ser menos convencionalmente feminina – "Eu queria compôr todas as minhas canções, eles tinham medo disso. Eu queria calçar ténis e tocar guitarra – eles queriam saltos altos e cabelo esvoaçante."

 

Seria de esperar que a indústria tivesse aprendido com Avril e Let Go. 

 

Até gosto desta versão de Falling Into History. Está um bocadinho melhor produzida, com elementos discretos de pop rock. Mas Brie tinha quinze ou dezasseis anos quando gravou isto: continua a ser uma canção demasiado séria para uma adolescente. 

 

 

Mas regressemos a Avril. A última B-side sobre a qual quero escrever é a minha preferida (ainda que a nova versão de Why ameace esse título): Let Go, uma música com o mesmo título que o álbum.

 

A letra é OK, talvez um bocadinho estranha e específica demais nalguns momentos. A musicalidade é o que mais me atrai na canção. O instrumental tem os mesmos teclados (?) que aparecem em Naked. Mas o melhor mesmo são as melodias e a interpretação de Avril – Let Go é uma das melhores músicas para ouvir as forças do timbre de Avril nesta era. 

 

A minha parte preferida é o final, os backvocals nos últimos refrões e, sobretudo, no outro. Soa algo confuso, como se Avril tivesse decidido improvisar durante a gravação, mas ficou perfeita. 

 

Regressando à retrospetiva de 2022, tenho de falar de outras B-sides de Avril. De tanto em tanto tempo aparecem faixas rejeitadas de diferentes trabalhos dela – já escrevi sobre algumas aqui no blogue. Posso estar enganada, mas fiquei com a impressão de que apareceram mais do que o costume este ano – talvez por Avril ter lançado um álbum (bem… tecnicamente dois). 

 

Nem todas são grande coisa. Várias delas foram bem excluídas. Mas existem umas quantas que me agradaram particularmente.

 

Várias das B-sides que apareceram na net são dos trabalhos de Love Sux (saquem-nas aqui). Como disse antes, algumas delas poderão beneficiar de estarem fora do contexto do álbum. Um exemplo é Too Fast to Live. Outras, no entanto, acho mesmo que são um bocadinho melhores que as canções da edição padrão.

 

 

Uma das que mais gosto é Eternally. No que toca a canções de amor neste estilo, prefiro esta a Kiss Me Like the World is Ending. Avril canta esta última da mesma forma que canta todas as break-up songs no álbum – no contexto de Love Sux, se uma pessoa não estiver a prestar muita atenção, nem repara que Avril mudou o chip. Em Eternally, ao menos ela canta num tom diferente, mais semelhante a Dare to Love Me do que a Dejá Vu.

 

Outra de que gosto é Californyeah!. Antes de a ouvir, não tinha grandes expectativas porque o título é um bocadinho “cringe”. Surpreendeu-me pela positiva. 

 

Californyeah! é um dueto de Avril com Mod Sun. Tem uma sonoridade um bocadinho diferente do resto do cânone de Love Sux e a letra não é má. Fala sobre o início de um romance em, lá está, Califórnia. Eles deram-se ao trabalho de descrever cenários, mesmo não sendo super originais: ambos no carro (um cliché na discografia de Avril) pela Pacific Coast Highway à beira-mar, passeando na praia e enchendo a cama de areia (não sou muito obcecada por limpezas, mas isso faz-me imensa confusão). 

 

Esta definitivamente devia ter sido incluída na edição-padrão de Love Sux. É um dueto com o noivo dela, provavelmente sobre o início da relação deles! Porque é que a deixou de fora?

 

Teenage Nightmare também devia ter sido incluída em Love Sux – ou mesmo na re-edição de Let Go, por motivos que explicarei já de seguida. A sonoridade obedece à fórmula do álbum. A letra, no entanto, é a mais autobiográfica desta era: é literalmente uma autobiografia de Avril, um relato da sua chegada ao mundo da música. A sua jornada de adolescente rebelde a super-estrela.

 

Uma pessoa pergunta-se porque é que Avril não lançou oficialmente esta música, em ano de vigésimo aniversário da sua carreira – parece uma decisão óbvia. Pensando melhor, no entanto, talvez seja esse o problema: é demasiado óbvio, rasa a gabarolice. Compreende-se.

 

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Deixemos o cânone de Love Sux e entremos em territórios menos definidos. Fall into the Sky é um caso estranho dentro destas B-sides. O título já circulava na Internet há uns bons anos e, finalmente, no verão passado, tivemos acesso a ela. O pessoal do avrilmidia garante a pés juntos que esta é uma B-side de Let Go, mas eu não acredito neles. Este é claramente o timbre da era Under My Skin. Menos frágil, mais consistente que o de Let Go, mas ainda mais grave do que em álbuns posteriores. 

 

Em defesa deste pequeno desacordo, Fall into the Sky não se encaixa perfeitamente em nenhum álbum de Avril. A canção é conduzida por acordes rápidos de guitarra acústica, acompanhada por notas de guitarra elétrica e uma batida algo dançante. Lembra-me um pouco Tonight, dos Reamonn. Tem também um solo de guitarra muito fixe. 

 

Porque é que ninguém se lembrou de incluir solos de guitarra em Love Sux?

 

Em termos de letra, Fall into the Sky é uma precursora de Hot: sobre um parceiro que satisfaz a narradora. É erótica, mas de uma forma muito discreta, muito adolescente – Avril usa a expressão “when we’re making out”, “quando estamos a curtir”. Pode-se dizer a ouvintes mais puritanos que estamos apenas a falar de beijos, mas o resto de nós sabe que é mais do que isso.

 

De notar que já nesta altura Avril espera que o parceiro lhe dê prazer. Isto vários anos antes de ser considerado fixe, numa altura em que a comunicação social a pintava como mais púdica que as Britney Spears desta vida. Daquelas coisas dos anos 2000 que não deixaram saudades.

 

Esta não levo a mal não ter sido editada oficialmente. Como disse antes, parece ter sido composta e gravada durante os trabalhos de Under My Skin, mas não se encaixaria de todo neste álbum – é demasiado leve, demasiado pop. Mesmo não sendo demasiado sexy,  continua a ser demais para Let Go. Em relação a álbuns posteriores, é demasiado adolescente. 

 

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Além disso, se tivesse sido editada antes do The Best Damn Thing, teria estragado o impacto de Hot – que continua a ser a melhor canção. 

 

Ainda assim, podia ter sido cedida a outro cantor. Só para não desperdiçar. 

 

Queria agora referir duas B-sides de Head Above Water. Lights Out é uma balada agradável, ao estilo de Warrior ou da própria Head Above Water. Gosto mas, lá está, é demasiado parecida com essas duas músicas, ainda que a letra seja um bocadinho menos cliché. Continuo a preferir Bright

 

E, de qualquer forma, mantenho o que escrevi antes: preferia que a redundância temática de Head Above Water fosse com músicas como esta.

 

Por sua vez, Lucky Ones é uma balada acústica razoavelmente interessante em termos de letra. É uma break up song, possivelmente sobre o seu divórcio de Chad Kroeger, o seu segundo marido. Uma vez mais, a letra não é super original, mas tem algum carácter. Pintam-se cenários de solidão, para começar – “Now it’s just me getting take out for one”. Além disso, se for um reflexo honesto dos sentimentos de Avril, sempre revela a sua perspetiva sobre o amor: não dura para sempre, mas ela pensava que aquilo seria a exceção. 

 

E isto é mais interessante que a totalidade de Love Sux.

 

 

Agora vamos inverter a coisa e passar de uma música que poderá ser sobre o fim do casamento Chavril, para uma sobre o início do casamento Chavril. Durante a era do álbum homónimo, altura em que se casaram, tanto Avril como Chad falaram dela nalgumas entrevistas: If I Said I Loved You, uma canção que compuseram depois de terem começado a namorar. Ou se calhar depois do noivado, que, recordemo-nos, ocorreu ao fim de um mês de relação. Acabou por ser a música do casamento deles. 

 

Na altura, Avril disse que planeava lançar oficialmente If I Said I Loved You no futuro. No entanto, o casamento terminou antes que houvesse oportunidade para isso. E agora, mais ou menos uma década depois de ter sido gravada, apareceu nas internetes. 

 

If I Said I Loved You é mais ou menos o que eu esperava. É uma música bonita, uma balada com discretos traços de rock que encaixa bem no cânone de ambos. Nem a musicalidade nem a letra desafiam convenções, mas têm emoção e personalidade q.b. Sabem como sou, não resisto a uma canção de amor com um bocadinho de sentimento e honestidade.

 

Mas fico triste por só a termos conhecido agora, dez anos depois, quando eles se divorciaram há muito e ela está noiva de outro homem.

 

E, apesar de tudo, não diria que If I Said I Loved You é melhor que Let Me Go – o dueto entre Avril e Chad que foi de facto publicado. A primeira está um degrau acima em termos de letra, mas a segunda é mais interessante em termos de sonoridade. Representou um território diferente para Avril na altura.

 

As duas estão mais ou menos ao mesmo nível.

 

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E era sobre isto que queria falar no que toca a Avril Lavigne em 2022. É um bocadinho triste ter falado mais sobre B-sides num balanço anual, mas é o que temos. Apesar de tudo, mesmo que Avril já não seja a minha número um, não conheço mais nenhuma carreira tão a fundo como a dela. 

 

E provavelmente nunca conhecerei. Já não tenho a disponibilidade que tinha há dez ou quinze anos para procurar cada música inédita, ver cada vídeo de má qualidade no YouTube, consultar arquivos de entrevistas antigas, de outro artista ou banda. Mesmo as B-sides de Avril que vazaram este ano vieram de contas de redes sociais que já sigo – não foram músicas que eu tenha procurado ativamente. Mas que já acumulei todo este conhecimento secreto, mais vale partilhá-lo. 

 

Por estes dias, Avril tem falado em lançar um novo álbum em 2023. Conhecendo-a como conheço, acho mais sensato contarmos com ele lá para 2024, com sorte – e já seria mais rápido do que o costume com ela. Para ser sincera, depois de dois álbuns que não me entusiasmaram, Love Sux em particular, não tenho pressa.

 

Claro que, como minha mãe musical, irei sempre dar-lhe o benefício da dúvida. É a única obrigação de qualquer fã. 

 

Tenho ainda o concerto dela em Zurique, parte da digressão europeia. Este é o quarto balanço anual seguido em que o refiro. A incapacidade de nós, fãs portugueses, vermos um concerto desta mulher vai muito além de caricata. 

 

Este último adiamento foi desnecessário, na minha opinião. Eu tinha acabado de ver Bryan Adams, usara máscara, e correra tudo bem. Podia-se perfeitamente ter feito o mesmo com os concertos da Avril. Para quê adiar outra vez?

 

Em princípio deverá ser desta, que já vivemos em quase normalidade. Quando virmos Avril subindo ao palco com os nossos próprios olhos até acharemos que é mentira. Mas há de valer a pena – nem que seja apenas para cantar os velhos êxitos em coro com milhares de outras pessoas.

 

E foi esta a segunda parte deste balanço musical. A próxima parte será mais curta e será também um desvio ligeiro à fórmula habitual. A boa notícia é que já terminei o primeiro rascunho, será só passá-la a computador, o que não deverá demorar muito. Obrigada pela vossa paciência. Continuem por aí. 

Avril Lavigne - Let Go (2002)

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Hoje completam-se treze anos desde que saiu Let Go, o álbum que apresentou Avril Lavigne ao mundo e que revolucionou a música pop. É também o meu álbum preferido da Avril e um dos meus preferidos de todos os tempos.

 

Avril cresceu em Napanee, no estado de Ontário, no Canadá. Foi descoberta aos quinze anos - depois de muitos anos cantando em público na igreja da sua terra, em diversas feiras e festas locais, de ter cantado nos álbuns do cantor de folk local Stephen Medd, e de ter ganho um concurso para um dueto em palco com Shania Twain - por diversos produtores, entre os quais Peter Zizzo (com quem colaboraria na composição para Let Go). Este convidou-a para vir a Nova Iorque, onde seria apresentada a Antonio LA Reid, na altura presidente da Arista Records. Nessa lendária reunião, Avril cantou Why, uma canção que compusera com Zizzo. LA terá sido um dos primeiros a quem a voz da cantautora canadiana acabou com o mau humor que sentia na altura. Nesse mesmo dia, Avril assinaria um contrato de dois discos com a Arista.

 

Mesmo assim, os primeiros tempos não terão sido fáceis. A ideia da gravadora era colocá-la a cantar músicas mais folk (pergunto-me se foi assim que surgiu Breakaway), compostas por outras pessoas, algo que Avril recusou quando, ainda por cima, acabara de descobrir o rock. Eventualmente, colocaram-na a trabalhar com Cliff Magness, com quem obteve maior controlo criativo. A parceria resultou em músicas como Losing Grip e Unwanted, pouco comerciais, o que deixou a gravadora à beira de um ataque de nervos. Por fim, a equipa de compositores The Matrix acolheu-a, compreendeu que o rock era o estilo mais consistente com a atitude de Avril, mas sempre com o cuidado de não se desviar demasiado do espectro do pop. No primeiro dia de trabalho compuseram Complicated e o resto é História.

 

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Há que dizer que muito do sucesso de Let Go se deveu ao retrato que a Comunicação Social traçou dela: a Sk8er Girl, a anti-Britney, a menina rebelde, a princesa do punk, etc. Eu admito que essa imagem foi uma das coisas que me atraiu para a Avril e para a música dela e não fui a única. Mas obviamente as pessoas são mais complicadas do que isso. A própria Avril, na altura, não gostava de ser encarada como um produto que era necessário vender e quando ela cresceu para além desses rótulos todos, todos se atiraram ao ar.

 

Depois temos velha questão sobre se ela é pop ou rock. Avril gosta de referir-se a si mesmo como roqueira, mas muitos não concordam, defendem que ela foi sempre pop. Eu confesso que me ralo cada vez menos com essas questões, prefiro focar-me na música em si.

 

Passemos então à análise do álbum. Let Go é um disco bastante eclético, com faixas abordando diferentes temas e emoções (alegria, tristeza, raiva, frustração, determinação, insegurança, vulnerabilidade, rebeldia...). É um álbum exploratório, como seria de esperar de um estreante, que mostra diferentes facetas da Avril - nos três álbuns que se seguiram a Let Go, a cantautora escolheria uma faceta em particular para cada álbum. De uma maneira geral, os temas são adolescentes, mas outros não são assim tão juvenis quanto muitos assumem. Ao mesmo tempo, existe uma certa homogeneidade nos arranjos musicais, o que confere consistência ao álbum. São raros os discos que conseguem fazer isso: serem consistentes sem se tornarem monótonos, serem diversificados sem serem demasiado heterogéneos, ou sem surgirem os inevitáveis outliers (embora haja quem diga que Sk8er Boi seja um outlier).

 

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Este álbum tem, ainda, a minha voz preferida da Avril. Um dos aspetos mais interessantes da carreira da cantautora cananiana diz respeito às mudanças no timbre da voz dela a cada álbum. Em Under My Skin, os seus vocais são firmes, cheios de personalidade, quase à maria-rapaz, condizendo com um álbum fortemente roqueiro. Em The Best Damn Thing, eles soam muito diferentes: agudos, um bocadinho esganiçados, fazendo lembrar uma menina mimada mascando pastilha elástica, mesmo a ver com músicas como Girlfriend. Em Goodbye Lullaby, os vocais estão menos esganiçados, mais amadurecidos, compatíveis com um álbum mais intimista. Em comparação com estes álbuns, há quem diga que os vocais de Let Go são ainda pouco firmes, imaturos, mas eu não o vejo como uma falha. Pelo contrário, considero que a voz inocente de Avril é adequadíssima a este género de álbum. Ainda que essa inocência nunca tenha desaparecido da voz dela, tenho saudades das nuances que nunca mais surgiram na música da Avril, tal como julgo já ter dito antes aqui no blogue.

 

Nestas críticas que tenho feito a álbuns, costumo começar pelas minhas faixas preferidas. Com este álbum, vai ser difícil pois, ao longo destes dez anos que passaram desde a primeira vez que ouvi o CD, praticamente todas as músicas estiveram entre as minhas preferidas, numa altura ou noutra.

 

Recentemente, uma música que tem tido um significado especial para mim é Mobile. Já falei sobre ela aqui no blogue, mas a verdade é que a canção ganhou novo significado quando vivi sozinha pela primeira vez e andei aos saltos entre Lisboa e Évora, durante o meu estágio. Mobile é uma das músicas mais populares de Let Go, o que não é de surpreender. Para além de ter uma melodia extremamente cativante, é uma música sobre, como se diz agora, "coming of age", com que toda a gente se identifica a certa altura na sua vida.

 

 

 

 

Também já falei sobre Naked. Outra que sempre esteve entre as minhas favoritas é Nobody's Fool. Esta é uma daquelas faixas que, na minha opinião, define muito bem a Avril, em particular durante os primeiros anos da sua carreira. Nesta música, Avril canta em rap por cima de uma sonoridade pop rock, uma combinação que resulta surpreendentemente bem. Só o rap seria suficiente para dar personalidade à canção. Essa personalidade reforçada pela letra, que fala de recusa em abdicar dos seus princípios, da sua personalidade - uma clara referência à sua luta, durante os primeiros anos da sua carreira, para que a sua imagem e estilo não fossem alterados por motivos comerciais. A mensagem de Nobody's Fool marcou-me fortemente entre os quinze e os dezasseis anos (tive uma fase em que escrevinhava os versos desta música em todo o lado). É, de resto, uma boa mensagem para jovens nessas idades, sobretudo quando, em contexto escolar, qualquer miúdo que revele ter personalidade própria corre o risco de ser vítima de bullying (mais sobre isso um dia destes).

 

Things I'll Never Say também foi uma das minhas preferidas entre os quinze e os dezasseis anos. É uma canção de amor muito alegre, reforçada pela guitarra acústica e pelos "la da da da" que se tornam a imagem de marca da faixa. Existe uma versão alternativa desta música, mais rock, mas que não funciona tão bem precisamente por não ter estes elementos. A letra da canção descreve muito bem uma paixoneta de menina de quinze anos, que fica nervosa por se encontrar com o objeto da sua afeição, sonhando estar com ele a toda a hora. É um lado que a Avril, na altura - como ela mesma o admite na música - não gostava de mostrar. Destacaria, ainda, um par de trocadilhos sexuais no refrão que eu, felizmente, só compreendi vários anos depois de ouvir a música pela primeira vez. 

 

Um aspeto que Let Go partilha com o álbum Reckless, de Bryan Adams, é o facto de os seus singles serem intocáveis, estarem acima de toda a crítica, pela parte que me toca. O primeiro single foi Complicated, que dispensa apresentações e, muito sinceramente, é uma das melhores canções pop de todos os tempos, ponto. Foi uma das primeiras músicas que conheci dela e tem andado sempre nos lugares cimeiros do meu top de canções da Avril. Com o tempo, aliás, tenho reparado melhor em alguns pormenores, tais como o sotaque canadiano (reparem na maneira como ela pronuncia "laugh out", "pose", "clothes") e as nuances na voz dela. É uma música que, apesar de falar de frustração, é alegre e divertidíssima de cantar, mesmo passados estes anos todos.

 

 

 

Outra que dispensa apresentações e é uma diversão do princípio ao fim é Sk8er Boit. Já na crítica a Reckless tinha-a comparado a Summer of 69 pelo seu carácter narrativo, pelas guitarras que se tornaram icónicas, pela estrutura semelhante, pelo protagonista que toca guitarra. A letra é igualmente icónica, daquelas que de tão má se torna boa, contribuindo para a graça - confessem, isto não teria a mesma piada sem o "he was a boi, she was a girl"! A história que conta é um típico cliché de liceu americano (daí que não me interesse particularmente o filme baseado na música de que se fala de vez em quando), embora se possa argumentar que o Sk8er Boi podia ser a própria Avril - afinal, aquando de Let Go, ela usava calças largas, andava de skate e tornou-se uma estrela de rock. De qualquer forma, mesmo passados estes anos todos, mesmo já muito depois de a Avril ter largado o visual de Sk8er Girl, Sk8er Boi continua a ser, e sê-lo-á para sempre, a faixa-símbolo da Avril Lavigne.

 

I'm With You, tal como já dei a entender amiudadas vezes aqui no blogue, foi a primeira música que conheci da Avril - completar-se-ão doze anos algures em agosto próximo - e é uma das minhas preferidas de todos os tempos. Numa altura em que ouvia bastante música na rádio e gostava (e hoje odeio...), I'm With You ficou-me no subconsciente. Meses mais tarde, quando eu saía das aulas depois das seis (já de noite) e ia alguém buscar-me à escola, dava por mim a cantar "Isn't anyone trying to find me? Won't somebody come take me home?"

 

Como muitas vezes acontece, com o tempo a canção foi ganhando novos significados, novos simbolismos - para além da menina solitária na noite que encontra um desconhecido. Já falei de um deles aqui. A noite fria pode simbolizar muitas coisas: uma depressão, uma vida sem sentido. I'm With You pode falar de procura de consolo, tendo mesmo uma leve mensagem de esperança, de um salto de fé (traduzido à letra uma expressão inglesa muito conhecida) - na medida em que a narradora decide confiar num estranho. Estranho esse que pode ser literal ou apenas alguém cuja história é ainda desconhecida. 

 

 

Losing Grip é o quarto single de Let Go, mas não se insere na mesma categoria que os outros três singles. No início da sua carreira, Avril falava dela como a sua preferida. No meu caso, foi uma daquelas canções de que só comecei a gostar verdadeiramente depois de começar a ouvir música mais pesada. É uma faixa rock, começa relativamente suave mas depois revela um refrão explosivo. Como o costume, apesar da letra imperfeita, Avril consegue transparecer na perfeição todas as emoções que sente: vulnerabilidade, desilusão, tristeza, raiva. Losing Grip fala de amor não correspondido, supostamente sobre um antigo namorado de Avril que não a terá tratado como deve ser. Pergunto-me se terá sido esse desgraçado que, segundo a própria Avril, ficou com as orelhas a arder depois de ouvir a música dela e telefonou-lhe a pedir desculpa.

 

Avril Lavigne: vingando-se musicalmente dos ex muito antes de aparecer a Taylor Swift! 

 

Unwanted tem uma sonoridade semelhante a Losing Grip, embora um tudo nada mais agressiva e com teclados mais evidentes. Unwanted fala, como o nome indica, de rejeição. À primeira vista, pensar-se-ia numa história semelhante à de Losing Grip; no entanto, já falei com fãs que dizem que esta música fazia-lhes lembrar o relacionamento com os seus pais. Por sinal, há relativamente pouco tempo, descobrir que Avril escreveu a letra de Unwanted sobre os pais de um namorado que não gostavam dela. A semelhança do que acontece com algumas músicas de Under My Skin, não me importava se Avril regressasse a este estilo musical.

 

Tomorrow é, à parte os singles, uma das músicas mais populares de Let Go. É também uma das mais tocadas ao vivo pela Avril , embora, na minha opinião, nenhuma dessas atuações roce a beleza da versão original. Sobretudo porque, aqui, a voz ainda inocente da Avril, cheia de nuances, assenta na perfeição e os backvocals foram muito bem colocados, dando um tom etéreo à canção. A letra, que fala de insegurança, deixa algo a desejar (mais uma vez, ela não consegue ser mais subtil que "tomorrow is a different day"), embora a simplicidade até combine com o tema e os vocais puros.

 

 

 

Anything But Ordinary foi uma das músicas que mais me agradou quando ouvi Let Go pela primeira vez. É outra música que simboliza bem uma faceta da Avril: neste caso, o gosto pela adrenalina ao invés de jogar pelo seguro. Algo que partilharia com muitos outros adolescentes, para o melhor e para o pior. Tem provavelmente a melodia mais pop de todo o álbum mais fácil de gostar. Talvez por isso, terá sido considerada para single - fico feliz por terem mudado de ideias por acho que o público cansar-se-ia de Anything But Ordinary do que se cansaram de Complicated. Do mesmo modo, Anything But Ordinary teria sido o título do álbum, se Avril não tivesse insistido em Let Go - mais sobre isso adiante. Mesmo assim, não deixou de ser uma expressão muito associada a Avril durante os primeiros anos da sua carreira.

 

Em My World - outra das mais pop de todo o álbum, com uma sonoridade alegre - Avril fala sobre a sua juventude em Napanee, ainda que a letra esteja longe de ser perfeita. Segundo um rumor que li na Internet, Avril teria composto parte da canção durante uma aula - provavelmente o refrão, que fala sobre sonhar acordado.

 

Too Much to Ask é a faixa de que gosto menos em Let Go. É uma balada com algumas semelhanças a I'm With You, cuja letra foi inspirada numa paixoneta de verão de Avril não correspondida. Não é má, atenção, é uma audição tão agradável como qualquer outra neste álbum. No entanto, é mais uma break-up song entre muitas na discografia da Avril e nem é das mais interessantes. Entre as b-sides de Let Go (muitas estão disponíveis na Internet) pelo menos meia dúzia delas são melhores que Too Much to Ask. A minha preferida é a que partilha o nome com este álbum.

 

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Conforme disse antes, Anything But Ordinary chegou a ser considerado para título deste álbum. Também funcionaria, pela maneira como Avril se destacava do resto da música, rompendo com os dogmas da pop da altura, abrindo caminho a outras cantoras para se expressarem através do rock. Chegava a ser irritante: sempre que alguma cantora tinha guitarra elétrica na sua música, gritava-se logo "Avril Lavigne!". 

 

No entanto, faz sentido que Avril tenha feito questão de chamar ao seu álbum Let Go. Não tanto pelo tema das músicas em si, mais pelo significado que o disco teve na sua vida. Tal como afirmei na crítica a Goodbye Lullaby, o primeiro álbum de Avril Lavigne marcou o início de um novo capítulo na sua vida. O título Let Go refere-se a tudo o que ela teve de abdicar para realizar o seu sonho. Tal como referi anteriormente, aquando de Let Go, Avril estava ainda a tentar adaptar-se ao mundo do espetáculo, à vida caótica, ao escrutínio incessante da Comunicação Social, etc. Hoje, treze anos depois, tem cinco álbuns lançados. Pelo meio, participou nalguns filmes, lançou uma linha de roupa, três perfumes e criou a sua própria Fundação (que já tem um hino e tudo). Infelizmente, a sua carreira foi perdendo relevância e mesmo a originalidade que caracteriza Let Go, o que pode ser desanimador. De qualquer forma, ela sempre deu a entender que, enquanto puder, continuará a criar música. Enquanto for capaz de se manter fazendo aquilo que mais gosta, não tem motivo para desistir. Pode ser que recupere o arrojo que perdeu com o seu quinto álbum e, mesmo, que volte a ter um êxito semelhante aos seus primeiros tempos.

 

Pela parte que me toca, mesmo numa altura em que já não venero a música dela da maneira que venerava há uns anos, Avril Lavigne continua a ser a artista cuja carreira conheço melhor - ainda que comece a gostar mais de outros artistas, não tenho pachorra para me inteirar de cada pormenor do trabalho deles, da maneira como me tenho inteirado do trabalho de Avril. E, claro, como já referi imensas vezes, a mulher tem conseguido deixar-me presa à música dela para lá do racional, ao longo destes anos todos. Portanto, como podem calcular, enquanto Avril Lavigne continuar a lançar música, eu estarei aqui. 

Músicas Ao Calhas - Naked e similares

Já faz algum tempo desde a última vez que falei de um tema de Avril Lavigne numa entrada de Músicas ao Calhas. Hoje quero falar daquela que tem sido, de maneira constante desde as primeiras audições, uma das minhas músicas preferidas da cantautora canadiana - mas cujo significado demorei alguns anos a compreender. E tal como fiz com Innocence e Nobody's Home, falarei também de músicas que abordam temas semelhantes.
 

 
"You see right through me and I can't hide"
 
Naked é uma balada rock, proveniente do primeiro álbum de Avril Lavigne, Let Go. Começa com notas de órgão - que se tornam a marca da música - seguida da guitarra acústica que a conduz. Depressa se juntam a bateria e a guitarra elétrica, no refrão. A terceira parte da música é indubitavelmente a melhor, a mais emocionante, com os vários instrumentos soltando-se e os vocais extremamente expressivos de Avril, terminando apenas com a voz dela e a guitarra acústica. Referir, rapidamente, que nas versões ao vivo, acrescentava-se um solo de guitarra, que também fica muito bem.
 
A letra de Naked fala de intimidade, da liberdade de se ser quem verdadeiramente é junto da pessoa que se ama. Fala de aceitação, de ausência de segredos, de muros. De uma nudez em termos emocionais, em suma. No entanto, também é legítimo atribuir um carácter sexual à letra. Na minha opinião, ele existe, mas de uma maneira muito romântica. No fundo, em Naked há uma mistura única de romantismo, intimidade, inocência e erotismo, revelando-se uma canção muito emotiva e surpreendentemente madura, se tivermos em conta que a Avril a terá composto quando tinha dezasseis ou dezassete anos.
 
A interpretação vocal da cantautora transmite bem esse carácter híbrido da música. A voz dela em todo o álbum Let Go, de resto, é a minha preferida de todos os discos dela até ao momento. No seu álbum de estreia, esta surge muito pura, com nuances que nunca mais conseguiu repetir. Tal voz funciona muito bem em Naked. Regressando à terceira parte da música, gosto muito dos yeah-yeah-yeah, dos through que se prolongam com os backvocals por detrás mas, sobretudo, aquele baby mesmo no final, extremamente expressivo e perfeito.


Existe uma versão demo da música, naturalmente com menos qualidade que a versão final, incluída no álbum. Esta possui, no entanto, algo que, na minha opinião, ficou a faltar na versão do disco: uma secção de violinos - embora estes estejam presentes na versão instrumental da música. Em termos de interpretação vocal, fazem falta vários elementos, como os yeah-yeah-yeah e o baby no fim. De uma maneira geral, a interpretação está bem melhor na versão definitiva. No entanto, vale a pena ouvir este demo, tanto pela curiosidade como pelo instrumental.

Entre as músicas com temas similares a Naked que escolhi para esta entrada, encontram-se dois temas de Bryan Adams. Um deles é She's Got A Way.



"Such a mystery, how she seems to know, every part of me"
 
She's Got a Way faz parte de 11, o último álbum de estúdio do cantautor canadiano, sendo uma das minhas canções preferidas deste disco. A letra fala de alguém com quem não é possível mentir ou fingir, que nos conhece demasiado bem e nos deixa completamente desarmados. Esta canção tem versões diferentes - uma com mais guitarra elétrica e um remix, por Chicane (que já tinha feito a sua versão de Cloud Number Nine) - mas só gosto da que vem no álbum original. A do vídeo acima é muito semelhante. A sonoridade está de acordo com o próprio conceito do álbum: guitarras discretas, com solos que funcionam como segunda voz, piano, bateria suave. E a interpretação de Bryan, suave, terna como só ele sabe fazer, combina perfeitamente com a letra.
 

"I wanna know you like I know myself"

A segunda canção de Bryan Adams deste grupo é Inside Out, do álbum On a Day Like Today - embora a tenha ouvido pela primeira vez na compilação The Best of Me, há já onze anos. Esta tem uma sonoridade grave e intimista, proporcionada por notas de órgão, baixo, guitarra elétrica. A letra que expressa a vontade de saber tudo sobre a amada, conhecê-la a fundo, ser íntimo dela. Sempre considerei Inside Out uma música extremamente tocante, ao ponto de, durante os primeiros anos, me fazer frequentemente chorar quando a ouvia - não sei bem explicar porquê.

 
"You see all my light, 
And you love my dark"

 Passemos agora a Everything, uma das primeiras canções que conheci de Alanis Morissette, há dez anos. Já afirmei anteriormente que o carácter que Alanis expressa na sua música - personalidade forte, politicamente incorreta, terra-a-terra sem deixar de ter uma faceta espiritual - me recorda a minha personagem principal feminina, Bia. Everything vai nessa linha, pela maneira como a narradora descreve, sem pudores nem eufemismos, todos os seus defeitos e virtudes e a maneira como o seu amado está ciente de tudo isso e, em vez de a criticar ou de se afastar, ainda a ama mais por isso. Quanto à sonoridade, não há muito a dizer: é o típico rock ligeiro de Alanis.


"But no one in this world knows me the way you know me
So you'll porbably always have a spell on me..."

A última música de que quero falar nesta entrada é Hate that I Love You, de Rihanna e Ne-Yo. Não sou fã desta cantora, gosto de meia dúzia de singles dela - que não é ela a compôr - e detesto uns quantos outros. Hate that I Love You é, provavelmente, a minha favorita dela. Em termos de sonoridade, é uma típica balada R&B, guiada pela guitarra acústica, ritmada por batidas, bastante agradável e adequada à temática da canção. Em termos de interpretação vocal, nada a assinalar. Posso não ter grande opinião acerca de Rihanna e da sua carreira, mas ela canta bem. A letra é mais profunda que a maioria das canções de Rihanna. Fala sobre alguém que nos conhece a fundo e que amamos, talvez contra vontade, ao ponto de ficarmos completamente à mercê dessa pessoa e vermos isso usado contra nós.

Todas estas canções, à sua maneira, mostram que amar implica sinceridade, baixar as defesas, permitirmo-nos ser vulneráveis, abandonarmo-nos em mãos alheias, correndo o risco de sairmos magoados. Pode ser uma maldição, pode mudar-nos mais do que desejaríamos, para melhor ou para pior. Isto é um dos motivos pelos quais, tal como afirmei anteriormente, apesar da minha costela romântica, me sinto tão relutante em apaixonar-me a sério. Não consigo imaginar-me expondo-me dessa maneira perante qualquer um... ou qualquer uma. No entanto, a ver se mantenho essa convicção se ou quando cair nessa armadilha.

 

O meu interesse pela carreira de Avril Lavigne já não é o que era há uns anos, por diversos motivos. Por o seu mais recente álbum não me ter entusiasmado por aí além e por, neste momento, andar mais interessada noutros artistas. Poucas notícias relevantes têm surgido sobre a Avril, este ano. A cantautora esteve em digressão pela Ásia, nos últimos meses mas, pelo que tenho visto em fotografias e vídeos do YouTube - o que não é muito, admito - o conceito tem sido muito semelhante ao da digressão anterior, The Black Star Tour. Pior do que tudo, anda a faltar-lhe presença em palco. Tal lacuna tem-se tornado mais evidente para mim agora, que estou mais familiarizada com o desempenho em palco de artistas como Hayley Williams dos Paramore, Mike e Chester dos Linkin Park, e Sharon dos Within Temptation.

Por outro lado, os próximos singles do seu álbum homónimo foram anunciados recentemente. Em primeiro lugar, Hello Kitty será lançada na Ásia, uma jogada que considero inteligente. A música é, por várias razões, perfeita para o mercado asiático - noutros mercados, contudo, o resultado seria demasiado imprevisível. Esta acaba por ser a solução ideal: por um lado, eu não queria, de todo, ter Hello Kitty como single. Por outro, não podia deixar de reconhecer que a canção tem um certo potencial que não seria sensato desperdiçar. Com esta decisão, toda a gente ganha.

Mas ainda quero ver o que fazem com o videoclipe. Estou com um bocadinho de medo...

Entretanto, Avril anunciou, também, que Give You What You Like será lançada como single a nível mundial. Já se especulava há algumas semanas que a escolha para o quarto single, sem ser Hello Kitty, seria entre Bad Girl e esta música. Mais uma vez, fiquei contente com a decisão tomada. Apesar de gostar muito de Bad Girl, para a rádio esta seria demasiado agressiva e... explícita. Give You What You Like é bem mais adequada, na minha opinião. É uma das melhores do quinto álbum, tanto em termos musicais como de letra, uma das mais amadurecidas.

É, aliás, interessante compararmos Naked com Give You What You Like: uma das músicas mais antigas com uma das mais recentes, duas canções que abordam temas parecidos mas de maneiras bem distintas.

Por muito de goste de várias músicas do álbum Avril Lavigne, canções anteriores a esse disco são bem mais marcantes. Em particular as mais clássicas, como Naked, as que me fizeram apaixonar por Avril e que continuam a ter o mesmo impacto de sempre. Ou mesmo maior pois, à medida que vou amadurecendo, conhecendo música nova, vou ficando cada vez mais ciente da genialidade destes primeiros temas, descobrindo outros motivos para adorá-los. É por isso, também, que ainda não desisto de Avril Lavigne - por ainda ter a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, torne a lançar músicas que me surpreendam pela positiva.

Músicas Ao Calhas: Mobile

Depois de várias Músicas Ao Calhas, já estava na altura de falar de uma música da minha cantora preferida, Avril Lavigne. A discografia da cantautora canadiana inclui várias faixas que dão pano para mangas pelos motivos citados AQUI e mais alguns ainda. Começarei por Mobile, do álbum Let Go, o primeiro da cantora.


 



 
 
Everything's changing!
When I turn around,
All out of my control
I'm a mobile

 
Um facto completamente irrelevante para o caso: Mobile foi a primeira música que ouvi no meu primeiro leitor de MP3, que recebi aquando do meu décimo-sexto aniversário.

 
Let Go é o meu álbum preferido de Avril Lavigne por vários motivos. Um dos quais é o facto de cada uma das músicas ser fortemente icónica, fortemente representativa da personalidade e/ou da vida da Avril. Mobile é um dos exemplos mais significativos disso.

 
O único defeito da música é a letra estar construída um pouco às três pancadas. As letras nunca foram o ponto forte da música da Avril, as suas forças residem mais nas melodias e na emoção. Isto, de resto, contradiz aqueles rumores ocasionais de que a cantora não participa na composição das suas faixas - é muito mais provável uma rapariga de dezasseis anos, saída da escola, tenha escrito esta letra do que um experiente produtor de música.

Em termos musicais, Mobile está dentro da sonoridade predominante em Let Go: guiada pela guitarra acústica, a que se juntam guitarras elétricas no refrão. A melodia é forte, contagiante, como, de resto, quase todas as músicas da Avril. A terceira parte da música, que inclui o terceiro verso, o solo de guitarra, o refrão incompleto e os "la la la"'s, é a minha preferida.




Avril criou esta música inspirando-se na grande e súbita volta que a sua vida deu quando, aos dezasseis anos, assinou o seu primeiro contrato de gravação com a Arista Records, mudando-se, consequentemente, para Nova Iorque e, mais tarde, para Los Angeles, para gravar um disco - uma mudança que ela nem sequer compreendia na sua totalidade. Ela refere-o várias vezes em entrevistas: no início da sua carreira era muito ingénua, não se apercebia da sorte que tinha por ter conseguido assinar com Anthony L.A. Reid, por ter lançado o seu álbum de estreia aos dezassete anos e por os primeiros três singles deste disco (Complicated, Sk8er Boi, I'm With You) terem sido sucessos estrondosos.
 
Toda a gente passa por uma mudança deste género na passagem para a vida adulta, por essa montanha-russa de emoções contraditórias mas poucas são tão grandes e tão precoces como aquela por que a Avril passou. E ainda a procissão ia no adro aquando da criação de Mobile. Quando Avril a compôs, pensava apenas na mudança de Napanee, a sua terra natal, para Nova Iorque e, depois, Los Angeles. Dentro de um ano ou dois, a jovem tornar-se-ia conhecida por todo o planeta, com todas as vantagens e desvantagens desse estatuto, entraria em digressão pelo Mundo inteiro, demorando algum tempo a adaptar-se a essa vida.  De certa forma, Mobile acabou por ser profética.

 

 


Foi para ilustrar um pouco isso que se gravou o "videoclipe" de Mobile. Este vídeo apareceu na Internet no início de 2011, numa altura em que surgiam várias filmagens inéditas de bastidores de entre 2002 e 2003, algumas da câmara pessoal da própria Avril (denominadas AvCam). Algumas destas imagens foram incluídas em documentários e no DVD My World, mas a larga maioria permaneceu até inédita até irem parar à Internet em 2010.

 
Segundo o vídeo acima da AvCam, a ideia era misturar imagens da "vida da Avril na estrada, fazendo e desfazendo malas", em suma, ilustrando o estilo de vida de que falei acima, com imagens da Avril cantando e tocando no meio de uma estrada - estrada que simbolizaria o caminho que a cantautora já percorrera e o caminho ainda por percorrer. O vídeo seria incluído no DVD My World.

 
Tal nunca chegou a acontecer, provavelmente por as filmagens terem ocorrido à margem da editora discográfica, tal como é assinalado neste vídeo da AvCam. Nota-se até um certo amadorismo na forma como eles arranjam o playback à última hora.
 





 
Em todo o caso, houve quem conseguisse ter acesso às filmagens há quase dois anos e montou-as, dando-lhe a forma de um videoclipe. A reação dos fãs foi muito positiva, especialmente por parte dos mais saudosistas da era Let Go. Para mim, tem um significado extra pois, tendo eu o hábito de fazer montagens de vídeos da Avril, material novo é sempre bem-vindo. Avril aparece com muito pouca maquilhagem - o que, hoje em dia, é raro - exibindo feições pueris, parecendo ter bem menos que os dezoito anos que tinha na atura. A jovem surge a chorar nalgumas cenas - não sei se foi de propósito ou não mas considero que a alternância entre lágrimas e sorrisos ilustram bem a montanha-russa emocional de que falei anteriormente. Existe, de facto, um espírito muito Let Go nestas imagens, personalidade forte, rebeldia, à mistura com alguma inocência. Gosto particularmente das imagens finais, em que ela aparece a correr, tal como, mais tarde, aconteceria em My Happy Ending, When You're Gone e Alice - estas cenas são das minhas preferidas e adoro usá-las nas minhas montagens.

 
Praticamente todas as músicas da Avril são imortais mas as músicas de Let Go têm ainda mais motivos para isso. Vejam só o testamento que estou a escrever só sobre Mobile! Outras músicas do álbum de estreia da cantautora canadiana têm tanto que se lhe diga ou ainda mais.

 
Em 2002/2003, Avril Lavigne era uma jovem cantautora, vinda de uma terra pequena, nos confins do Canadá, ainda tentando compreender e adaptar-se ao mundo onde acabara de ingressar. Hoje, dez anos, quatro álbuns, uma linha de roupas, três perfumes, uma Fundação, mais tarde, é uma mulher poderosa, perfeitamente à vontade nesse mundo. Escusado será dizer que soube ultrapassar a turbulência dos primeiros anos da sua carreira de uma forma de quem nem todas as jovens celebridades são capazes. Isso enche-me de orgulho. Avril Lavigne já percorreu muitos quilómetros ao longo da sua carreira mas a estrada continua aberta para ela. Ainda tem muitos anos de carreira pela frente, ainda tem muito que percorrer. E eu estarei lá, entre o séquito de fãs de um pouco por todo o Mundo que constantemente a empurram para diante.

Avril Lavigne

 

Já publiquei cá no blogue duas críticas a álbuns musicais e tenciono publicar mais umas quantas nos próximos tempos. No entanto, sinto que, antes de mais nada, devia ter falado sobre a minha maior referência no que toca a música, aquela com quem comparo, quer consciente quer inconscientemente, praticamente todo e qualquer cantor ou banda: a minha cantora preferida: Avril Lavigne.
 
Faz mais ou menos agora nove anos desde que a conheci, quando comecei a ouvir I'm With You várias vezes na rádio. Não me tornei imediatamente fã, pelo menos não conscientemente. Contudo, ao longo dos meses que se seguiram, ainda antes de saber o nome dela, dava por mim cantarolando: "Isn't anyone trying to find me? Won't somebody come take me home?". Mais tarde, conheci Complicated e Sk8er Boi na rádio e, quando saiu o Under My Skin (o segundo álbum dela), comecei a ver os videoclipes de Don't Tell Me e My Happy Ending - até à data, dois dos meus preferidos, juntamente com Complicated e Alice. Finalmente, comprei os dois CD que ela havia lançado até à altura (Let Go e Under My Skin) e fiquei fã. Agora, há já uns bons sete ou oito anos, tem-se mantido como a minha cantora feminina preferida. 
 
Existem muitos motivos para tal. A sua voz, inconfundível, inimitável, que considero a melhor voz feminina do Mundo. O facto de ter músicas para todas as ocasiões, de praticamente cada uma das músicas da sua discografia ser diferente de todas as outras, sem se desviar do estilo pessoal - quer dizer, tem algumas exceções mas até agora, não encontrei um único cantor ou banda que conseguisse ter um trabalho musical tão variado, sem perder a sua identidade. A maneira como mete o seu cunho pessoal em tudo o que faz, como é genuína, não recorrendo a artifícios, a alter-egos, a máscaras, por motivos comerciais, para aumentar a popularidade, ao contrário do que fazem a maioria das cantoras femininas hoje em dia, como me ensinou a ser assim, a ser fiel a mim mesma, aos meus princípios, independentemente de isso agradar a outros ou não.



Podia escrever mais umas duzentas linhas sobre os motivos pelos quais adoro a Avril, mas vou passar ao motivo principal. Avril Lavigne é uma das razões principais - se não for a principal - pela qual neste momento sou uma autora publicada. Por vários motivos. Para começar, as músicas dela têm servido de fonte de inspiração, algumas delas seriam a banda sonora perfeita de certos momentos dos meus livros. Além disso, a Avril despeja a sua personalidade, os seus gostos, o seu coração, nas coisas que faz, sejam estas a sua música, a sua linha de roupas, os seus perfumes, a sua Fundação. Eu procurei fazer o mesmo com a minha escrita. Sei perfeitamente que, na sua essência mais básica, os meus livros não são absolutamente originais. No  entanto, tenho sempre procurado recorrer aos meus gostos, às minhas paixões,  aos meus estudos, às minhas crenças, de modo a criar algo que, ainda que não seja propriamente único, não possa ser criado por mais ninguém.


A maior razão de todas, contudo, é o facto de ela, com o seu exemplo, com a mensagem que tem transmitido, através das suas músicas e não só, ter-me ensinado o que mais ninguém me ensinou: a acreditar em mim própria, a saber o que quero, a lutar por isso, independentemente das opiniões dos demais. Foi ela quem me deu a coragem de verter a minha alma no meu livro e de fazer com que ele fosse publicado.

É por estas e por outras que me é quase impossível ser imparcial em relação à Avril. Não que ela esteja acima das minhas críticas, longe disso. Mas a verdade é que eu hei de gostar de praticamente qualquer coisa que a Avril faça, qualquer música que a Avril lance. Mesmo que ela lançasse um CD fraquíssimo,  eu haveria de gostar à mesma e de passar os dias seguintes a ouvi-lo e a cantá-lo outra e outra vez. Mesmo que as músicas nada tivessem a ver comigo, mesmo que eu as detestasse, haveria sempre de arranjar motivos para as adorar. Ou por ser o primeiro material inédito em muito tempo, ou porque até tem uma certa piada, ou porque gosto daquele segmento, ou simplesmente porque sim, porque foi a Avril a compô-la e a interpretá-la. Sou maluca a esse ponto! Quer isso esteja certo ou errado, adoro a música dela para lá do racional. E a verdade é que, até ao momento, não há mais nenhum cantor ou banda que tenha conseguido cativar-me a esse ponto, que me faça gostar quase automaticamente de qualquer coisa que grave, que me faça cantar e dançar, que me faça rir e chorar, que tenha influenciado tanto a minha maneira de pensar e agir, que me tenha encorajado, com a sua mensagem e o seu exemplo, a seguir o meu próprio sonho, que me tenha inspirado em tantos sentidos, que traga tanta alegria à minha vida…

Em suma, que me perdoem este ostensivo, confesso e militante favoritismo, mas, para o bem e para o mal, não há, nunca houve e, provavelmente, nunca voltará a haver, outro cantor ou banda como Avril Lavigne!

E como que para provar que não estou sozinha nisto, que existem outros como eu cá em Portugal, divulgo aqui um vídeo feito por fãs portugueses - incluindo eu própria, embora o meu contributo não seja muito significativo - precisamente para declarar o nosso amor pela cantora canadiana e fazer-lhe um apelo para que venha a Portugal.

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