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Álbum de Testamentos

Porque sou uma miúda com muitas maluqueiras e adoro escrever (e muito) sobre elas.

Música de 2017 #1

No fim de mais um ano, regressa o tradicional texto sobre a música que mais me marcou ao longo desse ano. Os moldes serão semelhantes ao texto do ano passado: nem todas as músicas foram lançadas este ano (embora não tenha faltado música nova dos meus artistas preferidos em 2017). Alguns dos itens desta lista dirão respeito a um artista ou banda em geral. Alguns dirão respeito a uma música, apenas.

 

No ano passado segui uma ordem mais ou menos cronológica. Não vou fazer o mesmo este ano, por razões que explicarei já de seguida. Assim, sem mais delongas, começamos por falar sobre…

 

  • Linkin Park

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...mais especificamente, sobre a morte de Chester Bennigton. É incontornável, esta perda atingiu-me em cheio, fazendo com que 2017 – que já não estava a ser fácil, entre os incêndios, os atentados terroristas, Donald Trump como presidente, entre outras coisas – não tenha sido um bom ano. Quase todos os itens desta lista irão fazer referência, de uma forma ou de outra, ao que aconteceu ao Chester – como poderão ver de seguida

 

Já se passaram mais de cinco meses, mas ainda dói. Tive oportunidade de explicar porquê há pouco tempo, no Quora. Ainda não consigo aceitar, não acho justo. Ele era amado por milhões, salvou a vida a muitos de nós. Nos concertos a que fui, éramos oitenta ou noventa mil cantando em coro com ele. E não fomos capazes de falar mais alto, cantar mais alto, que as vozes na sua cabeça.

 

Isto não tem tido uma progressão linear, tenho tido alturas piores do que outras. Um dos períodos mais difíceis para mim ocorreu depois do concerto de homenagem a Chester, no Hollywood Bowl.

 

  

Mike Shinoda disse, há uns tempos (não consigo encontrar a fonte) que, para além de homenagear Chester e de “obrigar” a banda a regressar aos palcos, este concerto seria um funeral para os fãs. Algo que nos ajudasse a mentalizarmo-nos de que o Chester morreu mesmo e não vai voltar.

 

Bem, comigo resultou. Acho que fez com que passasse da fase de negação/negociação à fase de depressão e andei em desânimo durante semanas. Agora estou melhor, mas não posso dizer ainda que tenha aceitado a morte dele.

 

O concerto em si foi muito bonito. Nesse dia, acordei a meio da noite para vê-lo em direto, no YouTube. Deu para ver que a banda continuava em forma. O Mike, então, continuava a ser o Mike que todos conhecemos e adoramos – ainda que desse para ver que aquilo não estava a ser fácil para ele. Sobretudo quando apresentou Looking For an Answer, a canção que compôs no rescaldo da morte do Chester.

 

 

Apesar de ver que os Linkin Park continuam a ser os Linkin Park e que o Chester continua com eles em espírito… também dava para ver que o Chester não estava lá. Nenhum dos convidados tinha a mesma química com Mike e o resto da banda. Um bom exemplo disso foi Machine Gun Kelly, o convidado em Papercut – fez-me imensa confusão porque aquele tipo era uma cabeça mais alto que o Mike, quando o Chester tinha mais ou menos a mesma altura. Aquele tipo não se encaixava, quase literalmente.

 

É por estas e por outras que eu preferia que os Linkin Park continuassem com cinco membros (Mike promovido a vocalista principal), com o ocasional dueto ou vocalista convidado. O Chester nunca poderá ser substituído – acho que toda a gente concorda com isso. No entanto, na minha opinião, a banda ainda tem muito para dar.

 

Dito isto, repito o que disse antes: continuarei a apoiar os Linkin Park, independentemente do que decidirem.

 

As semanas que se seguiram ao concerto podem não ter sido fáceis para mim, mas ao menos, depois dele, fui capaz de voltar a ouvir a música dos Linkin Park normalmente… Isto é, dentro do possível.  Poucos meses antes de o Chester morrer, tinha comprado os CDs físicos de Hybrid Theory e Meteora (apesar de já os ter em formato digital) para ouvir no carro e, eventualmente, escrever sobre eles. Hei de fazê-lo, a médio/longo prazo, mas não sem escrever sobre One More Light primeiro. Não vai ser fácil, porque a morte do Chester afetou a maneira como oiço este álbum… mas é (mais) uma barreira que tenho de ultrapassar.

 

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Havemos de ficar bem. Eu, a banda, os fãs. Tenho de acreditar nisso: que um dia deixará de custar tanto, que um dia conseguirei ver vídeos como este sem ficar com vontade de chorar. Talvez com o tempo…

 

  • Oasis – Don’t Look Back in Anger

 

  

Fiquei a conhecer esta canção depois do atentado terrorista em Manchester, no concerto de Adriana Grande. Numa das homenagens às vítimas, após o tradicional momento de silêncio, uma mulher começou a cantar Don’t Look Back in Anger, dos Oasis (que, por sinal, são nativos de Manchester). O resto da multidão juntou-se a ela. A canção tornou-se, assim, num símbolo da resistência e solidariedade do povo de Manchester perante o terrorismo.

 

Dias mais tarde, os Coldplay interpretariam a canção no concerto One Love Manchester.

 

Queria falar rapidamente sobre estes concertos solidários. Não é preciso ler muito deste blogue para se descobrir que adoro música. Adoro o seu poder para emocionar, para consolar, para unir, para curar. Concertos ao vivo são a celebração mais pura disso.

 

Como tal, é claro que aprovo que esse poder tenha sido colocado ao serviço de quem mais precisa. Não só das vítimas dos atentados em Manchester, como também das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande.

 

  

Tal como aconteceria mais tarde com os Linkin Park, no Hollywood Bowl, via-se que estava a ser difícil à Ariana estar de volta ao palco – depois do que acontecera da última vez que lá estivera. A música dela não me aquece nem arrefece, mas qualquer um com sentimentos sentiria a dor dela. Eu então, que adoro concertos, achei este atentado particularmente cruel – mas era esse o objetivo.

 

Como tal, foi muito bonito ver os artistas todos em palco, consolando Ariana, mostrando que a música é mais forte que o terror. A própria Ariana disse: “O amor e a união que estamos a demonstrar é o remédio de que o mundo precisa neste momento.”

 

Continua a ser verdade, mesmo passados estes meses todos.

 

  

Nessa linha, outra música que me marcou este ano (embora não tanto como outras desta lista) foi Don’t Dream It’s Over, dos Crowded House. Também foi cantada no concerto – pela Ariana e por Miley Cyrus. Neste contexto, os versos seguintes levam-me lágrimas aos olhos: “They come they come to build a wall between us. You know they won’t win.”

 

Mas regressemos a Don’t Look Back in Anger – que ganhou novos significados para mim para além deste. Mais de vinte anos depois de lançar a música, Noel Gallangher continua a dizer que não sabe ao certo o que a música significa, que nem sequer sabe quem é a Sally, referida no refrão.

 

Por outro lado, noutra entrevista, chegou a dizer que a mensagem da música aconselha o ouvinte a não viver preso ao passado, a não guardar ressentimentos. Ele mesmo pôs essa filosofia em prática há pouco tempo, por sinal, ao fazer as pazes com o seu irmão e também membro dos Oasis, Liam.

 

Segundo as anotações no Genius, a letra de Don’t Look Back in Anger é uma manta de retalhos em termos de referências e significados. Os versos “So I’ll start a revolution from my bed”, por exemplo, são uma referência aos bed-ins pela paz de John Lennon e Yoko Ono, em 1969. Por outro lado, os versos “Stand up beside the fireplace, take that look from off your face” são uma alusão às fotografias de Natal que a mãe dos irmãos Gallangher lhes tirava, junto à lareira. Eles, como quaisquer miúdos, faziam caretas, daí o “take that look from your face”.

 

  

A vantagem de músicas como esta, com significados vagos e/ou desconjuntados, é podermos dar as interpretações que quisermos. É o que acontece com muitas das minhas canções preferidas.

 

Desse modo, tenho-me fartado de projetar coisas na letra de Don’t Look Back in Anger. Em 1995/1996, quando esta música terá sido composta, revoluções a partir da cama só mesmo bed-ins. Agora, no entanto, na era das internetes, das redes sociais, é mais do que possível criar revoluções sem deixarmos os lençóis – basta pegarmos num portátil ou num smartphone.

 

Não que todas essas revoluções online tenham propósitos tão nobres como a paz – demasiadas vezes é o extremo oposto.

 

Os primeiros versos de cada estrofe (“Slip inside the eye of your mind, don’t you know you might find a new place to play”; “Take me to the place where you go, where nobody knows if it’s night or day”)  fazem-me pensar em escapismo e introspeção – uma coisa que faço muito.

 

  

Por outro lado, os versos “Please don’t put your life in the hands of a rock’n’roll band who’ll throw it all away” tocaram-me em particular nas semanas que se seguiram à morte do Chester. Eu, que talvez me tivesse afeiçoado demasiado a uma banda de rock e, agora, estava a sofrer com a morte de um dos membros.

 

Depois do concerto no Hollywood Bowl, no entanto, acho que a minha vida podia estar em piores mãos que as dos Linkin Park.

 

Para além destas mensagens todas, há que assinalar que a musicalidade de Don’t Look Back in Anger ajuda muito: abrindo com notas de piano que recordam Imagine, de John Lennon, seguindo com guitarras e um refrão que dá vontade de cantar. Como fez com aquelas pessoas no memorial, levando a isto tudo. Quando é assim, é muito fácil uma canção tornar-se imortal.

 

  • Lady Gaga – Million Reasons

 

  

Esta é uma descoberta mais recente do que a maior parte das canções desta lista. Nunca fui grande fã de Lady Gaga, mas ouvi Million Reasons na rádio e gostei – tanto da parte musical como da letra.

 

Não que a sonoridade seja particularmente original – uma balada guiada pelo piano e pela guitarra acústica – mas funciona bem. E não deixa de ser refrescante, numa altura em que os instrumentos a sério estão em vias de extinção.

 

Por outro lado, cinco estrelas para o desempenho vocal de Lady Gaga. Porque é que não me avisaram mais cedo que a mulher tinha este vozeirão?

 

  

De qualquer forma, na minha opinião, a força de Million Reasons está na letra. A sua mensagem é simples, bem resumida pelos versos “I’ve got a hundred million reasons to walk away, but baby I just need a good one to stay”. Se formos a ver, é essencialmente a mensagem de Last Hope, a grande balada do Self-Titled dos Paramore. Esta última, no entanto, é uma das músicas da minha vida por algum motivo – é uma mensagem que preciso de ouvir de vez em quando. 2017 deu-nos milhões de razões para virarmos costas ao mundo, à Humanidade, a tudo. Mas eu esforço-me por arranjar motivos, por pequenos que sejam, para seguir em frente.

 

Havemos de regressar a esse tema mais adiante. Para já, falemos de uma canção que talvez não esperassem ver nesta lista.

 

  • Matias Damásio (ft. Héber Marques) – Loucos

 

  

Esta música não faz o género do que costumo ouvir. Ainda menos sobre o qual costumo escrever. Não que não goste de kizomba. Gosto o suficiente para não mudar de estação se, por acaso, apanhar uma música na rádio, mas não o suficiente para as adicionar às minhas playlists.

 

Loucos, de Matias Damásio e Héber e Marques, conseguiu cativar-me, no entanto, depois de apanhá-la várias vezes na rádio – e sobretudo depois de Matias Damásio a ter cantado no concerto Juntos Por Todos.

 

Loucos é uma canção de amor que está longe de ser pioneira ou inovadora. Reflete os momentos iniciais de um novo romance, a fase de lua-de-mel, em que tudo é novo e excitante, em que julgamos estar a viver uma épica história de amor. Todas as músicas que passam na rádio são sobre nós, o próprio Universo ajoelha-se perante o nosso amor, os simples mortais não compreendem e/ou têm inveja de nós.

 

É uma música ingénua, chega a ser um bocadinho lamechas… mas foi por isso mesmo que me cativou. Num ano tão complicado como este foi, em que uma boa parte da música que oiço reflete isso e/ou é bastante cínica (sobretudo Lorde e Paramore), a inocência de Loucos acabou por ser um bom contraste, um bom antídoto.

 

  

Serviu mesmo de consolo, em certas alturas. Como por exemplo, aquando do concerto no Hollywood Bowl, pelo Chester. Eu tinha conseguido ver a transmissão em direto do mesmo sem chorar. No entanto, na manhã seguinte, quando Loucos surgiu no Spotify, não aguentei.

 

É um bocadinho ridículo, eu sei. Esta canção está no extremo oposto do espectro relativamente à música dos Linkin Park. Mas talvez tenha sido por isso que teve este efeito.

 

Admito que, se as circunstâncias fossem diferentes, talvez esta música me tivesse passado ao lado. Não sei o que esta escolha diz de mim. Talvez diga que, no fundo, ainda tenho o coração romântico de uma menina de quinze anos. Talvez seja o meu subconsciente agarrando-se a esse lado romântico e idealista (mais sobre isso mais à frente).

 

Também é possível que o facto de o meu pai se irritar com esta música tenha ajudado. Um comportamento muito maduro, eu sei. Mas em minha defesa, ele passou uma boa parte de 2017 cantarolando o Despacito – exatamente como imaginam um pai cantando o Despacito. Eu tinha de me vingar de alguma maneira…

 

E com este pensamento concluímos a primeira parte deste texto. Regressem connosco amanhã, já em 2018! Boas entradas!

Chester Bennington (1976-2017)

Nunca pensei que viria a escrever um texto como este. Pelo menos não tão cedo.

 

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Na passada quinta-feira, Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park, foi encontrado morto em sua casa. Tudo indica que se suicidou por enforcamento.

 

Basta dar uma olhadela rápida a este blogue para perceberem que os Linkin Park são uma das minhas bandas preferidas. Tornei-me fã há dez anos e conto vários episódios marcantes relacionados com a banda e com Chester.

 

Um dos maiores foi o Rock in Rio de 2008. Foi o segundo concerto a que fui mas o primeiro que apreciei verdadeiramente. Em que senti pela primeira vez a magia de cantar em plenos pulmões, em coro com milhares de pessoas, canções que, normalmente, cantarolava baixinho enquanto as ouvia no meu MP3. Nessa noite senti-me integrada como nunca sentira antes, unida pela música à banda e àqueles noventa milhares de pessoas. O Chester, perto do fim do concerto, diria que poucas cidades amavam música tanto quanto Lisboa – eu sei que ele provavelmente dizia o mesmo em todos os concertos. Mas, na altura, eufórica como me sentia, acreditei.

 

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Foi uma das melhores noites da minha vida. No ano que se seguiu, mais coisa menos coisa, tive muitos dias tristes, muitas noites de insónias, em que me consolava recordando este concerto.

 

Tive a oportunidade de voltar a vê-los ao vivo em 2014, também no Rock in Rio – e de escrever sobre isso. Como poderão ler, foi a noite em que mais perto estive dele, fisicamente. Cheguei a tocar-lhe na mão.

 

Tenho muitas outras recordações, para além destas: ver o vídeo de Breaking the Habit na MTV, em 2004; ouvir Numb/Encore na rádio da minha escola secundária; ver o primeiro filme dos Transformers e reconhecer What I’ve Done; montar o meu primeiro AMV para New Divide, a minha música preferida deles; passar o dia 16 de abril de 2012 (lembro-me perfeitamente) cantarolando e dançando (e estava de saltos altos!) a recém-lançada Burn It Down; aquele momento no RiR de 2012, em que Chester canta Crawling cara a cara com os fãs e um deles coloca-lhe um cachecol do F.C.Porto nos ombros; vários vídeos de bastidores hilariantes – entre os quais um dele saltando à corda enquanto canta Wretches and Kings; um deles cantando sobre unicórnios e chupa-chupas; esta versão de Numb; dançando A Light that Never Comes.

 

Os motivos pelos quais gosto dos Linkin park são diferentes dos de outros fãs – pelo menos daquilo que tenho lido nas redes sociais. Não posso dizer que tenha sido uma coisa de adolescente – foi aos dezassete/dezoito anos que me deixei cativar a sério pela banda. Aquilo de que sempre gostei foi, sobretudo, dos cenários épicos, cinemáticos, de tempestades, lutas, explosões. Daí usá-las como fonte de inspiração para a minha escrita e para montar vídeos.

 

  

O que não significa que não apreciasse temas mais calminhos e emocionantes, como Castle of Glass e Leave Out All the Rest – esta última, à luz do que aconteceu, é ainda mais dolorosa do que o costume.

 

Por fim, os Linkin Park ajudaram-me a fazer a transição para música mais pesada, como por exemplo os Sum 41 e os Within Temptation – estes últimos chegaram a dizer que os Linkin Park foram umas das inspirações para o álbum The Silent Force. David Hodges, que fazia parte dos Evanescence, disse o mesmo em relação ao álbum Fallen.

 

Também gosto muito do álbum Out of Ashes, dos Dead By Sunrise – o side-project do Chester. Nele está, aliás, incluída uma das minhas canções de amor preferidas. Tal como escrevi há uns anos, este álbum mostra facetas diferentes de Chester, facetas que ele não mostrava nos Linkin Park.

 

Conforme me tenho fartado de dizer neste blogue ao longo dos anos, o Chester era uma das minhas pessoas preferidas no mundo da música. Toda a gente sabe que ele não teve uma vida fácil – quem não sabia, sabe-o agora. No entanto, não deixara de ser um bom homem, simpático, super divertido… Ainda há bem pouco tempo escrevi sobre isso aqui no blogue – pouco depois de ele ter publicado uma fotografia sua vestido de Pikachu!

 

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Eu ainda estou em negação. Quando penso que Chester Bennington morreu, há qualquer coisa no meu cérebro que rejeita automaticamente esse facto, como um erro 404 num computador. Não faz sentido! Ele era tão novo, tinha pelo menos metade de uma vida à sua frente! Eu habituei-me à “presença” dele, a saber que ele estava algures por aí, fazendo música, dando concertos, em brincadeiras com o Mike e os outros ou junto da mulher e dos filhos. Sabia que, de tanto em tanto tempo, ele lançaria um single novo, um álbum novo – com os Linkin Park ou não.

 

Agora dizem-me que ele já não está a fazer nada disso? Pode lá ser!

 

Uma das coisas que têm sido comentadas a propósito desta história diz respeito às críticas ao álbum One More Light. Muitos fãs, incluindo eu até certo ponto, não gostaram do som mais pop de músicas como Heavy. Até aqui tudo bem – não se pode agradar a todos.

 

No entanto, têm havido atitudes que ultrapassaram os limites – como o que aconteceu há pouco tempo, no Hellfest.

 

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Espero que esses estejam, agora, cheios de remorsos pelo que fizeram.

 

Não estou a dizer que tenha sido por causa deles e de outros que tais que Chester se suicidou. Tanto quanto sei, estas coisas raramente são assim tão lineares. Mas episódios como este não terão ajudado, de certeza.

 

Este género de ataques, de bullying, sobretudo nesta era das internetes, está tão normalizado que uma pessoa fica surpreendida quando descobre que os visados se sentiram magoados com estas atitudes. Em particular, quando os visados são pessoas famosas. Achamos que eles aprendem a ignorar estas coisas.

 

Penso, por exemplo, no Éder – que, antes da final do Europeu, era o alvo preferido das piadas e insultos dos adeptos, sem que ninguém questionasse essas práticas (eu mesma me deixei levar por isso, até certo ponto). Em entrevista ao Alta Definição, Éder revelou que esses insultos o magoaram e que, a certa altura, chegou a contemplar o suicídio.

 

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Tudo isto remonta para a cultura de bullying muito presente na sociedade, sobre a qual já falei aqui no blogue. Tendemos a educar as vítimas para aguentarem caladas, para não “fazerem queixinhas”, ensinamos-lhes que isto faz parte. Quando, na verdade, devíamos educar os agressores para não serem umas bestas, para tratarem as pessoas com respeito.

 

Outra questão para o qual isto tem alertado é para as doenças do foro psiquiátrico. Ainda agora escrevi sobre isso, a propósito do último álbum dos Paramore – que foi muito inspirado pela ansiedade e depressão da vocalista, Hayley Williams. Ela chegou a dizer, em entrevista, que, a certa altura, chegou a ter ideação suicida – foi aí que percebeu que precisava de ajuda.

 

Chester, pelos vistos, não conseguiu fazê-lo. Provavelmente nunca saberemos porquê – porque é que ele achou que a morte era preferível a ouvir dezenas de milhares de fãs cantando em coro com ele. Muitas pessoas teriam feito tudo para ajudá-lo, sobretudo se pudesse ter evitado este desfecho. Não só os amigos e familiares, mesmo os seus milhões de fãs. É difícil de compreender como é que ele não sabia isso. Mas a mente de uma pessoa deprimida não funciona da mesma maneira que a nossa.

 

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Aquelas pessoas que se põe com comentários do género “Que monstro é que deixa seis filhos sem pai?” tiram-me do sério. É só um exemplo dos inúmeros preconceitos que ainda existem em torno das doenças mentais – alguns dos quais já referi no texto anterior. Gostava que houvessem movimentos que desmentissem essas ideias – em Portugal, ainda não vi nada disso.

 

Dito isto, também sofro pela mulher e pelos filhos dele, pelo Mike, pelo Brad e os outros colegas da banda. Como é que se lida como uma coisa destas? Como é que se aceita isto? Como é que se explica o que aconteceu aos filhos dele? (As filhas mais novas não devem ter mais de seis anos.)

 

Não sei o que vai ser dos Linkin Park depois disto. Será que eles vão continuar com os membros restantes, com o Mike promovido a vocalista principal? Será que vão procurar um “substituto”?

 

Sinceramente, não sei se quero que eles continuem. Acho que nunca vão conseguir preencher o vazio, nunca vão encontrar ninguém capaz de fazer o que Chester fazia. No entanto, é a vida deles, é a decisão deles. Qualquer que ela seja, respeitá-la-ei e apoiá-la-ei.

 

  

Isto está a custar-me. Não tenho problemas em admitir que chorei – quando me pus a ver esta apresentação de One More Light. É uma boa pessoa, um ótimo músico, de voz monstruosa e energia inesgotável, que desapareceu. Que foi roubado aos familiares e aos amigos. É uma parte do meu mundo, uma parte deste blogue que morreu – a primeira análise que publiquei aqui foi ao álbum Living Things. Um homem que nunca poderei voltar a ver ao vivo, ou num direto do Facebook, lançando um single ou um álbum, fazendo palhaçadas nos bastidores. Que nunca poderei conhecer pessoalmente.

 

Eu até estava a trabalhar na análise a One More Light antes de isto acontecer. Tenho o texto todo planeado no meu caderno e já tinha começado a escrevê-lo. A médio/longo prazo, queria também escrever sobre os álbuns Hybrid Theory e Meteora, que andava a ouvir muito há uns meses.

 

Depois disto, não tenho coragem. Não tenho conseguido ouvir a música dele normalmente, como fazia ainda quinta-feira de manhã. Quero voltar a fazê-lo – porque uma parte do Chester continuará a viver na música dele – mas preciso de tempo.

 

Em jeito de conclusão, dizer apenas que estou grata pela vida de Chester. Pode ter sido curta, mas foi o suficiente para marcar a minha. O meu mundo, este blogue, não seriam os mesmos se ele não fosse ele.

 

Obrigada por tudo, Chester.

 

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Músicas Não Tão Ao Calhas - Liability e Battle Symphony

Uma semana após lançar Green Light, a cantora neo-zelandeza Ella Yellion-O’Connor, de nome artístico Lorde, disponibilizou mais uma canção do seu próximo álbum, Melodrama. Esta chama-se Liability. A minha ideia era analisá-la logo a seguir ao lançamento. No entanto, precisei de alguns dias para decifrar esta canção. Como, entretanto, os Linkin Park lançaram hoje Battle Symphony – o novo single do seu próximo álbum, One More Light – resolvi analisar ambas as canções no mesmo texto.

 

Primeiro as senhoras...

 

  

I’m a little much for everyone”

 

Acho que nunca tínhamos ouvido Lorde soando tão triste. Fiquei de coração partido depois de ouvir esta faixa pela primeira vez. Liability é só piano e voz. Como acontece com as melhores canções de Lorde, a voz faz o trabalho todo – transmitindo na perfeição toda a dor, vulnerabilidade e autocomiseração da narradora.

 

Tal como acontece com Green Light, a letra de Liability tem várias camadas e múltiplas interpretações possíveis. Das primeiras vezes que ouvi Liability, pensei que esta se referia ao fim de uma relação amorosa – alguém que se tinha envolvido com a narradora, tratando-a como um mero divertimento temporário, abandonando-a quando se fartou dela ou ela pediu mais.

 

Não que esta interpretação não seja legítima, mas Lorde revelou que não compôs Liability pensando em relações amorosas. Em várias entrevistas, Ella disse que se inspirou naquelas situações, em que tentamos fazer amizades, mas receamos que os outros nos achem um fardo. Também se terá inspirado nas consequências negativas da sua fama – por ela ser uma celebridade, as pessoas próximas de si, por contágio, são obrigadas a lidar com a perda de privacidade, o escrutínio por parte do público.

 

É de admirar que Ella sinta que só atrapalha a vida das pessoas à sua volta?

 

Perante tudo isto, é natural que Lorde acabe por se virar para si mesma, por se tornar a sua própria melhor amiga.

 

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Confesso que me identifico com a letra de Liability. Já referi várias vezes aqui no blogue que sou introvertida e não faço amigos facilmente. Também já tive situações em que me senti indesejada. Ou que senti que não sou assim tão cativante para que as pessoas se interessem por mim a longo prazo, que sou demasiado estranha para a maior parte das pessoas.

 

É claro que isto é apenas a minha perceção, pode nem sequer corresponder à verdade.

 

De qualquer forma, também prefiro, muitas vezes, fazer companhia a mim mesma, tal como Lorde refere. Eu, porém, se tivesse oportunidade de dar um conselho a Ella, sugerir-lhe-ia uma alternativa ao isolamento: um cão. Conforme tenho vindo a aprender com a minha cadela, Jane, os cães estão sempre felizes por nos verem, não tecem juízos de valor, não se fartam de nós. São uma ótima companhia.

 

Por norma, é muito fácil esquecermo-nos que Ella é ainda muito nova. Em Liability, no entanto, nota-se essa juventude. Creio que uma pessoa mais velha não escreveria de uma forma tão crua e emotiva, com um pouco de autocomiseração à mistura. A própria Lorde admite que compôs esta canção numa altura em que sentia pena de si própria.

 

  

A ideia com que fico é que esta deverá ser a regra para este álbum: emoções cruas, exageradas, que poderão não corresponder cem por cento à realidade, tipicamente adolescentes. Talvez seja essa a explicação para o título Melodrama. Lembra-me, um pouco, Under My Skin, de Avril Lavigne. Este álbum também teve momentos melodramáticos que, conforme se veio a descobrir, foram apenas uma fase.

 

Em todo o caso, estou a gostar muito do que conhecemos, até agora, de Melodrama: duas músicas muito complexas, com diversas camadas e significados que se vão multiplicando com o tempo. Que inspiram testamentos aqui no meu blogue. Mal posso esperar por ouvir o resto.

 

Mas antes ouviremos One More Light, dos Linkin Park, que incluirá Battle Symphony.

 

 

All the world in front of me”

 

Conforme escrevi anteriormente, o primeiro single de One More Light, Heavy, desiludiu-me. Battle Symphony tem várias semelhanças com Heavy – a sonoridade suave, eletropop, radiofónica, os vocais melodiosos de Chester – mas, na minha opinião, está uns quantos furos acima do primeiro single de One More Light.

 

Para começar, o instrumental, sem ser nada de extraordinário ou mesmo original, é mais rico que o de Heavy. A minha parte preferida é o início do primeiro refrão, quando a bateria imita uma marcha militar – o que condiz com a letra. Gostava de tê-la ouvido mais vezes ao longo de Battle Symphony.

 

Mesmo assim, continuam a faltar guitarras elétricas.

 

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Devo dizer, também, que, apesar de pop, a melodia é cativante. Depois de ouvir várias vezes a música, dei por mim a cantarolar o refrão. A minha parte preferida, contudo, é a terceira estância.

 

A letra, infelizmente, deita um pouco a canção abaixo. Não que seja má. No entanto, tal como acontece em Heavy, é demasiado vaga, perde-se em clichés. Battle Symphony é a típica “fight song”, não traz nada de novo a um tema já muito batido.

 

Continuo insatisfeita com o estilo mais pop, mais comercial, contra o carácter da banda, que, ao que parece, os Linkin Park adotaram para este álbum. Dito isto, não me queixarei... muito... se o resto de One More Light for semelhante a Battle Symphony, desde que com letras melhorzinhas. De qualquer forma, prognósticos só depois de o álbum sair.

 

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Não devemos ficar por aqui em termos de música dos meus artistas preferidos – longe disso. A foto acima parece mostrar que os Paramore estão a filmar um videoclipe. O que quererá dizer que teremos um single muito em breve (máximo dos máximos daqui a um mês, juntamente com o videoclipe... acho eu).

 

Somando a isso o possível sexto álbum de Avril Lavigne, que mudou de gravadora e tudo (apesar de, por norma, estas coisas demorarem muito mais com a Avril), esperam-nos muitas mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas nos próximos tempos. Por um lado, é excitante voltar a escrever regularmente sobre música. Por outro, tenho medo de não conseguir dar conta do recado. Durante os últimos dois anos tivemos muitos poucos lançamentos novos por parte deste pessoal. Agora, está tudo a lançar música ao mesmo tempo. Vão ser muitos textos para escrever... quando existem outros sem ser sobre música na minha lista de prioridades.

 

Vou tentar despachar esses textos nas próximas semanas, nesse caso – incluindo um sobre um assunto que não abordo há imenso tempo. Continuem por aí, então.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Heavy

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"I don't like my mind right now..." 

 

Os Linkin Park preparam-se para lançar o seu sétimo álbum de estúdio, One More Light, no próximo dia 19 de maio. O primeiro single desse álbum, lançado no passado dia 16 de fevereiro, chama-se Heavy e inclui a participação de Kiiara nos vocais.

 

O título Heavy é irónico pois esta música é tudo menos pesada. Pelo contrário, tanto quanto sei, Heavy é a canção mais pop da discografia da banda até ao momento, o que, previsivelmente, está a causar polémica entre os fãs. Um dos motivos, de resto, pelos quais não publiquei esta análise mais cedo - para além do lançamento da segunda geração em Pokémon Go, que fez com que, pelo menos no meu caso, o hype regressasse em força - foi porque precisei de algum tempo para me afastar do barulho provocado pela polémica e formar a minha própria opinião sobre a faixa.

 

Infelizmente, esta não é muito favorável. Heavy tem uma instrumentação muito pop, muito genérica, só se tornando interessante a partir do segundo refrão. Esta faixa, a meu ver, pedia guitarras estilo Final Masquerade. A versão acústica de Heavy, que a banda apresentou em direto no Facebook, no dia em que o single foi lançado, sempre tem um pouco mais de personalidade. Os desempenhos vocais, tanto de Chester como de Kiiara, são o melhor da canção, contudo.

 

 

A letra de Heavy fala, essencialmente, de ansiedade, depressão, paranóia, mas de uma forma demasiado vaga para que possamos levá-la a sério. Acaba, também, por se tornar algo repetitiva, embora não ao nível de Until It’s Gone, verdade seja dita.

 

Não consigo, portanto, gostar de Heavy, por muito que tente. É demasiado curta, tem pouca substância, cansativa após três ou quatro audições. Até Darker than Blood tem mais personalidade que isto. Não ficará na História. Não escondo que é uma desilusão que uma das minhas bandas preferidas - que inclui Chester Bennington e Mike Shinoda, duas das minhas pessoas favoritas no mundo da música - tenha produzido um primeiro single tão fraquinho.

 

Tal como referi no início deste texto, o álbum que inclui Heavy, One More Light, sai em maio. Os Linkin Park têm falado sobre este álbum há vários meses. Eu até estava a gostar das pistas que iam deixando - sobretudo o facto de as músicas supostamente se basearem nas vidas pessoais dos membros da banda. Cunho pessoal, por norma, é um ponto forte. No entanto, se Heavy é a ideia deles de música com cunho pessoal, mais valia terem ficado quietos.

 

Os membros da banda afirmaram, também, que o seu processo de composição mudou. Antes, eles começavam pela música em si, só depois criavam a melodia e escreviam a letra. Neste álbum, eles começaram pela melodia e pela letra - chegavam a gravar cantado sobre piano ou guitarra acústica. Depois, construíam o resto da música em torno dessa melodia. Sempre explica o facto de os vocais sobressaírem tanto em Heavy.

 

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Tudo muito bonito e tal, mas eu suspeito que esta não seja a história toda. Em One More Light, os Linkin Park trabalharam  pela primeira vez com compositores sem serem membros da banda: nomes como Justin Parker (que trabalhou com Lana del Rey, Rihanna e Ellie Goulding, entre outros) e Julia Michaels (que trabalhou, entre outros, com Selena Gomez, Gwen Stefani e, de todas as pessoas, Britney Spears). Isto faz-me desconfiar de propósitos comerciais.

 

Os membros da banda adotaram logo uma postura defensiva nas redes sociais. Ainda antes do lançamento de Heavy, Mike afirmou no Twitter que “O género [musical] morreu”. Mais tarde, Chester partilhou um artigo que defende o direito de as bandas mudarem de estilo (não que eu, pelo menos, alguma vez tenha questionado esse direito...). Com tudo isto, é óbvio que a polémica não vai ficar por aqui, que o resto de One More Light será igualmente polarizante e a banda sabe-o.

 

Por muito que me irritem os puristas musicais, aqueles fãs que se recusam a aceitar que os seus artistas preferidos não gravem o mesmo álbum outra e outra vez… eu não sei se quero que os Linkin Park virem cem por cento pop. Sobretudo se for com tão pouca substância como Heavy. Eles sempre foram uma banda de experimentalismo, de teorias híbridas e tal. Contudo, tal como afirmou um YouTuber crítico musical que respeito muito no Twitter, longe de explorar novos territórios, Heavy é uma amostra do pop mainstream que enche a rádio dos dias de hoje. Sinceramente, Linkin Park é melhor do que isto.

 

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Os Linkin Park continuam a ser uma das minhas banda preferidas, atrás de Paramore. A nossa relação tem quase dez anos e inclui dois concertos inesquecíveis. Entre outras coisas, não sou capaz de ser demasiado dura com uma banda que inclui um tipo que se veste como na fotografia acima e que diz que, se não estivesse na música, seria treinador de Pokémon (quem diria que um tipo cujo trabalho, cinquenta por cento das vezes, envolve gritar para um microfone poderia ser tão adorável…?).

 

Assim, vou dar-lhes o benefício da dúvida. Talvez Heavy seja a mais comercial do álbum, daí ser o primeiro single. Talvez as outras músicas tenham letras melhores e um som mais trabalhado. Quem sabe? Voltaremos a falar quando o álbum sair ou se lançarem outro single...

 

Músicas Não Tão Ao Calhas - Darker than Blood

Tal como o prometido, eis-me aqui analisando Darker than Blood, o novo produto da colaboração entre Steve Aoki e a banda Linkin Park... embora neste caso o termo "banda" seja relativo. Mas já aí vamos.

 

 

 

Darker than Blood é o segundo single do álbum Neon Future II, do DJ Steve Aoki. Segundo a Wikipédia, Aoki e os Linkin Park estiveram a trabalhar nesta faixa desde 2012 (provavelmente na mesma altura em que trabalharam em A Light that Never Comes). Mike Shinoda revelou mesmo, numa entrevista à Billboard, que ele reescreveu a letra da música (cujo primeiro nome de trabalho era Horizons) por achar que a letra original, escrita por Aoki, era demasiado alegre.

 

Pelo que se pode ouvir de Darker than Blood, parece que a participação dos Linkin Park na música se limita a isso e à interpretação vocal. Se em A Light that Never Comes a banda se fez notar - fazendo com que a faixa se assemelhe a uma música excluída da tracklist final de Living Things a que Steve Aoki acrescentou batidas dubstep - em Darker than Blood, aparentemente, apenas Mike e Chester Bennington participaram na concepção. Daí que o "feat Linkin Park" não faça muito sentido.

 

Isto, por outro lado, é compreensível. Darker than Blood faz parte do álbum novo de Steve Aoki, é dirigido à audiência habitual do DJ, não à audiência dos Linkin Park. Do mesmo modo que A Light that Never Comes, que foi feita para um álbum dos Linkin Park (o álbum de remixes Recharged), é mais Linkin Park que Steve Aoki, ao contrário de Darker than Blood.

 

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Mesmo tendo em conta a questão das audiências, a verdade é que a parte Aoki da música não é particularmente notável, na minha opinião. Tirando o "concerto" de Aoki no Rock in Rio, no ano passado, nunca tive grande contacto com a chamada EDM nem estou interessada em ter mais. Mesmo assim, foi suficiente para o instrumental de Darker than Blood me soar parecidíssimo com aquilo que Aoki tocou (ou melhor, pôs a tocar) no Rock in Rio.

 

Quanto à interpretação vocal, não tenho reparos a fazer. É sólida, sem que Chester precise de se esforçar muito. Chega mesmo a ganhar emotividade à medida que a faixa progride. A parte que mais gosto em Darker than Blood é a altura em que Mike se junta aos vocais e Chester começa como que a improvisar, a fugir à melodia anteriormente estabelecida - vocais, esses, que emprestam uma nova energia à parte final da música.

 

Por sua vez, a letra de Darker than Blood é o típico dos Linkin Park, sem nada que as distinga das demais músicas deles. Mike estava em piloto automático quando escreveu. isto.

 

Em suma, Darker than Blood é uma faixa para fãs de Steve Aoki, essencialmente (e duvido que mesmo os fãs de Aoki gostem assim tanto da música), não tanto para fãs de Linkin Park. Não sendo uma música má, é uma música pouco interessante, a que dificilmente darei muita atenção depois disto. 

 

Na verdade, neste momento a minha atenção está noutra música. Continuem por aí... 

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