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Álbum de Testamentos

Mulher de muitas paixões e adoro escrever (extensamente) sobre elas.

Música de 2017 #2

Primeira publicação de 2018! Bom Ano, minha gente! Hoje continuamos a falar da música que me marcou em 2017. Como poderão ler aqui, se ainda não o tiverem feito, terminámos a primeira parte com uma música cantada em português. A próxima música desta lista também é cantada na nossa língua – e sei que não fui de todo a única a render-me a ela.

 

  • Salvador Sobral – Amar Pelos Dois

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Não podia falar da música de 2017 sem falar de Salvador Sobral e de Amar Pelos Dois. Nunca me interessei muito pelo Festival da Canção mas, à semelhança da maior parte dos portugueses, não fiquei indiferente ao músico e à canção que finalmente nos sagraram vencedores da Eurovisão. A noite de 13 de maio é capaz de ter sido a mais feliz do ano todo – foi como estivéssemos a ganhar o Euro 2016 outra vez.

 

Confesso que, noutras circunstâncias, talvez a música me tivesse passado ao lado. É lindíssima, sim, mas está longe de ser pioneira. Não faltam por aí baladas de piano-e-violinos. Ainda este ano tivemos Writer in the Dark, de Lorde. Por sua vez, a minha cantora preferida, Avril Lavigne, tem uma data delas – destacando-se Innocence.

 

Também acho que, se esta música tivesse saído há dez, quinze anos, talvez tivesse passado despercebida a muita gente. Mas estamos em 2017: os instrumentos a sério estão em vias de extinção, tal como já referi antes; pelo menos noventa por cento das músicas que tocam na rádio são descartáveis; a larga maioria das músicas da Eurovisão são mais espetáculo, “foguetes”, que conteúdo (embora a edição deste ano tivesse umas quantas músicas giras, sobretudo a da Bélgica). Não foi, por isso, grande surpresa que Amar pelos Dois se tenha destacado. A sua vitória sempre abrirá caminho para que músicas parecidas, com mais emoção e conteúdo, se qualifiquem para o Festival do próximo ano.

 

 

  

E de facto, se ouvirmos com atenção, Amar Pelos Dois é uma música encantadora na sua simplicidade. A minha manicura habitual diz que a canção lhe parece saída de filmes antigos da Disney – bem visto. A música funcionaria bem como uma serenata de um príncipe à sua amada ou cantada pela Branca de Neve aos animais da floresta.

 

Outro ponto a favor é o facto de o Salvador ser… “Salvadorable”. Possui o equilíbrio perfeito entre esquisito e fofinho – penso que é a isto que os anglo-saxónicos chamam “adorkable”. Ele acaba por ser parecido com a Lorde no sentido em que ambos sentem e interpretam música com o corpo todo, de forma pouco convencional. Tem, ainda um sentido de humor terra a terra, que fica sempre bem.

 

  

Isto é, até se virar contra ele, no concerto do Juntos Por Todos.

 

A boca em si não me chateou… muito. Não era de todo a melhor altura para dizer aquilo, mas não acho que tenha sido por mal. São daquelas atitudes típicas de quem é famoso há pouco tempo e ainda não tem noção da sua posição. O que me chateou mais é que pôs toda a gente a falar sobre isso e as coisas boas que aconteceram durante o resto do concerto passaram ao lado.

 

Enfim. Mais importante é que o dinheiro chegue mesmo às vítimas.

 

Em setembro, o Salvador colocou a carreira em pausa, pelos motivos de saúde que todos conhecemos. Felizmente, há poucas semanas, recebeu finalmente um coração novo (esperemos que este também possa amar pelos dois…) e, por alturas do Natal, saiu dos Cuidados Intensivos. Ainda lhe espera uma recuperação longa, mas todos desejamos que tudo corra bem a partir de agora e que não demore muito a regressar aos estúdios e aos palcos – de preferência, a tempo de dar um saltinho ao próximo Festival da Canção, organizado por Portugal.

 

  • Paramore

 

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Os Paramore foram a banda que mais ouvi no Spotify, como poderão ver aqui. Isso deve-se muito ao álbum que lançaram – e que, de maneira paradoxal, me fez revisitar a discografia antiga deles. After Laughter é muito 2017, com uma data de canções sobre pessimismo, sobre desânimo, sobre cair na real… disfarçadas de músicas alegres. Uma espécie de escapismo ao contrário.

 

As minhas opiniões sobre o álbum não mudaram muito desde que publiquei a minha análise, no verão passado. After Laughter está muito bem feito – não parenas graças a Hayley Williams, às suas letras, à sua interpretação, mas também aos instrumentais criados por Taylor York, com a ajuda ocasional de Zac Farro.

 

Quando se fala de Paramore, a maior parte das pessoas fala apenas sobre a Hayley, tratando os outros membros (ou ex-membros) como mera banda de apoio. O que é um erro. Se Hayley é a cara, a voz e o final das músicas dos Paramore, Taylor é o cérebro. É onde surgem os xilofones de Hard Times, os riffs de Told You So, a guitarra acústica de 26, o piano de Tell Me How.

 

Para não dizer, mais uma vez, que poderá ser graças a Taylor que ainda temos Paramore.

 

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O que nos vale é que o Taylor é muito tímido, segundo consta, não parece ser pessoa para reclamar créditos (talvez seja por isso que ainda não tenha imitado Josh ou Jeremy).

 

Mais sobre isso um dia destes.

 

Tal como referi acima, After Laughter representa bem este ano, pelo menos para mim. Uma das principais, nesse capítulo, é 26. Já tinha referido, na análise, que esta, na minha opinião, descreve um conflito entre idealismo e cinismo. Acho que já tinha dito aqui, algures, que por norma não sou uma pessoa cínica e não desejo sê-lo.

 

  

No entanto, tive momentos este ano em que estive perto – sobretudo durante as tais semanas de desânimo, depois do concerto pelo Chester. Houveram alturas em que não me reconhecia a mim mesma e que me assustaram – uma delas aquando dos jogos da Seleção de novembro, em que não me conseguia entusiasmar como antes. Procurava agarrar-me a qualquer resquício de esperança, de alegria, que conseguisse encontrar, mas a realidade nem sempre colaborava. Até mesmo no filme mais recente de Tri (cuja análise andava a escrever na altura) a esperança e o idealismo tinham saído derrotados, no final mais sombrio daquele universo.

 

Consegui ultrapassar esse mau momento, mas nada me garante que não volte a cair no desânimo, um dia destes. Não quero de todo perder a capacidade de sonhar, de me entusiasmar com pequenas grande coisas, como a minha escrita, jogos de futebol, músicas novas, entre outras coisas. De esperar por dias melhores. Tal como Hayley diz, em 26, sobreviver nem sempre é a parte mais difícil. Às vezes, o mais difícil é manter a nossa esperança e o nosso idealismo intacto, perante todas as facetas horríveis deste mundo.

 

Sem pensar que, por muito triste que seja a perda de pessoas excelentes, como o Chester, a verdade é que não parecem existir grandes vantagens em viver neste planeta.

 

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A propósito do Chester, mais uma vez, a morte dele deu-me novas perspetivas sobre as músicas Idle Worship e No Friend – músicas que nos recordam que os nossos heróis são apenas humanos. Prova melhor do que o que aconteceu a Chester não há.

 

Um excerto de No Friend reza assim “I see myself in the reflection of people’s eyes, realizing that what they see may not be even close to the image I see in myself”. Parece-me que esse sempre foi o caso de Chester – ele que descrevia a sua própria mente como um lugar hostil, que dizia que ele mesmo era o seu pior inimigo, quando, na verdade, era idolatrado por milhões. E, no fim, ninguém conseguiu salvá-lo dele mesmo.

 

Mas regressemos aos Paramore. Neste final de 2017, Hayley parece um bocadinho melhor que há alguns meses, quando o Aflter Laughter estava para sair. Talvez o pior já tenha passado para ela e para o resto da banda.

 

Em todo o caso, gosto sempre de recordar que a última frase em After Laughter é “I can still believe”. Se a Hayley ainda consegue manter a esperança, ou a fé, ou o que quer que lhe chamemos, nós podemos tentar fazer o mesmo.

 

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  • Lorde

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Aquando do texto de Ano Novo do ano passado, eu sabia que voltaria a escrever sobre Lorde no texto deste ano. Após o excelente Pure Heroine, a fasquia estava alta para o segundo álbum de Ella Yelich-O'Connor. No entanto, Melodrama não desiludiu ninguém: é uma autêntica obra de arte, do princípio ao fim. Desde a energia dançante de Green Light e Supercut, à vulnerabilidade de Liability de Writer in the Dark, passando pela bipolaridade de Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S.

 

Não que o público em geral tenha dado por isso. Segundo as minhas pesquisas, apenas o single Green Light teve sucesso moderado. Conforme já tinha escrito antes, Homemade Dynamite seria o grande single – até lançaram um remix com uns quantos artistas da moda, a ver se descolava. Não que tenha tido grande sucesso, tanto quanto sei.

 

Tem piada. Em 2013/2014, quando ainda não era fã dela, as rádios portuguesas tocavam Royals até dar comigo em doida. Agora que já sou, não me lembro de ter ouvido uma música que seja dela.

 

De qualquer forma, continuo a fazer figas para que ela venha a Portugal no próximo ano.

 

  

Parece-me um sacrilégio estar a falar de favoritos num álbum tão consistentemente bom, mas tenho andado obcecada com Sober: uma canção como nenhuma outra, que combina inúmeros pormenores fantásticos. Deste os “Night, midnight, lose my mind”, às trompetes e saxofone no refrão, passando pelo rugido de um tigre (numa trela de ouro, espero eu). Este podcast disseca os elementos todos.

 

Não que as outras canções fiquem atrás em qualidade, mesmo não sendo tão intricadas. Nalgumas, aliás, a simplicidade é o seu ponto forte. Como Liability (só piano) e Writer in the Dark (piano e violinos, como vimos antes). Outras recriam o estilo minimalista de Pure Heroine. Nomeadamente Hard Feelings/L.O.V.E.L.E.S.S. e a reprise de Liability.

 

Já que falamos no estilo minimalista de Lorde, queria fazer um aparte e falar sobre o cover que ela gravou para o Live Lounge da BBC 1 e que tem incluído nos seus concertos.

 

 

Quando descobri acerca deste cover, fiquei contente por dois motivos. Primeiro, porque In the Air Tonight é uma das minhas canções preferidas de todos os tempo. Escrevi sobre ela aqui no blogue, há quase cinco anos (!!). Segundo, porque a versão original é perfeita para a Lorde – tão perfeita que me pergunto porque não reparei mais cedo.

 

Conforme escrevi na altura, a versão original de In the Air Tonight é grave, um tanto ou quanto fantasmagórica, assenta-se muito na percussão, com destaque para o famoso solo, no final da segunda estância. A música acabou, assim, por antecipar o estilo característico de Lorde, sobretudo do seu primeiro álbum.

 

Isto para não falar dos “Oh, Lord” – que, nesta versão, têm imensa piada.

 

Mas regressemos a Melodrama. Falta falar sobre a minha canção preferida nesse álbum e de todo 2017: Perfect Places.

 

  

Já tinha explicado antes aquilo que me atrai na música: um refrão que é puro ecstasy, uma letra com a qual me identifico. Tenho vindo a identificar-me cada vez mais com Perfect Places, aliás – sobretudo com o verso “I hate the headlines and the weather”.

 

No site Genius, Lorde escreveu sobre esta frase: “Esta música começou a ganhar forma no final do verão de 2016, em Nova Iorque e as notícias eram horríveis todos os dias e estava tanto calor de uma maneira errada, da maneira como eu imagino o tempo num filme de desastres mesmo antes de uma bomba rebentar ou de os aliens aterrarem. Deu comigo em doida, um bocadinho, eu andava por Midtown e sentia-me à beira de arrancar as minhas roupas ou de me passar perante um estranho. E todos os dias nas notícias diziam “Lado positivo! Temperaturas recorde todo o fim de semana!” e eu pensava “NÃO PERCEBEM O QUE ISTO SIGNIFICA!!! VAMOS TODOS MORRER!!!” Este é provavelmente o verso mais Melodrama em todo o álbum.”

 

Bem, tendo em conta o que se passou em Portugal com os incêndios, num verão que nunca mais acabava, nada disto me parece melodramático. Eu, aliás, alteraria o verso seguinte para “My whole country is on fire”.

 

E, claro, a parte do “All of our heroes fading”. Já me fartei de falar do Chester, mas este ano também perdemos Pedro Rolo Duarte (que ouvia há vários anos na rádio) e o Zé Pedro, dos Xutos – mais uma banda que não vai voltar a ser o mesmo. E não nos limitamos a heróis de carne e osso – tenho também um herói de infância que não teve um desfecho feliz da última vez que o vi.

 

  

Perfect Places funciona, assim, como uma boa representação do meu 2017: o mundo desabando à minha volta, eu tentando agarrar-me à minha versão de sítios perfeitos, às coisas boas da vida, a experiências que transcendessem a turbulência deste ano. Podem não resolver nada, podem não passar de escapismo, mas em certas ocasiões são das poucas coisas que me fazem levantar da cama. Que me impedem, lá está, de ceder ao cinismo.

 

E a verdade é que, apesar destas queixas todas, o ano 2017 trouxe várias coisas boas: as músicas de que falámos neste texto (em particular a que venceu na Eurovisão), o bom período da Seleção Portuguesa, a segunda e terceira geração de Pokémon Go, bem como os Raids Lendários, os jogos Ultra Sun e Ultra Moon, os dois filmes de Tri (mesmo com todos os defeitos, mesmo com o final triste do último).  Enquanto tivermos coisas como essas nas nossas vidas, conseguiremos sobreviver. Eu pelo menos conseguirei.

 

 

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Agora que já falei sobre os principais artistas e músicas deste ano, deixo aqui algumas notas sobre outros músicos do meu nicho. Bryan Adams lançou Ultimate, um Greatest Hits com um par de músicas novas, Ultimate Love e Please Stay.

 

Ultimate Love tenta abordar temas atuais e ser inspiradora, mas não consegue elevar-se acima de clichés e banalidades. De Please Stay gosto mais, apesar de não fugir muito à fórmula das canções de amor de Bryan Adams. Essa, ao menos, tem passado algumas vezes na rádio.

 

Não tenho mais a dizer sobre estas faixas. Aqui entre nós, tanto elas como o próprio CD, Ultimate, eram desnecessários.

 

  

Primeiro, os Spotifys e YouTubes desta vida tornaram os álbuns de Greatest Hits obsoletos. Se alguém quiser conhecer melhor um artista ou banda, vai às playlists This Is [Artist] ou pesquisa no YouTube e clica nos primeiros resultados. Fãs de longa poderão comprar o CD para a coleção, mas calculo que muitos, como eu, limitar-se-ão a comprar as músicas inéditas no iTunes.

 

Segundo, o álbum de inéditas mais recente do Bryan saiu há apenas dois anos. Não fazia falta material novo tão cedo, na minha opinião.

 

Dito isto, é bom saber que Bryan ainda não se acomodou, continua com vontade de fazer e lançar música, dar concertos. Conforme escrevi há quase dois anos, se o Bryan ainda não se cansou, eu também não me canso.

 

Por sua vez, Sharon den Adel, dos Within Temptation, inaugurou um projeto a solo, de nome My Indigo. O álbum, homónimo, tem lançamento marcado para 20 de abril e já duas canções foram divulgadas: uma homónima, My Indigo, e Out of the Darkness.

 

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Tenho gostado do que ouvi até agora, sobretudo de My Indigo – a primeira que conhecemos, a meio de novembro. Estive quase para escrever sobre ela, nas Músicas Não Tão Ao Calhas, mas preciso de mais tempo para decifrar a música. Prefiro esperar pelo lançamento do álbum.

 

My Indigo é, assim, o primeiro álbum por que esperar em 2018. Outro será, possivelmente, o sexto de Avril Lavigne… que, se se recordarem do texto do ano passado, ela tinha prometido para este ano. Eu, na altura, pensava que estava a ser pessimista quando dizia para apontarmos para novembro e dezembro. Pelos vistos não estava…

 

Não é o atraso em si que me incomoda, atenção. Não me importo de esperar… muito. A doença de Lyme não é brincadeira nenhuma, os sintomas podem durar anos (alguns fãs esquecem-se disso). Mesmo tirando o Lyme da equação, também não quero que a Avril lance material com o qual não esteja satisfeita, só porque os fãs estão impacientes. Um bom álbum pode demorar um ano ou cinco a ser lançado. Mas um mau álbum dura para sempre depois de partilhado com o mundo.

 

Confesso que um dos motivos para pensar assim foi um tweet da Lorde, há algumas semanas: quando um idiota qualquer reclamou com ela por ter demorado quatro anos a lançar um álbum, ela disse não vai lançar álbuns “que existam apenas numa única dimensão”, nem que leve dez anos a criá-los.

 

  

Não, o meu problema não é a demora – sobretudo se o sexto álbum valer a espera. O meu problema é que a Avril tem a mania de fazer promessas que depois não cumpre. Ela, por exemplo, passou os primeiros meses de 2017 deixando pistas sobre possíveis canções novas, em especial Warrior. Chegou mesmo a dizer, num vídeo, que “fez um álbum sem tentar fazer um álbum”. Mas, depois disso, passaram-se meses e meses sem mais nada de concreto e, no mês passado, num direto do Facebook, disse mesmo que ainda nem sequer tinha gravado Warrior.

 

Isso para não falar da palavra “soon”, que já se tornou um meme entre os fãs.

 

Eu nem me posso irritar com ela, porque já não é a primeira vez que ela faz isto. Já com os últimos dois álbuns foi este drama. Preferia mil vezes que ela se mantivesse calada, demorando o tempo que quiser em estúdio, e, quando estivesse pronta – e por “pronta” quero dizer já com nome, capa, tracklist, pelo menos um single lançado e, de preferência, CDs físicos sendo já enviados para as lojas e datas de digressão marcadas (para Portugal, por favor!!!!) – fizesse o grande anúncio nas redes sociais.

 

E, mesmo assim, acho que só acreditaria quando as músicas aparecessem no Spotify ou no iTunes.

 

  

Em todo o caso, espero mesmo que este álbum valha este drama todo. Vai ser bom ouvir música nova da Avril, depois de tudo o que aconteceu desde o último álbum.

 

É com esta nota de esperança que termino este texto. Deixo uma playlist com as músicas de que falámos aqui.

 

 

Também podem ver e ouvir aqui as músicas que mais toquei no Spotify este ano, se quiserem.

 

Que 2018 corra melhor para todos nós (já será bom se não ocorrer mais nenhuma tragédia, como a dos incêndios florestais, e se mais nenhum dos meus heróis ou qualquer pessoa de quem goste, morrer). Que não falte boa músicam, pelo menos. Fiquem bem. Feliz Ano Novo!

Lorde - Melodrama (2017)

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A cantora neozelandesa Ella Yelich-O’Connor, mais conhecida por Lorde, lançou o seu segundo de estúdio, Melodrama, no passado dia 16 de junho. Se acompanham o meu blogue, saberão que só no ano passado é que ouvi o seu primeiro álbum, Pure Heroine – no entanto, cativou-me logo. Quando se soube que vinha aí Melodrama, fiquei, naturalmente, interessada – sobretudo depois de ouvirmos Green Light e Liability. Pure Heroine é um álbum excelente a todos os níveis, sem falhas significativas. Será que Melodrama consegue atingir a fasquia deixada pelo seu antecessor?

 

Bem, sim. Lorde tem apenas vinte anos de idade, mas já conseguiu a proeza de ter dois álbuns excelentes no seu currículo. A miúda não é deste planeta!

 

É muito difícil dizer qual dos dois álbuns é o melhor. No entanto, uma das coisas que prefiro em Melodrama é a instrumentação. Pure Heroine caracteriza-se pela produção minimalista. As músicas são conduzidas pela voz, só com batidas e um ou outro instrumento ou sintetizador, tudo muito discreto.

 

Não estou a dizer que isso seja defeito ou que as músicas pedissem mais instrumentos – pelo contrário, faz parte do carácter do álbum. Eu, no entanto, sempre gostei de instrumentos em música. Como tal, fiquei feliz por instrumentos como, por exemplo, o piano (em várias canções), o clarinete (em Sober), os violinos (em Sober II/Melodrama e Writer in the Dark), participarem em Melodrama – e de forma inteligente, como veremos a seguir.

 

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Tínhamos comentado, a propósito de Green Light, que a narradora desta faixa parecia ser uma miúda embriagada, acabada de se separar, que sai à noite para esquecer o ex-namorado; que se esforça desesperadamente por se divertir e mostrar que está a seguir em frente, mas que sofre em silêncio. Na verdade, o mesmo parece acontecer com o resto de Melodrama. O álbum reflete as diferentes fases, as diferentes emoções, pelas quais uma pessoa passa enquanto recorre ao estilo de vida festeiro – sexo, álcool, drogas, as chamadas party-bangers – para ultrapassar uma separação. Lorde referiu mesmo, em entrevista, que todas as canções decorrem na mesma noite.

 

Ora, quem me conheça minimamente saberá que esse estilo de vida pouco ou nada me diz. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes que fui a uma discoteca – das vezes que me diverti, foi por causa da companhia e não do ambiente. Se é para chegar trôpega a casa a altas horas da noite, prefiro que seja após um concerto ou festival de música.

 

Além disso, nunca fui grande fã de party bangers.

 

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No entanto, sei perfeitamente que muitos apreciam este estilo de vida – ou, pelo menos, passam por uma fase em que o apreciam. Aos dezanove/vinte anos, como a Lorde, às vezes antes, às vezes mais tarde. Como tal, não me vou armar em moralista nesta análise – até porque o álbum Melodrama acaba por desmistificar este estilo de vida, obriga-nos a olhar além do glamour, dos filtros do Instagram.

 

Uma das características de Melodrama, aliás, é a auto-consciencialização: a noção de que nada daquilo é real e/ou duradouro. Nem a festa, nem os romances mais ou menos sérios. É tudo melodrama: um exagero, mesmo uma paródia da realidade.

 

Falemos, então, das canções em si. Green Light funciona bem como introdução a Melodrama. Na tracklist seguem-se duas músicas que se centram no ponto alto da festa. Das duas, a minha preferida é Sober.

 

 

Esta, de início, segue o estilo típico de Lorde, com batidas e instrumentação mínima. Ressaltar a repetição de “Night, midnight, lose my mind”, marcando o ritmo. Quando chega o refrão, a partir do meio, os versos são pontuados por notas de clarinete (ou de corneta? Não sei, é um instrumento de sopro de metal) – um dos exemplos da instrumentação inteligente em Melodrama.

 

Faz-me desejar, aliás, que tivéssemos mais clarinetes ou instrumentos do género na música pop.

 

A letra de Sober parece falar sobre um caso de uma noite só – ou, pelo menos, um caso que se limita à parte física, à euforia. A narradora compara-o a um delírio febril, ao efeito de uma droga. Na verdade, é dado a entender que a outra parte parece mais investida na relação que a narradora – que, por sua vez, parece ter perfeita noção de que aquilo não sobreviverá à ressaca: “But what will we do when we’re sober?”.

 

Essa pergunta será, aliás, respondida mais à frente no álbum. Antes, temos Homemade Dynamite. Esta é a música de que menos gosto em Melodrama. Não que seja uma música má – este álbum, ou melhor, Lorde não tem músicas más – ou mesmo que não goste de todo. Apenas não a acho tão interessante como o resto de Melodrama.

 

 

Segundo terá dito a própria Lorde, Homemade Dynamite marca, essencialmente, o momento na festa em que as drogas começam a fazer efeito. Em termos de letra e tema, acaba por não ser muito diferente de Sober, visto que até fala de um possível caso de uma noite só. Musicalmente, não difere muito da típica sonoridade de Lorde, embora com um ritmo mais dançante. Consta que deverá ser single a certa altura. Não é de surpreender – composta com Tove Lo, Homemade Dynamite é a mais parecida em Melodrama com a típica party banger.

 

No entanto, preferia Sober como single. Ou então Supercut.

 

The Louvre é o mais parecido que temos em Melodrama com uma canção de amor. A letra supostamente descreve a relação de Lorde com o, agora, ex-namorado. Ao contrário de uma típica canção de amor, a descrição que esta faz do romance não é propriamente idílica: temos referências a ilusão, obsessão, vício, mesmo estupidificação. A narradora admite mesmo que negligencia os amigos a favor do amante. Ao mesmo tempo, descreve aquela fase em que o casal se considera superior aos simples mortais, dignos de figurar no Louvre (na parte de trás, mas o Louvre é o Louvre). Amam, assim, perdidamente e dizem-no cantando a toda a gente (“Broadcast the boom boom boom boom and make’em all dance to it”).

 

Musicalmente, The Louvre é conduzida por acordes de guitarra graves e discretos, aos quais vão sendo acrescentados elementos deliciosos aqui e ali: como as batidas no refrão e as notas de guitarra elétrica (ou órgão? Não consigo perceber ao certo…) no fim.

 

  

 

No entanto, Melodrama também mostra o lado menos bonito, tanto das festas como dos romances. Sober II (Melodrama) é uma das minhas músicas preferidas neste álbum e também uma das mais interessantes. Funciona bem como sequela a Sober pois as melodias são parecidas e a letra responde à pergunta deixada pela prequela: o que acontece depois das drogas. Naturalmente, em Sober II (Melodrama) temos referências a arrependimento, censura, consequências inesperadas – gosto particularmente dos versos “They’ll talk about us and discover how we kissed and killed each other”. Repete-se muito a frase “We told you this was melodrama” – não foi falta de aviso, eles sabiam no que se estavam a meter.

 

A instrumentação nesta música é perfeita. A abertura com os violinos frios, dolorosos, implacáveis, evocam na perfeição as dores de cabeça e fotofobia típicas de uma manhã de ressaca. Não será por acaso que a música quase homónima da P!nk, Sober, usa violinos de maneira semelhante, sobretudo no final da faixa.

 

Passemos, então, às chamadas break up songs, para além de Green Light. Uma delas é uma faixa com duas partes: Hard Feelings/Loveless. Em termos de sonoridade, não divergem muito do estilo habitual de Lorde. A primeira parte é lenta, suave, conduzida por batidas leves e um sintetizador discreto, que se vão tornando mais intensos. A segunda parte, por sua vez, é bem mais dançante, conduzida por batidas, com notas de piano apimentando os vocais.

 

Em termos de letra, Hard Feelings parece começar no rescaldo imediato da separação, num momento de grande vulnerabilidade, em que a ferida é ainda recente. Lorde referiu mesmo que esta música é a calma após a grande discussão, a grande separação. Em consonância com o tema geral do álbum, temos referências a ressaca, a pós-melodrama.

 

  

Há uma ideia de passagem do tempo à medida que a canção decorre. Na segunda estância, assim, a narradora procura manter-se ocupada, aprender a estar sem o ex-namorado. A dor permanece, mas a narradora está determinada a esquecê-lo, a ultrapassar a separação.

 

É tão eficaz, na verdade, que a segunda parte da canção, L.O.V.E.L.E.S.S. é a completa antítese de Hard Feelings. Aqui temos uma Lorde em modo vingativo, anti-romântico, troçando abertamente do ex-namorado e do amor em geral. Lorde chama mesmo ao seu grupo “A geração sem amor”, que gozam com os respetivos amantes (ela descreve-o de forma mais colorida…). Nesse aspeto, a versão do vídeo acima, que ela filmou com um grupo coral e uma boombox à anos 90, faz todo o sentido.

 

E é muito fixe!

 

  

Writer in the Dark, por sua vez, é uma balada de piano, à semelhança de Liability, acompanhada por violinos no refrão e no final da música. Não posso deixar de assinalar os vocais agudos de Lorde, no refrão: meu. Deus. Como é que ela faz aquilo?

 

Em termos de tema, Writer in the Dark é muito parecida com Hard Feelings: ambas exprimem amargura e ressentimento pela separação e, ao mesmo tempo, manifesta o desejo de seguir em frente com a sua vida. Assumindo que a letra é verídica, descobrimos que o ex-namorado não era homem suficiente para aceitar o sucesso de Lorde. Esta, assim, sentiu-se obrigada a diminuir-se, a tirar pedaços de si mesma, para não ferir o orgulho dele.

 

Não nego que o facto de a música ter “escritora” no título me agrada particularmente. No entanto, neste contexto, acho que significa mais “artista” do que outra coisa qualquer. Alguém que, se calhar, sente as coisas com demasiada intensidade e que imortaliza as suas emoções na sua arte.

 

  

Consta que Supercut é uma favorita entre os fãs. Não é difícil perceber porquê. Musicalmente, é como se Green Light e Ribs se juntassem e tivessem um filho: riffs de piano parecidos com os da primeira, batidas parecidas com as da segunda, o ritmo dançante de ambas.

 

O termo “Supercut” refere-se a uma montagem de vídeos que, geralmente, se focam num elemento único – tipo isto. É isto que passa na mente da narradora: um greatest hits da relação que terminou, sem as partes menos boas, em constante repetição. O verso “In my head I do everything right” soa-me particularmente triste – é muita mágoa e arrependimento numa única frase.

 

Gostava de chamar a atenção para o verso “In your car, the radio up”. É um tema recorrente que Lorde e Avril Lavigne têm em comum: no carro com os interesses românticos. No caso da Avril, o exemplo mais flagrante é Complicated: “I like you the way you are, when we’re driving in your car”. Carros voltam a aparecer, em contexto semelhante, no quinto álbum, com as músicas 17 (“My favorite place was sitting in his car”) e You Ain’t Seen Nothin’ Yet (“Your car, I’m sitting right beside you”).

 

É possível, no entanto, que estas sejam referências propositadas a Complicated.

 

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Por sua vez, Lorde já explorara esse tema em 400 Lux. Em Melodrama, para além de Supercut, Green Light aborda-o de passagem (ao falar do “carro de outro”) e, em Hard Feelings, serve de metáfora à relação que tem os dias contados.

 

Já falámos sobre Liability antes. Ouvindo-a no contexto do resto do álbum, encaixa-se bem no contexto de Melodrama. Existem, mesmo, várias interpretações possíveis que se encaixariam. Para além de poder referir-se à relação que terminou, poderia referir-se a alguém que não gostou da festa e culpa a narradora por o(a) ter arrastado para a mesma. Ou então o contrário: alguém que se aproveitou do espírito festeiro da narradora e a descartou na manhã seguinte, depois de obter o que queria.

 

Liability tem, no entanto, uma reprise, mais à frente em Melodrama. Não sei ao certo qual é a diferença entre uma reprise e uma sequela ou segunda parte. Esta, no entanto, parece funcionar como uma correção à música original. Ao contrário de Liability propriamente dita, que é uma balada de piano, Liability (Reprise) aproxima-se mais do som habitual de Lorde, ao limitar-se a batida e vocais.

 

  

Na letra, a narradora percebe que ela não é um risco, não é o problema, nem no que toca a relação que terminou nem no que toca à desta. Começa, aliás, a aperceber-se nos efeitos nocivos deste estilo de vida. Que a rapariga embriagada na festa, tentando esquecer o namorado, não é a sua verdadeira identidade. Que aquilo é tudo melodrama, como referimos acima: não é real.

 

E assim se abre caminho para o epílogo do álbum: Perfect Places.

 

Esta é a minha música preferida em Melodrama e talvez mesmo em 2017, até agora. Em termos de sonoridade, de início, não difere muito do estilo habitual de Lorde, com a batida e o sintetizador discreto. Entretanto, ouvem-se algumas notas de piano, o sintetizador ganha intensidade. Por fim, Lorde faz “tch-tch”, como quem engatilha uma arma ou ativa uma bomba, e a música explode com um dos melhores refrões dos últimos anos – um híbrido do refrão de Team com Midnight City, dos M83, com notas de piano e sintetizadores à anos 80.

 

  

A letra de Perfect Places faz um resumo dos temas recorrentes em Melodrama e ainda acrescenta coisas. Vemos a narradora recorrendo às festas como escapismo: não apenas no que toca à separação, esmiuçada no resto do álbum, mas também à atualidade, ao clima, ao desaparecimento de heróis, ao controlo excessivo por parte dos demais. A própria Lorde admitiu que era esse o caso para si e para os amigos, sobretudo durante o verão do ano passado – que procurava uma fuga à realidade, que tinha medo de estar a sós com os seus pensamentos (“Now I can’t stand to be alone”).

 

Este verão tenho percebido um pouco de que Lorde fala em Perfect Places. O verso “I hate the headlines and the weather”, por exemplo, faz-me pensar na tragédia dos incêndios. E o verso “All of our heroes fading”, que Lorde admitiu referir-se às mortes de David Bowie e Prince, no ano passado, faz-me pensar no Chester.

 

Por outro lado, a perda de ídolos, a humanização das pessoas e instituições que venerávamos em miúdos, é uma das etapas do crescimento. Eu, pelo menos, passei por uma fase assim quando tinha aproximadamente a idade da Lorde.

 

Posso não me identificar com o estilo de vida descrito em Melodrama, mas identifico-me definitivamente com o desejo de um escape, a procura de um sentido, de algo que transcenda a realidade. Mas procuro esses sítios perfeitos noutros lugares: na praia onde passo férias desde miúda, num concerto, num jogo da Seleção, num encontro do Pokémon Go ou do Odaiba Memorial Day ou, pura e simplesmente, numa jantarada com familiares e/ou amigos.

 

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Curiosamente, no outro dia, o modo aleatório do Spotify tocou Innocence, de Avril Lavigne, a seguir a Perfect Places. E, de facto, parece que Lorde estava à procura daquilo que Avril encontrou em Innocence.

 

Perfect Places, de resto, faz-me lembrar I Still Haven’t found What I’m Looking For, dos U2, e See the Light, dos Green Day. Não só por funcionar bem como um epílogo para Melodrama, mas também por transmitir aquela sensação agridoce de quem está à espera e/ou à procura de uma resposta. Ao longo de Melodrama, Lorde procurou-a numa pista de dança, no fundo de um copo, numa droga qualquer, nos braços de um estranho. Até perceber, em Perfect Places, que a resposta não está ali.

 

Onde a procurará a seguir? Descobriremos no próximo álbum, suponho eu.

 

Melodrama é prova de que é possível fazer música pop, música de festa/party bangers que não seja vazia de sentido ou de qualidade duvidosa. Não que isso seja de surpreender: Pure Heroine já tinha provado mais ou menos o mesmo. Lorde, pura e simplesmente, joga num campeonato diferente em relação aos simples mortais, não há comparação possível.

 

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Gostava que Melodrama estivesse a ter mais rotação, no entanto. Ainda não ouvi nem Green Light nem Perfect Places nas rádios portuguesas. Também não me parece que, lá por fora, Melodrama esteja a ter o mesmo impacto que Pure Heroine teve, na altura (posso estar enganada). Acho que será uma questão de tempo, contudo.

 

Quanto a mim, gosto imenso de Melodrama. Acho que vou passar muito tempo, ainda, a decifrar estas canções – tal como ainda acontece com Pure Heroine. Talvez até escreva uma análise ao primeiro álbum de Lorde – não para lá, antes a médio/longo prazo.

 

Apesar de reconhecer que Ella é uma excelente cantora e compositora, ainda não tenho um vínculo emocional com ela como os que tenho com outros artistas de quem gosto. Mas também isso é uma questão de tempo – sobretudo se ela vier em digressão a Portugal, em breve.

 

Quanto a nós, vou fazer uma pausa nos textos sobre música aqui no blogue. A única exceção será quando Bryan Adams lançar duas músicas novas no outono, juntamente com um álbum Best Of, tal como anunciou aqui (pensava que já ninguém lançava álbuns Best Of...). Tenciono escrever sobre Once Upon a Time a seguir – mas deverá ser um texto mais curto que o último. Até lá...

Músicas Não Tão Ao Calhas - Liability e Battle Symphony

Uma semana após lançar Green Light, a cantora neo-zelandeza Ella Yellion-O’Connor, de nome artístico Lorde, disponibilizou mais uma canção do seu próximo álbum, Melodrama. Esta chama-se Liability. A minha ideia era analisá-la logo a seguir ao lançamento. No entanto, precisei de alguns dias para decifrar esta canção. Como, entretanto, os Linkin Park lançaram hoje Battle Symphony – o novo single do seu próximo álbum, One More Light – resolvi analisar ambas as canções no mesmo texto.

 

Primeiro as senhoras...

 

  

I’m a little much for everyone”

 

Acho que nunca tínhamos ouvido Lorde soando tão triste. Fiquei de coração partido depois de ouvir esta faixa pela primeira vez. Liability é só piano e voz. Como acontece com as melhores canções de Lorde, a voz faz o trabalho todo – transmitindo na perfeição toda a dor, vulnerabilidade e autocomiseração da narradora.

 

Tal como acontece com Green Light, a letra de Liability tem várias camadas e múltiplas interpretações possíveis. Das primeiras vezes que ouvi Liability, pensei que esta se referia ao fim de uma relação amorosa – alguém que se tinha envolvido com a narradora, tratando-a como um mero divertimento temporário, abandonando-a quando se fartou dela ou ela pediu mais.

 

Não que esta interpretação não seja legítima, mas Lorde revelou que não compôs Liability pensando em relações amorosas. Em várias entrevistas, Ella disse que se inspirou naquelas situações, em que tentamos fazer amizades, mas receamos que os outros nos achem um fardo. Também se terá inspirado nas consequências negativas da sua fama – por ela ser uma celebridade, as pessoas próximas de si, por contágio, são obrigadas a lidar com a perda de privacidade, o escrutínio por parte do público.

 

É de admirar que Ella sinta que só atrapalha a vida das pessoas à sua volta?

 

Perante tudo isto, é natural que Lorde acabe por se virar para si mesma, por se tornar a sua própria melhor amiga.

 

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Confesso que me identifico com a letra de Liability. Já referi várias vezes aqui no blogue que sou introvertida e não faço amigos facilmente. Também já tive situações em que me senti indesejada. Ou que senti que não sou assim tão cativante para que as pessoas se interessem por mim a longo prazo, que sou demasiado estranha para a maior parte das pessoas.

 

É claro que isto é apenas a minha perceção, pode nem sequer corresponder à verdade.

 

De qualquer forma, também prefiro, muitas vezes, fazer companhia a mim mesma, tal como Lorde refere. Eu, porém, se tivesse oportunidade de dar um conselho a Ella, sugerir-lhe-ia uma alternativa ao isolamento: um cão. Conforme tenho vindo a aprender com a minha cadela, Jane, os cães estão sempre felizes por nos verem, não tecem juízos de valor, não se fartam de nós. São uma ótima companhia.

 

Por norma, é muito fácil esquecermo-nos que Ella é ainda muito nova. Em Liability, no entanto, nota-se essa juventude. Creio que uma pessoa mais velha não escreveria de uma forma tão crua e emotiva, com um pouco de autocomiseração à mistura. A própria Lorde admite que compôs esta canção numa altura em que sentia pena de si própria.

 

  

A ideia com que fico é que esta deverá ser a regra para este álbum: emoções cruas, exageradas, que poderão não corresponder cem por cento à realidade, tipicamente adolescentes. Talvez seja essa a explicação para o título Melodrama. Lembra-me, um pouco, Under My Skin, de Avril Lavigne. Este álbum também teve momentos melodramáticos que, conforme se veio a descobrir, foram apenas uma fase.

 

Em todo o caso, estou a gostar muito do que conhecemos, até agora, de Melodrama: duas músicas muito complexas, com diversas camadas e significados que se vão multiplicando com o tempo. Que inspiram testamentos aqui no meu blogue. Mal posso esperar por ouvir o resto.

 

Mas antes ouviremos One More Light, dos Linkin Park, que incluirá Battle Symphony.

 

 

All the world in front of me”

 

Conforme escrevi anteriormente, o primeiro single de One More Light, Heavy, desiludiu-me. Battle Symphony tem várias semelhanças com Heavy – a sonoridade suave, eletropop, radiofónica, os vocais melodiosos de Chester – mas, na minha opinião, está uns quantos furos acima do primeiro single de One More Light.

 

Para começar, o instrumental, sem ser nada de extraordinário ou mesmo original, é mais rico que o de Heavy. A minha parte preferida é o início do primeiro refrão, quando a bateria imita uma marcha militar – o que condiz com a letra. Gostava de tê-la ouvido mais vezes ao longo de Battle Symphony.

 

Mesmo assim, continuam a faltar guitarras elétricas.

 

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Devo dizer, também, que, apesar de pop, a melodia é cativante. Depois de ouvir várias vezes a música, dei por mim a cantarolar o refrão. A minha parte preferida, contudo, é a terceira estância.

 

A letra, infelizmente, deita um pouco a canção abaixo. Não que seja má. No entanto, tal como acontece em Heavy, é demasiado vaga, perde-se em clichés. Battle Symphony é a típica “fight song”, não traz nada de novo a um tema já muito batido.

 

Continuo insatisfeita com o estilo mais pop, mais comercial, contra o carácter da banda, que, ao que parece, os Linkin Park adotaram para este álbum. Dito isto, não me queixarei... muito... se o resto de One More Light for semelhante a Battle Symphony, desde que com letras melhorzinhas. De qualquer forma, prognósticos só depois de o álbum sair.

 

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Não devemos ficar por aqui em termos de música dos meus artistas preferidos – longe disso. A foto acima parece mostrar que os Paramore estão a filmar um videoclipe. O que quererá dizer que teremos um single muito em breve (máximo dos máximos daqui a um mês, juntamente com o videoclipe... acho eu).

 

Somando a isso o possível sexto álbum de Avril Lavigne, que mudou de gravadora e tudo (apesar de, por norma, estas coisas demorarem muito mais com a Avril), esperam-nos muitas mais entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas nos próximos tempos. Por um lado, é excitante voltar a escrever regularmente sobre música. Por outro, tenho medo de não conseguir dar conta do recado. Durante os últimos dois anos tivemos muitos poucos lançamentos novos por parte deste pessoal. Agora, está tudo a lançar música ao mesmo tempo. Vão ser muitos textos para escrever... quando existem outros sem ser sobre música na minha lista de prioridades.

 

Vou tentar despachar esses textos nas próximas semanas, nesse caso – incluindo um sobre um assunto que não abordo há imenso tempo. Continuem por aí, então.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Green Light

A cantora neo-zelandeza Ella Yelich-O’Connor, de nome artístico Lorde, lançou no passado dia 2 de março o single Green Light – o primeiro do seu segundo álbum de estúdio, Melodrama, que sairá dia 15 de junho.

 

“Did it frighten you? How we kissed when we danced on the light-up floor?”

 

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Green Light representa um desvio significativo relativamente ao estilo de Pure Heroine – mas não um desvio assim tão grande como uma parte dos fãs parece acreditar. A música de Lorde sempre incorporou elementos discretos de dance music – temas como Ribs, A World Alone e Bravado têm um certo carácter dançante. Esse carácter é ainda mais pronunciado em temas como Yellow Flicker Beat (da banda sonora dos filmes dos Jogos da Fome) e Magnets (a colaboração com Disclosure). Tendo tudo isto em conta, não, não me chocou particularmente que Lorde tivesse querido abraçar a dance music no seu segundo álbum – em Green Light, pelo menos.

 

Não se deixem enganar pela sonoridade à primeira vista radiofónica. Green Light está longe de ser um tema EDM de consumo rápido, daqueles que povoam a rádio dos dias de hoje. Pelo contrário, esta é uma daquelas músicas que precisam de ser ouvidas várias vezes para serem devidamente apreciadas.

 

Green Light é uma canção muito complexa, com muitos elementos. O piano é o instrumento predominante (consta que Ella e o seu produtor, Jack Antonoff, se inspiraram num concerto a que assistiram na véspera da composição de Green Light). A música começa calma e misteriosa, acelerando ligeiramente após alguns versos. A certa altura, no pré-refrão, o tom muda e o riff do piano, no fundo, vai criando um crescendo até ao explosivo refrão.

 

Lorde sempre se destacou pela sua voz grave e luxuriante, sem se tornar sonolenta (um feito de que Lana del Rey não é capaz). Em Green Light, Ella exibe todo o potencial da sua voz: ora acelerando ora abrandando a melodia, alternando sem dificuldade entre agudos e graves. O refrão torna-se um pouco repetitivo, mas os backvocals gritando “I’m wating for it That green light! I want it!” são irresistíveis.

 

  

Lorde afirmou, em entrevista, que Green Light foi inspirada pelo seu primeiro grande desgosto amoroso (recordemo-nos que ela ainda é novinha, só tem 20 anos). A letra, de facto, parece referir-se a uma fase ainda precoce de uma separação, em que a narradora está a tentar desesperadamente seguir em frente, sem grande sucesso. Temos referências a casos de uma noite única, “visões” do antigo amado em sítios inesperados, raiva. Lorde chegou mesmo a referir que a imagem que tem da narradora é a de uma rapariga embriagada, que se esforça por se divertir e não se ralar mas que, no fundo, chora pelo ex-namorado – de facto, por vezes, as pessoas que parecem mais alegres, mais exuberantes, são aquelas que mais sofrem em silêncio. Esta música, com uma sonoridade alegre mas letra amarga, exemplifica bem esta contradição. A narradora de Green Light está à espera do “sinal verde”, do momento em que poderá libertar-se de tudo, seguir em frente.

 

Como podem ver, Green Light possui diversas camadas, emoções contraditórias, sem perder a consistência. É possível, até, que vá ganhando novos significados com o tempo. Depois da desilusão que foi Heavy, é um alívio receber uma canção como Green Light, sinceramente.

 

À semelhança do recente single dos Linkin Park, Green Light é uma mudança significativa relativamente ao estilo anterior. Como seria de esperar, nem todos os fãs estão a reagir bem a isso. Mesmo eu não sei se me agrada completamente que Lorde entre em território mais dance pop. A diferença é que Green Light tem qualidade, está bem trabalhada, tem muito para oferecer. Quando é assim, sabe bem escrever sobre música!

 

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O álbum Melodrama estará disponível para pré-venda no próximo dia 10. Consta que, nessa altura, publicarão mais uma faixa do álbum. Depois de Green Light, estou ansiosa por mais música de Lorde. Tentarei analisá-la aqui no blogue, mas não estou em condições de prometer nada.

 

Porquê? Porque, com tudo o que tem acontecido e com a minha falta de organização, estou neste momento a trabalhar em três textos diferentes (quatro, se contarmos com este). Um deles é, obviamente, a análise ao último filme de Digimon Adventure Tri, mas esse ainda está em fase de planeamento. Vou tentar ir publicando estes textos ao longo das próximas semanas. A análise a Soshitsu deverá vir dividida em duas partes, à semelhança do que aconteceu com os dois filmes anteriores de Tri. Outro dos textos em que estou a trabalhar neste momento terá três partes, em princípio. Somando a isso a análise a uma possível música de Lorde e o blogue estará bastante ativo nos próximos tempos.

 

Por isso, continuem desse lado.

Música de 2016 #1

Hoje recupero uma tradição de fim de ano deste blogue: um texto ou dois ou três sobre a música que mais me marcou nesse ano. Não escrevi sobre isso no ano passado porque 2015 foi fraquinho em termos de música dos meus artistas preferidos: só Bryan Adams é que lançara um álbum e não tinha nada a acrescentar à minha análise. Tinha escrito sobre alguns dos singles que os Simple Plan foram lançando nos últimos meses desse ano, mas não gostei do álbum Taking One For the Team - limita-se a repetir fórmulas de discos anteriores, não tive pachorra. Além disso, há um ano andava entretida com os meus textos sobre Digimon 02 e Saikai. Não havia mesmo necessidade. Este ano já há.

 

O texto sobre 2016 terá duas partes (a segunda será publicada amanhã) vai, contudo, funcionar em moldes ligeiramente diferentes. Nos textos anteriores, tinha como regra (embora, tanto quanto sei, nunca o tenha explicitado aqui no blogue) só falar de artistas que tivessem lançado música nesse ano. Desta vez, vou falar de música lançada uns anos antes de 2016 (mesmo décadas, num caso particular). Estou a quebrar as minhas próprias regras mas, passe a expressão, que se lixe. Este é o meu blogue, escrevo sobre o que bem entender aqui. Foi para isso que o criei.

 

Assim, sem mais delongas, comecemos por falar de…

 

 

  • Lorde

 

 

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Já tinha escrito sobre Lorde aqui, poucas semanas após ouvir Pure Heroine pela primeira vez. Desde essa altura, a minha saudável obsessão pela jovem neo-zelandeza não diminuiu. Já tinha escrito antes que Lorde é uma artista muito única, diferente de tudo, não apenas em termos de estilo musical, também pelas suas letras. Lorde descreve Pure Heroine como uma ode à sua adolescência, mas o álbum é bastante maduro. De uma maneira paradoxal, para mim, Pure Heroine tem um carácter nostálgico, recordando-me a minha própria infância e adolescência, com faixas como 400 Lux e Ribs, mas também tem mensagens em que me revejo como mulher de vinte e seis anos - faixas como A World Alone e, sobretudo, Bravado (do EP The Love Club e/ou a edição Deluxe de Pure Heroine).

 

No dia do seu vigésimo aniversário, Lorde anunciou que tenciona publicar em breve o seu segundo álbum de estúdio. Depois de Pure Heroine se ter focado na sua adolescência, este focar-se-á na transição para a idade adulta. Sendo este um tema recorrente na discografia da minha banda preferida, sobretudo no seu álbum mais recente, eu gosto da ideia. Será difícil ela fazer algo melhor que Pure Heroine, mas estará sempre bem acima da média da maior parte da música dos dias de hoje.

 

 

  • Mika

 

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Como é do conhecimento geral, o cantor britânico Mika surgiu no mundo da música em 2007, com o álbum Life in Cartoon Motion e o single Grace Kelly e . Eu confesso que, na altura, não gostava muito dele. Não o odiava abertamente, mas não era de todo fã. Em parte por excesso de exposição - ele estava em todo o lado. Também foi uma boa parte por mesquinhez: lembro-me de estar a ver o Top +, na esperança de que falassem sobre a Avril e o seu The Best Damn Thing, que fora editado naquela altura, mas eles só falavam sobre aquele indivíduo. Admito, também, que os seus modos efeminados me deixavam pouco à vontade (talvez, na altura, fosse mais homofóbica do que pensava). Não me orgulho de todo desta minha antiga embirração. A letra de Grace Kelly podia ter sido dirigida a mim: “Do I attact you? Do I repulse you with my queasy smile? Am I too dirty? Am I too flirty? Do I like what you like?”

 

Em minha defesa, nunca fui de dedicar tempo a coisas de que não gosto. Ser ativamente anti qualquer coisa dá demasiado trabalho - prefiro dedicar o meu tempo a coisas de que gosto. Assim, limitei-me a ignorar Mika e, durante vários anos, mal me lembrei que ele existia.

 

 

Quando, este ano, fui ao Rock in Rio no dia 20 de maio com familiares e amigos, já tinha ultrapassado a minha embirração e encarei o concerto de Mika com mente aberta. E a verdade é que fiquei rendida.

 

Não me é raro ser convertida a um artista ou banda, que antes só conhecia superficialmente, após vê-los ao vivo. Sobretudo se eles têm boa química com o público e são capazes de me entreter, mesmo não conhecendo muito bem a música deles. Mika foi incrivelmente simpático, amoroso, cantou Over My Shoulder em versão fado e chegou a trazer a própria Mariza ao palco. É de surpreender que ele me tenha conquistado?

 

Converti-me, então, ao seu pop colorido e alegre. Ainda não ouvi a discografia dele completa, mas acrescentei várias músicas dele às minhas playlists habituais. Entre outras, a já referida Grace Kelly, Happy Endings, Relax (Take it Easy), I See You, Rain, The Origin of Love.

 

 

A minha preferida, contudo, é Underwater, uma canção de amor lindíssima. Guiada por um riff de piano inspirado em Elton John que vai em crescendo até ao refrão, altura em que se juntam batidas leves e soam os vocais prolongados, ligeiramente ecoados, de “Underwateeeeer…!”. Para mim, o mar sempre teve um carácter muito romântico, poético, misterioso - muito por influência da História e cultura portuguesa - e tanto o arranjo musical como os vocais e a letra (muito simples, mas adequa-se) condizem com esse imaginário.

 

A apresentação desta música foi, de resto, um dos pontos altos do concerto do Rock in Rio - sobretudo a parte em que o público se transformou num mar de luz. Foi um dos motivos pelos quais me apaixonei por Underwater, de resto. Neste momento, é uma das minhas canções de amor preferidas. Não digo que chegue ao Top 10 mas, se escrevesse hoje esse texto, estaria pelo menos nas Menções Honrosas.



 

  • Queen

 

 

 

Na mesma noite em que redescobri Mika (que partilha algumas semelhanças com a banda seguinte (aposto que não foi por acaso que foi escolhido para atuar na mesma noite), redescobri também aquela que - duvido que alguém discorde - é uma das melhores bandas de todos os tempos. Toda a gente conhece pelo menos uma canção dos Queen - eles possuem um número absurdo de músicas extraordinárias, intemporais. Eu já tinha uma ideia disso antes do Rock in Rio. O que este concerto fez foi reforçar essa ideia.

 

Antes de prosseguir, quero desde já deixar uma coisa eclarecida: no concerto do Rock in Rio (à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos) Adam Lambert atuou como vocalista, “substituindo” o lendário Freddie Mercury - algo que ainda hoje, vinte e cinco anos após a morte deste, suscita controvérsia, na minha opinião inútil. Freddie Mercury foi um génio musical sem par. Culpar Lambert por não ser Mercury é como culpar um futebolista dos tempos que correm por não ser Eusébio. Lambert, de resto, fez questão de de deixar bem claro, no início do concerto, que não pretende substituir Freddie, apenas homenageá-lo.

 

E, na minha opinião, fê-lo bem nessa noite. Há quem diga que as músicas são suficientemente fortes para garantir um bom espetáculo, mas Lambert não esteve lá só a cantar karaoke: ele entregou-se à atuação, interagiu com o público e com os membros veteranos dos Queen. Cantou bem - não tão bem como Freddie mas, lá está, ninguém canta tão bem como Freddie. Manteve-se fiel às versões originais das canções sem as imitar, introduzindo variações discretas. Os outros membros da banda tiveram, também, oportunidade para brilharem:  Bryan May tocou e cantou Love of My Life, Roger Taylor cantou These Are the Days of Our Lives e ainda teve um duelo de baterias com o filho Rufus Tiger Taylor, o baterista de apoio) e, em certos momentos, passaram vídeos de Freddie em atuações ao vivo. Na minha opinião foi um bom espetáculo. Não foi o mesmo que ter o alinhamento original mas foi, como se diz em inglês, the next best thing.

 

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E teve o mérito de, tal como referi antes, me fazer redescobrir os Queen, canções que eu já conhecia há anos - algumas delas desde pequena. Os Queen são maioritariamente uma banda rock, mas incluem traços de diversos estilos. As suas letras abordam temas muito variados. Na minha opinião, as canções são impossíveis de odiar, são autênticos clássicos inatacáveis. Tive uma altura, algures em junho, em que andava viciada em I Want to Break Free e, mais tarde, em Radio Gaga (ainda continuo um bocadinho). Não consigo referir apenas uma preferida pois têm sido várias e em diferentes alturas - e, mesmo assim, sinto que estou apenas a raspar a superfície da grandeza dos Queen, que ainda vou passar muito tempo explorando a sua discografia.

 

Em todo o caso, referir rapidamente algumas das minhas faixas preferidas no momento: I Want it All, These Are the Days of Our Lives (ando a perceber que tenho uma queda para músicas nostálgicas), Somebody to Love, Killer Queen, a inevitável Bohemian Rhapsody, Fat Bottomed Girls e We Are the Champions… por motivos óbvios.

 

Motivos esses, aliás, que me levam para a próxima música…



 

  • This One’s for You

 

 

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Também a mim me parece um sacrilégio passar dos Queen a David Guetta. Aliás, há uns bons quatro anos nem morta me apanhariam a incluir uma música do DJ francês nas minhas preferidas. Só mesmo se… se fosse o tema do primeiro campeonato de seleções A ganho por Portugal, algo por que esperei quase metade da minha vida.

 

Mas não é só por isso que This One’s For You, de Zara Larsson e David Guetta, está entre as minhas músicas preferidas de 2016. Mesmo antes de me converter, pelo menos em parte, ao EDM, já achava que o estilo musical combinava com futebol. No YouTube existem inúmeras montagens de vídeos de futebol com EDM como banda sonora e eu mesma fiz uma. Daí que não me tenha chocado a escolha de David Guetta para a composição do tema oficial do Euro 2016, até porque ele é francês (algo que só descobri há relativamente pouco tempo). Sempre foi melhor escolha que o Pitbull...

 

Não tinha assim grandes expectativas sobre This One’s For You. Uns meses antes de lançarem o single, Guetta lançou uma campanha convidando os fãs para gravarem vocais para a parte dos “Hey! Oh!”. Eu cheguei a tentar a minha sorte uma ou duas vezes, mas hoje, depois de conhecer a versão final, acho que essa é a parte menos interessante da música. Quando ouvi This One’s For You pela primeira vez, poucas semanas antes do Euro 2016, não achei nada de especial. No entanto, fui tomando-lhe o gosto ao longo do Europeu, graças ao genérico da competição, antes dos jogos e dos programas especiais. Nos programas de rescaldo da RTP, aliás, costumavam mesmo passar o resumo do jogo em questão com This One’s For You como banda sonora.

 

 

A verdade é que aquelas primeiras notas (de xilofone?) agarram-nos logo, refletem perfeitamente a alegria e o entusiasmo de um Europeu de futebol. É em torno dessas notas que a música se desenrola. Outra das imagens de marca da música é o apito (?) que soa depois do refrão - noutras músicas, apitos destes tornam-se irritantes mas, em This One’s For You, é usado na dose certa. E, de qualquer forma, combina com imagens de fintas e golos.

 

A letra é o elo mais fraco da canção, cheia de clichés de temas desportivos, mas não ao ponto de distrair de tudo o resto (e, como reza o meme abaixo, acabaram por incluir o nome do herói da final no refrão). Zara Larsson (que tem apenas dezoito anos) fez um ótimo trabalho com os vocais - esta música não é nada fácil de cantar.

 

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O videoclipe de This One’s For You não prima pela originalidade. No entanto, gostei do facto de terem criado uma versão diferente para cada Seleção qualificada para o Euro 2016, com imagens de participações anteriores em Europeus ou da fase de Apuramento deste. O vídeo de Portugal teria sido perfeito se não tivessem incluído imagens de Cristiano Ronaldo… no Manchester United (fail) e, sobretudo, da seleção grega festejando a vitória no Euro 2004 (isto é mais do que fail, é mau gosto). Só vi alguns dos vídeos para as outras seleções e não estive propriamente a examiná-los à lupa, mas nenhum deles parece ter fífias deste género.

 

Enfim, o que vale é que, depois deste Europeu, não faltarão imagens da Seleção Portuguesa para futuros videoclipes.

 

 

Não cheguei a ver a cerimónia de abertura do Euro 2016 em direto (não acho nada de especial), mas vi, obviamente, a cerimónia de encerramento. Apesar de, naquele momento, estar a transbordar de nervosismo por causa da final, achei a cerimónia bonita. Gostei da versão que tocaram de This One’s For You, com instrumentos a sério acompanhando a música maioritariamente eletrónica. De qualquer forma, a cerimónia não foi melhor que o encerramento do Euro 2004 (nada é!) ou mesmo do Mundial 2014 - entre outros motivos porque não houve play back (ou, pelo menos, não tão óbvio como em Paris…).

 

Como poderão concluir, eu acho que a música é boa e, provavelmente, manteria essa opinião mesmo que o Europeu não tivesse corrido bem para Portugal - ainda hoje gosto de La la la e Dar um Jeito, mesmo que o Mundial 2014 tenha sido uma tragédia de proporções épicas para as cores portuguesas. No entanto, desta feita tivemos um final feliz. This One’s For You deixou de ser apenas a música do Euro 2016, tornou-se também uma das nossas canções de vitória. Daí encontrar-se entre as minhas preferidas deste ano.

 

De igual modo, também destaco o Hino Seleção 2016 e o Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal, sobre os quais escrevi aqui. O primeiro, então, foi profético (“Um grito de campeão pelas ruas de Paris…”). Ah, e o Pouco Importa - uma resposta perfeita às críticas à prestação de Portugal no Euro.


A próxima canção de que falaremos também se relaciona com o Euro 2016. (Que cara é essa? Estive doze anos à espera disto!) Vai, no entanto, ficar para a segunda parte deste texto, amanhã. Até lá, boas entradas em 2017!

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